Em uma cidadezinha do interior do Nordeste há duas coisas
extremamente valorizadas e potencialmente polêmicas: as disputas apaixonadas da
política local e a capacidade de um homem gerar um descendente do sexo
masculino, prova inconteste de sua masculinidade.
Pois aconteceu de um sujeito não conseguir
gerar o tão desejado filho varão, depois de quatro tentativas frustradas. Ao
saber que a esposa estava grávida novamente, a primeira providência foi fazer
um exame de ultrassom, quando se constatou que teria mais uma filha. Aquilo já
passava do limite do tolerável!
Com a ajuda de um obstetra muito discreto e muito
amigo, conseguiu localizar uma mulher que estava na mesma fase gestacional que a
esposa. Além disso, ela tinha características físicas semelhantes às da
companheira e estava grávida de um bebê do sexo masculino.
Pouco se importando com a canalhice
arquitetada, pagou pelo todos os exames pré-natais e a realização do parto da
desconhecida. A cesárea da esposa foi realizada no mesmo dia. E assim, graças
ao silêncio
do médico e à anuência da esposa, virou pai de um casal de gêmeos.
Mas dizem que não há bem que sempre dure. E
foi a política local a responsável por fazer com que a farsa fosse conhecida e
divulgada, boca a boca, por toda a cidadezinha, pois o orgulhoso papai de gêmeos
e o médico tornaram-se inimigos políticos quando o pimpolho já era adolescente.
Como quem não quer nada, o médico apenas sugeriu
que talvez fosse interessante que o jovem fizesse um teste de DNA. Ao descobrir ser fruto de uma farsa montada
sem lei e sem ética, encheu o “pai” de porrada. Mas a história não acaba aqui.
Serenados os ânimos, curadas as feridas
físicas e da alma, tempos depois, graças a uma mensagem equivocadamente enviada no grupo da família, descobriu-se que quem tanto tentara provar sua
masculinidade, mantinha um caso homoafetivo com um rapaz a quem desejava beijar e "apertar a bunda".
Tecnicamente, pode-se
dizer que o papai machão sempre desejou ter um homem em sua vida, não é mesmo?
Mas rapaz, que causo é esse....!!!
ResponderExcluirEngraçado que eu queria ter uma filha. Tinha quase certeza que quando minha esposa engravidou, o que tinha lá era uma menina. No exame de ultrassom o médico nos olhou e disse: "olha o pintão dele aqui...".
Minha decepção durou meio segundo. Hoje não saberia o que fazer se meu filho não fosse homem. Com H. E sem boiolagens, porque eu sou homofóbico teórico mas não prático.
Rapaz, o caso é real. Quanto ao filho homem, eu sempre quis que nascesse uma Carolina em cada uma das quatro gravidezes da minha mulher. O motivo é ridículo: meus cunhados diziam que iriam levar o menino (que ainda não tinha nascido) para o campo, para o bar, para qualquer lugar. Eu pensei: "esse menino vai ser chato demais!". Aí eu desejei que nascesse uma Carolina. Mas assim que eu bati o olho naquele bebê eu já sabia que nunca mais eu entenderia minha vida sem ele. O mesmo aconteceu com os outros três. E assim, a Carolina se foi para sempre.
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