domingo, 7 de outubro de 2018

MORDIDO POR UM "BLACK DOG"


Winston Churchill dava o nome de “black dog” à depressão que frequentemente o acometia (ao ponto de deixá-lo prostrado na cama). Tomava antidepressivos, etc. Encontrei na internet este texto (originalmente escrito em inglês):

Em uma carta inicial para sua esposa Clementine em 1911, depois de ouvir a esposa de um amigo ter recebido alguma ajuda para a depressão de um médico alemão, ele escreveu:
“Eu acho que esse homem pode ser útil para mim - se meu cachorro preto retornar. Ele parece bem longe de mim agora - é um alívio. Todas as cores voltam à imagem”. Pelo que entendi, ele provavelmente era portador de algum transtorno bipolar.

Nunca fui diagnosticado como portador de transtorno bipolar. Melhor dizendo, se fui, ninguém me contou. Como, à exceção de um ansiolítico logo abandonado, não tomo nem nunca tomei nenhum medicamento controlado, daqueles que te deixam apto até a realizar fotossíntese, imagino que esse transtorno não existiu - ou não existia.

Nos últimos tempos, entretanto, tenho alternado tanto estados de humor antagônicos que até fiz uma piadinha estilo JB: “Tô me sentindo mais bipolar que segundo turno de eleição presidencial”. Postei a frase no Facebook, mas, arrependido, logo excluí. Comportamento típico de gente não muito normal, concordam?

Por isso mesmo, consigo postar textos que são o máximo do máximo da melancolia e estado depressivo, para, em seguida, fazer piadas idiotas como se estivesse no melhor dos mundos. Achei legal registrar este momento pessoal, inclusive para que os escassos leitores do blog não fiquem pensando que os textos xaroposos e piegas são apenas invencionice minha. Não são. São mesmo retratos de meus estados mentais.

E “descobri” uma coisa óbvia: não dá para escrever sobre sofrimento se você está “na mais pura alegria”, rolando de rir. Obviamente, o inverso disso também funciona. Por isso, dois textos mais depressivos e já iniciados aguardam novo ataque do meu "black dog" para ser concluídos.

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