segunda-feira, 31 de agosto de 2026

LOTERIA

 

Tenho andado com uma mega sanha de ganhar na loteria. Se esse milagre acontecer, meu desejo é comprar uma casa à beira de uma praia semideserta e mudar para lá.

Usarei uma blusa específica para me proteger dos raios solares e um chapéu ridículo para não deixar que se queime meu couro cabeludo ou meu pescoço.

Morarei nesse paraíso até morrer. Andarei no limite entre a areia e a água do mar, onde as ondas se espraiam. Ou ficarei sentado à sombra, apenas contemplando o vai e vem infinito das ondas.

Quieto, em silêncio.

E farei muitas viagens, mas só para dentro de mim mesmo.

REAL

 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

BOLHA!

 
Sempre tive alguma dificuldade de pertencer a grupos, talvez por possuir um temperamento um tanto antissocial, que me faz ficar de saco cheio com as bobagens ditas por alguns.
 
Hoje, mesmo sem muito interesse, acabei sendo incluído em três grupos do whatsapp. O que eles têm em comum é a absurda necessidade dos membros de postar mensagens irrelevantes e chatas, geralmente coloridas e copiadas de outros grupos a que também pertencem.
 
Até aí, tudo bem – snoopys dizendo bom dia, orações, animações feitas por IA, vídeos de crianças bonitinhas – que não são parentes de ninguém – fazendo ou dizendo coisas engraçadinhas, etc.
 
Mas o que pega mesmo são as mensagens de cunho ideológico. Ainda mais nesta época pré-eleitoral. Meu Deus, a sensação é de estar em um comício!
 
Foi aí que pensei que os grupos sociais – e não duvido que todos sejam assim – seriam mais bem definidos se fossem chamados de bolhas sociais.
 
Já, já estou furando essas bolhas e pulando fora de todos!

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

BABY, IT’S COLD OUTSIDE

 
Morreu a cantora Dolly Parton. Praticamente nada sei dela, à exceção de ser, digamos, muito “volumosa” e ter gravado com Rod Stewart (um conquistador na vida real)  a música Baby, It’s Cold Outside. A música é uma delícia de ouvir e a letra é pura sedução e recusa – uma recusa não tão firme assim. E esta é minha homenagem a essa cantora, morta aos 80 anos.
Ouça a música e leia a tradução feita pelo ChatGPT


 
[Dolly — relutante] Eu realmente não posso ficar
[Rod — sedutor] Querida, está frio lá fora
 
[Dolly] Tenho que ir embora
[Rod] Querida, está frio lá fora
 
[Dolly] Esta noite foi...
[Rod] Eu estava torcendo para que você aparecesse
 
[Dolly] Tão agradável
[Rod] Vou segurar suas mãos, estão geladas como gelo
 
[Dolly] Minha mãe vai começar a se preocupar
[Rod] Linda, por que tanta pressa?
 
[Dolly] E meu pai vai ficar andando de um lado para outro
[Rod] Escute só o fogo crepitando na lareira
 
[Dolly] Agora, de verdade, é melhor eu ir depressa
[Rod] Meu bem, por que tanta pressa?
 
[Dolly] Bem, talvez só mais meio drinque
[Rod] Coloque um disco para tocar enquanto eu sirvo
 
[Dolly] Todos os vizinhos podem pensar...
[Rod] Mas, querida, lá fora está horrível
 
[Dolly] Diga, o que tem nesta bebida?
[Rod] Não há táxis disponíveis lá fora
 
[Dolly] Ah, quem me dera saber como
[Rod] Seus olhos estão brilhando como estrelas agora
 
[Dolly] Romper este encantamento
[Rod] Vou pegar seu chapéu; seu cabelo está lindo
 
[Dolly] Eu deveria dizer não, não, não, senhor
[Rod] Importa-se se eu chegar um pouquinho mais perto?
 
[Dolly] Pelo menos vou dizer que tentei
[Rod] De que adianta ferir meu orgulho?
 
[Dolly] Eu realmente não posso ficar
[Rod] Querida, não resista
[Dolly] Ah, mas está frio lá fora
 
 [Dolly] Eu simplesmente tenho que ir
[Rod] Querida, está frio lá fora
 
[Dolly] A resposta é não
[Rod] Mas, querida, lá fora está frio
 
[Dolly] Ah, esta recepção foi...
[Rod] Que sorte você ter aparecido
 
[Dolly] Tão agradável e aconchegante
[Rod] Olhe pela janela para aquela tempestade
 
[Dolly] Minha irmã vai desconfiar
[Rod] Deus, seus lábios parecem deliciosos
 
[Dolly] Meu irmão estará lá na porta
[Rod] Ondas numa praia tropical
 
[Dolly] Ah, minha tia solteirona tem uma mente perversa
[Rod] Ah, querida, você é deliciosa
 
[Dolly] Bem, talvez só mais um beijinho
[Rod] Nunca vi uma nevasca assim antes
 
[Dolly] Ah, tenho que ir para casa
[Rod] Você vai congelar lá fora
 
[Dolly] Diga, me empresta um pente?
[Rod] A neve está chegando aos seus joelhos lá fora
 
[Dolly] Você foi realmente maravilhoso
[Rod] Eu fico arrepiado quando você toca minha mão
 
[Dolly] Mas você não percebe?
[Rod] Como você pode fazer isso comigo?
 
