quarta-feira, 18 de março de 2026

JÁ COMEU CAVIAR?

 
Sou um ignorante, um caipira. Eu ignoro tantas coisas, tantos assuntos, que me atrevo a dizer que sou um sujeito com pós-doutorado em ignorância. Apesar disso, tenho a mania de dar palpite em tudo, com especial ênfase nos assuntos de que não entendo porra nenhuma. E é com essa visão sócio-antropológica que resolvi falar hoje de “demeritocracia”, um neologismo jotabélico que explico melhor no final deste post.
 
Antes, porém, vou tocar (suavemente) no conceito tão em voga hoje de “meritocracia”. Se para você, caro leitor, estimada leitora, a meritocracia é como o caviar do Zeca Pagodinho (“nunca vi, não comi, só ouço falar”) –, fica aqui uma definição resumida: “é a ideia de que as pessoas avançam com base no próprio mérito, no esforço, no talento, no desempenho… e não por privilégios de origem, dinheiro ou conexões”. (Obrigado, Google!)
 
Agora, voltemos rapidamente à demeritocracia. Para início de conversa (o que a gente não faz para engordar um texto esquálido, não é mesmo?), sabe o que é demérito?
 
Segundo o Google, “demérito é a falta de mérito, desmerecimento ou uma ação que gera perda de consideração, respeito ou valor. E esta é a chave para meu neologismo (registra aí, Aurélio!).
 
Ultimamente – e foi assim que me ocorreu a palavra – tenho ficado muito incomodado, puto mesmo com a demeritocracia que existe nesta nossa Terra de Santa Cruz. Em certos ambientes – especialmente lá pelas bandas da Corte – o negócio não é exceção: é regra. Se bobear, deve ter até protocolo. Cara, o que tem de gente desclassificada nas altas esferas de Brasília não está no gibi!
 
E esta é a conclusão final para este texto curto: enquanto a meritocracia privilegia o indivíduo, a demeritocracia não escolhe alvo, sai ferrando a sociedade inteira. O mais louco é que os "demeritocratas" (demeritocráticos) ainda encontram eleitores que aprovam sua conduta!
 
Gostaram do neologismo surgido na mente descompensada de Jotabezinho? Não? OK! Já mandei chamar o cabo corneteiro para tocar o toque de Foda-se. Fui.
 
 

terça-feira, 17 de março de 2026

NOVAS EMOÇÕES

 
Tenho andado tão feliz ultimamente
Como se nas nuvens estivesse
Na boca um sorriso permanente
No rosto, expressão de bobo alegre
Irrefletido, aturdido, sorridente
 
Como o de adolescente inconsequente
Sonhando com o dia de encontrá-la
E que esse dia não tarde a chegar
Pois tudo o que eu quero é abraçá-la
E abraçar e abraçar e abraçar
 
Um abraço tão suave, carinhoso
Como se não houvesse outro
Como se fosse o último
Um abraço que trará a cura
De um sonho tão sonhado
E que jamais pude alcançar,
 
Num tempo que foi bom mas que passou
Sem que eu nada pudesse fazer
Tempo de dor, de conflito e tristeza
Impossível de ser esquecido
Mas hoje eu tenho a certeza
Que há novo tempo a ser vivido
 
Agora, um ajuste fino
Um fechamento de ciclo
Mato de chuva molhado
Aroma fresco, doce, terroso
Sabor de abraço apertado
De quem está ao meu lado.

segunda-feira, 16 de março de 2026

E O BRASIL NÃO GANHOU!

 
E o Brasil não ganhou o Oscar! Que peninha… Ou melhor, ainda bem! Porque quem ganha Oscar de melhor filme, melhor ator ou coisas dessa área não é um país: são profissionais que se dedicaram a fazer um filme com qualidades e mérito suficientes para serem indicados a essa celebração hollywoodiana.
 
Brasileiro – talvez outros povos também sejam assim – tem a mania de confundir o particular, o pessoal, com o coletivo, com o país. Se os filmes fossem produzidos como parte de uma campanha de divulgação do país, talvez se pudesse dizer que o Brasil ganhou ou perdeu o troféu.
 
Um caso pitoresco aconteceu com “O Beijo da Mulher Aranha”, filme brasileiro sim senhor, mas baseado em um romance do argentino Manuel Puig, roteirizado por um americano, dirigido pelo argentino Hector Babenco (naturalizado brasileiro) e tendo como atores principais o americano Willian Hurt – que ganhou o Oscar de melhor ator – e pelo porto-riquenho Raul Julia. E aí, como ou o que comemorar nessa salada multinacional?
 
