domingo, 7 de junho de 2020

FELIZ ANIVERSÁRIO!


Minha sogra teve nove filhos. Com exceção do mais novo, minha mulher e sete de seus irmãos nasceram em casa, com a ajuda de parteira (heroína!). Um de meus cunhados nasceu um dia antes ou depois do aniversário de seu pai. Pela proximidade das datas e talvez pelo fato de ter nascido em casa, meu sogro não teve cerimônia, registrou que o filho tinha nascido no mesmo dia que ele e fim de papo.

Quando meu filho mais velho resolveu criar um blog para mim, já era o dia 08 de junho de 2014. Por espírito de imitação e absoluta falta de vergonha na cara, também não tive dúvida. Ao fazer a primeira postagem, lasquei a data do dia anterior, dia do meu aniversário. Que coincidentemente é hoje (já estou até escutando alguém cantar parabéns para você para mim. Mas sem essa de “Jotabê, eu vou comer seu bolo!” Vai porra nenhuma, que eu não sou dado a essas saliências!).

Pois bem, naquela época ninguém notou, ninguém reclamou da fraude, pois ainda não existiam o Marreta do Azarão, nem o inesquecível, saudoso e hilariante Elemento Jota, ou Lord Wilmore, nem o Marujo Simbad e muito menos o Ozymandias Realista, o Scant, o silencioso e discreto Rocket e, mais recentemente, o erudito GRF.

Para registro e reconhecimento agradecido, preciso dizer que o primeiro comentário de um "estrangeiro" foi feito pelo Marreta e publicado no blog da solidão ampliada no dia 30/09/2014, pouco mais de três meses após o parto do Blogson. Antes dele, só parentes e raríssimos amigos comentaram alguma coisa.

Graças ao exemplo de meu amigo virtual Scant e como comemoração de aniversário, resolvi fazer um relatório de auditoria, um balanço das atividades do blog ao longo desses seis anos. Claro que ninguém terá saco de ler, mas a coisa não para por aí.

No ano de criação do blog eu estava completando 64 primaveras (ah, que mimoso!) e cheguei até a fazer uma paródia da música “When I’m Sixty Four”, dos Beatles. Mesmo não sabendo nada de inglês, apenas guiei-me pela letra original, tentando trazer o futuro para o presente. Talvez por ter na época um pouco mais de vergonha na cara, não a publiquei. Agora, em plena pandemia, seis anos mais velho (setenta!!!), resolvi brindar meus 5,6 leitores com essa obra (custei a obrar!) já tão antiga e fora de contexto. Recomendo tomar Plasil antes de ler. Som na caixa!

Well, I am older, losing my hair
And that's here and now!
Could you still be sending me a Valentine
Birthday greetings, bottle of wine?
I never get out late quarter to ten
Could you lock the door?
Would you still need me, would you still feed me?
Cause I'm sixty-four

E agora, para fazer um brinde a mim mesmo (alguém tem de brindar!), tomarei um copo de leite com  Toddy (uma colher de sopa do achocolatado misturada em 300 ml de leite. Gelado, por favor!). Fui.

sábado, 6 de junho de 2020

É CAMPEÃO!


- É CAMPEÃO!

- ???

- É CAMPEÃO!

- Pára com isso, pô! Não sabia que você era torcedor tão fanático!

- É CAMPEÃO!

- Aliás, fanático e ridículo, pois só tem jogo antigo sendo reexibido na TV!

- E quem falou que eu estou ligando para futebol?

- Ué, fica gritando “É campeão” igual a um louco!

- Você é mesmo um alienado! O Brasil se tornou o epicentro mundial da Covid-19!

- É por isso que está se descabelando tanto?

- Precisamos comemorar! É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!!!

- PÃÃÃÃÃÃÃTA QUE O PARIU!!!! 

sexta-feira, 5 de junho de 2020

REBANHO OU MANADA?

