segunda-feira, 6 de julho de 2026

FOI-SE A COPA? – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus, chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
a Copa da Liberdade.

24/06/1978


sábado, 4 de julho de 2026

STORYBOARD

Em 2018, depois de ler algum artigo sobre cinema, mais especificamente sobre as técnicas de filmagem, tive a ideia de roteirizar um curta-metragem que, obviamente nunca foi feito, mas a ideia permaneceu na cabeça, justamente por ficar sabendo que o diretor italiano Federico Fellini registrava seus storyboards com desenhos bem detalhados que ele mesmo fazia. Outro que usou essa técnica foi cartunista Henfil, que praticamente desenhou todo o filme que criou, dirigiu ou sei lá o quê. Para quem nunca ouviu falar, o nome é “Deu no New York Times”.
 
Voltando à minha indigência, pedi ao ChatGPT para gerar os desenhos do storyboard imaginado. E ele fez, depois de muitas discussões. Mais trabalho ainda deu para montar tudo num padrão Blogson (sinônimo de tosco). Então, é isso. Se alguém quiser ler a versão original, o link está logo abaixo. Mas se quiserem conhecer a versão chatgepeteizada, o lugar é aqui mesmo. Só lamento a falta de nitidez dos textos, pois sou uma anta digital. É isso.
 
 https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2018/04/curta-mensagem.html 










quinta-feira, 2 de julho de 2026

POEMINHA-RESPOSTA

 

Não posso explicar o que sente,

Isso, só você pode saber

Mal, mal consigo entender o que sinto!

E nem sei entender, só pressinto

Pois o amor ressurgiu de repente

Sem chance, sem trégua: labirinto

Que percorro sem saber a saída

Pois tudo é igual, nada é diferente

Só sei que mudou minha vida.

terça-feira, 30 de junho de 2026

MAGNETISMO IMPUNE

 
Como cantou o Ivan Lins, “o amor tem feito coisas que até Deus duvida”. Pois é só um Amor com A maiúsculo poderia me tirar da letargia em que me encontrava, talvez com um desejo inconsciente de morrer. Mas isso acabou. Hoje, com meus setenta e seis aninhos, estou apaixonado, amando de novo uma menina que conheci há mais tempo e que minha mente se recusou a esquecer.
 
Essa menina tem-me feito escrever na forma de poemas o que sinto por ela. O mais recente é este. Ou melhor, são estes, pois sem saber ainda qual é o melhor, resolvi publicar os dois (com direito à versão musicada da Suno). Lêaí.
 
Primeira Versão
Se eu soubesse que amar
Era assim tão complicado -
Pois deixa quem ama indefeso
Sujeito a todo tipo de medo
Sem dormir, sem descansar -
 
Eu fugiria e tentaria a todo custo
Me afastar, ficar longe
Manter-me imune ao seu magnetismo
Atração descontrolada, imprevisível
Por desejar sempre estar ao seu lado
 
Palpitação, melancolia, depressão
Sentimentos de quem agora vive só
Com vontade de saber dançar tango
Bolero, samba, valsa ou forró
Só para tê-la aninhada em meus braços
 
E a vida uma dança doce, suave, feliz
Que nunca conheça o fim
Que seja eterna, que nunca termine
Pois um amor feito assim
Não nasceu para ter conclusão
https://suno.com/s/AuaJKXi60MIqdTpU
 
 
Segunda Versão
Se eu soubesse que amar
Era assim tão complicado -
Pois deixa quem ama indefeso
Sujeito a todo tipo de medo
Sem dormir, sem descansar- 
 
Eu fugiria e tentaria a todo custo
Me afastar, ficar distante
Dessa atração, manter-me imune
Ao desejo de estar sempre ao seu lado
Magnetismo imprevisível, impune
 
Palpitação, melancolia, depressão
Sentimentos de quem agora vive só
Com vontade de saber dançar tango
Bolero, samba, valsa, salsa ou forró
Só para tê-la aninhada em meus braços
 
