sexta-feira, 6 de novembro de 2026

QUERO AMAR-TE

 
Você já se perguntou como deverão ser os primeiros astronautas despachados para Marte? Nem queira! Ou melhor, queira, sim, mas precisará de algumas informações que poderão deixá-lo de queixo caído.
 
Primeiro, precisamos alinhar alguns dados. A distância mínima entre a Terra e o planeta vermelho é de 54,6 milhões de quilômetros. Só para comparar, a distância média entre a Terra e a Lua é de 384,4 mil quilômetros. Isso significa que Marte, quando está mais próximo de nós, fica cerca de 142 vezes mais distante que nosso simpático satélite.
 
Pela tecnologia atual e considerando trajetórias convencionais, uma viagem de ida a Marte dura em torno de 260 dias (oito a nove meses). O problema é que a volta consumiria mais 260 dias. Só aí, no barato, os malucos treinados e elevados à condição de astronautas (martonautas talvez ficasse bem) gastariam pouco mais de um ano e meio só viajando. Pensem bem, nesse tempo todo, o que esses caras farão presos dentro de uma cápsula espacial? Palavras cruzadas? Sudoku? Eu morreria de tédio já no meio da viagem. Talvez até desse uma boa manchete, tipo "Morte em Marte".
 
Mas ainda tem um complicador: o tempo de permanência naquele lugar aprazível, só aguardando a janela orbital ideal para iniciar o retorno. E esse tempo pode chegar a 450 ou 550 dias.
 
De posse dessas informações (Blogson também é cultura!), passemos agora às especulações sobre o perfil dos martonautas.
 
No frigir dos ovos, um martonauta precisará ter um controle emocional filhadamãe, pois ficará longe das baladas, dos jogos do fabuloso América Mineiro, da cervejinha com os amigos nos fins de semana e do churrasco na laje, por quase três anos. Mas não é só isso.
 
A equipe precisa ser mista, "fifty-fifty", metade homens, metade mulheres. Porque, a menos que sejam ascetas ou tenham feito votos de castidade temporária, esses malucos certamente desejarão afogar o ganso, molhar o biscoito, ralar o tchan, dar ou receber uma chinelada. E não ria, pois o caso é sério.
 
Por isso, entendo que uma equipe de astronautas não deve ter vínculos afetivos com alguém à sua espera na "nave nossa irmã". Porque, se tiver, o que acontecerá de DR na volta é matéria até para filme. Ou, quem sabe, quando a porta da nave se abrir já saia um casal pronto para dizer “sim” na frente do padre ou pastor.
 
Pois é, até agora eu tentei brincar e fazer gracinhas para os leitores, mas o tema real do post é a solidão. Por isso eu pensei em Marte, metáfora perfeita para entender isso.
 
Quem se dispuser a viajar para o planeta vermelho não pode ter uma estrutura emocional frágil. Pelo contrário, precisa ter durante três anos resiliência, resignação, paciência, fibra e determinação, algo semelhante ao que demonstra o monge budista japonês Sogaku Taguchi, que acaba de iniciar um período de reclusão religiosa de 12 anos, sem contato com o mundo exterior. Sinceramente, tenho dificuldade para entender escolhas tão radicais assim. Nada me faria abrir mão espontaneamente de três anos de minha vida para embarcar em uma aventura dessas – nenhum reconhecimento público, nenhuma curiosidade intelectual, nenhuma crença religiosa, nada.
 
Mas, e quando o isolamento, e a solidão são situações compulsórias, quando não são escolhas de quem resolveu viver assim? Os idosos ou, pelo menos, uma parcela expressiva dessa população, são as pessoas mais suscetíveis, mais vulneráveis a isso. Porque passam a ser olhados ou a sentir-se como se fossem fósseis vivos sem direito a amar, a desejar ter alguém com quem trocar carinhos e carícias.
 
