sábado, 19 de maio de 2018

BANNER

É uma coisa terrível quando acontece de você acreditar já ter chegado ao fundo do poço em matéria de falta de senso de ridículo; de repente, você pode descobrir que só arranhou a superfície. Olhaí (acreditem, eu tive de explicar essa piada obscenamente ruim para um conhecido).




quinta-feira, 17 de maio de 2018

PALETA EM PRETO E BRANCO

Graças à minha inclusão em um grupo fechado do Facebook formado por pessoas apaixonadas pela memória de BH contada através de imagens antigas, tenho visto muitas fotografias em preto e branco de prédios, pessoas, monumentos e cenas do cotidiano que ajudam a formar um belo mosaico da história da cidade. Algumas imagens são lindíssimas. Por isso, lembrei-me de um pequeno texto que escrevi em 2016, que transcrevo a seguir:

Outro dia, enquanto via algumas fotos antigas, fiquei pensando que talvez gostemos de achar que a vida ali retratada também era em preto e branco – mais simples, mais previsível, sem dúvidas ou questionamentos –, longe da paleta de cores fortes que as emoções, embates e conflitos do dia-a-dia real utilizam.





VOCÊ SABE O QUE É SEMICÚPIO?


Há muitos anos, eu e minha mulher, após o almoço, tínhamos o costume de sair dando voltas de carro pelo bairro onde moramos. Entrávamos em uma rua, íamos até o final, virávamos à direita ou esquerda e ficávamos nisso até enjoar. Minha mulher dizia que era para descansar a mente dos afazeres que acabara de concluir ou que a esperavam na parte da tarde. Com quatro crianças, sem empregada (nunca gostou), a barra era realmente pesada para ela.

Por isso, dávamos notícia de tudo quanto era imóvel com placa de “vende-se” ou “aluga-se”. Às vezes, fixávamos a atenção em alguma casa que acreditávamos valer a pena ser comprada. Numa dessas vezes, depois de alguma amiga ou amigo nos consultar sobre as “ofertas” do momento, resolvemos investigar uma casa que estava vazia e muito machucada pelo abandono prolongado.

O primeiro passo foi tentar descobrir quem eram os proprietários. Para isso, começamos a perguntar aos vizinhos se os conheciam, como poderíamos falar com eles, etc. Naquela época, Santa Tereza era um bairro com predominância de casas mais simples, habitadas pelas mesmas famílias por várias gerações. Mesmo assim, tivemos dificuldade em identificar os herdeiros, pois os antigos moradores tinham morrido há muito tempo. Em compensação, conseguimos descobrir quem tomava conta do imóvel. “Tomar conta”, no caso, consistia apenas em ter as chaves para pegar contas de IPTU e assemelhados ou evitar sua invasão por moradores de rua, pois a casa era uma ruína só.

Muito bem. Identificado o “zelador”, pedimos que nos mostrasse a casa por dentro, “pois tínhamos uma amiga interessada, bla bla bla”. Apesar de demonstrar certa impaciência, aceitou atender nosso pedido. Quando entramos no imóvel, tive a sensação que uma bomba potente poderia ser uma boa solução para corrigir o estado da construção. Falando mais claramente, a demolição integral e reconstrução do zero parecia ser a coisa mais sensata a se fazer.

Antes, preciso dizer que fomos informados de que “a casa estava em processo de inventário e partilha, e que ainda demoraria um pouco para poder ser vendida, bla bla bla”. Obviamente, nossa amiga (ou amigo) não se dispôs a esperar. Mas um detalhe, um único e insignificante detalhe fez com que eu nunca mais me esquecesse dessa casa. E esse detalhe estava no banheiro, surpreendentemente o cômodo mais bem conservado da casa.

Era um banheiro grande, espaçoso e, além dos previsíveis chuveiro, vaso e lavatório, possuía duas peças em ferro fundido esmaltado: uma banheira com pés em forma de garra e... uma bacia com diâmetro provável de 60 a 80 centímetros, com as mesmas características da banheira: pés em forma de garra, ralo e entrada de água.

