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domingo, 17 de março de 2024

VIAGEM

 
Já vejo meus setenta e quatro anos se aproximando, prontos para substituir ou aniquilar os desgastantes setenta e três, vividos com dor, perplexidade e medo. Espero que a nova idade seja mais gentil comigo.
 
Mas não preciso dela para perceber que o tempo passou. E nem me iludo que ele volte apoiado em plásticas que não farei e em cabelos que não tingirei. Amores passados, amigos falecidos, oportunidades desprezadas, nada disso retornará. Não adianta nem é saudável sentir saudade do que passou.
 
Hoje eu me vejo como se estivesse dentro de um veículo em movimento, um avião, um carro, um metrô. O veículo se move, mas eu estou imóvel dentro dele. Não estático, mas parado, quieto. Ele se move, mas eu não. Para mim o tempo em que vivo é o que está dentro do veículo e o nome desse veículo é Presente.

domingo, 26 de dezembro de 2021

CURIOSIDADES E COINCIDÊNCIAS

 
Este assunto já está meio rançoso, mas nosso presidente insiste em sua busca por mais rejeição - além daquela que já possui com sobra. Talvez por isso continue a desqualificar e duvidar das vacinas. Agindo assim influencia e satisfaz os imbecis, os ignorantes, as toupeiras e todo tipo de vivente anestesiado que cisma de usar viseiras. Pensando bem, os ungulados do gênero Equus devem ser deixados fora disso, pois nada têm a ver com mitos, mesmo que esses mitos sejam do tipo Cavalão. E só usam antolhos contra a vontade.
 
Talvez você seja do movimento anti-vacina, quem sabe até um secretário da "cultura" (é fria!), talvez duvide que vacinas eficazes pudessem ser desenvolvidas em tão pouco tempo, talvez acredite que Deus te protegerá contra o vírus, pode ser até que você acredite que as vacinas contra a Covid te transformarão em jacaré, provoquem autismo, aids ou que implantem um chip submicroscópico em sua pele. Mas há "coincidências" que nem o presidente explica - ou quer explicar.

Estou dizendo isso apenas para apresentar uma “curiosidade”. Tão visível e tão óbvia que é impossível imaginar que ninguém tenha ainda mostrado gráficos assim para "ele". E o que esses gráficos mostram de tão especial? Isto: a possibilidade de comparar duas curvas correspondentes ao mesmo período de tempo – janeiro a novembro de 2021. A primeira mostra o acumulado mensal das pessoas que tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid. A segunda exibe a curva correspondente às mortes provocadas por essa doença. Acho que não preciso dizer mais nada, concordam?



quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

CONCURSO DE NATAL

 
Outro dia, vendo na TV o Show de Graham Norton (sou viciado!), percebi como o Natal é celebrado intensamente nos Estados Unidos (não estamos falando de manjedouras nem de reis magos, OK?). Há até lançamento de discos com temas natalinos. Uma das teleentrevistadas em um programa próximo do natal de 2020 foi a musculosa cantora country Dolly Parton. Extremamente simpática, interpretou a divertida canção "Eu vi a mamãe beijando o Papai Noel".

Parece que lá são realizados concursos de decoração natalina, de árvores, de tortas, o escambau, bem diferente do estilo brasileiro, que basicamente se resume a aumentar a pança com comidas super calóricas e encher o rabo de bebida. Apesar dessa indigência natalina nacional, pensei em uma charge envolvendo um concurso de árvores de natal. Mas quando você pensa em uma piada, uma charge, você precisa ter uma noção precisa de timing, precisa ser ágil, pois pode acontecer de trocentas pessoas terem tido a mesma ideia que você. E aí, meu caro, minha cara, para não rolar um plágio involuntário, a solução é ter humildade e tentar com a ajuda de São Google encontrar esses Lewis Hamiltons do humor. Foi o que eu fiz.
 
Com a notícia do surgimento da variante ômicron e diante do comportamento irresponsável (cxomo sempre) do Mito frente a mais essa ameaça, imaginei a seguinte charge: uma série de árvores de natal enfileiradas, com plaquetas identificando as que mais se destacaram. Dentre elas, essa:
 
CONCURSO DE ÁRVORES DE NATAL
(
desenho de uma árvore) 
 
Menção Honrosa:
Árvore do Palácio da Alvorada
 
E dezénharia uma árvore onde as bolas de natal seriam coronavírus na cor vermelha ("homenagem" a seu país de origem).
 
Mas, sabendo que tem um monte de filhadaputa com mente doentia igual à minha, resolvi dar uma pescoçada na internet para evitar trabalho à toa. E, claro, encontrei duas imagens que podem ser vistas a seguir.
 


 
 
Em defesa do desenho que eu imaginava fazer, posso dizer ao contrário do que é visto na foto, todas as bolas seriam coronavirus e não haveria a ambiguidade do desenho que encontrei - que misturou a mamoninha com as “armas” utilizadas para combatê-la. Mas está de boa. Feliz Natal, presidente!

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

TAXONOMIA

Por mais que as leitoras e leitores do blog sejam inteligentes (todos sabemos que as leitoras e leitores do Blogson são muito inteligentes!), é improvável que saibam o significado da palavra taxonomia que, ao contrário do que parece, não é o estudo comparado das melhores taxa de mercado para fazer investimentos ou saldar algumas dívidas.
 
Aqui cabe um pequeno parêntese: tenho andado tão sem dinheiro que nem sei como fazer para saldar minhas dívidas. O máximo que consigo é saudá-las. Assim, quando chega um boleto ou carta de cobrança eu já vou logo cantando “Olá como vai, eu vou indo e você, tudo bem?”.
 
Bom voltando à taxonomia, a internet me ensinou que “Taxonomia é a disciplina biológica que define os grupos de organismos biológicos com base em características comuns e dá nomes a esses grupos”. Além disso, fiquei sabendo também que Dona Taxonomia foi uma das ferramentas utilizadas para renomear as diversas variantes de coronavirus já surgidas.
 
Encharcado de tanta cultura, ocorreu-me que se a nova variante tivesse surgido na França, acho que um bom nome para ela teria sido Ômakron.
 