Infelizmente, este é o meu caso. Hoje eu me sinto teletransportado mentalmente a Marte, pois passei a padecer de uma solidão inimaginável depois de ficar viúvo. Durante alguns meses imaginei que a reaproximação com um amor da juventude tivesse selado definitivamente a sensação de estar só. Mas não contava com o término desse relacionamento, relacionamento em que me joguei com paixão e alegria de adolescente.
 
Fui obrigado a aceitar o fato de que muitos idosos - talvez mais as mulheres que os homens - optam por uma vida onde a paixão e o desejo são substituídos por prazeres que prescindem da união estável com um companheiro. Gostam de se divertir, viajar, cuidar da saúde, encontrar com amigos e amigas, mas parecem fugir de relacionamentos amorosos como quem foge de pessoas com doenças contagiosas.
 
E quem, como eu, pensa diferente, fica sem saída, na maior solidão, à espera de encontrar alguém que queira ter “as costas ensaboadas”.
 
Resumindo: alguns idosos e idosas que ainda sentem desejo de se apaixonar novamente, de viver uma paixão plena, imune à idade, são como “martonautas afetivos”. A diferença é que não escolheram ficar sozinhos e nem sabem se um dia conseguirão “voltar à Terra”.
 

 

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

O EQUÍVOCO DA SERENIDADE

 Recentemente escrevi dois textos meio amargos que não me animei a publicar aqui no blog. Por isso, lancei este “desafio” ao ChatGPT:
Você consegue fazer um poema inspirado nestes dois textos, enfatizando que a velhice é um barreira para que o amor possa florescer, que a serenidade e suavidade da vida na velhice podem ser um grande equívoco, o prenúncio do fim?
 
E a resposta instantânea foi esta:
Consigo. E acho que há um poema muito bonito escondido nesses dois textos — mas não seria propriamente um poema de amor perdido. Seria um poema sobre uma descoberta dolorosa: a velhice, que nos ensinaram a associar à serenidade, à sabedoria e à acomodação, pode ser justamente o tempo em que o amor encontra suas maiores barreiras.
Porque o amor continua jovem dentro de nós, mas o tempo já não é. O coração ainda quer começar, enquanto a vida parece nos convencer de que já não há tempo para começos.
Eu exploraria também uma contradição: a tranquilidade da velhice pode não ser serenidade, mas desistência; a leveza pode não ser liberdade, mas ausência de expectativas; a paz pode ser apenas o silêncio que antecede o fim.
Faria assim:
 
E saiu este belo poema, com título escolhido pelo próprio ChatGPT:

