quinta-feira, 9 de julho de 2026

PESQUISANDO A PESQUISA

 
Já disse isso antes, mas vou repetir: quis o destino, ou um anjo safado, que eu fosse condenado a ser pobre na vida. O problema é que eu sempre fui um pobre orgulhoso, irritado com minha indigência financeira. E isso me acompanhou pela vida inteira, especialmente quando confrontado com a moçada cheia da grana. O filósofo Millôr Fernandes traduziu meus sentimentos quando escreveu que “O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta”. Ou “O dinheiro não traz a felicidade. Manda buscar”. Ou ainda: “O dinheiro não é tudo. Tudo é a falta de dinheiro”.
 
Dito de modo mais cru, pobreza é uma merda e só é mais suportável se você convive apenas com gente em situação socioeconômica igual ou pior que a sua. Mas meu karma já se manifestou na infância, quando as únicas crianças com quem podia brincar eram dois primos ricos, muito ricos – enquanto eu era pobre, pobre de marré de si. Esse contraste tão incômodo e até mesmo doloroso continuou a me acompanhar ao longo dos anos, e ainda mais agora, no ocaso da vida. Foda!
 
Por isso, fiquei imediatamente interessado ao ouvir um dos meus filhos falar de uma pesquisa realizada por uma universidade americana cujo objetivo teria sido investigar, por meio de exames de ressonância magnética, possíveis diferenças no funcionamento cerebral entre ricos e pobres. Sinceramente, se há uma coisa que admiro nos conterrâneos do Tramp é a quantidade de pesquisas que fazem por lá!
 
Segundo meu filho, os resultados indicariam que os ricos seriam, em média, menos empáticos que os pobres. Não pude deixar de pensar no Deputado Justo Veríssimo, personagem interpretado pelo genial Chico Anysio, cujo bordão era: “Quero que o pobre se exploda!”.
 
Fascinado pelo que ouvi, resolvi iluminar um pouco minha ignorância e fui procurar mais informações. Descobri que aquela pesquisa fazia parte de um conjunto bem maior de estudos comportamentais sobre as diferenças entre o “primo pobre” e o “primo rico”.
 
Para evitar gastar meu precioso tempo analisando e sintetizando tudo o que encontrei, pedi que o ChatGPT fizesse um resumo para publicar no Blogson. (Ué, não gostaram? Não sou psicólogo nem sociólogo para teorizar sobre assuntos que desconheço. Para ser sincero, sou apenas um “ociólogo”: estudioso do ócio e do dolce far niente. Entenderam?). E só cheguei até aqui para apresentar o resumo do ChatGPT. Divirtam–se! 
 
Resumo – Como o ambiente influencia o cérebro e o comportamento
 
Nas últimas décadas, pesquisas em neurociência e psicologia têm mostrado que o cérebro humano é altamente plástico, ou seja, pode modificar sua estrutura e seu funcionamento de acordo com as experiências vividas. Essa ideia representa uma mudança importante em relação à antiga visão de que as capacidades cognitivas dependiam principalmente da genética. Hoje, entende-se que fatores como educação, relações familiares, alimentação, qualidade do sono, estresse e oportunidades de aprendizagem exercem forte influência sobre o desenvolvimento cerebral.
 
Um dos estudos mais conhecidos sobre esse tema foi realizado em 2008 pela Universidade da Califórnia em Berkeley (UC Berkeley). Os pesquisadores analisaram crianças de 9 e 10 anos de diferentes níveis socioeconômicos utilizando eletroencefalografia (EEG), técnica que registra a atividade elétrica do cérebro. O principal resultado foi que crianças provenientes de famílias de baixa renda apresentavam menor ativação do córtex pré-frontal, região responsável por funções como atenção, planejamento, resolução de problemas, autocontrole e criatividade.
 
Os pesquisadores observaram que essa diferença não era causada por lesões cerebrais nem por menor inteligência. A hipótese mais aceita é que ambientes marcados por estresse constante e menor estímulo cognitivo – com menos livros, leitura, brincadeiras educativas e atividades culturais – dificultam o desenvolvimento pleno dessas funções cerebrais. Consequentemente, essas crianças podem enfrentar maiores desafios na aprendizagem e no desempenho escolar.
 
