terça-feira, 24 de março de 2026

PESCARIA

 
 
Nunca li nada do Guimarães Rosa e a explicação é simples e patética: não tenho o costume de comprar livros, lendo apenas os que ganho. Mesmo assim, imagino que deve ser uma boa leitura, sofisticada, inesperada, como imagino que seja o conto “A terceira margem do rio”.
 
Então, é presunção querer utilizar o título desse conto do Guimarães só para fazer uma metáfora política. Mesmo assim, vou fazer, por já estar cansado, de saco cheio dos disse-me-disse entre Esquerda e Direita, das ofensas e desabafos contidos em expressões como intelectualoide, petralha, direitalha e assemelhados.
 
Por exemplo, se alguém me chamar de “comunista” eu ficarei extremamente ofendido, puto mesmo. Por outro, lado se algum petista me chamar de “bolsonarista” eu ficarei tentado a mandá-lo à puta que o pariu. Eu quero é distância dos extremos!
 
Por isso, utilizo agora a metáfora que imaginei para deixar clara minha posição ideológica (saco cheio desta palavra também!): eu não pesco nem na margem direita nem na margem esquerda de um rio; eu pesco apenas na terceira margem, que é onde tem peixe grande.
Gostaram da analogia?

segunda-feira, 23 de março de 2026

HUMANISMO É IDEOLOGIA?

 
Algumas pessoas se orgulham em afirmar que “pensam fora da caixa”. Cara, eu nem quero saber se existe uma caixa! O que eu quero é liberdade de pensamento, sem me prender a dogmas, ideologias, regras ou decretos. O genial Millôr Fernandes assim definiu ideologia: “Bitola estreita para orientar o pensamento” e completou: “A ideologia leva à idolatria, à feitura e adoração de mitos. E, finalmente, ao boquete ideológico”.
 
Acho que essa é a receita. Assim, estou pouco me lixando para os anjos e assombrações da Esquerda e da Direita. Fui educado para ser bem-mandado, do bem – um fiel e obediente cidadão. Com essa educação reconheço e obedeço às leis existentes e às normas mais rígidas em vigor. Dura lex, sed lex, como dizia um vizinho.
 
Nasci no Brasil, mais precisamente na capital de Minas Gerais, e moro no bairro mais boêmio da cidade. Paradoxalmente, não bebo uma gota sequer de álcool nem esquento a bunda nas cadeiras das dezenas de bares, restaurantes e muquifos espalhados pelo lugar.
 
Talvez por isso eu sempre tenha achado estranhas as regras, modelos, modismos e valores cultuados e defendidos por esta ou aquela tribo, partido ou ideologia. Esse estranhamento me leva a pensar que minha única ideologia é o humanismo. Que, para falar a verdade, nem quero saber se é ideologia ou não.
 
Para ser sincero, outra coisa que também desprezo e abomino – mesmo que as respeite e entenda , são as bandeiras, limites e fronteiras. A única fronteira que faz sentido para mim é a estabelecida pela camada de ozônio que protege a Terra. O resto é detalhe. Fui.

domingo, 22 de março de 2026

MANUAL PROVISÓRIO DE JUSTIÇA BIOLÓGICA

 Não sei se a moçada que acessa este blog com cheiro de gelol e sanador sabe disso, mas com o avanço da idade, o cérebro dos idosos diminui de tamanho e fica mais soltinho dentro do crânio, situação real e potencialmente perigosa se você cair de cabeça e enfiar o cifre no chão. E isso é sério.
 