Perguntei ao “zelador” qual seria a finalidade daquela “coisa” e ele sabia! Disse-me ser uma “bacia para lavar os pés antes de deitar”. Lembrando-me da escassez de água que tinha afligido Belo Horizonte, achei que era realmente uma peça de utilidade indiscutível. Fiquei tão encantado que cheguei a pensar em comprar o imóvel, só para ficar com aquela relíquia para mim (para ser sincero, eu tenho a mania de pensar coisas que não consigo realizar. Mas isso é outra história).

O fato é que nunca tinha visto aquilo antes. A casa um dia foi vendida e demolida. Em seu lugar construíram nova casa em estilo “colonioso”, sem nenhum charme especial. Nem consigo imaginar o que pode ter sido feito com aquela bacia. Para ser sincero, embora tenha procurado na internet, nunca mais consegui ver outra igual. Até hoje!

Graças à minha inclusão em um grupo fechado do Facebook, composto por fãs (verdadeiros fanáticos) de fotos antigas de BH, tive a oportunidade de ver uma foto dessa peça que tanto fascínio causou em mim. Graças também à extrema gentileza de uma senhora desse grupo que a fotografou, fiquei até mesmo sabendo o nome da “coisa”, hoje poética e adequadamente transformada em canteiro de begônias em sua casa.

Querem saber o nome da relíquia? Chama-se “Semicúpio”. Segundo o dicionário, “semicúpio” é um substantivo masculino e possui dois significados:
- banho de imersão da parte inferior do corpo; banho de asseio, banho de assento.
- peça sanitária apropriada para banho de assento (banheira, bacia etc.).

É por essas e outras que eu sempre digo: Facebook também é cultura! Olha o semicúpio aí, gente!



terça-feira, 15 de maio de 2018

PALIMPSESTO EMOCIONAL


Graças ao livro “Deuses, Túmulos e Sábios” lido e relido na adolescência e já citado aqui no blog, fiquei sabendo um pouco da história (ou aventura) de um arqueólogo (ou sonhador) alemão, de nome Schliemann, Heinrich Schliemann. O livro fala das escavações que fez para descobrir as ruínas de Tróia, baseado apenas na crença da veracidade dos relatos contidos na Ilíada. E, apesar de ser essa uma aposta fadada ao mais absoluto fracasso – por absoluta improbabilidade –, o sujeito estava certo (apesar de errado nas conclusões).

Segundo o livro, ele descobriu vestígios de várias ocupações (ou cidades) superpostas, erguidas sobre as ruínas das anteriores.  Nessa brincadeira, acabou concluindo que a Tróia homérica estava em um nível diferente do que arqueólogos posteriores entenderam ser o correto. Achei a história fascinante, pois nunca seria capaz de imaginar essa superposição de épocas e civilizações.


Anos depois,em uma das centenas (ou milhares) de conversas que tive com meu amigo Pintão nos treze anos em que trabalhamos na mesma empresa, fiquei sabendo dos palimpsestos. Meu amigo tinha uma baita cultura e contou-me do costume na Idade Média de se raspar um pergaminho para reutilizá-lo. Explicou-me que os pergaminhos eram material caro e de obtenção nem tão fácil assim. Por isso, era mais simples raspar o texto original e registrar um novo. Contou ainda que muitos estavam sendo relidos graças a técnicas de raio X ou coisa parecida.


Recentemente, fui incluído (sem prévia consulta) em um grupo fechado do Facebook, formado por quase 20.000 pessoas que amam fotos antigas de BH. O mais legal desta inclusão é descobrir que os participantes conhecem muito da história da cidade e de suas construções, ruas, personalidades e viadutos, pesquisam arquivos públicos, etc.

