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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

DE ONDE EU VIM?

 

Desde quando fiquei sabendo que o exame de DNA poderia trazer informações sobre a minha ancestralidade, eu tive vontade de fazer. Mas o dia a dia tem a mania de ser avaro com frescuras desse tipo, melhor gastar o dinheiro com coisas úteis – e assim a vida vai passando, sabotando, enterrando pequenos prazeres. 

Mas uma mudança radical em minha vida fez com que eu tentasse priorizar a minha felicidade, o meu bem-estar. Comecei a fazer aulas de dança de salão, resolvi fazer  pilates e aprender a dançar forró.

Além disso, decidi ter aulas de teclado, melhorar minha performance no violão, aprender inglês, começar a aplicar a caneta emagrecedora e viajar para a Suiça. 

Com exceção da viagem e das aulas, o resto já está em andamento. E toda essa sanha para combater a mais absurda solidão que já senti fez também surgir o desejo de saber de onde eu vim. Comprei também esse exame! E o resultado saiu ontem. 

Só fiquei decepcionando com uma coisa: eu sempre quis ter um pezinho na África, mas não tenho. Olha que interessante o resultado: 

Jose, seu DNA indica que 93% da sua ancestralidade é proveniente da Europa.

Europa – 93%, assim distribuídos:
Ibéria – 50%
Itália – 13%
Europa Ocidental – 6% (Alemanha, França e Países Baixos e Ilhas Britânicas)
País Basco – 5%
Bálcãs – 5% (Bulgária e Macedônia do Norte, Grécia, Romênia e Moldávia, Sérvia e Montenegro, Croácia e Bósnia-Herzegovina)
Judeus Sefaradim – 5%
Judeus Ashkenazim – 4%
Sardenha < 3%
Leste Europeu < 3%
Lapônia e Volga-Ural < 2%

Oriente Médio e Magrebe – 5%
 
Américas < 3%

Na próxima encadernação, quero nascer italiano. Afinal, já tenho 13% de sangue romano correndo em minhas veias! 

Meno, JBrancaleone, meno!

P.S. O ìncrível Exército de Brancaleone é um dos filmes mais grotescos e engraçados que já vi

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

(IN)UTILIDADE PÚBLICA.

 Recentemente (estou com a sensação de já ter falado sobre isso!),  na padaria perto da minha casa, vi uns quadrinhos lindos, bacanérrimos, com várias imagens do fundador da "boulangerie" (porque eles são muito frescos). Perguntei ao neto do patriarca como tinha obtido um resultado tão excepcional.
A resposta foi ter criado, com a ajuda de uma IA, um prompt detalhado para ser utilizado naquelas e em outras futuras imagens. 
Pedido e recebido o tal prompt, resolvi aplicá-lo. A imagem resultante ficou bem boa (para mim, pelo menos). E é essa receita que compartilho agora com os milhões de leitores do velho Blogson: 
 
PROMPT:
Utilize a foto anexada apenas como referência da pessoa. Crie uma ilustração em estilo line art refinado, mantendo fielmente as características do rosto, expressão e pose.
Estilo desejado:
* Fundo sólido na cor creme (off-white quente, semelhante a papel de algodão).
* Todo o desenho feito exclusivamente com traços verde oliva escuro (#556B2F como referência).
* Sem preenchimentos coloridos.
* Linhas finas, elegantes e orgânicas, com pequenas hachuras apenas para sugerir volume e sombras.
* Aparência de ilustração artesanal, sofisticada e atemporal.
* Alto nível de detalhamento no rosto, olhos e sorriso, preservando a personalidade da pessoa.
* Roupas e acessórios desenhados com simplificação artística, mantendo seus principais detalhes.
* Fundo totalmente limpo, sem objetos, paisagem ou elementos decorativos.
* Centralizar a pessoa na composição.
* Proporção vertical (2:3).
* Qualidade extremamente alta, adequada para impressão em quadros grandes (60×90 cm ou maior).
Objetivo estético:
O resultado deve lembrar uma mistura entre ilustração botânica clássica, gravura fina e desenho editorial contemporâneo, minimalista, elegante e acolhedor. A arte deve parecer feita por um ilustrador profissional, e não um simples filtro aplicado sobre a fotografia.

E para finalizar, olhaí o Jotabê sem nenhuma vergonha na cara:






terça-feira, 11 de agosto de 2026

EXIBIDO!

 
Olhaí, pessoal. Os cento e trinta e poucos poemas que eu publiquei ao longo do tempo neste blog desconjuntado acabaram sendo reunidos, selecionados e lançados na Amazon sob a forma de e-book, graças à mentoria inicial e apoio do Fabiano Caldeira, imperador absoluto do blog Fabiano Café Gay.
 
Mas o que deveria ser apenas uma publicação, acabou se transformando em dois, três, quatro e sei lá mais quantos e-books. O material era o mesmo, apenas a finalidade mudava.
 
Recentemente, ao ver minha vida e coração revirados por uma pessoa especialíssima, comecei a escrever poemas de amor e de inquietação, bem no estilo neurótico-apaixonado e instável que caracteriza e define meu estado mental.
 
Pois bem, nada mais natural que surgisse também o desejo de que ela lesse os poemas jotabélicos anteriores à sua ressurreição e também aqueles que inspirou. Mas ler a versão e-book é mais chato (para mim, pelo menos).
 
 Por isso, resolvi fazer um livro impresso para dar a ela, a musa inspiradora desse desejo (de outros também). Depois de uma seleção rigorosíssima da tralha toda, selecionei 111 poemas. Mas deu trabalho, como deu trabalho!  Aliás, trabalho e briga com a Amazon, motivada por eu querer utilizar uma capa criada pelo ChatGPT. Para encurtar a conversa, perdi a briga e fui obrigado a usar o criador de capa do KDP.
 
