terça-feira, 13 de novembro de 2018

ARQUEOLOGIA OU HQUEOLOGIA

Estou com uma preguiça do caralho de escrever muito, mas o velho e bom Stan Lee merece. Lá pelos idos de 1973, meu irmão começou a comprar revistinhas em quadrinhos. Eram realmente “revistinhas”, por serem menores que as HQ da minha infância. Comprava várias por semana, cada uma dedicada a um super-herói Marvel – Capitão América, Hulk, Homem Aranha, Demolidor, Homem de Ferro, Namor, Thor, Quarteto Fantástico e uma de artes marciais de que não recordo o nome. Personagens desconhecidos criados por um desconhecido Stan Lee. Claro, apenas para mim. Mas eram muito boas, cada herói com seus vilões particulares.

Um belo dia meu irmão se casou, foi transferido para São Paulo e levou consigo a coleção de revistinhas (era uma coleção). Levou também um ou dois exemplares de “Dr. Macarra”, uma revista antigaça (mas antiga mesmo!) lançada pelo Carlos Estevão, um desenhista fabuloso.

Não sei nem vem ao caso quanto tempo ficou por lá. Talvez uns dois anos, por aí. A obra acabou e ele voltou para BH de mala e cuia, ou melhor, com malas e móveis. Dentre os móveis, uma cama de solteiro com gavetas, onde ficava guardada a coleção de HQ. Só se lembrou das revistas meses depois, apenas para descobrir que tinha dançado em todas, pois não sobrou nenhuma. Reclamar com a transportadora? Meses depois? Então tá...

Lamentei profundamente a perda, pois já era especialista em super-heróis Marvel. Sabia até o nome de um dos ilustradores feras (Joe Romita) que tinham desenhado algumas histórias. Mas vamos aos finalmentes.

Tenho guardado aqui em casa um “Almanaque do Globo Juvenil 1959”, que ganhei quando tinha nove aninhos (que meigo!). Como em todo almanaque de fim de ano que era publicado, as histórias são bem fraquinhas, mesmo que os personagens sejam top. Um dia, relendo aquelas velharias, tomei o maior susto (força de expressão, para ser sincero): uma das histórias - das mais toscas e infantis - estava creditada a ninguém menos que Stan Lee! Não sei se ele apenas roteirizou ou se também a desenhou. Aliás, nunca mais saberei, pois a parte do almanaque onde ficava essa história sumiu misteriosamente.

Talvez seja melhor assim, para manter íntegra a aura de fodão do velho e bom Stan (pois a historinha era uma bosta!). Mas, se algum arhqueólogo quiser desenterrar essa informação, a ajuda máxima que posso dar é mostrar a capa do tal almanaque. Olhaí.




domingo, 11 de novembro de 2018

NÃO VOU ME ADAPTAR - TITÃS

"Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia, eu não encho mais a casa de alegria. Os anos se passaram enquanto eu dormia e quem eu queria bem me esquecia. Será que eu falei o que ninguém ouvia? Será que eu escutei o que ninguém dizia? Eu não vou me adaptar!"




CURTAS COMO SAIA DE PERIGUETE

CLICHÊ
Tem gente que gosta de dizer que “O que somos hoje é o resultado da soma das nossas escolhas".
Bacana, não? Até que funciona – se olharmos para trás. Mas resolvi sugerir uma versão mais ácida, mais desencantada desse clichê:
O que somos hoje é o resultado da subtração dos nossos sonhos irrealizados.


PELO AVESSO
Depois de tomar banho, sempre visto uma camiseta de algodão, dessas de ficar em casa, aposentadas depois de algum tempo de uso. Antes de me deitar tiro essa blusa, pois gosto mesmo é de dormir naked, sem roupa, peladão. Ultimamente, por conta de um recato tardio provocado pela alteração das formas originais do corpo (aumento de volume aqui, diminuição ali, etc.), tenho dormido de cueca. Pois é...

O fato é que no dia seguinte, ao acordar, ainda meio sonado, visto novamente a camisa (calça também!) e saio para ir à padaria. O problema é já sido avisado algumas vezes por funcionários ou clientes que estou com a t-shirt pelo avesso. Por estar em ambiente público, fico meio sem graça de me despir para corrigir a vacilada.

Mas hoje consegui a solução definitiva para a distração: pensei em uma camisa com as costuras expostas e com uma estampa ou frase no lado avesso. Aliás, a ideia não é minha, pois já vi roupas assim. Só a frase estampada é que seria da “lavra” de Jotabê:

AVESSO ÀS CONVENÇÕES SOCIAIS.

SONHOS DE UM ESCREVINHADOR

Este texto fazia parte de um post mais antigo, mas, depois de relido, achei que deveria ter vida própria.


