quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

RELIGARE - REFLEXÕES SOBRE RELIGIOSIDADE, CRENÇA E FÉ

 
(Continuação do post anterior)

Os sentimentos de perplexidade, decepção e raiva surgiram imediatamente ao ver a palavra “BLOQUEADO” à direita da imagem da capa original. Perguntei ao Fabiano Caldeira, meu consultor para assuntos relacionados aos e-books da Amazon e ele disse nunca ter visto nada daquilo.
 
E não havia como modificar nada. Talvez a solução fosse reiniciar o processo, ou melhor, “fazer de conta” que se tratava de outro livro – que, muito provavelmente, também seria bloqueado.
 
Muito irritado com a situação, comecei freneticamente a fazer alterações. Excluí três ou quatro textos, dois deles com longas transcrições de livros que li (e talvez esteja aí o motivo da recusa – direitos autorais não respeitados).
 
Mudei o texto de divulgação, utilizei apenas uma “palavra-chave” em lugar das sete da versão anterior, escolhi nova capa – bem melhor que a original e, só de raiva, estabeleci o preço de R$5,00 para a nova versão. Originalmente custaria apenas R$1,99. O novo livro foi aprovado e posto à venda. Aleluia!
 
Se alguém se interessar em saber como seria uma "bíblia jotabélica" (não herética!) ou outras viagens na maionese surgidas e "perpetradas" nos últimos dez anos, o período de download gratuito vai de 13/02/2026 a 17/02/2026, em pleno período carnavalesco. Mas, por coerência com a temática do novo e-book, é melhor que seja lido durante a quaresma. Olha o link aí.




A capa antiga (da versão não aprovada) era assim. Ao lado dela, o aviso da Amazon.










quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

TUIUIÚ

 


O tuiuiú é considerado a ave-símbolo do Pantanal Matogrossense. Mesmo não sendo exatamente um passarinho – pois pode chegar a mais de 1,5 metros de altura, fiquei pensando que os ambientalistas poderiam propor a criação do “Dia do Tuiuiú”. Nesse caso, poderiam cantar esta musiquinha: “Happy Bird Day, Tuiu iú!” 

Acho ficaria bom.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

CONVERSANDO SOBRE RELIGIÃO, RELIGIOSIDADE, CRENÇA E FÉ

 
A morte da minha mulher teve para mim o efeito de um ciclone, de um tsunami ou, no mínimo, de um capotamento de carro, pois minha vida foi revirada como se fosse uma roupa dentro de uma lavadora. Tudo mudou, nada ficou como antes.
 
Tenho tentado manter a casa minimamente organizada e limpa, mas às vezes a vontade é de ficar deitado em nossa cama – em minha cama, agora tão grande e tão vazia.
 
Conversando com um de nossos filhos, o mais irrequieto, sempre querendo que eu me desfaça de metade dos objetos que minha mulher acumulou ao longo de cinco décadas, comentei que nossa casa é, na verdade, da Eliany, deles, dos nossos filhos, e que eu sou apenas o síndico. Ele riu e disse que é então o zelador, sempre querendo arrumar isso e aquilo.
 
Essas mudanças aconteceram também no campo religioso. Eu já me sentia praticamente ateu quando a doença de minha mulher teve uma progressão acentuada, fazendo-me lembrar desta frase do Millôr Fernandes: “O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde”.
 
A partir daí, comecei a repensar as crenças que tive, a fé que fui perdendo e a esperar por um milagre que revertesse o quadro triste que começava a se desenhar com nitidez. Infelizmente, o milagre não aconteceu, trocado que foi por um vazio imenso e por uma saudade abissal.
 
Foi nesse cenário que surgiu a vontade de reler todas as postagens indexadas no marcador “Religare” do Blogson Crusoe. Sinceramente falando, gostei bastante de quase tudo o que li – apesar de perceber com clareza a curva descendente da minha fé desde o primeiro texto que falava de religião e religiosidade, de crença e de fé, escrito quando eu ainda nem sabia o significado da palavra “blog”.
 
Pensar em um novo e-book com esses textos foi uma reação quase imediata, estimulado pelas lembranças da minha Amada. Mas aconteceu o inesperado: o livro a quem dediquei tanto carinho foi recusado pela Amazon! 

Depois de seguir todos os passos para sua publicação, recebi um e-mail com este texto: Com base em nossa análise, não aceitaremos seu envio para publicação porque os livros podem resultar em uma experiência decepcionante para o cliente.

