quinta-feira, 30 de julho de 2026

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

 
Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu minha mente. Não me preocupo com a qualidade literária, o que vale é a intensidade dos sentimentos.
 
Essa novidade recebeu um comentário irônico do titular do blog “As Crônicas do Edu”, ao afirmar que “como já disse um grande poeta, toda carta (poema?) de amor é ridícula” (deduzo que ele já conhecia o poema do Álvaro Campos/ Fernando Pessoa). E ele tem razão. Mas que bom é ter motivo para ser ridículo! Olhaí o poema:
 
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
 
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
 
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
 
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
 
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
 
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
 
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

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