Pode ser que eu esteja errado, mas acredito
que a mitologia grega é uma das mais ricas que existem. Muitos de seus
personagens serviram de metáfora ou inspiração para explicar ou nomear
comportamentos, atitudes ou situações.
Sem falar da contribuição de filósofos, escultores,
poetas e dramaturgos na construção da cultura ocidental. Mas paro por aqui,
pois não tenho conhecimento suficiente para me aprofundar nesse assunto.
O que motivou o desejo – a cada dia menor –
de escrever um texto para o blog foi ter descoberto um novo personagem
mitológico, excelente para associação com os dias atuais. Seu nome era
Procusto.
Diz a lenda que Procusto era um bandido sádico
que morava perto de Atenas. Tinha uma cama de ferro que oferecia aos viajantes
que passavam, para que pudessem descansar um pouco. O problema é que Procusto
achava que o viajante tinha a obrigação de ter exatamente o comprimento do
móvel. Se o sujeito fosse maior que a cama, Procusto cortava-lhe as pernas. Se
fosse menor, esticava-o. Acabou provando da própria hospitalidade quando Teseu o
prendeu lateralmente (gênio!) em sua própria
cama e cortou-lhe a cabeça e os pés.
E aí é que surge mais uma
viagem na maionese para os dias atuais ou, talvez, desde sempre: Procusto e sua
cama representam a intolerância do ser humano em relação ao seu semelhante. Em
qualquer época e, particularmente, na atual, pode-se usá-lo como metáfora da
visão ideológica que alguns acreditam ser a correta: primeiro
estabelece-se a medida; depois trata-se de fazer o mundo caber nela.
Qualquer semelhança desse mito com a
polarização que envenena e emperra este país de gente honesta (todo mundo aqui
é honesto!) não é só mera coincidência, mas sua melhor definição. Porque, praticamente
às vésperas de uma nova eleição para presidente, cada grupo político aparece
com sua cama.
E lá vão eles munidos de serras metafóricas e
elásticos ideológicos, tentando cortar uns, esticar outros e encaixar todo
mundo na cama que construíram.
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