sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MEU MOMENTO ERA ANTES

 
Estou preso no passado
Logo eu que criticava todos
Que diziam frases tolas como
No meu tempo é que era bom
 
E eu sempre pensava que meu tempo é hoje
Será sempre hoje
Não importando se o passado foi bom ou ruim

Mas as certezas absolutas talvez existam
Para que as percamos, para que as modifiquemos.
 
Hoje, uma casa vazia, uma cama vazia e uma vida vazia
Me dizem que meu lugar era lá
Que meu momento era antes
Que meu desejo era ontem

E os elos dessa corrente
São difíceis de quebrar.
 
Hoje eu me sinto como alguém
Que desceu em Marte e descobre
Que não tem como voltar
Que nunca mais
Abraçará a quem amou e ama tanto
 
Que naquele planeta estéril só terá lembranças
Enquanto aguarda que o fim
Não demore a chegar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

AMOR π

 
As pessoas que acessam este blog têm um traço em comum: são inteligentésimas. Para aqueles que duvidam disso eu diria que usei um pouco de liberdade poética para essa afirmação.
 
Sei lá, tenho a mania de criar expressões e frases de efeito para esconder a minha própria falta de inteligência. Nesse caso, talvez fosse melhor dizer que eu crio frases de defeito, mas às vezes acerto, dou uma dentro (por favor, não me peça para explicar). E a mais recente expressão que criei ficou bacaninha, bem sacada (será que as leitoras e leitores de Portugal entendem o que eu digo/escrevo?).
 
Sempre digo que o amor que sinto por meus filhos é do tamanho do Universo, infinito. Digo isso para todo mundo, inclusive para eles. Aí, outro dia (sinônimo de data incerta e ignorada), lembrei-me dos tempos em que lustrava os bancos escolares com a bunda (trajando calça de uniforme, obviamente) e o número irracional PI (π) surgiu na minha mente quase tão irracional quanto. Como certamente TODES se lembram, esse número é resultante da divisão do comprimento ou perímetro de uma circunferência pelo diâmetro dessa mesma circunferência (cara, eu amo a Matemática!).
 
Por exemplo, se eu conseguisse saber o diâmetro do meu abdômen depois de medir a circunferência da minha pança, certamente obteria um número parecido com o valor do PI, bem melhor que o número que vejo no visor da balança digital onde às vezes me aventuro a subir.
 
Mas estou fugindo do assunto. Por ser irracional, o número PI (π) não tem limite, é infinito. E é aqui que eu queria chegar: o amor que a maioria dos pais e mães sente por seus pimpolhos pode ser definido pela expressão “amor π”, pois é um amor infinito. Apesar das palhaçadas jotabélicas, acho que mandei bem.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

CITANDO OSCAR WILDE

 

Algumas pessoas estranham o fato de publicar quase diariamente. Tem razão quem pensa assim. A explicação é o fato de ser aposentado e estar constantemente em busca de assuntos para transformar em posts. Como neste caso. Depois de ler uma frase do Oscar Wilde, resolvi procurar mais, para publicar no blog. Encontrei tantas que precisei filtrar para chegar a duas páginas apenas. Embora sempre mencionando o "Retrato de Dorian Gray", nunca li nada dele, só conhecia a fama (na cama). Agora já posso dizer ter lido um pouco do que escreveu. Olhaí.

Crer é muito monótono, a dúvida é apaixonante.

É pena que só tiremos lições da vida quando elas já não nos são úteis.

Nem todo crime é vulgar, mas toda vulgaridade é um crime.

Os prazeres são as únicas coisas que valem a pena ser vividas. Nada envelhece tão depressa como a felicidade.

O homem pode suportar as desgraças, elas são acidentais e vêm de fora; o que realmente dói, na vida, é sofrer pelas próprias culpas.

Qualquer indivíduo pode ser sensato, desde que não tenha imaginação.

Nenhum homem é suficientemente rico para comprar o seu passado.

O erro é criar hábitos.