Computados mortos e feridos, medicados e suturado os ferimentos, o livro impresso foi  finalmente aprovado pela Amazon. E é essa belezura que exibo para vocês (sou muito exibido, quase um exibicionista). O título adotado é "OLHOS DE SOL NASCENTE: Seleção Afetiva de Poemas". Por que "olhos de sol nascente"? A explicação para esse título está no corpo do livro. Mas ninguém precisa comprar, pois sai caro pra burro (frete dos EUA para cá, etc.).


terça-feira, 2 de junho de 2026

MODERAÇÃO DE COMENTÁRIOS

 AVISO: Comentários estimulados por essa ou aquela publicação nunca o padrão do blog. na verdade, pouquíssimas pessoas deixaram ou ainda deixam algum comentáriosobre o que foi publicado. Mesmo assim, às vezes passo batido e nem descubro o que foi comentado. Por sso, já que eu gosto de responder a todos, resolvi voltar com a moderação de comentários só para ver se tem algum não descoberto. Mas TODOS serão publicados. É só isso, por enquanto.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

AVISO AOS NAVEGANTES

 A partir de hoje e até o dia 23 ou 24 não acessarei blogs amigos, não publicarei nem comentarei nada. Só na volta, se tiver assunto, publicarei alguma coisa. Até lá o blog ficará sem novidades, mas respirando sem auxílio de ventilação mecânica. See you later alligator!

https://www.youtube.com/watch?v=1Hb66FH9AzIhttps://www.youtube.com/watch?v=1Hb66FH9AzI


segunda-feira, 13 de abril de 2026

TEM LIVRO NOVO NO PEDAÇO

 
Noite passada acordei de madrugada com uma puta azia e com a canela da perna direita coçando e ardendo. Depois de tomar antiácido e passar um creme na perna, fiquei umas duas horas acordado, esperando passar a azia e o desconforto da perna. Mas ela e a azia foram poderosos estímulos para a nova maluquice jotabélica: resolvi juntar em um só volume os dois e-books de “deZénhos” (os desenhos do Zé) já publicados. “Passatempo” da madrugada...
 
Depois de ter o conteúdo revisto e analisado pela Amazon, o link de acesso foi finalmente liberado. Se esperararem até o dia 14/04 poderão fazer o download sem gastar nada. Então, lembrando: download free de 14 a 18/04 (cinco dias). Depois disso o acesso a essa “obra-tia” (porque “obra-prima” já está batido) custará R$6,00, caríssimo. Mas podem conhecer partes do livro a partir de agora.

O link é este:

E a capa é esta, utilizando um cartoon que está no e-book. Foi feita com figuras geométricas do Word e traz a sutileza da inversão do tamanho das sombras. Perdoem-me pela imodéstia, mas acho que foi uma ótima idéia (eu me amo!)



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

RELIGARE - REFLEXÕES SOBRE RELIGIOSIDADE, CRENÇA E FÉ

 
(Continuação do post anterior)

Os sentimentos de perplexidade, decepção e raiva surgiram imediatamente ao ver a palavra “BLOQUEADO” à direita da imagem da capa original. Perguntei ao Fabiano Caldeira, meu consultor para assuntos relacionados aos e-books da Amazon e ele disse nunca ter visto nada daquilo.
 
E não havia como modificar nada. Talvez a solução fosse reiniciar o processo, ou melhor, “fazer de conta” que se tratava de outro livro – que, muito provavelmente, também seria bloqueado.
 
Muito irritado com a situação, comecei freneticamente a fazer alterações. Excluí três ou quatro textos, dois deles com longas transcrições de livros que li (e talvez esteja aí o motivo da recusa – direitos autorais não respeitados).
 
Mudei o texto de divulgação, utilizei apenas uma “palavra-chave” em lugar das sete da versão anterior, escolhi nova capa – bem melhor que a original e, só de raiva, estabeleci o preço de R$5,00 para a nova versão. Originalmente custaria apenas R$1,99. O novo livro foi aprovado e posto à venda. Aleluia!
 
Se alguém se interessar em saber como seria uma "bíblia jotabélica" (não herética!) ou outras viagens na maionese surgidas e "perpetradas" nos últimos dez anos, o período de download gratuito vai de 13/02/2026 a 17/02/2026, em pleno período carnavalesco. Mas, por coerência com a temática do novo e-book, é melhor que seja lido durante a quaresma. Olha o link aí.




A capa antiga (da versão não aprovada) era assim. Ao lado dela, o aviso da Amazon.










segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

CONVERSANDO SOBRE RELIGIÃO, RELIGIOSIDADE, CRENÇA E FÉ

 
A morte da minha mulher teve para mim o efeito de um ciclone, de um tsunami ou, no mínimo, de um capotamento de carro, pois minha vida foi revirada como se fosse uma roupa dentro de uma lavadora. Tudo mudou, nada ficou como antes.
 
Tenho tentado manter a casa minimamente organizada e limpa, mas às vezes a vontade é de ficar deitado em nossa cama – em minha cama, agora tão grande e tão vazia.
 
Conversando com um de nossos filhos, o mais irrequieto, sempre querendo que eu me desfaça de metade dos objetos que minha mulher acumulou ao longo de cinco décadas, comentei que nossa casa é, na verdade, da Eliany, deles, dos nossos filhos, e que eu sou apenas o síndico. Ele riu e disse que é então o zelador, sempre querendo arrumar isso e aquilo.
 
Essas mudanças aconteceram também no campo religioso. Eu já me sentia praticamente ateu quando a doença de minha mulher teve uma progressão acentuada, fazendo-me lembrar desta frase do Millôr Fernandes: “O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde”.
 
A partir daí, comecei a repensar as crenças que tive, a fé que fui perdendo e a esperar por um milagre que revertesse o quadro triste que começava a se desenhar com nitidez. Infelizmente, o milagre não aconteceu, trocado que foi por um vazio imenso e por uma saudade abissal.
 
Foi nesse cenário que surgiu a vontade de reler todas as postagens indexadas no marcador “Religare” do Blogson Crusoe. Sinceramente falando, gostei bastante de quase tudo o que li – apesar de perceber com clareza a curva descendente da minha fé desde o primeiro texto que falava de religião e religiosidade, de crença e de fé, escrito quando eu ainda nem sabia o significado da palavra “blog”.
 
Pensar em um novo e-book com esses textos foi uma reação quase imediata, estimulado pelas lembranças da minha Amada. Mas aconteceu o inesperado: o livro a quem dediquei tanto carinho foi recusado pela Amazon! 