Um de seus sonhos mais caros que acalentava era o de ser um escritor. Não um escritor qualquer. O que queria mesmo, o que sonhava era ser um bom, um grande escritor. Por isso, escrevia sempre, escrevia muito. Mas não dominava os fundamentos teóricos da língua. Por isso mesmo, agredia a concordância e a regência, atropelava a gramática e todas as demais regras e normas necessárias a uma linguagem culta, conhecimentos que se exigiriam de um escritor de verdade, sabedor do seu ofício.

Mostrava seus textos capengas, inexpressivos e sem inspiração, suas frases desconexas e mal formuladas, seus assuntos banais e vulgares
 a qualquer um que conseguisse encurralar, sempre esperando receber elogios e cumprimentos. Nunca publicou nada e o máximo que conseguia era ser discretamente ignorado e evitado pelos conhecidos e parentes, que se esquivavam de ficar sozinhos com ele em festas caseiras e eventos familiares.

A mudança só aconteceu quando - finalmente! - deu-se conta de que não era o escritor que imaginava e queria ser. Demorou, mas um dia percebeu que era apenas um escrevinhador medíocre, um vândalo da palavra escrita. A partir daí, primeiro ressabiadamente, meio constrangido, começou a abusar de clichês. Depois, desassombrada e desafiadoramente, passou a inventar palavras, a criar neologismos que nem ele sabia para que serviriam. 

Começou também a fazer experiências bizarras utilizando o Google Tradutor. Para isso, pegava um texto de sua autoria e traduzia para uma língua qualquer. Repetia a operação para uma nova língua, usando texto já traduzido. E assim, fazia até voltar ao português, depois de duas, três ou mais traduções sucessivas. O resultado assim obtido era um amontoado de frases sem sentido e quase sem nenhuma relação com o texto original, fato que o divertia muito.

Sempre vandalizando a língua, a estética e a lucidez, passou a abusar de cores, fontes e tamanhos variados, despreocupado com a ordem lógica, como se o texto original fosse apenas um jogo de montar, um brinquedo de encaixe, como se quisesse criar uma nova linguagem ou forma de expressão - que só para ele teria sentido e valor. Os textos assim obtidos passaram a ser apenas imagens, grafismos, sem necessidade de revisão.

Acreditava estar criando uma nova forma de arte, quando era apenas vandalismo contra o idioma, contra as palavras e frases. Longe de ser arte, era só artesania, artesanato, arteirice, artifício para esconder sua permanente falta de criatividade e valor literário. Inconsciente disso, seguiu vandalizando a língua, para ver até onde seu delírio poderia chegar.

sábado, 10 de novembro de 2018

RUDENESS' PRIDE?


Lá pela década de 1980, em uma das empresas onde trabalhei, fui colega de um senhor idoso, afável e muito simpático, tratado por todos como “Major”, sua última patente militar antes de ser reformado. Puxa-saco juramentado que sou, chamava-o de “Coronel”, patente adquirida automaticamente após a reforma.

Apesar da afabilidade e modos corteses, mantinha sobre sua mesa - a guisa de peso de papeis – um protótipo de sua autoria (segundo ele!) de uma granada de mão – na prática, um cilindro de ferro oxidado de uns doze centímetros de altura e sete de diâmetro, oco por dentro, todo ranhurado externamente e com tampa de rosca e pesado pra caramba. Buona gente, já se viu. Era da Arma de Cavalaria.

Segundo esse senhor, os militares da Cavalaria são normalmente mais abrutalhados, toscos e sem noção que os das outras Armas. Contou-me sobre um de patente mais graduada, que levantava a perna, peidava alto e dizia “Cavalaria!”.  Ao arrotar, fazia o mesmo. Devia ser a autêntica expressão do “Rudeness’ Pride”, do orgulho da própria grossura (ou rudeza). Segundo meu colega, uma característica comum naquela Arma.

Mas entrei nessa só para falar do orgulho que algumas pessoas aparentam ter da própria ignorância, pouco verniz civilizatório, falta de educação, ou como queiram chamar isso, porque o assunto de hoje é café, café gourmet.

Ganhamos de uma cunhada fodona e super conceituada três convites para um “Seminário Internacional do Café” que aconteceu em BH. Como sou viciado em café, lá fomos nós – eu, minha mulher e o filho mais novo. Antes, preciso de um parêntese: graças a duas noras e dois filhos metidos a entendedores de café, o produto que consumimos hoje em casa é “100% arábica” “torra média” e moído na hora, graças a um moedorzinho que minha mulher comprou pela internet. Uma das noras só bebe o café se tiver sido coado a não mais que quinze minutos. Apesar dessa frescura toda, o café fica bom mesmo. O problema é que os meninos ingerem uma bebida amarga (para mim, pelo menos), pois bebem aquela coisa sem açúcar nenhum. Fecha-se o parêntese.

