sábado, 22 de setembro de 2018

THE GREAT GIG IN THE SKY - PINK FLOYD


Deve ter sido em 1974 a primeira vez que eu ouvi esta música. Eu fazia estágio em uma obra localizada na cidade de Pedro Leopoldo, próxima de BH. Às vezes voltava de carona com um engenheiro paranaense muito gente fina. Um dia ele colocou no toca-fitas do Fusquinha a fita do álbum "Dark side of the moon" (para mim, o melhor da banda) e voltamos por uma estradinha de duas pistas e sem acostamento ouvindo aquela maravilha, "no talo" (volume alto, entendeu?)

A música desse disco que resolvi compartilhar com meus 2,3(?) leitores é "The Great Gig In The Sky". Ela tem uma beleza hipnótica e meio perturbadora. Mas o que me fez desejar compartilhá-la foi este comentário comovente, originalmente feito em inglês. Depois de sua leitura a música adquiriu novo significado para mim.



“Eu me despedi de meu pai com essa música. Ele estava morrendo de insuficiência hepática (...). Mas aquele homem me apresentou ao Pink Floyd aos 14 anos e eu me apaixonei. Ele amava essa banda e, embora não estivesse consciente no último dia, eu toquei os álbuns ‘The dark side of the moon’ e ‘Wish you were here’. Parece que ele estava com muita dor, mas quando eu toquei Pink Floyd para ele, sua frequência cardíaca caiu para um nível um pouco mais normal. Quando seus sinais vitais estavam diminuindo e sua respiração ficando mais curta, era essa música. Quase como um retrocesso para um filme, o lamento emocional não poderia ter se encaixado melhor naquele momento. Como resultado, eu não pude ouvir o Pink Floyd por algum tempo, agora eu me lembro dele e me permiti sentir isso. Absolutamente linda música, cheia de emoção e alma”.



GOTA D'ÁGUA - CHICO BUARQUE

“Deixe em paz meu coração, que ele é pote até aqui de mágoa”...


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

LEMBRANÇAS DO PÂNTANO - 02

Este é mais uma longa (e põe longa nisso!) réplica que fiz ao comentário de um de meus extremados "amigos de Facebook" a propósito de uma postagem sobre educação na Finlândia. Qual o propósito disso? Obviamente não é "tornar público" este comentário, pelo simples fato de que já é público. A ideia é simplesmente registrar impressões de uma época. As minhas, naturalmente.


Sabe, Chico, ao ler seu comentário sobre o ensino na Finlândia, lembrei-me desta frase: “Quando o único instrumento que você tem é um martelo, todo problema que aparece você trata como um prego”. E sabe por que pensei nela? Eu explico, eu explico!

Eu postei o link do site da BBC por ter achado muito interessante a reportagem sobre o sistema educacional finlandês e seus métodos inovadores. Certamente sei que seriam praticamente impossíveis de adotar em um país tão pobre e tão gigantesco como o Brasil.

Mesmo assim, algumas práticas virtuosas poderiam ser adotadas por aqui (por exemplo, o critério de que “apenas os melhores e mais preparados estudantes podem se tornar professores: no exigente sistema finlandês, apenas cerca de 10% dos candidatos são em geral aprovados para cursar o obrigatório mestrado na universidade”. Isso é música para meus ouvidos!).

Mas você parece ter uma permanente obsessão em demonstrar sua repulsa a conceitos “neoliberais” ou como queira chamá-los. Por isso, fez comentários sobre a reforma do “sistema econômico finlandês”, que manteve o “papel do Estado preponderante, servindo tanto como financiador de empresas privadas como sendo ele próprio um stakeholder, através de empresas públicas muito eficazes”. E completou dizendo que “o sistema de bem-estar social e uma tradição de estado presente impediram que as experiências de privatizações e desregulamentação econômica europeias fossem plenamente incorporadas na Finlândia”.

Depois desse comentário, fui obrigado a reler todo o artigo, só para confirmar que não havia nele nenhuma referência a isso (mesmo que essas condições citadas por você possam eventualmente estar subentendidas - ou não!). Como desconheço o assunto, penso que tirou isso de algum lugar ou utilizou um conhecimento privilegiado que não possuo.

