quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

DICAS NÃO CULINÁRIAS DE CHEFE

Tive um chefe que poderia ser chamado de “excêntrico” e que parecia gostar muito de mim (pelo menos, no início). Parêntese: sempre gostei de trabalhar com gente excêntrica e creio que essa tchurma também sempre teve simpatia por mim. Aliás, excêntricos e pessoas idosas, pois eu era o rei dos velhinhos e velhinhas, o que obviamente não acontece mais, já que achar alguém beirando os noventa, cem anos é mais difícil. Parêntese fechado. Esse chefe era um sujeito brilhante e parecia ser muito culto, mas tinha um jeito empolado de falar, pois seu vocabulario e frases pareciam linguagem escrita, não oral, nada coloquial, como se estivesse lendo um texto do século 19 em voz alta. Cumprimentava as mulheres beijando-lhes as mãos, morava com a mãe e era “solteirrão”. Resumindo, uma figuraça, para dizer o mínimo.
 
Mas aprendi duas coisas com ele que achei interessante partilhar com os amigos. Como era muito exigente ao cobrar o cumprimento de tarefas e metas estabelecidas “de comum acordo” com os subordinados, sempre repetia enfaticamente e com ironia este mantra criado por ele:
 
- “Justificativas, desculpas e explicações são boas e aceitáveis, MAS NÃO PAGAM FATURA”. E explicava: “se alguém vai à padaria para comprar pão e não o encontra, pouco importa para ele que a farinha não tenha sido entregue pelo fornecedor, que o padeiro tenha faltado, que a luz tenha acabado. Tudo isso é perfeitamente entendido, MAS O CLIENTE SAIRÁ SEM O PÃOZINHO QUENTE DESEJADO”.
 
Outra coisa de que me lembro é a crítica que fazia a expressões do tipo “esse assunto está patinando e não sai do lugar”. Como bem observou, o uso da expressão “patinar” está equivocado, pois quem está patinando está fazendo tudo, menos ficar parado no lugar. O correto será “patinhar”, andar com dificuldade, desajeitadamente como um pato. Fica a dica. 

2 comentários:

  1. KKKKKK eu gostei do jeito deste chefe. Muitas vezes a gente fica tentando se explicar e não resolve o problema de fato. Pior é quando o nosso chefe pede explicações de uma falha. Sabe, tentando "chover no molhado". Com um certo jogo de cintura eu já disse ao meu chefe. Algo assim:
    "Não posso explicar o motivo. Mas vou resolver o problema." Com o tempo eu fui perdendo a paciência de justificar erros e passei a ir direto na busca da solução. Quando possível. Para evitar stress mesmo. Bom texto!

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    1. Bom que tenha gostado! E você descobriu a “fórmula mágica”, com certeza. Quanto ao chefe citado, esse sujeito era mesmo uma figuraça. Não creio que valha a pena, mas se quiser conhecer um pouco mais, existem dois posts antigos (1ª e 2ª parte) em que falo sobre ele e transcrevo perguntas que me enviou através de e-mail. Os links são esses:
      https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2017/12/dialogos-de-plantao-parte-1.html
      https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2017/12/dialogos-de-plantao-parte-2.html

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