Na mesma linha de raciocínio, um atleta que disputa os 100m de nado livre em uma Olimpíada, ali na sua raia, não está propriamente representando o seu país de origem. Pode até ter tido algum incentivo, pode ter sido patrocinado por uma empresa estatal, mas quem subirá ao pódio não é um país: é um atleta que ralou muito para conquistar aquela medalha. Talvez as equipes que disputam esportes coletivos, como futebol, vôlei e basquete, possam representar o país – mas só isso.
 
Os brasileiros e brasileiras deveriam se orgulhar – ou morrer de vergonha e tristeza – de o país ficar entre os melhores ou na rabeira nos “Oscars” da melhor educação, da melhor saúde, da melhor qualidade de vida, da menor desigualdade de renda. Esses, sim, medidos por indicadores internacionais como o PISA e o IDH, resultados de políticas públicas de qualidade e de longa duração. Se assim fosse, dava até vontade de ver um filminho abraçado com a amada.

 

domingo, 15 de março de 2026

NOBLESSE OBLIGE

 
Eu sempre ficava encantado ao ouvir minhas netas – então com cinco ou seis anos – espontaneamente dizendo “obrigada” por algo que tinham recebido ou ganhado. Tão pequenas e tão bem educadas! E ainda respeitavam a flexão de gênero que a boa educação recomenda: os homens dizem “Obrigado”; as mulheres dizem “Obrigada”. Detalhes pequenos mas indicadores de boa “educação de berço”.
 
Contei este caso apenas para dizer que li no blog “Alma Leve” um texto que fala sobre o ato de agradecer. E esse gesto simples me remeteu a uma entrevista que assisti na televisão há muito tempo.
 
O cantor e apresentador Ronnie Von disse que seu pai definia a elegância como “simplicidade”. E que lhe ensinou a sempre utilizar três expressões mágicas (o “mágicas” é por minha conta) para uma boa e civilizada convivência: “Obrigado”, “Por favor” e “Desculpe”.
 
O pai do “Príncipe” – como o cantor era chamado na época da Jovem Guarda – era diplomata e ensinava que diplomatas não deveriam discutir e precisavam ter um vocabulário polido. Resumindo, um gentleman – assim como eu e o Rei Charles (aquele do Ob).
 
Tentando escapar da grosseria da piada, fica a dica: “Obrigado” quando dito por homens e “Obrigada” quando dito por mulheres. Como diriam os franceses, “Noblesse oblige”.
 
E termino este texto dedicado à valorização da boa educação e cortesia nas relações interpessoais (acho que isto que ficou pedante!) agradecendo a paciência das leitoras e leitores deste blog mambembe. E por favor, não parem de acessá-lo. (estou me sentindo um lord!)

sábado, 14 de março de 2026

FRACOLINO

 
Creio que até os milhares de robozinhos que às vezes acessam este blog desconjuntado (o que será que eles procuram aqui? Qualidade do material publicado eu garanto que não é) sabem que Jotabê é um ogro mal-humorado e impaciente, além de velho pra kawaka.
 
E digo impaciente porque não tenho saco para assistir à maioria dos recentes filmes hollywoodianos, aparentemente feitos para atingir a juventude bronzeada que quer mostrar seu valor. Claro que também podem interessar aos jovens arredios, tímidos, branquelos, que vivem trancados no banheiro e com muito cabelo nas palmas das mãos (if you know what I mean).
 
Esses filmes não me atraem. Avatar, por exemplo. Quer filme mais idiota? Para mim (que não assisti), ele serviu apenas para colocar no meu dicionário pessoal a palavra “avatar”, que me soa como um convite insistente: “ah, vá, tá?”
 
Minha praia são filmes de humor inteligente ou nonsense, como os do Mel Brooks, ou então filmes noir realizados entre as décadas de 30 e 50.
 
Maaaas, voltando à palavra “avatar”, confesso – ligeiramente constrangido – que descobri o meu em um personagem de histórias em quadrinhos das antigas. Sem muito suspense: esse personagem aparece nas HQs do Bolinha e da Luluzinha.
 
Nunca ouviu falar dessas revistinhas? Jovem é foda: não sabe merda nenhuma, mas acredita sinceramente que sabe tudo. Tenho certeza de que os robozinhos que às vezes avoejam por este blog suculento e saboroso (acho que estou com fome!) conhecem essas deliciosas e inocentes HQs.
 