 


sábado, 27 de novembro de 2021

OMICRON

O coronavírus SARS-CoV-2, aquele amigão do nosso presidente, é chegado a uma mutação. Não chega a sofrer uma transmutação, aquela que converteu água em vinho fino, mas gosta de se reinventar. Como todos os negacionistas e anti-vacina sabem, a mamoninha assassina original gerou a variante Alfa, surgida no Reino Unido. Na sequência, foi identificada na África do Sul a variante Beta, no Brasil a variante Gama (obrigado pelo incentivo, Jair!) e, pouco depois a variante Delta, surgida na Índia.
 
Quando todo mundo já respirava aliviado, pensando na queima de fogos (e roscas) da passagem de ano, no desfile das escolas campeãs, nos shows de Gusttavo Lima ou Thiaguinho, enfim, nas oportunidades de enfiar os pés nas jacas (uma em cada pé), eis que surge na África do Sul (de novo!) a variante Ômicron, levando países e governos a planejar novos isolamentos, a fechar as fronteiras para passageiros vindos de países onde já foram identificados casos de contaminação com essa variante, a exigir cartão de vacina de quem chega de outros países, a exigir o uso de máscara, etc.
 
Mas nosso presidente não concorda com isso. Do alto de seu conhecimento técnico sobre o assunto e do bom senso que exibiu ao longo da pandemia, “reconheceu que uma nova onda está chegando, mas descartou a possibilidade de fechar aeroportos para tentar reduzir o contágio.
 
‘Tem que aprender a conviver com o vírus’, disse o presidente a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.
‘Não vai vedar, rapaz. Que loucura é essa? Fechou o aeroporto, o vírus não entra? Já está aqui dentro’, declarou Bolsonaro a um simpatizante, ao ser questionado sobre a chance de restringir a entrada de estrangeiros no País.
O apoiador citou a quarta onda de covid-19 na Europa, mas o presidente minimizou. ‘Você está vendo muito a Globo’”.
 
Tenho ou não tenho razão quando digo que o Jair é amigão do coronavírus? Porque, se depender do Cavalão e pelo andar da carruagem, daqui a pouco as autoridades internacionais de saúde precisarão recorrer ao alfabeto maia ou asteca para nomear a enésima variante que surgir. 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

MUITA PERPLEXIDADE COM PITADAS DE INDIGNAÇÃO

Este post serve apenas para registrar minha perplexidade e indignação por conta de comportamentos lamentáveis, deploráveis, impensáveis, inaceitáveis. Um escritor de verdade estaria agora se contorcendo por conta dessa repetição obsessiva do sufixo. Mas é proposital, só para incomodar, pois incomodado eu estou. Agora, pitada de indignação, porra nenhuma! Este post é uma pizza mezzo a mezzo, pois aqui a perplexidade e a indignação aparecem em partes iguais, meio a meio, fifty-fifty. 
 
 
PEGOU MAL
Creio que foi por volta de 1960 que a TV Itacolomi de BH exibiu a série de capa e espada Zorro, meio bobinha mas divertida. O personagem que a tornava engraçada era o atrapalhado e subserviente Sargento Garcia, sempre tentando prender o herói. Anos depois fizeram um filme com o Antonio Banderas, mas não faço a mínima ideia sobre ele, pois nunca me interessei em assistir. O que um sargento rotundo e trapalhão tem a ver com os dias atuais? Boa pergunta! Quando ainda era ministro da Saúde, o gordinho Pazuello disse uma frase que merece ser lembrada no futuro: “É simples assim: um manda, o outro obedece”, a propósito do cancelamento da compra de milhões de vacinas determinado pelo presidente. Ao agir assim um general ficou parecido com o atrapalhado sargento Garcia diante do seu próprio capitão.
 
O problema é que recentemente divulgaram um vídeo onde ele negocia a compra das mesmas vacinas – através de intermediários e a um preço três vezes maior! Numa boa, eu, se fosse o Bolsonaro, descia porrada no Pazuello, só para não me ver mergulhado no mesmo caldeirão de bruxarias (concorda, Luana?). E não custa lembrar que o presidente explicou assim o fim da Operação Lava Jato: “Acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo”. É claro que eu creio nisso! E acredito também em duendes e gnomos. Pegou mal, pegou muito mal.
O verdadeiro sargento Garcia


 
MEDIEVAL
Publiquei recentemente um texto aqui no Blogson onde falava da morte de um primo, abatido pela Covid. Estava super chateado. E fiquei ainda mais chateado ontem. Chateado, não, sacaneado. Sacaneado não, puto da vida. E o motivo foi ter descoberto que ele não foi vacinado porque não quis. (descobri que existe uma ala de retardados mentais na minha família). Disse que não se vacinaria e ponto final. Grandessíssimo filho da puta!
 
A sorte é que sua mãe - que está com 102 anos - começou a apresentar sinais de demência. Assim, ficará fácil (relativamente) mantê-la na ignorância da morte de um dos dois filhos que teve.
 
Fico pensando no medo, no desespero e no arrependimento que meu primo deve ter sentido ao saber que seria sedado e intubado. Péssima escolha, péssima aposta. Se não fosse pai e avô bem que mereceria ganhar o Prêmio Darwin, aquele que premia postumamente as pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da espécie ao não deixar descendentes.
 
Por ser rico de nascença, frequentou os melhores colégios, conheceu vários países, tornou-se empresário bem sucedido, mas empacou no limite das ciências exatas, da engenharia. Pelo jeito, não foi capaz de ultrapassar essa barreira. Só isso poderia explicar o inexplicável, o obscurantismo e a ignorância de que foi vítima, 
o provável desinteresse por conhecimento científico fora de sua área de atuação. Eram essas as piores comorbidades que poderia ter. Apostou contra o coronavírus e perdeu. Superstições, crendices e apostas mal feitas podem matar, seja na Idade Média ou nos tempos atuais. Otário!

quarta-feira, 30 de junho de 2021

TIRANDO LEITE DE PEDRA


Mesmo que o alimento principal deste blog seja a chamada cultura pop e sua temática seja predominantemente urbana, tenho origem caipira, pois enquanto meus antepassados tiravam leite de vaca, eu fico aqui no Blogson tentando tirar leite de pedra. Por isso, em homenagem às minhas origens, resolvi hoje tratar de assuntos agropecuários, falar de burros e jumentos, tentar descobrir como contar as cabeças de gado de um rebanho, etc. Para não pisar nas hortaliças, precisarei contar com ajuda de um especialista no assunto, um veterinário de renome, o senhor Osmar (En)terra. Pelo que ouvi dizer, ele gosta mesmo de animais, pois tem até um jumento de estimação a quem às vezes alimenta, além de sempre falar de rebanho.
 
