quinta-feira, 16 de abril de 2026

PÃO DE QUEIJO OU FEIJOADA

 
Talvez muitos não saibam, mas o genial Vinicius de Moraes escreveu um poema delicioso, ensinando sua receita de feijoada para a culinarista Helena Sangirardi. Tempos depois o Chico Buarque também apresentou sua versão musical de uma boa feijoada, na música "Feijoada Completa".
 
Como até mesmo os pinguins de Madagascar ou os pigmeus bandar já sabem, Jotabê é totalmente desprovido de caráter - que resolveu trocar por uma dose dupla de falta de senso e um copo de leite com toddy (gelado, por favor!).
 
Por isso, resolveu aventurar-se no ramo da picaretagem explícita e da gigolagem descarada, ao pedir à Suno AI que musicasse uma receita de como fazer pãozim de queijo.
 
Alguém com um pouco mais de bom senso poderá se preocupar com a saúde mental jotabélica e perguntar por que pedir a uma inocente IA para musicar uma receita culinária, ainda mais de pão de queijo!
 
"Vingança", é a resposta. Movido pela fome e irritado por sempre pedir à IA um ritmo para musicar seus poemas e receber outro totalmente diferente, Jotabê resolveu unir o inútil ao desagradável. E por que pão de queijo? Porque eu sou mineiro, uai!
 
Para que este post não seja imediatamente considerado intragável e impalatável, resolvi publicar a receita do Vinicius e a musiquinha da Suno. Quer mais o quê?
 
FEIJOADA À MINHA MODA
Amiga Helena Sangirardi
Conforme um dia eu prometi
Onde, confesso que esqueci
E embora — perdoe — tão tarde
 
(Melhor do que nunca!) este poeta
Segundo manda a boa ética
Envia-lhe a receita (poética)
De sua feijoada completa.
 
Em atenção ao adiantado
Da hora em que abrimos o olho
O feijão deve, já catado
Nos esperar, feliz, de molho.
 
E a cozinheira, por respeito
À nossa mestria na arte
Já deve ter tacado peito
E preparado e posto à parte
 
Os elementos componentes
De um saboroso refogado
Tais: cebolas, tomates, dentes
De alho — e o que mais for azado
 
Tudo picado desde cedo
De feição a sempre evitar
Qualquer contato mais... vulgar
Às nossas nobres mãos de aedo
 
Enquanto nós, a dar uns toques
No que não nos seja a contento
Vigiaremos o cozimento
Tomando o nosso uísque on the rocks.
 
Uma vez cozido o feijão
(Umas quatro horas, fogo médio)
Nós, bocejando o nosso tédio
Nos chegaremos ao fogão
 
E em elegante curvatura:
Um pé adiante e o braço às costas
Provaremos a rica negrura
Por onde devem boiar postas
 
De carne-seca suculenta
Gordos paios, nédio toucinho
(Nunca orelhas de bacorinho
Que a tornam em excesso opulenta!)
 
E — atenção! — segredo modesto
Mas meu, no tocante à feijoada:
Uma língua fresca pelada
Posta a cozer com todo o resto.
 
Feito o quê, retire-se caroço
Bastante, que bem amassado
Junta-se ao belo refogado
De modo a ter-se um molho grosso
 
Que vai de volta ao caldeirão
No qual o poeta, em bom agouro
Deve esparzir folhas de louro
Com um gesto clássico e pagão.
 
Inútil dizer que, entrementes
Em chama à parte desta liça
Devem fritar, todas contentes
Lindas rodelas de linguiça
 
Enquanto ao lado, em fogo brando
Desmilinguindo-se de gozo
Deve também se estar fritando
O torresminho delicioso
 
Em cuja gordura, de resto
(Melhor gordura nunca houve!)
Deve depois frigir a couve
Picada, em fogo alegre e presto.
 
Uma farofa? — tem seus dias...
Porém que seja na manteiga!
A laranja gelada, em fatias
(Seleta ou da Bahia) — e chega.
 
Só na última cozedura
Para levar à mesa, deixa-se
Cair um pouco da gordura
Da linguiça na iguaria — e mexa-se.
 
Que prazer mais um corpo pede
Após comido um tal feijão?
— Evidentemente uma rede
E um gato para passar a mão...
 