Na Expominas, lugar onde aconteceu o seminário, encontravam-se dezenas de estandes de produtores, cada um – ou quase todos – oferecendo seu produto para degustação. E eu lá, encarando cada copinho que me estendiam. Mas tudo sem açúcar! Um dos expositores teve a coragem de vir com aquele papo de “acidez”, “sabor frutado” “complexo e encorpado”, como se estivesse falando de vinho francês.

Até tive vontade de comparar seu cafezinho com o famoso “Kopi Luwak”, o café cagado (produzido na Indonésia com grãos de café retirados das fezes de um bichinho chamado civeta e preço de mil dólares o quilo), mas estava com minha mulher ao lado e me segurei. Principalmente porque usaria a delicada expressão “café cagado”. Como eu queria dormir na minha cama, tive de me conter.

E aí é que eu queria chegar. Comecei a me sentir um bronco no meio daqueles "cafetões" (pessoas que vivem às custas do café, entendeu?), a sentir orgulho da minha própria ignorância "cafeeira" (talvez pudesse até dizer "cafe-feira"). Em que lugar da história ficaram os bebedores de café adoçado?

Até comentei com um ou dois expositores que estava me sentindo um muçulmano entre cristãos, pois o café que eu bebo diariamente leva açúcar (ou adoçante). Pude notar a expressão de horror em um deles, fazendo-me temer ser escorraçado da feira como herege e até a tomar um banho de água benta (fácil de acontecer, pois bastaria abençoar a chuva que caía sem parar). Para suavizar, contei a receita de café ensinada por meu falecido amigo Pintão.

Segundo ele, em um daqueles cafés do Rio de Janeiro do final do século XIX ou início do século XX, lia-se pintada na parede azulejada a seguinte frase, atribuída a um Barão de sei lá o quê, do tempo do império: "O café deve ser negro como a noite, quente como o inferno e doce como o amor". Nem esse lirismo todo abalou a rígida convicção  do cafetão.

A única coisa de positivo foi perceber que ao contar essas histórias eu estava exibindo um orgulho de gente inculta, incivilizada, o tal “Rudeness’ Pride”. Mesmo assim, fiquei irritado com essa frescura de café gourmet. Onde já se viu tomar café não adoçado? Meio contrariado, contabilizei mais esse fato na lista de comportamentos politicamente corretos que provocam em mim o desejo de mudar para outro planeta. A sorte é que ainda dá para rir um pouco desse tipo de coisa.

Hoje, ao contar para um conhecido a história do “muçulmano entre cristãos”, ele perguntou:
- Muçulmano não gosta de açúcar?
Não deu outra: fiquei feliz por constatar que a ignorância é um produto que nunca se extinguirá. Como diria um dos 2,3 leitores deste blog:
-Eita porra!

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

TIDU


- CHEGOU A HORA DE APAGAR O VELHINHO, VAMOS CANTAR...

- (Puta, que saco, meu!)

- ...AQUELA MUSIQUINHA, PARABÉNS, PARABÉNS...

- (Essa música é horrível!)

- ... PELO SEU ANIVERSÁRIO!!!    AÊÊÊÊ!!!!!...

- Tirando a música podre, obrigado pelo carinho!

- E aí, Ti Du, tá soprando quantos velhinhos hoje?

- Você não entende nada de velhinhos! NINGUÉM sopra velhinhos!

- Ferra ele, Tio!

- Quando é o caso, já se mete o cabra em uma UTI e procede-se à ventilação mecânica. Essa ventilação mecânica substitui a aspiração, "empurrando" o ar para dentro dos pulmões
.
- Puta merda, não tem nada mais gostoso que bolo de aniversário com aula de SAMU!

- Eu descobri isso no Google, pô! Sei lá, vai que...

- Que nada, Tio, você está bem demais! Mas não contou quantas velhinhas está soprando hoje...

- 69. E dispenso piadinhas com esse número, falou?

- Meia nove! Potaquipareu, é muita velhinha!

- Velinhas! Além do mais, nesta altura do campeonato, eu até que gostaria mesmo de soprar umas velhinhas. Talvez assim eu pudesse ver pelo menos uma delas apertando os olhinhos....

- Olha aí o Tio Du fazendo piada!

- ÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!...


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

BELORIZONTICES - TAVITO


Às vezes o Facebook serve para alguma coisa. Hoje, por exemplo, serviu. Um “amigo” desconhecido (porque nunca nos falamos ao vivo e a cores) postou o texto abaixo, escrito pelo músico e compositor mineiro Tavito (aquele do “sem querer fui me lembrar de uma rua e seus ramalhetes”), que fez parte da banda Som Imaginário, etc., etc. Achei muito legal e resolvi compartilhá-lo com os 2,3 leitores desta bagaça. Olhaí.