Depois de seguir todos os passos para sua publicação, recebi um e-mail com este texto: Com base em nossa análise, não aceitaremos seu envio para publicação porque os livros podem resultar em uma experiência decepcionante para o cliente.

O que aconteceu depois fica para a próxima postagem.

domingo, 16 de novembro de 2025

MINGAU

 
O cansaço extremo que sinto
Fez sua cobrança, afinal,
Burnout, cérebro liso,
Consistência de mingau.

Por isso peço desculpas
A todos que são meus amigos
E também aos que não mais são
Pois agora não mais consigo

Comentar como sempre fazia
Nem conseguindo acessar
Os blogs que antes seguia
Só consigo dizer “Nada a declarar”


10/11/2025


terça-feira, 11 de novembro de 2025

RAVEN

 
Meu interesse pela manutenção do blog pode ser entendida por estas imagens. Sinceramente, estou pouco me lixando para o que foi um dia minha melhor fonte de diversão. Foi, pois a Vida matou esse interesse. 

Há posts antigos da família de minha mãe e alguns novos que deixei programados. Aproveitem, portanto (se quiserem, lógico). Depois disso, só o Belchior para explicar, pois eu cheguei no meu limite.
 
No presente, a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais.
Como Poe, poeta louco americano, eu pergunto ao passarinho:
- Black bird, assum-preto, o que se faz?
Black bird, assum-preto, pássaro-preto, me responde:
- O passado nunca mais





segunda-feira, 20 de outubro de 2025

DE VOLTA PARA CASA

 

Depois de alguns dias preso em um hospital por conta de uma baixa de sódio no sangue, que fez minha mulher ficar com imensa confusão mental e até risco de entrar em coma, estamos de volta.

Para celebrar este momento, começarei a republicar as postagens que mais sucesso fizeram na história do blog, mesmo que nunca tenha pensado em reuni-las em e-books. São muitas. Espero que as leitoras e leitores mais recentes gostem. Eu gostei muito de tê-las escrito (quando ainda tinha memória).

domingo, 19 de outubro de 2025

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

SE LIGA, MANÉ!

O post de hoje foi escrito como carta endereçada a um jovem. Acabei desistindo de entregá-la, pois o destinatário não é meu filho. Mas guardei. Hoje, relendo o texto que escrevi, percebi que ele é meio papo-cabeça, tem algumas lembranças de infância, misturado com papo sério. Ou seja, é bem a cara do Blogson. Por isso, como este blog é meu e eu faço dele o que bem entender, resolvi postá-lo na seção Falando Sério. E criei um título, coisa que não tinha antes.
 
Se algum jovem quiser vestir a carapuça, tudo bem. Se nem conseguir entender direito o que leu, tudo bem também. Como disse uma vez o Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, não estou nem aí. Mas, pela pertinência do assunto e para dar alguma elegância ao texto, acrescentei um trecho da letra da música “Samba da Benção”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, que não existia na carta original.
 
Feito essa gente que anda por aí brincando com a vida
Cuidado, companheiro! A vida é pra valer. E não se engane não, é uma só
Duas mesmo que é bom ninguém vai me dizer que tem sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu e assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo”
 

Vou começar essa “conversa” lembrando uma música que diz assim: “nada sei desta vida, nunca saberei”. Você pode perguntar por que estou escrevendo isso, mas a resposta é muito simples: porque eu me preocupo com as pessoas de quem gosto.
 
Eu já disse algumas vezes aos meus filhos que não sou exemplo de vida para ninguém, pois, sempre vivi frivolamente, de forma amadorística, displicente, irresponsável. E tem um papo aí que diz que se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia. Então, não vou tentar dar conselhos, vou contar um pouco da minha história, para ver se você encontra alguma sintonia.
 
Eu morava na casa de minha avó materna, em um bairro de classe média baixa, perto de dois campos de futebol de várzea. Quando fui autorizado a sair sozinho de casa, era para lá que me dirigia. A meninada da redondeza também ia para lá, que era o lugar ideal para se jogar “finca” e bolinha de gude, soltar papagaio e, naturalmente, jogar futebol.
 
Sendo muito tímido e inseguro, era às vezes alvo de gozações e ameaças dos meus “amigos”. Afinal, a partir dos seis, sete anos, eles já vagabundeavam por ali sozinhos, livres, o dia todo. Ou seja, eles tinham quatro anos a mais de malandragem que eu e não tinham hora para voltar pra casa. E isso fazia enorme diferença, pois eram craques nas peladas disputadas com bolas de plástico ou borracha (bola de couro era muito difícil de encontrar naquele lugar de gente muito pobre).
 
Um dia meu irmão ganhou de presente uma bola de couro, pequena, fodidinha, mas de couro. A partir daí sempre éramos convidados a jogar futebol. Para equilibrar, meu irmão ficava em um time e eu no outro (éramos pernas de pau). Normalmente, me empurravam para o gol, para não atrapalhar. Mas bastava algum menino de fora chegar com outra bola de couro, que os times eram imediatamente refeitos e a bola devolvida ao meu irmão. Como ele não iria mais jogar (pois teria que tomar conta de sua bola), eu era tirado do time, coisa que me deixava puto. A partir de algum tempo, passei a não ligar para futebol.
 
A médio prazo isso foi até bom, pois fez com que eu progressivamente me afastasse dessa molecada. Como morávamos na parte mais pobre do bairro, meus companheiros eram igualmente pobres, filhos de gente humilde, pobre e sem estudo. Muitos desses “amigos” eram repetentes, outros pararam de estudar ainda no ensino básico ou logo após sua conclusão.
 
Como morei lá até me casar, pude ver em que se transformaram: um virou fotógrafo de batizados e casamentos, outro enlouqueceu, um foi morto no início da adolescência, vários se tornaram apenas desocupados, encostados nas portas dos bares. Nenhum continuou os estudos, nenhum fez faculdade.
 
Que eu quero dizer com isso? Que eu dei sorte de ter me afastado dos meus antigos companheiros de infância. Senão, a chance de ficar igual a eles seria muito grande. Tem um ditado aí que diz “diga-me com quem você anda que eu te direi quem você é”. Talvez seja verdade. Mas eu prefiro pensar na frase de um antigo treinador, que dizia “junte-se aos bons que em breve poderá ser um deles”.
 
