segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

JACARÉ NO SECO ANDA?

Na dúvida, duas versões da mesma ideia. A escolha final é dos leitores.


 


ESPASMOS DA DEPRESSÃO

 
Não sei se é perceptível, mas, em virtude (nenhuma virtude, para ser verdadeiro) de ser emocional e eternamente imaturo, sempre gostei de fazer piadinhas e graçolas sobre quase tudo usando um humor de quinta série e um comportamento proposital e inescapavelmente gaiato, brincalhão, "galhofeiro" e inconsequente (que continua até hoje, apesar dos atuais setenta anos). Talvez tenha sido esse traço de (falta de) personalidade que me fez querido pelo pessoal da terceira idade quando eu era mais jovem, talvez também tenha me protegido e blindado parcialmente nas empresas onde trabalhei. Afinal, eu era o "simpático", um sujeito de sorriso fácil, bom humor permanente, inofensivo na aparência, afável, sempre bem disposto, sempre tentando criar um clima descontraído, sempre desejando ver as pessoas sorrindo.
 
Ultimamente, por mais que eu tente nunca despir essa fantasia, esse uniforme de Super-Simpático, está cada vez mais difícil exibir esses sub-poderes. Esta é uma explicação (des)necessária para o entendimento do clima dos próximos quatro posts, pois são retratos, flashes da depressão vivida em momentos recentes – esquizofrenicamente escritos de forma alternada com textos de "humor".
 
Para finalizar esta colcha de retalhos mal alinhavada e costurada, repito este  recado: a partir de amanhã, quatro posts escritos em momentos de extrema tristeza e desalento. Mesmo que surgidos em momentos distintos, resolvi encadeá-los, “enfileirar” um após o outro. Assim, meu amigo virtual Scant – que fica escandalizado com o baixo astral que às vezes me invade – não precisará ler nenhum. E só mais um comentário: quando eu quero fingir que não sou eu mesmo que estou "ali", eu também finjo escrever versos. Dupla mentira: nem são versos de verdade e sou eu mesmo que estou ali, no cu da depressão. Fui.
 

 

ESPASMOS DE IRRITAÇÃO

Em 29/12/2020, dia em que comecei a escrever este “desabafo-colcha de retalhos-explicação” para anunciar a publicação sequencial de quatro posts mega depressivos e escritos em momentos distintos, quarenta países já tinham começado a vacinar sua população. A Argentina – arqui-rival do Brasil no futebol – estava ganhando de goleada no quesito vacinação, pois começou naquele dia a aplicar a Sputnik, outra vacina "comunista" (ahahah!!!).
 
Esses fatos, acentuando pensamentos recorrentes e embolados com as restrições que a idade traz, geraram e geram espasmos depressivos que eu tento registrar como testemunhos de uma época infeliz em que me sinto acuado, sitiado por exércitos de vírus e de boçais, impedido de sair de casa sem correr o risco real de ser contaminado por um nano organismo que cavalga jumentos, antas e cavalões.
 
Na deliciosa música “Às vezes”, da Tulipa Ruiz há este versos “Às vezes quando eu chego em casa o silêncio me arrasa e eu ligo logo a TV”. Sorte dela poder chegar em casa, sinal de que saiu em algum momento. Infelizmente, por pertencer ao chamado grupo de risco (idoso, obeso, hipertenso, hipotiroideu e com uma “alteração não identificada no pulmão”), posso contar nos dedos das mãos do Lula as vezes em que saí de casa. Minha mulher é ainda um pouco mais vulnerável. E esta é a chave deste post.
 
Essa clausura vai dando uma gastura, um cansaço, uma tristeza que ao se acumular muito extravasa, "sai pelo ladrão" na forma de depressão, desalento, irritabilidade, fissura de dormir por um ano em posição fetal. Isso pode afetar (e afetou) o relacionamento com a mulher, os filhos, e com quem mais eu consegui “cravar os dentes”. Aí, para aumentar a dose, a dor, o terror, ouvi dizer depois de muitos atrasos e evasivas que a vacina chinesa não teria a mesma cobertura de outras vacinas. Isso não me incomodou tanto, pois desde que aprovada pela Anvisa eu tomaria essa vacina, qualquer vacina, mesmo que fosse feita de cocô de pombo ou restos de comida (lavagem) recolhida em chiqueiros de porcos.
 
Naquele momento o que mais me exasperou foi a queda de confiança que tinha em um mauricinho que deveria ter sido transparente desde o início, contraponto necessário a um imbecil e ignorante terminal que não percebe que tudo o que deseja seria facilmente obtido se tivesse quebrado seus preconceitos e corrido atrás das vacinas, de quaisquer vacinas, fossem elas desenvolvidas na China, na Alemanha, em Katmandu ou na África subsaariana, pois a vacinação maciça da população seria (será) para a Economia como água fresca para uma planta desidratada pelo calor. Mas parece ser esse um pensamento demasiadamente elaborado para seu cérebro primitivo de troglodita moderno.
 
Pois bem, depois de muita queda de braço desnecessária entre dois prováveis candidatos à presidência da “res pública”, tão mais inaceitável quando se fica sabendo que 250.000 mortes poderiam ter sido evitadas se a Anvisa tivesse analisado e liberado a “vachina” Coronavac tão logo as primeiras doses chegaram ao Brasil, finalmente a primeira dose foi aplicada.
 
Hoje, dia 17/01/2021, depois de muita enrolação, a Anvisa aprovou o "uso emergencial" das vacinas de Oxford (AstraZeneca) e Coronavac (a mesma que o imbecil terminal tanto criticou, menosprezou, condenou e ironizou). Imagino como ele deve estar puto pela primeira dose ter sido aplicada em São Paulo, pois parece que tudo o que queria era ter a primazia e o direito de iniciar a vacinação (com a AstraZeneca) antes que seu rival paulista pudesse fazê-lo (com a Coronavac), o que atenderia sua obsessão pela própria reeleição em 2022 (parece que “só pensa naquilo”). Mas a Índia fez como uma de suas vacas sagradas, cagou e andou para esse desejo, pois tem mais o que fazer.

Este texto está tão caótico e fragmentado (a causa é ter sido escrito em três datas diferentes) que resolvi dividi-lo em dois, pois as partes não estavam colando direito. Mas a diferença de publicação é só de dois minutos.

Para encerrar esta primeira parte deixo claro que não sou contra quem é de Direita; sou contra quem apoia a anta presidencial e é da Direita radical. O mesmo pode ser dito em relação à Esquerda. Não sou contra quem é de Esquerda, sou contra o PT, seus caciques e os fanáticos que só sabem gritar "Lula livre". Sou de centro-direita moderadíssima – mas contra quem vota ou pertence ao Centrão. E radicalmente (essa foi só para provocar espanto) contra todo tipo de radicalismo e fundamentalismo, seja ele político, comportamental ou religioso.
 


domingo, 17 de janeiro de 2021

FRASES CÉLEBRES

 
A História e as Religiões estão cheias de frases célebres ditas por filósofos, profetas, políticos, artistas e todo tipo de personalidade midiática de cada época. Alguém pode argumentar que no passado muito distante não existia internet nem televisão. Como poderiam existir personalidades midiáticas? Não sei e nem quero saber, pois falei só para encher lingüiça (mesmo não entendendo porra nenhuma de charcutaria). Para acalmar os ânimos dos leitores mais exaltados (alguns têm andado muuito exaltados!), diria que o Rei Midas certamente foi uma personalidade midiática. Mas deixa pra lá.
 
