domingo, 19 de março de 2017

"O PASSARINHO DO RELÓGIO ESTÁ MALUCO"

Tenho acordado tantas vezes durante a noite que vou acabar descolando um “bico” (boa essa!) para trabalhar como um relógio cuco. Só que em vez de ficar esgoelando “cuco, cuco, cuco” tal como faz aquele passarinho mala, a cada vez que acordar, vou exclamar “que cu, que cu, que cu”!

A vantagem é que poderei ficar conhecido como “Seu Cuco”. Assim, quando alguém me perguntar se eu conheço o “Seu Cuco”, mineiramente responderei:

- “Seu Cuco é eu”!

COMENTANDO AS RECENTES - 035

Depois de ler na internet que “por conta da operação ‘Carne Fraca’ o secretário executivo do Ministério da Agricultura Eumar Novacki falou que o mais prudente seria evitar o consumo principalmente de salsichas e mortadelas”, pensei com meus borbotões:

- Agora ferrou! Mais um golpe dos coxinhas contra os mortadelas!

Mas era apenas um momento pessoal de miolo mole, pois ao continuar a leitura, descobri que “de acordo com o ministério, o esquema fraudou mortadela, salsicha e carne de aves”. Aí desencanei, pois coxinhas e mortadelas estão igualmente fritos nessa história mal-cheirosa. Papelão!

sábado, 18 de março de 2017

REELIN AND ROCKIN - CHUCK BERRY

Morreu hoje uma lenda do rock, o velho e bom Chuck Berry. Para mim ele é o pai do rock and roll. E a mãe seria o Little Richard. Como acontece normalmente, os homens em geral vivem menos. Para homenagear esse sujeito que alegrou minha juventude com suas músicas contagiantes, resolvi mover para a data de hoje um post que saiu originalmente em 05/08/2016. A partir daqui, o texto é o originalmente postado. Vê aí.


Como já disse antes, minha vida sempre foi marcada pela batida do rock, do qual gostei desde a primeira vez em que ouvi esse ritmo, ainda na infância (minha e do rock). Para mim, o pai do rock é o Chuck Berry (a mãe é o Little Richard). Em 2009, quando ele se apresentou em BH, achei que não valia a pena ir vê-lo, pois o cara já estava com 83 anos. Sem se preocupar com isso, uma sobrinha de minha mulher foi ao show e saiu extasiada, tal a energia do "JB Goode" (Johnny B. Goode). Fazer o que, não é mesmo?

Pois bem, não pretendo publicar mais nada na seção “Reverência” deste blog. Por isso, se todo início tem um final, nada melhor que finalizar com uma música composta em 1958, bem no início de minha vida desgovernada. A diferença é que a versão que escolhi foi tocada (e gravada) em 1972, durante uma temporada de shows em Londres. Sete minutos de pura safadeza não explícita, mas totalmente sugerida. O velho e bom Chuck estava com 46 anos, mais esperto e sacana que a plateia de jovens que o assistia.

Para quem quiser ver essa apresentação, o link está no final do texto. A letra traduzida foi obtida no fascículo dedicado ao roqueiro (fazia parte  da coleção “Rock - A História e a Glória”). Essa tradução (muito boa, por sinal) está em cima da gravação que saiu neste vinil:


Olha o link:


Olha a tradução:
Às vezes eu acho que vou, mas aí acho que não vou
Às vezes eu acho que vou, mas aí acho que não vou
Às vezes eu faço mas aí acho que não faço

Olhei no relógio, e era quase uma
Falei: vem cá, boneca, vamos nos divertir

Refrão repetido a cada "olhada no relógio"
Ficamos girando, filha
Girando & balançando & requebrando até o dia raiar

Olhei no relógio, eram quinze pras duas
Ela disse que não era mas eu sabia que era sim

Olhei no relógio, e eram quinze pras três
Ela disse "Espera um minuto, Chuck eu vou..."
Traz uma coca aí (1)                       ,

Olhei no relógio, eram quase quatro horas
Aí ela me virou e disse "faz isso outra vez"

Olhei no relógio e eram quinze pras cinco
Eu tava mais morto que vivo, pô!

Olhei no relógio, eram cinco e quinze
Rodando que nem um mustang com tração nas quatro rodas

Olhei no relógio, eram quinze pras seis
Uuuuuui, finalmente fiquei pronto

Olhei no relógio, eram seis e pouco
Pô, eu voltei firme que nem uma mistura de cimento

Olhei no relógio, eram sete e quinze
Foi quando rodopiamos e subimos pro céu (2)

Olhei no relógio, eram quinze pras oito
Sabe, ela deu uma.mexidinha e me fez ficar todo esticado

Olhei no relógio, eram quinze pra nove
Ela disse “ai, Chuck querido, é gostoso demais

Olhei no relógio, eram quinze pras dez
Sabe que ela me chamou de volta e me obrigou a fazer outra vez?

