terça-feira, 17 de janeiro de 2017

PIZZA À MODA

Não aguento mais essa polarização idiota entre coxinhas e mortadelas (que têm ainda a versão analfa “mortandelas”). Isso é pura perda de tempo! Coxinhas são salgados massudos com recheio de frango nem sempre bem preparado, pois às vezes vem com pedaços de pele mole e até fragmentos de osso (raros, para o bem da verdade).

Já as mortadelas, que são embutidos em formato de zepelim ou charuto, são apresentadas na versão defumada e comum. O recheio, valha-me Deus, nem é bom querer saber o que contém nem de onde vem. Sinceramente, desconfio que até o saco do porco (bem moído) deve ser ali encontrado. Além disso, dada a elevada quantidade de conservantes (necessários, pois ninguém aguenta ouvir discurso no sol por muito tempo), é um alimento que deve ser evitado por seu potencial cancerígeno.

O que sobra então? Sinceramente, nunca sobra nada porque ninguém resiste a uma boca livre, a uma degustação 0800. Mas, antes de acabar (e acaba rápido, mesmo se for de rúcula com mussarela de búfala), o alimento de união nacional é a pizza! Em todos os sabores, com ou sem borda recheada. Nessa hora, os brasileiros se unem e sentem-se integralmente representados pelas excelências de Brasília e pelos times da segunda e terceira divisão, respectivamente governos estadual e municipal, porque nessas altas esferas quase tudo acaba mesmo em pizza. Mas eu continuo preferindo torresmo.

domingo, 15 de janeiro de 2017

DIALOGANDO COM AS PAREDES

Tenho andado em um saara lascado de ideias e assuntos para colocar no Blogson. Aliás, esta é uma notícia velha, pois já comentei aqui sobre isso. Por isso, este post acaba sendo um registro dessa falta de inspiração, pois fiquei tão fissurado em escrever alguma coisa que travei. As únicas coisas que me ocorreram foram dois trocadilhos fraquíssimos, tão fracos que relutei bastante em divulgá-los. A solução foi criar um diálogo que incluísse os dois. E aí é que está onde queria chegar: a mania ou obsessão de fazer esse tipo de construção “literária”. Depois de criar mais um “diálogo de spamtar”, fiquei pensando porque insisto em tentar fazer esse tipo de humor, se os resultados são tão risíveis, não no sentido de que provocam risadas, mas no surgimento de risinhos de desprezo e escárnio.

E cheguei à conclusão de que esse tipo de texto combina com minha estrutura psíquica ou emocional, mesmo que isso pareça uma afirmação pedante. Já disse antes que sinto que envelheço de forma diferenciada: “À medida que envelhecia, percebi que a mente não envelhece por igual. Uma parte do cérebro ou do conjunto de pensamentos teima em não mudar, em permanecer tal como estava 20, 30, 40 anos atrás. Em outras palavras, apesar da idade, eu tenho ainda muitas formas de pensar iguais às da adolescência. Por isso é que eu questiono a visão simplista de que os mais velhos não podem ou não devem se comportar como jovens. Porque não? Não se trata de querer vestir-se igual, imitar ou mimetizar os mais jovens. O que acontece é que algumas coisas, algumas situações são vistas com olhos juvenis (apesar das pálpebras caídas e da vista cansada)”.

Em outras palavras, eu sou um conflito de gerações ambulante, pois tenho um paladar infantil, que privilegia o sabor doce e abomina a acidez e o amargor de alguns alimentos e bebidas. Já na forma de me vestir e de me comportar em público, sou um velho rabugento, impaciente e careta, pois só visto roupas sóbrias e de tons escuros. Mas os pensamentos e a mente associam-se e se identificam com pessoas na faixa etária de meus filhos.

