domingo, 19 de outubro de 2014

EU TOC TÔ

Sempre tive o hábito de ordenar as cédulas segundo seu valor, em ordem crescente. Assim, depois de dobradas, as de maior valor ficam meio ocultas pelas demais. Quando era mais jovem, entretanto, tinha a mania idiota de ordenar as notas de mesmo valor pelo seu número de série, também em ordem crescente.

A isso, creio, dão o nome de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo. Se alguém procurar no Googa (my brother) mais informações sobre esse transtorno, achará um artigo do Dráuzio Varella que, entre outras coisas, diz o seguinte:

“Em geral, os rituais se desenvolvem nas áreas da limpeza, checagem ou conferência, contagem, organização, simetria, colecionismo, e podem variar ao longo da evolução da doença”.

Eu sublinhei a palavra “rituais” porque esse é o tema desta “meditação". O lance é o seguinte: ontem, durante a missa das 19h30 (sou católico praticante e “comungante”!) a mente começou a viajar, mais precisamente durante a homilia (sermão, como se dizia). Fiquei pensando nos rituais que existem (creio) em todas as religiões. Há uma montanha deles. Por exemplo, o bater de cabeça dos judeus em frente ao Muro das Lamentações, as sete voltas dos muçulmanos em torno da “Kaaba”, o tira-põe da mitra dos bispos católicos durante a missa. Sem falar das vestimentas e utensílios utilizados durante as celebrações. 

Aí me ocorreu a seguinte “teoria miojo”: no início das religiões, o que existia eram apenas os ensinamentos de seu(s) fundador(es). Alguém sentava no chão, em um banquinho, em um tapete e mandava ver. Para tentar “contextualizar” (boa, essa palavra) os ensinamentos passados com o momento presente, alguns (ou todos) discípulos começaram a fazer encenações rituais que ajudassem a fixar o conceito que queriam transmitir. Ideia bacana. O problema é que as encenações teriam se tornando rígidas, obsessivas, obrigatórias: “se não fizer assim, os pecados não serão perdoados, as preces não serão atendidas, a purificação não será alcançada”.

Então, minha teoria é essa: os rituais, vestimentas e acessórios utilizados de forma recorrente pelas diferentes religiões têm toda a cara de ter sido criados por gente portadora de TOC.

Essa minha “meditação” não tem embasamento teórico, é fruto apenas da minha própria obsessão por assuntos em que a religião esteja envolvida. Tenho TOC, pô! Não sou da área, mas imagino que alguém com conhecimento e competência já deve ter estudado e analisado isso.

(O muro das lamentações onde Jotabê bate a cabeça é o terminal bancário em que consulta o saldo da conta corrente no final do mês).


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