É uma sensação estranha nesse inacreditável ano da graça de 2018 três pontinhos, que é como eu o vejo e sinto; com a tensão do por acontecer, mas com a leveza da esperança conquistada sobre o já acontecido. Meio enrolado, mas verdadeiro. Nesses tempos de inimizades pesadas, Facebook pra cá, Twitter pra lá, Linkedin pracolá, cheguei à conclusão de que não posso, não devo e não quero prescindir da companhia direta e emocional de meus amigos, ainda que seja para exercícios de filosofia barata e brejeira, essa de porta de padaria, que transita na minha cabeça com tanta naturalidade.

Quero ter o direito de acreditar numa realidade um pouquinho melhor do que esta que aí está, a corriqueira verdade que vareja entre os Jaíres e os Inácios, os perdidos da FEBEM e os cidadãos de bem, a galera de Heliópolis e os abonados de Higienópolis.

Pretendo (e vou) tomar uma atitude ainda neste ano “três pontinhos” - vou passar quinze dias inteiros na minha Berzonte, Min'geraiss, não só porque devo, mas porque quero; aliás e principalmente, porque preciso. Quero polir meus contatos, que, por falta de manutenção estão dando um rame danado - deve ser o suor da insanidade. Quero beijar minha irmã e meus sobrinhos. Quero beijar meu pai, minha mãe e meu irmão mais velho, estes que infelizmente já se retiraram do mundo vigente, mas que continuam firmes pensando e falando lá nos ouvidos do coração.

Quero ver meus amigos irmãos de vida, muitos já-idos – além de dezenas e centenas de outros muitos personagens de minhas histórias, que conto, reconto e nunca confiro o prazo de validade dos protagonistas. Quero ir naquele primeiro quarteirão da Rua Ramalhete (que é o que vale pra nós), sentar o bundão no meio fio e ficar - só ficar - pelo menos meia hora. Quero ir a pé, como fazia antes, sem me esquecer de parar no botequim do Orélio pra comer uma paçoquinha de amendoim com Coca-Cola e sonhar agora os sonhos que tive um dia, apenas pra devolver-lhes as cores desbotadas pelo tempo. Quero sentir aquele sarro inocente em que se esfregava o pinto distraído por sobre os panos que se interpunham, recatados, entre nós e a maciez da pele das moças.

E quero sentar no antigo Chez Bastião, falar com Mestre Marteleto e seu olhar sorridente por trás dos óculos de tartaruga, ouvir as bravatas do Tuíca-proprietário, uma verdadeira metralhadora de decibéis, enquanto toco em meu violão as musiquinhas do velho Pacífico Mascarenhas, ou ainda alguma do velhíssimo Conjunto Farroupilha, ou ainda praticar uma gracinha daquele tipo em que as mulheres cantam "Eu sem você sou só desamor, um barco sem mar, um campo sem flor..." e os homens "Aaaaah, que saudade! Que vontade de ver renascer nossa vida...". Vai ser legal, sobretudo pra tentar salvar o que resta de meu 2018 três pontinhos.

E quero ver a mim mesmo, sem espelho. Não para derrubar muros de freira, nem jogar ovo nos outros, tampouco para sair peidando pelas ruas com aquele decavê azul roubado do pai. Vamos apenas juntar as moças e os moços e fazer uma festa mansa e preguiçosa pra comemorar o sonho, o tempo e a inevitável distância – que, como já disse o poeta, quando se encontram dão a fruta mais gostosa. E, em coro com minhas incertezas, pedir a Deus que continue nos dando o amor como padrão e o sonho como referência.


terça-feira, 6 de novembro de 2018

PENSAMENTOS DE MARX (DO GROUCHO, NÃO DO KARL)

A filosofia é a ciência que nos ensina a ser infelizes da maneira mais inteligente.

A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todos os lados, diagnosticá-los incorretamente e aplicar as piores soluções.

A sinceridade e a honestidade são as chaves do sucesso. Se puderes falsificá-las, estás garantido.

Acho a televisão muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho vou para outra sala e leio um livro.

Algumas pessoas afirmam que o casamento interfere no romance. Não há dúvidas sobre isso. Sempre que você tem um romance, sua esposa é obrigada a interferir.

Antes que eu discurse, tenho algo importante para dizer.

Apenas um homem em mil é um líder de homens - os outros 999 seguem mulheres.

Aprenda com os erros dos outros. Você nunca pode viver o suficiente para fazer tudo sozinho.

As noivas modernas preferem conservar os buquês e jogar seus maridos fora.

