terça-feira, 28 de julho de 2026

POSOLOGIA

 
Ficar de mãos dadas com você
Nas ruas ou diante da TV.
 
Ouvir sua voz gravada
Ler suas mensagens escritas
Conversar por telefone.
 
Ou olhar seu rosto lindo
E ficar hipnotizado
Por seus olhos de sol nascente.
 
Beijar sua boca
Mordiscar seu pescoço
Suave, lentamente
Fazer cafuné em seus cabelos
Sentir sua pele ao te abraçar
Beijar e beijar seu corpo.
 
Várias as formas de apresentação
De um mesmo remédio:
 
Tônico fortificante
Antidepressivo sem receita
Vitaminas de A a Z.
.
Sem precisar de prescrição.
Sem risco de superdosagem.
Sem contraindicação.

domingo, 26 de julho de 2026

ANDRÉ MAUROIS - FRASES

 
Depois de ler uma bela frase atribuída a André Maurois, quis saber um pouco mais sobre ele e se teria escrito outros aforismos, com a intenção de publicá-los no blog, caso os encontrasse.
 
Segundo a Wikipédia, “André Maurois, (nascido Émile Salomon Wilhelm Herzog) foi um famoso romancista, biógrafo e ensaísta francês do século XX. Ele se destacou principalmente por suas biografias elegantes de grandes personalidades e por entrar para a Academia Francesa em 1938”. Bacana!
 
A seguir, alguns exemplos do pensamento desse francês que encontrei na internet.
 

A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.

Cultura é o que fica depois de se esquecer tudo o que foi aprendido.

O que fizeste para a mulher, isso ela pode esquecer, mas nunca esquecerá aquilo que para ela não fizeste.

Os mais verdadeiros e os mais vivos amores são sempre os mais inesperados.

Não há mulheres perigosas, há apenas homens fracos.

O matrimônio é algo no qual é necessário trabalhar permanentemente e nunca está pronto.

No matrimônio, uma profunda análise mútua conduz a uma infinita querela.

A amizade supõe a confiança, união de pensamentos e esperança.

Todos os negócios que me propõem são maus, porque se fossem bons não mos propunham.

O amor nos outros é para nós quase sempre incompreensível.

O homem rico tem comensais ou parasitas, o homem poderoso, cortesãos, o homem de ação, camaradas, que também são amigos.

O verdadeiro matrimônio é uma mistura particular de amor, amizade, consideração e sensualidade.

O homem de ação é antes de tudo um poeta.

A morte não pode ser pensada, pois é ausência de pensamento. Temos de viver como se fôssemos eternos.

A certeza de ser amado dá robustez a um espírito tímido, tornando-o natural.

Um casamento feliz é uma longa conversa que sempre parece muito curta.

Há em todo o sucesso humano uma parte mal definida de felicidade.

Não basta ter espírito. É preciso tê-lo o bastante para abster-se de tê-lo em demasia.

A felicidade é uma flor que não se deve colher.

Os homens entregam a alma como as mulheres o corpo, por zonas sucessivas e bem defendidas.

Muitas pessoas estragam a vida com a imaginação da infelicidade que as ameaça.

Os negócios são a combinação da guerra e do desporto.

A razão de ser de qualquer fé é trazer-nos uma certeza.

Aquilo que os homens menos vos perdoam é o mal que disseram de vós.

Poucos são os que nunca tiveram uma oportunidade de alcançar a felicidade e menos ainda os que aproveitaram essa oportunidade.

O amor suporta melhor a ausência ou a morte do que a dúvida.

A arte é um esforço para criar, além do mundo real, um mundo mais humano.

O casamento é um edifício que deve ser reconstruído todos os dias.

O Raciocínio pode servir para demonstrar com certa aparência de solidez as teses mais absurdas.

Conservar a esperança equivale a não envelhecer. A velhice é mais do que cabelos brancos e rugas.É sentimento de que é tarde demais, é o sentimento de que o palco já pertence a outra geração.A verdadeira doença da velhice não é o enfraquecimento do corpo: é a apatia da alma.

A arte de envelhecer consiste em conservar alguma esperança.

Todos os poderosos líderes de homens possuem traços em comum, que parece ser as condições de sua superioridade. Para começar, dão pouco valor ao que as pessoas comuns cobiçam.

Os homens de gênio, na ação, veem as coisas como elas se apresentam e não como gostariam que fossem.