Mas deixemos de brincadeirinhas e vamos ao que interessa. E se alguém pensa que vou malhar (merecidamente) nosso presidente, já aviso que não pretendo fazer isso, pois este é um texto papo-cabeça, daqueles que rolam em mesa de botequim quando já está todo mundo bêbado. Além do mais, está cada vez mais difícil ficar atualizado com as tretas e mutretas que vão surgindo (mesmo que ele desconheça, lógico) 

Sinceramente, não acredito que o presidente aja por maldade ou de má fé quando toma decisões desmioladas. Creio que isso pode ser fruto de ignorância ou de algum distúrbio mental. Mesmo assim, não custa lembrar que desde o início de 2020 ele sucessiva ou concomitantemente ignorou, desprezou, minimizou, ridicularizou e foi incapaz de enxergar o tamanho do pepino que teria de descascar e nem teve a humildade e serenidade de ouvir e acreditar em quem realmente poderia melhor avaliar a situação. No caso, profissionais de saúde verdadeiramente capacitados e... economistas. Agiu por ignorância, por impulso, sem freios. 

Em termos práticos, não nos esquecendo das pessoas que apoiam ou criticam nosso presidente, vamos pensar nos dias de hoje: o Brasil vive um dos momentos mais trágicos (e bem documentados) de sua história, graças a uma pandemia provocada por um vírus que teria primeiro surgido na China (e que muitas pessoas se preocupam em chamar - graças à ojeriza que sentem a tudo que seja relacionado à Esquerda - de “praga chinesa", como se isso fosse importante, como se isso atenuasse a estupefação causada pelos milhões de mortos no mundo todo. 

Para mim, o Sars-CoV-2 poderia ser chamado de "variante chinesa" ou variante "ômega"), pois ele começou a botar para foder depois de ter sofrido alguma mutação, tornando-o diferente do coroninha original. Essa pandemia (até hoje!) matou mais de 512 mil brasileiros (mais um parêntese: em 27 de março, quando este texto começou a ser rascunhado, a Covid tinha provocado a morte de “apenas” 310.000 pessoas no Brasil, ou seja, de lá para cá aconteceram 202 mil mortes - em apenas três meses).

Justamente pela dimensão dessa calamidade nosso presaidente jamais poderia ter-se arvorado em detentor da verdade e maior defensor de práticas empíricas como o uso de um remédio que se comprovou ineficaz e, potencialmente danoso a quem o tomar "off label" (gostei da expressão!). Até por um singelo detalhe: Didier Raoult, o médico francês que primeiro propagandeou as propriedades divinas de cura da cloroquina recentemente admitiu que se enganou e que a porra do remédio não faz mesmo efeito contra a Covid. E está sendo processado por isso.
 
Mas comecei este texto dizendo que falaria de “assuntos agropecuários”. Por isso, vamos voltar ao cercadinho, ou melhor, ao curral. Mas é necessário primeiro dar nomes aos boys, ou melhor, aos bois: nosso presidente, seu conselheiro informal Osmar Terra e alguns outros médicos sempre apreciaram a ideia de se buscar a tão falada “imunidade de rebanho”, que seria atingida quando 80% da população fosse infectada. Como imagino que eles não gostem muito de fazer conta, só de faz-de-conta, resolvi pegar uma calculadora e “trabalhar” um pouco.
 
No caso do Brasil - que tem uma população estimada em 213 milhões de pessoas -, o número de infectados precisaria ser igual a 213 milhões x 80% = 170 milhões. O problema é que no nosso país 2,8% das pessoas que contraem Covid morrem. Isso representaria 170 milhões x 2,8% = 4.700.000 vidas perdidas, 4,7 milhões de "bois de piranha" para passar a boiada.
 
A quantidade absurda de mortes que aconteceriam para que o país alcançasse a imunidade de rebanho apenas prova que essa não é definitivamente uma boa ideia. Mesmo quando aplicada apenas ao gado que segue o presidente...

quarta-feira, 2 de junho de 2021

320 DIAS

Hoje, dia 02/06/2021, ocorreu o depoimento da infectologista Dra. Luana Araújo à CPI da Covid. Foi verdadeiramente um show de conhecimento, inteligência, competência, segurança e fluência verbal. Seu depoimento começou com uma reflexão que nunca tinha me ocorrido, tão precisa e cheia de significado que meu primeiro impulso foi transcrever cada palavra dita, para publicá-la no Facebook. Ninguém curtiu nem deu sinal de vida, tal como vem acontecendo com todas as publicações que faço. Fazer o quê, não é mesmo? Mas não podia deixar de guardá-la nesta blogoteca. Olhaí.



segunda-feira, 31 de maio de 2021

MÁSCARA PARA PINÓQUIOS

 
Na história do Pinóquio era assim: todas as vezes em que o boneco de madeira mentia, seu nariz de pau começava a crescer, só voltando ao normal quando ele dizia a verdade.  Essa imagem acabou se transformando em advertência irônica para alguém que parece estar ou que está mesmo mentindo (“Olha o nariz crescendo!”; “Seu nariz vai crescer!”).
 
Hoje, há uma situação muito constrangedora na CPI da Covid, pois mesmo as pessoas convocadas como testemunhas, obrigadas a dizer a verdade, estão mentindo com a maior desfaçatez, às vezes só para acobertar alguém que jamais deveria ser chefe ou comandante de nada.
 
Por falar em acobertar, mesmo abrigado sob o cobertor de um habeas corpus preventivo um general que se recusa a ir para a reserva mentiu com a maior cara de pau. Ou melhor, não mentiu, apenas criou uma realidade alternativa, à moda da história de Alice no País das Maravilhas, onde nada é o que parece ser. Para mim, quem gosta tanto de cobertor e de acobertar deveria mais é vestir o pijama.
 
