Aviso
às leitoras e leitores deste blog desconjuntado: este texto é humor
confessional. Não é manual de conduta, nem pedido de absolvição.
Quem leu as postagens publicadas no mês
passado, onde registrei toda a dor da perda da mulher da minha vida, poderá se
assustar e ficar chocado, decepcionado, constrangido ou irritado ao ler este
texto. Provavelmente mais ainda ficará se for moralista, carola, conservador ou
pudico. Talvez até pense que eu menti ao expor a dor que sentia e ainda sinto por não ter mais ao meu lado a minha amada Lily. Mas espero que não seja tão
preconceituoso, pois vou falar do que sempre senti e pensei.
Um dia, Leila Diniz – atriz já falecida e
talvez a primeira musa da Banda de Ipanema – disse achar normal amar
profundamente uma pessoa e ir para a cama com outra. Um comportamento pouco
usual, provavelmente condenado pela maioria das pessoas, mesmo que desejado e
fantasiado por muitos. Eu mesmo já tive esse desejo, por mais condenável que
possa parecer.
A razão de dizer isso agora é ter perdido a
mulher que amei a vida toda – fato que lembra o rompimento de uma barragem:
nada permanece como era antes. Desde sua morte surgiu um desejo insuspeitado e
avassalador de poder abraçar, acariciar e beijar um corpo feminino, de querer
ter contato com a pele nua de uma mulher. Nunca pensei tanto em sexo como
agora!
Talvez um dos motivos de todo esse tesão possa
ser o fato de nunca mais, desde o descobrimento da doença, em março de 2023, ter
tido relações sexuais com ela (nem com ninguém, pois sempre fui fisicamente
fiel).
E o desejo de falar sobre isso agora tem
também um efeito libertador: o de me mostrar como sempre fui, criado em uma
família em que a maioria dos homens traía suas esposas. Eu nunca traí a minha –
pelo menos, não fisicamente. Tudo aconteceu mais no terreno da fantasia sexual,
no desejo reprimido (talvez mais por medo de ser descoberto). Um desejo
platônico, eu diria. Mas nem por isso menos intenso ou perturbador.
Há um programa exibido em um canal de TV a
cabo que mostra o dia a dia de uma família mórmon, formada por um homem e
quatro esposas. Caraca! Como ele consegue dar conta de tudo? Como consegue
atender a todas? Fico até imaginando o cronograma: segunda e terça-feira, esposas 1 e
2; quarta-feira, dia de dormir até mais tarde, de recompor as energias; quinta
e sexta, esposas 3 e 4; sábado, dia de descanso, com muita gemada, catuaba e
ovo de codorna; domingo, dia de assistir aos jogos de basquete ou futebol
americano. E, à noite, talvez um filminho pornô para acabar com a monotonia. É,
porque o cara tem de ter uma disposição de touro reprodutor e apetite sexual de
coelho!
Por eu ser um cara bem menos que mediano, jamais
teria energia suficiente para não decepcionar nem deixar na mão (sem
insinuações maldosas, por favor) quatro parceiras. Apesar disso, eu sempre
desejei ser bígamo, ou melhor, trígamo, pois meu sonho sempre foi me relacionar
– ou ser casado – com três mulheres. Mas não de forma genérica, não fantasiosa.
Cada uma das três existe ou existiu, tem CEP, GPS e fez ou faz parte da minha
vida. Verdade!
Um dia, durante uma conversa em alguma festa,
surgiu um assunto meio indigesto. Uma jovem extremamente atraente e gostosa
perguntou qual mulher famosa eu achava mais linda. Inocentemente, respondi:
– Luisa
Brunet.
E minha mulher, a mais ciumenta que já
existiu, trucou na hora:
– Ah,
é? Quer dizer então que você acha a Luisa Brunet linda? Bom saber!
Nunca mais pude admirar despreocupadamente a
beleza e a gostosura dessa modelo, pois bastava ela aparecer em alguma revista ou programa de
televisão para ouvir:
- Olha aí sua lindeza. Não sei o que você viu nela! Mulher horrorosa!
Tempos depois, em outra festa e aproveitando
que minha mulher não estava por perto, a mesma jovem perguntou maliciosamente
quais eram minhas fantasias sexuais, já provocando:
- Luisa
Brunet?
Minha resposta foi que minhas fantasias
sexuais eram pessoas reais de BH. Mal sabia a bisbilhoteira ser ela própria uma
das minhas mais duradouras fantasias sexuais – com quem sonhei várias vezes,
inclusive com direito a sonhos molhados. Mas nunca me atrevi a tentar um contato de terceiro grau com ela.
Pode parecer calhorda e muito machista o que
vou dizer, mas meu sonho – mesmo sem ter “competência
para me estabelecer” – seria ter três mulheres, numa trigamia afetiva: o
amor da minha vida seria a principal, destinada a ser amada todos os dias e para sempre; a
segunda seria uma antiga namorada, apenas para ficarmos de mãos dadas,
namorando e falando besteirinhas; a terceira seria justamente a gostosa
perguntadeira, só para fazermos o sexo mais selvagem possível. Ê, vidão!
Se você, cara leitora, está escandalizada por
eu ter despido a minha fantasia de gentilhomem (mesmo mantendo a roupa de baixo),
relaxe, pois, como dizia o Tavares,
personagem canalha criado pelo Chico Anísio:
- “Sou,
mas quem não é?”
Esta declaração – tão machista nos dias
certinhos de hoje – é a prova de que podemos controlar o corpo, mas o cérebro é
incontrolável, soberano em suas fantasias e desejos. E só pude fazê-la agora, sem
correr o risco de magoar a minha para sempre amada ou de ter meu saco pendurado
em um prego. Hoje, apesar de velhusca e bem arruinada, eu ainda encararia a
gostosa de outros tempos. Sabe como é, fantasia sexual não tem data de
validade!
Adorei.
ResponderExcluirSomos mesmo muito pudicos. E hipócritas. A poligamia já teve seu valor e necessidade, diria eu. Como a humanidade poderia "crescer e multiplicar" conforme mandamento divino bíblico, se um homem fosse só de uma só mulher a vida toda? Todos os heróis bíblicos, todos, foram polígamos. Salomão foi o maior de todos.
Os mórmons tem meus respeito, mas eles vivem uma vida totalmente diferente de uma cidadão não mórmom.
Uma feminista chata logo gritará a plenos pulmões que isso é machista e patriarcal. foda-se. (com todo respeito). O mundo foi forjado assim, com machos espalhando sua semente em muitas terras férteis...
Não sei eu gostaria de ser casado com três mulheres. Hoje em dia? Imagina o desgaste disso. Mas há por ai trisais que dizem viver bem (tenho minhas dúvidas).
Graças a todos os deuses minha esposa não tem esse negócio de ficar controlando quem eu acho bonita ou gostosa. Digo na frente dela, e tudo bem. Ela sabe também, que a despeito de todas as fantasias, sou fiel e acharia muito trabalhoso ,por exemplo, ter uma amante.
E só pra mostrar como sou moderno e "desconstruído", ela pode dizer na minha frente, "olha que cara mais bonito!" que eu não ficaria nem um pouco abalado. Se fosse bonito mesmo eu até concordaria.