https://www.instagram.com/reel/DeEbduPucQE/?xtok=MWFvaHoyeTJidWthYg==ão
Bonhoeffer era um ferrenho opositor do
nazismo e chegou a participar de uma tentativa de assassinar Hitler. Por causa
de sua resistência ao regime, acabou preso e enviado para um campo de
concentração, onde foi executado apenas uma semana antes da libertação do campo
pelas tropas soviéticas. Baita sacanagem, concordam?
O texto que foi transformado em vídeo é este.
Tão lúcido e tão atual que não resisti a procurá-lo para publicá-lo no Blogson.
Espero que gostem e, sobretudo, que reflitam sobre o que Bonhoeffer escreveu.
A
estupidez é mais perigosa que a maldade. Contra o mal se pode protestar; o
mal pode ser exposto, revelado; pode também ser evitado, se necessário, até
pela força; o mal sempre carrega o germe da autodecomposição, deixando pelo
menos um desconforto naquele que o pratica. Diversamente, não há como se
defender da estupidez. Nada pode ser feito aqui com protestos ou com violência;
razões não a convencem; simplesmente não se dá crédito a fatos que contradigam
o próprio preconceito – em tais casos, o estúpido se torna ainda mais
resistente – e se esses fatos são incontestáveis, podem com facilidade ser
postos de lado como casos isolados e sem sentido.
O
estúpido, ao contrário da pessoa má, sente-se completamente satisfeito consigo
mesmo; sim, ele até se torna perigoso, enfurecendo-se facilmente quando é
refutado. Portanto, a relação com o estúpido exige muito mais cautela do que
com a pessoa má. Nunca se há de convencer o estúpido pela razão – é inútil e
perigoso. Para saber lidar com a estupidez, é preciso antes procurar entender
sua natureza. Não se trata essencialmente de um defeito intelectual, mas algo
que atinge a humanidade do sujeito. Tanto é assim que existem pessoas de
inteligência extraordinariamente ágil que são estúpidas e pessoas
intelectualmente pesadas que podem ser tudo, menos estúpidas.
Para
nossa surpresa, chegamos à seguinte conclusão: parece que a estupidez não é
propriamente um defeito congênito, mas um processo em que as pessoas se tornam
estúpidas sob certas circunstâncias, ou deixam-se fazer estúpidas de forma
recíproca. Também observamos que a estupidez aparece mais em pessoas ou grupos
propensos ou condenados a viver em comum do que em pessoas mais fechadas,
reservadas e solitárias. Assim, parece que a estupidez é um problema mais
sociológico do que psicológico. É uma forma especial de influência das
circunstâncias históricas sobre o homem, isto é, uma consequência psicológica
de certas circunstâncias externas. Em uma análise mais detalhada, verifica-se
que toda forte expansão externa do poder, seja política ou religiosa, golpeia
um grande número de pessoas com estupidez. Sim, parece que é uma lei
psicológica e sociológica. O poder de alguém precisa da estupidez de outrem.
O
processo não é que, de repente, algumas faculdades – como a intelectual –
definhem ou fracassem, mas sim que a independência interna da pessoa vai sendo
roubada pela impressão esmagadora do desenvolvimento do poder, até que - mais
ou menos inconscientemente – essa pessoa renuncia a encontrar seu próprio
comportamento em relação às situações que a vida lhe apresenta.
O fato
de o estúpido ser muitas vezes teimoso não significa que ele seja
independente. Conversando com ele, você quase pode sentir que seu discurso nem
sequer tem a ver com ele mesmo, com aquilo que o constitui. Trata-se de frases
de efeito, slogans e chavões que se apoderaram dele. Ele está enfeitiçado,
cego, abusado e maltratado em sua própria natureza. Tornando-se assim um
instrumento sem vontade própria, o estúpido será capaz de todo o mal e, ao
mesmo tempo, incapaz de reconhecer-se mau ou de reconhecer maldade em seus
atos. Aqui está o perigo de um abuso diabólico. Como resultado, as pessoas
serão destruídas para sempre.
