sábado, 19 de janeiro de 2019

FAROESTE JOTABÊ


Incoerência é isso: justamente depois da assinatura do decreto que flexibiliza a posse de armas, filho do presidente tenta impedir o MP/RJ de revolver as contas de ex-assessor.


É na Bíblia que está registrado o primeiro caso de uso responsável de armamento:
- “Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”.


Muitos analistas políticos consideram que Flávio Bolsonaro deu um tiro no pé quando solicitou ao STF a suspensão da investigação sobre a (invejável!) movimentação financeira de seu ex-assessor. Isso só demonstra que é um perigo lascado pessoas inexperientes ter porte de arma!


Os ateus – ao contrário daqueles que professam algum tipo de crença ou religião – não possuem porte de alma


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

DANDO BANDEIRA


Creio que ninguém – ou quase ninguém – sabe o que significa “Pavilhão presidencial”. Até recentemente, eu também não sabia. E olha que eu sou o rei das palavras cruzadas, dos documentários que passam nos canais a cabo e de qualquer tipo de cultura inútil! Pois bem, segundo descobri, “Pavilhão presidencial é o símbolo que representa o Presidente da República do Brasil. Configura-se de um campo verde onde, ao centro, se situam as Armas da República brasileira”.Resumindo, é uma “flâmula” bacana que faz companhia à bandeira brasileira no gabinete presidencial. Muito bem.

Ontem, talvez devido à desidratação provocada pelo calor dos infernos que tem feito em BH, tive um sono super inquieto, várias vezes interrompido pela boca seca, os lábios colados um no outro. Parecia que eu delirava, tantos foram os pesadelos e sonhos que se alternavam. Um desses sonhos foi bastante esquisito (qual sonho não é?).

Talvez impressionado com a quantidade de militares indicados para os primeiros escalões do novo governo (em princípio, nada contra!), sonhei que havia outro “pavilhão presidencial” dentro do gabinete da presidência. Em lugar do original, havia uma cópia da bandeira brasileira, mas confeccionada com a paleta de cores dos uniformes das Forças Armadas. O verde vivo do retângulo e o amarelo ovo do losango haviam sido substituídos respectivamente pelo verde oliva e pelo cáqui dos uniformes do Exército. O azul brilhante do círculo estrelado tinha agora a cor azul acinzentado da Aeronáutica. Só a faixa branca continuava branca, mas sem nada escrito. Resumindo, era um "Pavilhão presidencial" totalmente militarizado. 

Foi realmente um sonho estranho. Hoje, lembrando-me disso, resolvi reproduzir a imagem do “pavilhão alternativo”. Ainda bem que foi só um sonho. Também, quem manda o cara ficar dando bandeira ao indicar tantos "não civis" assim? Vai acabar provocando esse tipo de pesadelo em todo mundo que não votou nele. Eu, heim? Olhaí.


bandeira brasileira (lindona!) 

pavilhão presidencial

puro delírio


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ATTENZIONE, PREGO!


Logo após o movimento de 1964, comecei a ter minha atenção despertada para a quantidade de militares que aos poucos ocuparam cargos de chefia em todos os níveis hierárquicos da máquina pública e em todo tipo de situação. Eu tinha apenas quatorze anos e não via nenhum problema nisso, apenas achava curioso o fato novo.

Hoje, com a posse do novo presidente, vira e mexe a mídia divulga mais um indicado para o segundo ou terceiro escalões do governo federal. Mesmo que não veja nenhum problema nisso, acho curioso o fato de muitos desses indicados serem militares. Imagino que foram escolhidos por sua honestidade, “notório saber” e competência - que são, para mim, os únicos critérios que devem ser observados.

Mas essas escolhas, em minha opinião, dizem mais do presidente que dos indicados. É como se ele desconhecesse o mundo fora da caserna (ou dele desconfiasse). Pensando nisso, lembrei-me de duas frases clichê para definir as preferências do novo presidente:

O hábito do cachimbo faz a boca torta”. Ou, talvez mais adequada a essa situação observada, a frase do psicólogo americano Abraham Maslow: "Para quem só sabe usar martelo, todo problema é um prego”.


