Blogson Crusoe
O blog da solidão ampliada
segunda-feira, 1 de junho de 2026
domingo, 31 de maio de 2026
DIALÉTICA – VINÍCIUS DE MORAES
Mesmo que não haja fundamentação psicanalítica e nem eu tenha (ainda) formação nessa área, criei “para uso pessoal” uma divisão de personalidades e comportamentos, assim definidos: pessoas solares, de temperamento solar e pessoas lunares, de temperamento lunar.
E a alegria, a única indizível emoção.
É claro que te acho linda
E em ti bendigo o amor das coisas simples.
É claro que te amo.
E tenho tudo para ser feliz.
Mas acontece que eu sou triste.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
CURRAL DEL REI
A cidade onde moro foi projetada e construída sobre Curral del-Rei, um povoado arrasado e demolido para que surgisse a nova capital do estado. Começou assim: destruindo o que já existia. Sensacional.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
TAGORE
Talvez, por ter ficado viúvo em dezembro (momento tristíssimo, devastador), deve ter sido em janeiro passado que ganhei de uma amiga o livro A morte é um dia que vale a pena viver, escrito por uma médica especialista em cuidados paliativos, prestados a doentes em estágio terminal e a seus familiares.
perigos, mas pelo destemor em enfrentá-los.
pela coragem de vencê-la.
da vida, mas a minha própria força.
para ser salvo, mas esperar paciência para merecer a liberdade.
clemência apenas no meu êxito, mas me deixe
sentir a força da sua mão quando eu cair.
quarta-feira, 27 de maio de 2026
SALIVA
Talvez seja bobo eu repetir palavras
Reexibindo sentimentos antes represados
Mas às vezes eu me sinto afogando em um mar
De emoções que não me deixam respirar
Adolescente diante da menina que olha para ele
Com olhos de promessa e sorrisos de sedução
E tudo o que esse jovem deseja é aspirar
Sorver o ar que sai da boca da menina
Pois tudo o que ele quer é estar com ela
Todo o tempo, o tempo todo, abraçá-la sem parar
Passar a língua em seus lábios, beijar sua boca,
Provar da sua saliva, sentir seu perfume,
Mexer em seus cabelos,
Fazer carinhos em seu rosto
Beijar e morder sua nuca.
E, como num passe de mágica, perceber
Que estão deitados nus, abraçando-se
A dançar um bolero horizontal
Uma música que só os dois escutam
Sem hora para acabar, sensual.
E aí eu saio desse transe e descubro
Estar sozinho. Mas não me conformo e digo
Para o espelho que é isso que eu quero
É ela que eu desejo, é tudo o que preciso.
Reexibindo sentimentos antes represados
Mas às vezes eu me sinto afogando em um mar
De emoções que não me deixam respirar
Adolescente diante da menina que olha para ele
Com olhos de promessa e sorrisos de sedução
E tudo o que esse jovem deseja é aspirar
Sorver o ar que sai da boca da menina
Pois tudo o que ele quer é estar com ela
Todo o tempo, o tempo todo, abraçá-la sem parar
Passar a língua em seus lábios, beijar sua boca,
Provar da sua saliva, sentir seu perfume,
Mexer em seus cabelos,
Fazer carinhos em seu rosto
Beijar e morder sua nuca.
E, como num passe de mágica, perceber
Que estão deitados nus, abraçando-se
A dançar um bolero horizontal
Uma música que só os dois escutam
Sem hora para acabar, sensual.
E aí eu saio desse transe e descubro
Estar sozinho. Mas não me conformo e digo
Para o espelho que é isso que eu quero
É ela que eu desejo, é tudo o que preciso.
terça-feira, 26 de maio de 2026
FORUGH FARROKHZAD? MUITO PRAZER!
Você consegue imaginar que no teocrático Irã atual já existiu uma autora de poemas transgressores e sensuais? Pois é, eu não sabia. Segundo a Wikipédia, “Forugh Farrokhzad, foi uma influente poeta e diretora de cinema iraniana. Ela foi uma controversa poeta modernista e uma autora iconoclasta e feminista. Farrokhzad morreu em um acidente de carro aos 32 anos”, em 1967, antes, portanto da chegada do aiatolá Khomeini. Mesmo assim, fica a pergunta: teria sido mesmo acidente? Se quiser saber mais, por favor, peça ao Google, ao ChatGPT, ao Donald Trump ou em quem você pensar. Meu negócio é publicar, divulgar um de seus poemas. Lê aí.
Cometi um pecado cheio de prazer,
num abraço quente e ardente.
Pequei rodeada por braços
quentes, vingadores e de ferro.
olhei em seus olhos cheios de segredos.
Meu coração impacientemente palpitava em meu peito,
em resposta ao anseio de seus olhos.
sentei-me desgrenhada ao seu lado.
Seus lábios derramaram paixão sobre os meus,
e escapei da dor do meu coração enlouquecido.
Eu te quero, ó minha vida,
eu te quero, ó abraço que dá vida,
ó meu amante enlouquecido, você.
o vinho tinto dançava na taça.
Na cama macia, meu corpo
embriagado tremia sobre seu peito.
ao lado de uma forma trêmula e estupefata.
Ó Deus, quem sabe o que fiz
naquele recanto escuro e silencioso.
domingo, 24 de maio de 2026
BACK HOME
No ônibus, voltando da casa de meus filhos – sim, porque minha nora é uma queridíssima filha do coração – lembrei-me da música Back in Bahia, composta e gravada em 1972 pelo Gilberto Gil em sua volta do exílio a que foi submetido. Alguns versos têm tudo a ver com o que estou sentindo agora. E a música é muito boa!
Como se ter ido fosse necessário para voltar
Tanto mais vivo
De vida mais vivida, dividida pra lá e pra cá
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