Eu gosto de fazer releituras do cotidiano a
partir da crítica e da ironia, às vezes desmontando ou desconstruindo situações
registradas pelas câmeras de celular, estando ou não presente nessas imagens.
Por eu ser um antissocial que meus conhecidos
parecem adorar – porque sou cínico o suficiente para aparentar que estou
achando graça das tolices que dizem nas reuniões a que sou obrigado a ir (quando
estou mais interessado nas guloseimas disponíveis), meus pensamentos se formam como
as imagens que são refletidas em uma casa de espelhos de parque de diversões.
Hoje, depois de ter encontrado no facebook o
perfil de um ex-colega com quem trabalhei durante mais de dez anos, tentei ver
sua aparência atual (porque sou curioso e por não termos ele e eu imagens que
nos identifiquem). Aí resolvi examinar a galeria de fotos de seus amigos. Acabei
ficando com saco cheio de bisbilhotar imagens de desconhecidos, mas uma delas chamou
minha atenção: um encontro de senhoras, ex-colegas formadas no século passado, todas
sorridentes, todas envelhecidas, todas atingidas pela erosão provocada pela passagem do Tempo, algumas brindando alegremente
aquele momento.
Essa imagem pôs em movimento meu lado
politicamente incorreto e saiu esta “reflexão” (só um pouquinho ácida):
A
miséria é triste, as guerras são trágicas, as dores precisam de cura, a fome
precisa ser saciada, as perdas nos abatem e machucam, mas nada é tão deprimente
quanto as fotos do encontro de antigos colegas passados quarenta anos depois da
formatura.
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