A coisa mais comum nesse grupo é alguém postar fotos de casas e prédios que já não existem mais, demolidos para a construção de edifícios maiores e mais modernos (?). Em uma dessas ocasiões um dos participantes publicou a foto de uma casa lindíssima do início do século XX, já demolida e substituída por outra construção. Muitos elogiaram, centenas “curtiram”, outro tanto lamentou a demolição e alguém fez o seguinte comentário: “Palimpsesto...” Achei genial essa associação de ideias.

Lembrei-me da Tróia do Schliemann e de tantas outras ruínas e edificações mundo afora, demolidas ou destruídas para dar lugar a palácios, igrejas e outros monumentos. E me dei conta da pertinência e utilidade do significado de palimpsesto quando também aplicado às cidades e construções, transformadas em verdadeiros palimpsestos urbanísticos e arquitetônicos.


Mas algumas ideias colam mais que outras na minha cabeça, justamente por estar sempre pensando através de associações e releituras de conceitos, palavras e (repetindo) ideias. E uma dessas releituras que fiz é a extensão do conceito de palimpsesto à Vida de um modo geral (ou, pelo menos, à minha vida). Afinal, há muito tempo venho tentando raspar conceitos ultrapassados, emoções rançosas, sentimentos em desuso e crenças equivocadas, tentando escrever e registrar novas ideias, novos pensamentos, novas emoções, outras crenças.

Nessa caminhada ziguezagueante confesso que nem sempre consegui bom resultado, pois já rasguei ou danifiquei pergaminhos, registrei textos de qualidade inferior e relevância duvidosa, a caligrafia saiu tremida, borrada ou ilegível. Mesmo assim, continuo tentando entender o sentido desse palimpsesto emocional.


segunda-feira, 14 de maio de 2018

SINGULARIDADES

Ontem se comemorou mais um Dia das Mães. Seria só mais um de tantos já comemorados, não fosse o fato de ser este o primeiro acontecido após a morte de meu cunhado Taco. Os filhos e filhas, genros, noras, netos e bisnetos reuniram-se na casa de minha sogra (prestes a completar 96 anos).

Minha sogra sempre demonstrou um enorme apego à vida. Superou a perda de todos os irmãos (mais novos que ela), marido e cunhados (todos), mas começou a sentir no corpo e na mente a falta de dois filhos. Hoje, passa a maior parte do tempo deitada, provavelmente entregue às lembranças de tempos mais felizes, pois continua super lúcida. E isso entristece e preocupa os filhos e também a mim.

Pensando sobre isso, ocorreu-me a ideia de que na vida de familiares e amigos a morte de uma pessoa querida é uma singularidade. Afinal, até que se decorra um ano do falecimento de meu cunhado, especialmente para sua esposa e filhos, acontecerão outros "primeiros momentos" – Dia dos Namorados, Dia dos Pais, aniversário de casamento, Natal, passagem de ano, dia de seu aniversário, etc. É um luto estendido que durará 365 dias, pois não há como deixar de pensar em coisas como “Nesta data, no ano passado, ele estava aqui rindo e tomando cerveja, lembra?” 

Até completar um ano, se considerássemos o tempo decorrido entre o "Dia "T" (do Taco) e cada um dos eventos citados acima e fizéssemos o mesmo para os 365 dias anteriores à data de seu falecimento, até poderíamos construir um gráfico como este:

Eu sei que essa é uma reflexão muito medíocre, bem no estilo Jotabê. Entretanto, fiz uma conexão desse gráfico com a teoria do Big Bang. Talvez, assim como acontece hoje conosco em relação à morte do Taco (há um "antes" e um "depois" de sua perda), poderia haver um "antes" do "Fiat Lux". Já pensaram nisso? Calma, soltem as pedras que eu explico! 

