sábado, 3 de janeiro de 2026

REVEILLON

 
Deram-me a ler outro dia
um livro sobre como morrer.
Pensaram talvez ser cuidado, empatia,
por me verem tanto sofrer.
Mas ninguém perguntou se eu queria,
se era isso que eu tinha de ler.
 
Não consegui perceber
e, confesso, jamais consegui entender
como era ingenuamente feliz.
Acreditava bastar só um clique
para pôr fim a meus chiliques
e a tudo que não compreendia.
 
Como era tolo, infantil,
como eu era imaturo!
Não conhecia perdas reais,
Não sabia o que era perder,
o significado real de perder
o maior bem da minha vida.
 
Hoje não penso em morrer,
mas sei que enquanto viver
lamentarei ter sofrido
por motivos banais e vivido
como se fosse o mais oprimido,
como se não fosse eu o bandido.
 
Não sabia o quanto gostava,
não sabia o real valor
de quem sempre esteve comigo,
de quem não tornarei mais a ver.
Agora eu sei que esta dor
é uma dor que não sairá mais,
 
Nunca mais.
 
(escrito na madrugada do dia 01/01/2026)

 

 

5 comentários:

  1. Gostei do poema. Ele é verdadeiro pois vem da alma.

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    1. Obrigado, Edu. Mas já ouvi reclamação por ter sido muito severo comigo mesmo. E eu acho que não fui.

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  2. Olha aí, penso que valeria muito a pena dar uma atualizada no livro recém-lançado sobre ela, a fim de integrar essa poesia e mais uma ou duas postagens que li aqui e mereciam estar lá. A menos que tenha intenção de fazer um livro 2. Talvez, com o título "Ainda Estou AQui - Sem Ela Para Me Fazer Sorrir".

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    1. Não sei, Fabiano, tenho me perguntado se fiz bem em publicar o livro, se foi mesmo uma homenagem a ela ou apenas um exibicionismo meio mórbido da minha parte. Talvez a homenagem devesse ter ficado apenas no blog.

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    2. Nossa, você é o homem que viveu com ela. Qual é o problema, para pensar dessa maneira? Você tem a opção de tirar o livro. Se não me engano, acho que é "arquivar" ou algo parecido. Daí ele não é mais mostrado na loja. Se está tão desconfortável, faça isso. Achei que seria ótimo pra você.

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