terça-feira, 20 de janeiro de 2026

BLOCO DE GRANITO

 
Minha mulher tem uma prima que mora há muitos anos em Portugal, depois de vender tudo o que tinha aqui e mudar-se definitivamente para lá, levando marido e filha. Não sei a frequência com que vem ao Brasil, só sei que em uma dessas promoveu o encontro das primas, momento registrado em uma foto linda que me mandou há uns três dias. Não sei em que ano foi isso, mas deduzo ter sido antes da descoberta da doença terminal da minha Amada. E ela estava linda na foto!
 
Tenho tentado me manter na superfície, mesmo que nem saiba exatamente para quê. Mas rever suas imagens, seu permanente sorriso, sua beleza irretocável, isso me derruba, me afoga, como se fosse jogado na água com uma pedra amarrada em meus pés. Nesses momentos eu sinto o efeito da solidão, de estar só. Sinto por dentro um vazio tão cheio, uma falta tão pesada, que pesa como um bloco de granito que cai do caminhão que o transportava e fica ali, na beira da estrada, à espera de alguém que o remova.
 
Para agradecer a gentileza por ter-me enviado uma foto tão linda, pedi ao ChatGPT para fazer o desenho de duas fotos em que eu e ELA estávamos juntos, em preto e branco, mas exatamente iguais aos originais (uma foto era colorida). E enviei o resultado para a prima de Portugal. 20 dias depois desta última foto fui condenado a não tê-la nunca mais ao meu lado.



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