Voltando às frases célebres, tenho a suspeita ou quase total convicção (eu disse “quase” porque sou escorregadio, um invertebrado moral que não gosta de se comprometer com nada – exceto minha mulher, com quem já sou comprometido), repetindo para compensar o texto entre parênteses, tenho a quase total convicção de que muitas dessas frases são delírios da imaginação de quem as divulgou, mentiras piedosas, exageros de fanáticos ou auto-endeusamento de alguns com caráter muito duvidoso. Parafraseando o Vinícius de Moraes, ninguém vai me dizer que a frase é mesmo do autor a quem é atribuída sem provar muito bem provado, com certidão passada em cartório. E com firma reconhecida!

Vejamos alguns exemplos:
 
Até‚ tu, Brutus? (Bonde do Tigrão)
Do alto dessas pirâmides 40 séculos vos contemplam (Júlio Cesar)
Eu tenho perfil de atleta (Napoleão)
L'État c'est moi (Maria Antonieta)
Meu reino por um cavalo! (Jumentão)
Que grande artista o mundo irá perder! (Luis XIV)
Só sei que nada sei (Júlio César)
Se não têm pão, que comam brioches (Nero)
Veni, vidi, vici (Ricardo III)
Vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim (Sócrates)
 
Há também algumas frases bem legais que a elevada modéstia do autor impediu sua identificação. Por exemplo:

Jacaré no seco anda?
Cachorro que late n’água late em terra?
Comer suã faz suar? (certamente criada por um francófilo)
As aftas ardem e doem (germanófilo)
No meio de lobos uive como lobo (principalmente se estiver sendo mastigado)
Mede cem vezes e corta uma só (o autor tinha TOC)
Isso é do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça!
 
Como se pode ver, a sabedoria não está necessariamente vinculada a famosos e autoridades.Na verdade, há casos bastante conhecidos onde acontece exatamente o contrário disso. Mas comecei a falar sobre esse assunto ao lembrar-me de uma das frases mais célebres e imbecis de que tenho notícia. Não, não são as frases ditas por um mitômano nem as Blogson (geralmente imbecis mas nada célebres). A história é a seguinte:
 
Em meados do século XIX, David Livingstone, missionário (pastor) e explorador inglês foi dado como desaparecido em uma de suas viagens ao interior da África (para evangelizar os “selvagens”). Um editor do New York Herald,  totalmente sem noção (o editor, não o jornal) incumbiu um jornalista de sair à sua procura para fazer uma matéria com ele. O mais louco é que o pastor foi efetivamente localizado.  Ao encontrá-lo, o jornalista disse a frase célebre, na verdade uma pergunta registrada sabe Deus como  (ele devia ser mais sem noção que seu editor):
– “Dr. Livingstone, I presume?"
 
Numa boa, se fosse brasileiro, uma pergunta assim seria feita só pra tirar sarro. Como eram britânicos, o tom da pergunta deve ter sido de alívio e alegria. Mas eu, se fosse o "Livistón", teria respondido:
– “Não, mané, eu sou um hipopótamo, não está vendo? Que você acha? Olha em volta! Eu e você somos os únicos aqui neste cu de mundo que estamos com a pele da cor de camarão".
 
Por essas e outras é que eu digo: ainda bem que hoje existe o Parler para divulgar e eternizar só frases, notícias e informações verídicas!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

AUDIÇÃO PRIVILEGIADA

 
Dia desses, joguei um copo de leite gelado (300ml) no pote de toddy que já estava no final. Fechei, chacoalhei mas não bebi na hora (lembrei da música “vou apertar, mas não vou acender agora”), pois minha mulher me chamou e aquele precioso líquido ficou esquecido uns cinco dias em um canto da pia sem despertar suspeitas. Ontem à noite, quando me lembrei, resolvi beber a divina mistura. O pote me pareceu meio gordo, mas eu estava sonolento demais para ficar analisando design de embalagens. Ao abrir a tampa ouvi o “puf” de um gás, mas como estava sozinho, fiquei de boa. Emborquei o líquido sem pensar, achei que o gosto lembrava cerveja, escovei os dentes que me restam e apaguei (claro, depois de me deitar).
 
Depois da sucessão rotineira de “vira pra lá”, “vira de lado”, e “para de roncar!”, dormi pesado (100kg) e sonhei. No sonho tive uma audição fantástica. Que foi, estranhou a “audição”? Se eu tivesse visto alguma coisa teria sido uma “visão”, concorda? Mas eu não vi, eu ouvi alguma coisa. “Audição”, entende? (ficar explicando coisas do além é muito chato!).
 
Sempre tem algum especialista disposto a tentar reproduzir sons milenares a partir de instrumentos antigos e bobagens desse tipo. Pois bem, nessa audição eu ouvi sons muito antigos, tão antigos que fiquei estático e imóvel como uma múmia. Eram os sons e as músicas que rolavam no Egito dos faraós! Mesmo não entendendo porra nenhuma de escrita musical e partituras, me animei a registrar graficamente o que ouvi de lá. Olhaí:
 
MDF, ou MÚSICA DO FARAÓ:
Música erudita, dos salões dourados da nobreza, de concerto 


 
MPT, ou MÚSICA POPULAR TEBANA:
Música popular, mas de boa qualidade, muito apreciada nas rodas de escribas e nas mesas onde se discutiam as últimas técnicas de embalsamamento, quem Osíris andou pegando, etc.

 

E, finalmente, a música das quebradas e das baladas, boa de ritmo mas chula (chula é uma dança lá deles), irreverente, cheia de obscenidades e sugestões sexuais, conhecida como FUK (ou FUC ou até mesmo FUCK), que significa FARAÓ U KARALHO! (a ignorância da maioria é uma coisa atemporal!):

 
Depois disso, acordei, mas só deu tempo de chegar até a porta do banheiro.
 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

MULHER - ZÉ RENATO

 Ontem (12/01/2021), para exemplificar as alterações que a voz sofre com o passar do tempo, incluí no post “Pigarreando um pouco” duas gravações da mesma e lindíssima música “Mulher” (composta por Custódio Mesquita e Sadi Cabral), com registros espaçados de 52 anos. O intérprete dos dois foi Silvio Caldas.
 
Mas eu sou um sujeito que adora música, tem uma queda pelo lirismo e romantismo elegante das músicas do passado, sem falar na delícia do ritmo cadenciado e meio jazzístico de um foxtrote (se eu estiver falando muita besteira meu amigo virtual Giovani Dactar pode me corrigir).
 
Pois bem, achei no Youtube uma gravação ao vivo dessa melodia, um verdadeiro “Biscoito Fino”. Impossível resistir a uma música que tem esta letra:
 
“Não sei que intensa magia teu corpo irradia que me deixa louco assim, mulher. 
Não sei, teus olhos castanhos, profundos, estranhos que mistério ocultarão, mulher”
 
E eu não resisti. Por isso, som na caixa!