Disso
decorre que somente um ato de liberação – e não um ato de instrução – poderá
superar a estupidez. Na grande maioria dos casos, para superar a estupidez, a
pessoa terá de aceitar que uma genuína libertação interior só se tornará
possível após a libertação externa; até então, sem essa condição, teremos que
desistir de todas as tentativas de convencer os estúpidos. A propósito, nesse
estado de coisas, fica bem claro que em tais circunstâncias é vão tentar saber
o que "o povo" realmente pensa, mesmo porque, ao mesmo tempo - nessas
dadas circunstâncias – qualquer resposta seria supérflua para o pensador e
realizador responsável.
A
Palavra da Bíblia que diz que o temor de Deus é o começo da
sabedoria (Salmos 111: 1); diz que a liberação interior dos humanos, para
uma vida responsável diante de Deus, é a única verdadeira superação da
estupidez.
De
resto, esses pensamentos sobre a estupidez são reconfortantes, pois não
permitem tratar a maioria das pessoas como estúpidas a todo custo. Realmente,
isso dependerá da tendência dos Poderes Instituídos, vale dizer, se querem
tornar seu povo estúpido ou se buscam a independência interior e sabedoria
de seus governados.
Blogson Crusoe
O blog da solidão ampliada
sábado, 10 de outubro de 2026
DA ESTUPIDEZ – DIETRICH BONHOEFFER
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
AH, É? VIDA BARATA NÃO PRESTA? SEI...
Às vezes eu penso em uma charge e
peço para o ChatGPT criar o desenho imaginado. Duro é ser atendido! Depois de ouvir uma frase tristemente sarcástica e socialmente incorreta, resolvi pedir ajuda ao ChatGPT para criar uma charge com ela, só para criticar essa visão tristemente elitista. E o prompt inicial foi este:
“Criar uma charge satírica em estilo cartoon de jornal, em preto e branco com hachuras e traço de nanquim marcante. A cena se passa durante o dia, sob a luz do sol em uma calçada urbana movimentada. Dois homens pobres, vestidos com roupas velhas, estão de pé conversando. Eles olham com expressões irônicas para um morador de rua deitado sobre uma grande folha de papelão estendida no chão. Um balão de fala clássico de quadrinhos sai da boca de um dos homens de pé, contendo o texto: Tem vida mais barata, mas não presta não".
Mas a merdinha da IA simplesmente ignorou o prompt e criou o desenho que quis. Aliás, acabou fazendo três. No primeiro parecia ser o mendigo quem estava falando, todo feliz da vida. Pedi para gerar outro desenho e saiu mais um aquém das expectativas. Já irritado, explicitei mais um pouco o prompt, pedi para deixar o mendigo sem sapatos e saiu uma terceira imagem. Aí resolvi mostrar os três desenhos, mesmo sabendo que explicar uma piada é uma das piores coisas que existem.
“Criar uma charge satírica em estilo cartoon de jornal, em preto e branco com hachuras e traço de nanquim marcante. A cena se passa durante o dia, sob a luz do sol em uma calçada urbana movimentada. Dois homens pobres, vestidos com roupas velhas, estão de pé conversando. Eles olham com expressões irônicas para um morador de rua deitado sobre uma grande folha de papelão estendida no chão. Um balão de fala clássico de quadrinhos sai da boca de um dos homens de pé, contendo o texto: Tem vida mais barata, mas não presta não".
Mas a merdinha da IA simplesmente ignorou o prompt e criou o desenho que quis. Aliás, acabou fazendo três. No primeiro parecia ser o mendigo quem estava falando, todo feliz da vida. Pedi para gerar outro desenho e saiu mais um aquém das expectativas. Já irritado, explicitei mais um pouco o prompt, pedi para deixar o mendigo sem sapatos e saiu uma terceira imagem. Aí resolvi mostrar os três desenhos, mesmo sabendo que explicar uma piada é uma das piores coisas que existem.
Eu sei que existe muita gente que não entende uma
piada, mas uma inteligência artificial precisaria entender, para não sair
invadindo sites e fazendo merda.