PRÉ-NATAL

Hoje, depois de observar um casal de rolinhas construindo seu ninho, fiquei pensando no “sofrimento” que deve ser o ato de botar um ovo tão grande se comparado ao tamanho da ave. Obviamente, esse “sofrimento” não deve acontecer na vida real. Mesmo assim, resolvi pesquisar um pouco mais o assunto. E descobri esta informação: “Do tamanho de uma galinha comum, o kiwi bota um ovo seis vezes maior do que o normal, para uma ave do seu porte. É tão grande, que chega a se tornar 20% do peso corporal da mãe durante a gestação”. Imediatamente pensei na piada abaixo, adaptada a um casal de rolinhas. Vê aí.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

SEM JUÍZO, SEM CARÁTER OU SEM NOÇÃO? ESCOLHA!

Li esta manchete no site da BBC News: "Após um primeiro mandato catastrófico, Maduro é tido como o mais malsucedido dos presidentes", segundo a revista britânica “The Economist”. O cara é um Einstein da má gestão e autoritarismo! Pode-se dizer que se fosse uma fruta ou um fruto, já tinha caído de maduro (essa foi podre!).

E a Gleisi foi à posse do venezuelano para, segundo ela, marcar posição “contra grosseira relação de Bolsonaro” com a Venezuela!. A Gleisi foi lá aplaudir a posse do Maduro! Não estou conseguindo pensar em nada que seja um pouco espirituoso para comentar essas notícias. Que posso dizer? Só isso: Puta que pariu!

AQUECIMENTO DISTRITAL


Todos os dias, geralmente mais de uma vez por dia, eu entro nos portais de notícias G1, Veja, BBC News, Metro, O Tempo, Época, Isto É, UOL, R7 e Carta Capital. Obviamente para ler as últimas notícias e, se possível, ver abordagens diferentes sobre o mesmo assunto. Afinal, eu sou um cara de centro (embora abomine o tal “Centrão” do Congresso). Graças a essa multiplicidade de meios de comunicação, descobri na Carta Capital a seguinte manchete:
 “Chefe do BB coleciona posts machistas e não crê em aquecimento global”

Pouco me importa que ele divulgue posts machistas ou não. Deixem o sujeito ser politicamente incorreto, pô! É direito dele e fim. Estava divagando sobre isso quando pensei que a nomeação do filho do Mourão para ser seu assessor certamente deve ter aumentado bastante a temperatura política em Brasília. Mas, para quem não crê em aquecimento global um aquecimentozinho distrital é fichinha, não é mesmo?




quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

FOGO AMIGO



Tenho certeza que 87% dos leitores desta bagaça sabem o que é “fogo amigo”. Porque 87%? Isto é fácil: corresponde a 2 (dois) dos 2,3 leitores do Blogson. Pensando na possibilidade de os 13% restantes (0,3 leitores) não saberem do que se trata, farei uma explicação breve. Quem não gostar dessa explicação que vá procurar na internet, que eu tenho mais o que fazer, pois o blog não é nem nunca foi uma Khan Academy. Que foi? Também não sabe de que se trata? Internet, por favor.

Voltando ao “fogo amigo”, esta expressão é uma metáfora da ajuda desastrada ou de má fé que alguém resolve prestar a um amigo. A origem verdadeira seria decorrente de situações reais de combates, onde soldados são alvejados ou bombardeados por engano, ao ser confundidos com tropas inimigas. Pronto, acabei dando uma dica da origem da expressão!

Mas é a metáfora que me interessa. E digo isso pelos acontecimentos recentes envolvendo filhos do presidente e de seu vice. Refiro-me aos episódios pouco edificantes envolvendo um ex-assessor de um dos filhos do Bolsonaro e da indicação do filho do Mourão para “assessor especial da presidência do Banco do Brasil” (com direito a salário estratosférico).

Pode parecer má vontade de minha parte, mas deixo claro que mesmo não sendo um eleitor do “Mito” (votei no Meirelles), torço sinceramente para que seu governo coloque novamente o país nos trilhos do desenvolvimento e progresso, descarrilado que foi no (des)governo Dilma.