Olhei no relógio, eram onze e meia
Aí ela pegou, me xingou um palavrão, sabem por quê? Ora, não vou contar por que!

Olhei no relógio, eram doze em ponto
Começamos a cavar que nem uma velha escavadeira

Sarramos na cozinha, sarramos no corredor
Sujou um pouco no meu dedo então limpei na parede
E giramos & balançamos & requebramos até o dia raiar

(1) a rima óbvia era pee, urinar ... (brincadeirinhas)
(2) heaven, céu, é uma das poucas palavras em inglês que rimam com seven, sete.

sexta-feira, 17 de março de 2017

COMENTANDO AS RECENTES - 034 (CARNE FRACA)

(ESTE É O 900º POST DO BLOGSON!!!)

Como todo mundo sabe, quando algum defeito é detectado em algum produto, que pode ser carro, eletro ou coisa parecida, o fabricante ou distribuidor faz uma convocação pública para que esse produto lhe seja levado de volta, para substituição ou reparo da peça ou produto defeituoso. A isso dão o nome de Recall (Jotabê também é cultura!).

Agora, com a interdição de três frigoríficos pelo Ministério da Agricultura após denúncias de irregularidades divulgadas pela Polícia Federal na operação "Carne Fraca", minha sugestão é que essas empresas façam também uma convocação pública para substituição dos produtos “carne fraca”.

Poderiam até dar a isso o nome de Re Cow. Acho que ficaria bacana.

SAIU NO FEICIBUQUE - 025

Para matar o tempo, postei no Facebook uma foto tirada no dia de meu casamento. Lá estou eu no altar, magro igual a um espeto, sorridente, mas com cara de assustado, na posição “esperando a noiva entrar”. O maior defeito da fotografia é o noivo, ou melhor, o terno do noivo. Aí completei o post com esta frase:

"Moda" é tudo o que você lamenta ter usado um dia, ao se ver em uma foto antiga.

Para minha surpresa, um porrilhão de pessoas curtiu, comentou e, principalmente, riu da desgraça alheia. Por conta dessas reações, contei o caso da compra desse terno de tão má lembrança. Como esse texto é parte de um post já divulgado aqui no Blogson, servirá hoje apenas para apresentação da "foto do noivo", devidamente “tratada” (tem até óculos!), para preservar um pouco a privacidade.

"Um irmão de minha mãe trabalhava no “Rei das Casimiras”, uma loja bacana que existia na Av. Afonso Pena. O dono da loja era um descendente de libaneses, chamado Ralim (?). Esse sujeito era uma figuraça. Alinhadíssimo, estava sempre de terno, sempre impecável.

Logo no início do nosso namoro, minha mulher foi com uma colega de serviço para comprar um tecido para me dar de presente. O sobrenome dessa colega era Nacif e, claro, também era descendente de libaneses. Escolheram o tecido e o pedido com os dados da compra foi preenchido. Quando já iam pagar, o Ralim interveio, dizendo algo assim:

- Você não pode ir pagando assim, sem nem pechinchar, sem pedir desconto!

Minha mulher e a colega devem ter ficado meio roxas de sem graça. Não sei se ele já conhecia essa moça ou se ficou sabendo de sua ascendência ali na hora. O fato é que achou um absurdo que ela não tivesse orientado a colega na arte da pechincha. As duas estavam no horário de almoço, super corrido, e estavam loucas para voltar ao trabalho. E ele lá, discutindo qual o preço que ela queria pagar, essas coisas.

Quando meu irmão se formou (1973), eu mandei fazer um terno sob medida para ir ao baile. Comprei o tecido com tio Tôto e um alfaiate muito bom, seu conhecido, fez o terno. Em 1974 foi minha formatura. Não tive dúvida, mandei fazer outro. Os dois ternos ficaram excelentes, embora o estilo hoje seja ridículo, pois as calças eram tipo 'boca de sino' (ou pantalona) e com cintura bem alta (toureiro light). No ano seguinte (1975), eu me casei. Como o casamento civil era de manhã e o religioso à noite, resolvi fazer outro terno. Usaria o de minha formatura no casamento civil e o novo, no religioso.

O procedimento seria o mesmo, mas fui atropelado pelo Ralim. Não sei por que, ele resolveu me atender e ajudar a escolher o tecido.

- Você vai fazer a calça e o colete com este tecido cinza claro. A camisa você fará com este outro aqui, um cinza ainda mais claro. Agora, para o paletó você usará este aqui, quadriculado de cinza e branco.

Devo ter protestado meio sem jeito e dito que gostava de cores lisas, sóbrias. Não adiantou.