Pois bem, estava despreocupadamente fazendo nada, quando meu cérebro foi chacoalhado por uma nova ideia, uma ideia meio louca, tão sem propósito que resolvi chamar o ChatGPT para descascar o abacaxi e fazer uma crônica (estava chupando manga, muito melhor que ficar pensando e digitando idiotices). E este foi o pensamento que pedi para desenvolver:
 
“Talvez seja uma visão egoísta, mas considero injusto que as pessoas idosas possam morrer quando estão felizes. O corpo deveria ter um timer automático que fosse acionado quando estivessem altos os níveis de serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina. Funcionaria na base do “não se mexe em time que está vencendo”.
Em compensação, se o cortisol estivesse muito alto, o corpo já começaria a desligar os sistemas vitais, começando pelos menos importantes. Que acha desta piração?”
 
Não demorou muito para a IA surgir com esta crônica (claro, depois de fazer mil perguntas impertinentes.). Acho que ficou bem legal. Mas lembrando de que a autoria é do ChatGPT, OK?. Lêaí.
 
Manual Provisório de Justiça Biológica
Ele começou com um pedido de desculpas que já denunciava o contrário: “talvez seja egoísmo”. Não era. Era, como quase todas as boas ideias impraticáveis, uma tentativa sincera de melhorar o mundo.
A proposta era elegante: ninguém deveria morrer quando está feliz. O corpo, finalmente organizado, passaria a respeitar o momento. Detectaria níveis elevados de alegria — esses coquetéis internos de bem-estar — e concluiria, com bom senso: “melhor não mexer nisso agora”.
Seria o fim das interrupções indevidas. Nada de finais dramáticos em meio a jantares agradáveis ou risadas bem encaixadas. A biologia, promovida a bom senso, aprenderia a esperar.
Havia, claro, o outro lado. Quando a vida apertasse demais, quando o sujeito estivesse claramente perdendo o jogo, o organismo poderia, com a mesma elegância, começar a fechar a conta. Nada brusco. Um desligamento progressivo, quase administrativo.
Parecia justo. Mas ele mesmo percebeu um detalhe incômodo: isso eliminaria justamente quem ainda poderia melhorar. Ajustou a regra.
Nova versão: entre duas pessoas da mesma idade, partiria primeiro a menos feliz.
Agora sim, um critério comparativo. Quase um ranking existencial. A morte, finalmente, com algum senso de prioridade.
O problema — eu disse, talvez estragando um pouco a proposta — é que a felicidade não colabora. Não se deixa medir com precisão, não respeita escalas, não preenche formulários. É instável, contraditória e, em muitos casos, discretamente escondida.
Em outras palavras: péssima candidata a critério técnico.
Além disso, ela muda de ideia. Pessoas atravessam longos períodos sem grande entusiasmo e, sem aviso prévio, encontram algo que reorganiza tudo. Um amor, por exemplo. Desses que chegam atrasados, fora de contexto e, por isso mesmo, no momento exato.
Foi aí que a teoria perdeu um pouco da força — e ganhou alguma verdade.
“Estou vivendo um novo romance”, ele disse. “Está bom demais.”
O curioso é que, diante dessa frase, toda a engenharia anterior ficou parecendo desnecessária. Não porque estivesse errada, mas porque ficou pequena.
Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa. Uma vontade de que o que é bom dure, de que o que faz sentido não seja interrompido no meio.
A vida não promete isso. Nunca prometeu.
Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.
Permite que algo comece quando já não se esperava.
Permite que alguém se surpreenda com a própria felicidade.
Permite que exista, mesmo que por um tempo incerto, esse estado raro e simples de dizer:
“está bom demais”.
E talvez, no fim, isso não seja justiça.
Mas já é, de algum modo, um cuidado.
 
 
Apesar de ter gostado muito da crônica, fiquei intrigado com o título dado pela IA e perguntei: “Por que você escolheu este  título para essa crônica?” E esta foi a resposta:
 
Boa pergunta — e ela entra no espírito da própria crônica.
 