Mente ampla, rápida; inacreditável capacidade de trabalho; honestidade intelectual; nenhuma ilusão sobre a raça humana; a arte de encantar sem bajular, eis o que pode ter mantido a boa fortuna ao seu lado.

A arte suprema não é ter sucesso, é saber parar".

Às vezes, procuramos a felicidade da mesma forma que procuramos nossos óculos quando eles estão bem em cima do nosso nariz.

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

SONETO 81 - LUIS DE CAMÕES

Camões era o cara!

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
 
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;
 
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade;
 
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

quinta-feira, 23 de julho de 2026

CORRENTE ALTERNADA

 
Vivendo entre o céu e o inferno
No calor do Saara ou no frio polar
A fome pungente e o lauto jantar
No alegre playground ou total solidão
 
Alternando euforia e melancolia
Na maior parte do tempo, tristeza, apatia
Felicidade só em um único dia
Presença? Alegria explodindo
Na ausência, confesso: alegria em recesso
 
Não sei como aguentar tudo isso
Oscilando entre a fossa e a alegria
No rarefeito ar do Everest ou no fundo
Mais fundo do mar mais profundo
 
Coração quase a infartar
Me sentindo um rotor
De corrente alternada girando
Girando, girando, girando
 
E eu me pergunto: até quando?
Como poder aguentar?
Mas sei que é o que quero, desejo
Que isso nunca se acabe
Só preciso saber suportar

quarta-feira, 22 de julho de 2026

SE EU CONVERSASSE COM DEUS – LEANDRO GOMES DE MATOS

 
Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
 
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
 
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?


segunda-feira, 20 de julho de 2026

MORTE: A RECOMPENSA DA VIDA - A MARRETA DO AZARÃO

 
O blogueiro Azarão, também conhecido nas rodas de cerveja boa e barata como Marreta, escreve muito bem e é autor de belos e incisivos poemas. Depois de levar uma sumida grande, reapareceu com um poema que retrata bem a vontade recorrente que às vezes invade meu cérebro. Aí resolvi copiar o poema e publicá-lo no Blogson, mesmo sem sua autorização.
 
Um dia,
Adormecerei
Para não mais acordar.
 
Um dia,
Adormecerei -
Por cansaço,
Por embriaguez,
Por hipnóticos tarja preta,
Pela ingestão conjunta contraindicada de todos eles
(esses médicos caretas, falsos moralistas, chatos pra caralho) -
E não mais acordarei.
 
Será o dia
Que o senso comum
O IML
Os cartórios e os registros de óbitos
(por que registrar o óbito, o óbvio?),
Chamarão de minha Morte.
 
E será o melhor dia de minha vida,
O dia em que em que deixarei de,
O dia em que não serei mais obrigado a viver,
O dia em que não terei mais que assinar o livro ponto da existência, 
Que não terei mais que dar provas de vida,
Quando há tempos, morto já estou.
 
Minha chamada Morte,
Será a justa recompensa,
O prêmio,
O FGTS,
A aposentadoria,
A alforria,
Por todo trabalho escravo 
Do que foi viver.

 

 

sábado, 18 de julho de 2026

DIZ AÍ, SUASSUNA!

A seguir, frases do imortal (pela ABL) e hilário Ariano Suassuna, intelectual, escritor, filósofo, dramaturgo, professor, romancista, artista plástico, ensaísta, poeta, político e advogado brasileiro.

O mentiroso é um artista que recria a realidade para torná-la mais suportável ou mais bela

O povo não mente, o povo faz literatura oral.

O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.

A tarefa de viver é dura, mas fascinante.

Quem gosta de ler não morre só.

Tudo que é bom de passar é ruim de contar. E tudo que é ruim de passar é bom de contar.

Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.

A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.

Às vezes, tudo que precisamos é de uma frase certa, no momento certo.

É muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

Eu digo sempre que das três virtudes teologais chamadas, eu sou fraco na fé e fraco na qualidade, só me resta a esperança. Eu sou o homem da esperança.

Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas.

Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver.

Não troco o meu "oxente" pelo "ok" de ninguém!

Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo.

Dizem que tudo passa e o tempo duro tudo esfarela.

Quando eu morrer, não soltem meu cavalo nas pedras do meu pasto incendiado: fustiguem-lhe seu dorso alardeado, com a espora de ouro, até matá-lo.

O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado.

Jesus às vezes se disfarça de mendigo pra testar a bondade dos homens.