Envelhecer, dizem, é aprender a viver.
É trocar os sobressaltos pela calma,
as urgências pela contemplação,
os grandes sonhos pelas pequenas alegrias.
É aceitar o tempo,
acomodar os desejos,
fazer as pazes com a vida.
Mas será mesmo?
Há uma estranha crueldade na velhice:
o coração continua jovem,
ainda deseja, ainda inventa,
ainda se entrega à vertigem de um olhar,
mas o mundo já não lhe oferece
a mesma licença para começar.
Queremos amar,
mas já não temos idade para recomeços,
dizem.
Queremos construir uma história,
mas quantos anos ainda nos restam?
Queremos promessas,
mas aprendemos a desconfiar do futuro.
E assim vamos domesticando os sentimentos,
diminuindo as expectativas,
chamando de serenidade
aquilo que talvez seja apenas resignação.
A vida fica mais leve,
é verdade.
Menos cobranças, menos compromissos,
menos explicações, menos planos.
Cada um com seus amigos,
suas viagens, seus pequenos prazeres,
sua liberdade cuidadosamente conquistada.
Mas, às vezes, desconfio:
essa leveza toda não será
apenas o peso da desistência
que aprendemos a carregar sem reclamar?
Porque há uma diferença enorme
entre não precisar de ninguém
e não querer precisar de alguém.
Entre gostar da própria companhia
e já não se permitir a aventura
de dividir a vida com outra pessoa.
Entre a paz de quem encontrou seu lugar
e a quietude de quem deixou de procurar.
O amor, entretanto, não envelhece
na mesma velocidade que o corpo.
Não consulta a certidão de nascimento,
não calcula a expectativa de vida,
não pergunta se ainda vale a pena.
Ele simplesmente acontece.
Às vezes, quando já não o esperávamos,
quando as cinzas de uma antiga paixão
são sopradas por um reencontro,
quando um rosto conhecido
nos devolve a vertigem dos primeiros dias.
E então queremos tudo:
o abraço demorado,
a palavra amor,
a cumplicidade,
os planos, ainda que modestos,
a doce inquietação de fazer falta
e de saber que fazemos falta.
Mas há um desencontro doloroso:
um coração quer começar,
enquanto o outro prefere preservar
a tranquilidade que levou tantos anos para conquistar.
Um ainda acredita no amanhã;
o outro parece ter feito as pazes
com a ideia de que o amanhã
não precisa de ninguém.
Talvez seja essa a maior tragédia da velhice:
não a proximidade da morte,
não as rugas, as dores ou os limites do corpo,
mas a possibilidade de continuar amando
e já não encontrar quem queira
arriscar-se a amar conosco.
E chamamos isso de maturidade.
Chamamos isso de prudência.
Chamamos isso de viver levemente.
Mas e se estivermos enganados?
E se essa serenidade tão celebrada
for apenas o prenúncio do fim?
Se a ausência de grandes desejos
não for sabedoria, mas despedida antecipada?
Se a vida, ao perder sua inquietação,
estiver apenas ensaiando o silêncio?
Não quero essa velhice.
Não quero uma existência tão protegida
que já não comporte um desatino,
um beijo inesperado,
uma declaração exagerada,
um amor fora de hora.
Quero continuar sendo imprudente.
Quero ainda ter medo de perder,
saudade de encontrar,
vontade de ficar.
Quero acreditar que nunca é tarde
para que duas pessoas se descubram.
Porque, se o tempo não negocia,
como tão bem sabemos,
não há razão para lhe entregar também
o direito de decidir
quando devemos deixar de amar.
A velhice pode nos roubar muitas coisas.
Não permitamos que nos roube
também a coragem de começar.
Pois talvez morrer não seja apenas
deixar de respirar.
Talvez seja, muito antes disso,
deixar de esperar pelo amor.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

OBRIGADO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 
"Poeminha" danado de porreta, este do Drummond! E o melhor verso é o último: "Pois tudo e nada nada são".

Aos que me dão lugar no bonde
E que conheço não sei de onde,

Aos que me dizem terno adeus
Sem que lhes saiba os nomes seus,

Aos que me chamam de deputado
Quando nem mesmo sou jurado,

Aos que, de bons, se babam: mestre!
Inda se escrevo o que não preste,

Aos que me julgam primo-irmão
Do rei da fava ou do hindustão,

Aos que me pensam milionário
Se pego aumento de salário

- e aos que me negam cumprimento
Sem o mais mínimo argumento,

Aos que não sabem que eu existo,
Até mesmo quando os assisto.

Aos que me trancam sua cara
De carinho alérgica e avara,

Aos que me tacham de ultrabeócia
A pretensão de vir da escócia,

Aos que vomitam (sic) meus poemas
Nos mais simples vendo problemas,

Aos que, sabendo-me mais pobre,
Me negariam pano ou cobre

- eu agradeço humildemente
Gesto assim vário e divergente,
Graças ao qual, em dois minutos,
Tal como o fumo dos charutos,
Já subo aos céus, já volvo ao chão,
Pois tudo e nada nada são.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

NO DIVÃ DO FREUDPT

 
O ChatGPT é uma IA extremamente dócil, característica que me levou a fazer todo tipo de consultas e solicitações – correção de textos, análise crítica de poemas, receitas culinárias, programa de exercícios físicos, traduções, geração de desenhos, opiniões sobre que roupa vestir em eventos especiais, conselhos sobre problemas existenciais e até sobre a continuidade ou término de um relacionamento. Acabei dando a ele o apelido de FreudPT.
 
