segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

BOLA-GATO?

 
Depois de alfabetizado e já conhecedor de alguns palavrões, comecei a procurá-los às escondidas no “Dicionário Escolar da Língua Portuguesa”. Embora fossem palavras e expressões corriqueiras – cu, puta e seu respectivo filho, viado e outros de mesma elegância –, não encontrei nenhum, nem mesmo uma reles bunda. Parece que a incorporação de palavras chulas aos dicionários tipo Aurélio aconteceu de forma progressiva ao longo do século XX, como forma de se obter um registro completo da língua portuguesa falada no Brasil, o que acho sensacional. Obviamente, um “dicionário escolar” do início do século passado jamais exibiria em suas páginas essas putarias ditas nas ruas.
 
O tempo passou e um dia, assistindo no auditório de uma empresa onde trabalhei a uma conferência sobre comunicação, a palestrante começou a perguntar à plateia se sabiam o significado de várias palavras e expressões usadas “pelos filhos de vocês”, argumentando sobre a necessidade de comunicar-se com todo mundo, e que isso pressupunha saber como atingir seu “público”, independente da idade ou nível cultural, principalmente em se tratando de sexo e drogas.
 
Uma das expressões citadas por ela foi “bola-gato”. E destrinchou: bola-gato em inglês significa “ball-cat”, com sonoridade semelhante a “boquete”, sinônimo vulgar de felação (que muita gente pratica sem saber da existência dessa palavra). Falou também do manjado “meia-nove” e do “frango assado”, posição sexual que facilita muito a entrada do passarinho – mas que não deve ser confundido com “frango a passarinho”.
 
Estava pensando em escrever uma crônica contando esta história, mas não consegui me lembrar de mais nenhuma das outras palavras e expressões ouvidas na palestra. Apenas me lembro de uma jovem extremamente atraente sentada logo à minha frente, que demonstrou manifesto domínio do assunto ao “traduzir” os vários significados, em voz baixa e simultaneamente com a palestrante. A diferença era o tom de voz: alegre e animada dita ao microfone pela conferencista e suspirosa, dita quase miando, pela gata.
 
Depois disso a imprensa divulgou a expressão “golden shower”, que define uma prática sexual repulsiva e inacreditavelmente postada em suas redes sociais por um ex-chefe de Estado e atual presidiário. Dignidade zero, já viu, né? Mais recentemente ouvi falar de “beijo grego”, prática de gosto pra lá de duvidoso. Recentemente, em um canal de TV a cabo ouvi as expressões “sugar baby” e “sugar daddy”, expressões que não saberia dizer se têm uso corrente no Brasil. Depois disso, não descobri mais nenhuma.
 
Isso me fez perceber minha ignorância nesse tipo de linguagem, facilmente explicada pela minha idade provecta, pela minha natural pudicícia e elevados valores morais, claro. Por isso, caso os leitores ou leitoras queiram contribuir para abrilhantar este texto, podem informar as palavras e expressões de que conhecem o significado (apenas teórico, lógico), para que eu as inclua neste texto tão desconchavado, que tenta fazer bom uso da língua, desmistificando e aceitando sem drama uma eventual vulgaridade. Podem me ajudar?

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