quarta-feira, 10 de junho de 2026

QUANDO VIER A PRIMAVERA- ALBERTO CAIEIRO

 
Meu Deus, como era bom o Alberto Caieiro, ou melhor, o multifacetado Fernando Pessoa(s)! Queria ser capaz de escrever com um décimo, um vigésimo da beleza de suas palavras!
 
Quando vier a primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. 
A realidade não precisa de mim.
 
Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
 
Se soubesse que amanhã morria 
E a primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo.
 
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é.
 

6 comentários:

  1. Cara, que poema lindo. Sério. Eu me identifiquei.

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  2. Além de poeta, era um grande filósofo existencialista (apesar de talvez ele repudiasse ser filósofo). Em seu poema, "Pensar em Deus é Desobedecer a Deus" ele rejeita a racionalização filosófica ou teológica sobre Deus.

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    1. Este é um assunto que dá pano para manga! Hoje, por coincidência, fiz um comentário no blog Rô meu diário, onde transcrevi algumas frases do padre jesuita Teilhard de Chardin, que destacava a diferença entre religião e espiritualidade. Hoje, talvez eu e você tenhamos uma visão mais crítica das religiões, mas seguimos agarrados à religiosidade e espiritualidade

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    2. O cristianismo faz parte da minha vida desde adolescência, apesar de todos meus poréns, não dá pra jogar fora toda essa cultura, eu não faria tal coisa, por exemplo, me considerando ateu, ou fazendo uma crítica radical contra as religiões

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    3. Não tenho nenhuma dúvida disso! Eu não consigo me considerar totalmente ateu, minhas raizes estão fincadas no catolicismo.

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