Essa deve ser a explicação por ter criado os dois personagens mais recorrentes dos diálogos imaginados, uma versão caipira e sem graça nenhuma do Gordo e Magro, de Abbott e Costello. No duro, no duro, eu acredito que eles representam duas visões de mim mesmo, pois um é mais sério, mais centrado, mais intelectualizado, enquanto o segundo é mais tosco, menos formal e mais despreocupado. Assim, ao criar as falas de cada um, é como se eu estivesse dialogando comigo mesmo. Pode ser que tudo o que disse até aqui seja apenas mais uma das minhas teorias miojo, mas uma coisa é certa: mesmo que não haja humor nenhum, mesmo que a linguagem não seja aquela que jovens reais utilizam, eu me divirto muito em criá-los, talvez por ter a sensação de que, afinal, estou conversando com alguém parecido comigo, uma versão masculina e empobrecida de Shirley Valentine.

APOSTA

- E aê?

- Beleza...

- Que que cê tá fazendo? Estudando?

- Lógico que não, pô! Estou lendo “O Terceiro Chimpanzé”.

- Ah, a história de família, né?

- Vá à merda!

- Porque você não age como gente normal?

- Normal tipo quem? Você, por exemplo? Você não é normal...

- Ah, sei lá, gente que curte videogame, mangá, essas coisas.

- Eu curto isso, mas também gosto de encarar um livro.

- Tá bom, Einstein! Eu vim aqui te chamar para tomar cerveja. Topa?

- Se você pagar eu topo, pois a grana tá curta.

- A gente faz uma aposta. Quem ganhar, paga.

- Não é quem perde que paga?

- É que você é cu de ferro e vai ganhar de mim.

- Então a gente aposta outra coisa. Quem contar uma piada com o trocadilho mais idiota ganha, OK?

- Beleza! Pode começar.

- Lá vai: sabe o que vai acontecer quando for oficializado o uso de vídeo para auxiliar a arbitragem nas partidas de futebol? O juiz vai perder o livre arbítrio.

- Nossa, essa pegou no saco!

- Agora é sua vez. Capricha, que eu já estou com sede.

- Sabe o que pensa um cara quando descobre que a filha de sua tia virou uma mulher gostosíssima? Que ela virou uma obra-prima.

- GANHOU!!! Bora lá pagar bebida!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

FROM THE BEGGINING - EMERSON, LAKE & PALMER

Ironizando, meu filho ateu disse que 2016 foi o ano do “Ceifador” na música. Sem me preocupar com as outras expressões artísticas, até dá mesmo para pensar em um “Ceifador”, tal a quantidade de músicos que tiveram seu “Coda” em 2016. Relembrando os mais famosos:

Música pop e rock internacional:
Billy Paul
David Bowie
Eddie Harsch (tecladista da banda The Black Crowes)
Frank Sinatra Jr.
George Martin (considerado o “quinto” Beatle)
George Michael
Glenn Frey (guitarrista meia-boca da banda The Eagles)
Greg Lake (baixista e guitarrista do Emerson, Lake & Palmer)
James Woolley (tecladista do Nine Inch Nails)
Keith Emerson (tecladista do Emerson, Lake & Palmer)
Leon Russell (tecladista, cantor e compositor)
Leonard Cohen (cantor e compositor canadense)
Paul Kantner (guitarrista e co-fundador da banda Jeferson Airplane)
Prince

Música brasileira:
Cauby Peixoto
Chico Rey (da dupla sertaneja com Paraná)
Mário Sérgio (do grupo Fundo de Quintal)
Mattão (da dupla sertaneja com Mateus)
Naná  Vasconcelos (percussionista de fama internacional)
Peninha (percussionista da banda Barão Vermelho)
Roberto Corrêa (do grupo vocal Golden Boys)
Severino Filho (a voz em falsete do grupo Os Cariocas)
Vander Lee (“Românticos são tantos...”)