Recentemente, em um programa tipo “talk show” que passa no canal “People& Arts", um dos convidados contou um caso de família muito divertido. Segundo ele, quando atingiu a idade em que os dentes de leite começam a ser substituídos, começou a colocá-los debaixo do travesseiro, para que a Fada dos Dentes viesse buscá-los. Na manhã seguinte sempre encontrava uma moeda de cinquenta “cents”. Intrigado com aquilo, perguntou ao pai por que seus colegas sempre ganhavam uma Libra (o programa é inglês) enquanto que a fada só deixava para ele aquela mixaria. O pai, olhando para sua mãe, respondeu: “É porque a esposa da Fada dos Dentes não trabalha”.

Por que reproduzi esse caso? Calma, você já, já saberá, mas só no final deste post. Por isso, acomode-se na cadeira, relaxe e faça uma boa viagem.

Você sabe o que é “Efeito Rebanho”? Confesso que eu não sabia, pelo menos não com esse nome. Conheço (e pratico) imunidade ou imunização de grupo, mas só fiquei sabendo da expressão pelos comentários de Luiz Henrique Mandetta, na época em que ainda era ministro da Saúde. Descobri na Internet (onde faço meu pós-doutorado em assuntos diversos e/ou irrelevantes) que "Imunização de grupo, ou Efeito Rebanho é um termo muito usado quando se fala de vacinação. Ele se refere ao fato das vacinas não protegerem apenas quem é vacinado, mas sim a todas as pessoas que estão ao seu redor!".

Em outras palavras, "O efeito rebanho faz com que mesmo pessoas não vacinadas sejam protegidas contra doenças. Mas só funciona se muita gente se vacinar". Em nossa casa contamos com esse efeito para proteger minha mulher da gripe, pois ela é alérgica a um dos componentes da vacina que todo ano o governo disponibiliza para combater eventuais surtos de Influenza. Eu e o filho que mora conosco tomamos essa vacina e torcemos para que se crie em torno de minha mulher uma barreira ou escudo imunológico que a proteja.

O drama atual é que ainda não existe vacina contra o Corona vírus para criar uma mega biosfera natural. Ou melhor, não há vacina que permita criar um “Efeito Rebanho” através da vacinação em massa. Mas há uma alternativa, defendida pelo ex-ministro da cidadania Osmar Terra e, parece, corroborada até recentemente pelo Mito, que é criar um efeito rebanho à moda antiga, nos moldes da Gripe Espanhola, ou seja, deixar rolar a epidemia, até que 70% da população tenha sido contaminada. Quando isso acontecer, o vírus será finalmente controlado.

A propósito dessa ideia, o ex-ministro Mandetta fez esta declaração: “Ele (Osmar Terra) tem uma visão própria sobre o coronavírus, acha que todos deveriam se contaminar para ter uma imunização rápida. Para quem morresse, seria uma morte calculada".E arremata de forma irretocável:  "Esse efeito de rebanho é contra os meus princípios”. Grande Mandetta!

O médico infectologista e professor do Departamento de Clínica Médica da UFMG, Unaí Tupinambás, tem a mesma opinião do ex-ministro Mandetta. Caso se buscasse a imunidade de rebanho, "Em Minas Gerais, por exemplo, morreriam cerca de 150 mil pessoas", segundo sua estimativa.

O que me impressionou no Osmar Terra foi saber que ele é o parlamentar (o cara é deputado federal) que mais difundiu fake news sobre a Covid-19 pelo Twitter. Também teria dito através de sua assessoria que "desinformação é informação que a mídia não gosta ou não concorda." Aparentemente, o deputado e ex-ministro aprecia aquele ditado popular que ensina que "se o cu não é meu, pau nele". Ou aquele outro que diz que "pimenta no cu dos outros é refresco".

Que se pode dizer de sério sem ser ofensivo a um sujeito assim? Perguntar a ele se "cachorro que late n'água late em terra"? (ué, qual o problema? O cara tem mar e terra no nome!). "Jacaré no seco anda"? Não tem jeito, não dá para levar a sério um sujeito com esse tipo de pensamento. Mas tem gente que aprova! Fico imaginando que entre seus apoiadores (estou falando do Terra!) muitos devem estar ligados às atividades econômicas que experimentariam um crescimento exponencial se suas ideias fossem adotadas. No caso, agências funerárias, fabricantes de caixões, floriculturas, etc.