Mas, “deixando a profundidade de lado” (acabei de plagiar o Belchior!), resolvi ajudar os pinóquios da CPI a se sentir mais confortáveis. Para isso, imaginei um novo modelo de máscara, uma máscara retrátil, telescópica. Assim, se porventura o nariz crescer durante o depoimento, a máscara não deixará o rosto desprotegido.  Olhaí.



quinta-feira, 27 de maio de 2021

RECICLANDO AS EXCELÊNCIAS

 
Tenho acompanhado as sessões da CPI da Covid que a GloboNews transmite ao vivo. É muito educativo ver os senadores da República se estranhando. Outro dia o presidente da comissão reagiu à provocação de um dos integrantes da tropa de choque bolsonarista dizendo educadamente: “Vossa Excelência é um oportunista!” e outras (merecidas) delicadezas do gênero. Sinceramente falando, fico estarrecido com a desfaçatez que alguns senadores da "base aliada" exibem ao tentar defender o indefensável, E quando digo "indefensável" estou me referindo a uma pessoa de carne e osso, que poderia ser identificada com outros adjetivos de triste rima, tais como: condenavel, execrável, abominável, impalatável, imbroxável, etc.
 
Outra coisa que chama minha atenção é o fato de um ministro ser também chamado de “Excelência”. Entretanto, bastou ser demitido para se transformar em “Senhoria”. Fico pensando que se o próprio Einstein fosse inquirido numa comissão dessas seria chamado de Vossa Senhoria. Mas basta um zé mané, um pé rapado qualquer ser eleito que imediatamente se transforma em “Excelência”. Pensando na graça involuntária que essa idiotice carrega, resolvi reciclar um post originalmente feito em “homenagem” aos “paralamentares” que discutiam o impixo da Dilma, quando já era visível um pé se aproximando de sua bunda.
 
Como resolvi não mudar nem mesmo uma vírgula do post original, peço a atenção dos eventuais leitores ao fato de ter pela ex-presidente o mesmo apreço que tenho hoje pelo Bolsonaro, ou seja, nenhum.
 
 
Tenho acompanhado com interesse, atenção e cochiladas o desenrolar do processo de impeachment da Dilma no Congresso Nacional. Dessa falta absoluta do que fazer tirei algumas constatações básicas: quando os parlamentares que defendem a presidente falam, tenho sempre alguma ânsia de vômito e a tontura que venho sentindo ultimamente (essa é real) aumenta um pouco.
 
Outra observação que fiz é que, pelo menos na comissão da Câmara, os parlamentares dividiam-se ou apresentavam-se em “blocos”. Como não consegui entender o que isso significa, pensei em alguma coisa tipo bloco carnavalesco ou de axé, pois tem hora que a coisa lá na Côrte lembra mais um carnaval.
 
Finalmente, percebi que deputados e senadores são invariavelmente tratados por “Vossa Excelência”, mesmo que algum deles esteja sendo ofendido ou destratado por um interlocutor que manifesta o desejo explícito de arrancar sua cabeça na dentada. Como naquela sessão em que ao sentir-se ofendido, um deputado reagiu com extrema delicadeza ao dizer esta frase lapidar -“Fascista é a puta que pariu!” Acredito que o Zé de Abreu (quem é ele mesmo?) talvez não gostasse de que alguém cuspisse nele essa frase.
 
Com essa cultura toda invadindo minha mente como se fosse um bando do MST – Movimento dos Sem Toddy, resolvi arregaçar a manga (Mangifera indica) para propor novas formas de tratamento a usar no Congresso porque, se observar bem, nem todos que ali estão são tão “Excelência” assim. Para facilitar o entendimento, dividi os parlamentares em “blocos” extrapartidários distribuídos por estilo de atuação, sugerindo dez opções para cada um deles:
 
BLOCO DO ECTOPLASMA
(Formado pelo pessoal que ama ficar em qualquer lugar, menos onde são pagos para estar).
Vossa Abstinência, Vossa Ausência, Vossa Carência, Vossa Comparecência, Vossa Dependência, Vossa Indolência, Vossa Inexistência, Vossa Insuficiência, Vossa Infrequência, Vossa Repetência.
 
BLOCO DO FISIOLOGISMO
(Composto pelos adeptos da frase "Hay Gobierno? Siempre a favor").
Vossa Acedência, Vossa Anuência, Vossa Codelinquência, Vossa Complacência, Vossa Condescendência, Vossa Conivência, Vossa Impudência, Vossa Obediência, Vossa Subserviência, Vossa Tangência.
 
BLOCO DA FOTOSSÍNTESE
(Pessoal que entra mudo e sai calado, dorme em cima do saco ou lembra planta decorativa).
Vossa Arborescência, Vossa Bolorência, Vossa Decadência, Vossa Degenerescência, Vossa Dormência, Vossa Ensurdecência, Vossa Flatulência, Vossa Inapetência, Vossa Sonolência, Vossa Subconsciência,
 
BLOCO DEMORÔ
(Esse é só para os investigados da Lavajato e outros inquéritos ou para quem está com o cu na mão de medo de ser "achado" pela Polícia Federal e pelo Juiz Moro).
Vossa Ardência, Vossa Delinquência, Vossa Deprimência, Vossa Excrescência, Vossa Inconsciência, Vossa Inconsequência, Vossa Indecência, Vossa Maleficência, Vossa Pestilência, Vossa Putrescência.
 
BLOCO É NO GRITO QUE EU GANHO
(Bloco ideal para o pessoal mais radical, seja de esquerda ou direita).
Vossa Contundência, Vossa Corpulência, Vossa Desinteligência, Vossa Estridência, Vossa Impertinência, Vossa Indigência, Vossa Insolência, Vossa Maledicência, Vossa Repelência, Vossa Virulência.
 
BLOCO DA SERENIDADE
(Alguém precisa trabalhar corretamente neste país!)
Vossa Ascendência, Vossa Coerência, Vossa Consistência, Vossa Decência, Vossa Eficiência, Vossa Eloquência, Vossa Previdência, Vossa Prudência, Vossa Referência, Vossa Sapiência.
 
Eu só não consegui descobrir ainda em qual grupo ficaria um Vossa Eletroluminescência.

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

TIOZÃO DO CHURRASCO

 

O telefone toca e alguém atende:

- Alô?

 - Alôôôuu!!!

- Rapaz, é você mesmo? Quanto tempo, até pensei que já tinha morrido!