Qual o motivo dessa curiosidade mórbida? Só isso mesmo: “curiosidade mórbida” (falta de assunto é foda). Mas o que chama a atenção é o fato de terem morrido dois terços do grupo de rock progressivo Emerson, Lake and Palmer, que fez muito sucesso nos anos setenta, inclusive no Brasil. Triste também é saber a que causa da morte do tecladista Keith Emerson foi suicídio.

Embora esse “power trio” tenha tido muitos de seus discos lançados no Brasil, só comprei um, bem legal, de onde tirei a música de hoje. Olhaí.





quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

SAIU NO FEICIBUQUE - 019 (SÍNTESE)

Poder de síntese é isso...


JOURNEY TO THE CENTRE OF THE EARTH - RICK WAKEMAN

Estou completamente sem assunto para escrever alguma coisa que preste. Nem mesmo uma piadinha padrão Jotabê. Por isso, estou revisitando meus antigos discos de vinil. 

Por causa do post "Lisztomania", resolvi ouvir de novo um virtuose dos teclados na versão rock. Como diz meu filho, quem toca mesmo, quem tem boa formação musical são os caras de heavy metal e rock progressivo. O resto fica só na baladinha ou espancando os instrumentos (o que também é legal).

Poooois beeem, como disse antes, resolvi ouvir de novo o Rick Wakeman em seu melhor álbum, que é "Journey To The Centre Of The Earth" ou "Viagem ao Centro da Terra". 

O disco original, além da banda e dos cantores solistas, tem orquestra, coral e até um narrador "de grife", o finado ator de "Blow Up", David Hemmings (morreu em 2003, por aí).

Para quem quiser ouvir o disco original (40 minutos de pau dentro), o link está no final deste post. Mas se quiser ouvir e se deliciar com a incrível habilidade do Rick Wakeman, encontrei um link mais “pobrezinho”, com poucos instrumentistas, só um vocalista e, claro, os sete ou oito teclados onde ele se esbalda, com duração de "apenas" 19 minutos.

Sem sacanagem, apesar do meu filho citado acima achar esse disco uma merda, eu sou fã total e sempre ouço com prazer. Olhaí.




quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

LISZTOMANIA - ROGER DALTREY

A vantagem de ter nascido em 1950 (se isso pode ser realmente chamado de “vantagem”) é não ter sido submetido na juventude à tortura mental de ouvir funk e sertanejo em todas as suas variantes.

A melhor fase da minha vida aconteceu entre os anos de 1969 e 1990, quando eu era um jovem adulto (ou adulto jovem), época em que eu conheci e me casei com o Amor de minha vida, anos em que eu vivi a experiência intransferível, indescritível de me tornar pai de quatro das melhores e mais inteligentes pessoas que eu tive a sorte e a oportunidade de conhecer. Foi também uma época de muita autoindulgência, época em que ainda acreditava em mim.

Pois bem, nessa fase - que eu poderia chamar de "dourada" -, eu ouvia rock, quase que só rock. Ouvia também o pessoal do Clube da Esquina e começava a me interessar por blues. Comprava discos de vinil de forma cada vez mais moderada, mas continuava com a mania elitista (não só em relação à música) de descobrir novidades que ninguém mais (ou só os "iniciados") conhecia. 

Caso, por exemplo, do disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista” do Raul Seixas, que, em entrevista dada ao Pasquim, disse ter vendido apenas 500 unidades no lançamento, fato que teria provocado uma reação da matriz americana. Pois bem, eu achei esse disco em uma banca de saldos! Tempos depois, quando o “Maluco Beleza” já era famoso, relançaram esse e até o disco gravado por “Raulzito e os Panteras” (que não me interessou).

Nessa busca pelo exclusivo, pelo raro e pelo pouco conhecido, encontrei o disco "Lisztomania", trilha sonora do filme de mesmo nome que, até onde sei, nunca passou nos cinemas comerciais do país (em Beagá não passou). Como não tem sentido falar de um filme que nunca assisti, limito-me apenas a fazer um breve comentário do disco. Foi produzido e interpretado por Rick Wakeman e orquestra, sendo a maioria das músicas composta por Franz Liszt (que coincidência!), considerado o primeiro pop-star da história, pois suas apresentações provocavam histeria e chiliques nas plateias, com fãs disputando souvenirs do ídolo (daí o nome "Lisztomania"). E ele, que era pegador, talvez um pegador à moda antiga, devia aproveitar.

