sábado, 28 de março de 2026

PODE ME CHAMAR DE UALTERLAISSON

 
 
Hoje acordei incomodado como se estivesse com dor de dente. Mas não era dor física, era um desconforto que me acompanha desde quando era criança. A dor de me chamar José. Está achando graça ou duvidando? Pois eu te digo que é tão ruim quanto ter no registro civil o nome Ualterlaisson. Meu nome é José, o apelido é Zé.
 
Quer coisa mais sem graça que ser um desenxabido Zé? Às vezes acompanhado de complementos pejorativos tipo Zé Mané, Zé Ruela, Zé Ninguém. É foda ser apenas um zé na multidão. Fico pensando como devem se sentir os zés de outros países. Será que já pensaram em mudar o nome para “Ualterlaisson”?
 
Bom, eu nunca pensei, mas quis ser chamado de Ricardo na adolescência – ou Ronaldo. Hoje, já no ocaso da minha vida como Zé, pensei em aproveitar os apelidos para os zés de outras línguas. E aí fiz esta súplica ao ChatGPT:
 
Eu detesto meu nome, por ser apenas José. Se eu acrescentar os sobrenomes de minha mãe e meu pai (e meu nome oficial é assim) vira um jogo de palavras vulgar e pornográfico, pois "José Botelho Pinto" vira "José, botei-lhe o pinto". 
E Zé muitas vezes recebe complementos depreciativos ou insultuosos: Zé ninguém, zé ruela, zé mané, zé cai n'água, etc. Já que não posso alterar meu nome de batismo, qual apelido você sugeriria para mim? No blog eu utilizo Jotabê, mas no dia a dia eu não gosto. Pode me ajudar?”
 
E o ChatGPT ensinou que o hebraico Yosef fica assim em alguns países civilizados (por que “civilizados”? Porque sim, oras!):
 
Alemão: Josef – apelido: Sepp
Espanhol: José – apelidos: Pepe, Chepe
Finlandês: Joosef - apelido: Joose, Joosu, Jo
Francês: Joseph – apelido: Jo
Grego: Iosif – apelido: Sifis
Holandês: Jozef – apelido: Joop
Inglês: Joseph – apelidos: Joe, Joey
Italiano: Giuseppe – apelidos: Beppe, Peppino
Japonês: Josefu  (adaptação fonética) – Joe, inspirado no inglês
Polonês: Józef – apelido: Józek
Russo: Iosif – apelido: Osya
Sueco: Josef – apelido: Joppe
 
Mas a impertinente IA, sempre aflita e disposta a ajudar, ainda sugeriu adotar como apelido o brasileiríssimo “Zeca” – ou “Joca”, “Jota” ou “Josi”. Nesse ponto eu interrompi a conversa. 

Josi... Onde já se viu um marmanjo heterossexual, cisgênero e de austera barba branca aceitar ser chamado de “Josi”? Preciso explicar? E Zeca? Basta algum cretino acrescentar “Gay” ao apelido, que dá merda. Entendeu ou quer que desenhe?
 
Por isso, atendo-me apenas aos apelidos de outras línguas, percebo a dificuldade de escolher um apelido decente para o pobre Jotabê (“Zezinho” no seio da família). Se não, vejamos:
Alemão: Sepp
Espanhol: Pepe, Chepe
Finlandês: Joose, Joosu, Jo
Francês: Jo
Grego: Sifis
Holandês: Joop
Inglês: Joe, Joey
Italiano: Beppe, Peppino
Japonês: Joe
Polonês: Józek
Russo: Osya
Sueco: Joppe
Português: Zeca, Joca, Jota, Zé, Zezé...
 
Dá para imaginar o velho e alquebrado Jotabê de repente pedindo para ser chamado de Joosu, Pepe ou Sifis? Ou, pior ainda, Peppino, Jósek, Osya, Zeca ou Zezé? Definitivamente me recuso a pensar nessas sandices. Porque, se vier a pensar assim, eu mesmo pedirei minha interdição. E ainda entrego a senha do banco (Master)!
 