A gente tem uma tendência para acreditar que não morre. Tudo que é vivo morre.

Matar padre dá um azar danado. Sobretudo para o padre.

Ser poeta é muito bom porque eu não tenho nenhuma obrigação de veracidade. Eu posso mentir à vontade, cientista é que não pode.

Se os alemães não leram Guimarães Rosa, Euclides da Cunha ou Machado de Assis, quem perde são eles.

Os doidos perderam tudo, menos a razão. Têm uma (razão) particular. Os mentirosos são parecidos com os escritores que, inconformados com a realidade, inventam outras.

Eu não tenho imaginação, eu copio. Tenho simpatia por mentiroso e doido. Como sou do ramo, identifico mentiroso logo.

Não existe arte nova ou velha, só boa ou ruim.

É preciso mais fé para acreditar de que o homem se originou do macaco do que ter fé para acreditar na história de Adão e Eva.

O ser humano é o mesmo em qualquer lugar, em qualquer tempo, em qualquer que seja a sua condição. Você pode ser rico ou pobre, mas os problemas que afetam verdadeiramente o ser humano são os mesmos.

O autor que se julga um grande escritor, além de antipático é burro, imbecil. Um escritor só pode ser julgado depois da sua morte. Muito tempo depois.

O homem não nasceu para a morte: o homem nasceu para a vida e para a imortalidade.

Eu divido a Humanidade em duas metades: de um lado os que gostam de mim e concordam comigo. Do outro, os equivocados.

É preciso reafirmar valores sem ter medo de ser chamado de arcaico.

Toda arte é local antes de ser regional, mas, se prestar, será contemporânea e universal.

A globalização é o novo nome do imperialismo, e o gosto médio é uma peste, é muito pior do que o mau gosto.

Som universal só conheço três: arroto, espirro e peido.

No meu ver o ser humano tem duas saídas para enfrentar o trágico da existência: o sonho e o riso

Não tenho medo da morte. Só tenho medo de morrer sem terminar um livro que eu esteja escrevendo; e não ter uma morte limpa. Eu quero pelo menos uma morte limpa.

Eu sou muito contra as pessoas falarem mal dos outros pela frente. Eu acho que é uma falta de educação muito grande. Não é? Falar, falar mal pela frente, constrange quem ouve, constrange quem fala. Não custa nada a gente esperar um pouco as pessoas darem as costas.

Não me preocupo muito em ter ou não uma posição como artista. Literatura para mim não é mercado. É a minha festa, é onde eu me realizo. Digo sempre: arte é missão, vocação e festa. Não me venham com essa história de mercado.

A novela não tem nada a ver. Que língua é aquela que eles falam? Você está no meio de nordestinos aqui. Já ouviu um de nós falar daquele jeito? Aquilo não é fala, é miado de gato"

Depois que eu vi num hotel em São Paulo um show de rock pela televisão, nunca mais eu critiquei os cantores medíocres brasileiros. Qualquer porcaria como a Banda Calypso ainda é melhor que qualquer banda de rock.

Acho Melville, por exemplo, extraordinário. Agora, Madonna e Michael Jackson são muito burros, limitados, medíocres. É ofensivo dizer que representam a cultura americana.

Eu precisaria de alguém que me ouvisse. Mas que me ouvisse sentindo cada palavra como um tiro ou uma facada. Cada uma tem seu significado sangrento.

Sou um escritor de poucos livros e poucos leitores. Vivo extraviado em meu tempo por acreditar em valores que a maioria julga ultrapassados. Entre esses, o amor, a honra e a beleza que ilumina caminhos da retidão, da superioridade moral, da elevação, da delicadeza, e não da vulgaridade dos sentimentos.

Sigo tendo pena de nossos adversários aqui em Pernambuco, porque eles não sabem o que é felicidade, porque felicidade é torcer pelo Sport.

Eu não conseguiria conviver com a visão amarga, dura, atormentada e sangrenta do mundo. Então, ou existe Deus, ou a vida não tem sentido nenhum. Bastaria a morte para tirar qualquer sentido da existência. Para mim Deus é uma necessidade. Se eu não acreditasse, seria um desesperado.

 


quinta-feira, 16 de julho de 2026

ESSA TAL FELICIDADE

 
Eu tenho o direito de ser feliz
Pelo menos, é o que meu cérebro me diz
Embora eu nem saiba exatamente
O que é essa tal Felicidade
Pode ser delírio, transtorno mental
Ou só mesmo ingenuidade.
 