E o personagem é um velho meio calvo, de barbas brancas e bastante caduco, que aparece de vez em quando, mas sempre em momentos hilários. É o avô sem noção do Carequinha, amigo do Bolinha.
 
Olha o Vovô Fracolino aí. Acho que parecemos um pouco. Pelo menos na piração e na completa falta de senso. Talvez, em vez de meu "avatar", melhor seria dizer que ele é meu "avôtar", mais coerente com minha idade matusalêmica.



sexta-feira, 13 de março de 2026

SUJEITO A DEVOLUÇÃO

 
Tenho medo de você
Talvez nem saiba dizer por quê
Medo de te magoar
Medo de decepcionar
Ou medo de te perder
Medo de não atender
Ou de não corresponder
Ao retrato que pintou de mim
 
Não tenho cores a exibir
Sou branco e preto no olhar
Mesmo tentando enganar
Quem desejou me adquirir.
Sou produto gasto, vencido
De segunda mão, já mexido 
Sem nota fiscal, sem recibo
Sujeito a devolução

quarta-feira, 11 de março de 2026

VAZEZINHO!

 
Dizem que há muito, muito tempo (técnica para tornar imprecisa a data), viveu uma princesa bela como Branca de Neve – a quem a escumalha maledicente dizia sentir uma atração secreta e doentia por sete homenzinhos verticalmente prejudicados (anões, entendeu?). Mas beleza era o único ponto a unir essa personagem de história da carochinha com a outra, de crônica da carochinha (crônica sim, porque este narrador é preguiçoso e não gosta de escrever muito. E nem me perguntem o significado de “carochinha”!).
 
Pois bem, a princesa que não era Branca de Neve era, na verdade, uma louraça, uma loura estonteante acostumada a bronzear suas formas suculentas nas areias de Nova Guarapari.
 
Um dia (outra indeterminação temporal), fazendo sua caminhada diária, quase pisa em um sapo repulsivamente horroroso, que nem sabe como surgiu ali (as fábulas são assim mesmo).
 
- EEECA!!!! Que coisa nojenta!
 
Para sua surpresa, o sapo respondeu:
 
- Tendes razão, adorável e linda princesa. Sou hoje um sapo feio e gordo, mas, se me beijares, quebrareis o encanto que jogaram em mim e voltarei a ser o príncipe encantado e encantador com que sonhastes por toda a vida. (Mesmo sendo sapo, era muito educado  um anfíbio de família, mais precisamente da família Bufonidae.).
 
A princesa, que não era burra – apesar de loura –, tinha direito ao contraditório e contra-argumentou:
 
- Mesmo que eu sonhe com um príncipe encantado desde a minha juventude, não quero beijar um sapo nojento!
 
Mas o sapo era persistente, sedutor, e continuou a tentar convencer a princesa a beijá-lo. Disse até que escreveria crônicas e poemas para e sobre ela. Tanto fez que a princesa, fazendo a maior cara de nojo, beijou o sapo.
 
E o inesperado que era esperado aconteceu. Surgiu à sua frente um velho obeso, de barba branca e cabelos idem (os poucos que ainda não tinham caído), que sorriu doce e maliciosamente para ela.
 
Não acreditando no que via (tentativa de negação da realidade que a assustava), a deusa linda e loura exclamou:
 
- Eu estava esperando um príncipe lindo, charmoso e gostoso, mas você é um velho decrépito! E ainda fala como se tivesse saído do século passado!
 
- Tendes razão, oh apetitosa e linda princesa! Tenho hoje duzentos anos, pois virei sapo ainda no tempo da Primeira República. Mas continuo sendo capaz de amá-la.
 
A princesa nem pestanejou:
 
- Amá-la? Boa ideia! Pegue essa mala velha e suma da minha frente. Vê lá se quero me relacionar com um velho obeso e feio como você! Fui seduzida por suas palavras, mas já decidi (ela era muito assertiva quando precisava):
 
- Não quero te beijar nunca mais! Sei lá, vai que depois fico com a boca cheia de sapinho! Por isso, vaza! Ou melhor... vazezinho!

 

JÁ COMEU CAVIAR?

  Sou um ignorante, um caipira. Eu ignoro tantas coisas, tantos assuntos, que me atrevo a dizer que sou um sujeito com pós-doutorado em igno...