Pois é, que cara chato sou eu! Pesquisei na internet e descobri que o texto do post anterior não foi escrito por Spinoza, mesmo que inspirado em suas ideias.
Sua fórmula mais conhecida é:
Deus sive Natura — Deus, ou seja, a Natureza.
Deus → cria o universo → observa o universo de fora.
Há:
Deus/Natureza → tudo o que existe.
Nós mesmos somos parte dessa realidade. E isso muda completamente a ideia de Deus
O Deus de Spinoza:
não é uma pessoa;
não possui desejos ou emoções humanas;
não decide quem será premiado ou castigado;
não responde a orações;
não realiza milagres;
não criou o mundo em determinado momento;
não possui um “plano” para cada indivíduo.
Tudo acontece segundo a necessidade da própria Natureza.
O episódio mais dramático da vida de Baruch Spinoza aconteceu em 27 de julho de 1656. Ele tinha apenas 23 anos quando a comunidade judaica portuguesa de Amsterdã lhe impôs o herem, a excomunhão.
“Maldito seja de dia e maldito seja de noite; maldito seja quando se deita e maldito seja quando se levanta; maldito seja ao sair e maldito seja ao entrar (...)”
É impressionante: um rapaz de 23 anos, que ainda nem havia publicado sua filosofia, era considerado tão perigoso que sua própria comunidade decidiu bani-lo completamente. O que havia de tão explosivo em Spinoza?
Para uma comunidade religiosa do século XVII, isso não era pouca coisa.
A comunidade judaica portuguesa de Amsterdã era formada em grande parte por descendentes de judeus que haviam fugido da perseguição e da Inquisição na Espanha e em Portugal. A Holanda oferecia um refúgio relativamente seguro, permitindo-lhes praticar sua religião. Essa segurança, porém, era preciosa.