Todos sabemos a visão que você tem de um Estado mais "protagonista", interferindo em tudo ou quase tudo. OK! Mas precisamos relaxar, desarmar o espírito. E sabe por quê? Quando as eleições passarem, teremos um novo presidente, gostemos dele ou não. E a principal atitude é torcer para que dê certo, para que seja bom para o país, para os desvalidos, etc. A propósito, o estado do bem estar social na Finlândia é custeado por uma carga tributária inacreditável. Não há receita única para os problemas de cada país, mas é bacana saber o que cada um fez e o que aconteceu depois. Como disse seu xará Buarque, "a coisa aqui tá preta".

Mas a impressão que ficou é que você não dá trégua ao seu desejo permanente de doutrinar, de questionar valores dos quais discorda (mesmo que não estejam presentes nas coisas que seus amigos compartilham).

Já deve estar cansado de saber que minhas postagens geralmente são tentativas de fazer humor (mesmo que horrível) para descontrair um pouco esse pântano em que o Facebook se transformou. Então, quando vejo comentários como esse seu (discordando dele ou não), fico boquiaberto e penso: “será que esse cara não relaxa nunca?”. Ou seja, você está sempre “martelando”. Pense nisso.

sábado, 15 de setembro de 2018

OREMOS!


A POESIA DE UM DEPRESSIVO - JOSÉ AUGUSTO ROMA


Ontem, dia 14/09, ouvi no rádio do carro o jornalista Ricardo Boechat ler uma poesia enviada por José Augusto Roma, ouvinte (como eu) da Band News FM. O motivo da leitura do texto é que hoje, dia 15/09 é o “Dia Nacional de Prevenção e Combate à Depressão”. E o motivo do envio é que o jornalista já teve uma crise fortíssima de depressão, tratada com medicamentos e terapia. Segundo ele, "depressão não tem cura, tem controle". Olhaí.

Hoje eu acordei com depressão
Doença criada pelo demônio
Ataca causando aflição
Abala amizades e até matrimônio

Ela chega de repente
Pode ser a qualquer hora
Faz de triste quem era contente
E não tem prazo para ir embora

O corpo por fora parece ter vida
Irradiando luz e calor
Entretanto, em contrapartida,
Por dentro a alma é só dor

O trabalho se torna um suplício
Até o asseio vira um dilema
Afeta a prática de qualquer ofício
O que dava prazer agora é problema

É perda de tempo ir a um evento
Show, cinema ou peça teatral
Ninguém parece ter talento
Tudo é sem graça e sem sal

Ter fé em Deus ajuda bastante
É preciso controle e ser muito forte
Se deixar a depressão ficar constante
Ela pode até levar à morte

É necessário procurar tratamento
Mesmo sem ter qualquer euforia
É preciso superar o tormento
E se afastar da cruel disforia

Do meu desabafo chego ao fim
Seguindo meu triste caminho
Se você conhece alguém assim
Tenha compreensão e dê-lhe carinho



quinta-feira, 13 de setembro de 2018

SANTINHO


Eu sei que eleição para presidente da república é uma coisa muito séria. Tão séria que todos os homens deveriam vestir terno (passeio completo) no dia da votação. Por isso mesmo, a escolha do candidato deve ser muito criteriosa. Mas, como escolher um dentre treze candidatos? É como acertar na loteria esportiva sem a opção de jogo duplo!

Para ajudar meus eleitores... perdão, eu quis dizer amigos. Continuando: para ajudar meus amigos reais, virtuais ou de Facebook nessa seriíssima missão, resolvi fazer uma lista de desejos/ necessidades do país, quase um plano de governo para o próximo presidente. Seriam:

- Democracia igual à da Noruega;
- IDH igual ao da Noruega (de novo?);
- Índice de crescimento da economia igual ao da China;
- Liberdade de expressão igual à existente na Finlândia;
- Níveis de corrupção iguais ao da Dinamarca;
- Níveis de violência iguais aos da Islândia;
- Qualidade da educação igual à do Canadá e Singapura;
- Qualidade da saúde pública igual à de Singapura (que merda, esse país de novo!) e Japão.
- Renda per capita igual à de Luxemburgo;

Bom, se alguém encontrar um candidato que pelo menos pareça estar comprometido com essas metas, por favor, me avise. E para não esquecer seu nome (mesmo que esteja na moda, nada de escrever a cola na mão!), o ideal será levar o santinho do salvador. Ainda que esteja difícil achar um santo nos dias de hoje.

domingo, 9 de setembro de 2018

CORDAS DE NYLON

Não faz muito tempo, eu tinha vinte e poucos anos
Em meu violão novo de cordas de aço
Tocava e cantava músicas do Belchior e dos Beatles
Em festinhas ou em casas de amigos.
Meus dedos tinham calos nas pontas e não doíam.
Eu tinha vinte e poucos anos, mas nunca toquei
Como nossos pais.