 



ESCOLA DE CALIGRAFIA





terça-feira, 12 de janeiro de 2021

PIGARREANDO UM POUCO

Tudo o que mexe com minha cabeça acaba virando post. E o assunto de hoje são as mudanças das vozes dos cantores ao longo da vida. Esse assunto surgiu graças aos comentários sobre a voz do Milton Nascimento feitos por dois de meus amigos virtuais, o conhecido Marreta e o recentíssimo Giovani Dactar, e por mim (ao mesmo tempo em que louvamos sua lindíssima voz de tempos menos recentes). Deixo claro que para mim, dez anos passados tem o mesmo significado de “ontem” ou “hoje pela manhã”. A isso eu chamo de relatividade do tempo (de nada, Einstein).
 
Falando um pouco mais seriamente, imagino que o avanço da idade altera as cordas, ou melhor, as pregas vocais. Velho deve  ficar com suas pregas um pouco relaxadas (as vocais, entendeu? As vocais!). E digo isso por ter percebido em mim essa alteração há bastante tempo. Para isso, preciso contar uma historinha.
 
Quando comecei a namorar minha mulher, mais precisamente no ano de 1970 (pois é...), eu destoava bastante de seus irmãos, pois mesmo quase todos tendo feito faculdade, nenhum era apegado a livros. Gostavam de farra, de jogar futebol, enchiam o latão com entusiasmo, nunca fugiam de uma briga (mesmo não as provocando) e tinham muitos, muitos  amigos. Eu, ao contrário, detestava futebol, adorava ler, já achava que cerveja tem gosto de cerveja, bebia só para cambalear, fugia de qualquer tipo de briga (só briguei de porrada na rua uma única vez em toda a minha vida) e não tinha amigos, não tinha turma. Além disso, usava um vocabulário menos básico e tinha os trejeitos e modo de falar herdados de uma infância super repressora.
 
Claro que isso deve ter causado uma estranheza inicial em um de seus irmãos mais velhos, que parecia não ir muito com minha cara (sentimento recíproco, diga-se). Talvez por isso ele dissesse que eu tinha voz de viado. Aliás, voz e jeito de viado! Nada contra essa preferência sexual, nada mesmo. Aliás, conheço vários casais, pessoas da melhor qualidade, tenho dois sobrinhos gays que, diga-se, estão entre os com quem mais gosto de conversar. Mas, apesar de todas as "evidências em contrário", eu sempre fui heterossexual. Nunca um macho alfa nem mesmo beta. No máximo, um macho Zéta (essa piada já foi publicada no início do blog). E a voz devia mesmo ser "de viado". Que é que eu vou dizer? Foda-se!
 
O fato é que à medida que fui envelhecendo percebi que minha voz foi ficando mais grave ("voz de macho"), ao ponto de minha sogra dizer que eu tinha uma voz linda ao telefone, voz de locutor (minha sogra puxava muito meu saco). Sem que ela ouvisse, eu completava: "de zona""voz de locutor de zona"! E, graças ao excesso de cigarros e às milhares de aulas que dava em cursinho prévestibular (ele era muito foda), na velhice o tal cunhado ficou com a voz parecida com o som de uma lixa no metal (sinônimo de "uma bosta!"). E este é o ponto em que entram os cantores.
 
Mesmo totalmente desprovido de caráter e de vergonha na cara, não quero reproduzir os comentários inteligentes feitos no segundo post imediatamente anterior a este (às vezes eu ainda exibo algumas moléculas de pudor). Quem quiser que o leia. Quero falar de outros cantores. A idade mais avançada e o envelhecimento são uma puta sacanagem com quem ganha a vida cantando. Li em algum lugar que a voz mais linda entre os cantores de ópera era a de Luciano Pavarotti. Ganhava de goleada dos outros dois tenores que se apresentaram com ele (Plácido Domingo e José Carreras). Mesmo assim, foi aos poucos ficando menos cristalina, perdendo o "brilho" e a "cor" que sua voz magnífica apresentava no início.
 
Esse efeito colateral do avanço da idade eu pude perceber com clareza quando o Silvio Caldas se apresentou em praça pública no bairro onde eu moro, bairro de tradição boêmia e com o maior número de bares por metro quadrado encontrado em BH. Simpaticíssimo, voz um pouco grave, ligeiramente rouca, mandou super bem nas canções que interpretou e foi super aplaudido. Creio que essa apresentação fazia parte de um esquema para reeleição do prefeito da época, pois aconteceu bem perto das eleições. Além dele - e em outros finais de semana - apresentaram-se o Jamelão (lindíssima voz, mas chato pra cacete) e a Inezita Barroso (super simpática).
 
Pois bem, depois do show do "Caboclinho" Sílvio Caldas, cismei de ouvir de novo alguma música que ele tinha cantado. Entrei no Youtube e quase caí duro com o som da gravação encontrada, ainda do tempo em que ele devia ter uns 30 anos, por aí. A voz era totalmente diferente! O "brilho" e a "cor" estavam ali, mas não era a voz que eu conhecia desde a infância e que tinha ouvido na praça. No caso dele, a voz pode ter ficado menos "límpida" ao envelhecer, mas continuou agradável, ao contrário do Milton e do Beto Guedes. Foi por isso que eu não respondi ao comentário mais recente do Giovani. Eu queria expandir esse assunto. Se ficou bom é outra história. 

Tentei mostrar a diferença de timbre, mas não sei se ficou perceptível (a vantagem é que a música é lindíssima), pois não consegui me lembrar de qual música provocou a surpresa narrada. Para compensar, encontrei esses dois registros com 52 anos de diferença entre um e outro. As vaciladas da apresentação de 1992 devem ser desconsideradas, pois foi uma gravação ao vivo, sem direito a "photoshop". Olhaí.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

POR DEBAIXO DOS PANOS

 
CRIPTO
Estava aqui pensando com meus borbotões sobre o fato de algumas pessoas chamarem o coronavírus de “comunavírus”. Por mim, tudo bem. Como dizia um antigo colega, ”supunetemos” que a nano mamona seja mesmo um infiltrado (que tal, chanceler). Mas aí a coisa se complica, pois não existe ninguém mais refratário à necessidade de usar máscara, de fazer isolamento social e de tentar por todos os meios desqualificar a vacinação da população que nosso presidente. Vacilou na compra das seringas, vacilou na encomenda da vacina da Pfizer, ironizou e criticou a Coronavac, está sempre sem máscara, aperta a mão e abraça seus apoiadores, joga-se ao mar para chegar perto de um bando de idiotas (ou contratados). Resumindo, mesmo que indiretamente, não há ninguém tão aliado do “comunavírus”. Por isso, fica a pergunta: seria nosso intrépido cavalão um cripto-comunista? Cartas (de tarot) para o astrólogo ou para o Carluchinho.



SAIU NO "ESTADO DE MINAS":
“Cartão de vacinação de Bolsonaro está sob sigilo por 100 anos”.
"Ele (Bolsonaro) já disse que não vai se vacinar contra a COVID-19. ‘Não vou tomar a vacina e ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu e ponto final’, declarou em 15 de dezembro”.
 