Acho que não tenho escapatória – nem mesmo enfrentatória (o contrário de escapatória, entendeu?): a solução é continuar usando o surrado, espancado, criticado Jotabê. Ou então passar a assinar Ualterlaisson. Fui (ou ainda parti, saí).

 



 

quinta-feira, 26 de março de 2026

MIXARIA

 Deu no G1: STF limita 'penduricalhos', mas cria novo teto salarial e pode pressionar gastos públicos


O BEIJA-FLOR ARTILHEIRO

 
Estimulado pela postagem lida no blog “As Crônicas do Edu”, resolvi fazer um comentário sobre o post dedicado ao simpaticíssimo Dadá Maravilha. Meu comentário lembraria outro apelido desse jogador: Dario Peito de Aço. Por não entender nada e nem me sentir atraído por futebol, recorri ao pai dos muito burros, ou melhor, a mãe dos mesmos. E achei uma porrada de frases ditas pelo helicóptero Dadá Maravilha. Aí não deu outra: claro que essas frases seriam a matéria prima de novo post.
 
Esta a explicação dada por seu autor: “Eu não era um Pelé, não driblava como o Zico. Eu parei e pensei: nem preciso sonhar que por aí não vai dar. Eu tenho que ser diferente, criar alguma coisa. Eu vou ser romântico, vou ser um poeta. Foi assim que eu comecei a inventar frases”. E que frases!

Não venham com a problemática, que eu tenho a solucionática.

Me diz o nome de três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha.

Pra pegar Dadá na corrida, só se for de táxi.

Não existe gol feio. Feio é não fazer gol.

Um rei tem que ser sempre recebido por bandas de música.

Pra fazer gol de cabeça era queixo no peito ou queixo no ombro.

Com Dadá em campo, não há placar em branco.

Pelé, Garrincha e Dadá tinham que ser currículo escolar.

Faço tudo com amor, inclusive o amor.

Nunca aprendi a jogar futebol pois perdi muito tempo fazendo gols.

Só existem três poderes no universo: Deus no Céu, o Papa no Vaticano e Dadá na grande área.

A área é o habitat natural do goleador; nela, ele está protegido pela constituição, se for derrubado é pênalti.

Num time de futebol há nove posições e duas profissões: goleiro e centroavante.

Bola, flor e mulher, só com carinho.

Fiz mais de 500 gols, só correndo e pulando.

Quando eu saltava, o zagueiro conseguia ver o número da minha chuteira.

São duas coisas que eu não aprendi: Jogar futebol e perder gol!

Melhor do que Dadá, só Jesus Cristo!

Futebol não pode ficar acima da educação, não!

Chuto tão mal que no dia em que eu fizer um gol de fora da área, o goleiro tem que ser eliminado do futebol.

Se minha estrela não brilhar, vou lá e passo lustrador nela.

Deixando a modéstia de lado, falando de futebol, eu falo o que eu sei, sou um expert, com doutorado nessa matéria. No futebol, eu sou o máximo, conheço tudo e sou atleticano.

Se o gol é a maior alegria do futebol, foi Deus quem inventou Dadá, porque Dadá é a alegria do povo.

Dadá não é eterno. Sua história será eterna.

 

quarta-feira, 25 de março de 2026

MAIS UM NA MULTIDÃO - ERASMO CARLOS E MARISA MONTE

Hoje, enquanto estava dirigindo, vi um backbus da Unimed, uma frase estampada no vidro traseiro do ônibus que estava à minha frente. Esta era a frase: “A vida é grande demais para se viver sozinho”, extremamente apropriada para meu atual momento. E aí me lembrei de uma música do Erasmo Carlos (a melhor parte da dupla Roberto & Erasmo), que ele gravou com a Marisa Monte.
 