E por torcer pelo seu sucesso é que fico lamentando esses dois episódios de “fogo amigo”, ou melhor, de “fogo filial”. Só atrapalha que um dos “filhões” fique com cara de paisagem e não se empenhe em ver esclarecido um episódio obscuro de muita grana depositada na conta de seu ex-assessor. Também pega mal um filho do vice aceitar uma nomeação tão, tão digamos, “polêmica”. Esse tipo de coisa é munição para quem odeia o novo goverrno, pois acaba criando a sensação de se estar diante de “mais do mesmo”, de dèja vu com novas cores. Para não concluir com o clichê sobre a mulher de Cesar, termino esta gororoba com uma frase dita pelo apóstolo (São) Paulo:

“Tudo posso, mas nem tudo me convém”

CASA NOVA


Mudança para uma casa nova é sempre uma zona – você ainda não sabe onde estão todas as coisas, onde ficam os disjuntores, ainda há móveis para colocar no lugar mais adequado, etc. Imagino que início de governo deve ter alguma semelhança com isso. Tenho observado alguns movimentos e decisões conflitantes entre os novos gestores e até mesmo entre o próprio presidente e seus ministros. É um pode não pode lascado, talvez em nível acima do razoável. Pensando nisso, acho que uma frase bem adequada para definir esses momentos iniciais do novo governo é:
- “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digam ao povo que desminto”.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

SEPARADOS POR UM DEPOIMENTO


Pelo menos por enquanto está assim...

NAUSEANTE

Esta é uma piada verdadeiramente nau seante!



TRANS?


UM CASO DE ADOÇÃO


Eu ainda era criança quando um dos meus tios mudou-se para Uberaba para estudar odontologia. Deixou para trás sua coleção de revistas "Seleções do Reader’s Digest". Acabei por tomar posse delas, pois ninguém mais se interessava por aquilo. E eram muitas, abrangendo um período de mais de dez anos. Os primeiros números eram de 1941 ou 1942, se não me engano. E esse foi o motivo do meu interesse em folheá-las: além de publicidade sobre eletrodomésticos, alimentos e vestuário, trazia também como propaganda (inclusive de guerra), várias páginas com desenhos incríveis reproduzindo aviões militares, tanques, barcaças, soldados sorridentes e coisas assim. Tentei desenhar os aviões, devo ter recortado algumas páginas e rasgado outras. Depois, aos poucos, passei a ler uma por uma, acabando por ler tudo de todas (exceto a seção "Enriqueça seu vocabulário", assinada pelo dicionarista Aurélio Buarque de Holanda). O texto a seguir foi retirado do post "A Praxe dos Imbecis", por condensar meu pensamento sobre essa "herança".

Tentar viver a partir de experiências relatadas e vividas por outras pessoas é como “aprender japonês em Braille” (Djavan). Mas era isso que eu tentava. Enquanto a vida, esse “grande oceano da verdade” permanecia à minha frente pronta para ser explorada, eu tentava desbastá-la a golpes de “Seleções”. Quem conhece, sabe que essa revista é cheia de “ensinamentos” e lições de vida. Agora, imagine um pré-adolescente lendo essas “lições”. Haja intoxicação! E o pior é que eu queria aprender a viver apenas lendo aquela merda (por exemplo, como beijar uma menina na boca)!!!

Mesmo assim, retiradas as "lições de vida", a revista era boa diversão para um jovem introvertido e sem amigos, pois trazia anedotas, resumos de best sellers, casos pitorescos, etc. Um desses casos que chamou minha atenção foi narrado pelo comediante americano Harpo Marx, irmão menos badalado de Groucho Marx. Mas, antes de tentar reproduzir o caso - uma história de adoção -, preciso "contextualizá-lo".