Bem, se, como foi noticiado há mais tempo, ele já teve Covid, imagino (sem ser da área) que já estaria imunizado. Nesse caso, ser vacinado serviria mais como um grande exemplo para seus seguidores mais tapados (quase todos são). Mas pode ser outra coisa.

Falando sério, dentro da mesma linha de raciocínio da presunção de culpa de quem se recusa a fazer o teste do bafômetro - ou de acordo com a sabedoria popular de que “quem não deve não teme”, você junta essas duas notícias e pensa o quê? Que ele já se vacinou ou está nas bicas de se vacinar às escondidas contra a Covid! Afinal, ele é o cara que manda (Se ele pode falar o que lhe dá na telha, por que eu também não poderia?). Qual outro motivo para colocar sob sigilo por tanto tempo um simples cartão de vacinação de um homem público?

domingo, 10 de janeiro de 2021

SE ALGUÉM TELEFONAR - MILTON NASCIMENTO

Creio que devo ter nascido ouvindo boleros quase como se fossem canções de ninar, pois com meu pai quebrado, morávamos na casa de minha avó materna com mais oito tios e tias. E eles eram festeiros, alegres e gostavam de dançar. E nada como um bolero para dançar de rosto colado e sussurrar bobagens no ouvido do ou da parceira. Aliás, um dos maiores traumas que eu tenho é não saber dançar o “dois pra lá, dois pra cá” de forma minimamente aceitável, um diferencial que teria sido muito útil na adolescência.
 
Mas, voltando aos boleros, a partir dos 12 a 14 anos comecei a achar aquilo muito brega, pois estava mergulhando de cabeça no rock e na beatlemania. E a opção pelo rock sempre foi a linha (melódica) mestra da minha vida. Depois, já com uns 17 a 19 anos, senti que precisava gostar de sons mais cult, mais sofisticados, alternativos ou psicodélicos (MPB, João Gilberto, Jimi Hendrix). Também aí não havia espaço para o bolero, até porque não era mais tocado nas horas dançantes da época.
 
O tempo passou, eu fui envelhecendo e cada vez mais me lembrando dos velhos boleros da infância. E descobri que também gostava daquele som, trilha sonora adequada para sonhos e tristezas. E é com essa visão que surgiu o post de hoje. A música é “Se alguém telefonar”, um bolero dor de corno composto em 1958 por Alcyr Pires Vermelho e Jair Amorim (um craque do gênero).

Para tirar dessa canção “a pátina do tempo”, escolhi uma versão ao vivo interpretada pelo Milton Nascimento - quando ele ainda tinha a voz que mereceu esse comentário da Elis Regina: “Se Deus cantasse Ele cantaria com a voz de Milton Nascimento”. Olhaí.


 

sábado, 9 de janeiro de 2021

"A VIDA DA GENTE É UM NADA NO MUNDO"

Não sei se já falei sobre isso, mas reduzi meu número de "amigos de facebook" de 160 para 155, ao excluir os bolsonaristas mais radicais (a quem desprezo tanto). Com isso, descobri que estou praticamente invisível, pois os amigos remanescentes não postam nada de interessante, só fotos de bichinhos, orações e frases de autoajuda (essa a explicação de uma das provocações que publico e que aparece abaixo). Ou seja, ninguém merece! Pensando bem, hoje meu perfil no Facebook é como que uma filial do Blogson, pois é outra versão da solidão ampliada.

Mas anteontem (06/01), fiquei quase em estado de choque ao ver a invasão do Congresso americano, incentivada por um ídolo da ultradireita americana - e até da brasileira(!), mau perdedor e mega egocêntrico. Resumindo, alguém cujo nome e memória receberão o escarro da História (assim espero).

Apesar disso, mesmo não sendo um Jair Bolsonaro, admiro e gosto muito dos Estados Unidos, mas aquele de Barack Obama Luther King e Joe Biden, o país das magníficas músicas das décadas de 30 e 40, do rock, da liberdade de expressão, da ciência de ponta e dos grandes cientistas, das inovações tecnológicas e congêneres.

Por isso, lembrei-me do fim do Império Romano, dissolvido aos poucos pelas invasões de bárbaros y otras cositas. Aí juntei a tralha toda gerada e postada nos últimos dias no Facebook e criei este post baseado em efemérides - ou efemér(i)das.




O manezinho de boné foi identificado pelo crachá e demitido por justa causa. Justíssima causa, diga-se.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

GP S ("S", DE SEM NOÇÃO)

 
Esta é uma lembrança que tinha deixado de lado, não só por dar trabalho para explicar como pelo humor infantiloide que ela traz. Hoje, como não tenho nada para fazer, ou melhor, como não estou com vontade para fazer o que precisa ser feito (lavar o banheiro, capinar o mato do quintal, etc.), resolvi (como dizem os advogados) desentranhar o caso.
 
Os quatorze melhores anos de minha vida profissional foram passados na companhia diária de dez engenheiros com grande experiência profissional. Eu era o segundo mais novo, não tinha experiência quase nenhuma, mas ao ser contratado, logo, logo fui sendo cada vez mais bem aceito por esse grupo. O setor onde trabalhávamos ocupava um andar inteiro do prédio da empresa, com as seções e salas separadas por divisórias. Os engenheiros ocupavam salas de 6 x 3 painéis.  Para compensar a falta de um ar condicionado central que nunca foi instalado, os painéis de arremate da parede com o teto foram retirados ou nunca instalados, ficando um vazio que ajudava na circulação do ar. Esse detalhe é importante, pois é a chave da história. Se alguém quiser ter uma noção de como eram as salas dê uma olhada neste link:
https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2014/12/local-de-trabalho.html
 
Por ter sido admitido quando esse layout já existia, fui acomodado na sala de um engenheiro mais velho. Era um puta profissional, experiente, competente, dedicado e... totalmente sem noção, destacando-se em um setor cheio de gente sem noção. Alguns diziam entre risos que ele era assim por não ter tido infância, Tinha o semblante fechado, com jeito de quem está sempre emburrado, mas era só fachada, pois, ao sorrir, ficava com cara de menino que fez alguma sacanagem escondido. E era super gente boa.

A sala ao lado da nossa era ocupada por um subgerente mais ou menos no mesmo estilo do meu colega. A diferença é que não fazia nada, só punha pilha no meu colega. Durante o dia, quando estávamos de saco cheio ou à espera de algum serviço, às vezes saíamos para conversar fiado em outras salas. Alguns engenheiros de obras ou de outros andares também circulavam por ali. Sentavam-se nas cadeiras avulsas existentes em cada sala e ficavam papeando.
 
Quando ouvia a voz de alguém de fora conversando com o subgerente, meu colega amassava algum papel e jogava na outra sala pela parte aberta da divisória. Claro que não acertava ninguém. Mas aí sua criança interior se manifestou e ele bolou a brincadeira mais sem noção que poderia ter imaginado. Começou a fazer e estocar bolas quase do tamanho de laranjas, usando várias folhas de papel de rascunho e fita plástica.
 
