terça-feira, 22 de julho de 2014

TOSCANA, BERÇO DA CULTURA!

Tive um amigo que era culto pra caramba. Eu e ele tínhamos o mesmo sobrenome, mas não éramos parentes. Um dia ele contou o caso dos cristãos-novos. Para quem nunca ouviu falar nisso, “cristãos-novos” eram os judeus convertidos (na marra) ao catolicismo, por volta de 1500. E o nome servia para diferenciá-los dos “cristãos velhos”.

Depois da “conversão”, os novos cristãos (daí o nome) eram batizados e passavam a utilizar um novo sobrenome, tomado das “criaturas de Deus”; no caso, plantas e animais.

E tome gente com nomes de espécies do Velho Mundo, tais como Carvalho, Bezerra, Carneiro, Cordeiro, Falcão, Figueira, Leitão, Lobo, Oliveira e por aí.

Embora essa teoria seja controversa, foi assim que meu amigo explicou a origem de nosso sobrenome, também ele nome de bicho.

Fico matutando que se essa prática tivesse surgido no Brasil, alguns sobrenomes, se adotados, poderiam trazer problemas para os descendentes. Olha só os exemplos:

Babaçu
(Orbignya speciosa)
Cagaita
(Eugenia dysenterica)
Canela-de-veado
(Helietta appiculata)
Chupa-ferro
(Metrodorea stipularis)
Pau-magro
(Cupania oblongifolia)
Pau-rosa
(Aniba roseodora)
Saco-de-bode
(Zeyheria digitalis)


Em algumas situações, bastaria o cartório vacilar na ortografia – tipo esquecer a cedilha – e já era.

Piadinhas maldosas e sem graça seriam ditas:  "ele pode ser saco-de-bode mas as idéias são de jumento – e ainda por cima é corno (de bode)”.

Ou então: se o sujeito viesse a se chamar “José Cagaita”, por exemplo, logo, logo alguém o apelidaria de “Zé parecido” ou “Zé quaje”. Já imaginou?

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