Atrás de todo homem bem-sucedido, existe uma mulher. E, atrás desta, existe a mulher dele.

Bem-aventurados os quebrados, porque deixarão entrar a luz.

Certa manhã, atirei em um elefante de pijama. Como ele entrou no meu pijama eu nunca vou saber.

Do momento em que peguei seu livro até o que larguei, eu não consegui parar de rir. Um dia, eu pretendo lê-lo.

Ela conseguiu sua aparência de seu pai. Ele é cirurgião plástico.

Ele pode parecer um idiota e falar como um idiota, mas não deixe que isso te engane. Ele realmente é um idiota.

Embora o dinheiro não possa comprar felicidade, certamente permite que você escolha sua própria forma de miséria.

Esses são meus princípios, e se você não gosta deles ... bem, eu tenho outros.

Eu - e não os acontecimentos - tenho o poder de me fazer sentir feliz ou infeliz hoje. Eu posso escolher como é que quero estar. O ontem está morto, o amanhã ainda não chegou. Eu tenho apenas este dia, o de hoje, e vou ser feliz enquanto este decorrer.

Eu bebo para tornar as outras pessoas interessantes.

Eu corri atrás de uma garota por dois anos apenas para descobrir que os seus gostos eram exatamente como os meus: Nós dois éramos loucos por garotas.

Eu fui casado por um juiz. Eu deveria ter pedido por um júri.

Eu me lembro da primeira vez que fiz sexo. Guardei até o recibo.

Eu não posso dizer que não discordo de você.

Eu não sei o que você tem a dizer; não faz diferença mesmo; seja o que for, eu sou contra!

Eu não sou louco pela realidade, mas ainda é o único lugar para conseguir uma refeição decente.

Eu não sou vegetariano, mas como animais que são.

Eu não tenho nada além de respeito por você - e não muito disso.

Eu nunca esqueço um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma exceção.

Eu pretendo viver para sempre, ou morrer tentando.

Eu quero ser cremado. Um décimo das minhas cinzas deve ser dado ao meu agente, assim como está escrito em nosso contrato.

Ficar mais velho não é problema. Tens apenas que viver o tempo suficiente.

Há muitas coisas na vida mais importantes que o dinheiro, mas custam tanto...

Inteligência Militar é uma contradição em termos.

Não entro para clubes que me aceitam como sócio.

Nenhum homem desaparece antes do seu tempo - a não ser que o seu chefe saia primeiro.

Nós temos que ter uma guerra. Eu já paguei um mês de aluguel no campo de batalha

O homem não controla o seu próprio destino. A mulher da sua vida fá-lo por ele.

O humor é a razão a enlouquecer.

O matrimônio é a principal causa do divórcio.

O matrimônio é uma grande instituição. Naturalmente, se você gostar de viver em uma instituição.

Por que eu deveria me importar com a posteridade? Ela nunca fez nada por mim.

Qualquer um que diz que consegue ver através das mulheres está perdendo muito.

Se acredito na vida após a morte? Não sei nem se acredito na vida antes da morte! Acho que acredito na morte durante a vida.

Se já ouviste esta história antes, não me interrompas, porque eu gostaria de ouvi-la outra vez.

Se um gato preto cruza seu caminho, isso significa que o animal está indo para algum lugar.

Se você não está se divertindo, está fazendo algo errado.

Só há uma forma de saber se um homem é honesto... pergunte-o. Se ele disser 'sim', então você sabe que ele é corrupto.

Só me dê um sofá confortável, um cachorro, um bom livro e uma mulher. Então, se você conseguir que o cachorro vá a algum lugar e leia o livro, eu posso me divertir um pouco.

Uma cama de hospital é um taxi estacionado com o taxímetro a correr.


sábado, 3 de novembro de 2018

NOSTRADAMUS - EDUARDO DUSEK


Sabe, meu caro Dusek, sou seu fã desde o dia em que entre encantado e divertido assisti na TV sua interpretação de “Nostradamus”. Rolava um festival de MPB (talvez um dos últimos realizados) e lembro-me de vê-lo chegar trajando um paletó de fraque e bermuda (o que, na época, pensei que fosse). Você trazia preso a um barbante um balão cheio de gás, solto antes de sentar-se ao piano. E aquela música incrível, genial, cantada com uma voz meio anasalada, meio empostada. Foi realmente uma apresentação inesquecível.

Mas sua música possui um “defeito” grave (talvez fosse melhor dizer “suas músicas”): ela tem ironia, sarcasmo e humor, coisa que a maioria do povo brasileiro não entende nem assimila bem, acostumado que está às músicas de “sofrência” (dureza, meu irmão!), de corno, breganejas, pagodinhos, etc., etc. Em outras palavras, “a massa” não tem paladar para apreciar e comer seu “biscoito fino”, contradizendo a profecia/desejo de Oswald de Andrade.