Entretanto, os próprios autores ressaltaram que esses resultados não representam uma condenação permanente. O cérebro continua sendo capaz de se adaptar ao longo da vida. Intervenções como educação de qualidade, jogos educativos, maior interação entre pais e filhos, leitura, conversas frequentes, atividades culturais e ambientes mais estimulantes podem melhorar tanto o funcionamento cerebral quanto o desempenho cognitivo.
 
A partir de 2010, outro grupo de pesquisadores da UC Berkeley, liderado por Dacher Keltner e Paul Piff, passou a investigar uma questão diferente: como a riqueza e o elevado status socioeconômico podem influenciar o comportamento social. Esses estudos concentraram-se em aspectos como empatia, compaixão, altruísmo e percepção das emoções de outras pessoas.
 
Os resultados mostraram que, em média, indivíduos de nível socioeconômico mais elevado tendiam a reconhecer com menor facilidade as emoções expressas no rosto de outras pessoas e apresentavam respostas menos intensas de compaixão em algumas situações experimentais. Também demonstravam maior sensação de independência e de merecimento. Contudo, essas diferenças eram pequenas, estatísticas e reversíveis. Quando os participantes eram estimulados a refletir sobre cooperação, igualdade ou dificuldades enfrentadas por outras pessoas, seus comportamentos empáticos aumentavam significativamente.
 
Algumas pesquisas de neuroimagem indicam que processos relacionados à empatia, compaixão e interação social envolvem regiões como o córtex pré-frontal medial, a ínsula, o córtex cingulado anterior e a junção temporoparietal. Entretanto, não existe evidência de que pessoas muito ricas possuam um cérebro "melhor" ou estruturalmente diferente. O que se observa são alterações na forma como determinadas redes cerebrais são ativadas em função das experiências e do contexto de vida.
 
Outros experimentos comportamentais reforçam essa ideia. No chamado "Monopoly manipulado", um dos participantes recebia vantagens aleatórias desde o início do jogo, como mais dinheiro e regras mais favoráveis. Mesmo sabendo que essas vantagens eram fruto do acaso, muitos participantes passaram a acreditar que seu sucesso era resultado principalmente de sua própria habilidade. Esse experimento ilustra o chamado viés de autoatribuição, tendência humana de atribuir o sucesso ao mérito pessoal e minimizar o papel da sorte ou das condições iniciais.
 
Outro estudo observou motoristas em cruzamentos e verificou que, em média, condutores de veículos de maior valor tinham maior probabilidade de desrespeitar regras de trânsito, como deixar de ceder passagem a pedestres. Os próprios pesquisadores enfatizaram que esses resultados representam tendências estatísticas de grupos e não permitem concluir como qualquer indivíduo específico irá se comportar.
 
Quando todos esses estudos são analisados em conjunto, surge uma conclusão comum: o cérebro adapta-se às exigências do ambiente. Em contextos de escassez, tende a priorizar mecanismos relacionados à sobrevivência, atenção ao perigo e resposta ao estresse, o que pode dificultar o desenvolvimento de algumas funções executivas quando essa situação é prolongada. Já em ambientes de maior abundância e autonomia, pode ocorrer menor necessidade de monitorar constantemente as emoções e necessidades das outras pessoas, influenciando alguns aspectos da cognição social.
 
Essa adaptação, porém, não é permanente nem determina o destino das pessoas. Tanto crianças que crescem em ambientes desfavoráveis quanto adultos que vivem em condições de riqueza podem modificar seus padrões de funcionamento cerebral por meio de novas experiências, educação, treinamento, convivência social e mudanças de contexto.
 
As pesquisas também destacam que diferenças médias entre grupos não devem ser utilizadas para julgar indivíduos. Fatores como personalidade, cultura, educação, qualidade das relações familiares, saúde, alimentação, atividade física, sono e oportunidades de aprendizagem explicam grande parte da enorme diversidade existente entre as pessoas.
 
