domingo, 20 de julho de 2014

ESTADO DE SÍTIO

Domingo passado um pensamento estranho roubou minha concentração durante a missa das nove. Fiquei Imaginando um cenário de guerra onde uma cidade, uma fortaleza ou um exército, está cercado por forças inimigas que, ainda que estejam em menor número, fazem várias manobras para conquistar ou subjugar os resistentes. Bem, isso não é enredo de filme B sobre a Segunda Guerra. Eu estava pensando em como é complicado ser católico, hoje em dia.

De um lado, somos cercados pelo ”exército” de evangélicos com sua versão digital dos “vendilhões do templo” – os tele-pastores, muitos deles proprietários de mansões, jatinhos e fazendas (deve ser porque gostam muito de rebanhos...), que prometem a realização de “milagres” por atacado, que fazem a cura de coisas como uma dor de cabeça de fundo emocional ser transformada em “milagre”, que prometem riqueza e prosperidade através de suas “Correntes” (da Fé, da Prosperidade, da Cura, etc.), que tentam arrebanhar e seduzir seguidores de outras seitas e religiões com orações na hora do almoço (“nessa oração...”). Curioso é que, sendo cristãos, falam em “descarrego” com a solenidade de um macumbeiro. Deve ser porque eles não têm mesmo nada a perder.  

Do lado oposto, vemos avançar em nossa direção batalhões de ateus, tropas de agnósticos, tentando desqualificar a fé dos que a possuem, tentando nivelar aqueles que creem em um mesmo patamar (baixo) de inteligência e cultura, que minimizam os efeitos benéficos da prática religiosa, que esquecem ou omitem as contribuições do catolicismo em favor da cultura, da defesa dos perseguidos e outras mais. Jamais, entretanto, se esquecem das falhas e equívocos da Igreja em épocas distantes, provocadas por ignorância e fundamentalismo, tais como “conversão” de judeus e indígenas na marra, cruzadas para reaver o controle de Jerusalém, destruição de monumentos e templos de outras religiões, a “Santa Inquisição”, que de santa não tinha nada, e por aí vai. Mas, longe de mim (até mesmo por questões afetivas) querer nivelar todos os ateus e agnósticos no mesmo patamar de intolerância e superioridade em que muitos se colocam.

Se só esses ataques já seriam suficientes para disseminar a dúvida, para minar a autoestima dos católicos, notícias vindas de lugares distantes (ainda bem para nós) falam de terroristas fundamentalistas assassinando, explodindo e se auto-explodindo em nome de um ódio irracional e como forma de intimidar pelo medo os que não professam o seu credo.

Agora, duro mesmo é não desequilibrar com a ação de sabotadores da fé escondidos e abrigados bem no centro da comunidade católica, justamente aqueles que deveriam nos orientar e aconselhar – mas que nos atingem com seu comportamento repulsivo e criminoso, que nos constrangem e envergonham – eles, eles mesmos, os padres pedófilos.

Com tanto assédio vindo de tantos lados diferentes, fica até fácil não prestar muita atenção em fantasmagorias e no mundo dos espíritos...

Um comentário:

  1. Bom dia. Obrigado pelo comentário lá no Marreta. Seu texto é bom, bem escrito, coisa rara na net. E parte desse texto, a que você imagina batalhões de ateus, tropas de agnósticos, tentando desqualificar a fé dos que a possuem, achei muito boa. Apesar de, por várias vezes ao longo da vida, ter sido "assediado" por religiosos que queriam me enfiar sua fé goela abaixo, nunca tentei disseminar minha descrença a ninguém e também acho condenável o ateu que assim proceda. Repudio, por exemplo, a tal ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) e seus neoateuzinhos, que ficam se fazendo de vítimas, de discriminados. Sobre eles, escrevi um texto, acho que você poderá gostar : http://amarretadoazarao.blogspot.com.br/2012/11/2-encontro-nacional-de-ateus.html Em tempo : adicionei seu blog na minha lista de leitura do Marreta. abraços.
    A Marreta do Azarão

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