O Big Bang é uma singularidade cósmica que fez surgir o "nosso" universo. Não há nenhum sentido prático ou lógico em tentar imaginar o que havia antes (se é que houve um "antes"). Obviamente, estamos falando de Ciência, de Física, de Cosmologia. Mas minha ideia é outra: se um escritor talentoso de ficção científica ou realismo mágico resolvesse imaginar um tempo e um universo anteriores ao Big Bang, o resultado dessa viagem mental poderia resultar em um livro bem bacana. Alguém aí se habilita?


sábado, 12 de maio de 2018

HOMENAGEM ÀS MÃES

Lembram do Geddel? Aquele, dos cinquenta e um milhões de reais dentro de malas! Lembra?  Pois é. Recentemente, o porquinho Geddel, o irmão e a mãe(!) viraram réus no caso do bunker de R$ 51 milhões.

Segundo o site R7 Notícias, “A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) transformou o ex-ministro Geddel Vieira Lima, seu irmão Lúcio Vieira Lima e a mãe Marluce Quadros Vieira Lima em réus na ação que investiga o bunker em Salvador (BA) com R$ 51 milhões. 
A decisão foi tomada pela Segunda Turma nesta terça-feira (8). Os três se tornaram réus por unanimidade e respondem pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa”.

Pensem bem, sobrou até para a Dona Marluce! É por isso que eu sempre digo:

MÃE QUE É MÃE TEM QUE PARTICIPAR!


sexta-feira, 11 de maio de 2018

DISPERSÃO - MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO


Estava ouvindo no rádio do carro o programa do Reinaldo Azevedo quando ele declamou o que me pareceu ser um pequeno poema. Achei aqueles versos incrivelmente bonitos, tentei memorizar o nome de quem o teria escrito, mas só consegui guardar a palavra "labirinto" e a informação de que o autor teria sido amigo de Fernando Pessoa. Procurei no Google e encontrei o que procurava. Um puta poema, de autoria do desconhecido (para mim) Mário de Sá-Carneiro. Não vou traçar seu perfil (quem quiser que procure na internet), apenas transcrever os versos de um poema que diz muito de mim - e para mim. Olhaí que beleza.

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projeto:
Se me olho a um espelho, erro —
Não me acho no que projeto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira 
Eu nunca vi... Mas recordo

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido 
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...

E sinto que a minha morte —
Minha dispersão total —
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar
Ninguém mas quis apertar
Tristes mãos longas e lindas

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me na alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida, 
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço,...
..................................
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba
......................................


quarta-feira, 9 de maio de 2018

MEGA PRODUÇÕES


Estava vendo trechos do Concerto de Altamont feito pelos Stones em 1969 e é divertido observar a absurda proximidade dos fãs com os músicos. O palco estava uma loucura: tinha Hell's Angels mal encarados fazendo a (in)segurança dos músicos, um maluco chapadíssimo em plena "trip", um cachorro vira-latas andando pelo palco, uma zona absoluta. O público estava tão próximo, que se o Mick Jagger cantasse cuspindo isso refrescaria o pessoal do gargarejo. Se quisesse, daria até para uma fã apalpar o saco do cantor (ai o estilo musical passaria a ser “rock n’ rola”) E fiquei pensando como as apresentações ao vivo foram se transformando, mudando de uma forma que seria inimaginável naquela época.

Aí me lembrei da primeira vez em que os Menudos vieram ao Brasil. BH foi uma das cidades em que se apresentaram. Nessa época só tínhamos dois filhos e resolvemos levar os meninos para vê-los (pai que é pai tem que participar!). O show foi no Mineirão. Só conseguimos ficar na parte mais alta das arquibancadas e não vimos picles nenhuma, pois estava cheio pra caramba. O que se conseguia ver era um grupo de insetos dançando, de tão longe estávamos do palco. Resolvemos que nunca mais pagaríamos esse tipo de mico.

Hoje, qualquer show com ídolos internacionais é um mega evento, com palco gigantesco, pirotecnias, telões, o cacete a quatro. Pois bem, o velho e bom Paul Mc Cartney já se apresentou em BH duas vezes e não nos animamos a encarar esse programa de índio, mesmo sendo eu um beatlemaníaco de primeira hora, histórico (mais para pré-histórico, na verdade).