E a vida uma dança doce, suave, feliz
Que nunca tenha conclusão
Que seja eterna, que nunca termine
Essa união, pois amor nessa medida
Não nasceu para ter um fim
https://suno.com/s/f3x7LUfMO5tsUz21

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

MAGMA

 
O psiquiatra consulta sua agenda:
- Ninguém mais para atender hoje.
Dá uma olhada à sua volta, arruma algumas anotações e já se prepara para ir embora, quando o consultório é invadido por um desagradável cheiro de composto de enxofre, de ovo podre. Que poderia ser? Confere se alguma tomada queimou, examina as instalações sanitárias, olha para o aparelho de ar-condicionado, espia pela janela e nada.
Como a secretária já tinha ido embora, deixaria em sua mesa um bilhete para chamar o zelador logo pela manhã, quando chegasse.
Quando decide apagar as luzes, ouve três batidas firmes na porta, aberta em seguida por um homem sério, bem vestido, que pede para ser atendido.
- Desculpe aparecer sem marcar hora, mas preciso desabafar com o senhor, talvez até mesmo iniciar uma terapia.
- Receio que meu expediente tenha terminado.
Sem dar ouvido a isso, o homem senta em uma cadeira, cruza as pernas e espera uma reação.
Impressionado por aquela figura à sua frente e incomodado pelo cheiro desagradável do ambiente, resolve entender o motivo da atitude impertinente do estranho sentado à sua frente.
- OK, abrirei hoje uma exceção para o senhor. Mas, se quiser continuar, precisa primeiro agendar um horário com minha secretária. E meus honorários devem ser pagos diretamente a ela. Quem é o senhor, e o que o traz aqui?
- Meu nome é Lúcifer.
- Hum, Lúcifer... Lúcifer de quê?
- Apenas Lúcifer. E isso basta.
O psiquiatra anota alguma coisa e diz para si mesmo "Este vai ser difícil!", mas é surpreendido pelo comentário:
- Não sou difícil, Doutor. Difícil é minha sina, a situação a que fui condenado.
- Explique-se melhor, por favor.
- Eu sou um anjo caído, entendeu agora?
O psiquiatra faz algumas anotações e sorri amistosamente, enquanto pergunta:
- E por que o senhor imagina ser um “anjo caído”?
- Porque o Boss quis assim!
- Boss?
- Sim, Ele! (com o dedo indicador apontado para o teto).
- O senhor está se referindo ao seu pai ou ao seu patrão?
- Já vi que o senhor não está entendendo nada! Boss, Deus, Javé, como o senhor queira chamá-lo. Para mim é Boss, ironia que eu me permito fazer. Falando mais claramente, eu sou o que as pessoas chamam de Demônio ou Diabo.
- Ah, agora entendi! (nova anotação). O senhor é um “anjo caído” porque o Boss assim quis.
- Exato!
- E que o senhor fez de tão errado para receber essa alcunha?
- Acho que o senhor continua a não acreditar no que estou lhe dizendo. Eu sou imortal, tão imortal quanto o Boss. O problema é que Ele se enfurece por qualquer bobagem!
- Vejamos então se entendi direito (anotando): seu nome é Lúcifer, é um anjo caído, punido que foi pelo Boss, e é imortal, correto?
- Até que enfim!
- E qual é o motivo da punição?
- Eu simplesmente reclamei do calor infernal que estava fazendo no Céu. Perdão, eu quis dizer celestial. O Boss, irritado com o que considerou impertinência minha, me mandou para o quinto dos infernos, onde estou até hoje. Aquele ali, vou te contar...
- Mas dizem que o inferno é muito quente, fornalhas acesas, labaredas...
- Inferno é o nome que seus antepassados deram a um lugar hipotético, onde ficariam as almas condenadas por pecadilhos idiotas até a eternidade. Vou lhe dizer o que realmente é o inferno: o inferno é o magma que existe no centro da Terra, um lugar onde a temperatura pode chegar a 6.000 graus. E é para lá que fui atirado! O senhor acha justo ser condenado a isso só por ter reclamado de um calorzinho de 40 graus?
- E como o senhor consegue sair de lá e se apresentar tão elegante assim?
- Ora, Doutor, vai dizer que não acredita em milagre! Até já entrei com recurso pedindo a revisão da pena, mas o STC é pior que a justiça deste país, pois demora milênios para analisar e julgar os recursos apresentados.
- Que significa STC?
- Supremo Tribunal Celestial.
- Pois bem, meu caro Lúcifer, como deve saber, a nossa hora tem apenas cinquenta minutos. Mas fiquei muito impressionado com o que ouvi e quero sinceramente poder ajudá-lo de alguma forma. Aparentemente está com um severo quadro de depressão, que talvez precise ser tratada com terapia e medicamentos.
- Depressão de milênios, pode acreditar.
- Ok. Por isso, ligue amanhã para a Luana e peça para agendar um horário para você. Garanto que seu processo analítico não demorará mil anos.
- Obrigado, Doutor.
- Só tem mais uma coisa: recomendo ir também a um gastroenterologista, pois em decorrência do estresse emocional em vive, esse cheiro de flatos que deve soltar até sem perceber, esse odor de gás sulfídrico que chegou com você, pode ser apenas um problema digestivo de fácil solução.
- Flato, heim? Quem diria... Já fui acusado de muita coisa, mas nunca de flatulento!
E sai discretamente do consultório, sem esperar resposta.
O psiquiatra apaga as luzes e tranca a porta, enquanto pensa:
Quem poderia imaginar que a guerra entre Deus e Lúcifer descrita na Vívlia nunca foi uma guerra real, só uma discussão boba sobre o calor ambiente? Quanto rancor guardado, quanta mágoa! Mas se não existissem conflitos mal resolvidos eu não teria emprego! Tomara que o gastroenterologista consiga ajudá-lo. Que cheiro insuportável!