Acho que é por aí. E sabe por quê? Porque eu era muito tímido, inseguro e mané. Mas eu queria passar a imagem de descolado, de fodão, de esperto. Então, eu ficava tentando ser parecido com os caras que eu admirava. E eu admirava os “ricos”, pois eu era pobre pra caralho. Mas tinha uns “ricos” de quem devia ter ficado longe, pois quase virei maconheiro ou alcoólatra.
 
Lembrando-me dessas coisas, eu vejo o quanto fui vacilão e quantas cagadas eu dei. Ao ponto de, um dia, meu irmão ter que arrombar a porta do banheiro lá de casa para me tirar, desacordado, quase em coma alcoólica. Já viu a merda que foi, né?
 
Hoje eu vejo (e pra mim já é tarde) que fiz muitas escolhas merda sem pensar muito, sem pensar o que eu REALMENTE queria ser e fazer. Eu fui sendo levado e o termo é esse mesmo, EU FUI SENDO LEVADO pela vida afora. Só não me dei mal totalmente porque meu irmão mais velho me colava o saco e perguntava se eu queria ser só um merda na vida. Depois, conheci minha Amada, que me ajudou a entrar mais um pouco nos eixos. Mas poderia estar bem melhor se só tivesse feito escolhas boas, poderia dar a ela muito mais conforto do que eu consegui dar.
 
Que conclusão eu posso tirar de tudo isso? Que todo mundo faz escolhas o tempo todo, cada um escolhe o que quer para a sua vida. O problema é quando você não consegue enxergar um pouco mais à frente, o problema é quando seus amigos são babacas ou fracassados ou radicais ou sem noção ou piores que você - ou tudo isso junto (a repetição do "ou” foi proposital, para dar ênfase). Aí, se você não tiver um rumo SEU, você corre o risco de jogar fora, de desperdiçar as suas qualidades e sua inteligência. E adotar o rumo deles.
 
Jorge Paulo Lemann, o sujeito mais rico do Brasil atualmente, disse o seguinte: “pense alto, queira o melhor, pois o trabalho para conseguir isso é quase o mesmo de você pensar pequeno”.
 
E eu acrescentaria: Mas tem que ralar, estudar e se preparar, pois, a menos que o cara seja um gênio, inteligentíssimo (e a maioria das pessoas não é), as oportunidades de progresso e riqueza neste século XXI são canalizadas para aqueles que metem a cara nos estudos, até se formar na universidade.
 
Isso não é uma verdade absoluta, lógico, mas, hoje, as chances de ganhar excelentes salários surgem majoritariamente para quem se dedicou a estudar – e estudar muito. E quanto menos educação formal as pessoas têm, mais terão que se contentar com trabalhos pouco qualificados (que sempre foram pouco remunerados – e continuarão sendo). É isso.

17/07/2014

sábado, 4 de outubro de 2025

RECEITA DE BRAGUICE

 
Como todo mundo sabe, breguice é alguma coisa de mau gosto, vulgar, cafona, algo semelhante à camisa com mangas boca de sino e calça de bolso redondo que usei na adolescência (que vergonha, meu Deus). Eu era muito brega, esta é a verdade. Depois, tentei me livrar disso, mas um pé sempre ficou preso na periferia. Mas não é de breguice que eu queria falar. Meu tema de hoje é “braguice”, o comportamento de meu ídolo máximo Rubem Braga. Como escrevia bem! E hoje, lendo um texto sobre ele, descobri a receita que usava para escrever suas deliciosas, engraçadas e delicadas crônicas. Aprende aí:
 
Braga checava tudo para ter a absoluta certeza que não se enganava. Os originais eram sempre escritos, reescritos, corrigidos. O cronista cortava palavras, substituía, reescrevia frases. Era minucioso e detalhista e conservou como estilo a brevidade. Exterminador de adjetivos, dizia que a crônica deveria se aproximar da conversa fiada, ou seja, parecer despretensiosa para arrebatar o leitor. À lição para o exercício da crônica acrescia a necessidade de conhecimento amplo. Braga lia de tudo. Poesia, biografia, literatura estrangeira, romance policial e até tratados sobre jardinagem. O cronista cultivava um conhecimento enciclopédico.
 
Captou a mensagem? Agora é só começar a escrever. Duro vai ser achar assunto, problema parece não ter afligido quem escreveu mais de quinze mil crônicas em 62 anos de carreira.

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

SUZANINHA DEU BANDEIRA

 
Como é norma deste blog, “resposta grande vira post”. E o pivô de tudo é o post “Loucura pouca é bobagem”. Vamos lá:

Suzaninha, a corrupção no Brasil é igual gordura intersticial em carnes wagyu, sempre existiu em todos os governos, em todos os séculos. Como se roubou durante a construção de Brasília! Como se roubou na época dos presidentes militares! Como se roubou nos governos estaduais do Paulo Maluf, Orestes Quércia, Newton Cardoso e coleguinhas de outros estados! Como se roubou no governo Collor! Não creio poder dizer que esse pessoal fosse de esquerda, a menos que pelo menos um deles fosse canhoto. O que significa que "nós" somos muito bons nisso! Estanislau Ponte Preta (alter ego do jornalista Sérgio Porto) colocou na boca de um de seus hilários personagens esta frase lapidar: "Ou locupletamo-nos todos ou restaure-se a moralidade". Coitado, morreu sem nunca ter visto isso acontecer (na verdade, nunca acontecerá).
 
Como se roubou na época do Mensalão e do Petrolão! – pontas do iceberg do roubo e da corrupção que sempre vicejou no país. E o segredo ou a chave desse enigma é o fato de que corruptores e corrompidos só dão as caras quando se realizam grandes obras públicas (ou grandes negociatas), tipo barragens, túneis, oleodutos, refinarias, estradas, pontes e usinas nucleares. Obviamente só estou falando do setor onde sempre trabalhei. O problema é que quando tentamos combater e punir esse tipo de crime às vezes tropeçamos na legalidade, dando margem à necessidade de desfazer o que foi feito açodadamente, caso dos meus amiguinhos Moro e Dalagnol, que na ânsia de ferrar o atual presidente tiveram uma espécie de ejaculação precoce jurídica, melando as provas que ralaram para conseguir. Há um ditado bonitinho que diz: "dois erros não fazem um acerto".
 
