terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

ATUALIZAÇÃO DE LINGUAGEM

LINGUAGEM ANTIGA
 

NOVILÍNGUA

SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS - MÁRIO QUINTANA

“E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.”

Maravilha! Nem em seiscentos e sessenta e seis anos eu conseguiria escrever um verso tão lindo como esse.

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…

Quando se vê, já é 6ª-feira…

Quando se vê, passaram 60 anos…

Agora, é tarde demais para ser reprovado…

E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,

eu nem olhava o relógio

seguia sempre, sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.


POST DA SOLIDARIEDADE

Sou um “catador de milho” juramentado, (essa é das antigas!), por isso demoro muito para escrever minhas bobagens. Além disso, sou um reciclador de nascença quando o assunto é texto escrito por mim há mais tempo. Juntando as duas coisas, às vezes acontece o que aconteceu com o texto “Sessenta e Seis” que saiu no blog e que resolvi postar também no Facebook.

Não entendi muito bem o motivo, mas o fato é que o texto causou alguma confusão, gerando comentários de consolo que foram bem legais e até dúvidas pelo meu aniversário.

Agradeci as manifestações de solidariedade (uma das “amigas” disse que eu sou uma “pessoa de espírito evoluído”, o que me deixou meio cabreiro), mas esclareci que não estou hoje do jeito descrito no “post da solidariedade”, pois o texto é mais antigo, de uns meses atrás. Resolvi postá-lo de bobeira, pois estava dando uma revisão nas "liberdades poéticas" que ele contém.

E isso vale também para o blog: normalmente nunca uso meias e chinelos, menos ainda camiseta puída na barriga (sou velho, mas tenho um mínimo de vaidade, pô!). Por isso, volto a lembrar, o texto causador da confusão corresponde a um estado de espírito de meses atrás. Mas às vezes sou mesmo meio "melanchólico", provável herança genética da família de meu pai.

Talvez por isso os textos mais sérios que escrevo podem apresentar alguma melancolia, principalmente se abordarem a passagem do tempo. Porque, cá pra nós, ao contrário das novelas da Globo e dos filmes românticos, a vida nunca tem final feliz, não é mesmo?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

SESSENTA E SEIS

Hoje, bem cedo, a melancolia apareceu aqui em casa.
Não tocou a campainha nem pediu licença.
Simplesmente c
hegou e foi entrando.
Talvez por isso eu esteja hoje com sessenta e seis anos completos,
No corpo, na alma, na mente.


Cabelos despenteados,
Olhos congestionados,
Calça de moleton e uma camiseta velha
Puída na barriga.
Meias nos pés e chinelos completam a indumentária.


Angustiado, sem rumo, sem lugar,
Idoso.
Inadequado, inoportuno, impertinente, indesejado.
Talvez por isso eu me sinta hoje com sessenta e seis anos completos. 
No corpo, na alma, na mente.

LITERATICES

Mesmo que continue achando que a realidade pode ser muito mais louca que a ficção, ultimamente tenho cometido alguns deslizes e brincado de fazer literatices. Segundo li no dicionário, "literatice" é sinônimo de "literatura de má qualidade e pretensiosa; literatismo". Mas essa definição é a cara do Blogson!

Por isso, resolvi criar (mais) uma seção no blog, que levará o merecido título de "Literatices". As tentativas ridículas de fazer literatura (prosa e poesia) serão redirecionadas para a nova seção. O que não muda nada.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

MENU

Para quem não conhece, a imagem abaixo corresponde ao menu de utilidades à disposição de Jotabê, para que ele exercite quase diariamente sua falta de jeito, tato e senso.

Mas se você imagina que seria bom encontrar uma dessas ferramentas no Facebook, pode esquecer.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

COMENTANDO AS RECENTES - 032

Olha a notícia que eu li no portal G1:

A cerca de duas semanas da data prevista para ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Alexandre de Moraes passou por uma "sabatina informal" em um jantar no barco do senador Wilder Morais (PP-GO) na última terça (7).

"Compareci e fui surpreendido que a reunião ocorresse em um barco atracado nessa residência."

Você consegue imaginar o que foi conversado? Eu não sei o que foi abordado, mas imagino que em algum momento um dos presentes pode ter dito:

“Estamos todos no mesmo barco”.

COMENTANDO AS RECENTES - 031 (TRUMP E DILMA)

Que maravilha!

http://veja.abril.com.br/economia/trump-e-dilma-agem-de-modo-igual-dizem-forbes-e-bloomberg/

ASTRONAUTA


Mesmo que siga padrões de conduta
Ainda que me curve às convenções
Até quando obedeço sem discutir
Sou livre
Por dentro, sou livre

No lugar de onde venho
Nunca segui normas
Nunca li manuais
Sempre descarto bulas
Sem ler.

Nunca respeitei regras
Desconfio de leis imutáveis
Nunca redigi atas
Nem estudei relatórios
Desprezo assembleias e conciliábulos

Abomino irmandades secretas
Guardiãs de irrelevâncias e mitos.
Incomodam-me ritos e rituais
Rejeito dogmas e tradições.