Sobre o título: “Manual Provisório de Justiça Biológica”
Ele tem três camadas de ironia:
“Manual” sugere algo técnico, organizado, quase científico — como se fosse possível normatizar a vida, criar regras claras para nascer e morrer. Isso contrasta com o caos real da existência.
“Justiça” aponta diretamente para a sua ideia original: corrigir uma “injustiça” da vida (morrer quando está feliz, ou preservar quem está melhor). É uma tentativa humana de impor sentido onde não há critério moral claro.
“Provisório” quebra tudo isso com delicadeza. É como se o próprio texto admitisse: “olha, isso aqui é bonito, mas não vai funcionar — e tudo bem”.
A vida não aceita versão final de manual.
O título, então, já prepara o leitor para uma proposta que é ao mesmo tempo séria e meio fadada ao fracasso — mas um fracasso elegante.

Ainda com vontade de fazer nada, resolvi imitar uma característica irritante do ChatGPT, que é sempre fazer novas perguntas e comentários após sua próprias ponderações e explicações. Por isso, dei a “estocada” final com esta pergunta: “Poderia explicar melhor o final desta crônica?”
 
E a danada da IA respondeu assim:
 
Vou destrinchar as últimas ideias.
 
1. “Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa.”
 
Aqui a crônica revela o motivo real da ideia do “design ideal”.
Não é engenharia da vida. É um gesto de proteção.
Quando alguém está vivendo algo muito bom — como um amor que chegou num momento inesperado — nasce um impulso quase automático:
 “isso não podia acabar agora.”
Então a mente tenta criar regras para o universo.
É uma forma de defender o momento.
 
2. “A vida não promete isso. Nunca prometeu. / Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.”
 
Esse é o ponto de virada emocional do texto.
Ele reconhece duas coisas ao mesmo tempo:
a vida não garante justiça emocional
mas ela também não impede que coisas boas aconteçam
Ou seja: o mundo não foi feito para preservar a felicidade…
mas curiosamente ela aparece mesmo assim.
Isso cria uma sensação de milagre cotidiano, sem chamar de milagre.
 
3. A repetição de “Permite…”
 
Essa parte é importante no ritmo e no sentido.
Ela transforma o final numa espécie de respiração calma, quase contemplativa.
Cada linha amplia um pouco a ideia:
algo pode começar tarde
alguém pode se surpreender com a própria felicidade
e, finalmente, alguém pode dizer algo simples
Essa progressão aproxima o leitor do momento humano que originou a crônica.
 
4. A última frase:
 
“E talvez, no fim, isso não seja justiça. Mas já é, de algum modo, um cuidado.”
Essa é a chave do final.
No começo da crônica, a preocupação era justiça (um sistema que decidiria quem vive mais).
Mas no fim, o texto percebe que talvez a vida não funcione com justiça — pelo menos não nesse sentido.
Então surge outra palavra mais suave: cuidado.
Não um cuidado planejado, técnico ou garantido.
Mas aquele tipo de cuidado que a gente sente quando algo bom aparece no momento certo, mesmo sem explicação.
É quase como se o texto dissesse:
Talvez o mundo não seja justo.
Mas às vezes ele é gentil.
E essa mudança — de justiça para gentileza da vida — é o verdadeiro fechamento da crônica.
 
Que mais eu poderia sentir além de inveja por tudo o que o ChatGPT criou em poucos minutos?

 

sábado, 21 de março de 2026

TIVE SIM - LUIZ MELODIA

Luiz Melodia foi um compositor que me cativou logo de início, quando ouvi a Gal Costa cantar “Pérola Negra” (“tente passar pelo que estou passando”), de sua autoria. Depois vieram “Juventude Transviada”, "Estácio, Holly Estácio" (“se alguém quer matar-me de amor que me mate no Estácio”) e outras que fogem do tema deste post, porque ele era um cantor fabuloso, com uma voz anasalada que punha no chinelo gente como o Cazuza ou Diogo Nogueira.