- Que nada, estou mais firme que prego na gelatina!

- Isso é que é estabilidade! Por que não liga mais?

- Ah, esse negócio de conversar po telefone é meio sacal. E video-chamada é pior ainda. Você, por exemplo, que já tem cara de idiota ficaria ainda mais feio.

- Vá à merda, mané! Você ligou só para me ofender?

- Tá bom, mas que você tem feito?

- Ah, com a necessidade de isolamento, tenho lido muito. Estou lendo agora sobre mitologia grega.

- Olha a erudição do cara!

- Sabe como é, né? Mito por mito prefiro os mitos gregos!

- Ahah! Boa!

- E você, continua sem noção como sempre?

- Nada, amadureci muito com esse isolamento forçado. Agora estou esquematizando um negócio para acontecer depois da pandemia.

- Sério? E o que vai rolar? Fábrica de vento engarrafado? Reciclagem de camisinha?

- É sério, velho! Estou pensando em abrir um boteco temático.

- Explica.

- É um boteco que serve apenas um tipo de prato, mas uma coisa top, que todo bebum gosta.

- Bacana a ideia! E qual seria esse prato?

- Fígado acebolado. No Mercado Central é o maior sucesso!

- Não é isso que eu chamaria de "top", mas então já tenho até um nome para seu boteco: “Birosca do Prometeu”.

- Porra, que nome escroto!

- Calma, pois a publicidade seria muito chique: “Venha comer o fígado do Prometeu. Horário de funcionamento: abutre das 10 da manhã até a meia noite”

- Se eu soubesse latim, diria que você está que nem o Catilina, por "abutrere patientia nostra"!

- Ô burro, não é "abutrere", é "abutere"!

- Eu sei, cuzão, ou você pensa que é o único que sabe fazer piada de tiozão do churrasco?



sexta-feira, 7 de maio de 2021

NÃO DÁ PARA FICAR CALADO

 
Nosso presidente é mesmo um espanto, pois consegue despertar o que há de pior em quem fica sabendo de suas crenças, declarações ou decisões, seja alguém que faz parte de seus apoiadores ou que pertença ao grupo (a maioria da população) que o odeia ou critica.  Aqueles que o apoiam fazem carreatas, passeatas, acreditam ser seu monopólio o uso da bandeira brasileira, desprezam o isolamento social, usam máscara no queixo ou agridem verbalmente quem critica seu mito.
 
Já aqueles que odeiam desprezam ou criticam nosso presidente fazem exatamente isso - odeiam desprezam ou criticam seus rompantes, sua truculência, seus maus modos e sua recusa em aceitar o que vai contra suas convicções primitivas (pouco importando a se a Ciência fundamenta essas crenças).
 
É horrível ver pessoas morrendo de Covid e nosso presidente chamar de canalha “aquele que é contra o tratamento precoce”.  E ainda ter coragem de perguntar “Por que é contra?” Talvez devessem dizer a ele que aparentemente seu atual ministro da Saúde também é “canalha”. Mas creio que isso não é um problema tão grande, pois imagino que em um dicionário particular, só seu, “canalha” seja sinônimo de “médico”, “infectologista”, “epidemiologista” e assemelhados.
 
É também horrível e, mais ainda, assustador ler sobre suas ameaças nem tão veladas assim ao STF, aos governadores e prefeitos que querem fazer lockdown em seus estados e municípios ao dizer que “Nas ruas já se começa a pedir que o governo baixe um decreto. Se eu baixar um decreto, ele vai ser cumprido, não será contestado por nenhum tribunal”. Alma e sonhos de ditador!
 
“Queremos a liberdade de cultos, queremos a liberdade para poder trabalhar, queremos o nosso direito de ir e vir, ninguém pode contestar isso. Se esse decreto eu baixar, repito, [ele] será cumprido”, disse ainda o fodão.
 
Essas tristes e preocupantes declarações juntaram-se à notícia da morte do divertidíssimo ator Paulo Gustavo e à divulgação do atual número de 414 mil(!) mortes pela Covid. Um sujeito radicalmente moderado como eu não tem estrutura emocional para suportar calado tudo isso, toda essa tragédia.
 
Foi aí que entrei no Facebook e vi algumas postagens pró-Bolsonaro et “intervenção militar” divulgadas por “amigos de facebook”. E ainda li algumas bobagens fundamentalistas sobre religião. Realmente eu não conseguiria ficar calado! Por isso, escrevi e publiquei os dois comentários transcritos a seguir, destinados originalmente a esses "amigos de facebook" (que, como era previsível, não curtiram nem comentaram nada). Claro que não foram disparados nem contra o pessoal da Direita moderada nem da Esquerda moderada. Mas são comentários "censura livre", servem para todas as idades, vanidades, boçalidades, comorbidades, adversidades, sanidades e até santidades.


Quando vejo pessoas dizendo coisas como "Deus acima de tudo" eu fico perplexo, pois como ficam os ateus nessa história? Ou os hinduístas com seus deuses tão distintos uns dos outros? Eu nem me prendo a nenhuma vertente do Cristianismo. Eu penso isso em relação a qualquer religião, inclusive as não cristãs - judaísmo, islamismo, umbandismo ou até mesmo o ateísmo. Todos podem acreditar no que quiserem, só não podem esperar ou exigir que as demais pessoas tenham as mesmas convicções ou crenças. Outro dia eu brinquei com um amigo ao dizer que sou um católico ateu ou um ateu católico, justamente porque minhas crenças são passíveis de mudança, ou seja, eu creio em tudo e não creio em nada. Não tenho certeza de nada, pois não há como provar nada. A fé parte de dentro de cada um, concorda?
 
 
Desde 17/01/2021, dia em que a primeira vacina foi aplicada no Brasil, mais de 200 mil brasileiros morreram em consequência da Covid-19. Anônimos, famosos, jovens, idosos, homens, mulheres, crianças, médicos, enfermeiros, a ninguém o coronavírus poupou.
Se o governo tivesse comprado as 70 milhões de vacinas oferecidas pela Pfizer e as tivesse recebido e aplicado a partir de dezembro de 2020 a vida de uma porcentagem imensa dessas duzentas mil mortes poderia ter sido evitada. Quantas? 50.000? 20.000? 10.000?
Mas não foram, por culpa de uma pessoa que não conseguiu entender a gravidade da situação, que recusou a proposta da Pfizer, que ridicularizou o uso de máscara, que criticou o isolamento social e que propagandeou o uso de medicamentos que a comunidade científica mundial declarou ineficazes para tratamento da Covid.
Se você sabe de tudo isso e ainda assim sai às ruas para apoiar quem age dessa forma, pode acreditar, você está com o cérebro anestesiado ou é muito pior que ele.