Hoje, passados muitos anos
Em um velho violão de cordas de nylon
Às vezes toco e canto músicas do Belchior e dos Beatles
Para minha mulher e meus filhos e filhas.
Hoje os calos estão na alma - e doem muito.
Passaram-se os anos, mas nunca toquei
Como nossos pais.

BOLT

Acho uma maldade dizerem que o Bolsonaro é militarista, que ensina criancinhas a empunhar um fuzil imaginário, etc. Isso é má vontade de quem não gosta dele. Até o Michelzinho gosta!

O que o Bolzo quer mesmo é reproduzir o gesto do seu ídolo Usain Bolt. Verdade! Pode até ser que ele não bata nenhum record, mas espera que o eleitorado se recorde dele (boa essa!). Como ele está operado, hospitalizado e com dificuldade para se mexer, é só dar uma viradinha na sua foto, que fica igual. Olhaí.
 

sábado, 8 de setembro de 2018

LEMBRANÇAS DO PÂNTANO - 01


Este é um longo (põe longo nisso) comentário que fiz a propósito de uma postagem compartilhada por um de meus extremados "amigos de Facebook". 

Graças ao Facebook (que está parecendo um pântano, tantos são os posts “putrefatos” que estão circulando), o que eu tenho visto ultimamente é uma polarização tão gigantesca que parece estar afetando o discernimento de pessoas inteligentes, esclarecidas e cultas (também das ignorantes e burras).

Esse é um terreno fértil para todo tipo de fake news, teorias da conspiração, intolerância extremada, ódio transbordante. Ou seja, estamos vivendo um momento histórico bastante incomum. Aliás, mais histérico que histórico, pois há um clima de histeria gigantesco rolando, ou melhor, há uma histeria gigantesca afetando os extremos do espectro ideológico, pouco importando se da direita ou da esquerda.

Alguns da esquerda estão pondo em dúvida até a cirurgia do Bozo, alguns da direita estão vendo atentado orquestrado pelos "comunas", etc. Isso é ruim para todos, pois acaba criando um clima de Fla-Flu, um "nós versus eles", bandidos contra mocinhos. E o que sabemos é que neste país infeliz bandidos e mocinhos existem dos dois lados. O mesmo se pode dizer da corrupção, que não escolhe "cor" para se manifestar.

Eu sou um sonhador e acredito que mais que votar nesse ou naquele candidato, o que precisamos é cuidar da educação de nossos filhos e netos. E quando digo educação, estou pouco me lixando para cantar hinos ou coisa semelhante. O que eu desejo é um comportamento de Primeiro Mundo para todos. Mas eu sei que isso demora ainda uns trezentos anos.

O simples fato de existirem eleitores do Bolsonaro ou do Boulos não me autoriza (nem a ninguém) chamá-los de idiotas. Jamais diria isso! O que eu penso pode ser diferente do que “você” pensa e está tudo bem. O que eu tenho criticado e ironizado é a quantidade de maluquices que tem saído no Facebook. E é muita, muita mesmo.

O pessoal da esquerda (alguns!) acha que foi armação, que não saiu sangue, que não usava colete, essas idiotices, como se tomar uma facada fosse o mesmo que tomar um café. Já o pessoal da direita (alguns!) acha que isso é coisa da esquerda, dos “comunas”, etc. Esse é o tipo de maluquice é que eu critico e ironizo. Parece que as pessoas tomaram droga ou encheram a cara e estão bêbados.

Quem pensava em votar nesse ou naquele candidato continuará pensando. Para mim, está OK. O que não é admissível é alguém ficar feliz por ter ocorrido um atentado, atentado provocado por um sujeito que não bate bem da cabeça. Por isso mesmo, fico imaginando piadinhas sem graça nenhuma só para ironizar a seriedade raivosa e até inconsequente de alguns dos meus “amigos de facebook". Como estas, por exemplo:

- Posso dizer que amo a cor vermelha, desde que seja vermelho Ferrari.
- "O brasileiro é cordial" (só não pode ter uma faca na mão)
- Parece que o cérebro de muitas pessoas tem sido sugado, abduzido. Vai ver, tem alguma nave alienígena sobre o país.
- O pessoal da esquerda pode até ficar puto comigo, mas a verdade é que todo militante adora militar.