Mas precisava de um comparsa. E quem entrou de sócio nessa brincadeira foi o subgerente sem noção. Foi definida uma malha formada pelo cruzamento de linhas ortogonais imaginárias ligando o perfil de um painel a seu correspondente do lado oposto. Creio que os painéis do maior lado eram identificados por números de 1 a 6 e os três do lado menor receberam letras (A, B e C). Com isso, criaram uma espécie de GPS para os visitantes que iam à sala do subgerente.  O visitante que ficava próximo à porta estava no quadrado A1; quem estava sentado em uma das cadeiras em frente à mesa do subgerente poderia estar nos quadrados A4, B4 ou C4. E por aí. 

 
Obviamente, essa maluquice só era acionada quando o visitante era amigo da moçada e não ocupava cargo de diretor ou gerente (afinal, a sabedoria popular ensina que quem tem cu tem medo). Mas como acertar o “estrangeiro” de surpresa? A criança interior do meu colega resolveu o problema atirando as laranjas de papel pelo buraco da divisória mais ou menos como quem joga sinuca: jogava a bola no teto com toda força para que ela “ricocheteasse” na direção do alvo.
 
Assim, ao receber uma visita “digna” de ser assustada, o subgerente dizia para meu colega “- Mauro, B4!” e laranjas começavam a chover no visitante. Todo mundo ria, mas um dia a brincadeira dos dois delinquentes senis acabou. Creio que alguém tomou uma bolada no nariz e ficou muito puto.
 
Disse uma vez meu amigo Pintão: - "A gente ganha pouco mas se diverte muito". Naquela época, a gente não ganhava tão pouco assim, mas se divertia muito.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

DICAS NÃO CULINÁRIAS DE CHEFE

Tive um chefe que poderia ser chamado de “excêntrico” e que parecia gostar muito de mim (pelo menos, no início). Parêntese: sempre gostei de trabalhar com gente excêntrica e creio que essa tchurma também sempre teve simpatia por mim. Aliás, excêntricos e pessoas idosas, pois eu era o rei dos velhinhos e velhinhas, o que obviamente não acontece mais, já que achar alguém beirando os noventa, cem anos é mais difícil. Parêntese fechado. Esse chefe era um sujeito brilhante e parecia ser muito culto, mas tinha um jeito empolado de falar, pois seu vocabulario e frases pareciam linguagem escrita, não oral, nada coloquial, como se estivesse lendo um texto do século 19 em voz alta. Cumprimentava as mulheres beijando-lhes as mãos, morava com a mãe e era “solteirrão”. Resumindo, uma figuraça, para dizer o mínimo.
 
Mas aprendi duas coisas com ele que achei interessante partilhar com os amigos. Como era muito exigente ao cobrar o cumprimento de tarefas e metas estabelecidas “de comum acordo” com os subordinados, sempre repetia enfaticamente e com ironia este mantra criado por ele:
 
- “Justificativas, desculpas e explicações são boas e aceitáveis, MAS NÃO PAGAM FATURA”. E explicava: “se alguém vai à padaria para comprar pão e não o encontra, pouco importa para ele que a farinha não tenha sido entregue pelo fornecedor, que o padeiro tenha faltado, que a luz tenha acabado. Tudo isso é perfeitamente entendido, MAS O CLIENTE SAIRÁ SEM O PÃOZINHO QUENTE DESEJADO”.
 
Outra coisa de que me lembro é a crítica que fazia a expressões do tipo “esse assunto está patinando e não sai do lugar”. Como bem observou, o uso da expressão “patinar” está equivocado, pois quem está patinando está fazendo tudo, menos ficar parado no lugar. O correto será “patinhar”, andar com dificuldade, desajeitadamente como um pato. Fica a dica. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

WOODY ALLEN - ENTREVISTA (2ª PARTE)

 Eu me perguntava, vendo Um Dia de Chuva em Nova York, como é que o senhor consegue fazer filmes com uma trama tão aparentemente simples, mas de fundo tão complexo. Quando escreve e quando roda, é mais difícil colocar ou tirar?

Para mim é mais difícil colocar. É que criar algo é muito difícil. Bem, se você está acostumado, nem tanto. Há pessoas que sabem desenhar lindamente, que fazem um desenho perfeito de um cavalo. Eu sou incapaz de fazer. Mas elas te dizem: “Vamos, é muito fácil!” Comigo acontece a mesma coisa com os filmes: posso fazê-los. E as pessoas assistem e pensam: “Que difícil deve ser!” Mas, se você se dedica a isso, não é. Ou não é tanto.
 
A realidade é triste e dura demais, e por isso o senhor continua inventando histórias aos 83 anos. Considera válida essa avaliação?
Claro, porque a ficção é muito melhor que a realidade, sem comparação. A realidade é um pesadelo, e a ficção você pode controlar. Pode fazer com que os personagens estejam tristes ou contentes, pode colocar uma bela música —como My Fair Lady, que maravilha!—, mas da realidade você não controla nada. Veja a protagonista de A Rosa Púrpura do Cairo: está muito mais contente na ficção que na realidade. Infelizmente não podemos viver na ficção, ou ficaríamos loucos. É preciso viver na vida real, que é trágica. Se eu pudesse, viveria num musical de Fred Astaire. Todo mundo é bonito e divertido, todos bebem champanhe, ninguém tem câncer, todos dançam, é fantástico.
 
Está claro que o senhor quer voltar ao tema. O pessimismo e o realismo.
É que todos acabamos no mesmo lugar, e isso é horrível. Em meu filme Recordações, todos os trens tinham o mesmo destino. Era trágico. Mas prefiro pensar que fui um sujeito de sorte. Fiz o que gostei, e ainda me pagaram por isso.
 
O que lhe faltou para a felicidade plena? Felicidade?
Veja, vou lhe dizer uma coisa. Ninguém de nós entende as circunstâncias em que viemos a este mundo. A vida carece de sentido. Você sabe que vai morrer. Que as pessoas que ama vão morrer. Não gosto disso. De modo que a felicidade...
 
O senhor disse uma vez a Richard Schickel, para o livro dele Woody Allen: A Life in a Film, que não tinha apreço por seus filmes. Não é fácil acreditar no senhor.
Pode acreditar em mim. Quando estou em minha casa sozinho, escrevendo o roteiro, tenho imagens fantásticas sobre o que será o filme. Depois o faço e tudo dá errado. Não posso ter os atores que queria. Tampouco as locações que havia escolhido. Não há dinheiro suficiente. Cometo erros. E quando tudo finalmente acaba, digo para mim mesmo: “Enfim, bem, é como 20% do que havia me proposto a fazer.” Às vezes, você começa achando que fez Ladrões de Bicicletas e depois deseja não ter feito papel de bobo. Outras vezes, acerta mais. Quando acabei Match Point, pensei: “Isso está bem parto das minhas intenções, é o que queria".
 
E isso costuma coincidir com a apreciação do público?
Não, muitas vezes é o contrário. Às vezes vejo um filme terminado e digo: “Ai, que ruim.” Aconteceu com Manhattan. Mas deu no mesmo, pois o público gostou. E outras vezes consigo fazer o que realmente queria fazer, e as pessoas não têm nenhum interesse. São coisas que acontecem. É melhor não pensar nisso. Melhor fazer um filme, lançar e já pensar no próximo.
 