Em síntese, a principal contribuição dessas pesquisas é mostrar que o desenvolvimento do cérebro resulta da interação entre genética e ambiente. As experiências vividas moldam continuamente o funcionamento cerebral, reforçando a importância de políticas públicas voltadas para educação, saúde, redução do estresse infantil e apoio às famílias. Mais do que determinar capacidades, o ambiente oferece oportunidades para que o potencial humano seja desenvolvido ao longo de toda a vida.

terça-feira, 7 de julho de 2026

POETIZANDO

Recentemente uma pessoa queridíssima disse que eu sou “um poeta”. Discordei da avaliação, mas me lembrei de um verso da música “Espelho”, do João Nogueira, que diz: “Me beijaram a boca e me tornei poeta”. Pensando sobre isso, cheguei à conclusão de que posso me considerar um poeta, mesmo que seja um poeta medíocre, talvez um sub-poetinha ou poeteiro (cuidado com a leitura!), autor de versos sem a elegância, beleza e profundidade dos grandes dessa área. Mesmo assim, um poeta. E foi esta reflexão que deu origem ao poema a seguir. Se quiserem podem malhar sem medo. Já tomei tanta pedrada na vida, que algumas a mais não farão diferença. Lêaí.
 
Eu tinha vergonha em dizer – não dizia –
Que às vezes tentava escrever poesia.
Achava que não tinha jeito,
Que me faltava talento
Para passar para um verso
O que sentia por dentro.
 
Para mim,
O que escrevia eram textos:
Prosa quebrada depois
Em frases curtas, pequenas
Para parecer um poema.
 
Hoje me considero poeta.
Não um grande poeta,
Nem mesmo um poetinha.
Pouco importa!
 
Meus versos quebrados refletem
Emoções não fracionadas,
Sentimentos vividos inteiros.
E já não disfarço
Quando me move o desejo
De registrar o sentir.

Mesmo simplórios,
E em estilo rude,
Meus versos são meus...

segunda-feira, 6 de julho de 2026

FOI-SE A COPA? – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus, chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
a Copa da Liberdade.

24/06/1978


sábado, 4 de julho de 2026

STORYBOARD

Em 2018, depois de ler algum artigo sobre cinema, mais especificamente sobre as técnicas de filmagem, tive a ideia de roteirizar um curta-metragem que, obviamente nunca foi feito, mas a ideia permaneceu na cabeça, justamente por ficar sabendo que o diretor italiano Federico Fellini registrava seus storyboards com desenhos bem detalhados que ele mesmo fazia. Outro que usou essa técnica foi cartunista Henfil, que praticamente desenhou todo o filme que criou, dirigiu ou sei lá o quê. Para quem nunca ouviu falar, o nome é “Deu no New York Times”.
 
Voltando à minha indigência, pedi ao ChatGPT para gerar os desenhos do storyboard imaginado. E ele fez, depois de muitas discussões. Mais trabalho ainda deu para montar tudo num padrão Blogson (sinônimo de tosco). Então, é isso. Se alguém quiser ler a versão original, o link está logo abaixo. Mas se quiserem conhecer a versão chatgepeteizada, o lugar é aqui mesmo. Só lamento a falta de nitidez dos textos, pois sou uma anta digital. É isso.
 
 https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2018/04/curta-mensagem.html 










quinta-feira, 2 de julho de 2026

POEMINHA-RESPOSTA

 

Não posso explicar o que sente,

Isso, só você pode saber

Mal, mal consigo entender o que sinto!

E nem sei entender, só pressinto

Pois o amor ressurgiu de repente

Sem chance, sem trégua: labirinto

Que percorro sem saber a saída

Pois tudo é igual, nada é diferente

Só sei que mudou minha vida.

terça-feira, 30 de junho de 2026

MAGNETISMO IMPUNE

 
Como cantou o Ivan Lins, “o amor tem feito coisas que até Deus duvida”. Pois é só um Amor com A maiúsculo poderia me tirar da letargia em que me encontrava, talvez com um desejo inconsciente de morrer. Mas isso acabou. Hoje, com meus setenta e seis aninhos, estou apaixonado, amando de novo uma menina que conheci há mais tempo e que minha mente se recusou a esquecer.
 
