Encontrei este texto no Facebook, de autor
desconhecido. Por ser um romântico incurável – mesmo que agora solitário –
resolvi publicá-lo no Blogson em pleno Carnaval. E o motivo é simples: conheci minha
alma gêmea, a mulher da minha vida no Carnaval.
Ontem,
14 de fevereiro, o mundo se encheu de flores, jantares à luz de velas e
promessas de amor eterno. O Dia de São Valentim renova, ano após ano, uma
pergunta antiga e sedutora: existe mesmo alguém que foi feito sob medida para
nós? Em algum lugar, caminha a nossa metade perfeita?
A ideia
atravessa séculos. Na Grécia antiga, Platão
imaginou que já fomos seres completos, divididos ao meio pelos deuses,
condenados a buscar a parte perdida. Na Idade Média, as histórias de Camelot
transformaram o amor em devoção absoluta, como o de Lancelot por Guinevere.
Mais tarde, William Shakespeare eternizou
os “amantes marcados pelas estrelas”, sugerindo que o próprio universo escreve
— e às vezes sabota — as histórias de amor.
Hoje,
trocamos cartas perfumadas por aplicativos. A promessa, porém, continua a
mesma: encontrar “a pessoa certa”. Mas a ciência tem lançado um olhar mais
cauteloso sobre essa crença.
O
psicólogo social Viren Swami, da Anglia Ruskin University, afirma que a noção
moderna de escolher um único parceiro para toda a vida se fortaleceu quando as
transformações sociais deixaram os indivíduos mais isolados. Procurar uma “alma
gêmea” tornou-se também uma forma de buscar pertencimento e segurança em um
mundo fragmentado.
O
problema, segundo pesquisadores, não está no romantismo, mas na expectativa de
que o amor verdadeiro seja fácil. O professor Jason
Carroll, da Brigham Young University,
diferencia “alma gêmea” de “pessoa certa”. A primeira seria encontrada pronta,
como destino. A segunda é construída ao longo do tempo, com ajustes, pedidos de
desculpas e crescimento mútuo.
Estudos
conduzidos por C. Raymond Knee indicam que
pessoas que acreditam que relacionamentos “simplesmente deveriam funcionar”
tendem a desistir com mais facilidade diante de conflitos. Já aquelas que
enxergam o amor como processo mostram maior comprometimento. Em outras
palavras, o que sustenta um casal não é a ausência de problemas, mas a
disposição para enfrentá-los juntos.
Há
ainda a questão da química. Nem toda conexão intensa é sinal de
compatibilidade. A coach Vicki Pavitt
alerta que aquilo que parece destino pode ser apenas familiaridade com padrões
emocionais antigos. Relações instáveis, que alternam proximidade e distância,
geram ansiedade — e a ansiedade pode ser confundida com paixão. O cérebro
interpreta intensidade como profundidade, mesmo quando há sofrimento.
A
biologia também sugere que a atração não é fixa. Fatores hormonais e
contextuais influenciam quem percebemos como atraente ao longo da vida. Se a
química muda, torna-se difícil sustentar a ideia de que existe apenas uma
combinação possível.
E,
curiosamente, até a matemática entra nessa discussão. O economista Greg Leo, da Universidade
Vanderbilt, desenvolveu modelos que mostram que cada pessoa pode ter
várias combinações altamente compatíveis — não apenas uma. O amor, nesse
sentido, parece menos destino e mais probabilidade.
Mas
talvez a resposta mais bonita venha do cotidiano. Pesquisas lideradas por Jacqui Gabb, da The
Open University, indicam que relacionamentos duradouros se sustentam em
pequenos gestos: uma xícara de chá levada à cama, o carro aquecido numa manhã
fria, um sorriso cúmplice no meio da rotina. Não são os grandes fogos de
artifício que mantêm o vínculo, mas as pequenas chamas constantes.
Talvez
o verdadeiro equívoco esteja em imaginar que a alma gêmea nos completa como
peça que faltava. A ciência sugere algo menos mágico — e, paradoxalmente, mais
profundo. Não se trata de encontrar alguém perfeito, mas de escolher, repetidas
vezes, a mesma pessoa imperfeita e construir algo singular.
No fim,
o amor que parece “destinado” costuma ser aquele que foi cultivado. Não nasce
pronto. Cresce. Talvez a alma gêmea não seja encontrada. Talvez seja feita.