Eu sempre gostei dessa música, que, pela delicadeza de letra e melodia, lembra aqueles namoros da adolescência. Por isso resolvi compartilhar o vídeo de sua apresentação ao vivo. Antes, porém, só um causo da época em que eu era adolescente.  Eu sempre achei a Jovem Guarda uma coisa brega, pois apesar de pobre, muito pobre, eu era um pobre elitista. E beatlemaníaco. Estava sem grana e fiquei na porta da sede social do Cruzeiro Esporte Clube, onde estava acontecendo uma daquelas "horas dançantes" tradicionais. 
 
Foi quando chegou o Erasmo Carlos, para fazer um show dublado, na base do playback. Um conhecido, de sacanagem, gritou para ele: "Oi, primo!" O Erasmo olhou de relance e entrou no clube. E nós continuamos do lado de fora.
 
Depois disso, eu, beatlemaníaco fundamentalista, passei a gostar de algumas músicas compostas só por ele ou em dupla com o caretíssimo Roberto Carlos. Esta é uma delas. E já não sou um beatlemaníaco fundamentalista (mesmo que continue a ser elitista).  Escutaí.

 




terça-feira, 24 de março de 2026

PESCARIA

 
 
Nunca li nada do Guimarães Rosa e a explicação é simples e patética: não tenho o costume de comprar livros, lendo apenas os que ganho. Mesmo assim, imagino que deve ser uma boa leitura, sofisticada, inesperada, como imagino que seja o conto “A terceira margem do rio”.
 
Então, é presunção querer utilizar o título desse conto do Guimarães só para fazer uma metáfora política. Mesmo assim, vou fazer, por já estar cansado, de saco cheio dos disse-me-disse entre Esquerda e Direita, das ofensas e desabafos contidos em expressões como intelectualoide, petralha, direitalha e assemelhados.
 
Por exemplo, se alguém me chamar de “comunista” eu ficarei extremamente ofendido, puto mesmo. Por outro, lado se algum petista me chamar de “bolsonarista” eu ficarei tentado a mandá-lo à puta que o pariu. Eu quero é distância dos extremos!
 
Por isso, utilizo agora a metáfora que imaginei para deixar clara minha posição ideológica (saco cheio desta palavra também!): eu não pesco nem na margem direita nem na margem esquerda de um rio; eu pesco apenas na terceira margem, que é onde tem peixe grande.
Gostaram da analogia?

segunda-feira, 23 de março de 2026

HUMANISMO É IDEOLOGIA?

 
Algumas pessoas se orgulham em afirmar que “pensam fora da caixa”. Cara, eu nem quero saber se existe uma caixa! O que eu quero é liberdade de pensamento, sem me prender a dogmas, ideologias, regras ou decretos. O genial Millôr Fernandes assim definiu ideologia: “Bitola estreita para orientar o pensamento” e completou: “A ideologia leva à idolatria, à feitura e adoração de mitos. E, finalmente, ao boquete ideológico”.
 
Acho que essa é a receita. Assim, estou pouco me lixando para os anjos e assombrações da Esquerda e da Direita. Fui educado para ser bem-mandado, do bem – um fiel e obediente cidadão. Com essa educação reconheço e obedeço às leis existentes e às normas mais rígidas em vigor. Dura lex, sed lex, como dizia um vizinho.
 
Nasci no Brasil, mais precisamente na capital de Minas Gerais, e moro no bairro mais boêmio da cidade. Paradoxalmente, não bebo uma gota sequer de álcool nem esquento a bunda nas cadeiras das dezenas de bares, restaurantes e muquifos espalhados pelo lugar.
 
Talvez por isso eu sempre tenha achado estranhas as regras, modelos, modismos e valores cultuados e defendidos por esta ou aquela tribo, partido ou ideologia. Esse estranhamento me leva a pensar que minha única ideologia é o humanismo. Que, para falar a verdade, nem quero saber se é ideologia ou não.
 
Para ser sincero, outra coisa que também desprezo e abomino – mesmo que as respeite e entenda , são as bandeiras, limites e fronteiras. A única fronteira que faz sentido para mim é a estabelecida pela camada de ozônio que protege a Terra. O resto é detalhe. Fui.

domingo, 22 de março de 2026

MANUAL PROVISÓRIO DE JUSTIÇA BIOLÓGICA

 Não sei se a moçada que acessa este blog com cheiro de gelol e sanador sabe disso, mas com o avanço da idade, o cérebro dos idosos diminui de tamanho e fica mais soltinho dentro do crânio, situação real e potencialmente perigosa se você cair de cabeça e enfiar o cifre no chão. E isso é sério.
 