Para quem viveu como eu
A sensação de abandono
Dor, solidão, melancolia,
Pode ser difícil de entender e aceitar
Que exista outro universo
Que pode ser assim explicado:
 
Tudo o que você viveu e sofreu
É chamado de infelicidade
E se isso te causa ou causou desgosto
Pense que pode existir o oposto
Um estado mental onde não haja
Solidão, melancolia, abandono, dor,
E isso não se compra nem se doa
 
É preciso buscar dentro de si
O que você nunca sonhou existir
E se tudo o que eu disse é verdade
Então fique tranquilo, pois decerto
Você já chegou muito perto
Dessa tal felicidade

terça-feira, 14 de julho de 2026

HORTOGRAFIA

 

Recebi esta charge/cartoon do meu amigo virtual Marreta. Impossível deixar de publicá-la no velho Blogson. E nem preciso explicar por quê.


TARJAPRETA

 
Preciso pensar mais em mim, pensar só um pouco em você
Talvez pareça ruim, mas preciso me soltar, respirar
Libertar-me de obsessão viciante, o tempo todo querendo te ver
Entender que isso não é viável, só mais um desejo irrealizável
Pois a vida não é feita assim - não basta apenas querer
E esperar tudo acontecer
É isso que preciso aceitar, buscando dentro de mim
Medicação natural tipo fluoxetina ou pregabalina
Que não me façam mal.
Quem sabe até um tarja preta para dormir
Rohypnar essa dor sem apagar quem eu soul
Nem asfixiar o amor; só nunca mais acordar...

sábado, 11 de julho de 2026

CASTIGO

 
Se um dia quiser se afastar de mim
E em nossos encontros colocar um fim
Não se preocupe comigo;
Pode crer, essa dor suportar eu consigo.
 
Se pensar que quero te esquecer
Não se preocupe nem se iluda, pois
Tentar não pensar em você
Seria para mim o pior dos castigos.

 

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

PESQUISANDO A PESQUISA

 
Já disse isso antes, mas vou repetir: quis o destino, ou um anjo safado, que eu fosse condenado a ser pobre na vida. O problema é que eu sempre fui um pobre orgulhoso, irritado com minha indigência financeira. E isso me acompanhou pela vida inteira, especialmente quando confrontado com a moçada cheia da grana. O filósofo Millôr Fernandes traduziu meus sentimentos quando escreveu que “O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta”. Ou “O dinheiro não traz a felicidade. Manda buscar”. Ou ainda: “O dinheiro não é tudo. Tudo é a falta de dinheiro”.
 
Dito de modo mais cru, pobreza é uma merda e só é mais suportável se você convive apenas com gente em situação socioeconômica igual ou pior que a sua. Mas meu karma já se manifestou na infância, quando as únicas crianças com quem podia brincar eram dois primos ricos, muito ricos – enquanto eu era pobre, pobre de marré de si. Esse contraste tão incômodo e até mesmo doloroso continuou a me acompanhar ao longo dos anos, e ainda mais agora, no ocaso da vida. Foda!
 
Por isso, fiquei imediatamente interessado ao ouvir um dos meus filhos falar de uma pesquisa realizada por uma universidade americana cujo objetivo teria sido investigar, por meio de exames de ressonância magnética, possíveis diferenças no funcionamento cerebral entre ricos e pobres. Sinceramente, se há uma coisa que admiro nos conterrâneos do Tramp é a quantidade de pesquisas que fazem por lá!
 
Segundo meu filho, os resultados indicariam que os ricos seriam, em média, menos empáticos que os pobres. Não pude deixar de pensar no Deputado Justo Veríssimo, personagem interpretado pelo genial Chico Anysio, cujo bordão era: “Quero que o pobre se exploda!”.
 
Fascinado pelo que ouvi, resolvi iluminar um pouco minha ignorância e fui procurar mais informações. Descobri que aquela pesquisa fazia parte de um conjunto bem maior de estudos comportamentais sobre as diferenças entre o “primo pobre” e o “primo rico”.
 
Para evitar gastar meu precioso tempo analisando e sintetizando tudo o que encontrei, pedi que o ChatGPT fizesse um resumo para publicar no Blogson. (Ué, não gostaram? Não sou psicólogo nem sociólogo para teorizar sobre assuntos que desconheço. Para ser sincero, sou apenas um “ociólogo”: estudioso do ócio e do dolce far niente. Entenderam?). E só cheguei até aqui para apresentar o resumo do ChatGPT. Divirtam–se! 
 