O que lhe provocam palavras como “posteridade”, “legado”, “marca” e “memória”?
Não me interessa meu legado, não me interessa o que farão com os meus filmes quando eu já não estiver, podem jogá-los no mar. Uma vez que estamos mortos, estamos mortos. Acabou-se. Você acha que, quando tiver fechado os olhos, eu me importarei se as pessoas veem meus filmes ou não? Eu sei que há pessoas que realmente se importam com a posteridade. Eu não estou nem aí. E estou certo de que o mesmo acontecia com Shakespeare.
 
Sua insistência em continuar escrevendo e rodando filmes encerra motivações terapêuticas? Ou simplesmente fica entediado se não os fizer?
Nunca fico entediado! Faço os filmes porque há pessoas que pagam por eles, que financiam. E sempre que houver gente disposta a me financiar, farei filmes. E quando me disserem que são terríveis e que já não me financiarão, eu me dedicarei a escrever só peças de teatro. E se não der certo, escreverei livros.
 
Em seu novo filme, uma estudante de jornalismo elogia um célebre diretor de cinema dizendo: “Você nunca fez uma concessão comercial”. Esse diretor é o senhor? Nunca fez concessões comerciais?
Tentei não fazer. Não penso de um ponto de vista comercial, só penso no que é bom para o filme. Nunca faço cinema pensado em agradar o público. Gosto quando [o público] fica contente, isso sim. 
 
Como faz para abordar tanto e tão intensamente o tema do sexo sem mostrar cenas de sexo?
Não faz falta mostrar sexo para falar de sexo, assim como não é preciso mostrar violência para falar de violência. A violência pode ser artística e dramática, maravilhosa, veja Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas. O problema é que diretores sem talento a exibem uma e outra vez e acham que são Scorsese, mas não, não são Scorsese. O mesmo acontece com o sexo. Se você o exibe, deixa de ser dramático. Eu não quero subestimar a inteligência do público, assumo que estou falando de sexo com pessoas inteligentes.
 
Diz-se que é mais difícil transmitir mensagens profundas usando a comédia que o drama. Concorda?
É difícil transmitir mensagens, ponto. Mas sim, é ainda mais difícil com a comédia. Muitas vezes, ao estrear um filme, me pergunto: “Mas por que não consegui fazer chegar a mensagem?”. Não há resposta, e talvez eu tenha feito um filme interessante e divertido, mas não transmiti a mensagem ao público. E sempre é minha culpa, não a dele. Entreter e passar a mensagem ao mesmo tempo só está à altura dos grandes. Bergman, por exemplo.
 
Praticamente não há comédias nos grandes festivais, nem no Oscar. Por quê?
Poucos autores podem fazer bem uma comédia. É um talento escasso. Há muito mais gente capaz de fazer coisas sérias que comédias. E, no entanto, é como se o drama e a tragédia fossem mais substanciais que a comédia. Como ela faz rir, para muitos é difícil lhe conferir seriedade e prestígio.



 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

WOODY ALLEN - ENTREVISTA (1ª PARTE)

Os cineastas Pedro Almodovar e Woody Allen sempre são garantia de filmes no mínimo interessantes. Justamente por isso, tudo o que dizem ou fazem atrai minha atenção. Depois de ler um ótimo texto no blog A Marreta do Azarão sobre um dos filmes de Woody Allen, resolvi tirar uma dúvida na internet e acabei achando no site do jornal "El País", uma entrevista com o cineasta, realizada por Borja Hermoso (muito prazer!) e publicada no dia 30/09/19. Claro que não resisti à tentação de publicá-la aqui no blog.  Cheguei a pensar em sublinhar as melhores partes do texto, mas resolvi deixar que cada leitor/leitora tire dele o que achar melhor. Como eu sei que ler textão no computador é muito chato, resolvi dividir a entrevista em duas partes (o padrão que tento seguir é duas páginas em word, fonte Arial tamanho 12). Por isso, a segunda parte sairá amanhã. Olhaí.


Por que adora os dias de chuva?
Por que é melhor o céu carregado que o Sol? Porque a luz é mais bonita. E porque acredito que nesses dias as pessoas pensam mais a partir do seu interior, da sua alma. A minha é um pouco triste... e se abro a janela pela manhã e está ensolarado, acho desagradável. Por outro lado, vejo que as cidades são lindas sob a chuva. Paris, Londres, Nova York, San Sebastián são muito bonitas, mas se chove ficam mágicas.
 
Vendo o jovem protagonista de Um Dia de Chuva em Nova York descobrindo Manhattan, não podemos evitar pensar no jovem Woody Allen descobrindo Manhattan... Há nostalgia nesse filme?
Claro, pode ter certeza. Esse filme está cheio dela, e de outras minhas também.
 
A nostalgia, esse monstro... ou a nostalgia, esse bálsamo?
A nostalgia, essa armadilha. Camus fala dela como uma armadilha sedutora, e eu caio nela constantemente, sobretudo quando falo de Nova York. Quando criança, era uma grande cidade. Eu diria que foi assim até o final dos anos cinquenta. Então começou a se modernizar de um modo que não gosto muito, você sabe, lugares novos e feios ocupando o espaço de lugares antigos e deliciosos, lojas de balas que desapareciam, o trânsito que começou a piorar... e, depois de certo tempo, muita criminalidade. E hoje a praga são as bicicletas! Vão pela calçada, invadem seu espaço, avançam o sinal vermelho, uma loucura. Enfim, Nova York não é o que era.
 
Neste filme temos um diretor que não quer acabar seu filme, um estudante que não quer continuar na universidade e um jovem que não quer se casar... Parece um filme habitado por Bartleby, o escrivão do conto de Melville: “Preferiria não fazer isso.”
É verdade, é assim, que curioso, não tinha pensado nisso. O protagonista, Gatsby, quer fazer o que ele quer fazer, não o que seus pais pedem que faça: estudar, ser elegante, essas coisas. Ou seja, de fato ele “prefere não fazer isso”. Prefere ser um jogador ou tocar piano de noite em bares esfumaçados. 
 
Diria que observar ou dissecar - talvez tratar - personagens em crise como esse é uma das especialidades da casa Allen?
Sim. Você precisa desses elementos para um drama. Personagens em situações críticas. Do contrário... Quando vemos um western, ou um filme de gângsteres ou qualquer tipo de filme emocionante, há pessoas em crise, que sacam pistolas, fogem dos soldados, sofrem... E meus personagens também. Sempre têm uma crise emocional. Para mim, os personagens que não a têm não são interessantes nem divertidos. Não me interessam as pessoas comuns. Me interessam as pessoas com problemas. Sobretudo emocionais.
 
Por exemplo, pessoas com dúvidas e angustiadas no meio de um mundo de certezas?
Exatamente. 
 