Livre de amarras, peias, correntes, algemas,
Astronauta solitário em planeta deserto
Habitante do meu mundo interior
Livre.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

COMENTANDO AS RECENTES - 030


É curioso como uma simples piada pode nos fazer pensar. Hoje, sintonizado na Band News FM, ouvi o Zé Simão fazer um jogo de palavras com “foro” e “Moro”relacionado à indicação do Moreira Franco para ministro.

Graças à ajuda de um dos meninos, percebi uma coisa que ainda não tinha pensado (sou meio retardado): o juiz Sérgio Moro não chega nem chega perto do Aécio, Temer e outros figurões com cargo de ministro ou com mandato de senador/ deputado, por uma simples razão: todos tem “foro privilegiado”.

Ou seja, com foro, “no” Moro. Seria bacana adotar como tema musical para os políticos eleitos e ministros de estado investigados pela Lavajato uma música antiga do Alice Cooper. Qual? No “Moro”, Mr. Nice Guy. Show!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

COMENTANDO AS RECENTES - 029

Brasília é mesmo ótima para fornecer material para esta seção do Blogson ("Calha Política")! Não é à toa que o nome surgiu de "politicalha". Olha só esta notícia:

“Deputados aprovam urgência de projeto que reduz punições a partidos
Na primeira sessão deliberativa do ano, parlamentares deram prioridade de votação a um texto que confronta resolução do TSE e retira punição a partidos que não prestarem contas”.

Depois de ler isso noticia no portal G1, fiquei pensando (de novo) que os políticos em Brasília realmente movem-se como se estivessem dentro de um aquário, não se incomodam com o que acontece “do lado de fora”, fazem conchavos, acordos, negociatas e todo tipo de putaria como se ninguém os estivesse vendo “nadar”. Aí tive de reciclar dois posts antigos sobre o mesmo tema, o mesmo sentimento de revolta.

"E mesmo que estejam sendo vistos não ligam a mínima para nós mamíferos, pois têm respiração branquial, tiram seu oxigênio da água, uma água cada vez mais suja, turva e poluída. Mas, é como disse pragmaticamente uma vez o diretor de uma empresa onde trabalhei: - 'água turva é que tem peixe graúdo'”.

"O que sobra é uma imensa tristeza pela situação por que passa o país e povo brasileiro. Comentando essas tristezas com meu filho, disse a ele que o que me preocupa é que tipo de futuro aguarda os jovens deste país, porque nós, os aposentados - uns mais outros menos - já estamos com a vida ganha. Mas, pensando melhor, diria que os idosos não estão com a vida ganha, estão mesmo é com a vida perdida".



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

COMENTANDO AS RECENTES - 028

Pelo que aprendi, é prerrogativa do Presidente da República indicar um nome para a vaga do Supremo Tribunal Federal. Entonces, a indicação do atual Ministro da Justiça para essa vaga está dentro das normas e regulamentos.

Mas essa indicação me fez lembrar de uma daquelas frases que, de tão boas, são utilizadas nos mais variados contextos. Eu a aprendi quando meus filhos participavam do encontro de jovens da igreja do meu bairro, movimento que tinha como patrono o velho e bom Saulo de Tarso, também conhecido por São Paulo.

Em sua “Carta aos Coríntios” (não, não havia ainda futebol naquela época), passou a régua na comunidade cristã de Corinto (entendeu agora?), quando disse de forma lapidar:


“Tudo me é lícito, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu de nada me farei escravo” (Cor. 6,12). Mas parece que o Temer não lê a Bíblia...

COMENTANDO AS PENÚLTIMAS - 026

Em minha opinião, o discurso que o Lula fez no velório de sua esposa alternou emoção e dor sinceras com oportunismo político. OK, para quem adora um tijolinho, um palanque, era de se esperar. Mas gostei de algumas frases ditas por ele. E gostei tanto que transcrevo agora para comentá-las:

“Espero encontrar com ela, com esse mesmo vestido que eu escolhi para colocar nela, vermelho, para mostrar que a gente não tinha medo de vermelho quando era vivo, e não tem medo de vermelho quando morre”.


O que posso dizer é que eu também não tenho medo de vermelho! Meu carro é vermelho (mas uso espelho pra me pentear) e as camisetas que uso com calça jeans são preferencialmente vermelhas ou pretas (sou um idoso descolado, meio heavy). Resumindo, gosto muito da cor vermelha, mas se tiver de escolher, prefiro o vermelho da Ferrari.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SAIU NO FEICIBUQUE - 024

QUER REFLETIR UM POUCO?
Criar um perfil no Facebook permitiu-me observar a paixão extremada de algumas pessoas quando o assunto são os acontecimentos políticos dos últimos anos no Brasil e tudo a eles relacionados. O embate “Direita vs. Esquerda” consegue provocar mais reações e comentários extremados que um clássico do futebol, que um jogo decisivo entre Atlético e Cruzeiro, por exemplo. Para mim, essa é uma descoberta incômoda e difícil de aceitar, não porque duvide, mas por não concordar. Os sentimentos que esse radicalismo me provocam são Surpresa, Raiva, Desprezo, Consternação e Tristeza, nunca de Aprovação.

