Pai é uma palavra tão pequena, mas que você
me mostrou que pode ser gigante, carregada de significados e sentimentos.
Você já me disse várias vezes que não foi um
bom pai, que foi um pai ausente. Eu só tenho que discordar, pois você me
ensinou a ser pai: um pai carinhoso e sem medo de expressar seus sentimentos.
Um pai que me mostrou várias coisas, algumas
das quais me interessam hoje. Você me ensinou a curiosidade pelo mundo.
Eu sei que você vai discordar de tudo escrito
até agora, mas as várias conversas sobre os assuntos mais variados que já
tivemos dizem o contrário.
Você falou (escreveu) que, neste Dia dos
Pais, você não me daria presentes — você sempre diz isso — e que, dessa vez,
você daria o presente.
O presente que eu quero é você presente (o máximo de tempo possível) e ser mais presente também na sua vida.
Posso não saber, mas imagino como você está
nesses últimos oito meses, imagino como se sente, em luto e em luta.
Hoje entendi a questão do luto da mamãe pelo
vovô, quando, um dia, em vez de ir ao cemitério, vocês foram tomar sorvete (se
não me engano).
O luto não é apenas tristeza e dor. É
conseguir entender, sentir que é possível seguir em frente apesar da ausência
física.
Eu te falei que meu luto seria trabalhado em
poesias. Segue a última, que eu não te mandei, pois ainda não estava no papel:
"Quando a ausência se torna presente,
a presença se ausencia".
Como escrevi antes, espero que sua presença
como meu pai ainda dure muitos anos.
E espero, e me esforço, para que a Felicidade
não se ausente de sua vida.
Obrigado por tudo.
E, como você diz, te contar um segredo:
eu te amo!
Bê 11/08/26
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