Resumo – Como o ambiente influencia o cérebro e o comportamento
 
Nas últimas décadas, pesquisas em neurociência e psicologia têm mostrado que o cérebro humano é altamente plástico, ou seja, pode modificar sua estrutura e seu funcionamento de acordo com as experiências vividas. Essa ideia representa uma mudança importante em relação à antiga visão de que as capacidades cognitivas dependiam principalmente da genética. Hoje, entende-se que fatores como educação, relações familiares, alimentação, qualidade do sono, estresse e oportunidades de aprendizagem exercem forte influência sobre o desenvolvimento cerebral.
 
Um dos estudos mais conhecidos sobre esse tema foi realizado em 2008 pela Universidade da Califórnia em Berkeley (UC Berkeley). Os pesquisadores analisaram crianças de 9 e 10 anos de diferentes níveis socioeconômicos utilizando eletroencefalografia (EEG), técnica que registra a atividade elétrica do cérebro. O principal resultado foi que crianças provenientes de famílias de baixa renda apresentavam menor ativação do córtex pré-frontal, região responsável por funções como atenção, planejamento, resolução de problemas, autocontrole e criatividade.
 
Os pesquisadores observaram que essa diferença não era causada por lesões cerebrais nem por menor inteligência. A hipótese mais aceita é que ambientes marcados por estresse constante e menor estímulo cognitivo – com menos livros, leitura, brincadeiras educativas e atividades culturais – dificultam o desenvolvimento pleno dessas funções cerebrais. Consequentemente, essas crianças podem enfrentar maiores desafios na aprendizagem e no desempenho escolar.
 
Entretanto, os próprios autores ressaltaram que esses resultados não representam uma condenação permanente. O cérebro continua sendo capaz de se adaptar ao longo da vida. Intervenções como educação de qualidade, jogos educativos, maior interação entre pais e filhos, leitura, conversas frequentes, atividades culturais e ambientes mais estimulantes podem melhorar tanto o funcionamento cerebral quanto o desempenho cognitivo.
 
A partir de 2010, outro grupo de pesquisadores da UC Berkeley, liderado por Dacher Keltner e Paul Piff, passou a investigar uma questão diferente: como a riqueza e o elevado status socioeconômico podem influenciar o comportamento social. Esses estudos concentraram-se em aspectos como empatia, compaixão, altruísmo e percepção das emoções de outras pessoas.
 
Os resultados mostraram que, em média, indivíduos de nível socioeconômico mais elevado tendiam a reconhecer com menor facilidade as emoções expressas no rosto de outras pessoas e apresentavam respostas menos intensas de compaixão em algumas situações experimentais. Também demonstravam maior sensação de independência e de merecimento. Contudo, essas diferenças eram pequenas, estatísticas e reversíveis. Quando os participantes eram estimulados a refletir sobre cooperação, igualdade ou dificuldades enfrentadas por outras pessoas, seus comportamentos empáticos aumentavam significativamente.
 
Algumas pesquisas de neuroimagem indicam que processos relacionados à empatia, compaixão e interação social envolvem regiões como o córtex pré-frontal medial, a ínsula, o córtex cingulado anterior e a junção temporoparietal. Entretanto, não existe evidência de que pessoas muito ricas possuam um cérebro "melhor" ou estruturalmente diferente. O que se observa são alterações na forma como determinadas redes cerebrais são ativadas em função das experiências e do contexto de vida.
 
Outros experimentos comportamentais reforçam essa ideia. No chamado "Monopoly manipulado", um dos participantes recebia vantagens aleatórias desde o início do jogo, como mais dinheiro e regras mais favoráveis. Mesmo sabendo que essas vantagens eram fruto do acaso, muitos participantes passaram a acreditar que seu sucesso era resultado principalmente de sua própria habilidade. Esse experimento ilustra o chamado viés de autoatribuição, tendência humana de atribuir o sucesso ao mérito pessoal e minimizar o papel da sorte ou das condições iniciais.
 
Outro estudo observou motoristas em cruzamentos e verificou que, em média, condutores de veículos de maior valor tinham maior probabilidade de desrespeitar regras de trânsito, como deixar de ceder passagem a pedestres. Os próprios pesquisadores enfatizaram que esses resultados representam tendências estatísticas de grupos e não permitem concluir como qualquer indivíduo específico irá se comportar.
 