Pensando nessa tralha toda, ocorreu-me a piada que fecha este post. Mas só quem já viu o desenho “Bob Esponja” vai entender (eu sou meio retardado, captou?).

Pelo preço dos ingressos que são cobrados atualmente só conseguiríamos ficar nas arquibancadas. Assim, se o Eric Clapton porventura se animasse a exibir por aqui sua genialidade e se resolvêssemos assistir, o que veríamos rolando no palco sem o auxílio dos telões seria um show do Eric Plancton (ou, quem sabe, até mesmo do Plancton Mc Cartney).



segunda-feira, 7 de maio de 2018

SILHUETA


Não faz muito tempo os parentes de minha mulher resolveram fazer um encontro de confraternização, de reavivamento de laços familiares. Umas trinta pessoas, entre primos e primas, maridos e esposas estiveram reunidos em um salão de festas. Por serem pessoas super simpáticas, o (re)encontro foi ótimo. Fizeram até uma espécie de "amigo oculto" fora de época, ou melhor, um "parente oculto". Presentes foram trocados, muitos retratos tirados, ótimos bate-papos e, claro, tira-gostos e cerveja gelada (só faltou leite com Toddy, mas tudo OK).

Muito bem. A mim coube um presente delicadíssimo e totalmente inesperado, dado pela esposa de um dos primos de minha mulher: uma silhueta confeccionada com uma espécie de arame usado por dentistas ou coisa parecida e feita por um de seus tios, ortodontista aposentado. Para passar o tempo, resolveu construir verdadeiras esculturas bidimensionais, usando seus ferrinhos de dentista, alicates, motor e toda tralha que me deixa arrepiado só de pensar (tenho trauma!). E o resultado são obras lindíssimas e super expressivas que dá de presente aos amigos. Aí resolvi escanear a peça e divulgar aqui no velho Blogson. Olhaí.


ASTRONAUTA LIBERTADO


Seria bom que a Vida também tivesse um botão ou comando para deletar tudo o que nos incomoda, tudo o que nos desagrada, todos os que não pensam como nós. O único problema (ou solução) é que isso despovoaria o mundo, nele ficando apenas nós mesmos, astronautas em um planeta deserto, o nosso próprio planeta.


quinta-feira, 3 de maio de 2018

CACHAÇA!


Hoje eu assisti a um vídeo em que aparece um idiota carimbando cédulas de dinheiro entregues por outros idiotas (bem mais idiotas, bem mais) com a efígie do Lula. Pareceu-me que o retrato utilizado para a confecção do carimbo é do tempo em que ele tinha mais cabelos e eles eram pretos.

Não consegui atinar qual a finalidade dessa maluquice, exceto o desejo de inutilizar as notas (o que é crime). Além do mais, o papel usado para a confecção do dinheiro não é macio, se você me entende...

Depois de refletir sobre esse vandalismo, imagino ter chegado à solução para essa ânsia petista. No lugar do papel-moeda, passa-se a carimbar o rótulo das garrafas de cachaça.

Acho que as garrafas assim carimbadas ficariam bem bacanas e combinariam mais com o "santificado". Assim, quando alguém mais supersticioso resolvesse jogar “uma pro santo”, poderia exclamar: “Valei-me São Luís Ignaro!

Também poderiam arrumar um nome fantasia para essas garrafas customizadas. Até sugiro um, Inspirado na "Velho Barreiro":  poderiam adotar "Velho Manguaceiro”. Faria o maior sucesso.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

ENVELHECER - ARNALDO ANTUNES E OUTROS

Para mim, Arnaldo Antunes é o melhor de todos os músicos que já integraram os Titãs. Por isso, resolvi compartilhar uma música que ouvi hoje no carro. Eu sei que há outros autores, mas como estou muito cansado, vou aproveitar o comentário feito no Youtube por um fã. Depois, vem a letra e o link de uma apresentação ao vivo (e a cores). Escutaí.