Essa menina tem-me feito escrever na forma de poemas o que sinto por ela. O mais recente é este. Ou melhor, são estes, pois sem saber ainda qual é o melhor, resolvi publicar os dois (com direito à versão musicada da Suno). Lêaí.
 
Primeira Versão
Se eu soubesse que amar
Era assim tão complicado -
Pois deixa quem ama indefeso
Sujeito a todo tipo de medo
Sem dormir, sem descansar -
 
Eu fugiria e tentaria a todo custo
Me afastar, ficar longe
Manter-me imune ao seu magnetismo
Atração descontrolada, imprevisível
Por desejar sempre estar ao seu lado
 
Palpitação, melancolia, depressão
Sentimentos de quem agora vive só
Com vontade de saber dançar tango
Bolero, samba, valsa ou forró
Só para tê-la aninhada em meus braços
 
E a vida uma dança doce, suave, feliz
Que nunca conheça o fim
Que seja eterna, que nunca termine
Pois um amor feito assim
Não nasceu para ter conclusão
https://suno.com/s/AuaJKXi60MIqdTpU
 
 
Segunda Versão
Se eu soubesse que amar
Era assim tão complicado -
Pois deixa quem ama indefeso
Sujeito a todo tipo de medo
Sem dormir, sem descansar- 
 
Eu fugiria e tentaria a todo custo
Me afastar, ficar distante
Dessa atração, manter-me imune
Ao desejo de estar sempre ao seu lado
Magnetismo imprevisível, impune
 
Palpitação, melancolia, depressão
Sentimentos de quem agora vive só
Com vontade de saber dançar tango
Bolero, samba, valsa, salsa ou forró
Só para tê-la aninhada em meus braços
 
E a vida uma dança doce, suave, feliz
Que nunca tenha conclusão
Que seja eterna, que nunca termine
Essa união, pois amor nessa medida
Não nasceu para ter um fim
https://suno.com/s/f3x7LUfMO5tsUz21