Por que acredita que a dúvida — ou, digamos, o erro — carece de todo prestígio? Não acha que isso tem um impacto negativo na educação de nossos filhos?
Com certeza, e conheço bem isso. Hoje inclusive estamos assistindo à morte do artista. É triste. O artista hoje tem medo de se arriscar no que faz e no que diz porque teme as consequências. Infelizmente, em meu país, se você fracassa não há muita margem. Nos EUA não existe tolerância ao fracasso. E é terrível ensinar isso às crianças. Devemos estar dispostos a fracassar, sobretudo na minha profissão. Você vai secar como ser humano se viver toda a sua vida com medo de fracassar. Essa é uma maneira terrível de viver. 
 
Considera que essa situação é ainda pior nos EUA, agora que o país é dirigido por um tubarão dos negócios?
Está claro que o presidente não gosta de fracassar nem de reconhecer seus fracassos. Mas em geral esse é um sintoma claro da cultura dos tempos atuais. Ninguém quer dizer algo como: “Puxa, tive uma ideia, mas não foi uma boa ideia”. E isso não ajuda nem o homem comum nem os artistas, nem as crianças, nem o presidente. O fracasso é degradante, e isso é uma pena.
 
O senhor incluiu Donald Trump numa cena de seu filme Celebridades. Faria de novo?
Bem, devo dizer que ele foi um bom ator. Veio, sabia o diálogo, sabia como andar, foi muito teatral, nada tímido. Como ator, foi muito bom. Como presidente, digamos que a situação é bem diferente. Um país não é um teatro. Mas gosto muito de pensar que o tive como meu empregado!
 
Entre o otimismo, o pessimismo e o realismo, onde o senhor se situa? Onde acredita que o seu cinema se situa?
O pessimismo e o realismo são a mesma coisa. Sou muito pessimista, sobre o mundo, sobre o futuro, sobre a sociedade, sobre a existência..., mas de verdade acho que é assim que o mundo é, então creio que sou realista. Não há outro remédio a não ser fazer uma avaliação pessimista do mundo. Não posso fazer nada a respeito. Honestamente, não resta outro remédio além de sermos pessimistas.
 
Não acredita que esse ponto de vista pode prejudicar o conteúdo de alguns de seus filmes? Do tipo: “Já está aqui outra vez o estraga-prazeres do Woody Allen”.
Sim, acredito. Quando fiz A Rosa Púrpura do Cairo, os produtores me ligaram e disseram: “Escuta, projetamos [o filme] numa sessão em Boston e todo mundo adorou. Mas, se você mudasse o final para que fosse um pouco mais feliz, ganharíamos muito mais dinheiro com ele”. Claro que não mudei, porque essa era a ideia do filme, justamente aquele final.
 
A ironia é uma das armas mais poderosas em seu cinema. Mas não acha que está em desuso ou, ao menos, ameaçada pelo politicamente correto e cada vez menos compreendida?
Há uma grande parte do público que deseja mensagens muito claras: o que você quer dizer com tal coisa, o que defende... mas há outra parte —mais reduzida— que é muito sofisticada e não espera que você abandone a ironia. Grandes cineastas ao longo das gerações, como Buñuel e Bergman, tiveram bom público, não muito grande, mas bom, embora seus filmes fossem complexos e muito abstratos.
 
Para esse tipo de público o senhor faz cinema?
Sim. Sempre assumi que meu público é pelo menos tão inteligente quanto eu. Me expulsaram da escola de cinema, e o que basicamente fiz desde então são filmes que eu gostaria de ver na tela. Gosto de ver filmes de Bergman, de Truffaut, de De Sica, de Antonioni... É o cinema que gosto de ver, então tento fazer filmes assim.



 

domingo, 3 de janeiro de 2021

PALOMA


Não sei se meus milhares de leitores já perceberam, mas se tem uma coisa que eu me recuso terminantemente a fazer é digitar “kkk” quando acho graça em alguma coisa ou comentário. Se já tem andado difícil para mim achar graça em alguma coisa, qualquer coisa, usar as iniciais de “Ku Klux Klan” (uma super idiotice americana) é dose pra leão. Talvez seja excesso de rabugice, mas quando quero “rir” de alguma coisa, utilizo “hahaha”, mesmo que dê mais trabalho digitar.

Mas há coisas muito mais incômodas que isso. Falta de assunto, por exemplo, é coisa muito mais incômoda. Quando o Roger do Ultraje a Rigor fingia não ter o que dizer, a banda gravou a hilária “Nada a declarar”, música que traz os elegantíssimos versos Só pra garantir esse refrão Eu vou enfiar um palavrão (cu)”.

Pensem bem, se toda vez que eu estiver sem assunto, sem nada a declarar (como agora) e sair digitando cu a torto e a direito poderão dizer que estou sofrendo da “síndrome do relógio cuco” (aquele relógio antigo que tem uma portinhola de onde sai um passarinho mala gritando “cuco, cuco” de forma histérica e descontrolada).

Definitivamente não quero ser objeto de zombaria e deboche de jovens que não respeitam os muuuito velhos. Aliás, uma das vantagens (são tantas!) de ser jovem é desconhecer a existência de uma música muito antiga e muito brega que tinha um refrão assim: "cucurucucu paloma".

Já pensou se um filhadaputa desses, ao observar a minha recorrente falta de assunto (e consequente utilização da “aula” dada pelo “Ultraje”) começasse a me chamar de Paloma? Eu realmente não suportaria tal ofensa, pois, pior que ter sido suplente de revisor do rascunho da Bíblia é ser vítima do crime de lesa senilidade. Nem pensar!


sábado, 2 de janeiro de 2021

É MUITA SURPRESA!

 
A internet é mesmo um lugar cheio de surpresas (esse “lugar” ficou meio esquisito, mas tudo bem). Não só cheio (ou cheia) de surpresas como de notícias auspiciosas (pois é, às vezes isso acontece...).  Calma, que eu explico. Hoje, dia 02 de janeiro de 2021 descobri que o velho Blogson Crusoe conta com mais um amigo virtual(!!!), o que é muito, muito surpreendente!
 
Sabe lá Deus por que, mas o fato é que um leitor aparentemente incauto (melhor incauto que inculto, não é mesmo?) foi apanhado nas redes do blog da solidão ampliada. Eu acho é ótimo, mas fico um pouco preocupado: o que ele viu de tão especial assim nesta bagaça? Mas, como ensinou Maquiavel, se pretender fazer o mal, faça-o de uma só vez. Por isso, preciso já deixar alguns pontos mais claros para que ele não se decepcione muito ao longo do tempo:
 
Jotabê: nome de fantasia para esconder o ogro mal humorado que é o titular do blog (porque Botelho Pinto, fala sério, ninguém merece!);
Idade do blogueiro: mesmo que ainda se ache o tal, é tão velho quaanto um Neandertal (fraquinha!);
Temas e assuntos prediletos: lembranças (as que ainda consegue ter) e humor (de quinta série);
Caráter: totalmente sem;
Linguagem: coloquial, com baixo nível de palavrões e obscenidades. Assim, algum deslize na gramática fica disfarçado;
Nível cultural: nunca me considerei um intelectual, pois alguém disse uma vez que “intelectual não vai à praia, intelectual bebe”. E (além de amar praia) eu não bebo! Diria mesmo que sou um abestêmio, mistura de besta com abstêmio;
Visão política: votei no Lula uma vez e me arrependi; votei no Bolsonaro e me arrependi mais ainda (mas nunca votei na Dilma!). Por isso, sinto-me livre para falar mal do plantonista da presidência;
Fontes de informação: orelhas de livro, caderno B de jornais (ainda existe isso?), palavras cruzadas e fake news.
 