Você, “infelizmente”, pertence a uma categoria seletíssima de compositores que sempre abusaram da ironia e humor em suas letras e músicas, por isso mesmo causando estranhamento e retorno financeiro menor que gente muito ruim consegue e sempre conseguiu. Você, melhor que eu, sabe identificar esse pessoal.

Bem, já falei demais, mas, depois de ler seu texto, não pude resistir à tentação de externar a admiração que sempre tive por você. Em outras palavras, você é foda! (mas as imagens do seu clipe oficial lembram muito as aberturas antigas do “Fantástico” – e isto não é um elogio).



CIRANDA

Ontem, enquanto tomava banho, veio à mente o pensamento "Como é fácil sentir-se triste na velhice!", pois estava meio triste, meio putão, "de bode", como na música "Nostradamus", do Eduardo Dusek. Aí fiquei mastigando a frase enquanto a água escorria sobre minha cabeça. Comecei a alterar a ordem e a trocar palavras como se quisesse lavar o sentido, para ver se saía alguma coisa melhor. A prova de que não saiu está aí abaixo.


Cada dado é uma palavra, cada palavra é um dado” (Sérgio Ricardo)

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O QUE VOCÊ FARÁ?


O que você fará quando meu lado da cama ficar vazio?
Continuará tendo os sentimentos que trocou pelos antigos?
Ou recriará na mente lembranças há muito perdidas?

Família...
Quanta ironia invisível em uma palavra tão familiar!
Soma de sentimentos que foram verdade um dia?
Ou mandala de clichês escritos em um porta-chaves?

Ligação, fraternidade, presença, paixão, harmonia
Cuidado, respeito, valores, igualdade, sabedoria? Não!
Aprendizado, perdão, cumplicidade, compreensão
Riqueza, alegria, abraço, diálogo, paz, amor, união? Não.

Definição de família que nunca existiu
Ou logo se extinguiu.
Bons sentimentos, inaplicáveis no dia a dia
Ideais apenas para modular o sorriso em fotografias.

Alheamento, antagonismo, ausência, aversão, caos
Descaso, intolerância, desregramento, parcialidade, estupidez? Sim!
Desagregação, ódio, incompreensão, conflito, privação
Inveja, indiferença, silêncio, prostração, desprezo, repulsa? Sim.

O que você fará quando meu lado da cama ficar vazio?
Por favor, não me leve flores
Não me leve flores no dia de Finados.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

INSIDE OF ME

Esta “coisa” surgiu a partir de recordações mais ou menos dolorosas, baixa autoestima transitória e um pouco de melancolia. Imaginei fazer uma lista de algumas palavras com o prefixo de negação “in”, em ordem decrescente de tamanho, até terminar apenas no próprio prefixo. Seria a junção de sentimentos interiores - um verdadeiro insight - e um trocadilho com a palavra inglesa “in”. Só que não deu certo, pois descobri que “in” traduz-se para “em”. Aí precisei usar a palavra “inside”. E terminei com “insight”. O resultado ficou tão esquisito que, de vergonha, optei por considerá-lo apenas uma imagem, indexada na seção “Eu não sei desenhar”.




segunda-feira, 29 de outubro de 2018

THE DAY AFTER

ACIMA DE TUDO
Considerando que o Brasil é um país laico, acredito que o slogan do candidato Bolsonaro (“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”) poderia ser modificado, para transformar-se no slogan do presidente eleito Bolsonaro.
Em respeito não só à religião e crenças dos cristãos católicos e não católicos, mas também às religiões e crenças dos espíritas, umbandistas, budistas, hinduístas, cientologistas, islâmicos, judeus, animistas, neopaganistas, seguidores da fé Bahá’i ou do candomblé e ainda à descrença de agnósticos e ateus, o slogan ficaria melhor assim:
BRASIL ACIMA DE TUDO, BRASILEIROS ACIMA DO BRASIL.
Porque o que realmente importa não é um “quintal circundado por cercas embandeiradas”, na feliz imagem de Raul Seixas/ Paulo Coelho, não é um país, mas o povo que nele vive. (só pra lembrar, eu sou católico praticante – apesar do livro “Sapiens”).