Quando todos esses estudos são analisados em conjunto, surge uma conclusão comum: o cérebro adapta-se às exigências do ambiente. Em contextos de escassez, tende a priorizar mecanismos relacionados à sobrevivência, atenção ao perigo e resposta ao estresse, o que pode dificultar o desenvolvimento de algumas funções executivas quando essa situação é prolongada. Já em ambientes de maior abundância e autonomia, pode ocorrer menor necessidade de monitorar constantemente as emoções e necessidades das outras pessoas, influenciando alguns aspectos da cognição social.
 
Essa adaptação, porém, não é permanente nem determina o destino das pessoas. Tanto crianças que crescem em ambientes desfavoráveis quanto adultos que vivem em condições de riqueza podem modificar seus padrões de funcionamento cerebral por meio de novas experiências, educação, treinamento, convivência social e mudanças de contexto.
 
As pesquisas também destacam que diferenças médias entre grupos não devem ser utilizadas para julgar indivíduos. Fatores como personalidade, cultura, educação, qualidade das relações familiares, saúde, alimentação, atividade física, sono e oportunidades de aprendizagem explicam grande parte da enorme diversidade existente entre as pessoas.
 
Em síntese, a principal contribuição dessas pesquisas é mostrar que o desenvolvimento do cérebro resulta da interação entre genética e ambiente. As experiências vividas moldam continuamente o funcionamento cerebral, reforçando a importância de políticas públicas voltadas para educação, saúde, redução do estresse infantil e apoio às famílias. Mais do que determinar capacidades, o ambiente oferece oportunidades para que o potencial humano seja desenvolvido ao longo de toda a vida.

terça-feira, 7 de julho de 2026

POETIZANDO

Recentemente uma pessoa queridíssima disse que eu sou “um poeta”. Discordei da avaliação, mas me lembrei de um verso da música “Espelho”, do João Nogueira, que diz: “Me beijaram a boca e me tornei poeta”. Pensando sobre isso, cheguei à conclusão de que posso me considerar um poeta, mesmo que seja um poeta medíocre, talvez um sub-poetinha ou poeteiro (cuidado com a leitura!), autor de versos sem a elegância, beleza e profundidade dos grandes dessa área. Mesmo assim, um poeta. E foi esta reflexão que deu origem ao poema a seguir. Se quiserem podem malhar sem medo. Já tomei tanta pedrada na vida, que algumas a mais não farão diferença. Lêaí.
 
Eu tinha vergonha em dizer – não dizia –
Que às vezes tentava escrever poesia.
Achava que não tinha jeito,
Que me faltava talento
Para passar para um verso
O que sentia por dentro.
 
Para mim,
O que escrevia eram textos:
Prosa quebrada depois
Em frases curtas, pequenas
Para parecer um poema.
 
Hoje me considero poeta.
Não um grande poeta,
Nem mesmo um poetinha.
Pouco importa!
 
Meus versos quebrados refletem
Emoções não fracionadas,
Sentimentos vividos inteiros.
E já não disfarço
Quando me move o desejo
De registrar o sentir.

Mesmo simplórios,
E em estilo rude,
Meus versos são meus...

segunda-feira, 6 de julho de 2026

FOI-SE A COPA? – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus, chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
a Copa da Liberdade.

24/06/1978


sábado, 4 de julho de 2026

STORYBOARD

Em 2018, depois de ler algum artigo sobre cinema, mais especificamente sobre as técnicas de filmagem, tive a ideia de roteirizar um curta-metragem que, obviamente nunca foi feito, mas a ideia permaneceu na cabeça, justamente por ficar sabendo que o diretor italiano Federico Fellini registrava seus storyboards com desenhos bem detalhados que ele mesmo fazia. Outro que usou essa técnica foi cartunista Henfil, que praticamente desenhou todo o filme que criou, dirigiu ou sei lá o quê. Para quem nunca ouviu falar, o nome é “Deu no New York Times”.
 
Voltando à minha indigência, pedi ao ChatGPT para gerar os desenhos do storyboard imaginado. E ele fez, depois de muitas discussões. Mais trabalho ainda deu para montar tudo num padrão Blogson (sinônimo de tosco). Então, é isso. Se alguém quiser ler a versão original, o link está logo abaixo. Mas se quiserem conhecer a versão chatgepeteizada, o lugar é aqui mesmo. Só lamento a falta de nitidez dos textos, pois sou uma anta digital. É isso.
 
 https://blogsoncrusoe.blogspot.com/2018/04/curta-mensagem.html 










quinta-feira, 2 de julho de 2026

POEMINHA-RESPOSTA

 

Não posso explicar o que sente,

Isso, só você pode saber

Mal, mal consigo entender o que sinto!