Pois bem, nunca curti muito as músicas do disco (por serem muito eruditas para um caipira como eu), exceção feita a duas faixas interpretadas pelo Roger Daltrey, da banda The Who, talvez por já conhecê-las de algum casamento ou coisa parecida. Na verdade, essas faixas têm a mesma melodia e duas letras diferentes, ambas escritas pelo vocalista do Who.

Para quem nunca ouviu, apresento três versões dessa música (que é lindíssima): as duas do Roger Daltrey (uma delas cantada em estilo rock) e uma versão orquestral. Espero que gostem.


 Franz Liszt - Liebestraum - Love Dream


"Love's Dream" (Liszt/ lyrics: Roger Daltrey)


"Peace At Last" (Liszt/ lyrics: Jonathan Benson, Daltrey)


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

CHOVE LÁ FORA - MILTON NASCIMENTO

Em julho de 1973 aconteceu um acidente aéreo na Índia, tão trágico quanto trágicos e estúpidos são todos os desastres de avião. Esse, em particular, privou o Brasil de duas personalidades do meio artístico: o elegantíssimo cantor Agostinho dos Santos e a atriz porra-louca (e musa da “Banda de Ipanema”) Leila Diniz.

Em 1974, o Milton Nascimento gravou o disco “Milagre dos Peixes ao vivo”, um álbum duplo lindíssimo, resultado de um show (dois dias) provavelmente mais lindo ainda. No envelope-encarte de cada um dos discos está impressa a frase: “este show foi dedicado a Agostinho dos Santos e Leila Diniz”. Uma das músicas interpretadas é “Chove lá fora”, um samba-canção de Tito Madi com letra de corno, que o Milton transformou de forma absolutamente magnífica em um espasmo de dor e saudade, esticando as palavras como se fossem elástico, como se estivessem sob tortura.

Antes do início da música, pode-se ouvi-lo dizer o que imagino ser o final provável de uma homenagem aos amigos falecidos: “... e a muitos outros que a mão de Deus levou” (no CD acabou mantida no final da faixa anterior). Em seguida, começa um lamento em falsete que é de arrepiar (e que se repete ao longo da interpretação). Essa é a música que resolvi compartilhar aqui no blog. Espero que gostem.




Para quem não conhece, a letra é esta:

A noite está tão fria
Chove lá fora
E essa saudade enjoada
Não vai embora
Queria compreender porque partiste
Queria que soubesses como estou triste
E a chuva continua
Mais forte ainda
Só Deus pode entender como é infinda
A dor de não saber
Saber lá fora onde estás, como estás
Com quem estás agora

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

COMENTANDO AS RECENTES - 022

Meu filho postou ou compartilhou no Facebook esta notícia, saída do portal G1, se não me engano. Ao ver o título, fiz um típico comentário Jotabê, daqueles de deixar um filho com vergonha do próprio pai. 

Depois disso, mandou um link do Correio Brasiliense falando da reação das pessoas a essa maluquice. Dentre as observações, havia uma convocação para uma manifestação ou "mãonifestação", que é a segunda imagem. 

Neste caso, uma imagem fala mais que mil palavras.Acho que não preciso fazer nenhum outro comentário.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

EFEITO ESTUFA

- Olha só quem tá aí! Você sumiu, cara!

- Pois é, tive uns perrengues aí e dei uma sumida.

- Tava sentindo falta das suas besteiras!...

- Eu envelheci, estou mais maduro...

- Peraí, não tem nem dois meses que você veio aqui! Mas que tá estranho, tá.

