domingo, 6 de setembro de 2026

DE ONDE EU VIM?

 

Desde quando fiquei sabendo que o exame de DNA poderia trazer informações sobre a ancestralidade, eu tive vontade de fazer. Mas o dia a dia tem a mania de ser avaro com frescuras desse tipo, melhor gastar o dinheiro com coisas úteis – e assim a vida vai passando, sabotando, enterrando pequenos prazeres. 

Mas uma mudança radical em minha vida fez com que eu tentasse priorizar a minha felicidade, o meu bem-estar. Comecei a fazer aulas de dança de salão, resolvi pilates e aprender a dançar forró.

Além disso, decidi ter aulas de teclado, melhorar minha performance no violão, aprender inglês, começar a aplicar a caneta emagrecedora e viajar para a Suiça. 

Com exceção da viagem e das aulas, o resto já está em andamento. E toda essa sanha para combater a mais absurda solidão que já senti fez também surgir o desejo de saber de onde vim. Comprei também esse exame! E o resultado saiu ontem. 

Só fiquei decepcionando com uma coisa: eu sempre quis ter um pezinho na África, mas não tenho. Olha que interessante o resultado: 

Jose, seu DNA indica que 93% da sua ancestralidade é proveniente da Europa.

Europa – 93%, assim distribuídos:

Ibéria 50%

Itália 13%

Europa Ocidental (Alemanha, França e Países Baixos e Ilhas Britânicas)

 6%

País Basco 5%

Bálcãs (Bulgária e Macedônia do Norte, Grécia, Romênia e Moldávia, Sérvia e Montenegro, Croácia e Bósnia-Herzegovina) 5%

Judeus Sefaradim 5%

Judeus Ashkenazim 4%

Sardenha < 3%

Leste Europeu < 3%

Lapônia e Volga-Ural < 2%

 

Oriente Médio e Magrebe 5%

 

Américas < 3%

sábado, 5 de setembro de 2026

BANGUELA

 
Não quero mudar o passado,
Desejo só inconsequente.
Quero mudar o presente.
Presente que foi herdado
De um passado que devia ser
Para sempre, sempre olvidado.
 
Diz um velho ditado que
A cavalo dado não se olham os dentes.
Não sei avaliar essa frase
Só sei que a desprezo e descarto,
Pois cansei de cavalo magro, doente
E, pra piorar, desdentado.
 
Quero um novo presente,
com fita vermelha amarrado,
com metal dourado enfeitado,
que tenha meu tamanho certinho
e que eu possa ser nele enterrado.

OH ME! OH LIFE! – WALT WHITMAN

 

Oh, eu! Oh, vida! Das perguntas que voltam, sempre as mesmas,

Dos trens intermináveis dos descrentes, das cidades povoadas de tolos,

De mim mesmo, a me censurar sem trégua

(pois quem mais tolo que eu, quem mais descrente?),

Dos olhos que em vão suplicam pela luz, das coisas mesquinhas,

Da luta que incessantemente recomeça,

Dos pobres frutos de tudo, das multidões que se arrastam,

Sórdidas, laboriosas, ao meu redor,

Dos anos vazios e inúteis que os outros vivem,

E nos quais também eu me enredo,

A pergunta, oh, eu! — tão triste, sempre retornando:

Que há de bom em meio a tudo isso,

Oh, eu, oh, vida?

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

INGRESSO PRIVILEGIADO

 

Cansei de ver, ler ou ouvir alguém perguntando qual o sentido da vida. Eu mesmo já fiz essa pergunta, esperando ouvir uma resposta soprada em meu ouvido durante o sono. Saco cheio disso! 

Agora, o que eu quero mesmo saber é qual o sentido da morte. Não a explicação biológica, mas o sentido mais profundo da morte. Alívio, descanso, libertação, nova viagem? Breve regresso? Todas as possibilidades para esse show. E eu quero um ingresso privilegiado.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

(IN)UTILIDADE PÚBLICA.

 Recentemente (estou com a sensação de já ter falado sobre isso!),  na padaria perto da minha casa, vi uns quadrinhos lindos, bacanérrimos, com várias imagens do fundador da "boulangerie" (porque eles são muito frescos). Perguntei ao neto do patriarca como tinha obtido um resultado tão excepcional.
A resposta foi ter criado, com a ajuda de uma IA, um prompt detalhado para ser utilizado naquelas e em outras futuras imagens. 
Pedido e recebido o tal prompt, resolvi aplicá-lo. A imagem resultante ficou bem boa (para mim, pelo menos). E é essa receita que compartilho agora com os milhões de leitores do velho Blogson: 
 
PROMPT:
Utilize a foto anexada apenas como referência da pessoa. Crie uma ilustração em estilo line art refinado, mantendo fielmente as características do rosto, expressão e pose.
Estilo desejado:
* Fundo sólido na cor creme (off-white quente, semelhante a papel de algodão).
* Todo o desenho feito exclusivamente com traços verde oliva escuro (#556B2F como referência).
* Sem preenchimentos coloridos.
* Linhas finas, elegantes e orgânicas, com pequenas hachuras apenas para sugerir volume e sombras.
* Aparência de ilustração artesanal, sofisticada e atemporal.
* Alto nível de detalhamento no rosto, olhos e sorriso, preservando a personalidade da pessoa.
* Roupas e acessórios desenhados com simplificação artística, mantendo seus principais detalhes.
* Fundo totalmente limpo, sem objetos, paisagem ou elementos decorativos.
* Centralizar a pessoa na composição.
* Proporção vertical (2:3).
* Qualidade extremamente alta, adequada para impressão em quadros grandes (60×90 cm ou maior).
Objetivo estético:
O resultado deve lembrar uma mistura entre ilustração botânica clássica, gravura fina e desenho editorial contemporâneo, minimalista, elegante e acolhedor. A arte deve parecer feita por um ilustrador profissional, e não um simples filtro aplicado sobre a fotografia.

E para finalizar, olhaí o Jotabê sem nenhuma vergonha na cara:






JOGADOR E DADO

 

Nunca me preocupei em saber

Se a Vida era ou não uma loteria

(era, mas não era, entenda quem quiser)

E eu, jogador e dado, nela me joguei

Sem entender que não há, nunca houve

Prêmio de consolação que console

O jogar-se sem pensar que essa maldita loteria

Nunca pagará, não pagaria o prêmio

Que a insensatez fez acreditar

Que mereceria

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

LOTERIA

 

Tenho andado com uma mega sanha de ganhar na loteria. Se esse milagre acontecer, meu desejo é comprar uma casa à beira de uma praia semideserta e mudar para lá.

Usarei uma blusa anti UV, específica para me proteger dos raios solares e um chapéu ridículo para não deixar que se queime meu couro cabeludo ou meu pescoço.

Morarei nesse paraíso até morrer. Andarei no limite entre a areia e a água do mar, onde as ondas se espraiam. Ou ficarei sentado à sombra, apenas contemplando o vai e vem infinito das ondas.

Quieto, em silêncio. Só, solitário.

E farei muitas viagens, mas só para dentro de mim mesmo.

DE ONDE EU VIM?

  Desde quando fiquei sabendo que o exame de DNA poderia trazer informações sobre a ancestralidade, eu tive vontade de fazer. Mas o dia a di...