- Rapaz, isso é a última moda, você vai ficar elegantíssimo!

E o mané aqui acabou concordando. Todas as vezes que vejo as fotos de nosso casamento, fico meio puto de ter aceitado aquela sugestão. O terno ficou uma bosta de feio! Mas o turco era boa gente".

Olhaí o "bonitão da bala chita". Saca só o bigode, a calça "boca de sino" e, principalmente, o paletó XADREZ!!!!!!!!!!!


quarta-feira, 15 de março de 2017

JOTABÊ FASHION RIDES AGAIN

Eu sou da opinião de que o que é ruim sempre pode descer para um nível mais baixo, certo? Muito bem, aí vai a versão "nutella" da camiseta. E em duas tonalidades diferentes!


JOTABÊ FASHION

Até agora não entendi muito bem esse papo de "raiz versus nutella". Mesmo assim, resolvi dar minha contribuição aos que curtem o lado "raiz" da vida. E a forma que encontrei foi adventurar pelo mundo da moda. Quem sabe não estará acontecendo agora o advento de uma marca multimilionária e de sucesso legalático? Afinal, preciso trocar minha Ferrari.

Olhaí a camiseta "raiz". Simples, careta e quadrada, como toda raiz que se preze.


domingo, 12 de março de 2017

METRÔ

Embora se digam frequentadores assíduos do Mercado Central, há mais de um ano que os dois amigos e ex-colegas não se encontram. Mesmo que pouco se vejam depois que um deles se aposentou, continuam com a intimidade descontraída adquirida nos anos em que dividiram uma sala.

- Olha o cara aí, meu! Me disseram que você tinha morrido!
- “Praga de urubu magro não mata cavalo gordo”.
- Aliás, magro é o que você não está mesmo. Está fazendo regime de engorda? Olha essa barriga!
- É, eu estou com mais barriga e com “menas” bunda!
- Essa é muito velha!
- É bem velha mesmo, mas mais nova que você. Você está muito mal-acabado, cada vez mais careca.
- Não esquento não, pois calvície é uma coisa que não vai pra frente. Só pra trás.
- Puta que pariu! Você me achou só pra gente ficar contando piada vencida?
- Tem razão! Garçom, traz uma bem gelada, dois copos e uma porção de jiló frito.
- Jiló frito é o que há para acompanhar uma cerveja gelada, mas tem que ser saboreado na muvuca do Mercado.
- Verdade! Mas me conta aí, alguém me disse que você estava trabalhando na construtora do seu cunhado.
- Ah, é! Uns seis meses depois de me aposentar eu já estava de saco cheio de ficar à toa. Aí meu cunhado perguntou se eu não queria ajudá-lo a organizar o setor de elaboração de propostas lá da “gatinha”.
- Que negócio é esse de gatinha?
- Ah! É o apelido dado às construtoras pequenas. Alguns chamam de “pimil” – “picaretagens mil”.
- Esse é o ninho das “gatonas” do Petrolão, né? Já nascem querendo foder tudo!
- Não é bem assim, mas não quero entrar nessa.
- E está dando certo?
- Já saí de lá faz tempo. Não estou mais na idade de encarar gente doida.
- Teve problemas com seu cunhado?
- Não, com ele não! Ele é gente boa! Foi um lance que aconteceu dentro do metrô, quando ia trabalhar.
- Garçom, mais uma, por favor! Metrô? Que negócio é esse?
- Combinei com meu cunhado que iria ajudá-lo com a condição de chegar mais tarde, para evitar o trânsito maluco da hora do rush. Resolvi também ir de metrô, só para não ficar estressado com os motoboys que ficam barbarizando entre os carros. Foi numa dessas idas de metrô que aconteceu.
- Caralho, tô ficando curioso! Aconteceu o quê, porra?
- Calma, me deixa beber também!

Despreocupadamente, levou o copo à boca, antegozando as expressões de surpresa que provocaria no amigo com seu caso bizarro. Na mesa ao lado, um homem desacompanhado escreve freneticamente em um caderno espiral, parando às vezes como se esperasse uma inspiração que falhou ou uma lembrança perdida. Sem se dar conta da existência do vizinho de mesa e sua atividade solitária, o aposentado apoiou o copo na mesa, fisgou um pedaço de jiló e continuou:

- O lance foi o seguinte...

* * *

O homem abre a porta de entrada, dirige-se à cozinha e deposita sobre a bancada da pia as compras que fez no Mercado Central, ritual que cumpre todo sábado de manhã: queijo canastra, doce de leite em pasta, requeijão em barra, coisas desse tipo. Anuncia sua chegada, gritando para a esposa que conversa animadamente ao telefone.

