Adormecerei
Para não mais acordar.
Adormecerei -
Por cansaço,
Por embriaguez,
Por hipnóticos tarja preta,
Pela ingestão conjunta contraindicada de todos eles
(esses médicos caretas, falsos moralistas, chatos pra caralho) -
E não mais acordarei.
Que o senso comum
O IML
Os cartórios e os registros de óbitos
(por que registrar o óbito, o óbvio?),
Chamarão de minha Morte.
O dia em que em que deixarei de,
O dia em que não serei mais obrigado a viver,
O dia em que não terei mais que assinar o livro ponto da existência,
Que não terei mais que dar provas de vida,
Quando há tempos, morto já estou.
Será a justa recompensa,
O prêmio,
O FGTS,
A aposentadoria,
A alforria,
Por todo trabalho escravo
Do que foi viver.
Boa pra marreta!!!
ResponderExcluirEsses poemas realistas do Azarão me trazem um quê de algumas poesias do Drummond.
This poem is incredibly raw and pulls absolutely no punches about the pure exhaustion of just trying to exist sometimes. The line about death being the ultimate severance pay or retirement from the slave labor of living is a brutally honest way to frame that desire for complete peace. It captures that heavy feeling of being checked out long before the heart actually stops beating. Thank you for sharing Marreta's incisive words; they hit incredibly hard for anyone who has ever felt completely drained by the daily grind.
ResponderExcluirThis poem was originally published on the blog *A Marreta do Azarão*. I recommend visiting it, as the author writes very well (albeit sometimes quite bluntly). https://amarretadoazarao.blogspot.com/
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