- Estou preocupado com o efeito estufa.

- Caraca! Ouvir isso de você é surreal! Sinal de que ainda há esperança para a humanidade!

- Pra você ver!

- É, o clima está mesmo mudando, tem feito calor pra caralho.

- E quem disse que eu estou falando de calor?

- Ué, é você que veio com essa conversa de Efeito Estufa!

- Cara, eu estou preocupado é com o efeito estufa da minha barriga!

- Puta que o pariu! Eu sabia que alguma coisa estava errada nessa “maturidade”!

- Sério, engordei três quilos neste final de ano, minha barriga tá estufada!

- Não adianta eu querer me enganar, não há mesmo esperança para a espécie humana!



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

SAIU NO FEICIBUQUE - 017 (BELO NOME)

Eu não posso fazer nenhuma crítica, até porque meu nome também faz referência a filmes de sucesso. No meu caso, filmes pornô.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

DÉJÀ VU

Silenciados os fogos
Artifícios para explodir a tristeza
Tranco a porta e confiro as janelas
Outra vez
Despidas as roupas manchadas
De uvas, romãs ou outros sortilégios
(Para que este ano seja melhor)
Apago as luzes e deito-me na cama
Fecho os olhos e tento dormir
Indiferente à TV com imagens de atentados
Adormeço com a sensação de que
Apenas mais um dia se passou
Déjà vu de anos anteriores

domingo, 1 de janeiro de 2017

RÉQUIEM POR ORADOUR-SUR-GLANE

Eu estava remexendo meus arquivos para ver se achava alguma coisa para publicar no blog, quando vi duas imagens aéreas que extraí do Google Map. Eu as copiei depois de ficar chocado com um documentário da grife "Philos" exibido no canal Globosat. Resolvi hoje buscar essa história na internet e encontrei na Wikipédia o material que transcrevo a seguir.


A tragédia de Oradour foi contada na televisão mundial em documentário na aclamada série da BBC inglesa, The World at War (O Mundo em Guerra) de 1974. Na voz de Laurence Olivier, o primeiro capítulo da série abre com imagens feitas de helicóptero sobre a cidade vazia e silenciosa e a narração grave:



Por esta estrada, num dia de verão de 1944, os soldados vieram. Ninguém vive aqui agora. Eles aqui ficaram por algumas horas. Quando eles se foram, a comunidade que existia há mil anos, havia morrido. Esta é Oradour-sur-Glane, na França.



No dia em que os soldados vieram, a população foi reunida. Os homens foram levados para garagens e celeiros, as mulheres e crianças foram conduzidas por esta rua e trancadas dentro desta igreja. Aqui, elas escutaram os tiros que matavam seus homens. Então, elas foram mortas também. Algumas semanas depois, muitos daqueles que cometeram essas mortes, foram também mortos, em batalha.

Nunca reconstruíram Oradour. Suas ruínas são um memorial. Seu martírio se soma a milhares e milhares de outros martírios na Polônia, na Rússia, na Birmânia, na China, em... um Mundo em Guerra.”





Talvez tenha sido Em 10 de junho de 1944, nas proximidades da vila de Oradour-sur-Glane, o comandante de um dos batalhões da divisão, Sturmbannführer Adolf Diekmann, comunicou a seus oficiais subordinados que havia sido avisado por dois civis franceses da região que um oficial SS havia sido preso pelos guerrilheiros na cidade e seria executado e queimado publicamente nos próximos dias.

Dentro desta igreja, conservada em suas ruínas exatamente como era em 1944, 452 mulheres e crianças foram queimadas vivas pelas tropas da SS.

No começo da tarde, os pelotões da SS cercaram e fecharam a pequena cidade de Oradour e o comando convocou toda a população para a praça principal a fim de fazer uma verificação de documentos. Homens e mulheres foram separados, os homens levados a celeiros e garagens das redondezas e as mulheres e crianças fechadas na igreja do vilarejo.

