Nada sabemos do futuro
Pouco sabemos do passado
Mesmo o presente – tão claro! –
Pode se apresentar escuro
Confuso, estranho, nublado
Em tempo distante, esquecido
Possa ainda ser veredito
Para hoje nos condenar
Sem
pensar que o que foi dito
Pode hoje ser desdito
Pois o que hoje é feio
Já foi um dia bonito
Que
a eternidade por uns pretendida
Não teve nem tem garantia
De permanecer imutável
Em mente para sempre mutante
Mutável, fluida – enguia
Pode hoje ser desdito
Pois o que hoje é feio
Já foi um dia bonito
Não teve nem tem garantia
De permanecer imutável
Em mente para sempre mutante
Mutável, fluida – enguia
Que não podemos julgar o passado
Com nossos olhos de presente
Que
condenar, rejeitar o pretérito
Ainda que seja imperfeito
É esquecer que seremos julgados
Por quem estiver no futuro
E que essa é a única, eterna certeza
Quem
fica propenso a julgar
Ignora ou não quer aceitar
Que o passado é apenas pretérito
Não adianta tentar alterar
Ainda que seja imperfeito
É esquecer que seremos julgados
Por quem estiver no futuro
E que essa é a única, eterna certeza
Ignora ou não quer aceitar
Que o passado é apenas pretérito
Não adianta tentar alterar
E
que só é possível mudar
O presente, só o presente,
Somente.
O presente, só o presente,
Somente.