- Amor, cheguei! Coloquei as compras na cozinha.
- Tá legal! Mas não deixe fora da geladeira, como tem mania de fazer.

Depois de partir uma fatia generosa de queijo canastra, guarda as compras na geladeira, abre o caderno espiral e começa a ler as anotações:

“O homem entra no metrô, escolhe o lugar onde sempre gosta de sentar, tira os óculos do bolso, abre o livro na página onde havia parado e mergulha na leitura, indiferente às pessoas ao redor. Tem os cabelos quase totalmente grisalhos, é ligeiramente obeso e apresenta a ‘barriga de chope’ que todos os amigos de mesma faixa etária possuem. Está vestido com calça jeans, camisa polo e sapatênis, que são suas roupas prediletas.

Nunca sabe explicar o tipo de sensação que está tendo novamente, aquela que o faz tirar os olhos da leitura e olhar à sua volta. Mesmo que não tenha nada a esconder e ainda que nunca ande com muito dinheiro no bolso, sente-se observado. E lá está o motivo, bem à sua frente.

Sentada em um banco oposto ao seu, encontra-se uma mulher de meia idade, gordota, cabelos descuidados e começando a embranquecer, e um olhar de quem não é exatamente um modelo de normalidade. Parece já tê-la visto no metrô, mas volta à leitura do livro, lembrando-se do conselho do filho mais velho: -“o segredo é evitar contato visual com bêbado e gente doida, pois esse pessoal é pegajoso e chato pra caramba”.

Esboça um sorriso enquanto se lembra de sua juventude. Na época da faculdade, enquanto esperava o ônibus para voltar para casa depois das aulas, muitas vezes foi abordado por pessoas que pediam dinheiro exibindo nas mãos uma carteira profissional ensebada ou algum outro documento amarrotado, frequentemente embriagadas e com sinais nítidos de ter dormido em alguma calçada. Achava estranha essa “atração” que exercia - até mesmo quando havia mais gente no ponto de ônibus. Talvez fosse pelo fato de sempre olhar as pessoas com alguma curiosidade.

Lembrou-se de uma abordagem que foi particularmente divertida, quando um sujeito magro e alto aproximou-se e pediu cinquenta centavos, explicando com toda dignidade: -“não vou mentir não, eu quero é para a cachaça”. Como só tinha mesmo o dinheiro da passagem, não teve como atender ao pedido do cachaceiro, ainda que o achasse merecedor, só pela sinceridade. Estava nesse devaneio enquanto tentava achar o ponto do livro onde tinha parado a leitura, quando ouviu a pergunta:

- Aconteceu alguma coisa, algum problema com você?

Olhou na direção de onde tinha partido a voz. Era a mulher sentada à sua frente, olhando fixamente para ele, com uma expressão que lhe pareceu misturar preocupação e censura. Tentou cortar o contato visual, mas foi impedido por outra pergunta:

- Porque você não veio ontem?
- Eu não entendi o que a senhora disse. O barulho...
- Eu perguntei se aconteceu alguma coisa com você, pois não veio ontem.
- Desculpe-me, mas a senhor deve estar me confundindo com outra pessoa, pois nem a conheço.

Demonstrando impaciência, a mulher eleva a voz.

- É claro que você me conhece! Não, não o estou confundindo com ninguém!
- Senhora, só pode ser engano! Sem querer ofender, nunca a vi mais gorda!
- Não estou preocupada se o senhor me acha gorda ou magra, nova ou velha, mas eu o conheço muito bem!

Um diálogo surreal assim não podia estar acontecendo, pensou o homem. Tentou suavizar as palavras, até para que os demais passageiros parassem de olhar para ele, com risinhos e sorrisos disfarçados.

- Peço desculpa se a ofendi. O que eu quis dizer e estou enfatizando é que não a conheço ou, se já fomos apresentados alguma vez, infelizmente não consigo me lembrar.
- Você me conhece aqui mesmo do metrô. Todo dia, neste horário, você embarca na segunda estação depois da minha, escolhe sempre o assento defronte ao meu, tira os óculos do bolso, abre o livro e começa a ler. Está sempre vestido de calça jeans, camisa de malha com gola polo e calça sapatênis. Marrom. Como vê, eu sei tudo sobre você. Ah, e desce na estação antes da minha.