 

 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

MARCANDO CONSULTA

 
Desde que eu e minha mulher tomamos a segunda dose da Coronavac não paramos de fazer planos. Mas planos prosaicos, banais, ingênuos. Nada de viagens fabulosas, nada de passeios inesquecíveis, nada de atividades indescritíveis. O que queremos mesmo (e ainda não fizemos) é ir a um supermercado depois de ficar trancados em casa por quatorze meses. O que queremos é fazer consultas médicas, fazer exames de sangue e até de próstata, no meu caso.
 
Por conta de uma demanda há muito reprimida, marquei doze consultas com oito médicos de uma sentada só, mas ainda faltam os exames de sangue para levar nos dias das consultas. Creio que este mês as despesas compartilhadas de meu pano de saúde deverão explodir, com severo impacto nas nossas finanças. Tudo bem.  Neste ponto, preciso contar um caso verídico que aconteceu com minha cunhada.
 
Ela trabalhava em uma clínica médica que tinha convênios com várias empresas. Uma dessas agendou uma batelada de exames para seus funcionários mais graduados. Um dia, um dos diretores foi buscar os resultados dos exames que tinha feito e, junto com um pedido de mil desculpas pela falha, foi informado que tinha deixado de fazer um, justamente o de toque retal para avaliação da próstata. Aparentemente, nunca tinha feito esse exame, pois perguntou de que se tratava. A constrangida atendente explicou de forma breve como seria realizado e informou que não precisava se preocupar, que fazia parte do pacote contratado pela empresa. A reação do executivo foi hilária, pois disse que se não tinha que pagar nada estava tudo bem. A partir desse dia os funcionários da clínica adotaram a máxima de que “de graça até exame de próstata”.
 
Voltando agora ao nosso caso, posso dizer que fechado em casa durante quatorze meses, fiquei até com saudade do exame de toque. Pois é... Mas isso ainda não é o tema deste post. Já disse que sou um puxa-saco profissional, um gentleman, um sujeito que faz questão de tratar bem  pessoas desconhecidas, um cara que cumprimenta, que elogia e que agradece - mesmo que nunca queira conviver com elas. E esse estilo, este comportamento tem-me dado um trabalho do cacete.
 
Ao ligar para oito consultórios, clínicas e hospitais distintos fui também atendido por oito funcionários e funcionárias diferentes. Fiel a meu estilo, fiz questão de perguntar o nome de cada pessoa que me atendeu. E esse é que é o problema, pois não conseguia entender direito o nome informado. Como disse, sendo gentil e atencioso pedia desculpa por não entender dizendo sempre que sou um pouco surdo, “pois sou muito velho” - e ainda brincava perguntando se a atendente não tinha escutado o rugido de um dinossauro. E perguntava novamente o nome de quem estava me atendendo. Sinceramente falando, nem com repetição eu consegui entender dois desses nomes. Também, que mandou ser batizado ou batizada com nomes como Warlison, Clauderice ou Derliane?

Aparentemente, a esculhambação instalou-se nos cartórios de registro civil, pois quase ninguém mais é registrado com nomes tradicionais, civilizados e bonitos tipo Amintas, Epaminondas ou Sebastião. Nada de Benedita, Carlota ou Efigênia. O que tem hoje de y, w, k e l dobrado nas certidões de nascimento não está no gibi. Se eu pudesse e me dessem autoridade para tanto, faria uma norma, um decreto ou regulamentação que impedisse o registro de crianças com nomes ridículos e assinaria solenemente em baixo:

JOSÉ BOTELHO PINTO

terça-feira, 4 de maio de 2021

BOMBA DE NÊUTRONS

 
Em 1945, quando o Enola Gay liberou a Little Boy para cair sobre Hiroshima, liberou também o “anjo exterminador” que ela transportava. O resultado disso foi a destruição quase total da cidade e a morte de 90 a 166 mil pessoas - 50% desse número só no dia da explosão. Em Nagasaki o “vetor” de outro exterminador foi a bomba Fat Man, que provocou a morte de 60 a 80 mil pessoas. Na melhor hipótese, 150 mil pessoas perderam a vida com as explosões. Na pior hipótese, 246 mil vítimas fatais. Segundo o governo japonês, 192.719 pessoas sobreviveram a essa hecatombe. Assim, o total de atingidos varia entre 342.000 e 438.000 pessoas.
 
Há outros dados interessantes para nos levar a uma reflexão. Em 15/08/20 a indústria farmacêutica Pfizer fez uma oferta ao governo brasileiro para fornecer 70 milhões de doses de vacina contra a Covid-19, com entrega prevista a partir de dezembro do mesmo ano. A proposta foi recusada.
 
A primeira campanha de vacinação contra Covid no mundo começou no Reino Unido no dia 08/12/20. Até o dia 16/01/21 mais 55 países já tinham começado suas campanhas de vacinação. Só em 17/01/21 foi vacinada a primeira pessoa no Brasil. Hoje, dia 02/05/21, o Brasil contabiliza 406.000 mortes pela Covid-19. Esse número é 1,6 a 2,7 vezes maior que o total de mortos pelas explosões atômicas no Japão.
 
Para não fugir à realidade do país, se compararmos a população de três cidades brasileiras (segundo dados de 2020) com o total de mortes pela Covid chegaremos a estes resultados: 406.000 mortes significaria acabar com 70% da população de Juiz de Fora (MG) ou 79% dos moradores de Niterói (RJ) ou 87% dos habitantes de São José do Rio Preto (SP).
 
Pensem bem, 70%, 79% ou 87% da população de três grandes cidades brasileiras! Mas, ao contrário das cidades japonesas, as construções, indústrias, pontes e estradas dessas cidades continuariam de pé, como se tivessem sido atingidas por bombas de nêutrons (que acabam com a vida mas preservam as estruturas e prédios das cidades).
 