Infelizmente, faleceu vítima de câncer (doença filha da puta!) em 2017. Mas deixou uma interpretação ao vivo da música “Tive Sim” que é espetacular (desculpe, Diogo Nogueira, você pode ter pegado a deliciosa Paola Oliveira, mas como intérprete não chega aos pés nem de seu pai João Nogueira nem do Luiz Melodia). 

Para provar isso (embora não seja essa a intenção) vejam e escutem esta maravilha composta pelo genial Cartola. A propósito, o vídeo erra o autor, ao atribuir a música ao Zeca Pagodinho (faltou cultura inútil a quem deu esse vacilo!). Segura aí. 



sexta-feira, 20 de março de 2026

TÔ ERRADO?

 
Se eu soubesse que vc iria me tratar dessa forma após casar eu que não queria casar
Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa
Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa
Como toda mulher casada deve ser.
 
Gostou deste diálogo? Quer saber as regras que uma “fêmea beta obediente e submissa precisa seguir?
 
- Não cumprimentar homens com beijo no rosto e abraços
- Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e não na rua caçando assunto
- Rua é lugar de mulher solteira a procura de macho.
 
Eu adoro a vulgaridade do uso das palavras “macho” e “fêmea” para animalizar o contato humano. Mas se ainda não ficou satisfeito, aqui vão ponderações cheias de sensatez e equilíbrio:
 
Enquanto vc estiver casada comigo e vivendo na minha casa, na minha comanda, as coisas serão do meu jeito... Mulher casada comprometida e que o marido é o único provedor do lar tem regras a cumprir
- Se você quer ter liberdade, não fique casada
- são as minhas regras e do meu jeito.
 
Só para esclarecer: essas doces palavras foram obtidas a partir da quebra de sigilo do celular de um coronel da Polícia Militar de São Paulo, preso e acusado de ter assassinado a esposa com um tiro na cabeça depois de imobilizá-la com uma gravata.
 
Esse gentilhomem matou sua linda esposa por não aceitar que ela usasse roupas justas e cumprimentasse outros homens com beijinho no rosto, coisas assim, e deixou clara sua visão:
 
Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo.
 
Quando a coitadinha disse que o bonitão da bala chita havia deixado de ser príncipe, cavalheiro, romântico, a besta-fera respondeu ser mais que príncipe:
 
“Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano”
 
Logo depois, em uma troca de mensagens, ela disse estar “praticamente solteira”, recebendo esta resposta:
 
- Jamais! Nunca será!
 
Acho que chega, né? Outro dia ouvi uma reflexão interessante: essa explosão de feminicídios que tem acontecido no país pode ter relação com a sensação de perda de poder que alguns homens sentem diante das mudanças sociais. Eu diria que esses homens padecem da "síndrome do pinto pequeno".

Hoje é inegável - e positivo - o fato das mulheres estarem ocupando espaços antes reservados quase exclusivamente aos bigodudos: policiais, delegadas, juízas, promotoras, CEOs, ministras e até presidente da República. E talvez seja justamente isso que alguns não conseguem aceitar: perder o controle que acreditavam ter sobre a vida de outra pessoa ou sentir-se inferiorizados pela competência feminina.
 
No caso de mulher presidente, faço este parêntese (não se deve perder a oportunidade de rever a matéria estudada para o vestibular há 57 aninhos): substantivos terminados em “e” não variam normalmente com o gênero. Por isso, dizer “presidenta” é feio pra burro. Pode? Pode, mas deveria evitar. Como ensinou o apóstolo Paulo, “tudo posso, mas nem tudo me convém”. Fica a dica.
 
Continuemos. Voltando à prática absurda do feminicídio, o que esse caso mostra com clareza é algo anterior ao crime: a mentalidade de posse, a ideia de que a mulher não é parceira, mas propriedade. E é justamente aí que começa o problema.
 
Eu defendo uma solução simples, mesmo que impossível hoje no país: pena de morte para o filho da puta. Olho por olho, dente por dente, mano!
 