Nas festas de fim de ano, conversando com uma de minhas noras, o assunto "adoção" entrou na roda. Ela comentou sobre uma amiga que está em dúvida entre adotar ou não uma criança, pois tem endometriose ou coisa assim. Lembrando os vários casos de adoção (cinco, pelo menos) que existem na família de minha sogra, disse a ela que educar uma criança, seja ela adotada ou não, é como jogar na loteria. A única coisa que muda é que as chances a seu favor são infinitamente maiores que ganhar na mega-sena, por exemplo. Porque cada criança é um universo, cabendo aos pais dar a ela atenção e muito amor - mas muito mesmo! Se ela será bem-humorada ou geniosa só o tempo, o ambiente e um pouco de DNA dirão. Foi aí que contei o caso lido décadas atrás. O curioso é que ela emocionou-se e me pediu o texto para enviar para sua amiga indecisa. Tentei encontrar na internet, mas acabei escrevendo o que lembrava e que tão boa impressão me causou (é, "talvez eu seja o último romântico"). Porque postá-lo no Blogson? É a memória, estúpido! E o texto que mandei para ela é este: 

Provavelmente eu teria uns vinte anos ou menos quando li a história sobre a adoção dos quatro filhos do comediante Harpo Marx em uma revista “Seleções do Reader’s Digest”, narrada pelo próprio comediante. Tentei encontrá-la na internet, mas não consegui (pelo menos, não de forma rápida). Mas encontrei algumas coisas legais que passo a transcrever, antes de tentar reproduzir o que li há tantos anos. Vamos lá:

Em 1948, quando alguém lhe perguntou quantas crianças planejava adotar, ele respondeu: "Eu gostaria de adotar tantas crianças quanto tenho de janelas em minha casa. Então, quando eu sair para o trabalho, eu quero uma criança em cada janela, acenando adeus”. Mesmo assim, adotaram apenas quatro (Billy, Alex, Jimmy e Minnie), sendo o primeiro quando o comediante já tinha uns cinquenta anos.
Agora, vamos à história. Ele nunca escondeu de nenhum dos filhos que haviam sido adotados. Pelo contrário, sempre contava de forma fantasiosa como cada um havia sido “escolhido”.

- “Um dia a mamãe e eu decidimos que queríamos ter um filho. Mas não poderia ser qualquer um. Tinha de ser um especial. Deveria ter as bochechas rosadas, um sorriso lindo, cabelos louros, ser alegre, brincalhão e, principalmente, chamar-se Billy”. Nesse ponto, o filho escolhido de forma tão detalhada explodia de entusiasmo. E ele continuava.

- “Um dia, achamos que o Billy precisava de uma irmãzinha. Mas não poderia ser qualquer menininha. Tinha de ser tão especial quanto ele. Ela teria de ter cabelos pretos suavemente ondulados, ser doce e delicada, com olhinhos muito brilhantes. Mas, principalmente, deveria chamar-se Minnie”. Segundo Harpo Marx, essa era a história predileta das crianças, que entravam em frenesi à medida que ia chegando a sua vez de entrar para a família.

Anos depois, já adultos, os filhos reuniram-se e pediram para falar com ele sobre a adoção. O ator disse ter sentido um aperto no coração, por acreditar que eles o recriminariam por não ter escondido que eram adotados. Mas o contrário aconteceu, pois eles o abraçaram e agradeceram por terem tido tanto carinho e cuidado para falar desse assunto com eles, que sempre se sentiram como se fossem filhos biológicos do casal, tal o amor recebido. É isso.
Obviamente, há uma série de “liberdades poéticas” que adotei, mas o espírito do texto original era esse mesmo. Espero ter atendido o pedido.



terça-feira, 8 de janeiro de 2019

DRY JOTABÊ

Depois de ler um divertido post do Marreta sobre o “Dry January”, resolvi comentar o assunto. Como ficou grande, virou post do Blogson (a picaretagem é a alma do negócio). Mas o link é este:

Não sou a pessoa mais abalizada para falar sobre isso, pois fiz a opção de parar de beber qualquer tipo de bebida alcoólica no final de 2014. Poderia ser esse o motivo de ter criado o blog em junho de 2014, mas parei depois disso. O motivo resumido é o seguinte: o álcool nunca foi meu amigo, pois nunca alterou meu humor. Alegre antes de beber? Continuava alegre. Triste, tímido ou deprimido? Lamento dizer que permanecia assim. Na juventude, a  única coisa que me divertia era passar do limite e começar a cambalear. Detonava todos os sentidos, mas a consciência estava lá, firme, vigilante, irritante. Por isso mesmo o álcool nunca foi para mim uma rede de segurança, muleta ou antídoto contra a chatice de festas e comemorações. Happy hour para mim sempre foi a hora de vazar do trabalho e ir feliz da vida para casa.