Era uma situação estranhíssima e potencialmente fora de controle. Até mesmo pela falsa intimidade da forma de tratamento. Estaria ele sendo objeto de uma paquera enrustida e silenciosa de uma velhota feia e gorda? Ficou tentado a pensar que em vez de “objeto”, o certo seria considerar-se “vítima”, mas recusou a avaliação preconceituosa. Estava imaginando como poderia acabar com aquele circo constrangedor e grotesco, quando a mulher atacou de novo, com a voz um pouco mais alterada:

- Quando eu percebi que você tinha um comportamento metódico e organizado, sempre repetindo os mesmos gestos, eu fiquei feliz. Aliás, mais que feliz, fiquei aliviada, me identifiquei com seus gestos. Antes de você aparecer, eu passava o tempo contando os bancos e os rebites do vagão. Você neutralizou essa minha fissura, essa ânsia. Por isso é que eu perguntei o que aconteceu, pois fiquei preocupada quando não apareceu ontem.

Era demais! Aturar bêbados e loucos mansos por alguns minutos em um ponto de ônibus era suportável, mas servir de terapia para uma mulher provavelmente psicótica, portadora de TOC e atitudes francamente desequilibradas durante todo o percurso feito diariamente no metrô, seria mais do que estava disposto a aceitar. Aquilo precisava acabar. E de forma definitiva.”

* * *

-E o que você fez?

Tomando mais um gole de cerveja, o aposentado concluiu:

- Tentei sorrir de forma cúmplice para ela, até que o metrô parasse na próxima estação, não importando qual fosse. Quando a porta se abriu, saí rapidamente do vagão, sem olhar para trás, mas ainda consegui ouvir a doida gritando: - “Volta, você desceu na estação errada!”
- Que loucura, mano!
- Pois é, foi aí que eu decidi parar de trabalhar definitivamente. Não dou mais conta de aguentar esse tipo de coisa.
- Só precisa ter o cuidado de manter as unhas bem aparadas. Senão, vai ficar com o saco escalavrado, de tanto coçar.
- É...

* * *

A mulher termina de falar ao telefone e chama:

- Amor, o que você está fazendo aí na cozinha?
- Estou relendo umas anotações que fiz lá no Mercado.
- Anotações? Esqueceu de comprar alguma coisa?
- Não, eu tentei anotar uma conversa que ouvi de dois velhos e estou vendo se dá para emendar com um diálogo que inventei.
- Você promete não ficar de mal se eu te disser uma coisa?
- Sou todo ouvidos, pode falar.
- Sabe o que é? Desde que você criou o blog você não desgruda do computador! E quando não está no computador, fica bisbilhotando conversas dos outros, só para escrever e postar alguma coisa. Você faz algumas coisas legais, mas não é escritor, não precisa disso para sobreviver. Nós somos jovens, o que precisamos mesmo é de curtir a vida, estar juntos, viajar, sair e encher a cara, essas coisas.
- Tem razão, eu sou meio compulsivo, preciso dar uma freada nessa coisa. Mudando de assunto, onde a gente vai almoçar hoje?



sábado, 11 de março de 2017

O QUIZ QUE EU QUIS POSTAR NO FACEBOOK

Aviso aos 2,3 leitores do Blogson:
Este post é só uma versão simplificada do "QUIZ? QUIZÉRA!" que tentei colocar no Facebook. Como o quadrinho ficou ilegível, vou tentar divulgá-lo aqui no blog, para ver se a leitura fica mais fácil.


Quiz, quiz, quiz! Estou de saco cheio de tanto quiz que vejo por aí. O pior de tudo é que eu nem sabia o que significa “quiz”! Fui procurar no Google, o pai dos muito burros, e descobri que “quiz” é apenas um questionariozinho de merda, um estrangeirismo, um testezinho metido a besta. Aí fiquei mais puto ainda. Tão puto que resolvi criar um também. Mas como sou um pouco menos burro que minha cara de retardado faz crer, resolvi criar também um nome novo para meu testículo (diminutivo sintético de teste, entendeu?).

Como ia dizendo quando fui interrompido por mim mesmo, resolvi criar um nome de impacto para meu pequeno teste. O nome gringo é “quiz”? O meu, muito mais chique, seria o “quiz do Zé”, ou quiZé. Que acabou virando “quiZéra!”. Maneiro! Por que acento agudo no “E”? Problema meu, pois esse teste foi criado e bolado pelo Zé, que sou eu, captou?

Agora, falando sério, criar um perfil no Facebook permitiu-me observar a paixão avassaladora que algumas pessoas manifestam quando o assunto são os acontecimentos políticos dos últimos anos no Brasil. Hoje, o embate Direita vs. Esquerda consegue provocar mais reações e comentários extremados que um clássico do futebol mineiro, um jogo decisivo entre Atlético e Cruzeiro, por exemplo. E a vantagem é que ainda tem “juiz”, só pra gente poder ofender a mãe dele.

Para mim, essa é uma descoberta incômoda e difícil de aceitar, não porque duvide, mas por não concordar com essa polarização exacerbada. Os sentimentos que esse tipo de radicalismo me provocam são surpresa, raiva, desprezo, consternação e tristeza, nunca de aprovação.