Deixando as idiotices de lado e na linha de um pensamento surgido não faz muito tempo, decidi fazer este post para dar as boas vindas ao novo amigo virtual. Espero que ele não se decepcione muito com o velho Blogson, porque do meu lado essa nova amizade é só motivo de alegria, muita alegria. Bem vindo, Giovani!

LINHA INVOLUTIVA

 
Segundo li em algum lugar, o cérebro dos sapiens tem 1.400 cm³ enquanto o dos Neandertais possuía 1.600 cm³. O que isso significa? Confesso não ter a mínima ideia, mas me permito pensar que nossos primos não tiraram vantagem nenhuma dessa superioridade volumétrica. Se isso é verdade ou não, pouco me importa. O que me importa é também pensar que os humanos não parecem utilizar muito bem essa caixa de pandora celular que todos recebemos ao nascer.
 
Nesse Natal ganhei de presente de um dos filhos o livro “Maus”. Para quem não conhece, é a história em quadrinhos da vida de um judeu polonês que sobreviveu a Auschwitz. Esse homem era o pai do autor do livro. “Maus” em alemão significa “rato”. E é assim que os judeus na história são representados, perseguidos e assassinados pelos gatos nazistas. O livro é muito bom e foi lido em um dia (estou relendo agora).
 
Esse presente motivou a seguinte troca de mensagens:
- Acabei ontem mesmo de ler o livro. Muito legal! A maioria das coisas eu já tinha lido sobre, mas alguns detalhes, algumas narrativas são o bicho. Os avisos do vestiário antes da câmara de gás têm humor involuntário e sinistro, embora eficiente: "memorize o número de seu cabide", deixe os sapatos amarrados um no outro". As plantas do lugar são muito impressionantes. A cena da criança sendo agarrada pelos pés e tendo a cabeça esmagada na parede é de uma crueldade indescritível!
 
- Esse livro é daqueles que você não consegue largar. Das coisas que eu desconhecia, me impressionou como a maldade começou antes, tirando o pessoal de suas casas e fazendo com que eles pagassem para os novos ocupantes, como se esses fossem "caseiros". Tem também o caso do cara que, ao final da guerra, tentou recuperar a padaria e foi assassinado... São muitas histórias e detalhes que fazem desse um livro obrigatório, na minha opinião.
 
- Sem dúvida! É nessas horas que penso que não há um futuro decente para a humanidade. Os chimpanzés brigam com grupos rivais, planejam emboscadas e arregaçam os "inimigos", mas o "serumano" elevou a maldade a um nível infinitamente maior.
 
- O humano é um bicho lento e fraco, que só prosperou graças à "inteligência", desenvolvendo abrigos e armas. Mas muito bicho mora em caverna, tem passarinho que constrói casa e existem macacos que pescam com lanças...
Uma vez vi alguém falando que os sapiens têm como vantagem o amor; não o amor ao próximo - mesmo porque esse é raro -, mas o amor que consegue despertar no outro, para que seja protegido, nutrido, etc... Só que isso outros bichos também fazem; não é à toa que a maioria dos filhotes seja bonitinha.
O humano se comporta como qualquer outro animal, mas dá nomes aos instintos. A diferença está na crueldade pela crueldade, na necessidade/desejo de se sentir superior ao outro, na ilusão de que meu jeito de pensar é o certo e o outro tem que ser eliminado, essas coisas.
E o sapiens se acha inteligente... Eu acho que é burrice e, se for pensar bem, o que a humanidade faz com o planeta é igual a um câncer: multiplica-se até a morte do hospedeiro, mas isso já vem no "manual", com um inofensivo "crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra".
Mas essa teoria antropológica-miojo-niilista rende... Só sei que estou fazendo minha parte, impedindo o meu ramo da árvore (genealógica) de crescer.
 
- Muito bom! Estava aqui pensando que os idiotas ou os radicais se ligam e se aglutinam uns aos outros com muito mais facilidade por serem cheios de arestas (ou "spikes", como o Coronavírus), enquanto os moderados e os inteligentes, não conseguem, pois são mais "lisos". Que acha?
 
Ele ainda não respondeu, mas estive conversando com ele e mais um filho durante a passagem de ano e fiz essa provocação, motivada pelo comportamento dos radicais (se alguém pensar que “lá vem de novo esse imbecil do Jotabê falar mal do Bolsonaro e de seus seguidores!”, eu direi que está absolutamente correto. Nosso presidente sempre prova que a lei de Newton sobre a ação e reação é perfeita até mesmo quando não há corpos físicos interagindo, pois toda vez que ele faz ou fala as coisas horríveis de que não se envergonha nem por um segundo, eu reajo no sentido contrário com a mesma intensidade e com o máximo horror):
 
O parêntese foi tão longo que eu vou repetir: esta é a provocação que fiz a nossos filhos: Talvez nosso processo evolutivo esteja ainda em um estágio em que pouco importa o volume de nossos cérebros, pois nossa capacidade de processar informações é insuficiente, inadequada ou mal feita.
 
Mesmo sem entender do assunto e usando os computadores para fazer uma comparação vagabunda, diria que o volume do cérebro corresponde a um HD parrudo, capaz de armazenar gigas e mais gigabites de informações e dados, mas a parte que corresponde ao processamento é mal desenvolvida ou sujeita a frequentes falhas. Essa situação levaria a comportamentos radicais, ao fundamentalismo religioso, à intolerância e até à manifestação da maldade pura e simples.
 
Porque alguma coisa está errada, deve estar errada! Como enaltecer, como admirar personalidades públicas que parecem se esmerar em demonstrar que são ainda piores do que já conseguiram ser até o momento? Para não ficar só chovendo no molhado brasileiro, vamos pensar no cabelo de milho Trump, que insiste em continuar falando de fraude eleitoral depois de ter tomado sucessivos pés na bunda da justiça eleitoral de seu país. Além das doações, da exposição na mídia e até uma eventual nova candidatura, o que ele ganhará com isso? Apenas o desprezo e a repulsa das pessoas com um mínimo de moderação e equilíbrio! Espero que para a História ele seja lembrado mais como uma escória a ser lamentada e condenada.
 
E é esse tipo de reação que um jumentão boçal também provoca por aqui. Mesmo tendo sido eleito “Personalidade do Ano” por "seu papel na promoção do crime organizado e da corrupção pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), um consórcio internacional que reúne jornalistas investigativos e centros de mídia independente" nosso presidente poderá ser e talvez seja mesmo reeleito (como disse acima, os radicais se aglutinam com muito mais facilidade), mas fica a reflexão: o cérebro de seus eleitores e apoiadores está em uma linha evolutiva ruim, pois não há mal algum em ser de Direita, em odiar o PT e seu “deus”. O problema é endeusar e acreditar que só existe um messias, mesmo que um mito desses pareça ter uma personalidade psicótica e, principalmente do mal. Isso é que causa tristeza.