Recentemente eu vi um vídeo de uma entrevista
com Ariano Suassuna. Nessa entrevista ele afirmou que acreditava em Deus e que
considerava a crença uma necessidade existencial.
E declarou: "Ou existe Deus, ou a vida não tem sentido nenhum. Bastaria a morte para
tirar qualquer sentido da existência".
Bacana, né? Mas declamou o poema de um
cordelista nordestino, que – segundo ele – formula o problema filosófico mais
grave da humanidade. Olha que beleza:
Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?
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