URBANIDADE
Eu era um jovem adulto quando vi pela última vez um comportamento que sempre achava bacana: eu e um senhor idoso de paletó, chapéu e aparência humilde caminhávamos pela mesma calçada, mas em sentidos opostos. Ao passar por mim, levantou ligeiramente o chapéu em uma discreta mesura e disse “Bom dia”. Nunca me esqueci da beleza contida daquele gesto antes tão comum!
Não precisamos mais usar chapéu, mas, a partir de agora, precisamos reaprender – e praticar – o significado de Civilidade. Em outras palavras, Educação, Respeito ao próximo, Cortesia, Gentileza, Polidez, Urbanidade.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

GUERRA DE TRINCHEIRAS

Observando o comportamento e reações dos partidários desse ou daquele candidato a presidente nas redes sociais e, mais especificamente no Facebook, tive a nítida sensação de tratar-se de um confronto de torcidas organizadas ou mesmo de uma guerra de trincheiras, daquelas que foram travadas na guerra de 1914-1918. Pelo que sei, os soldados ficavam enfurnados naquelas valas por longo período, trocando tiros com o inimigo, sem que isso resultasse em grande coisa. Sofria-se muito, mas ninguém mudava de lado, ninguém se rendia.

Guardadas as devidas proporções, quase a mesma coisa acontece hoje entre bolsonaristas e petistas. Trocam-se insultos, acusações, fake news, textos em mau português, intolerância, medo e ódio, mas nada disso convence alguém a mudar seu voto. E fica aquela aporrinhação mútua o tempo todo. Nos últimos tempos tem mais fake news compartilhada circulando na internet que correntes de orações ou imagens de bichinhos fofinhos. É mole?


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

REHAB


Prevendo uma necessária desintoxicação de alguns amigos a partir do dia 29/10, sugiro as seguintes atividades para a “rehab” dos mais necessitados:

- Passar a limpo as receitas que estão no caderno da vovó (titia, mamãe, priminha, Margie Simpson, etc.);

- Fazer uma pequena biografia da cantora Annita, comparando sua música com o samba partido alto (ou bossa nova ou jazz ou choro ou jongo, etc.);

- Assistir as últimas gravações d’A Fazenda e elaborar um bolão sobre quem ganhará;

- Tentar criar um produto novo, tipo “sorveja” (cerveja à base de sorvete) ou “cervete” (sorvete à base de cerveja). Se der certo, arranjar alguém que queira investir no negócio;

- Cantar aquela música de fim de ano da Globo: “Hoje é um novo dia, um novo tempo”, etc., etc.  (se quiser, pode substituir pela música “Vai passar”, do Chico Buarque).

Se nada disso der certo e a dor de corno continuar, o negócio é encher a cara (mesmo que seja segunda-feira).

O BRASILEIRO É CORDIAL - 02 (FINAL)

Com estas frases extraídas do meu perfil de Facebook encerro minha aporrinhação aos "amigos" dessa rede social. Se eles não se cansaram, eu, pelo menos, fiquei de saco cheio. Pensei em mais algumas frases para cutucar o bom mocismo do pessoal, mas não tive paciência de postá-las na rede nem vontade de registrá-las no blog, pois são muito, muito sem graça. Além do mais, esgotei as "opções de padronagem" oferecidas pelo Facebook (bem ridículas e infantis, para dizer o mínimo).

 

AFINAL, O BRASILEIRO É CORDIAL?


Nos últimos tempos tenho me divertido em postar frases provocativas no Facebook, só para espicaçar ou provocar meus 127 “amigos de Facebook”. Essas postagens sempre começaram com a frase “O brasileiro é cordial!”, seguida de um comentário pessoal, não necessariamente motivado por alguma notícia recente. E a razão de ter feito isso reside no fato de que a defesa de candidaturas e posições políticas tem gerado uma histeria tão grande e reações tão explosivas que acabo pensando que essa propalada crença na cordialidade do brasileiro pode ser apenas um equívoco, ou, no mínimo, um pouco de "ufanismo social".

Apesar disso, pude contar com a cordialidade de meus amigos, pois nunca fui agredido por nenhum deles, talvez por levar tudo na brincadeira, na ironia e gozação. Cutuquei petistas e bolsonaristas sem nenhum problema, pela simples vontade de tentar provocar o riso e desarmar os espíritos. Talvez tenha sido considerado inconveniente ou chato pra caramba, o "mala da internet", pois não me posiciono claramente. Meu negócio sempre foi tentar mostrar que "o rei está nu" (qualquer “rei”).

 Mas percebi uma coisa preocupante e verdadeira: muitas "amizades" foram abaladas ou desfeitas justamente pelos envolvidos não suportarem ver seus "amigos" com opiniões e crenças antagônicas às suas. Isso é realmente triste, pois, para mim, indica também uma visão estreita da vida. Essa visão estreita é que leva à violência verbal e, às vezes, até à física. Por isso mesmo é que me surpreendi ao ver que pessoas tão gentis e amistosas no dia a dia tenham se mostrado como se fossem ogros (ou ogras). Nesses casos, achei uma solução provisória, que durará só até o dia da eleição do segundo turno: deixei de seguir os mais chatos e exaltados, independente de suas escolhas eleitorais.