quinta-feira, 25 de junho de 2026

FUCK!

 
Minhas netas de sete e oito anos são educadas pelas mães para não dizerem palavrões, pois são palavras vulgares, “palavras grandes”. E elas têm razão, pois o uso frequente de palavras de baixo calão pode ser deselegante, especialmente se ditas em certos ambientes. Digamos assim, ambientes da alta nobreza inglesa.
 
Particularmente, defendo a ideia de que se deve adequar o vocabulário ao ambiente. Se, por exemplo, converso com pessoas muito humildes e ouço um “nós vai” ou “a gente vamos”, já mando logo um “é nóis!”, pois para mim o que importa é a comunicação. Claro que isso muda de figura quando escrevo (e escrevo cada vez menos), pois aí já fico ligado em não deixar passar qualquer tipo de erro (nem sempre com sucesso). Obviamente, evito palavras “eruditas”, cultas, para não soar pedante. E também, confesso, por não ter intimidade com elas. Para mim, a escrita ideal deve ser fluida e agradável como uma crônica do Rubem Braga ou um texto do Vinicius de Moraes (difícil é conseguir!). E, cá pra nós, ninguém precisa escrever no jurisdiquês de um ministro do STF ou  como se estivesse fazendo uma dissertação acadêmica.
 
Os (escassos) leitores talvez estejam se perguntando aonde eu quero chegar com esta gororoba. E eu, constrangido, terei que dizer que não faço a menor ideia, pois fui assaltado por um tipo de psitacismo, aquele em que você fala, fala como um papagaio, mas não diz porra nenhuma. Perdão, deixei passar um palavrão. Mas tudo bem, pois hoje descobri que até a finada rainha da Inglaterra um dia disse “fuck”, palavra que em sua língua parece servir para tudo – substantivo, adjetivo e advérbio. E é sobre isso que irei falar.
 