Dever cumprido. Nunca é vã
A palavra de um poeta... — jamais!
Abraça-a, em Brillat-Savarin
O seu Vinicius de Moraes.
 

PÃO DE QUEIJO À MODA SUNO

terça-feira, 14 de abril de 2026

COMEÇA HOJE!

 Começa hoje o download gratuito do e-book "Eu Não Sei Desenhar!", promoção imperdível que irá até o dia 18/04. Está esperando o quê? 

O link é este: https://www.amazon.com.br/dp/B0GWY1GZ8K

NOITES CARIOCAS - ÉPOCA DE OURO E ARMANDINHO

 
Não sou especialista em música, apenas gosto de ouvir. Também não me preocupo com a qualidade do som, pois não tenho aparelhagem sofisticada. Mas tenho preconceitos definidos. Por exemplo, não gosto de funk nem de música “sertaneja”. Se forçar um pouco a barra, digo que também não curto pagode nem as músicas do grupo ABBA. E de gospel brasileiro, prefiro nem falar.
 
Meu negócio é MPB, bossa nova, choro, samba raiz, rock, blues e jazz, Também gosto bastante de reggae e forró. Mas o estilo que é sempre uma delícia de ouvir é choro – ou chorinho para os íntimos. Que maravilha quando alguém de talento estratosférico resolve gravar um choro daqueles bem ”Jacob do Bandolim”! Por que estou falando isso? Porque me deu vontade de ouvir de novo um CD que o conjunto Época de Ouro gravou com a participação luxuosíssima do Armandinho Macedo, um virtuose do bandolim e da guitarra baiana.
 
Só para ilustrar um pouco, o Época de Ouro é o grupo que acompanhava o gênio Jacob do Bandolim. Esse grupo teve entre seus integrantes o Dino 7 cordas, provavelmente o melhor “sete cordas” que o Brasil já teve, e o Cesar Faria, pai do Paulinho da Viola.
 
Como cantou o Belchior, “deixando a profundidade de lado”, o bom é ouvir a gravação de “Noites Cariocas”, o melhor choro já composto (minha opinião), interpretado por esse time de feras. Escutaí e baba (especialmente no trecho em que o Dino resolveu mostrar o que sabia fazer):



segunda-feira, 13 de abril de 2026

TEM LIVRO NOVO NO PEDAÇO

 
Noite passada acordei de madrugada com uma puta azia e com a canela da perna direita coçando e ardendo. Depois de tomar antiácido e passar um creme na perna, fiquei umas duas horas acordado, esperando passar a azia e o desconforto da perna. Mas ela e a azia foram poderosos estímulos para a nova maluquice jotabélica: resolvi juntar em um só volume os dois e-books de “deZénhos” (os desenhos do Zé) já publicados. “Passatempo” da madrugada...
 
Depois de ter o conteúdo revisto e analisado pela Amazon, o link de acesso foi finalmente liberado. Se esperararem até o dia 14/04 poderão fazer o download sem gastar nada. Então, lembrando: download free de 14 a 18/04 (cinco dias). Depois disso o acesso a essa “obra-tia” (porque “obra-prima” já está batido) custará R$6,00, caríssimo. Mas podem conhecer partes do livro a partir de agora.

O link é este:

E a capa é esta, utilizando um cartoon que está no e-book. Foi feita com figuras geométricas do Word e traz a sutileza da inversão do tamanho das sombras. Perdoem-me pela imodéstia, mas acho que foi uma ótima idéia (eu me amo!)



domingo, 12 de abril de 2026

CONHECE O HORÁCIO?

Conhece o Horácio? Se alguém me fizesse esta pergunta eu me lembraria de imediato do Tiranossaurinho Rex vegano, uma sacada genial dos estúdios Maurício de Souza. Também me lembraria do boulanger Horácio, simpático padeiro que prepara pães artesanais na "Padoca do Biju" (ótimos pães, diga-se). Mas não é desses dois que quero falar. Na verdade, foi o padeiro que citou o homônimo famoso quando eu errei seu nome (sou bom nisso). E aí veio com aquele papo de Wikipédia:
 
"Foi um dos maiores poetas líricos e satíricos da Roma Antiga, influente na literatura ocidental, famoso por suas Odes e pela expressão "carpe diem". Também ficou conhecido por seus poemas reflexivos sobre o amor, amizade e filosofia, muitas vezes adotando uma postura equilibrada e moderada".
 