Você deve estar percebendo agora meu papel de advogado do diabo no Facebook. Se um mané de esquerda posta alguma bobagem contra os candidatos de direita, olha eu lá criticando, contestando, duvidando, apresentando dados reais, etc. Vai uma anta de direita comentar sobre o “perigo vermelho” e olha eu lá de novo, ironizando, criticando, contestando. Devo admitir que acabo passando a imagem de mala sem alça. Pior, acabo por mostrar que sou mesmo um mala sem alça. Mas não acredito mais em duendes ou assombrações. Nem compartilho posts sobre isso. Falei?





quarta-feira, 5 de setembro de 2018

SONETO XXXII - FRANCESCO PETRARCA

A grande vantagem de ser ignorante é que sempre se pode aprender alguma coisa (mesmo que se vá esquecê-la logo depois). Hoje estava debulhando um livro sobre história da arte que um dos filhos me emprestou, quando li uma referência sobre Francesco Petrarca. Mesmo que o nome não fosse desconhecido, não sabia nada sobre ele. Mas bateu uma curiosidade de ler alguma coisa de sua obra poética, intimamente ligada à sua amada Laura, segundo o livro (eu sei, “talvez eu seja o último romântico”).

Acabei descobrindo que teria sido ele o criador do soneto! Olha só! Uma vez, a propósito da poesia de Vinicius de Moraes, disse isto: “Gosto muito de poesia e reverencio aqueles que conseguem transmitir emoção de forma concisa, minimalista. Os sonetistas então, esses são a nata, por conseguirem domar o esqueleto rígido do soneto. Em outras palavras, eu os vejo com o mesmo respeito que devoto aos neurocirurgiões. A coisa é mais ou menos como uma cirurgia feita no cérebro: o que falta em espaço sobra em restrições e cuidados a tomar. Ou seja, ambos conseguem o suprassumo da precisão e eficiência, tudo realizado em espaço muito reduzido”.

Pensando bem, apesar da falta de vergonha na cara - explícita na auto-referência -, até que não ficou ruim essa definição. Bom, para acabar com a enrolação, escolhi transcrever o “soneto XXXII” em italiano e português. Por que escolhi esse e não outro qualquer? Pela referência ao fim da vida, tema que me tem atraído muito (por que será?) Olhaí.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

JOGANDO PALAVRAS

Não é segredo para os 2,3 leitores desta bagaça que EU me divirto muito fazendo jogos de palavras, mesmo que o resultado seja sempre infame. Além disso, gosto muito de humor gráfico, ainda que seja um desenhista de jardim de infância e com tanto humor quanto o aquecimento global, uma fratura exposta ou a seca do Nordeste.

Como a falta de vontade de pegar um lápis nunca passou, desde 2013 estou cozinhando o galo por conta de uma historinha que bolei e pensei em desenhar. Por isso, resolvi registrar só a ideia, aproveitando o texto rascunhado em 2013 (memória!).

Imaginei uma tirinha de três quadros, com o seguinte enredo: no primeiro quadro, dois caras conversando. No segundo, alguma coisa atingindo a cabeça de um deles e saindo do campo de visão. O cara atingido faz aquela cara clássica, língua de fora, estrela aparecendo perto do lugar do golpe.
O terceiro quadro teria este diálogo:

- O que foi isso? – pergunta o atingido. O outro responde:
- Você foi atingido por um jogo de palavras...

Esse jogo de palavras eu ainda não escolhi qual seria. Poderia ser um lance surrealista, com uma palavra caída no chão, ou um dicionário caído no chão ou um livro escrito na capa “Charadas”, “Charadas e Palavras Cruzadas” ou só “Palavras Cruzadas”. O desafio é desenhar isso. Sempre foi.



JOGANDO COM AS PALAVRAS

Picanha Angus: a única aprovada pelas bandas de Heavy Metal




segunda-feira, 3 de setembro de 2018

"TRISTES TRÓPICOS"



Às vezes, só mesmo o sarcasmo pode nos fazer suportar a dor e a tristeza. Mas existem pessoas que conseguem amenizar a revolta. Professor Paulo Buckup: esse sim, um homem digno e merecedor de todas as homenagens e comendas.


terça-feira, 28 de agosto de 2018

ANTI-LUETICO?