O que aconteceu depois fica para a próxima postagem.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

DOIS MESES

 
Hoje se completam dois meses do dia em que te toquei pela última vez. Eu estava em choque, sem pressentir a saudade que sentiria depois, na nossa casa vazia, cheia de lembranças, enfeites, retratos e roupas que você usava para ficar ainda mais linda.
 
É difícil imaginar a dor de saber que nunca mais celebraremos nosso aniversário de casamento, o Dia das Mães, que nunca mais comemoraremos o Dia Internacional da Mulher nem o seu aniversário. O Dia dos Namorados era uma data tão importante quanto o Natal. Como rir e cantar músicas antigas nas festas de família? Você não está mais aqui!
 
Fui criticado por um de nossos filhos por beijar seus lábios frios no caixão. Meu desejo era poder te abraçar pela última vez, só mais uma vez. Mas não pude. Precisei sair de casa para resolver questões ligadas ao seu sepultamento e, quando voltei, você já tinha sido levada embora. Para sempre.

Um de meus filhos me enviou a letra de uma música que está compondo, falando justamente dessas certezas definitivas, como nunca mais poder ser abraçado por você. Não consegui ler até o final, pois minha garganta começou a queimar e meus olhos a lacrimejar.
 
Quando, meu Amor, conseguirei conviver com a sua perda sem chorar? Queria tanto acreditar que nós nos reencontraremos um dia e que, nesse dia, eu possa te abraçar, te beijar e repetir milhares de vezes que eu te amo, que sempre te amei e que sempre te amarei! Será isso possível?

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

ENFEITIÇADA, INCOMODADA E DESNORTEADA

A publicação de hoje serve para suavizar um pouco a crueza de algumas postagens recentes. Por isso, para não ficar falando abobrinhas, resolvi mudar a forma de apresentação de uma música lindíssima.

- Trata-se de um vídeo musical, um clip não oficial da música Bewitched, Bothered and Bewildered, produzido a partir da compilação de cenas extraídas da série The Crown, mostrando a Princesa Margaret em momentos distintos de sua vida. Na série, foram usadas duas atrizes – uma interpretando a princesa mais jovem e outra, já mais velha.

- Bewitched, Bothered and Bewildered é uma das músicas mais lindas que já ouvi. Foi composta em 1940 e, neste vídeo, é interpretada por Ella Fitzgerald. Como não assisti a nenhum episódio da série, não sei se essa melodia faz parte ou não de sua trilha sonora.

- O lado bom para quem não entende nada de inglês é a existência de legendas no vídeo, o que permite fazer analogias e ter ao menos uma pálida ideia (muito pálida) do comportamento da Princesa Margaret.

- Em algum momento, ela teria feito o seguinte comentário: “Era inevitável: quando há duas irmãs e uma é a rainha, que deve ser a fonte de honra e de tudo que é bom, a outra acaba ficando no foco da mais criativa malícia, a irmã diabólica”.

- A irmã da Rainha Elizabeth teve uma vida social bastante agitada. Bebia muito, fumava muito e se relacionou, ao longo do tempo, com dezenas de homens – entre eles, talvez, Mick Jagger, dos Rolling Stones. Morreu aos 71 anos.

- Agora, só não se deixa levar pela música sofisticada e pelas imagens quem prefere um estilo musical mais rústico, menos elaborado ou, digamos assim, mais “rural” ou “periférico”.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

"QUANDO EU ERA CRIANÇA"

“Quando eu era criança pequena lá em Barbacena” era o bordão do personagem caipira Joselino Barbacena da “Escolinha do Professor Raimundo”, programa comandado pelo genial Chico Anysio. Curiosamente “esse bordão foi reconhecido, por lei, como frase cultural dessa cidade”. Fiz essa descoberta ao pensar em uma frase para começar este texto. Então, vamos lá.
 
Quando eu era criança pequena lá no bairro Carlos Prates não havia (ou não se conhecia) a diversidade de comportamentos e preferências expressa na sigla LGBTQIAPN+. Se você não sabe o que significa essa sopa de letras, vai saber agora:
 
L: Lésbicas; G: Gays; B: Bissexuais; T: Travestis, Transexuais e Transgêneros; Q: Queer (pessoas que não se encaixam na heterocisnormatividade); I: Intersexo (pessoas com características biológicas que não se encaixam na binariedade masculino/feminino); A: Assexuais; P: Pansexuais; N: Não-binários e (ufa!) “+”, que representa a pluralidade de outras identidades de gênero e orientações sexuais. O “ufa!” aí não é sigla, é só frescura.
 