E nem sei entender, só pressinto

Pois o amor ressurgiu de repente

Sem chance, sem trégua: labirinto

Que percorro sem saber a saída

Pois tudo é igual, nada é diferente

Só sei que mudou minha vida.

terça-feira, 30 de junho de 2026

MAGNETISMO IMPUNE

 
Como cantou o Ivan Lins, “o amor tem feito coisas que até Deus duvida”. Pois é só um Amor com A maiúsculo poderia me tirar da letargia em que me encontrava, talvez com um desejo inconsciente de morrer. Mas isso acabou. Hoje, com meus setenta e seis aninhos, estou apaixonado, amando de novo uma menina que conheci há mais tempo e que minha mente se recusou a esquecer.
 
Essa menina tem-me feito escrever na forma de poemas o que sinto por ela. O mais recente é este. Ou melhor, são estes, pois sem saber ainda qual é o melhor, resolvi publicar os dois (com direito à versão musicada da Suno). Lêaí.
 
Primeira Versão
Se eu soubesse que amar
Era assim tão complicado -
Pois deixa quem ama indefeso
Sujeito a todo tipo de medo
Sem dormir, sem descansar -
 
Eu fugiria e tentaria a todo custo
Me afastar, ficar longe
Manter-me imune ao seu magnetismo
Atração descontrolada, imprevisível
Por desejar sempre estar ao seu lado
 
Palpitação, melancolia, depressão
Sentimentos de quem agora vive só
Com vontade de saber dançar tango
Bolero, samba, valsa ou forró
Só para tê-la aninhada em meus braços
 
E a vida uma dança doce, suave, feliz
Que nunca conheça o fim
Que seja eterna, que nunca termine
Pois um amor feito assim
Não nasceu para ter conclusão
https://suno.com/s/AuaJKXi60MIqdTpU
 
 
Segunda Versão
Se eu soubesse que amar
Era assim tão complicado -
Pois deixa quem ama indefeso
Sujeito a todo tipo de medo
Sem dormir, sem descansar- 
 
Eu fugiria e tentaria a todo custo
Me afastar, ficar distante
Dessa atração, manter-me imune
Ao desejo de estar sempre ao seu lado
Magnetismo imprevisível, impune
 
Palpitação, melancolia, depressão
Sentimentos de quem agora vive só
Com vontade de saber dançar tango
Bolero, samba, valsa, salsa ou forró
Só para tê-la aninhada em meus braços
 
E a vida uma dança doce, suave, feliz
Que nunca tenha conclusão
Que seja eterna, que nunca termine
Essa união, pois amor nessa medida
Não nasceu para ter um fim
https://suno.com/s/f3x7LUfMO5tsUz21