Mas a coisa não para porraí. Temos uma tendência meio patológica de aplaudir ou tentar dar golpes de Estado. Taí seu ídalo que não me deixa mentir. Somos um povo ignorante que aplaude e segue quem se proclama salvador da pátria. Estão aí os hooligans verde-amarelos que foram condenados por depredar a Praça dos Três Poderes e atentar contra a ordem constituída. Não duvido que você ache isso uma grande injustiça e que provavelmente peça anistia para essa gangue.
 
Aliás, eu tenho para mim que Suzana Flag é um perfil falso e, mesmo que se declare “uma moça radical” (uma confissão de dar pena), talvez seja um bigodudo escondido atrás dessa bandeira.  Isso é outra coisa que percebo: você sempre dá bandeira (flag) por aqui, pois basta eu criticar alguém da sua tchurma para que você enlouqueça e até tente me ofender, logo eu, um moderadinho inofensivo. Isso me faz pensar que está sempre visitando este blog que já está com água até no queixo. Como eu só tenho um queixinho, não demora para que eu me afogue definitivamente.
 
Mas quase ia me esquecendo de falar dos doze mil de “aposentadoria de anistiado”. Só te faço uma pergunta: está dentro da lei? Se estiver, para mim está OK. O que não pode é tentar mudar a lei, mijar na Constituição só para manter no poder quem apoia garimpo ilegal em terras indígenas, mineração em áreas de preservação ambiental, quem desdenha e não crê em vacinas. Também não pode pedir ajuda ao primo rico do norte para depor quem foi legalmente eleito.
 
Suzaninha, talvez eu devesse deixar este comentário apenas como resposta ao seu, mas aqui no blog resposta grande vira post. Por isso, mesmo que esteja pouco me lixando sobre o que pensa de mim (e nem queira saber o que penso de você!), transformarei este texto em novo post, pois tenho andado muito sem assunto. Fique bem. Beijos

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

PARANDO DE FUMAR

 
Meu estado de espírito atual está no modo "corrente alternada", ora gira para um lado, ora para o outro e isso se reflete na vontade de continuar ou abandonar de vez o blog e a blogosfera. Nunca me senti tão bipolar como agora! Às vezes meu maior desejo é que eu realmente consiga me afastar, mesmo sem saber como ficarei depois, pois a realidade é tão opressora que acho até injusto querer continuar com o blog. Em outros momentos, estando mais tranquilo ou resignado, tenho vontade de continuar "blogando". Esse é o impasse.
 
O texto que lerão a seguir foi escrito quando eu estava no subsolo do fundo do poço da depressão. Se eu resolvesse hoje escrever sobre o mesmo tema, sairia um texto totalmente diferente. Não vou entrar aqui em detalhes sobre minha vida pessoal e familiar, pois algumas pessoas escolhidíssimas sabem do que estou passando. Então, vamos ao texto escrito no cu da depressão:
 
Cheguei à conclusão de que não conseguirei fazer o “desmame” do blog tal como tinha imaginado, com a publicação a cada dois ou três dias dos textos que já estavam prontos, pois isso só tem aumentado minha ansiedade. Creio que a solução terá como modelo e exemplo o ato de parar de fumar: cortar de uma vez.
 
 Imagino que algumas pessoas que acessam o blog devem fumar (cigarros vendidos em bares e padarias, bem entendido) ou talvez tenham conseguido se livrar desse vício. Eu já fumei, todos os meus cunhados já fumaram e pararam (um pouco tarde, para alguns). Você – que nunca fumou ou conseguiu parar – já beijou a boca de quem fuma? O gosto é horroroso, diminuindo muito o prazer da troca de saliva.
 
Pois bem, cheguei à conclusão que preciso fazer com o blog o mesmo que já fiz e a maioria das pessoas faz para parar de fumar: só na porrada, de uma vez só. Os primeiros dias serão horríveis, a vontade de voltar será quase incontrolável, mas, aos poucos, esse desejo irá se acalmando até que o ato de fumar/postar seja só uma lembrança. E se tiver uma recaída, não tem problema. Alguns têm, outros não.
 
Por isso, reprogramei todos os textos que já estavam prontos e os que fui criando de forma obsessiva – como se precisasse aproveitar o ar que está se acabando – para publicação com no máximo dois dias de espaçamento entre eles. O último deverá ser publicado no inicio de outubro. Como poderão notar, o humor está extremamente oscilante, bem "corrente alternada".
 
Lamento que algumas pessoas tenham ficado sabendo da existência do blog só em sua fase agônica. Meu sentimento por todos/todas que seguem o blog é de pura gratidão. Agradeço especialmente à Catiahô, à Daniela Silva, ao Eduardo Medeiros, ao Eduardo Franciskolwisk e ao Fabiano Caldeira, por sempre ou quase sempre comentar o que acabaram de ler.
 
Peço sinceras desculpas a todas as pessoas que acessam ou acessaram o Blogson por evitar dar respostas aos comentários porventura deixados no blog. Também peço que me perdoem por não ler nem comentar as postagens dos blogs que sempre segui, pois atualmente minha mente alterna tristeza altíssima com a esperança de que tudo ficará bem para quem eu amo tanto.
 
Hoje eu não sou mais o que eu era até há pouco tempo. Eu era alegre e não sabia. Hoje eu apenas finjo que sou. E são essas mudanças que me levam a me desculpar com vocês. Talvez perca todos os seguidores (acabei de perder um), mas continuarei a fazer o que está mais de acordo com a turbulência em que me encontro: não comentarei mais nada, não responderei mais nada e acessarei apenas dois ou três dos blogs que sempre acessei. E o motivo, como disse, é tristeza. Nunca me senti tão triste como agora! E não é frescura nem depressão de idoso carente, a culpa é do futuro que resolveu chegar mais cedo.
 