E aí é que entra o “Efeito Manada”. Segundo minha preceptora Wikipédia, “efeito manada ou comportamento de manada é um termo usado para descrever situações em que indivíduos em grupo reagem todos da mesma forma, embora não exista direção planejada. O termo se refere originalmente ao comportamento animal. Por analogia, também se aplica ao comportamento humano, quando cada indivíduo decide imitar a decisão de outros supostamente mais bem informados, ou seguir a maioria”.

Ultimamente tenho visto as demonstrações mais deprimentes desse efeito manada, seja nas carreatas e manifestações em apoio ao Bolsonaro ou nas postagens mais delirantes que vejo no Facebook (imagino que seja assim também em outras mídias sociais). E fico me perguntando se isso é real ou um teatro para impressionar os idiotas e indecisos. Imagino que esse tipo de comportamento radical e ensandecido de pessoas aparentemente normais seja  uma reação ao comportamento que líderes mais ou menos messiânicos, mais ou menos populistas -, mas sempre radicais -  exibem. 

E isso se aplica tanto aos adoradores do Lula quanto aos seguidores incondicionais do presidente atual.  É como se todos fossem cegos e só conseguissem enxergar pelos olhos de seu ídolo.  E aí vai a manada seguindo bovinamente tudo o que seu mestre mandar, fizer ou falar, acreditando sem crítica, sem refletir, em tudo o que dizem. E nessa festa de ruminantes quem corre o risco de ser mascado e babado é o resto da população. Eu, particularmente, confio mais na Fada dos Dentes que nesses dois boçais. Foda!

quinta-feira, 4 de junho de 2020

SAIU O LISTÃO!


Fiz uma troca recente de comentários no post “Zanga Jumento” com meu novo amigo virtual GRF, imperador absoluto do blog “O ex-Estranho”. Em um desses comentários tive o descaramento e a falta de vergonha na cara (não tenho mesmo nenhuma!) de dizer que quando eu tivesse “coragem” iria sugerir a ele um link com uma poesia minha, mas só para saber sua opinião, não para que a publique”. Falando sério, até Jotabê resolveu agora criar fake news! E a resposta de meu novo "amigo" foi uma exclamativa “Sugira!”

Já que eu mencionei minha falta de vergonha na cara, uma de suas provas mais eloquentes é o bordão “resposta grande vira post”. Por isso mesmo, resolvi transformar minha sugestão em post. Mas não se trata de republicação, pois aí já seria demais. Na verdade, é um pouco pior que isso, pois resolvi fazer uma lista das poesias que mais gostei de obrar. Mas lembro, numa sincera mea culpa, que não enxergo “literatura” nos versos que escrevo. Para mim, não passam de literatice, que segundo o dicionário, significa literatura de má qualidade e pretensiosa; literatismo".

Feitas as devidas apresentações, aí vai a lista:

Sobre mim:


Alguma reflexão:


Sobre o blog:


Sobre “Ela”:


Falando de casa:


Viagem na maionese (normalmente, minha predileção):


Tragédia histórica:


quarta-feira, 3 de junho de 2020

QUANDO UM TESTE GERA TEXTO


Em um comentário que fez recentemente no Blogson, meu novo amigo virtual GRF incluiu o link de um “teste político”, o “Teste Político dos 8 Valores”, e desafiou-me não só a fazê-lo como também a publicar o resultado.

Que eu posso dizer sobre isso? Mole para o Vasco! (Mesmo que não faça a menor ideia de quem é esse Vasco). Afinal, exibicionismo e strip tease comportamental são duas das grandes molas do blog da solidão ampliada.

O que merece destacar é que o resultado apenas confirmou o que eu já tinha obtido no post “O quiz que eu quis postar no Facebook” (recomendo!). O único defeito desse quiz jotabélico é ter que usar meios analógicos (lápis, papel e calculadora) para se chegar ao resultado final. Outra observação que merece ser feita é o fato de que quanto mais taxativa a pergunta, menor foi a precisão ou exatidão da resposta. Em algumas perguntas o "talvez" ou "em parte" seriam respostas mais de acordo com meu pensamento, pois havia nuances e tons intermediários entre o "preto e o branco", ou seja, concordava um pouco, discordava outro tanto.