Há muitos anos li na internet um discurso excelente feito pelo publicitário Nizan Guanaes, convidado para paraninfo de um curso de comunicação. Em sua fala ele fez uma citação do livro do Apocalipse (verdade!), ao dizer aos formandos “seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito”.

Pensando no nosso dia-a-dia, acredito que são palavras sensatas, acho mesmo que devemos procurar ser “frios” ou “quentes” (jamais “mornos”) em nossas convicções, em nossa forma de ver a vida, o mundo. Mas não entendo nem aceito que devamos ser “escaldantes” ou “gelados”, “labaredas” ou “pedras de gelo”, pois crenças, opiniões e convicções extremadas nunca foram sinônimo de Certezas.

A PROPÓSITO DAS REDES SOCIAIS

Duas frases para fazer pensar (ô trem difícil, sô !!!):

“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade". (Umberto Eco)


sábado, 4 de fevereiro de 2017

SAIU NO FEICIBUQUE - 023


UMA AMIZADE DE FACEBOOK

Creio que foi em 1976 que aconteceu o caso que vou contar agora. Tínhamos pouco tempo de casados quando um amigo trouxe à nossa casa dois sujeitos meio estranhos, com cara de cantores de música brega, de zona ou coisa parecida. Não eram. Eram músicos geniais e talentosíssimos. Um deles, meio gordo, pegou meu violão e começou a tocar “Trem Azul”, do Lô Borges, enquanto o outro cantava. Fiquei impressionado pelos acordes sofisticados que fazia. Na hora da parte instrumental, reproduziu nota por nota aquele solo famoso do Toninho Horta, me deixando de boca aberta e quase em estado de choque. Depois disso, o cantor pegou o violão e mandou super bem. O cantor chamava-se Abner e o violeiro tinha o apelido de Lissinho. Nunca mais os vi, mas foi uma experiência magnífica que eu nunca esqueci e que gosto sempre de lembrar.

Anos depois, eu estava “garimpando” aquelas bancas de saldo de vinis que existiam nas lojas de discos no centro de BH, quando dei de cara com um LP feito "a cinco mãos" por Fernando Bocca (um cantor e compositor de BH, já falecido), o grupo Pendulum e mais três intérpretes desconhecidos. Tomei o maior susto quando vi que um dos “desconhecidos” era o Abner, aquele que tinha cantado “Trem Azul” ao meu lado, na nossa casa! Claro que comprei o disco, mas confesso não me lembrar das músicas.

Pois bem, um belo dia (era noite, para ser sincero), um amigo que é engenheiro, compositor, tecladista e agitador cultural Chico Moura promoveu um festival de música na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza, que teve até canja do Lô Borges (o Chico conhece meio mundo!). Qual não foi minha surpresa ao descobrir que um sujeito chamado Bine Zimmer já tinha se apresentado e que ele era o mesmo Abner do "Trem"! Fiquei tão feliz que cheguei perto dele e comecei a tentar contar o caso da música do Lô, mas ele já estava para lá de trêbado. Mesmo assim me deu o número de seu celular, mas a coisa morreu por aí.

Depois de ter criado um perfil no Facebook vivo recebendo sugestões dessa rede para “solicitar amizade” de gente que nunca vi mais gorda (ou magra). Geralmente recuso todas as sugestões, mas um dia dei de cara com o Biné, que é amigo do Chico Moura. Não pensei muito e solicitei sua amizade, mesmo sabendo que somos ilustríssimos desconhecidos um para o outro. E ele aceitou.

Eu sei que foi muita falta do que fazer ter solicitado sua amizade no facebook, e isso só me ocorreu por ele e seu amigo Lissinho terem sido protagonistas de um momento musical mágico em minha casa no longínquo ano de 1976. E o fato de ele ter aceito me deixa muito feliz, mesmo que nós não nos conheçamos de verdade (provavelmente continuaremos sempre assim). Para um músico frustrado como eu, cujo sonho de juventude era tocar guitarra em banda de rock (solista, por favor), é bacana ter como "amigo" um músico talentoso e com CDs gravados, mesmo que a amizade seja apenas virtual, uma "amizade de Facebook".

Para celebrar essa amizade virtual, resolvi divulgar uma música sua, muito bonita. O vídeo tem imagens incríveis de Santa Tereza e da moçada do Clube da Esquina. Além disso, resolvi mostrar as imagens da capa e contracapa do LP onde ele provavelmente deu os primeiros passos como músico profissional.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

COMENTANDO AS PENÚLTIMAS - 25

Do jeito que têm andado as finanças do estado do Rio de Janeiro, daqui a pouco os salários dos servidores estaduais poderão até ser comparados às piadas do Blogson: impagáveis (ah, ah, ai, ai...).