Muito bem, muito bom. Por causa do pão da Padoca, descobri que o romano mandava bem nas frases e aforismos. Que formam o material que as gentis leitoras e os garbosos leitores lerão a partir de agora:
 

A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.

A cólera é uma loucura momentânea.

A duração breve da nossa vida proíbe-nos de alimentar uma esperança longa.

A força bruta, quando não é governada pela razão, desmorona sob o seu próprio peso.

A pálida morte bate com pé igual nos casebres dos pobres e nos palácios dos ricos.

A riqueza pode servir ou governar o seu possuidor.

A vida nunca deu nada aos mortais sem grandes fadigas.

Ainda que a expulses com um forcado, a natureza voltará a aparecer.

Aqueles que cruzam depressa o mar, mudam seus ares, mas não suas mentes.

As palavras... Muitas que hoje desapareceram irão renascer, muitas, agora cheias de prestígio, cairão, se assim o quiser o uso.

Carpe diem, quam minimum credula postero – aproveite o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã.

Considera bem a medida da tua força e aquilo que excede a tua aptidão.

Desconfiai daquele que detrai no amigo ausente, e o não defende quando o deprimem.

Despreza os prazeres: é prejudicial o prazer comprado ao preço da dor.

⁠É doce deixar a mente relaxar de vez em quando.

É feliz e senhor de si mesmo quem ao fim do dia pode dizer: eu vivi

Em todos os teus atos, lê e pergunta aos doutos, procurando assim conduzir serenamente a tua vida; que não sejas atormentado pela cobiça sempre insaciável, nem pelo temor e pela esperança de bens de pouca utilidade.

Ganha dinheiro primeiro, a virtude vem depois.

Há uma medida nas coisas; existem enfim limites precisos, além dos quais e antes dos quais o bem não pode subsistir.

Musa, dize-me o que é o homem.

Na realidade, ninguém nasce sem vícios: o melhor é quem cai nos mais leves.

Não é pobre aquele que se contenta com o que possui.

Não existe felicidade perfeita.

Não há ninguém sem defeitos: o melhor é o que menos tem.

Não sou obrigado a jurar sobre as palavras de nenhum mestre.

Não terás razão em chamar feliz àquele que muito possui.

Ninguém é feliz sob todos os aspectos.

O avarento vive sempre na pobreza.

O destino tem a mesma lei para todos: tira à sorte entre o humilde e o grande; a sua urna é vasta e contém todos os nomes.

O dinheiro não possui a faculdade de mudar a natureza íntima.

O dinheiro ordena ou obedece a quem o acumulou.

O dinheiro será sempre ou escravo ou patrão.

O fracasso descobre o gênio; o sucesso esconde-o.

O invejoso emagrece com a gordura dos outros.

O pinheiro mais alto é aquele que o vento agita mais vezes.

O que impede de dizer a verdade rindo?

Os nossos pais, piores do que os seus, geraram-nos ainda mais celerados do que eles; nós, por nossa vez, geraremos filhos ainda mais perversos do que nós.

Os pintores e os poetas sempre gozaram da mesma forma do poder de ousarem o que quisessem.

Os poetas têm de ser pessoas médias, nem deuses, nem vendedores de livros.

Podes atirar longe a natureza com o forcado: ela sempre retornará.

Quando a casa do vizinho está pegando fogo, a minha casa está em perigo.

Quem ama a áurea moderação, seguramente não sente falta da desolação do vil abrigo, nem do esplendor frugal do palácio invejado.

Quem começou, tem metade da obra executada.

Quem tem confiança em si próprio comanda os outros.

Raramente podemos descobrir um homem que diga que viveu feliz e que quando termina o seu tempo deixa a vida como um conviva satisfeito.

Seja qual for o conselho que vai dar, seja breve.

Todos nós somos levados ao mesmo lugar; na urna agita-se a sorte de cada um: mais cedo ou mais tarde, a sorte terá de ser lançada, e nos fará entrar no barquinho em direção ao exílio eterno.

Uma vez lançada, a palavra voa irrevogável.

Vós que escreveis, escolhei um assunto correspondente às vossas forças.

PÃO DE QUEIJO OU FEIJOADA

  Talvez muitos não saibam, mas o genial Vinicius de Moraes escreveu um poema delicioso, ensinando sua receita de feijoada para a culinarist...