Agora vamos juntar esses dados em um único raciocínio. Quando a vacina Coronavac começou a ser aplicada na população brasileira o país já contava com 210.000 mortos pelo coronavírus. Não preciso discutir a possibilidade desse número ser menor se o incentivo ao isolamento social, ao uso de máscara e à desinfecção de mãos e compras diversas com álcool 70º GL tivesse sido mais efetivo, principalmente  pelo exemplo de quem deveria agir assim. 

O que sei é que desde 17/01/21, quando a primeira dose foi aplicada em uma enfermeira de São Paulo ocorreram mais 196 mil mortes (406 – 210). Sem entrar no mérito da necessidade de uma análise matemática ou estatística mais aprofundada, vou chutar (estimar) que 50% dessas novas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse uma vontade política de correr atrás de vacinas, corrida de velocista olímpico, corrida de Usain Bolt. Mas, infelizmente o Brasil “queimou a largada”, resolveu correr no sentido contrário da raia e foi "desclassificado".
 
Voltando aos números coletados, 50% de 196.000 falecimentos em decorrência da Covid correspondem a 98.000 mortes, mortes que poderiam ter sido evitadas, número de vidas perdidas tão elevado quanto em Hiroshima e Nagasaki. E a culpa dessas 98.000 mortes é de quem? De uma "bomba de nêutrons" que assumiu a presidência, de um homem que resolveu manter-se neutro enquanto as pessoas iam morrendo por não ter sido vacinadas a tempo. Aliás, neutro não, alheio, indiferente à tragédia que ocorria e ocorre no país onde grande parte da população o elegeu para ter uma vida melhor e sem corrupção mas não para engolir suas crenças e preconceitos.
 
Ele poderá não ser condenado a nada, não sofrer impeachment e até ser reeleito em 2022. Seus seguidores podem continuar a endeusá-lo, a mitificá-lo, a justificar, ignorar ou desculpar suas inúmeras burradas, mas ele nunca ficará livre das 98.000 mortes que poderia ter evitado.  Esse é um número exagerado, superestimado? Ok, vamos reduzi-lo para 10 mil (ou 5 mil ou até mesmo 3 mil). O número real é irrelevante, pois são vidas que poderiam ter sido poupadas. E isso não se perdoa nunca.

domingo, 2 de maio de 2021

QUE DIA É HOJE?

 

A vida de um idoso nestes tempos de pandemia pode ter encantos ocultos e privilégios a que os mais jovens não têm direito. E nem falo dos mais previsíveis, tais como andar de cueca dentro de casa, não se preocupar se o cabelo está penteado ou não, esquecer a chave do lado de fora da porta e coisas assim.
 
O charme da vida de um idoso ultrapassa esses pequenos detalhes, pois lembra a calma de uma vida no meio do mato, no campo - aquele silêncio amplificado pela crescente surdez, aquela falta de horário para dormir e por aí.
 
Mas o verdadeiro encanto da vida de um idoso em isolamento social está na sua total falta de vínculo com o calendário, pois segunda-feira, terça e outros dias da semana passam a não ter o menor significado. Que dia é hoje? Não sei.
 
Hoje, para mim, a “folhinha” está organizada deste jeito: se tem programa da Sônia Abraão, é dia útil ou “dia de semana”. Se tem Raul Gil, é sábado e se tem Celso Portioli, é domingo. Simples assim. Ê vidão!







sexta-feira, 30 de abril de 2021

COMBALIDO

 


Hoje fui tomado por um grande desgosto, desgosto que abalou ainda mais meu já combalido estado emocional (não confundir combalido com o som emitido por um carneiro cheio de amor pra dar, pois é assim que ele avisa às ovelhas: com balido) E a culpa é do uso indevido e não aprovado de meu santo nome. Usaram meu santo nome em vão, pô!
 
Mas não quero enrolar nem deixar meus amigos virtuais mais preocupados do que já devem estar com estas palavras introdutórias (e se não estão deveriam estar!). E tudo por causa de comentários a uma reportagem publicada no jornal “O Tempo” que acabei de ler.
 
Estava procurando subsídios para outro texto que comecei a esboçar mentalmente, mas ao ler essa reportagem fiquei tão impressionado com a notícia (e também com o desejo de encher lingüiça) que acabei copiando texto e comentários. O texto será resumido, mas os comentários serão trascritos na íntegra. Olhaí:
 
A Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas demitiu e investiga a médica ginecologista Michelle Chechter, que trabalhava na maternidade Instituto da Mulher Dona Lindu, em Manaus, por aplicar nebulização de hidroxicloroquina como tratamento para Covid-19. Pelo menos uma paciente morreu após o procedimento, conforme a secretaria.
A mulher morta depois da nebulização havia acabado de dar à luz. A pasta informou que o tratamento não faz parte dos protocolos terapêuticos do Instituto Dona Lindu "nem de outra unidade da rede estadual de saúde, ainda que com o consentimento de pacientes ou de seus familiares", diz nota da secretaria. O bebê passa bem.
(...)
A morte da paciente ocorreu em fevereiro, mas somente agora foi tornada pública. A secretaria diz que a médica passou a fazer parte da equipe em 3 de fevereiro "após contratação em regime temporário pela secretaria junto com outros 2,3 mil profissionais de saúde, via banco de recursos humanos disponibilizados ao Estado pelo Ministério da Saúde".
(...)
O texto diz ainda que a secretaria e o instituto não compactuam com a prática de "qualquer terapêutica experimental de teor relatado e não reconhecida e entendem que tais práticas não podem ser atribuídas à unidade de saúde, que tem como premissa o cumprimento da lei e dos procedimentos regulares, conforme os órgãos de saúde pública e os conselhos profissionais".
A paciente de Manaus não é a primeira a morrer depois de passar por nebulização de hidroxicloroquina. Em março, três pacientes que passaram pelo procedimento morreram durante o tratamento em Camaquã, no Rio Grande do Sul. A nebulização foi aplicada no Hospital Nossa Senhora Aparecida, que, assim como a maternidade de Manaus, informou que o procedimento não faz parte de seus protocolos.
(...)
A ginecologista Michelle Chechter respondeu da seguinte maneira a pedido de contato feito pela reportagem: "nesse momento não estou conseguindo dar entrevistas. Futuramente entro em contato" Em suas redes sociais a médica mantém um selo com os dizeres "Covid-19. Eu apoio o tratamento precoce". O chamado "tratamento precoce" é o uso de medicamentos sem comprovação de eficácia contra Covid-19, como cloroquina e ivermectina.
Pelo menos uma publicação sobre eficácia da cloroquina da médica na rede social Facebook foi marcada como "informação falsa". Michelle Chechter é ainda apoiadora do presidente da República, Jair Bolsonaro, que também defende o uso de medicamentos sem eficácia contra a doença. Em publicação recente a médica publicou fotos da visita de Bolsonaro a Chapecó, em Santa Catarina, município que teria supostamente conseguido reduzir internações por Covid-19 com uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.
A cidade, no entanto, à época da visita do presidente, no início do mês de abril, tinha 100% dos leitos de unidade de terapia intensiva ocupados, além de ter mais mortes por Covid-19 por 100 mil habitantes que Santa Catarina e o Brasil. Segundo Bolsonaro, Chapecó tinha feito um "trabalho excepcional" na pandemia e deu liberdade a médicos para prescreverem o "tratamento precoce".
 