Este era o texto que acreditei ser definitivo. Hoje, pensando de forma um pouco mais relaxada (hoje ninguém sofreu dor!), imaginei uma solução idiota e paliativa: reprogramar os posts antigos para a época atual. Não escreverei nada, apenas mudarei a data de publicação. Se eu mover um terço do que já publiquei, o blog terá uma sobrevida (estou odiando esta palavra!) de três anos, mas precisarei fazer isso rápido pois até lá já devo ter morrido fisicamente ou de desgosto.
 
É uma ideia idiota, eu sei. Mas, assim fazendo, o blog não morrerá de inanição. E mesmo os leitores mais antigos poderão rever as "velhidades". Porque uma coisa é certa: ninguém tem interesse em ler textos de autorzinho inexpressivo se tiver de entrar nos arquivos do blog. Vamos ver como fica isso depois dos últimos posts inéditos serem publicados. Talvez amanhã eu já esteja em outra vibe e queira "parar de fumar" na porrada. Em todo caso, deixo meu abraço mais carinhoso a cada um de vocês, dizendo que sempre me diverti muito com as postagens que fizeram em seus blogs e com os comentários que deixaram aqui.
 
Para finalizar, sugiro a quem desembarcou agora neste blog agonizante que leiam os e-books que publiquei na Amazon. Nunca pensei em ganhar dinheiro com eles (o último depósito feito em minha conta foi de R$0,01 – um centavo), apenas digo que o Jotabê que existiu – e que não existe mais – está nesses livros bobos e um pouco pretensiosos:
 

JUNTANDO CACOS DE MIM: ANTOLOGIA AFETIVA DE POEMAS SEM VALOR

https://www.amazon.com.br/dp/B0FFK3V4N8

 

NA BATEIA DA MEMÓRIA: (Crônicas, Contos e Mais Alguma Coisa)

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ALGUÉM PEDIU SUA OPINIÃO? (Um Manual De Reflexões Irrelevantes)

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O CASO DA VACA VOADORA E OUTRAS LEMBRANÇAS: "CAUSOS" DO PINTÃO

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SEM MEDO DE SER ReDÍCULO: (Cuidado! Aqui Só Tem Humor de Quinta Série!)https://www.amazon.com.br/dp/B0FHGHLSXX

 

NÃO ADIANTA ESPERNEAR! (Os Dezénhos Ahahvulsos de Jotabê)

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NÃO ADIANTA RECLAMAR! Eu Não Sei Desenhar, Pô!

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THE FLYING COW CASE AND OTHER UNBELIEVABLE TALES (Edição em inglês dos casos do Pintão)

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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

SUPORTANDO O DIA A DIA

 
O título deste post deveria ser "Não estou suportando o dia a dia". Por isso, vou aproveitar um trecho de uma paródia que o Millôr Fernandes fez para o poema de Manuel Bandeira “Vou-me embora pra Pasárgada”, porque se encaixa no meu momento:
 
Vou-me embora de Pasárgada
Sou inimigo do rei
Não tenho nada que eu quero
Não tenho e nunca terei
Vou-me embora de Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
 
Ninguém nunca me alertou que viver exigiria resiliência, resignação e estoicismo, que a vida seria como uma senoide, uma montanha russa que alterna alegria e tristeza, felicidade e sofrimento de forma tão dramática. Eu não me preparei para suportar isso!
 
Tenho andado triste, deprimido e muito preocupado com a saúde de minha mulher e, para piorar, com a recém-descoberta doença de meu irmão – preocupações que se somam a problemas financeiros quase insolúveis – e isso me tirou o ânimo, o tesão de publicar novos posts. Por isso tenho pensado em dar um tempo, sumir da blogosfera.

Paradoxalmente, num comportamento compulsivo e viciado como o de um animal selvagem preso em uma jaula e que fica andando para lá e para cá, tenho acessado mil vezes o blog, mas apenas olho sem ver, dominado pela ansiedade, pelas preocupações, desânimo e pelo medo do futuro. Não tenho mais nenhuma vontade de acessar os blogs que acompanho nem de comentar o que neles se publica, sem vontade nenhuma de escrever o que me ocorre, sem vontade de nada, com vontade de sumir.
 
Tentando aliviar a dor na alma, consegui a muito custo criar cinco posts-lixo que em outras épocas eu jamais publicaria. Mas esta é a “fase 2” do blog, a fase em que até o lixo merece consideração. Assim, programei a publicação deles a cada dois ou três dias, enquanto eu pego um uber para sair da Pasárgada do Millôr – ao menos na minha cabeça. Espero, preciso sumir por um tempo, dedicar-me ao mundo real, ao que é fundamental, tentar higienizar a mente (provavelmente sem sucesso). Chega de escapismo.
 
Não sei se conseguirei escapar do vórtice que me leva a esse buraco negro em que se transformou o blog, mas a partir de hoje o Blogson está no modo automático. Quanto tempo suportarei ficar longe dele? Um mês? Dois meses? Um ano? Não sei. Volto quando der vontade. Se der vontade.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

JOGUEI MINHA BÚSSOLA FORA

  

Este texto vem sendo escrito e reescrito e sua publicação vem sendo protelada há muito tempo, obedecendo aos ciclos de depressão e alegria. Alguém mais atento talvez perceba o sentimento predominante no momento em que cada trecho foi escrito ou reescrito. Mas hoje decidi chutar este balde enferrujado, justamente por estar muito triste, cansado e deprimido, com vontade de sumir, de estar morto. Por isso, joguei minha bússola fora, entortei as pernas de meu compasso, quebrei em dois meu metro de madeira e dei marteladas na balança. Em outras palavras, não tenho mais sentido nem direção a seguir.

Há muito tempo eu vinha maturando a ideia de desembarcar do Blogson, deixando-o à deriva, sem piloto, comandante ou âncora. Para mim, já não fazia sentido continuar postando se a inspiração e o desejo tinham chegado a zero. Cheguei até a rascunhar uma despedida para o dia em que decidisse, de vez, chutar o balde.