Tornozeleira e cadeia  são condenações muito suaves para esse tipo de crime. A menos que o fodão fosse jogado em uma cela superlotada e virasse a mocinha dos presos. Ou então ser emasculado, ter o pênis, o pinto, o pau, o caralho cortado, amputado, moído, para deixar de ser besta. Tô errado?

quarta-feira, 18 de março de 2026

JÁ COMEU CAVIAR?

 
Sou um ignorante, um caipira. Eu ignoro tantas coisas, tantos assuntos, que me atrevo a dizer que sou um sujeito com pós-doutorado em ignorância. Apesar disso, tenho a mania de dar palpite em tudo, com especial ênfase nos assuntos de que não entendo porra nenhuma. E é com essa visão sócio-antropológica que resolvi falar hoje de “demeritocracia”, um neologismo jotabélico que explico melhor no final deste post.
 
Antes, porém, vou tocar (suavemente) no conceito tão em voga hoje de “meritocracia”. Se para você, caro leitor, estimada leitora, a meritocracia é como o caviar do Zeca Pagodinho (“nunca vi, não comi, só ouço falar”) –, fica aqui uma definição resumida: “é a ideia de que as pessoas avançam com base no próprio mérito, no esforço, no talento, no desempenho… e não por privilégios de origem, dinheiro ou conexões”. (Obrigado, Google!)
 
Agora, voltemos rapidamente à demeritocracia. Para início de conversa (o que a gente não faz para engordar um texto esquálido, não é mesmo?), sabe o que é demérito?
 
Segundo o Google, “demérito é a falta de mérito, desmerecimento ou uma ação que gera perda de consideração, respeito ou valor. E esta é a chave para meu neologismo (registra aí, Aurélio!).
 
Ultimamente – e foi assim que me ocorreu a palavra – tenho ficado muito incomodado, puto mesmo com a demeritocracia que existe nesta nossa Terra de Santa Cruz. Em certos ambientes – especialmente lá pelas bandas da Corte – o negócio não é exceção: é regra. Se bobear, deve ter até protocolo. Cara, o que tem de gente desclassificada nas altas esferas de Brasília não está no gibi!
 
E esta é a conclusão final para este texto curto: enquanto a meritocracia privilegia o indivíduo, a demeritocracia não escolhe alvo, sai ferrando a sociedade inteira. O mais louco é que os "demeritocratas" (demeritocráticos) ainda encontram eleitores que aprovam sua conduta!
 
Gostaram do neologismo surgido na mente descompensada de Jotabezinho? Não? OK! Já mandei chamar o cabo corneteiro para tocar o toque de Foda-se. Fui.
 
 

terça-feira, 17 de março de 2026

NOVAS EMOÇÕES

 
Tenho andado tão feliz ultimamente
Como se nas nuvens estivesse
Na boca um sorriso permanente
No rosto, expressão de bobo alegre
Irrefletido, aturdido, sorridente
 
Como o de adolescente inconsequente
Sonhando com o dia de encontrá-la
E que esse dia não tarde a chegar
Pois tudo o que eu quero é abraçá-la
E abraçar e abraçar e abraçar
 
Um abraço tão suave, carinhoso
Como se não houvesse outro
Como se fosse o último
Um abraço que trará a cura
De um sonho tão sonhado
E que jamais pude alcançar,
 
Num tempo que foi bom mas que passou
Sem que eu nada pudesse fazer
Tempo de dor, de conflito e tristeza
Impossível de ser esquecido
Mas hoje eu tenho a certeza
Que há novo tempo a ser vivido
 
Agora, um ajuste fino
Um fechamento de ciclo
Mato de chuva molhado
Aroma fresco, doce, terroso
Sabor de abraço apertado
De quem está ao meu lado.

PESCARIA

    Nunca li nada do Guimarães Rosa e a explicação é simples e patética: não tenho o costume de comprar livros, lendo apenas os que ganho. M...