Não tenho nada a declarar a não ser a minha genialidade.

A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais...

Experiência é o nome que damos aos nossos erros.

O caminho dos paradoxos é o caminho da verdade.

Nenhum grande artista vê as coisas como realmente são. Caso contrário, deixaria de ser um artista.

O homem é um animal racional que perde sempre a cabeça quando é chamado a agir pelos ditames da razão.

Neste mundo, há apenas duas tragédias: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, e a outra a de os satisfazermos.

Todo mundo é capaz de sentir os sofrimentos de um amigo. Ver com agrado os seus êxitos exige uma natureza muito delicada.

Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado.

A moda é uma variação tão intolerável do horror que tem de ser mudada de seis em seis meses.

Posso resistir a tudo, menos à tentação.

Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos.

Se existe no mundo coisa mais aborrecida do que ser alguém de quem se fala é certamente ser alguém de quem não se fala.

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.

Nunca viajo sem o meu diário. É preciso ter sempre algo extraordinário para ler no comboio.

Deus, ao criar o homem, superestimou a Sua capacidade.

Há uma espécie de conforto na auto-condenação. Quando nos condenamos, pensamos que ninguém mais tem o direito de o fazer.

A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder a ela.

Posso partilhar tudo, menos o sofrimento.

O mundo pode ser um palco. Mas o elenco é um horror.

Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.

As nossas tragédias são sempre de uma profunda banalidade para os outros.

É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas.

Como se pôde dizer que o homem é um animal racional! Ele é tudo o que se queira salvo racional.

Dar bons conselhos – as pessoas gostam de dar o que mais necessitam. Considero isto a mais profunda generosidade.

A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.

Os solteiros ricos deviam pagar o dobro de impostos. Não é justo que alguns homens sejam mais felizes do que os outros.

O cinismo consiste em ver as coisas como realmente são, e não como deveriam ser.

Definir é limitar.

Preferia perder meu melhor amigo ao pior inimigo. Para ter amigos, só é preciso boa índole; mas quando um homem não tem mais inimigos, certamente há algo de desprezível nele.

A alma nasce velha e se torna jovem. Eis a comédia da vida. O corpo nasce jovem e se torna velho. Eis a tragédia da alma.

Sou a única pessoa no mundo que eu realmente queria conhecer bem.

As pessoas mais interessantes são os homens que têm futuro e as mulheres que têm passado.

Nunca confie na mulher que diz a verdadeira idade, pois se ela diz isso... Ela é capaz de dizer qualquer coisa.

A Moral não me ajuda. Sou antagônico nato. Sou uma daquelas pessoas que são feitas para exceções, não para regras.

Adoro os escândalos dos outros. Os que me dizem respeito não me interessam. Não tem o atrativo da novidade.

Os deuses quando querem nos castigar atendem as nossas preces.

Perdoa sempre o teu inimigo, não há nada que lhe ofenda mais.

Adoro interpretar. É tão mais real que a vida.

Meus gostos são simples: prefiro o melhor de tudo.

Agouros, sinais, são coisas que não existem. O destino não costuma enviar arautos. É muito sabido, ou muito cruel para fazer isso.

Frequentemente tenho longas conversas comigo mesmo, e sou tão inteligente que algumas vezes não entendo uma palavra do que estou dizendo.

Só existe uma coisa pior do que falarem da gente. É não falarem.

Chamamos de ética o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando. O conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando chamamos de caráter.

A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.

A vida é muito importante para ser levada a sério.

O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação.

O Estado deve fazer o que é útil. O indivíduo deve fazer o que é belo.

O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos.

Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal.

Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza.

Ser grande significa ser incompreendido.

Perversidade é um mito inventado por gente boa para explicar o que os outros têm de curiosamente atrativo.

A arte, felizmente, ainda não soube encobrir a verdade.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

GRACINHA!

