segunda-feira, 9 de outubro de 2023

CARTAS PARA A REDAÇÃO

Essa é mais uma ideia para a qual não encontro respaldo teórico, o que significa que é outra teoria miojo (aquela que fica pronta em três minutos e o resultado é sempre uma merda). Vamos lá:

A Igreja Católica, com seus dois mil anos de idade, foi adquirindo uma série de símbolos e rituais. E, para falar a verdade, alguns são bonitos demais, cheios de uma solenidade majestosa. Por exemplo, quer coisa mais bonita e solene que o canto gregoriano? Ou o momento da Consagração, na missa? Lembro-me de um padre holandês, que se emocionava tanto (e me emocionava também) nessa hora, que sua voz mudava, ficava mais grave e profunda ao dizer – “tomai, todos, e comei...”. Já velhinho, parece que a emoção aumentou ainda mais, pois era batata: ao elevar a hóstia, dizia gaguejando: - “to-tomai e...” E era o único momento em que isso acontecia. Excelente Padre Henrique!

Pois bem, pensando nisso, fico imaginando que esses rituais e símbolos foram extremamente importantes para a manutenção de fieis ou para a conversão de novos participantes. Claro, não se discute que algumas autoridades religiosas fizeram muita merda em seu tempo. Só para citar alguns, temos os lascivos Bórgia, a Inquisição, os padres pedófilos e por aí vai.

Mas os rituais são o diferencial. Tenho pensado que a humanidade precisa de rituais e símbolos para facilitar a sua compreensão do mundo e da vida. Os rituais e símbolos seriam como teclas de atalho, como ícones da área de trabalho de um computador (acho que essa é uma boa imagem).

O Edir Macedo, que é experto pra caramba, deve ter percebido em seus fieis essa aprovação e esse desejo por símbolos. Tempos atrás, a Universal começou a vender "brinquedinhos" religiosos pela televisão, em seus programas da madrugada: espadinha (de plástico) de não sei quem, miniatura da “arca da aliança” (idem). Depois, foi a vez da utilização de candelabros judeus em suas igrejas, alguns telepastores usando uma espécie de batina, a água e o suco de uva consagrados pelo telepastor e, recentemente, a maluquice de usar quipá, barba grande e um manto cerimonial judaico (tudo isso eu já vi na televisão, mesmo sem ser evangélico).

O que ele pretende com isso? Em minha opinião, suprir a carência de ritos em suas igrejas e em suas cerimônias, aquela liturgia solene e milenar que a Igreja Católica tem de sobra.

Agora, tem uma coisa que me deixa confuso: os ateus jamais deveriam se preocupar com ritos e símbolos. Entretanto, outro dia li alguma coisa sobre uma cerimônia de “desbatismo”.

Que merda que é essa? É a conversão para outro tipo de crença? Não faz sentido, mesmo que eu já tenha brincado ao dizer que ateu é o sujeito que acredita na descrença. Seria isso a prova de que até os ateus precisam de ritos e símbolos?

Para encerrar, vou deixar uma dúvida bem no estilo “realidade alternativa” ou “teoria da conspiração”: tendo já usado tantos truques e artimanhas para aumentar seu “povo”, seria o Edir Macedo um ateu disfarçado? Cartas para a redação.

25/01/2015

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