Uma vez fiquei sabendo que na Inglaterra, mais especificamente em Londres, há vários sotaques (accents), de acordo com a condição sócio-econômica do falante e com o local onde são utilizados. Essa situação foi exibida no divertido filme “My Fair Lady” (não vou falar do filme). Mas o fato é que existe um “sotaque da rainha” (ou “do rei”), conhecido nas rodas boêmias de Londres como RP - Received Pronunciation, a línguagem da nobreza, da aristocracia.
 
Poderia dizer como os franceses que a “noblese oblige”, mas estaria dizendo um palavrão quase igual ao “fuck” da rainha, pois há uma “lista negra” de palavras e expressões que não devem ser ditas pela monarquia inglesa. E este é o assunto deste post (finalmente!).
 
Descobri que há uma espécie de protocolo que indica quais palavras e expressões não podem ser ditas ou usadas pela família real (morri de inveja do Brasil não ter um imperador). Mas chega de escrever, cansei. A partir de agora é só transcrição, só copy-cola:
 
Segundo especialistas, há um protocolo sobre quais palavras a família real pode usar. E a lista de termos proibidos vai muito além dos palavrões! No livro "Watching the English: the hidden rules of English behaviour", Kate Fox conta alguns termos que eles não podem usar:
- Toilet, por exemplo. Isso mesmo: a palavra em inglês para "privada" é proibida na família real, segundo a autora. Mas o motivo não tem a ver com a vulgaridade! É porque o termo tem origem francesa. Esse também é o motivo pelo qual as palavras "pardon", "perfume" e "lounge" foram proibidas.
- Pregnant é outra; a palavra significa "grávida", e segundo a revista US Weekly era considerada vulgar pela rainha. Ela costumava dizer que mulheres grávidas estavam "in the family way", expressão que literalmente significa "no caminho da família".
- Mum e dad: Muita gente estranhou o fato de Charles 3º ter chamado Elizabeth 2ª de "mamãe" ("mama") em seu primeiro discurso como rei. Na verdade, essa era uma preferência da própria rainha. Os filhos dela também chamavam Philip de "papa", inglês para "papai", mesmo depois de adultos.
- Tea: Talvez esse seja o item mais chocante: a família real britânica não pode usar a palavra inglesa para "chá"? Mas não é bem assim: em partes pobres do Reino Unido, a refeição feita entre as 17h e as 19h é chamada de "tea", algo como "chá da tarde". Mas não na família real! Eles preferem "jantar". Segundo a autora, a lista de palavras proibidas foi montada de acordo com as preferências da rainha Elizabeth 2ª, que ocupou o trono por 70 anos. Talvez as coisas mudem agora que Charles 3º é o rei — mas não espere ouvir a coroa falando palavrões tão cedo!
 
Para encerrar este post, a explicação para o (ou a) fuck da rainha (transcrevendo de novo): Em 2020, o ator Brian Blessed chocou o público ao contar que já ouviu a rainha usando a palavra "fuck", o equivalente em inglês para "foda". No entanto, o caso foi raríssimo e não foi bem um xingamento: ela estava explicando a etimologia do termo. Ele disse que Elizabeth 2ª riu lembrando uma vez em que ele usou o palavrão ao vivo na televisão, e acrescentou: “O que eu gostaria de dizer a você é que 'fuck' é uma palavra anglo-saxônica, e significa espalhar a semente”.
 
Chique demais, não acharam? Pensando bem, por culpa se sua origem francesa não é chique dizer chic na corte. Talvez o rei Charles e sua turma digam elegant, refined, distinguished ou até classy, mas chic, nem pensar!
 
