- Você acredita em espiritismo?
- Por que está perguntando?
- Curiosidade...
- Olha aqui, palhaço, já vou avisando: no Brasil preconceito religioso é crime, falou?
- Eu não tenho preconceito contra religiões! Só desconfio de certezas absolutas, inclusive das minhas.
- Cuidado com as idiotices que gosta de falar!
- Afinal, você acredita ou não acredita?
- Eu sou ateu, um cara que crê na descrença.
- Olha o filósofo!
- Vamos mudar de assunto?
- Só se for para falar de psicografia.
- Lá vem você!
- Meu vizinho ganhou de um amigo um livro psicografado por esse amigo. Mas ele só entende de futebol e cerveja, não necessariamente nessa ordem.
- E daí?
- Daí que ele me emprestou o livro, pedindo para eu dar minha opinião.
- Terceirizou a leitura, né?
- Pois é. Comecei a ler, mas achei os textos muito banais, piegas, excessivamente “edificantes”. Mesmo sem conhecer porra nenhuma do autor psicografado – exceto a fama de poeta maldito – não consegui deixar de pensar no que disse um crítico literário quando lhe perguntaram sobre livros psicografados. A resposta dele foi fulminante: disse não entender nada do mundo dos espíritos, mas que a morte fazia muito mal para o estilo dos autores psicografados.
- Já imagino que sua avaliação não será muito animadora para quem te emprestou o livro.
- Pois é. Se o psicografador publicasse o livro assumindo claramente a autoria, não haveria problema algum. Bom ou ruim, seria ele ali, em cada texto, não um autor falecido.
- Você acha que ele inventou tudo?
- Não, de jeito nenhum, só acho que ele acreditou receber do Além algo que, no fim das contas, vinha da própria cabeça.
- Pela primeira vez na vida você está dizendo coisa com coisa. Impressionante!
- Mas eu ainda nem acabei o raciocínio! Imagine textos como os que são publicados no Blogson Crusoe. Aquilo é tão ruim que poderia muito bem ser apresentado como psicografia ditada a um senhor idoso por um espírito com zero vocação literária.
- Eu sabia que vinha provocação por a! E quem seria esse espírito tão pouco inspirado?
- Ué, só pode ser Jotabê, que assina todos os textos. Sei lá, vai que ele já morreu e esqueceram de lhe avisar.
- Valei-me Santo Allan Kardec!
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