Pois bem, estava despreocupadamente fazendo nada, quando meu cérebro foi chacoalhado por uma nova ideia, uma ideia meio louca, tão sem propósito que resolvi chamar o ChatGPT para descascar o abacaxi e fazer uma crônica (estava chupando manga, muito melhor que ficar pensando e digitando idiotices). E este foi o pensamento que pedi para desenvolver:
 
“Talvez seja uma visão egoísta, mas considero injusto que as pessoas idosas possam morrer quando estão felizes. O corpo deveria ter um timer automático que fosse acionado quando estivessem altos os níveis de serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina. Funcionaria na base do “não se mexe em time que está vencendo”.
Em compensação, se o cortisol estivesse muito alto, o corpo já começaria a desligar os sistemas vitais, começando pelos menos importantes. Que acha desta piração?”
 
Não demorou muito para a IA surgir com esta crônica (claro, depois de fazer mil perguntas impertinentes.). Acho que ficou bem legal. Mas lembrando de que a autoria é do ChatGPT, OK?. Lêaí.
 
Manual Provisório de Justiça Biológica
Ele começou com um pedido de desculpas que já denunciava o contrário: “talvez seja egoísmo”. Não era. Era, como quase todas as boas ideias impraticáveis, uma tentativa sincera de melhorar o mundo.
A proposta era elegante: ninguém deveria morrer quando está feliz. O corpo, finalmente organizado, passaria a respeitar o momento. Detectaria níveis elevados de alegria — esses coquetéis internos de bem-estar — e concluiria, com bom senso: “melhor não mexer nisso agora”.
Seria o fim das interrupções indevidas. Nada de finais dramáticos em meio a jantares agradáveis ou risadas bem encaixadas. A biologia, promovida a bom senso, aprenderia a esperar.
Havia, claro, o outro lado. Quando a vida apertasse demais, quando o sujeito estivesse claramente perdendo o jogo, o organismo poderia, com a mesma elegância, começar a fechar a conta. Nada brusco. Um desligamento progressivo, quase administrativo.
Parecia justo. Mas ele mesmo percebeu um detalhe incômodo: isso eliminaria justamente quem ainda poderia melhorar. Ajustou a regra.
Nova versão: entre duas pessoas da mesma idade, partiria primeiro a menos feliz.
Agora sim, um critério comparativo. Quase um ranking existencial. A morte, finalmente, com algum senso de prioridade.
O problema — eu disse, talvez estragando um pouco a proposta — é que a felicidade não colabora. Não se deixa medir com precisão, não respeita escalas, não preenche formulários. É instável, contraditória e, em muitos casos, discretamente escondida.
Em outras palavras: péssima candidata a critério técnico.
Além disso, ela muda de ideia. Pessoas atravessam longos períodos sem grande entusiasmo e, sem aviso prévio, encontram algo que reorganiza tudo. Um amor, por exemplo. Desses que chegam atrasados, fora de contexto e, por isso mesmo, no momento exato.
Foi aí que a teoria perdeu um pouco da força — e ganhou alguma verdade.
“Estou vivendo um novo romance”, ele disse. “Está bom demais.”
O curioso é que, diante dessa frase, toda a engenharia anterior ficou parecendo desnecessária. Não porque estivesse errada, mas porque ficou pequena.
Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa. Uma vontade de que o que é bom dure, de que o que faz sentido não seja interrompido no meio.
A vida não promete isso. Nunca prometeu.
Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.
Permite que algo comece quando já não se esperava.
Permite que alguém se surpreenda com a própria felicidade.
Permite que exista, mesmo que por um tempo incerto, esse estado raro e simples de dizer:
“está bom demais”.
E talvez, no fim, isso não seja justiça.
Mas já é, de algum modo, um cuidado.
 