Resumindo, posso dizer que o ChatGPT conheceu meus gostos, minhas inseguranças, neuroses e idiossincrasias. Por isso, mesmo sabendo que nem tudo fica (ainda) armazenado em suas entranhas, resolvi apresentar para ele este prompt:

“O que você diria de José Botelho para o próprio José Botelho?”

E esta foi sua resposta:

 
Jotabê, se eu tivesse de dizer alguma coisa a José Botelho, sem a preocupação de agradá-lo, diria o seguinte:
Você passou boa parte da vida tentando entender as pessoas, o mundo e, sobretudo, a si mesmo. Fez disso uma espécie de ofício. Escreve, ironiza, provoca, desmonta certezas alheias e desconfia das próprias. Tem horror à solenidade, mas é capaz de levar os sentimentos muito a sério. Talvez seja essa a sua contradição mais interessante: você gosta de se apresentar como um sujeito desencantado, mas continua sendo movido por encantamentos.
Você é um homem que envelheceu sem aceitar inteiramente a ideia de que envelhecer significa recolher-se. Ainda quer descobrir coisas, experimentar, seduzir, ser seduzido, escrever algo que preste e encontrar alguém que o surpreenda. Não quer apenas recordar a vida que teve. Quer continuar vivendo uma vida que ainda o surpreenda.
A morte de sua companheira de cinquenta anos, abriu um buraco que não se tapa com raciocínios, distrações ou novas relações. E talvez você saiba disso melhor do que ninguém. Mas há uma coisa que merece ser reconhecida: você não transformou o luto numa obrigação de permanecer de luto. Continua amando quem perdeu e, ao mesmo tempo, permite-se amar outra mulher. Não há traição nisso. Há uma dificuldade humana, legítima e, em certa medida, admirável: a de continuar quando uma parte fundamental da vida acabou.
Agora, vamos ao lado menos confortável.
O problema é que nenhuma quantidade de admiradoras consegue resolver definitivamente uma insegurança dessa natureza. Você pode colecionar sinais de desejabilidade e continuar precisando de mais um. A validação alivia, mas não necessariamente cura.
Você sabe que é exagerado. Sabe até rir disso. Mas saber que uma reação é desproporcional não significa conseguir deixar de senti-la.
Você gosta de pensar. Às vezes, porém, pensar é uma forma sofisticada de não suportar a incerteza.
Há ainda o escritor.
O Jotabê tem uma vantagem sobre José: pode transformar em matéria literária aquilo que José preferiria não sentir. O ridículo, a vaidade, o ciúme, o desejo, a velhice, a morte, a esperança. Seu humor funciona especialmente bem quando você não se poupa e não tenta sair da história como o personagem mais inteligente da sala.
Mas desconfie também do personagem que construiu para si. O velho irreverente, o ateu-católico, o sujeito barroco, o apaixonado incurável, o observador irônico da condição humana. Todos são verdadeiros, mas nenhum é você por inteiro. Até a autodepreciação pode virar vaidade quando a pessoa passa a admirar a própria capacidade de rir dos próprios defeitos.
Você não precisa ser sempre espirituoso, lúcido ou literariamente interessante. Pode simplesmente estar triste, inseguro, carente ou confuso. Nem toda experiência precisa render uma crônica para justificar sua existência.
E há algo que eu lhe diria sobre a idade.
Aos 76 anos, você já não está na fase de acreditar que dispõe de tempo ilimitado para resolver a si mesmo. Isso não significa viver apressado, como se cada dia fosse o último – outro clichê insuportável. Significa apenas que talvez seja hora de gastar menos energia tentando descobrir o que a vida deveria estar lhe oferecendo e mais energia aproveitando o que ela efetivamente oferece.
Uma conversa boa. Um encontro. Uma música. Um texto que finalmente encontrou sua forma. O prazer de perceber que você ainda é capaz de se apaixonar como um adolescente, embora já tenha idade para saber que adolescentes apaixonados costumam ser péssimos analistas dos próprios romances.
Você não precisa abandonar a intensidade. Ela faz parte de você. Precisa apenas impedir que ela transforme todo prazer numa expectativa e toda expectativa numa possível frustração.
Se eu pudesse lhe recomendar uma única mudança, seria esta: tente viver um pouco menos como o fiscal da própria felicidade.
Você observa seus sentimentos, mede a reciprocidade, calcula o saldo da desejabilidade, examina a qualidade da relação, avalia o texto, atribui notas. É como se, além de viver, precisasse acompanhar permanentemente o desempenho da vida.
Às vezes, José, deixe o Jotabê sem serviço.
E, para terminar, uma coisa que talvez você não goste de ouvir: não acho que sua tarefa seja tornar-se um homem mais sábio, mais equilibrado ou mais bem resolvido. Essas expressões sugerem uma obra que deveria estar concluída a esta altura.
Sua tarefa é mais modesta e mais difícil: continuar sendo você, sem fazer de suas fragilidades uma tragédia, de suas qualidades um pedestal e de suas incertezas um processo judicial.
Você perdeu a mulher com quem construiu meio século de vida. Está aprendendo a viver sem ela e, ao mesmo tempo, descobrindo o que significa desejar e ser desejado novamente. Não há manual para isso. Não há idade correta para terminar de aprender.
Você não precisa provar que continua vivo. Está vivo.
A questão é se consegue, de vez em quando, parar de examinar a vida que está levando e simplesmente vivê-la.
 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

