segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

SUDOCO


Ontem, ouvindo no rádio do carro um bate papo sobre a perda de memória em idosos e prevenção do Alzheimer (um dos meus assuntos prediletos), alguém mencionou o jogo “sudôco”. Na hora, lembrei-me de uma senhorinha (já falecida) que gostava de se gabar das atividades que desenvolvia e que mantinham sua mente ocupada e lúcida aos noventa e sete anos. Uma dessas atividades era jogar “sodôco” (com "o") em um livro que um filho tinha trazido para ela da Alemanha (outra coisa que ela gostava de fazer era contar vantagem – da quantidade de filhos, de sua longevidade, da ...).

Eu ouvia seus comentários com o piloto automático ligado e sorria amistosamente ou fazia cara de espanto quando percebia mudanças na entonação da voz (sou bom nisso!). E ela, claro, ficava feliz com aquela “atenção”. Mas não é da minha habilidade de cativar o pessoal da terceira e quarta idade que quero falar. Meu negócio é falar de sudoku.

Descobri que esse jogo foi inventado por um americano (salve, Google!) e levado para o Japão onde recebeu o nome pelo qual é conhecido no Brasil. Então, a “prenúncia” correta é “sudokú”, dita, se possível, com aquela aspereza gutural própria da língua japonesa.

Mas acredito que esse equívoco é causado pela sílaba “cu” (ou "ku"). Já pensou se todas as oxítonas terminadas em “u” fossem transformadas em paroxítonas? Creio que ficaria uma coisa muito bizarra. Por exemplo, Caramuru seria transformado em uma advertência do tipo “Cara, muro!" (POF!!!). Pacu soaria como “Paco”; deixaria de ser um peixe para virar dançarino de flamenco. Caracu seria uma variante masculina da exclamação “Caraca!" Jacu lembraria uma piada do Ziraldo do tempo do Pasquim: dois amigos sentados em uma mesa de bar quando passa uma gostosona. Aí um deles diz “Vôco” e o outro, sorrindo vitoriosamente, retruca “Jaco”! E por aí vamos. Surucucu passaria de cobra a passarinho de relógio, etc.

Já sei, estou forçando a barra, mas esqueci o que tinha pensado originalmente (acho que preciso fazer mais sudoku). Só sei que “paroxitonar” uma palavra oxítona terminada em "ku" é burrice ou pudicícia equivocada. Mesmo que seja um estrangeirismo.

Porque, vejam bem, nem preciso mencionar as múltiplas funções do cu (este é um blog que se dá ao respeito!). Apenas lembro que faz parte da anatomia humana. E de forma tão indissociável que até inspirou um clássico presente em todos os manuais de sobrevivência profissional. Qual? Ora, a sabedoria contida na frase “Quem tem cu tem medo”.

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