“Alguém disse que as metáforas são maneiras eficazes de descrever a vida, os acontecimentos e as coisas de outra maneira, acrescentando elementos às certezas. Poetas são pródigos em fazer metáforas. Esse cara genial, simplesmente, contribui para que sejamos capazes de reescrever o envelhecer, num tempo em que estamos fadados a ter que aprender a nos reinventarmos, quando todas as lembranças mais corriqueiras estão na faixa dos vinte anos”. (Edson Farias)

ENVELHECER

A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer

Não quero morrer pois quero ver
Como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe
No meio da sala de estar
Eu quero que a panela de pressão pressione
E que a pia comece a pingar
Eu quero que a sirene soe
E me faça levantar do sofá
Eu quero pôr Rita Pavone
No ringtone do meu celular
Eu quero estar no meio do ciclone
Pra poder aproveitar
E quando eu esquecer meu próprio nome
Que me chamem de velho gagá

Pois ser eternamente adolescente nada é mais démodé
Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer
Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender
Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr

Não quero morrer pois quero ver
Como será que deve ser envelhecer
Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pra o que vai acontecer

Eu quero que o tapete voe
No meio da sala de estar
Eu quero que a panela de pressão pressione
E que a pia comece a pingar
Eu quero que a sirene soe
E me faça levantar do sofá
Eu quero pôr Rita Pavone
No ringtone do meu celular
Eu quero estar no meio do ciclone
Pra poder aproveitar
E quando eu esquecer meu próprio nome
Que me chamem de velho gagá.





terça-feira, 1 de maio de 2018

ESPASMO


Deu-se conta de repente:
Não era um olhar displicente,
Não era olhar distraído,
Era de pouco acaso!

segunda-feira, 30 de abril de 2018

ÁRVORE DO DESCONHECIMENTO

Algumas ideias colam na minha cabeça, custam a sair ou nunca saem. É caso das escolhas que fazemos a cada minuto, a cada segundo, a cada momento. Respeitar ou não o semáforo de uma rua deserta em plena madrugada, comer como um glutão até ficar com obesidade mórbida ou diabético, fazer ginástica ou não, parar definitivamente de beber ou encher a cara todo dia, etc. Escolhas sem nenhuma importância ou definidoras de toda uma vida.

Essas decisões tomadas a cada instante de forma friamente planejada ou despreocupadamente irrefletida tornam a vida uma loteria ou, até mesmo, uma roleta russa. Afinal, como saber, como acreditar que um atalho por estrada de terra é melhor ou mais seguro que a estrada pavimentada?

A escolha pela estrada pavimentada provocou a morte de meu cunhado. A recusa preguiçosa e displicente em conseguir novo formulário de inscrição para o vestibular fez com que eu cursasse engenharia em vez de economia.

Como intuir que o bater de asas de uma borboleta brasileira pode provocar uma sucessão de acontecimentos que resultará em uma avalanche de neve na Suíça? A teoria do caos diz que isso é possível - mesmo que inimaginável.

O livro do Gênesis descreve a escolha seminal feita por Adão e Eva no Jardim do Éden, quando resolvem comer o fruto da árvore “que está no meio do jardim”. Essa era a “árvore do conhecimento” ou “do bem e do mal”. Deus fica puto com a desobediência do primeiro casal e, antes de dar-lhes um pé na bunda, manda ver:

- “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida, e o coma, e viva eternamente.”

Como se vê, o Deus do Antigo Testamento era bravo, temperamental e – por que não dizer? – egoísta. Afinal, qual pai gostaria de ver seus filhos fazendo escolhas às cegas, dando topadas e fazendo burradas se possuísse uma “árvore do conhecimento” bem à mão?