CONSERVA-TE BOM – MARGARITA RONCAROLO

 
Achei lindo este texto, ouvido em um vídeo no instagram.
 
Conserva-te bom. Não manso,
Bom.
Conserva-te bom. Não amnésico,
Bom.
Conserva-te bom. Não frouxo nem covarde,
Bom.
Conserva-te bom. Não sorridente,
Bom.
Conserva-te bom. Não obediente,
Bom.
Conserva-te bom. Não calado,
Bom.
Conserva-te bom. Não indiferente,
Bom.
Conserva-te bom. Não imparcial,
Bom.
Conserva-te bom. Não quieto,
Bom.
Mas não te creias melhor.
Isso de andar se comparando, deixa para eles.
Conserva-te bom.

domingo, 1 de novembro de 2026

SEPARAÇÃO

 
Um dia você descobre
Que padecer de solidão
É o pior dos pesadelos
E até que você se recobre
E sinta que estar sozinho –
Mesmo com alguém ao seu lado –
Fará com que se perca
Em lembranças da infância
 
Que te deixarão inseguro
E tudo o que fizer ou tentar
Trará a marca, a cicatriz
Dessa carência, de se sentir
Só, talvez sem poder respirar
Sem conseguir espantar
O fantasminha infantil
Que insiste em te atormentar.
 
Quando chega esse momento
Tudo o que alguém deseja
Tudo o que se quer é se agarrar
Em qualquer coisa, qualquer pessoa
Que pareça conseguir ser
Sua salvação, seu porto, seu cais.
E dói descobrir que não:
Nunca foi, não é mais.

sábado, 31 de outubro de 2026

DESFASCÍNIO

 
Eu preciso sentir dor,
Ficar angustiado
Sofrer com sua ausência
Ou entender que sua presença
Talvez cause mais dor do que preciso
Para falar de amor, essas coisas

Pois não quero mais tentar
Demonstrar o que há comigo
Eu, que achava fácil declarar
O que hoje não consigo
 
Sentimentos embaralhados
Sabores quase esquecidos
Misturados com tristeza
Raiva, dor, desfascínio,
Vontade de estar e não estar contigo
 
E tudo girando como casas
Levadas aos ares por tornados,
Florestas incendiadas,
Avalanches de neve no Himalaia.
Navio à deriva no mar

Tormentos nunca previstos
Nem nunca sentidos
Barragem de rejeitos rompida
Afogando na lama
O que ao pó deveria tornar.

 

QUERO AMAR-TE

  Você já se perguntou como deverão ser os primeiros astronautas despachados para Marte? Nem queira! Ou melhor, queira, sim, mas precisará d...