Na minha avaliação, a maioria das pessoas fica um porre quando está de porre. Pessoas gentis, divertidas tornam-se ogros insuportáveis à medida que vão enchendo o latão, que vão entornando mais e mais a bebida predileta, inclusive na mesa, na toalha, na roupa do infeliz que estiver mais próximo. Difícil de aguentar.

E o que mais entristece é ver o alcoolismo ir aos poucos dominando e deformando pessoas outrora simpaticíssimas. Conheço um sujeito que sempre gostou de beber cerveja. E reclamava de um amigo que misturava cachaça com cerveja. Segundo ele, esse amigo ficava transtornado, rosnando para a parede, olhar fixo, caçando briga com qualquer um, como se estivesse possuído por uma entidade maligna. Hoje, esse meu amigo bebe diariamente, ingere meia garrafa de destilado e umas nove cervejas, mas, paradoxalmente, está cada vez mais antissocial. Curiosamente, durante a quaresma, sempre conseguia ficar sem beber nada. Creio que hoje faz uma trapaçazinha, pois bebe cerveja sem álcool.

E é por tudo isso que eu sempre digo que parei de beber, porque mesmo que o primeiro copo descesse maravilhosamente, o segundo copo tinha gosto de cerveja. E eu detestava gosto de cerveja! Até me aventurei a compor uma marchinha carnavalesca sobre isso, que acabou virando parte do post "Não me leve a mal"

“Cachaça tem gosto de cachaça
Isso não muda jamais.
Cerveja tem gosto de cerveja
E o gosto é ruim demais (pararará...)”

Realmente, a picaretagem é mesmo a alma do negócio!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

SUDOCO


Ontem, ouvindo no rádio do carro um bate papo sobre a perda de memória em idosos e prevenção do Alzheimer (um dos meus assuntos prediletos), alguém mencionou o jogo “sudôco”. Na hora, lembrei-me de uma senhorinha (já falecida) que gostava de se gabar das atividades que desenvolvia e que mantinham sua mente ocupada e lúcida aos noventa e sete anos. Uma dessas atividades era jogar “sodôco” (com "o") em um livro que um filho tinha trazido para ela da Alemanha (outra coisa que ela gostava de fazer era contar vantagem – da quantidade de filhos, de sua longevidade, da ...).

Eu ouvia seus comentários com o piloto automático ligado e sorria amistosamente ou fazia cara de espanto quando percebia mudanças na entonação da voz (sou bom nisso!). E ela, claro, ficava feliz com aquela “atenção”. Mas não é da minha habilidade de cativar o pessoal da terceira e quarta idade que quero falar. Meu negócio é falar de sudoku.

Descobri que esse jogo foi inventado por um americano (salve, Google!) e levado para o Japão onde recebeu o nome pelo qual é conhecido no Brasil. Então, a “prenúncia” correta é “sudokú”, dita, se possível, com aquela aspereza gutural própria da língua japonesa.

Mas acredito que esse equívoco é causado pela sílaba “cu” (ou "ku"). Já pensou se todas as oxítonas terminadas em “u” fossem transformadas em paroxítonas? Creio que ficaria uma coisa muito bizarra. Por exemplo, Caramuru seria transformado em uma advertência do tipo “Cara, muro!" (POF!!!). Pacu soaria como “Paco”; deixaria de ser um peixe para virar dançarino de flamenco. Caracu seria uma variante masculina da exclamação “Caraca!" Jacu lembraria uma piada do Ziraldo do tempo do Pasquim: dois amigos sentados em uma mesa de bar quando passa uma gostosona. Aí um deles diz “Vôco” e o outro, sorrindo vitoriosamente, retruca “Jaco”! E por aí vamos. Surucucu passaria de cobra a passarinho de relógio, etc.

Já sei, estou forçando a barra, mas esqueci o que tinha pensado originalmente (acho que preciso fazer mais sudoku). Só sei que “paroxitonar” uma palavra oxítona terminada em "ku" é burrice ou pudicícia equivocada. Mesmo que seja um estrangeirismo.

