O romantismo está no ar! E agora na pena de Pablo Neruda. Afinal, estamos em junho, mês dos namorados e das festas juninas. Nada como lembrar os versos do músico e compositor mineiro Fernando Bocca (falecido): “Bota lenha, alimenta essa fogueira, deixa queimar noite inteira o fogo dos corações”.
Pablo Neruda
Quiero que sepas
una cosa.
Tú sabes cómo es esto:
si miro
la luna de cristal, la rama roja
del lento otoño en mi ventana,
si toco
junto al fuego
la impalpable ceniza
o el arrugado cuerpo de la leña,
todo me lleva a ti,
como si todo lo que existe,
aromas, luz, metales,
fueran pequeños barcos que navegan
hacia las islas tuyas que me aguardan.
Ahora bien,
si poco a poco dejas de quererme
dejaré de quererte poco a poco.
Si de pronto
me olvidas
no me busques,
que ya te habré olvidado.
Si consideras largo y loco
el viento de banderas
que pasa por mi vida
y te decides
a dejarme a la orilla
del corazón en que tengo raíces,
piensa
que en ese día,
a esa hora
levantaré los brazos
y saldrán mis raíces
a buscar otra tierra.
Pero
si cada día,
cada hora
sientes que a mí estás destinada
con dulzura implacable.
Si cada día sube
una flor a tus labios a buscarme,
ay amor mío, ay mía,
en mí todo ese fuego se repite,
en mí nada se apaga ni se olvida,
mi amor se nutre de tu amor, amada,
y mientras vivas estará en tus brazos
sin salir de los mios
Pablo Neruda
uma coisa.
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono em minha janela,
se toco
junto ao fogo
a impalpável cinza
ou o corpo enrugado da lenha,
tudo me leva a ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam
em direção às tuas ilhas que me aguardam.
se pouco a pouco deixares de me amar,
deixarei de te amar pouco a pouco.
me esqueceres,
não me procures,
pois eu já te terei esquecido.
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e decidires
abandonar-me à margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
nessa hora,
erguerei meus braços
e minhas raízes partirão
a buscar outra terra.
se a cada dia,
a cada hora,
sentes que estás destinada a mim
com doçura implacável;
se a cada dia sobe
uma flor aos teus lábios para me procurar,
ah, meu amor, ah, minha,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
meu amor alimenta-se do teu amor, amada,
e enquanto viveres estará em teus braços
sem sair dos meus.
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