Pois bem, depois de fuçar a internet à procura de subsídios para embasar minha visão, fiz um listão onde estabeleço minha identificação com as ideias e “bandeiras” da Esquerda ou da Direita. Para minha surpresa, descobri ter um perfil ligeiramente mais de Direita que de Esquerda, na base de 58% a 42%. Mesmo assim, continuo me considerando de Centro, “Independente” ou, no máximo, de centro-direita.

Por tudo isso e a partir das coisas que fui encontrando na internet, resolvi fazer um questionário para identificar o grau de polarização de cada um. Está claro que embora reflita minhas próprias convicções, isso é apenas uma brincadeira, um “quiz”, pois não sou cientista político nem sociólogo nem porra nenhuma ligada ao estudo dessa coisa chatíssima chamada “política”.

Mas vamos às instruções de uso: por exemplo, se alguém gosta tanto do Bolsonaro ao ponto de chamá-lo de “mito”, nem precisa fazer o teste, pois seu perfil é de extrema-direita. Já se alguém acha a Jandira Feghali o máximo, fica a dúvida, pois não se sabe se a pessoa é de extrema esquerda ou de extremo mau gosto, porque ela é feia pra caramba.

E o quiZéra é facinho: as bandeiras e temas prediletos da Direita estão coloridos de “bege coxinha”, enquanto os da Esquerda apresentam um lindo “vermelho mortadela”. Se você se identifica com determinado tema, você marca “x” ou “1” na coluna na qual ele mais se adapta. Exemplo: “direito ao aborto”: se você concorda, marque 1 na coluna “E”. Se não concorda, marque “1” na coluna “D”.

Fazendo isso com cada um dos 24 temas e somando o total de cada coluna, você saberá sua mistura “coxinha x mortadela”. E se você conseguir 24 pontos em apenas uma única coluna (qualquer das duas), você terá direito ao troféu virtual “Anta Batizada”. Tá esperando o que para se divertir? Só não me venha contar seus resultados, pois não tenho o menor saco para essas coisas. Vê aí.


quarta-feira, 8 de março de 2017

DÚVIDA

Impulsos,
Elétricos.

Ondas,
Cerebrais.

Sinapses
Em frenesi.

Em qual ingrediente
Misterioso
Está guardada
A poesia?

segunda-feira, 6 de março de 2017

QUIZ? QUIZÉRA!

No final do post “Meu nome é JB!” eu prometi apresentar uma “lista de supermercado” com minhas preferências ideológicas. Pois bem, depois de fuçar a internet à procura de subsídios para embasar minha visão, fiz um listão onde estabeleço minha identificação com as ideias e “bandeiras” da Esquerda ou da Direita. Para minha surpresa, descobri ter um perfil mais de Direita que de Esquerda, na proporção 65% vs. 35%. Mesmo assim, continuo me considerando de Centro - ou “independente”.

Criar um perfil no Facebook permitiu-me observar a paixão extremada de algumas pessoas quando o assunto são os acontecimentos políticos dos últimos anos no Brasil. O embate Direita vs. Esquerda consegue provocar mais reações e comentários extremados que um clássico do futebol mineiro, um jogo decisivo entre Atlético e Cruzeiro, por exemplo. Para mim, essa é uma descoberta incômoda e difícil de aceitar, não porque duvide, mas por não concordar com a polarização exacerbada. Os sentimentos que esse radicalismo me provocam são surpresa, raiva, desprezo, consternação e tristeza, nunca de aprovação. 

Em um discurso que fez como paraninfo de um curso de comunicação, o publicitário Nizan Guanaes fez uma citação do livro do Apocalipse, ao dizer “seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito”. Essas palavras podem estar corretas, acho mesmo que devemos procurar ser “frios” ou “quentes”, jamais “mornos” em nossas convicções, em nosso dia-a-dia, mas não entendo nem aceito que devamos ser “escaldantes” ou “gelados”, pois crenças, opiniões e convicções não são sinônimos de certezas.

Toda essa conversa foi motivada por um fato surpreendente que acompanhei no Facebook. “Coxinhas” e “mortadelas” começaram a debater e comentar um vídeo da Marilena Chauí, filósofa e professora universitária, em que fala (mal) “sobre a ideologia neoliberal e tece uma visão sobre como a ideia de meritocracia é construída e assimilada especialmente por jovens prestes a ingressar no mercado de trabalho” (texto de apresentação do vídeo).

A coisa fluiu normalmente com comentários contra e a favor. A cara do facebook, em resumo. Cansei daquilo e fui fazer alguma coisa mais útil. Mais tarde tentei localizar o mesmo post para saber como tinha evoluído a conversa. Procurei, procurei, mas concluí que tinha sido excluído por quem o postou. A surpresa aconteceu quando a mesma pessoa postou o vídeo outra vez, mas sem nenhum comentário.