 
Apesar de ter gostado muito da crônica, fiquei intrigado com o título dado pela IA e perguntei: “Por que você escolheu este  título para essa crônica?” E esta foi a resposta:
 
Boa pergunta — e ela entra no espírito da própria crônica.
 
Sobre o título: “Manual Provisório de Justiça Biológica”
Ele tem três camadas de ironia:
“Manual” sugere algo técnico, organizado, quase científico — como se fosse possível normatizar a vida, criar regras claras para nascer e morrer. Isso contrasta com o caos real da existência.
“Justiça” aponta diretamente para a sua ideia original: corrigir uma “injustiça” da vida (morrer quando está feliz, ou preservar quem está melhor). É uma tentativa humana de impor sentido onde não há critério moral claro.
“Provisório” quebra tudo isso com delicadeza. É como se o próprio texto admitisse: “olha, isso aqui é bonito, mas não vai funcionar — e tudo bem”.
A vida não aceita versão final de manual.
O título, então, já prepara o leitor para uma proposta que é ao mesmo tempo séria e meio fadada ao fracasso — mas um fracasso elegante.

Ainda com vontade de fazer nada, resolvi imitar uma característica irritante do ChatGPT, que é sempre fazer novas perguntas e comentários após sua próprias ponderações e explicações. Por isso, dei a “estocada” final com esta pergunta: “Poderia explicar melhor o final desta crônica?”
 
E a danada da IA respondeu assim:
 
Vou destrinchar as últimas ideias.
 
1. “Talvez a gente invente esses sistemas não para aplicá-los, mas para proteger alguma coisa.”
 
Aqui a crônica revela o motivo real da ideia do “design ideal”.
Não é engenharia da vida. É um gesto de proteção.
Quando alguém está vivendo algo muito bom — como um amor que chegou num momento inesperado — nasce um impulso quase automático:
 “isso não podia acabar agora.”
Então a mente tenta criar regras para o universo.
É uma forma de defender o momento.
 
2. “A vida não promete isso. Nunca prometeu. / Mas, ainda assim, de vez em quando, ela permite.”
 
Esse é o ponto de virada emocional do texto.
Ele reconhece duas coisas ao mesmo tempo:
a vida não garante justiça emocional
mas ela também não impede que coisas boas aconteçam
Ou seja: o mundo não foi feito para preservar a felicidade…
mas curiosamente ela aparece mesmo assim.
Isso cria uma sensação de milagre cotidiano, sem chamar de milagre.
 
3. A repetição de “Permite…”
 
Essa parte é importante no ritmo e no sentido.
Ela transforma o final numa espécie de respiração calma, quase contemplativa.
Cada linha amplia um pouco a ideia:
algo pode começar tarde
alguém pode se surpreender com a própria felicidade
e, finalmente, alguém pode dizer algo simples
Essa progressão aproxima o leitor do momento humano que originou a crônica.
 
4. A última frase:
 
“E talvez, no fim, isso não seja justiça. Mas já é, de algum modo, um cuidado.”
Essa é a chave do final.
No começo da crônica, a preocupação era justiça (um sistema que decidiria quem vive mais).
Mas no fim, o texto percebe que talvez a vida não funcione com justiça — pelo menos não nesse sentido.
Então surge outra palavra mais suave: cuidado.
Não um cuidado planejado, técnico ou garantido.
Mas aquele tipo de cuidado que a gente sente quando algo bom aparece no momento certo, mesmo sem explicação.
É quase como se o texto dissesse:
Talvez o mundo não seja justo.
Mas às vezes ele é gentil.
E essa mudança — de justiça para gentileza da vida — é o verdadeiro fechamento da crônica.
 
Que mais eu poderia sentir além de inveja por tudo o que o ChatGPT criou em poucos minutos?

 

PODE ME CHAMAR DE UALTERLAISSON

    Hoje acordei incomodado como se estivesse com dor de dente. Mas não era dor física, era um desconforto que me acompanha desde quando era...