Não me lembro mais de nenhuma questão para fazer sua transcrição literal, mas é mais ou menos assim: “preservar as tradições é essencial”. Ora, em princípio concordei com a ideia, mesmo sabendo que “preservar” não é sinônimo de “congelar” ou “seguir”. Para mim, preservação de memória e comportamentos é história, não receita para se bem viver. Resumindo: eu não vivo no passado e nem quero repeti-lo (sou contra o positivismo).

Mas, deixando de enrolação, eis aqui o meu resultado, mais suave que suco de maçã com leite (ah, que meiguice!). Olhai, GRF:



E agora uma interpretação do que cada pontuação significa. Imagino que essa interpretação é válida para todos os testes.

Eixo Econômico: Igualdade vs. Mercados
Igualdade
Aqueles com maior pontuação em Igualdade acreditam que a economia deve distribuir valor igualmente entre a cidadania. Eles tendem a apoiar códigos tributários progressivos, programas sociais e, a valores elevados, o socialismo.
Mercados
Aqueles com pontuações mais altas em Mercados acreditam que a economia deve se concentrar em um crescimento rápido. Eles tendem a apoiar impostos mais baixos, privatização, desregulamentação e, a valores elevados, capitalismo Laissez-faire.

Eixo Diplomático: Nacionalismo vs. Globalização
Nacionalismo
Aqueles com maior pontuação em Nacionalismo são patrióticos e nacionalistas. Eles geralmente acreditam em uma política externa agressiva, valorizando o exército, a força, a soberania e, com altos valores, o domínio geopolítico.
Globalização
Aqueles com pontuação mais alta no Globalização são cosmopolitas e globalistas. Eles geralmente acreditam em uma política externa pacífica, enfatizando a diplomacia, a cooperação, a integração e, com altos valores, um governo mundial.

Eixo Civil: Liberdade vs. Autoridade
Liberdade
Aqueles com maior pontuação em Liberal desejam fortes liberdades civis. Eles tendem a apoiar a democracia e se opõem à intervenção do Estado na vida pessoal. Observe que isso se refere a liberdades civis, e não econômicas.
Autoridade
Aqueles com maior pontuação em Autoridade querem um forte poder estatal. Eles tendem a apoiar a intervenção do Estado em vidas pessoais, vigilância do governo e, com altos valores, censura ou autocracia.

Eixo Social: Tradição vs. Progresso
Tradição
Aqueles com maior pontuação em Tradição acreditam nos valores tradicionais e na estrita adesão a um código moral consagrado pelo tempo. Muitos também são religiosos e vêem a idade de ouro como estando atrás de nós (ou seja, no passado).
Progresso
Aqueles com maior pontuação em Progresso acreditam na mudança social e no levante das normas tradicionais. Muitos também são ateus e veem a idade de ouro como estando à nossa frente (ou seja, no futuro).

E agora, os links para quem quiser fazer os testes:




segunda-feira, 1 de junho de 2020

ARTIGO DE JORNAL - JUAN ARIAS

Recebi pelo Facebook este “textão”, na verdade um artigo escrito por Juan Arias no jornal El País. Não tenho a menor ideia de onde vêm os dois nem sua linha editorial, apenas fiquei tão bem impressionado com o texto que resolvi guardá-lo, por ser muito eloquente e otimista (para mim!).

Como tenho andado às voltas com minhas séries idiotas nem pensei em aproveitá-lo no Blogson. Entretanto, depois de ver "o vídeo" e ouvir o que se disse na última reunião de que o Moro participou, mudei de ideia. Menos pelas patacoadas ditas pelo presidente, pois todos sabem que ele é uma cavalgadura que se acha o paladino da luta anticorrupção - mas não aceita que seus filhos e amigo sejam investigados.

