quinta-feira, 31 de julho de 2014

HISTÓRIAS DO DIGÃO - PARTE IV


A PONTE

Além da experiência rodoviária, o Digão trabalhou também na construção de pontes, inclusive fazendo parte da equipe que iniciou as obras da Ponte Rio - Niterói. O caso a seguir relaciona-se com outra ponte, de menor porte.

As fundações de alguns dos pilares da tal ponte ficavam localizadas dentro do rio. Para a execução dessas fundações foram feitos aterros provisórios, que avançavam para dentro da água, permitindo assim o acesso de máquinas e a construção das bases e estacas em terreno mais seco. Com isso, o rio ficava mais estrangulado e a água, consequentemente, passava com maior velocidade no local. Foi também construída uma ponte metálica de serviço, provisória, para facilitar o acesso de uma à outra margem.

Devido à distância da obra em relação às cidades mais próximas, os engenheiros e todo o resto continuavam acampados nos finais de semana, sem ter muita coisa a fazer, a não ser encher a cara.

O Digão foi um ótimo nadador em sua juventude, tendo como rival nas piscinas o Fernando Sabino. Um dia, já de cara cheia, apostou uma caixa de cerveja que saltaria da ponte provisória. Naquele salta não salta, pegaram o carro e dirigiram-se ao local da ponte, ele e vários outros, entre apostadores e curiosos.

– Quando fomos chegando perto, o fogo já foi melhorando.

Desistir naquela hora seria a suprema humilhação, apesar de todo o risco de vida embutido na ideia maluca de pular da ponte.

– Quando eu olhei aquela água passando lá em baixo, eu pulei o guarda-corpo, agarrei-me  à viga da ponte e fiquei pendurado ali, até não mais aguentar, quando soltei as mãos.

Só conseguiu sair da água uns três quilômetros rio abaixo.

– A partir daí, foi um sucesso, cansei de ganhar apostas com os visitantes da obra. Para grande alegria dos meus colegas de serviço, lógico.

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