Como sabem as
pessoas que acessam este blog, minha mulher morreu em consequência de um câncer
no fígado, descoberto quando já tinha surgido uma metástase no quadril. Naquele
momento nós não sabíamos que isso representava sua sentença de morte, estatisticamente
esperada para daí a 21 meses. Faleceu 33 meses depois.
Essa perda mexeu
muito com minha cabeça – e continua a mexer, condenado que estou a dormir em
uma casa vazia, em uma cama vazia. Mas a vida precisa continuar, as contas
precisam ser pagas, os aniversários de filhos e netas precisam ser comemorados.
E a cabeça voltou a pensar e formular teorias malucas, sem nenhum respaldo
científico. E é da mais recente que vou falar.
Um médico amigo de
meu filho disse que “tecnicamente câncer
não mata ninguém. A bagunça que ele faz é que mata” Pensando nisso e depois de ler sobre como ocorre o surgimento e a multiplicação descontrolada de
células cancerosas – que saem desativando o que deveria estar ativo e ativando
o que não deveria ser, capazes inclusive de estimular a formação de novos vasos
sanguíneos para se nutrir, drenando energia do corpo, fiquei matutando na
possibilidade da evolução das espécies ter acontecido graças a mutações semelhantes, mas “do
bem”.
Procurando confirmação
para mais esta teoria miojo (aquela que fica pronta em três minutos mas o
resultado é sempre uma merda), apresentei meu raciocínio ao ChatGPT (meu
consultor para assuntos aleatórios e inúteis):
Pensei em uma teoria louca: a evolução
das espécies pode ter acontecido de forma rápida, usando os mesmos mecanismos
de multiplicação das células cancerosas. Que acha disto?
E ele respondeu:
Ideia nada boba — e não é tão “louca”
quanto você imagina. Ela toca em pontos reais da biologia, mas mistura
mecanismos que hoje entendemos como relacionados, porém não equivalentes.
A
biologia já abandonou há bastante tempo a noção de que a evolução acontece
sempre de forma lenta e gradual. Hoje se aceita que longos períodos de
estabilidade podem ser interrompidos por surtos relativamente rápidos de
mudança — o chamado equilíbrio pontuado. A velocidade, portanto, não é o
problema da teoria.
O
paralelo com o câncer também não é gratuito. Células cancerosas se multiplicam
rapidamente, acumulam mutações em alta velocidade, ignoram mecanismos normais
de controle e competem entre si, de modo que as mais eficientes acabam
dominando. Dentro de um tumor, existe algo muito parecido com seleção natural:
uma forma de evolução acelerada, só que em escala celular. Não por acaso,
existe até um campo de estudo chamado evolução somática, que analisa populações
de células evoluindo dentro de um organismo. Mutação aleatória, seleção das
mais adaptadas e expansão rápida são princípios que valem tanto para células
quanto para espécies.
Onde a
analogia começa a falhar é no resultado final. O câncer não produz nada viável
a longo prazo. Ele destrói o organismo que o sustenta. As mutações que o
favorecem não são herdadas por uma população, não passam pelo crivo do ambiente
e não constroem sistemas integrados. A evolução das espécies, ao contrário,
depende de cooperação, herança, estabilidade e integração funcional. Não basta
multiplicar rápido; é preciso funcionar como um todo.
Ainda
assim, existem na própria história da vida processos que lembram essa fase
inicial caótica: explosões adaptativas, como a explosão cambriana, e grandes
duplicações gênicas, em que o material genético cresce rapidamente antes de ser
“organizado” pela seleção natural. A evolução real parece ter sido bem mais
bagunçada, excessiva e experimental do que os livros didáticos costumam
sugerir.
A
reformulação mais aceitável da ideia seria algo como isto: a evolução pode ter
ocorrido, em certos momentos, em surtos rápidos de proliferação e mutação
intensa, semelhantes aos mecanismos vistos no câncer, mas que só se tornaram
evolução de fato quando foram estabilizados, refinados e contidos pela seleção
natural. O câncer seria, então, um exemplo extremo e local desse motor
evolutivo básico — poderoso, rápido e cego — funcionando sem freio.
Conclusão:
Sua intuição é boa, pois você percebeu que multiplicação + mutação + seleção são
universais; você identificou que processos acelerados existem na natureza. O
erro seria esquecer que, para continuar existindo, a vida precisou aprender
exatamente aquilo que o câncer não aprende: parar.
Depois
de toda essa erudição, só posso dizer que não estranharia se me indicassem para
algum Prêmio Nobel. Ao contrário do beligerante Donald Trump, que ficou magoadinho
por não receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, eu humildemente recusaria essa
honraria. Agora, a grana do prêmio eu não dispenso!
Papo interessante.
ResponderExcluirEu sempre desconfiei da teoria evolucionária exatamente porque tem muito "é possível que". Não que eu discorde da teoria mas ela tem muitas variáveis e muitas opiniões de especialistas diferenciadas. Deve ter sido assim, mas me causa perplexidade que alguma mutação possa ter servido para o aprimoramento de alguma espécie. Mutações são quase que em 100%, maléficas. Como o câncer.
Bom, as espécies só se diversificaram e evoluiram graças às mutações que foram sendo testadas pela Natureza. SE assim não fosse, até hoje seríamos só micróbios, bactérias. A minha ideia surgiu da hipótese de ser uma coisa mais acelerada, mas não de forma destrutiva. E pensei nisso por nunca se encontrar o "elo perdido" entre a espécie ancestral e a que fez sucesso depois. Mas isso é papo de bêbado em mesa de bar. E eu não bebo!
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