O que realmente me deixou consternado foi ouvir o que disseram os ministros da Educação e do Meio Ambiente. A exclamação "eu odeio a expressão 'povos indígenas'!", repetida de forma enfática pelo sinistro da Educação me deixou perplexo. "Só há um povo, o povo brasileiro", e "quem não gostar que saia de ré"Que idiotices são essas?  Se tivesse nascido na Espanha, queria vê-lo falar para os bascos ou catalães que só há um povo espanhol!

Talvez minha transcrição não seja literal, pois apenas guardei de cabeça. Mas cabe lembrar que independente do que diz a Constituição sobre a população indígena, se há um povo genuinamente brasileiro são os índios. Nós somos apenas descendentes dos invasores e de seus exterminadores. Talvez por isso ainda existam pessoas que não acham nada demais acabar com a população indígena.

Já o ministro do Meio Ambiente, outro babaca que mostrou as garras, teve a desfaçatez de propor "passar a boiada" ou fazer uma "baciada" para mudar regras que podem ser questionadas na Justiça enquanto a atenção da mídia está voltada para a Covid-19(!!!) Segundo ele, "Tem uma lista enorme, em todos os ministérios que têm papel regulatório aqui, para simplificar. Não precisamos de Congresso". Grandessíssimo filho da puta!

Na época do PT, eu sentia o mesmo desconforto e a mesma raiva em relação ao Lula e ao partido da Gleisi, especialmente quando o nove dedos exibia seu comportamento de semianalfabeto (sim, eu sou elitista). Mas o PT dançou, o Lula foi preso e eu INFELIZMENTE ajudei a eleger o Bozo, pois votei nele no segundo turno. Então, por tudo que disse acima, resolvi postar o texto na íntegra, sem edição, sem destaque nenhum, sem sublinhado e sem negrito, porque eu não suporto mais saber das barbaridades que o presidente e sua gangue de adoradores cometem, tuitam ou falam quase todos os dias. Apenas reforço o fato de que o autor é Juan Arias e que esse artigo teria sido publicado no jornal “El País”. Olhaí o artigo:


Por que o bolsonarismo-raiz engendrado nos gabinetes do ódio não terá futuro no Brasil?
Uma seita com essa força destrutiva e niilista nunca será a vocação de um país que, apesar de todos os defeitos, não renuncia à alegria de viver em paz
JUAN ARIAS 28/04/2020