Nos celeiros, onde os habitantes masculinos eram esperados por metralhadoras montadas em tripés, todos foram fuzilados e os celeiros queimados com seus corpos dentro. Dos 195 homens de Oradour presos, apenas cinco escaparam. Enquanto isso, outros SS jogavam tochas incendiárias dentro da igreja onde se encontravam trancadas as mulheres e crianças, causando um incêndio generalizado.

Os sobreviventes que tentavam escapar pelas janelas eram metralhados por soldados colocados em posição do lado de fora. Apenas uma mulher, Marguerite Rouffanche, conseguiu escapar entre as 452 mulheres e crianças que morreram carbonizadas na chacina, pulando por um pedaço de janela quebrada pelo fogo sem ser percebida. Após a imolação, a tropa queimou a cidade até o chão. No total, 642 habitantes de Oradour foram mortos pelas Waffen-SS em algumas horas, de um total de pouco mais de mil habitantes.
As ruínas tombadas e transformadas em memorial da cidade-mártir nos dias de hoje.

A barbárie causou uma onda de protestos dentro das próprias forças alemãs, incluindo o Marechal Erwin Rommel e o governo francês aliado dos nazistas em Vichy, na França não ocupada. O comando da divisão considerou que o comandante Dieckman havia extrapolado em muito suas ordens - fazer 30 franceses de reféns e usá-los como moeda de troca pelo suposto oficial nazista prisioneiro - e abriu uma investigação judicial militar. Diekman não chegou a ser julgado, morrendo em combate pouco dias depois do massacre, junto com a maior parte dos soldados que destruíram Oradour-sur-Glane.

A VIDA DEPOIS DOS CINQUENTA - MARTIN AMIS

Encontrei no portal G1, no blog da jornalista Mariza Tavares um texto de que transcrevo uma parte. Para quem já leu alguma coisa sobre o mesmo tema no velho Blogson, não preciso explicar mais nada. Olhaí.

Dono de uma escrita afiada, o inglês Martin Amis narra as agruras do envelhecimento no parcialmente autobiográfico “A viúva grávida”. O livro é dedicado a revisitar seu passado e as experiências durante a revolução sexual, no início dos anos de 1970. Keith é o alter ego de Amis e integra um grupo de jovens intelectuais de férias num castelo na Itália. Daquela temporada inebriante, ele constata, pouco sobrou: os libertários da época optaram pelo pragmatismo e estão mergulhados na frustração. A fina ironia de Amis apresenta o envelhecimento como uma sucessão de perdas, mas sem abrir mão do humor, como mostra esse trecho:

“A meio dos quarenta temos a nossa primeira crise de mortalidade (a morte não vai me ignorar); e dez anos depois temos a nossa primeira crise de idade (meu corpo sussurra que a morte já está de olho em mim). Mas entre uma coisa e outra sucede algo de muito interessante. Quando se aproxima o 50º. aniversário, temos a sensação de que a nossa vida está a se desfazer. (...) Depois os cinquenta vêm e vão, e os 51 e os 52. E a vida torna a ganhar espessura. Porque há agora uma enorme e insuspeita presença no nosso ser, como se fosse um continente por descobrir. É o passado.” 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

SILENT NIGHT – SIMON AND GARFUNKEL

Há muitos anos eu comprei um CD da fantástica dupla Simon & Garfunkel. Mesmo sendo um disco excelente e “de grife”, já faz um tempão que eu não o escuto. A única música de que me lembro é uma linda e curiosíssima gravação da manjadíssima “Silent Night”, conhecida no Brasil como “Noite Feliz”.