Isso me fez tirar uma conclusão (que pode ser equivocada): se você apenas “curte” ou comenta um tema político (ou outro qualquer), dá para perceber a “silhueta” ideológica do seu perfil, dá para inferir que suas preferências, sua visão de mundo e seu estilo são de uma pessoa moderada, tipo centro-esquerda ou centro-direita. Se você compartilha algum post, você se mostra um pouco mais polarizado. Mas se alguém cria ou replica algum post mais agressivo e, ainda por cima, faz comentários passionais, mais parciais e com afirmações genéricas, maliciosas ou tendenciosas, então é um radical legítimo, tanto faz ser de direita ou de esquerda. E sinto desprezo por isso, mesmo que não despreze a pessoa que age assim.

Por tudo isso e a partir das coisas que fui encontrando na internet, resolvi fazer um questionário para identificar o grau de polarização de cada um. Está claro que, embora reflita bem minhas convicções, isso é apenas uma brincadeira, um “quiz”, pois não sou cientista político nem sociólogo nem porra nenhuma ligada ao estudo dessa coisa chatíssima chamada “política”. E como “quiz” é apenas mais um modismo, resolvi batizar meu questionário de “quizéra!” (afinal, meu nome é Jotabê). Vê aí.

ITEM
TEMA
POSIÇÃO
DIREITA
ESQUERDA
1
ADOÇÃO DE PRISÃO PERPÉTUA NO BRASIL
Totalmente a favor. Há crimes e criminosos que merecem esse tratamento.
1

2
CASAMENTO GAY
Totalmente a favor! Que problema há nisso? Além do mais, o país é laico.

1
3
COMPORTAMENTO POLITICAMENTE CORRETO
"RADICALMENTE" contra! Quem defende esse tipo de coisa pratica um preconceito reverso. Quando eu estava ainda no ensino fundamental aprendi que mameluco(a) era o filho de índio(a) com branca(o), cafuzo(a) era o filho de índio(a) com preto(o) e que mulato(a) tinha como pais um(a) branco com um(a) negra(o). Hoje a coisa ficou complicada, pois não se pode dizer "mulato(a)". Além disso, os descendentes (ou não) de antigos escravos devem ser chamados de "afro-americanos". Aí eu me pergunto como os tediosamente corretos se referem aos africanos de cor preta. Deveriam chamá-los de "afro-africanos"? E como devem ser chamados os branquelos da África do Sul, por exemplo? Sinceramente, não tenho saco para esse tipo de fundamentalismo. Aliás, sou CONTRA qualquer tipo de fundamentalismo, de radicalismo.
1

4
COTAS SOCIAIS E RACIAIS
Totalmente contra, pois atropela o mérito individual dos que não têm direito a essa mamata. Mesmo que os defensores de sua existência pensem que "se essa pessoa se opõe à política de cotas indiferente ao nosso passado escravocrata, indiferente ao fato de que os negros no Brasil, em média, ganham apenas 57% do que ganham os brancos, e se não lhe importa que 68% das mortes violentas no país atingem apenas os negros, então é claro que tal pessoa defende uma bandeira conservadora, típica da direita". Fala isso para o Joaquim Barbosa!
1

5
DEFESA DOS DIREITOS DE GRUPOS MINORITÁRIOS E VULNERÁVEIS
Sou favorável a direitos e oportunidades fundamentais iguais para todo mundo: homem ou mulher, rico ou pobre, preto ou branco, hetero ou gay, velho ou novo e por aí vai. Mas não aceito que desiguais sejam tratados como iguais só para que se promova a "justiça social". Inteligente é diferente de "burro", trabalhador é diferente de preguiçoso, honesto é diferente de ladrão, estudioso é diferente de malandro. Para melhor entender meu pensamento, ler a "parábola do semeador".

1
6
DISCIPLINA FISCAL MONETARISTA
Totalmente a favor. Só se pode gastar o que se arrecada, não dá para fazer gracinhas com inovações heterodoxas tão amadas pela Dilma e Mantega.
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7
ESTADO MÍNIMO
Não é papel de o Estado gerir empresas nem indústrias. "O Estado deve ser limitado a atuar apenas nas áreas em que sua presença é considerada necessária: segurança, saúde, educação e assistência social". Lembrando que a educação e a saúde precisam ter qualidade.
1