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

MAGMA

 
O psiquiatra consulta sua agenda:
- Ninguém mais para atender hoje.
Dá uma olhada à sua volta, arruma algumas anotações e já se prepara para ir embora, quando o consultório é invadido por um desagradável cheiro de composto de enxofre, de ovo podre. Que poderia ser? Confere se alguma tomada queimou, examina as instalações sanitárias, olha para o aparelho de ar-condicionado, espia pela janela e nada.
Como a secretária já tinha ido embora, deixaria em sua mesa um bilhete para chamar o zelador logo pela manhã, quando chegasse.
Quando decide apagar as luzes, ouve três batidas firmes na porta, aberta em seguida por um homem sério, bem vestido, que pede para ser atendido.
- Desculpe aparecer sem marcar hora, mas preciso desabafar com o senhor, talvez até mesmo iniciar uma terapia.
- Receio que meu expediente tenha terminado.
Sem dar ouvido a isso, o homem senta em uma cadeira, cruza as pernas e espera uma reação.
Impressionado por aquela figura à sua frente e incomodado pelo cheiro desagradável do ambiente, resolve entender o motivo da atitude impertinente do estranho sentado à sua frente.
- OK, abrirei hoje uma exceção para o senhor. Mas, se quiser continuar, precisa primeiro agendar um horário com minha secretária. E meus honorários devem ser pagos diretamente a ela. Quem é o senhor, e o que o traz aqui?
- Meu nome é Lúcifer.
- Hum, Lúcifer... Lúcifer de quê?
- Apenas Lúcifer. E isso basta.
O psiquiatra anota alguma coisa e diz para si mesmo "Este vai ser difícil!", mas é surpreendido pelo comentário:
- Não sou difícil, Doutor. Difícil é minha sina, a situação a que fui condenado.
- Explique-se melhor, por favor.
- Eu sou um anjo caído, entendeu agora?
O psiquiatra faz algumas anotações e sorri amistosamente, enquanto pergunta:
- E por que o senhor imagina ser um “anjo caído”?
- Porque o Boss quis assim!
- Boss?
- Sim, Ele! (com o dedo indicador apontado para o teto).
- O senhor está se referindo ao seu pai ou ao seu patrão?
- Já vi que o senhor não está entendendo nada! Boss, Deus, Javé, como o senhor queira chamá-lo. Para mim é Boss, ironia que eu me permito fazer. Falando mais claramente, eu sou o que as pessoas chamam de Demônio ou Diabo.
- Ah, agora entendi! (nova anotação). O senhor é um “anjo caído” porque o Boss assim quis.
- Exato!
- E que o senhor fez de tão errado para receber essa alcunha?
- Acho que o senhor continua a não acreditar no que estou lhe dizendo. Eu sou imortal, tão imortal quanto o Boss. O problema é que Ele se enfurece por qualquer bobagem!
- Vejamos então se entendi direito (anotando): seu nome é Lúcifer, é um anjo caído, punido que foi pelo Boss, e é imortal, correto?
- Até que enfim!
- E qual é o motivo da punição?
- Eu simplesmente reclamei do calor infernal que estava fazendo no Céu. Perdão, eu quis dizer celestial. O Boss, irritado com o que considerou impertinência minha, me mandou para o quinto dos infernos, onde estou até hoje. Aquele ali, vou te contar...
- Mas dizem que o inferno é muito quente, fornalhas acesas, labaredas...
- Inferno é o nome que seus antepassados deram a um lugar hipotético, onde ficariam as almas condenadas por pecadilhos idiotas até a eternidade. Vou lhe dizer o que realmente é o inferno: o inferno é o magma que existe no centro da Terra, um lugar onde a temperatura pode chegar a 6.000 graus. E é para lá que fui atirado! O senhor acha justo ser condenado a isso só por ter reclamado de um calorzinho de 40 graus?
- E como o senhor consegue sair de lá e se apresentar tão elegante assim?
- Ora, Doutor, vai dizer que não acredita em milagre! Até já entrei com recurso pedindo a revisão da pena, mas o STC é pior que a justiça deste país, pois demora milênios para analisar e julgar os recursos apresentados.
- Que significa STC?
- Supremo Tribunal Celestial.
- Pois bem, meu caro Lúcifer, como deve saber, a nossa hora tem apenas cinquenta minutos. Mas fiquei muito impressionado com o que ouvi e quero sinceramente poder ajudá-lo de alguma forma. Aparentemente está com um severo quadro de depressão, que talvez precise ser tratada com terapia e medicamentos.
- Depressão de milênios, pode acreditar.
- Ok. Por isso, ligue amanhã para a Luana e peça para agendar um horário para você. Garanto que seu processo analítico não demorará mil anos.
- Obrigado, Doutor.
- Só tem mais uma coisa: recomendo ir também a um gastroenterologista, pois em decorrência do estresse emocional em vive, esse cheiro de flatos que deve soltar até sem perceber, esse odor de gás sulfídrico que chegou com você, pode ser apenas um problema digestivo de fácil solução.
- Flato, heim? Quem diria... Já fui acusado de muita coisa, mas nunca de flatulento!
E sai discretamente do consultório, sem esperar resposta.
O psiquiatra apaga as luzes e tranca a porta, enquanto pensa:
Quem poderia imaginar que a guerra entre Deus e Lúcifer descrita na Vívlia nunca foi uma guerra real, só uma discussão boba sobre o calor ambiente? Quanto rancor guardado, quanta mágoa! Mas se não existissem conflitos mal resolvidos eu não teria emprego! Tomara que o gastroenterologista consiga ajudá-lo. Que cheiro insuportável!

POSOLOGIA

  Ficar de mãos dadas com você Nas ruas ou diante da TV.   Ouvir sua voz gravada Ler suas mensagens escritas Conversar por telefone.   Ou ol...