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

MAGMA

 
O psiquiatra consulta sua agenda:
- Ninguém mais para atender hoje.
Dá uma olhada à sua volta, arruma algumas anotações e já se prepara para ir embora, quando o consultório é invadido por um desagradável cheiro de composto de enxofre, de ovo podre. Que poderia ser? Confere se alguma tomada queimou, examina as instalações sanitárias, olha para o aparelho de ar-condicionado, espia pela janela e nada.
Como a secretária já tinha ido embora, deixaria em sua mesa um bilhete para chamar o zelador logo pela manhã, quando chegasse.
Quando decide apagar as luzes, ouve três batidas firmes na porta, aberta em seguida por um homem sério, bem vestido, que pede para ser atendido.
- Desculpe aparecer sem marcar hora, mas preciso desabafar com o senhor, talvez até mesmo iniciar uma terapia.
- Receio que meu expediente tenha terminado.
Sem dar ouvido a isso, o homem senta em uma cadeira, cruza as pernas e espera uma reação.
Impressionado por aquela figura à sua frente e incomodado pelo cheiro desagradável do ambiente, resolve entender o motivo da atitude impertinente do estranho sentado à sua frente.
- OK, abrirei hoje uma exceção para o senhor. Mas, se quiser continuar, precisa primeiro agendar um horário com minha secretária. E meus honorários devem ser pagos diretamente a ela. Quem é o senhor, e o que o traz aqui?
- Meu nome é Lúcifer.
- Hum, Lúcifer... Lúcifer de quê?
- Apenas Lúcifer. E isso basta.
O psiquiatra anota alguma coisa e diz para si mesmo "Este vai ser difícil!", mas é surpreendido pelo comentário:
- Não sou difícil, Doutor. Difícil é minha sina, a situação a que fui condenado.
- Explique-se melhor, por favor.
- Eu sou um anjo caído, entendeu agora?
O psiquiatra faz algumas anotações e sorri amistosamente, enquanto pergunta:
- E por que o senhor imagina ser um “anjo caído”?
- Porque o Boss quis assim!
- Boss?
- Sim, Ele! (com o dedo indicador apontado para o teto).
- O senhor está se referindo ao seu pai ou ao seu patrão?
- Já vi que o senhor não está entendendo nada! Boss, Deus, Javé, como o senhor queira chamá-lo. Para mim é Boss, ironia que eu me permito fazer. Falando mais claramente, eu sou o que as pessoas chamam de Demônio ou Diabo.
- Ah, agora entendi! (nova anotação). O senhor é um “anjo caído” porque o Boss assim quis.
- Exato!
- E que o senhor fez de tão errado para receber essa alcunha?
- Acho que o senhor continua a não acreditar no que estou lhe dizendo. Eu sou imortal, tão imortal quanto o Boss. O problema é que Ele se enfurece por qualquer bobagem!
- Vejamos então se entendi direito (anotando): seu nome é Lúcifer, é um anjo caído, punido que foi pelo Boss, e é imortal, correto?
- Até que enfim!
- E qual é o motivo da punição?
- Eu simplesmente reclamei do calor infernal que estava fazendo no Céu. Perdão, eu quis dizer celestial. O Boss, irritado com o que considerou impertinência minha, me mandou para o quinto dos infernos, onde estou até hoje. Aquele ali, vou te contar...
- Mas dizem que o inferno é muito quente, fornalhas acesas, labaredas...
- Inferno é o nome que seus antepassados deram a um lugar hipotético, onde ficariam as almas condenadas por pecadilhos idiotas até a eternidade. Vou lhe dizer o que realmente é o inferno: o inferno é o magma que existe no centro da Terra, um lugar onde a temperatura pode chegar a 6.000 graus. E é para lá que fui atirado! O senhor acha justo ser condenado a isso só por ter reclamado de um calorzinho de 40 graus?
- E como o senhor consegue sair de lá e se apresentar tão elegante assim?
- Ora, Doutor, vai dizer que não acredita em milagre! Até já entrei com recurso pedindo a revisão da pena, mas o STC é pior que a justiça deste país, pois demora milênios para analisar e julgar os recursos apresentados.
- Que significa STC?
- Supremo Tribunal Celestial.
- Pois bem, meu caro Lúcifer, como deve saber, a nossa hora tem apenas cinquenta minutos. Mas fiquei muito impressionado com o que ouvi e quero sinceramente poder ajudá-lo de alguma forma. Aparentemente está com um severo quadro de depressão, que talvez precise ser tratada com terapia e medicamentos.
- Depressão de milênios, pode acreditar.
- Ok. Por isso, ligue amanhã para a Luana e peça para agendar um horário para você. Garanto que seu processo analítico não demorará mil anos.
- Obrigado, Doutor.
- Só tem mais uma coisa: recomendo ir também a um gastroenterologista, pois em decorrência do estresse emocional em vive, esse cheiro de flatos que deve soltar até sem perceber, esse odor de gás sulfídrico que chegou com você, pode ser apenas um problema digestivo de fácil solução.
- Flato, heim? Quem diria... Já fui acusado de muita coisa, mas nunca de flatulento!
E sai discretamente do consultório, sem esperar resposta.
O psiquiatra apaga as luzes e tranca a porta, enquanto pensa:
Quem poderia imaginar que a guerra entre Deus e Lúcifer descrita na Vívlia nunca foi uma guerra real, só uma discussão boba sobre o calor ambiente? Quanto rancor guardado, quanta mágoa! Mas se não existissem conflitos mal resolvidos eu não teria emprego! Tomara que o gastroenterologista consiga ajudá-lo. Que cheiro insuportável!

PESQUISANDO A PESQUISA

  Já disse isso antes, mas vou repetir: quis o destino, ou um anjo safado, que eu fosse condenado a ser pobre na vida. O problema é que eu s...