Primeira versão:
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
A TAL DA DEMOCRACIA – JEAN GARFUNKEL
Assisti no Instagram a um vídeo em que o poeta, cantor e compositor Jean Garfunkel declama seu excelente poema “A tal da democracia”. Copiei o link e espero que os leitores do blog consigam assisti-lo também – e, sobretudo, que curtam sua mensagem bem-humorada.
Por via das dúvidas, segue abaixo o texto
escrito.
ainda é o modo mais certo, ainda é o jeito mais justo.
todo o sistema é corrupto, toda economia é frágil –
os argumentos contábeis, os álibis da tirania
são sempre desfavoráveis à tal da democracia.
“Vamos calar os escrúpulos e ouvir a voz do mercado”.
e o país paga esse mico de regressar ao passado.
é a voz da maioria decidindo a própria vida.
é o peso do contrapeso na balança do poder.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
AGRADECIMENTO
Não vou fazer segredo nem suspense. Este é um
post para agradecer publicamente as palavras preocupadas e carinhosas que
amigos e amigas virtuais deixaram nos comentários do poema "Limite" que publiquei
recentemente.
Ler um comentário – qualquer comentário –
sobre alguma publicação que faço é sempre um prazer, ainda mais quando ele
demonstra carinho e preocupação comigo. E foi isso que aconteceu. Por isso,
resolvi tranquilizar a todos, deixando claro o seguinte:
Não escrevo poemas quando estou alegre. Todos
os “poemas” que publico são fruto da tristeza, da melancolia, da raiva ou da
depressão que estiver sentindo no momento. Também servem para registrar alguma
reflexão ou, simplesmente, para fazer declarações de amor a alguém (idoso
também se apaixona).
Como meu humor é um tanto bipolar, alterno
facilmente de estado de espírito. Mas nem sempre publico o que escrevi logo
depois de tê-lo criado. Ontem, por exemplo, estava tranquilão, pensando em
pedir ao ChatGPT que criasse um cartoon a partir de uma frase que ouvi
recentemente.
Há ainda a questão da prioridade. Assisti, no
Instagram, a dois vídeos tão impactantes que corri a procurar suas versões
escritas, só para publicá-las no blog. Quando isso acontece, sinto-me obrigado –
ou tentado – a deixar para depois aquilo que é de minha autoria.
Por isso, pessoal, hoje estou bem e
agradecido pelo carinho recebido. Sintam-se abraçados e beijados carinhosamente
– claro, beijados de forma seletiva, por favor, tal como cantou Gilberto Gil:
“Eu passei muito tempo aprendendo a beijar...”
terça-feira, 6 de outubro de 2026
LIMITE
O passado não está cabendo mais
dentro de mim.
somou-se ao que não foi vivido
e ao que foi só desejado.
querendo explodir
onipresente,
impossível de ser debelada,
por um fogo eterno
que teima em queimar
e me queimar,
destruir.
quando morrer,
do que fui.
Ou quis um dia ser.
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
ARIDEZ
Alguém já disse que
não há romantismo na vida real,
na vida que acreditamos ser real.
tentei viver
o romantismo escancarado,
ao que me pedia o coração
do que aos argumentos da razão.
por que aceitar
a aridez do dia a dia?
é sonhar,
viver a paixão,
no temido momento binário,
seja tão intensa
e alucinada
quanto as que vivi
na minha juventude.
e alucinada
quanto as que vivi
na minha juventude.
domingo, 4 de outubro de 2026
CONTRASTES - LUIS MELODIA
Hoje é dia de eleição em todo o Brasil. Por ser idoso, sinto-me desobrigado de votar. E não votarei, pois meu desencanto pelos políticos e demais autoridades chegou ao nível máximo. Deixo apenas o pensamento que me ocorreu: O povo brasileiro elegerá o candidato que merece ter como próximo governante. Por isso, lembrei-me uma música antiga para ser tema do dia de hoje.
Na Rua da Alegria
Existe muita desordem
Na Rua da Harmonia
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaço
Analisando essa história
Existe muito fracasso
Dentro do Largo da Glória
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