Na minha infância, várias vezes ouvi meu pai falar de “Tapayuna”, nome escolhido para um produto criado por seu irmão mais velho, um apaixonado pela mística dos nomes e temas indígenas. Imagino ter sido esse medicamento o carro-chefe dos produtos fabricados pelo laboratório farmacêutico de propriedade da família.

Meu pai até guardava um recorte de jornal que, além da foto em que ele aparecia ao lado da Emilinha Borba, tirada quando ela - no auge de seu sucesso -,  se apresentou em BH, trazia ainda uma declaração da cantora louvando os benefícios do remédio. Segundo ele me disse, tratava-se de notícia paga. O engraçado é que minha mãe tinha ciúmes desse encontro, um contato que provavelmente não deve ter durado mais que cinco minutos.

Esse recorte provavelmente está com meu irmão, que fez uma limpa nos papeis guardados por nosso pai, depois de sua morte. Da mesma forma, estão com ele rótulos que descobriu no meio da papelada, usados nos demais produtos fabricados no laboratório da família. Quando ainda nos falávamos, ele disse que faria pastas com esses rótulos e daria uma para mim e outra para nossa irmã. Vou ver se me lembro disso quando nos falarmos no "Centro Espírita Oriente".

Recentemente, na falta de coisa melhor para fazer, resolvi tentar achar na internet alguma coisa relacionada ao tal “elixir" Tapayuna. Pesquisei, pesquisei e não achei nada, mesmo tratando-se de um produto que teria sido anunciado na parte interna dos bondes que circulavam pela cidade.

Pois bem, de tanto insistir, acabei achando a transcrição de duas páginas do Diário Oficial da União com pedidos de registro de marcas comerciais, etc.. Nessas páginas são mencionados o Tapayuna e o nome de meu tio. Pelo que  pude observar, deve ter sido utilizado o OCR no processo de escaneamento dos originais, pois nos textos há várias letras trocadas em virtude de sua semelhança, tipo “r” e “n”.

O curioso dessa história é que acabei descobrindo se não o nome comercial, pelo menos para que servia o tal “elixir”: “Anti-Luetico Tapayuna”. Segundo o Dicionário do Aurélio, "luético" é um adjetivo "relativo à, ou da natureza da lues". E "lues" é sinônimo de sífilis. O Tapayuna era um medicamento para tratamento de sífilis!

E aqui cabe um comentário: embora não saiba quando começou sua comercialização, o registro da marca do produto foi concluído em 1938. Já a penicilina, descoberta em 1928 e primeiro antibiótico realmente eficaz no tratamento dessa doença, só ficou disponível (segundo a Wikipédia) para uso em massa no ano de 1941. Imagino que meu pai e seus irmãos, com o sucesso e eficácia da penicilina, devem ter ficado com aquele gosto de gol anulado, pois "perderam o jogo". Em 1950, ano em que nasci, creio que o laboratório já tinha ido para o espaço, levando junto com ele os sonhos dos irmãos.

Tio Delvaux morreu em 1964, aos setenta anos. Palavras de minha irmã: "Por todas as informações que consegui obter (...) deduzo com bastante probabilidade que ele, tio Delvaux, depois da recessão pós-guerra que culminou na falência dos negócios, desenvolveu um depressão severa que na Medicina chamamos Transtorno Depressivo Maior e não se recuperou mais".

A título de curiosidade, as imagens "print screen" das informações que consegui encontrar na internet:








A SOLUÇÃO


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

ESPELHO, ESPELHO MEU!


Imaginei o Bolsonaro tendo um pesadelo: ao olhar-se no espelho, em vez de sua imagem refletida o que vê é a da Gleisi Hoffmann. Assustado, diz em voz alta:

- “Onde é que eu estou? Essa aí é uma mulher! Sou macho, pô!” E a imagem responde:

- “Não se preocupe, no espelho o que é direita aparece como esquerda, o que é esquerda vira direita”.

- “E o que significa isso? Além do mais, você é mulher!

- “Significa que somos igualmente radicais, não temos moderação e equilíbrio no falar ou no pensar, só que você é de direita e eu sou de esquerda”.

Aí o Bolsonaro acorda e vê aliviado que não mudou nada.