[Dolly] Amanhã certamente vão falar de nós
[Rod] Transformando isso na minha eterna tristeza
 
[Dolly] Bem, pelo menos haverá muita coisa para insinuar
[Rod] Se você pegasse uma pneumonia e morresse
 
[Dolly] Mas eu realmente não posso ficar
[Rod] Esqueça essa história de ir embora
 
[Ambos] Querida, está frio lá fora
 
 
 
[Dolly] Ei, eu tenho que sair daqui.
[Rod] Vamos, querida.
 
[Dolly] Vamos, o quê?
[Rod] Me dê só mais cinco minutos.
 
[Dolly] Você sabe mesmo como cansar uma mulher até ela ceder, não é?
[Dolly] Está bem, está bem, está bem, está bem...

terça-feira, 25 de agosto de 2026

SAMBA!

 
Tenho andado meio sumido da blogosfera pelo simples motivo de não ter nada a dizer. Nenhum caso para contar, nenhuma história, nenhuma bobagem que me pareça digna de ser publicada. E o mais estranho é não sentir aquele antigo desejo paranoico de postar qualquer coisa quase todos os dias.
 
Só para se ter uma ideia: desde a criação do blog, há doze anos – ou 4.460 dias –, foram feitas 3.600 postagens. Trocando em miúdos, um novo post a cada 1,3 dia.
 
Desnecessário dizer que essa chama quase se apagou. Para soprar as cinzas que escondiam o braseiro, resolvi pedir à Suno que musicasse um poema bola-murcha que rascunhei alguns dias atrás. Depois de quatro tentativas, descobri que a simplicidade dos versos combinava com o samba.
 
E é este o resultado que compartilho agora com vocês. Se gostarem, ótimo. Se não gostarem, liguem para o 0800 foda-se.




sexta-feira, 21 de agosto de 2026

AFRODITE

 
Se eu soubesse como seria ter novo amor,
O risco que eu correria de amar sem medida,
Maré alta, sujeita a ressaca – que invade a praia
E coloca em perigo o banhista,
Eu não teria tentado, eu não teria querido
Reviver um passado distante, praticamente esquecido.
Teria disso fugido, não teria desejado tanto
Redescobrir esse amor escondido.
 
Melhor seria não deixar esse amor florescer
E pegar uma baranga qualquer,
Que fosse apenas bonita e gostosa, mulher
Para deitar na minha cama, fazer cafuné,
Andar de mãos dadas e até,
Talvez – namorar todo dia.
 
Mas jamais faria a besteira de me deixar apaixonar,
De sentir saudade de alguém todo dia, querer com ela estar,
Sonhando com isso acordado, desejo absurdo, impossível,
Pois não há no amor simetria.
Então, melhor seria não dar a esse amor o poder
De tomar de assalto corpo, mente, tudo,
O coração, tudo, tudo, integralmente.
 
Estava nessa divagação, lamentando não ter pensado assim antes,
Sabendo que agora é tarde, pois não mais consigo
Libertar-me do amor que deixei renascer.
 
Sem entender se delirava ou sonhava enquanto dormia,
Pensei uma deusa do amor consultar,
Querendo saber o que diria, sorver sua sabedoria.
Contar-lhe tudo o que sentia. Que conselhos me daria?
 
Pois Afrodite, a deusa do amor consultada,
Aquela desgraçada, riu de mim!
E disse não haver solução pra velhice,
Que amor não tem idade, quem tem idade é quem ama,
Que amores maduros são frutas desidratadas,
Por mais que se deseje o contrário, que fossem
Sumarentas, carnudas.
Já foram, não são mais.
 
E que o máximo que posso fazer
É aceitar este fato, entender
Que o amor que desperto em alguém –
Se realmente desperto – nunca será como antes,
No tempo da juventude. E é pegar ou largar,
Sem reclamar, pois isso não mais mudará.
 
Ah, Afrodite, sua sacana!
 Deusa do amor? Pois sim...
E ainda há quem nela acredite! Ah, Afrodite...

 

LOTERIA

  Tenho andado com uma mega sanha de ganhar na loteria. Se esse milagre acontecer, meu desejo é comprar uma casa à beira de uma praia semide...