quinta-feira, 18 de junho de 2026

ENTRE O MAR E O ROCHEDO

 
Já não sei mais quem sou
Nem dizer quem já fui
Só consigo dizer que passou
O tempo em que não te vi
Um tempo em que só vivi
Com lembranças rondando a mente
Que me deixavam assustado
Tentando ser indiferente,
Por saber ser impossível
Ter você ao meu lado
 
Mas descobri também
Dolorosamente, bem sei
O que é sentir solidão
Sabendo que estava tão perto
E mesmo assim estar só
Sem poder me aproximar
Como se vivesse em um gueto
Onde não gostaria de estar
Solidão insuportável
Inimaginável vicissitude
Vontade de transformar
A solidão em solitude
 
Nunca me senti solitário
Mesmo estando sozinho
Estando apenas comigo
Mas a vida é cheia de cliques
Que ligam ou desligam emoções
Que trazem surpresas consigo
Reprimidas sensações
 
O que me espera agora, não sei
Vivendo entre o céu e o inferno
Marisco entre o mar e o rochedo
Só sei que preciso tentar
Arriscar, me jogar sem medo
De doer, me machucar
Já sabendo que amar
Traz consigo um segredo
Pois se vive alternando
A inanição ou banquete
O paraíso ou degredo
Difícil tentar me manter
Calmo, tranquilo, sereno
Duro é tentar suportar
Conflito assim tão extremo

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ENTRE O MAR E O ROCHEDO

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