 
Sou um entusiasta da Inteligência Artificial, mas tenho medo daqueles que podem manipulá-la de forma mal-intencionada. Tenho visto no YouTube e no Facebook vídeos de pessoas e até de animais produzidos com um nível de realismo tão impressionante, tão convincente, que a reação imediata é acreditar que são reais.
 
Alguns ainda são fáceis de identificar como falsos – por exemplo, quando mostram em um mesmo banco ou sofá uma pessoa famosa em idades muito diferentes, as já falecidas retratadas com asas de anjo. Mas nem todos os vídeos ou imagens estáticas são assim. Muitos são praticamente indistinguíveis da realidade.
 
Por isso, pensando nas próximas eleições, não duvido que vídeos e imagens falsas possam ser usados para tentar confundir eleitores mais desavisados ou ingênuos. E é aí que mora o perigo: a má fé de braços dados com a desinformação.
 
Por curiosidade e até por diversão, pedi ao ChatGPT para criar um desenho hiper-realista a partir de duas imagens que busquei na internet: os pré-candidatos a presidente da república nas eleições de 2026 – Lula e o "Zero Um" da famiglia Bolsonaro. Duas figuras políticas antagônicas se abraçando, duas ideologias conflitantes.
 
Na vida real, seriam capazes de trocar abraços tão carinhosos como o que apareceu na imagem gerada? Creio que isso nunca acontecerá. Mas o ChatGPT fez isso acontecer. Se eu tivesse a manha para mexer com IA, talvez até produzisse um vídeo com os dois brincando em um bloco de carnaval. Isso me leva ao que disse no início deste texto: o problema começa quando essas simulações são usadas fora de contexto, com intenção de manipular ou enganar para auferir benefícios e vantagens de qualquer natureza.
 
Por isso, nas próximas eleições, recisaremos de uma postura super crítica para distinguir a informação falsa da verdadeira. E talvez apenas poucos tenham paciência e discernimento para analisar o que as redes sociais provavelmente divulgarão.
 
A título de curiosidade, as imagens que escolhi para o ChatGPT "brincar":


Olha que gracinha a imagem gerada pela IA:

Mas ainda estamos em pleno Carnaval ("quanto riso, oh, quanta alegria!") e achei que poderia ficar assim também:

Agora só falta pegar o título de eleitor e esperar outubro chegar.



 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

ESSA ERA MINHA FANTASIA

 
Não é novidade para ninguém que algumas pessoas despem as fantasias que usaram para viver e trabalhar no resto do ano. Há aquelas que, ao contrário, vestem fantasias só para se divertir no carnaval. E há aquelas que assumem sua própria fantasia, por mais irreal que possa ser.

Este ano, assumi a minha. Resolvi levar minha Amada para perto da agitação, para junto das pessoas que se movem, se encontram e se divertem nessa época. 
 
Para isso, mandei confeccionar uma blusa com seu rosto lindo estampado no tecido. E hoje resolvi inaugurá-la. Caminhei (com alguma dificuldade) até a esquina onde muita gente se aglomera, arranjei um banco e sentei.
 
Havia uma fanfarra tocando, muita gente andando para lá e para cá, mas não vi ninguém que conhecesse, com quem pudesse conversar. Mesmo assim, mantive-me no meu posto. Depois, quando a fanfarra resolveu descer a rua em direção à praça principal do bairro, todos se foram e eu fiquei sozinho sentado em meu banco, uma bela metáfora da solidão em que vivo atualmente.

Para registrar esse momento, pedi a um ambulante para tirar minha foto. E é ela que aparece a seguir.



domingo, 15 de fevereiro de 2026

ALMA GÊMEA - AUTOR DESCONHECIDO

 
Encontrei este texto no Facebook, de autor desconhecido. Por ser um romântico incurável – mesmo que agora solitário – resolvi publicá-lo no Blogson em pleno Carnaval. E o motivo é simples: conheci minha alma gêmea, a mulher da minha vida no Carnaval.
 