Se eu acreditasse nessa história de Adão e Eva, diria que o fruto dessa árvore tinha um “defeito colateral”, pois só permitiu que o homem conhecesse o Bem e o Mal, mas não o habilitou (ou obrigou) a sempre fazer as escolhas corretas. E é aí que entra a estatística, o cálculo probabilístico: qual a chance de só fazer escolhas certas? Só vou dizer que é mais ou menos como acertar no milhar.

Para sintetizar a perplexidade e desalento que sinto ao pensar nas burradas que dei e nas escolhas que fiz ao longo da vida (e que não deveria ter feito), comecei a rabiscar as possibilidades que se apresentavam. Partindo de um único ponto, surgiam duas escolhas. A opção por qualquer uma delas abria duas novas opções, e assim por diante. O resultado gráfico assemelha-se a uma árvore, a que dei o nome de “árvore do desconhecimento” ou "das escolhas". Afinal, sou apenas um simples mortal.

Árvore das escolhas


sexta-feira, 27 de abril de 2018

I KNOW, IT'S ONLY...


Tenho um amigo que comemora seu aniversário em 11 de março, embora tenha nascido mesmo um dia depois. A explicação para essa esquisitice é o fato de seu pai - ele sim, realmente nascido no dia onze - ter registrado o filho dessa forma. A mesma vaidade tola aconteceu com o Blogson.

Eu nasci há dez mil anos atrás... ops, isso é Raul Seixas! Rebobinando (ainda se rebobina alguma coisa?), eu nasci em 7 de junho (de 1950!). Provavelmente, graças às conversas com meus filhos no dia do meu aniversário, um deles finalmente resolveu criar o blog para mim, o que aconteceu no dia seguinte. Obviamente, o primeiro post saiu com a data de sua criação (oito de junho). Mas estava tão encantado que já mandei logo o segundo. Tempos depois, resolvi (TOC!) corrigir esse "erro", alterando a data do primeiro para o glorioso dia 7 de junho de 2014, só para coincidir as datas de nascimento. Coisa de retardado mental, como se vê.

Já disse isso antes, mas vou repetir: à exceção do "Currículo do Blogueiro", os posts iniciais tiveram origem em e-mails que mandava para meus filhos e uns dois amigos (o "grupo dos infelizes"). Essa origem trai o desejo implícito de me comunicar, de falar besteiras, de conversar fiado, contar piadas infames e dizer coisas idiotas, como se estivesse conversando "ao vivo e a cores" com alguém. Por isso mesmo, a linguagem é coloquial (ótima para esconder o desconhecimento da linguagem culta). Os assuntos abordados refletem "poucos interesses e muita obsessão" e foram estruturados ou indexados segundo uma "lista de supermercado" – “memória", "sem noção", "eu não sei desenhar", "papo cabeça", etc.

Mas o blog já trazia desde seu nascimento a maldição da "solidão ampliada". Afinal, se o desejo original sempre foi a vontade de me comunicar, de "ouvir" comentários, receber aplausos (é, eu sou idiota mesmo), o que aconteceu (e acontece até hoje) foi o mesmo que já rolava na caixa postal, pois quase ninguém via. E, se lia, fingia-se de morto. No início, graças à curiosidade natural das pessoas, alguns parentes e amigos acessaram o Blogson e até comentaram alguma coisa. Aos poucos, a visitação foi minguando, minguando até sumir das estatísticas.

Depois de ser descoberto pelo titular do blockbuster "A Marreta do Azarão", a coisa mudou, o público cresceu, pois alguns de seus leitores passaram também a acessar o Blogson. Mas acabou acontecendo o mesmo que já havia ocorrido com os parentes: silêncio cada dia maior, até o estágio atual, quase absoluto (e não é por eu estar realmente ficando surdo) – apesar dos acessos diários (uns dez, no máximo).

Lamentei, choraminguei, fiz birrinha, interrompi as postagens e quase acabei com o blog. Tentei entender e traduzir o comportamento dos leitores, qual o motivo desse abandono progressivo. Hoje, imagino que esteja relacionado à irrelevância dos assuntos, à (má) qualidade dos posts e à falta de originalidade  traduzida em textos do tipo "mais do mesmo" – como este agora. O que posso fazer? "Nada" é a resposta mais óbvia.