Tenho certeza (por já ter sido cobrado por isso) que alguns estranham minha “neutralidade”, pois porto-me como se fosse só um espectador. Mas o que vejo, leio ou fico sabendo às vezes me deixa arrepiado, tal o espanto que me causam as fake news. Mas, se fosse "só" isso, dava para suportar um pouco. O que realmente me surpreende são os comentários de pessoas que eu julgaria as mais equilibradas e tranquilas, gente que posta fotos de bichinhos fofinhos, flores e orações. O que vejo são pessoas “cordiais” distribuindo "voadoras” do pescoço para cima, verdadeiros golpes (virtuais) de MMA, tão grande é a agressividade que expressam.

Quando criança, quase feri meu pé ao pisar despreocupadamente em um monte de serragem já quase totalmente queimada, mas ainda fumegante. Mal comparando, hoje eu percebo que muitas pessoas são como essa serragem queimando “inofensivamente”. Por cima, ficam as cinzas e uma fumacinha saindo. Mas não queira bulir nesse monte, pois em baixo há brasa e fogo.

Talvez as redes sociais liberem comportamentos e reações que no mundo real (não virtual) as pessoas se preocupem em controlar ou não exibir. Ou seja, paixão em estado puro, como se fosse uma guerra de torcidas enlouquecidas. Por isso mesmo, eu tenho feito brincadeiras e ironias com essa frase tão simpática. E, se querem saber minha resposta à pergunta "o brasileiro é cordial?", a resposta é "Não". Mesmo que aparente ser.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

TEXTO FORA DE CONTEXTO

Hoje em dia (talvez tenha sido sempre assim) as pessoas aparentam ter preguiça de ler textos com mais de quatro frases. Deve ser esse o motivo dos posts publicados nas redes sociais geralmente vir acompanhados de imagens e com a primeira frase em destaque. A partir daí, o que rola é só interpretação.

Por isso, resolvi fazer uma experiência (duas, na verdade): busquei na internet frases com origens e datas distintas sobre determinado tema, interliguei tudo e tirei uma conclusão. Só falta agora dar destaque à conclusão, arranjar uma boa imagem e publicar no Facebook. Creio que fará o maior sucesso.


BREJA (CERVA)
- Cresce o consumo de cerveja artesanal no Brasil
- Com 15 cervejarias artesanais, Grande BH se consolida como o 'cinturão da cevada' em MG
- Trump questiona influência do homem em mudanças climáticas ao visitar áreas varridas por furacão
- Amantes de cerveja vão enfrentar escassez com mudanças climáticas, diz estudo

Conclusão possível: o presidente dos EUA é a maior ameaça ao polo cervejeiro de BH. Ah, Trumpalhão!


BOZO (COISO)
- Bolsonaro:meus filhos foram muito bem educados
- Em vídeo, filho de Bolsonaro diz que para fechar o STF basta 'um soldado e um cabo'
- Bolsonaro reprova fala de filho: "Se propôs fechar STF, precisa de psiquiatra"
- Le Monde: ódio ao PT impulsiona extrema-direita no Brasil

Conclusão possível: o PT é a maior ameaça à democracia brasileira. Ah, PT filhadaputa!






domingo, 21 de outubro de 2018

O BRASILEIRO É CORDIAL - 01


O brasileiro é cordial”. Essa belezura de frase foi criada pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, também conhecido como “pai do Chico Buarque” (tal como ele mesmo se definiu uma vez). Mesmo que tenha sido criada em outro contexto, o fato é que parece slogan publicitário, de tão boa que é. Por isso mesmo, resolvi utilizá-la neste período eleitoral para introduzir comentários “tweet” que venho fazendo no Facebook a propósito de coisas que leio na grande mídia ou nos posts e comentários de “amigos” e amigos de amigos. Afinal, eu sou o “mala da internet”. Em outras palavras: você discorda de alguma coisa? Só por isso eu vou concordar. E vice versa.

A ideia de fazer frases curtas é para aproveitar o destaque que essa rede proporciona, não só pelas letras maiores como pelas padronagens (meio bizarras) disponíveis. Não há alvo pré-determinado, só o desejo de ironizar as verdades estabelecidas, o moralismo (seja ele falso ou verdadeiro) e o destempero verbal dos mais “entusiasmados”. Coisa de gente mala. Como estava meio sem assunto, resolvi postar no blog um lote dessas frases tal como sairam no Facebook. A ordem de postagem na rede é inversa. A primeira delas é uma referência à facada que o Bolsonaro recebeu. São fraquinhas, eu sei, mas são minhas.