8
ESTATIZAÇÃO E CONTROLE DA ECONOMIA PELO ESTADO
Radicalmente contra! Isso pode ser bom para Cuba, Coréia do Norte e países que “amam” seus habitantes. Xô, comunismo!
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9
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
Essa é uma maluquice que não aceito em nenhuma hipótese. Para mim (não sou advogado), só há duas hipóteses para qualquer tipo de crime: absolvição ou condenação através de julgamento. Pouco importa quanto tempo tenha se passado entre o crime e o julgamento. Não dá para aceitar chicanas, firulas e procrastinações. Resumindo, cagou, pagou.
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EXTREMA DIREITA
Totalmente contra

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EXTREMA ESQUERDA
Totalmente contra
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FLEXIBILIZAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO
Totalmente a favor. Com a crescente automatização e extinção de profissões, precisamos de "trabalho", não necessariamente de "carteira assinada". Dentro da linha "quem sabe de mim sou eu"
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IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS
Totalmente a favor. Mas acho que também deveriam ser estimuladas doações a museus e universidades, a exemplo do que ocorre nos EUA.

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INTERVENÇÃO MILITAR
Totalmente contra! Só maluco pensa em idiotices desse tipo.

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LEGALIZAÇÃO DO DIREITO À EUTANÁSIA
Totalmente a favor, nos casos de sofrimento extremo e impossibilidade de cura.

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LEGALIZAÇÃO DO DIREITO AO ABORTO
Totalmente a favor, observadas as práticas de países civilizados. Além do mais, o Brasil é um pais laico. Devem ser respeitados e reconhecidos "os direitos da mulher sobre seu próprio corpo e por determinar seu próprio destino (ou seja, ser ou não ser mãe naquele momento de sua vida)". Aliás, devem ser respeitados os direitos de qualquer um sobre seu próprio  corpo, independente de gênero.

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LIBERALISMO ECONÔMICO
Totalmente a favor! "o liberalismo econômico é identificado com ideias como a economia de mercado, pouca intervenção do Estado na economia e a máxima de que o indivíduo deve ter a liberdade de fazer negócios e construir seu próprio patrimônio, sem maiores obstruções. Também é contra qualquer arranjo em que o Estado favoreça arbitrariamente certos grupos empresariais, criando oligopólios e afins".
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LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Totalmente a favor! Não aceito mordaça em hipótese nenhuma. Também serve a expressão "não gostou, me processe".
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19
LIBERDADE DE IMPRENSA
Totalmente a favor! É dever da imprensa noticiar o que acontece (se possível, da forma mais isenta).
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LIBERDADE INDIVIDUAL
Que "cada pessoa faça o que bem entender com sua vida, desde que não fira a liberdade de outras pessoas". As pessoas devem ser livres para fazer suas escolhas pessoais e profissionais. E a colher o resultado disso depois.
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NACIONALISMO
Totalmente contra, tanto faz ser de direita ou esquerda.
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PRIVATIZAÇÃO DE EMPRESAS PÚBLICAS
Em linhas gerais, totalmente a favor. "a economia deve ser livremente determinada pelas forças de mercado, com a mínima intervenção possível do Estado, visto na maior parte das vezes como danoso".
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REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL
Totalmente a favor. Sem entrar no mérito da situação inaceitável e odiosa das cadeias e penitenciárias brasileiras, acho que os critérios existentes em países ocidentais mais desenvolvidos poderiam ser adotados aqui. Precisamos parar com a ideia de sempre tentar reinventar a roda. Já basta terem inventado a tomada elétrica brasileira.
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REFORMA AGRÁRIA
A favor, desde que sejam utilizadas terras públicas. Ou que a desapropriação de propriedades particulares se faça a preço de mercado.

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REGULAMENTAÇÃO DO USO DE DROGAS
Pessoalmente, sou contra o uso de qualquer tipo de droga, seja ela lícita ou ilícita. Mas acredito que vale a pena regulamentar e taxar essa coisa.

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RESPEITO AO DIREITO DE PROPRIEDADE
Totalmente a favor. E contra qualquer tipo de ocupação ilegal, mesmo que os defensores dessa prática utilizem argumentos como este: "todos devem ter acesso à terra e ao trabalho (...) é injustificável a concentração de 49% das nossas terras agricultáveis em mãos de apenas 1% de proprietários (IBGE), e nem todos proprietários brasileiros". E daí? Se uma propriedade foi adquirida LEGALMENTE, pouco me importa se o dono é estrangeiro ou se comprou só para especular. Pagou pelo imóvel? Está dentro da lei? É dele, caramba!
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VALORIZAÇÃO E DEFESA DO MÉRITO
Totalmente a favor, e nos moldes de Cingapura! "cada cidadão deve ser recompensado pela sua contribuição pessoal ao bem estar da sociedade. É por isso que existem patrimônios e remunerações desiguais: cada um tem méritos diferentes perante a sociedade. Por isso, é necessário que os salários sejam determinados com liberdade (no máximo sendo aceito o salário mínimo)."
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