Mas aconteceu o inesperado: ao submeter esse rascunho ao ChatGPT para conferir se estava tudo certo – sem erros gramaticais ou de concordância –, fui surpreendido por um comentário dele. E o mais curioso é que isso veio de uma IA:

“Talvez você não precise abandonar o blog – só se libertar da obrigação de mantê-lo como antes.
Permita-se postar quando e o que quiser, sem meta, sem compromisso e sem a necessidade de ser sempre autoral. Pode ser uma frase solta, uma música, um link, um texto de outra pessoa ou até uma lista de compras.
O blog pode deixar de ser um dever e voltar a ser um prazer. Sem a pressão de agradar ou impressionar, você escreve e publica apenas quando sentir vontade, nem que seja raramente. O importante é que ele continue sendo um espaço seu, mas sem te escravizar.”

E aí eu relaxei. Mandei chamar o cabo corneteiro para tocar o toque de “foda-se” e decidi que continuarei postando textos de terceiros, links de música, listas de compras, frases sem sentido ou qualquer coisa que me der na telha – sem me preocupar em agradar ou impressionar ninguém. Apenas pelo desejo de postar, sem data e sem assunto.

E, para quem tiver curiosidade, aqui está o rascunho da "despedida que não houve”, sem formatação:

Acho que chegou o momento (um dia chegaria!) de “passar a bola” para os blogueiros mais novos e (ins)pirados. Creio não ter mais nada a dizer e, principalmente, nenhuma vontade de dizer. Talvez a angústia provocada por problemas familiares tenha contribuído para isso, mas o fato é que parecem ter sido drenadas a inspiração e a vontade de escrever alguma coisa minimamente atraente. Isso me entristece, mas sei ter-me transformado em um burocrata do blog, um "blogocrata" preocupado apenas em cumprir a rotina de postar quase diariamente. Onze anos foi tempo suficiente para publicar 3.243 posts até hoje – sem contar os excluídos. Se isso foi bom ou ruim, só posso dizer que sim, foi bom, muito bom, pois exorcizei demônios antigos, descobri alguns novos, fiz autoterapia (blogoterapia) e me diverti bastante. Mas agora isso acabou, pois não encontro diversão nas coisas que retiro do cérebro a conta-gotas. Nada mais natural portanto que eu "passe o bastão" para blogueiros mais jovens e inspirados. Continuarei a ler os blogs que acompanho, e talvez este post não seja um adeus definitivo, talvez só um "até logo" ou "até um dia". Mesmo assim meu sincero e eterno agradecimento a todos os leitores atuais e aos que se afastaram. A alegria que seus comentários me proporcionaram é indizível.

E já que vou continuar, talvez devesse mudar o mote “o blog da solidão ampliada” para “o blog da irrelevância ampliada”. Mas vou deixar como está, mesmo que o blog seja a partir de agora um Blogson Crusoe genérico, irrelevante e vira-lata. Ué, mas isso ele já era antes!


segunda-feira, 25 de agosto de 2025

UM HOMEM DÓLAR

Por motivos que não vêm ao caso, tornei-me um homem extremamente valorizado, pois hoje sou um homem dólar – ou melhor, do lar (piada antiga e ruim, mas não resisti).
 
Por isso, tento fazer tudo o que minha mulher fazia antes: arrumar a casa, lavar, estender e dobrar roupas, preparar seu café, lavar vasilhas, espanar os móveis, molhar as plantas, regar a grama, lavar o quintal, fazer compras de supermercado, lavar e higienizar banheiros. Muita coisa! Só não cozinho, pois se eu lavo eu não cozinho, se eu cozinho eu não lavo (outra piada ruim!).
 
Com isso, passei a admirar ainda mais as mulheres (e alguns homens) que encaram essa pedreira de pequenas tarefas que nunca cabem dentro das 24 horas do dia.
 
O problema é quando minha mulher resolve me lembrar que tem TOC e soltar seu lado perfeccionista, pedindo que faça isso e aquilo e mais um pouco: “corte as folhas secas dos vasos”, “tem uma traça no teto”, “alguém encostou a mão no vidro, precisa limpar”, “aquela jarra está fora do lugar”. Uma lista quase infinita de pequenos pedidos.
 
Por isso, comecei a dizer para ela “incluir na lista” suas observações, desejos e ordens (por que não?), pois só fazendo uma lista de tudo o que precisa fazer para que as prioridades possam ser estabelecidas. Até brinquei que ela precisaria encontrar um gênio da lâmpada que atendesse não três, mas trezentos pedidos.
 
E comecei a viajar nesta ideia, imaginando o que aconteceria com uma mulher ao encontrar a lâmpada de Aladim. Aí já me ocorreu o nome dessa história: “A ladina e o gênio da lâmpada”. Fala sério, o trocadilho ficou legal, concordam? Para quem não conhece esta palavra, “ladina” é uma pessoa “que expressa muita inteligência, esperteza, agudeza de espírito”, segundo o dicionário.
 
Mas, e a história? Vai ter que esperar a próxima postagem…

domingo, 24 de agosto de 2025

MAIS AUTORREFERENTE QUE ISSO, IMPOSSÍVEL!

 
Depois de receber uma mensagem da Amazon KDP informando que no próximo dia 29 encherei as burras com dinheiro da venda de e-books (mais precisamente R$1,25) fiquei pensando que as alguns leitores e as novas "seguidoras" (só mulheres mesmo) talvez nem façam ideia da copiosa lista de e-books que publiquei na Amazon.

Está claro que não poderia perder a oportunidade de fazer uma postagem picareta e oportunista, cuja única intenção é fazer publicidade das “gracinhas” à venda sob a forma de e-books na Amazon. Evitarei citar quantidades e nomes das novas seguidoras, para não cometer nenhuma injustiça nem causar constrangimento às malucas que acharam graça nas coisas que publico aqui no Blogson. Mesmo assim, farei para seu (delas) conhecimento um pequeno resumo dos livros que obrei (a falta de vergonha na cara está passando dos limites).
 
Antes de continuar, preciso dizer que todo o conteúdo desses e-books foi antes publicado no blog. Não há, portanto, textos inéditos. Em compensação, há muita pretensão e vaidade nesse projeto (eu me amo!). Para facilitar o entendimento, resolvi transcrever trechos dos textos de divulgação publicados na Amazon, esclarecendo que a maioria foi proposta pelo ChatGPT (mas só as apresentações!). E já aviso que não espero que alguém pague os preços escorchantes que fui obrigado a aceitar para que fossem publicados (na verdade, o que eu queria mesmo é que fossem gratuitos). A partir de agora, som na caixa!
 