E assim, Jotabê – um monoglota de carteirinha – termina este post, ou melhor, esta crônica.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

AOS MEUS AMIGOS - VINICIUS DE MORAES

 
Recebi pelo whatsapp um vídeo onde aparece um ator global declamando um texto do Vinicius de Moraes, uma mensagem cujo título seria “Aos meus amigos”. A interpretação teve ainda o auxílio luxuoso do violão do Toquinho, que solava delicadamente músicas de autoria do Poetinha. De cara já pensei em publicar aqui no blog. Para isso, precisava encontrar o texto escrito. E aí a coisa pegou: o texto interpretado parece ser uma colagem de autores distintos, pois o primeiro parágrafo foi realmente escrito pelo Vinícius, mas não o último. Daria muito trabalho copiar cada frase dita. Por isso, resolvi publicar o texto “Aos meus amigos”, mesmo título informado no início do vídeo. Mas este, de um só autor, o amoroso Vinicius de Moraes. Lêaí.

 
Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim... O ano que passou levou tantos de vós e agora os que restaram se puseram mais tristes; deixaram-se, por vezes, pensativos, os olhos perdidos em ontem, lembrando os ingratos, os ecos de sua passagem; lembrando que irão morrer também e cometer a mesma ingratidão.
 
E agora os que restaram se puseram mais tristes. Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus! — porque a Velha andou solta este último Bissexto e daqui a quatro anos sobrevirá mais um no Tempo e alguns dentre vós — eu próprio, quem sabe? — de tanto pensar na Última Viagem já estarão preparando os biscoitos para ela.
 
Eu me havia prometido não entrar este ano em curso — quando se comemora o 1964.° aniversário de um Judeu que acreditava na Igualdade e na Justiça — de humor macabro ou ânimo pessimista. Anda tão coriácea esta República, tão difícil a vida, tão caros os géneros, tão barato o amor que — pombas! — não há de ser a mim que hão de chamar ave de agouro. Eu creio, malgrado tudo, na grande vida generosa que está por aí; creio no amor e na amizade; nas mulheres em geral e na minha em particular; nas árvores ao sol e no canto da juriti; no uísque legítimo e na eficácia da aspirina contra os resfriados comuns. Sou um crente — e por que não o ser? A fé desentope as artérias; a descrença é que dá câncer.
 
Pelo bem que me quereis, amigos meus, não vos deixeis morrer. Comprai vossas varas, vossos anzóis, vossos molinetes e andai à Barra em vossos fuscas a pescar, a pescar, amigos meus! — que se for para engodar a isca da morte, eu vos perdoarei de estardes matando peixinhos que não vos fizeram nenhum mal. Muni-vos também de bons cajados e perlustrai montanhas, parando para observar os gordos besouros a sugar o mel das flores inocentes, que desmaiam de prazer e logo renascem mais vivas, relubrificadas pela seiva da terra. Parai diante dos Véus-de-Noiva que se despencam virginais, dos altos rios, e ride ao vos sentirdes borrifados pelas brancas águas iluminadas pelo sol da serra. Respirai fundo, três vezes, o cheiro dos eucaliptos, a exsudar saúde, e depois ponde-vos a andar, para frente e para cima, até vos sentirdes levemente taquicárdicos. Tomai então uma ducha fria e almoçai boa comida roceira, bem calçada por pirão de milho. O milho era o sustentáculo das civilizações índias do Pacífico, e possuía status divino, não vos esqueçais! Não abuseis da carne de porco, nem dos ovos, nem das frituras, nem das massas. Mantende, se tiverdes mais de 50 anos, uma dieta relativa durante a semana a fim de que vos possais esbaldar nos domingos com aveludadas e opulentas feijoadas e moquecas, rabadas, cozidos, peixadas à moda, vatapás e quantos. Fazei de seis em seis meses um checkup para ver como andam vossas artérias, vosso coração, vosso fígado.
 
E amai, amigos meus! Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres, este, sagrado, do amor. Amai e bebei uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém. Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.
Mas sobretudo não morrais, amigos meus!
 
 
 

FOI-SE A COPA? – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Foi-se a Copa? Não faz mal. Adeus, chutes e sistemas. A gente pode, afinal, cuidar de nossos problemas. Faltou inflação de pontos? Per...