Pois bem, quando eu ainda era criança só imaginava existir a sigla LG, ou seja, “L” para as lésbicas, conhecidas na época como “entendidas”, “machonas” ou sapatões e “G” para os gays – as bichas, bichas loucas, bichinhas ou viados, enfim. De um lado mulheres com comportamento masculinizado e do outro, homens delicadíssimos, voz afetada e gestual ondulante.
 
Sempre tive mais dificuldade para identificar as meninas “L”, o mesmo não acontecendo com os homens “G”, normalmente alegres e sempre insinuantes. Lembro-me de um que ao me ver já adolescente saindo da piscina com a água escorrendo mais concentrada nos pelos já existentes na barriga de tanquinho (eu já tive!), exclamou: “- Caminho da felicidade”.
 
Mas o tema de hoje não são reminiscências da infância e juventude. Tudo surgiu e foi motivado por um comentário feito pelo titular do blog “As Crônicas do Edu” a respeito de recente postagem que fiz com o título “Macho Dzeta” onde, sem me estender muito, confessei ser um heterossexual um pouquinho afeminado – traço de comportamento apreciado por algumas mulheres (não todas). Em outras palavras, um membro da fictícia “ABHA - Associação Brasileira de Heteros Afeminados”.
 
Meu amigo Eduardo, talvez sentindo-se incomodado com minhas “inconfidências”, lascou um comentário que me fez pensar neste texto, ampliando um pouco minha resposta original.
 
Falando sério, eu realmente falo "noossa" e "ui". O "ui" é real e o "noossa" é só de gozação, mas é difícil definir o limite entre um homem "sensível" e um afeminado, pois essa "fronteira" é elástica, fluida, da mesma forma que é difícil definir o que é um "macho". Cara, eu odeio esta palavra, tanto quanto "fêmea"! São duas palavras redutoras que servem apenas para coisificar alguém que tem muito mais para mostrar que apenas um comportamento estereotipado.
 
A realidade, aliás, vive desmentindo esses rótulos. Há gays com comportamento muito mais “macho”, dentro do imaginário tradicional, do que muitos heteros sensíveis ou vistos como afeminados. E está tudo bem. Porque orientação sexual não é manual de conduta, e masculinidade não vem com certificado de autenticidade.
 
Posso estar enganado, mas os homens que espancam ou matam suas companheiras estão abrigados no nicho "macho das antigas", usando um termo que acho engraçado. Obviamente – e ainda bem – são minoria. Mas fruto direto de uma ideia ultrapassada e tóxica do que significa “ser homem”.
 
No fim das contas, talvez o problema possa não ser o “ui”, o “noossa”, a sensibilidade ou a firmeza. Os costumes mudam, as pessoas podem também mudar, suavizando arestas antigas e revendo costumes enraizados, aceitando com mais naturalidade a multiplicidade de comportamentos e escolhas. Que acham disso? (cartas para a redação) 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

UM MUNICÍPIO INVISÍVEL


Já manifestei aqui no blog minha preocupação com os miseráveis que dormem debaixo das marquises de prédios, tendo muitas vezes apenas um papelão como defesa contra a friagem do solo. Para mim, pouco importa o que levou esses infelizes a chegar a esse nível de absoluta miséria e desamparo. Só sei que fico penalizado por cada um que vejo deitado nas calçadas. E esse número tem aumentado.

Todos os dias, pela dificuldade que tenho para andar a pé (artrose nos joelhos) vou de carro para comprar o pão nosso de cada dia. E saio bem cedo de casa, por volta das seis da manhã. Na volta, sou obrigado a passar pela praça principal do bairro, bem em frente ao icônico Bar do Bolão. Hoje, debaixo da marquise desse bar, quatro pessoas estavam deitadas, ainda dormindo. E é isso que me deixa desolado. São tantos os que se (des)abrigam nas calçadas e praças que, sinceramente, não consigo pensar que alguém tenha uma solução real para o problema. Por isso, resolvi apelar para a ironia.
 
Minas Gerais tem 853 municípios. Em Belo Horizonte, (sobre)vivem 15.474 pessoas em situação de rua – um contingente maior do que a população de 618 municípios do estado.
 
Diante dessa situação absurda, talvez seja uma boa criar o 854º município  o da população em situação de rua. Com direito a prefeito e verbas federais! Ou não?

RELIGARE - REFLEXÕES SOBRE RELIGIOSIDADE, CRENÇA E FÉ

  (Continuação do post anterior) Os sentimentos de perplexidade, decepção e raiva surgiram imediatamente ao ver a palavra “BLOQUEADO” à dire...