JUNTANDO CACOS DE MIM: ANTOLOGIA AFETIVA DE POEMAS SEM VALOR
https://www.amazon.com.br/dp/B0FFK3V4N8
Este livro nasce da fusão de dois volumes anteriores – O Eu Fragmentado e Garimpo de Palavras – e carrega justamente isso: estilhaços de mim e palavras escavadas com paciência. São poemas recolhidos de dois tempos distintos, frutos de um processo mais emocional do que racional, mais intuitivo do que literário.
Aqui não há ouro em estado bruto, mas talvez alguma pepita perdida entre versos tortos e imagens improvisadas.
 
NA BATEIA DA MEMÓRIA: (Crônicas, Contos e Mais Alguma Coisa)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FK2HZ792
Misturando crônicas, lembranças de família, contos ficcionais e confissões bem-humoradas, o autor cria um mosaico afetivo de sua vida e dos que cruzaram seu caminho. Aqui, a memória não é apenas registro do passado – é matéria-prima de histórias que resistem ao esquecimento e, com leveza e humanidade, pedem licença para sentar à nossa mesa.
 
ALGUÉM PEDIU SUA OPINIÃO? (Um Manual De Reflexões Irrelevantes)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FKYS6HWB
Coletânea de 43 crônicas que transitam com desenvoltura entre a filosofia de botequim e a física dos materiais, entre o desencanto existencial e o riso irônico, entre a teimosia de pensar e o prazer de escrever.
O autor – engenheiro de formação e cronista por vocação – reflete sobre o envelhecimento, a fé, o ceticismo, a estupidez humana, o universo e a matemática da irrelevância. Nada escapa ao seu radar: nem “gafanhomens”, nem trigonometria, nem a solidão pós-aposentadoria, nem a mania de “falar em línguas”.
 
O CASO DA VACA VOADORA E OUTRAS LEMBRANÇAS: "CAUSOS" DO PINTÃO
https://www.amazon.com.br/dp/B0DGWR7C8K
Este e-book reúne os casos mirabolantes e histórias contadas e vividas por meu ex-colega “Pintão”, uma pessoa absolutamente singular.
Falando francamente, alguns casos são tão insólitos que nunca saberei se realmente aconteceram tal como nos foram contados ou, até mesmo, se não são invencionices de um grande contador de casos.
  
SEM MEDO DE SER ReDÍCULO: (Cuidado! Aqui Só Tem Humor de Quinta Série!)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FHGHLSXX
Se você ainda acredita que o humor morreu soterrado por correções políticas e piadas sem graça em redes sociais, este livro veio para ressuscitar as gargalhadas malcriadas. SEM MEDO DE SER ReDÍCULO é uma seleção cuidadosa (nem tanto assim!) de textos idiotas e nonsense publicados ao longo de onze anos no Blogson Crusoe – o blog da solidão ampliada – e, agora, “eternizados” em formato de e-book.
Dedicado a todos que fizeram o autor até relinchar de tanto rir – e, por que não? – ao saldo de sua conta corrente que o banco exibe no final do mês.
 
NÃO ADIANTA ESPERNEAR! (Os Dezénhos Ahahvulsos de Jotabê)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FH2XN584
Este e-book reúne os “dezénhos avulsos” publicados ao longo de mais de uma década no blog Blogson Crusoe – um espaço onde Jotabê, cronista gráfico e autodeclarado “não-desenhista”, deu vazão ao seu lado mais caótico, criativo e nonsense.
Entre colagens digitais, desenhos feitos à mão (os famosos “desenhos rupestres”) e situações absurdas protagonizadas por objetos inanimados, células e pandemias falantes, o autor nos convida a visitar um território onde o humor é de quinta série e a diversão, sincera.
Recomenda-se folhear sem pretensão artística, mas com disposição para rir – nem que seja de nervoso.
 
NÃO ADIANTA RECLAMAR! Eu Não Sei Desenhar, Pô!
https://www.amazon.com.br/dp/B0FGDRWJK3
Este é o resultado de um desejo antigo, acalentado com afeto e desleixo em igual medida: criar suas próprias HQs, suas revistinhas de humor, mesmo sem o menor dom para o desenho.
Sem deixar que essa "falha de caráter" o impedisse, Jotabê improvisa mundos com retas, círculos, bactérias e corpos celestes, usando o Word como ferramenta de arte e o nonsense como motor de criação. O resultado é um desfile de séries visuais, quadrinhos minimalistas e ideias malucas encenadas por personagens improváveis: objetos inanimados, vírus, figuras geométricas e entidades cósmicas com opinião formada.
 
THE FLYING COW CASE AND OTHER UNBELIEVABLE TALES (Edição em inglês dos casos do Pintão)
https://www.amazon.com.br/dp/B0FJ4QQTY4
 
Eu comecei este texto fazendo aquelas piadinhas jotabélicas manjadas, buscando aquela ironia antiga e rançosa, mas, falando seriamente, vocês poderão se perguntar por que resolvi transformar em e-books uma seleção das postagens que fiz ao longo de onze anos. O principal motivo é por ter gostado – e ainda gostar – do que fui imaginando e escrevendo nesse tempo todo. Eu sei, tenho certeza de que há pouca ou nenhuma qualidade literária nessas publicações, mas elas são a síntese do melhor que consegui fazer.

O outro motivo é que essas seleções na forma de e-book tiveram custo zero para mim, nada paguei para publicá-las. E, finalmente, imaginar que existem à venda livros de minha autoria fez bem a meu ego machucado. Por que machucado? Porque sim, mas não pretendo explicar. Se um dia, se ainda der tempo, alguém ler alguma coisa, uma crônica que seja e gostar e resolver me contar, eu sentirei que valeu a pena ter feito e escrito o que fiz e escrevi.
E não voltarei mais a falar desse assunto.

É PRECISO SABER VIVER - TITÃS

 E como isso pode ser difícil! Quem espera que a vida Seja feita de ilusão Pode até ficar maluco Ou morrer na solidão É preciso ter cuida...