É difícil ser profeta nesses tempos conturbados, mas pelo que conheço de Brasil o bolsonarismo-raiz, o que se nutre nas cloacas do gabinete do ódio do clã familiar Bolsonaro, não terá futuro nesse país. Logo ficará reduzido a uma excentricidade política que ainda poderá fazer barulho, mas que não será um movimento de peso. Acabará sendo marginal quando aparecer uma proposta democrática alternativa capaz de tirar o país do pesadelo autoritário e grotesco no qual está chafurdando.
Em que me baseio? No fato de que o chamado bolsonarismo nasce do radicalismo da política vista como guerra, como confronto permanente, como morte mais do que vida.
É bom lembrar que o pai da psicanálise, Sigmund Freud, descobriu, inspirado na filosofia grega, que o mundo se move entre duas grandes pulsões: a do eros, que seria o amor pela vida, à procriação, à sexualidade, ao prazer e ao amor, e de tanatos, que lembra o deus da morte. É o impulso da destruição, da violência e do sadismo.
Segundo Freud, o mundo continua de pé porque o impulso da vida é superior ao da morte. Do contrário, já não existiria. Nós teríamos nos autodestruído.
Acontece o mesmo na política. Há momentos em que o impulso de morte e destruição, o totalitarismo, parece triunfar, mas por fim vencem os valores da vida e da liberdade como aconteceu na Europa após a tragédia da Segunda Guerra Mundial.
Há países que sempre foram mais inclinados a viver sob o tanatos destrutivo e outros preferem crescer sob a força da vida e da liberdade que são as chaves da felicidade.
E o Brasil? Esse é um país que, apesar de um passado de bárbara escravidão que deixou marcas na pobreza e no abandono milhões de pessoas largadas a sua própria sorte, não pertence aos propensos a fomentar fantasmas de morte. Se o Brasil tem pecados, em certos momentos de sua história, é mais por passividade e servilismo ao poder do que pela guerra.
É um país com vocação, em suas diferentes e ricas culturas, ao desfrute da vida. Um país que não é geneticamente guerreiro.
De modo que o bolsonarismo, tal como se apresenta hoje sob a bandeira da violência e da morte, da política vista como um ringue de bairro, não pode criar raízes profundas nesse país.
Eu me atreveria a dizer que o bolsonarismo extremo, o da gritaria, que às vezes pode assustar, não é mais do que uma dessas seitas fanáticas que nascem e morrem sem deixar rastro. Essa política se nutre somente de negatividade. Cria inimigos imaginários e por fim se mostra de uma infantilidade espantosa.
Essas seitas são destrutivas, procuram brigas e se alimentam de símbolos de morte. Basta ver o caixão que levam nas manifestações como símbolo de sua morte anunciada.
Querem sempre guerra e luta porque a paz os assusta. E quando não existem inimigos os criam. Destroem tudo o que evoca o gosto pela vida, a alegria e a liberdade. Por isso não suportaram e assassinaram a jovem negra e favelada, a ativista Marielle Franco.
Essas seitas religiosas e políticas precisam de um mito para suprir sua nulidade como manada. Sofrem de complexo de castração. Professam uma sexualidade doentia adornada com símbolos que beiram a pornografia.
Cultivam os símbolos da morte e da destruição porque viver lhes dá medo. Sua vocação é a satânica de dividir. Agem nos meandros da obscuridade que é o reino da mentira.
Quando não encontram inimigos os inventam. Precisam manter vivo o diapasão do ódio. Por isso nadam com maestria nas águas escuras das fake news.
Negam a compaixão. A bile e o amargor são os primeiros ingredientes de suas cozinhas.
Essas seitas da morte acabam por fim como canibais devorando uns aos outros. A maior curiosidade mórbida, os melhores orgasmos políticos do bolsonarismo-raiz, vêm da paixão pelas armas e por todo o ritual gestual e simbólico da guerra.
O Deus da seita é o dos trovões e dos medos, o vingador, o deus que se compraz com a destruição dos inimigos. Eles que se dizem seguidores da Bíblia nunca entenderão a emoção de Jesus de Nazaré ressuscitando seu amigo Lázaro e ao ver um leproso curado.
Ao final, toda essa agressividade e fome de guerra e conflitos do bolsonarismo-raiz revelam sua incapacidade à felicidade. Eles se afogam em seus próprios instintos de destruição.
Os diferentes sexualmente lhes dão pânico porque ameaçam sua falsa virilidade. A ternura lhes dá medo porque condena sua índole machista.
Eles se sentem melhor às portas de um cemitério do que diante do berço de um recém-nascido. Seus impulsos de morte sempre superam os de vida.
Esses seguidores de morte e luta se assustam diante dos mansos porque definitivamente os desarmados lhes dão medo. Mostram coragem somente diante dos frágeis porque os verdadeiros fortes, que são os que não temem a morte, desnudam sua falsa hombridade.
Não, uma seita com essa força destrutiva e niilista nunca será a vocação de um Brasil que, apesar de todos os seus defeitos, não renuncia à alegria de viver em paz. Só poderão impô-la com a força dos tanques de guerra.
Os dois populares ministros, o da Saúde, Mandetta, e o da Justiça, Moro, ambos recentemente expulsos do Governo, representam juntos, de acordo com as últimas pesquisas, 75% do consenso popular. O que evidencia que o gabinete do ódio está se esgotando. Quem lhes resta? O Brasil não está mais com eles.
Muito otimista? Talvez, mas o pessimismo já deixou nossas gargantas secas demais.



POSOLOGIA

  Ficar de mãos dadas com você Nas ruas ou diante da TV.   Ouvir sua voz gravada Ler suas mensagens escritas Conversar por telefone.   Ou ol...