Nem preciso dizer que a harmonização vocal da dupla é lindíssima. O bacana na história é a superposição da música com um trecho de um noticiário americano de 03/08/1966. A voz do locutor está quase inaudível no início da melodia, vai aumentando aos poucos e termina com um “Boa noite” no mesmo instante em que a música acaba. O efeito é super legal. Além disso, essa música é a cara do período natalino. Olhaí. 






terça-feira, 27 de dezembro de 2016

CARTÃO DE BOAS FARRAS

O brasileiro é um sujeito cordial (assim disse o pai do Chico Buarque, O Sérgio. Sério). Como sou brasileiro e caipirão, sou super cordial. Por isso, resolvi mandar um cartão de boas farras (boas festas é pouco) aos políticos delatados pela Odebrecht. Como não sei o nome de todos, já que ainda estão sob sigilo os depoimentos dos executivos da construtora, resolvi mandar um cartão genérico para toda essa galera - ou gangue.

Pena ter sido devolvido, não podendo ser recebido a tempo. Fui conferir o endereço e percebi que me distraí, pois em vez de Brasília, mandei para a penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Sem problemas. Continuo prestando minha solidariedade a esses abnegados desconhecidos (ainda). Assim, resolvi usar a internet para andar mais rápido. E mesmo que o Natal já tenha passado, vou manter a mensagem bilíngue (fica mais chique, entendeu?). Creio que eles gostarão.


O NATAL DESTE ANO

O Natal deste ano foi o primeiro sem a presença ruidosa de meu cunhado, compadre e irmão Elcio. Nada mais natural que a ceia tradicional na casa de sua mãe fosse mais contida, menos barulhenta, e que a troca de presentes, abraços e votos acontecesse sem a algazarra costumeira. Às vezes algum dos irmãos era visto com lágrimas discretas ou mesmo em choro aberto, mas sempre longe dos olhos de minha sogra, para que ela, nos seus noventa e quatro anos, não se fragilizasse ainda mais.

Houve ainda uma diferença em relação aos anos anteriores: o sentimento de amor e carinho que perpassava de forma muito mais intensa a casa e as pessoas. Era como se ele estivesse por ali, dizendo a todos com seu jeito descontraído e desbocado: “gosto de vocês pra caralho!”

Fiquei pensando nisso e me deu vontade de fazer uma declaração natalina de amizade e carinho a todos os meus amigos e amigas de Facebook. Claro que isso só seria possível por não ter tantos assim.

Com essa ideia na cabeça, abri o post com o texto acima, comecei a listar os noventa e um (um “trabalhinho de turco”, como dizia um colega). e lancei no aplicativo. Zebra! Descobri que o bosta do face permite um máximo de 50 indexações. Removi tudo e dividi o post em duas partes, fechando o texto com votos que particularizavam os traços de alguns. 

Essa ideia provocou o maior reboliço entre os “amigos” e duas reações curiosas do aplicativo. A primeira foi uma mensagem de que eu estava “temporariamente bloqueado”. A segunda aconteceu quando fiz um texto de brincadeira sobre os emojis que algumas pessoas usaram a título de comentário. Depois de ironizar que o máximo que entendia eram as emoticons tipo dois pontos e parêntese, que reproduzi no final, o merda do aplicativo “editou” o texto sem que eu percebesse, substituindo os dois sinais gráficos por uma carinha amarela e sorridente. Ocevê!!! 

O que posso dizer é que não preciso de nenhum aplicativo para me ajudar a errar, prefiro errar sozinho!

Mesmo que eu não cite aqui o nome de ninguém, deixo claro que os votos que fiz para os amigos de facebook aplicam-se também aos 2,3 leitores desta bagaça, gente que gosta de poesia e às vezes se arrebenta de paixão. Os votos são estes (sem emoji):

É para todos que eu desejo um novo ano de novas paixões (ou paixões antigas revigoradas), cheio de medalhas, travessias, palestras, poesias, atitudes e gestos de solidariedade comovedora, muitos livros vendidos, bebês saudáveis sendo ou a ser gerados e, claro, sucesso e realizações profissionais e pessoais, saúde, alegria, paz e amor (quase que eu esquecia de falar que dinheiro também é bom!). É isso.