Para melhor entendimento, a ordem adotada dos comentários reproduzidos a seguir é a ordem cronológica real (no jornal a ordem apresentada é do “empilhamento” – aquela que vai superpondo as respostas à medida que vão chegando à redação do jornal)
 
ÊITA...... POVINHO BURRO !!! 15/4/21 11:21
COBAIA.....
 
Lucas 15/4/21 11:26
Demitida? Essa mulher tinha é que ir pra cadeia por homicídio, além de todos os "médicos" pilantras que insistem em receitar essas merdas. Cambada de vagabundos.
 
Lea Campos 15/4/21 11:56
E PARA SEGUIR A IDIOTICE DO GAROTO PROPAGANDA DA HIDROXICLOQUINA QUE SUGERE DITO REMEDIO PARA CURAR O COVID19. UMA BURRICE APOS OUTRA.
 
Othoniel Alvim 15/4/21 13:39
Será que o CFM tomará alguma providência parta evitar que mais assassinatos aconteçam?
 
Jose Botelho 15/4/21 14:37
Nós aqui em casa tomamos,ivermectina , cloroquina , azitromicina , vitamina D3 e algumas outras vitaminas. usamos tambem a cloroquina como nebulizante . Os resultados estão favoráveis. Logo, em algumas cidades do Brasil ,a reportagem cita Chapeco, mas existem outras Porto Seguro, Buzios ,Francisco Beltrão, etc, etc tornou-se normal este procedimento e os resultados são excelentes. " Quem não tem cão ,caça com gato". Alias já tomei cloroquina contra a malária .
 
Jose Botelho 15/4/21 14:43
Para que alguns tenham idéia no Brasil deve ter umas 1.000 ou mais cidades que estão usando o tratamento precoce. E nenhuma delas "fechou" pelo contrario está tudo aberto. Chapeco tem uma propaganda que diz : "VENHA COMER UM CHURRASCO COM UM VINHO DE PRIMEIRA QUALIDADE'" Temos que viajar para conhecer o que estas cidades que estão abertas estão fazendo para evitar a pandemia e manter "aberta". Viajar é conhecimento.
 
Lucas 15/4/21 15:18
O que eu acho mais cômico é que o Brasil é O ÚNICO LUGAR DO MUNDO que ainda leva a sério essa imbecilidade de "tratamento precoce", e justamente por isso é DE LONGE o país onde mais gente morre por dia de COVID EM TODO O MUNDO, mas aí vem imbecil como esse José Botelho achando que funciona. Tá funcionando que é uma beleza, hein?
 
Lucas 15/4/21 16:48
Acabam de descobrir que quem financiava a "Associação Médicos pela Vida", dos médicos picaretas que prescreviam a enganação do "tratamento precoce" era financiado pela Vitamedic, uma das fabricantes da ivermectina no Brasil. Coincidência, né?
 
RuyABC 17/4/21 18:30
Esta morte está mal explicada. . A Hidroxicloroquina cura da infecção do covid, porque ela impede a replicação deste vírus em 99,9% dos pacientes infectados por ele. . Não existe pandemia de covid nehuma, porque a hidroxicloroquina cura contra esse vírus. . A única pandemia que existe é a praga dos Parasitas Sociais no mundo todo forjando essa farsa do covid por má fé oculta detrás da falsidade cujos reais interesses são políticos socialistas de dominação e poder.
 
Capitao Cloroquina 26/4/21 11:41
O Brasil esta tomado pelos idiotas. A comecar pelo presidente. Semana passada estava num programa de tv dando GARGALHADAS. qual a graca ele ve nesse atual momento?
 
Capitao Cloroquina 26/4/21 11:43
Eu como pudim todos os dias. Nunca peguei covid. Fica a dica de outro tratamento precoce. PUDIM.
 
SUELI 15/4/21 15:27
José Botelho, a escolha é de vocês. Se querem morrer, que morram!!!
 
SUELI 15/4/21 15:29
A partir da demissão, espero que essa assassina seja condenada a muitos anos de cadeia!!!
 
Olha só! Um débil mental com o mesmo nome que o meu! Nada contra ter o mesmo nome, o problema real é que esse fato comprova a existência da anti-matéria, do anti-próton, do elétron com carga positiva (acho que vou sugerir meu nome para o próximo Nobel de Física). Um José Botelho que defende o uso do Kit Bozo de primeiros socorros só pode ser piada. Mas não é – e foi isso que me abalou tanto (tenho andado muito sesível ultimamente. Aliás, o certo nem é “andado”, é “ficado”, pois só tenho ficado preso dentro de casa).
 
Por isso, do alto dessas pirâmidades é que exclamo aos 8 = 2 x 4 ventos:
- Bolsonarista idiota , botelho pinto (desculpem o pleonasmo "idiota")! Ou melhor, meu nome é José Botelho Pinto!
 
E um último recado para o Lucas e a Sueli:
- Lucas e Sueli, recusem imitações, não comprem gado por lebre.

É PRECISO SABER VIVER - TITÃS

 E como isso pode ser difícil! Quem espera que a vida Seja feita de ilusão Pode até ficar maluco Ou morrer na solidão É preciso ter cuida...