Porque, vejam bem, nem preciso mencionar as múltiplas funções do cu (este é um blog que se dá ao respeito!). Apenas lembro que faz parte da anatomia humana. E de forma tão indissociável que até inspirou um clássico presente em todos os manuais de sobrevivência profissional. Qual? Ora, a sabedoria contida na frase “Quem tem cu tem medo”.

domingo, 6 de janeiro de 2019

CHURRASCO


I'VE GOT THE POWER!

Dias desses tomei o maior susto ao constatar que o número de seguidores do Blogson tinha dobrado. Imaginem, aumento de 100%! Tudo bem que antes só existia meu amigo virtual Marreta (um sujeito com fígado curtido em cerveja barata mas boa), pois nem meus filhos nem outros parentes seguem o blog.

Seria uma consequência da reorganização do blog ou só uma coincidência cósmica? Mesmo assim, me senti muito poderoso. Mas, é como disse o filósofo Sheldon Cooper (ou teria sido o Stan Lee?) “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Isso significa que terei de ralar muito para não deixar a pepeka cair (perdão, eu quis dizer “peteca”).  Ou seja, preciso continuar a produzir o lixão costumeiro do blog. Trabalhar cansa!

Mas não poderia terminar este post oportunista sem agradecer sinceramente os dois seguidores oficiais do blog. Vocês são o real estímulo para esta bagaça não fechar as portas. Valeu!

VISITA GUIADA

Pois é, Renata e Roberto, vocês disseram querer conhecer o Blogson (mesmo que o convite já tenha sido feito várias vezes). Para mim, está OK. Vou até fingir que acredito que realmente o acessarão. Mesmo assim, resolvi "agendar uma visita guiada" para vocês, se, por acaso, essa visita realmente acontecer. Para isso, sugeri um post para cada uma das "seções" que compõem o blog. Não quer dizer que sejam os melhores, apenas não são os piores. Mas dou um prazo para essa visita acontecer: vocês têm até 2099 para realizá-la. Vê aí.

01 - ENTENDENDO O BLOG:
02 - POSTA RESTANTE:

03 - LITERATICES (PROSA):

04 - LITERATICES (VERSOS):

05 - HUMOR (EU NÃO SEI DESENHAR):

06 - HUMOR (DIÁLOGOS DE SPAMTAR):

07 - HUMOR (SEM NOÇÃO):

08 - MEMÓRIA:

09 - PAPO CABEÇA:

10 - FALANDO SÉRIO:

11 - CALHA POLÍTICA:

12 - VINTAGE:

13 - RELIGARE:

14 - PRODUÇÃO TERCEIRIZADA:

15 - MÚSICA MAESTRO!
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sábado, 5 de janeiro de 2019

CONVERSA DE VIZINHO

Perto de minha casa, a pouco mais de uma quadra de distância, mora o pai de um amigo de meus filhos. Não sei seu nome, às vezes nos cumprimentamos, outras vezes não. Da minha parte sempre foi o fato de estar distraído. Da parte dele, só entendi depois. Mas antes, preciso dizer que esse sujeito tinha um vizinho que ficou mudo depois de sofrer um AVC.

 Muito bem. Em um dia chuvoso, fui de carro à padaria e o encontrei lá. Ofereci carona e fomos conversando. Perguntei pelo senhor que tinha ficado mudo e ele me disse já ter morrido. Mesmo não o conhecendo, lamentei o fato (espírito corporativo, entendeu?). Foi aí que descobri por que às vezes passa por mim e não me cumprimenta. Tentarei reproduzir o que me disse, pois ri demais com a história. Referindo-se ao vizinho, disse:

- Nós estávamos conversando (?) quando veio se aproximando um sujeito todo sorridente. Como eu tenho problema de visão e não enxergo muito bem, perguntei (ao mudo) quem era. Gesticulando os braços como se dissesse “Eu sei lá!”, ficou fazendo uns sons de quem tenta falar alguma coisa, mas está engasgado:
- “ah, ah uh uh or  orrr raaa urr”.

Quando o “desconhecido” chegou mais perto é que eu vi que era meu irmão. Agora você imagina, um cego pedindo informação para um mudo!!!