Ontem, 14 de fevereiro, o mundo se encheu de flores, jantares à luz de velas e promessas de amor eterno. O Dia de São Valentim renova, ano após ano, uma pergunta antiga e sedutora: existe mesmo alguém que foi feito sob medida para nós? Em algum lugar, caminha a nossa metade perfeita?
A ideia atravessa séculos. Na Grécia antiga, Platão imaginou que já fomos seres completos, divididos ao meio pelos deuses, condenados a buscar a parte perdida. Na Idade Média, as histórias de Camelot transformaram o amor em devoção absoluta, como o de Lancelot por Guinevere. Mais tarde, William Shakespeare eternizou os “amantes marcados pelas estrelas”, sugerindo que o próprio universo escreve — e às vezes sabota — as histórias de amor.
Hoje, trocamos cartas perfumadas por aplicativos. A promessa, porém, continua a mesma: encontrar “a pessoa certa”. Mas a ciência tem lançado um olhar mais cauteloso sobre essa crença.
O psicólogo social Viren Swami, da Anglia Ruskin University, afirma que a noção moderna de escolher um único parceiro para toda a vida se fortaleceu quando as transformações sociais deixaram os indivíduos mais isolados. Procurar uma “alma gêmea” tornou-se também uma forma de buscar pertencimento e segurança em um mundo fragmentado.
O problema, segundo pesquisadores, não está no romantismo, mas na expectativa de que o amor verdadeiro seja fácil. O professor Jason Carroll, da Brigham Young University, diferencia “alma gêmea” de “pessoa certa”. A primeira seria encontrada pronta, como destino. A segunda é construída ao longo do tempo, com ajustes, pedidos de desculpas e crescimento mútuo.
Estudos conduzidos por C. Raymond Knee indicam que pessoas que acreditam que relacionamentos “simplesmente deveriam funcionar” tendem a desistir com mais facilidade diante de conflitos. Já aquelas que enxergam o amor como processo mostram maior comprometimento. Em outras palavras, o que sustenta um casal não é a ausência de problemas, mas a disposição para enfrentá-los juntos.
Há ainda a questão da química. Nem toda conexão intensa é sinal de compatibilidade. A coach Vicki Pavitt alerta que aquilo que parece destino pode ser apenas familiaridade com padrões emocionais antigos. Relações instáveis, que alternam proximidade e distância, geram ansiedade — e a ansiedade pode ser confundida com paixão. O cérebro interpreta intensidade como profundidade, mesmo quando há sofrimento.
A biologia também sugere que a atração não é fixa. Fatores hormonais e contextuais influenciam quem percebemos como atraente ao longo da vida. Se a química muda, torna-se difícil sustentar a ideia de que existe apenas uma combinação possível.
E, curiosamente, até a matemática entra nessa discussão. O economista Greg Leo, da Universidade Vanderbilt, desenvolveu modelos que mostram que cada pessoa pode ter várias combinações altamente compatíveis — não apenas uma. O amor, nesse sentido, parece menos destino e mais probabilidade.
Mas talvez a resposta mais bonita venha do cotidiano. Pesquisas lideradas por Jacqui Gabb, da The Open University, indicam que relacionamentos duradouros se sustentam em pequenos gestos: uma xícara de chá levada à cama, o carro aquecido numa manhã fria, um sorriso cúmplice no meio da rotina. Não são os grandes fogos de artifício que mantêm o vínculo, mas as pequenas chamas constantes.
Talvez o verdadeiro equívoco esteja em imaginar que a alma gêmea nos completa como peça que faltava. A ciência sugere algo menos mágico — e, paradoxalmente, mais profundo. Não se trata de encontrar alguém perfeito, mas de escolher, repetidas vezes, a mesma pessoa imperfeita e construir algo singular.
No fim, o amor que parece “destinado” costuma ser aquele que foi cultivado. Não nasce pronto. Cresce. Talvez a alma gêmea não seja encontrada. Talvez seja feita.

 

MEU MOMENTO ERA ANTES

  Estou preso no passado Logo eu que criticava todos Que diziam frases tolas como No meu tempo é que era bom   E eu sempre pensava que meu t...