Como aumentar a relevância dos posts sendo um sujeito verdadeiramente morno e medíocre (real)? Como aumentar a qualidade se o melhor que consigo fazer não passa de sub-literatura, sub-desenho, sub-humor e reflexões acacianas? Finalmente, como deixar de me repetir se tenho "poucos interesses e muita obsessão"?

Muito bem. Agora, a explicação para este post: depois de ler o poema "Tempore Mortis" no blog do "Marreta" e dar nele um esporro a título de comentário (justamente para parar com essa frescura de fim de blog, falta de assunto e coisa e tal), resolvi ampliar o tema (que eu não sou bobo nada) e transformá-lo em novo post, mas ao estilo Blogson: cheio de circunvoluções, cutucadas na memória e mensagens que poderiam ser sintetizadas em apenas uma frase.

E a mensagem deste post é esta: "I know, it's only rock and roll, but I like it", que o Google Translate traduziu assim: mesmo que o Blogson seja irrelevante, sem criatividade, sem leitores, sem assunto, eu gosto dele, divirto-me com ele, quase como se ainda fosse um adolescente trancado dentro do banheiro.

Hoje, pouco me importa se as pessoas comentarão ou não o "brilho intelectual", a "cultura enciclopédica", as "piadas hilariantes" e os "desenhos geniais” da grife Jotabê (se elogiarem, um dos dois estará delirando). O que realmente importa e mantém "positivo e operante" o velho blog da solidão ampliada é o prazer que ele me proporciona, é saber que ainda rio sozinho com as bobagens que imagino, com "desenhos" criados com ferramentas do Word. E se sempre estou falando de meu próprio umbigo, paciência, pois eu quero ser lembrado. Mesmo que seja por ninguém. 


quarta-feira, 25 de abril de 2018

REFLEXÕES IRREFLETIDAS - 05


REFLEXÕES IRREFLETIDAS - 03 (COMPLEMENTO)

Em resposta à piada que fiz sobre o Lula ser uma ideia fixa, um “amigo de facebook” divulgou quatro fotos do triplex do Lula feitas durante a invasão do apartamento pelos idiotas do MST – Movimento dos Sem Triplex (piada do José Simão). Creio que as fotos teriam sido feitas ou postadas pelo provável candidato do PSOL à presidência. Esse amigo (também na vida real) enlouquece no Facebook, pois é um esquerdista fundamentalista. Mesmo tentando evitar entrar nesse tipo de debate, não resisti e soltei um textão (para os padrões atuais) como resposta ao amigo mala sem alça.

Sabe, Chico eu não estou nessa. Se o triplex é de luxo ou um “minha casa minha vida”, eu poderia lembrar o incrédulo São Tomé, que disse que só acreditaria se visse as chagas de Jesus, se tocasse nelas ou coisa parecida, pois o cinema desenvolveu-se e encantou as pessoas graças às trucagens e edições que as filmagens recebiam.

As fotos são verdadeiras? Não sei. São falsas? Idem. A cozinha pode ter só um fogãozinho de merda ou uma puta instalação de luxo. Como não poderei vê-la (nem estou interessado nisso), prefiro não entrar nessa. Mas, só para lembrar, a condenação do Lula aconteceu por ocultação de patrimônio adquirido através de corrupção. Não importa se foi um barraco de tábua de caixote na favela ou um imóvel de luxo em Dubai ou Paris.

Eu tenho muita pena (sincera!) do Lula por estar nessa, tenho muita pena do Brasil estar preso nessa discussão que nunca termina, tenho mais pena ainda dos idiotas acampados em Curitiba, justamente por serem os primeiros e mais fieis seguidores dessa nova religião que foi criada. Porque mesmo que não possua uma Santíssima Trindade, tem um Santíssimo Triplex, sacou? Fui.