quarta-feira, 17 de junho de 2026

HIPERSENSIBILIDADE ONOMÁSTICA

 
Talvez, graças à sonoridade pornográfica e vulgar do meu nome, devo ter adquirido e até alimentado uma “hipersensibilidade onomástica”, pois sempre fico meio descompensado quando descubro novos nomes bizarros, estrambóticos. Isso aconteceu quando me contaram de uma senhora que batizou assim seus filhos: Gleizon, Gleidersen e Gleiber. "Jura?", pensei comigo. Que ela tinha na cabeça? Substâncias ilícitas? Intoxicação alcoólica? Esquizofrenia não medicada, Alzheimer prematuro, depressão pós-parto? Ainda bem que ela provavelmente nunca saberá da existência do Blogson!
 
Nessas horas, é inevitável: eu logo me lembro de meu nome  e apelido, que recebem uma carga quase igual de rejeição, sendo a maior delas para o oxítono “Zé”. Porra, por que tinha de ser só Zé? Sinceramente, hoje eu penso que este apelido tem uma toxidade insuspeitada para os felizardos que foram batizados como Gleizon, Gleidersen e Gleiber, por exemplo.
 
Podem acreditar: depois de refletir muito sobre isso, cheguei à conclusão de que os apelidos oxítonos terminados em “é” são tóxicos, envenenam quem os possui. Zé, Zezé, Mé, Mané, Dedé, Jujé, Tizé, Bodé nenhum se salva. Por isso, criei um neologismo para identificá-los: são apelidos oxítonos tóxicos, ou “toxítonos” (de nada, Houaiss). Poderia até adotar um lema: “não deixe que seu filho já comece a usar drogas ainda no berçário”.
 
Ou, falando seriamente, o nome que os pais escolhem para os filhos deveriam servir para homenagear a criança, jamais um parente, um ídolo do pai ou da mãe, ou um político. Meu irmão chama-se Eduardo em homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes, candidato derrotado à Presidência da República em 1945 e 1950. Como não ganhou, o tempo ajudou a esquecer essa homenagem. Agora se um fanático condenasse seu filho ou filha a assinar seu nome como “Messias” ou “Valdemar” e sua filha como “Janja” ou “Gleise”, isso sim, seria uma puta sacanagem.
 
Esqueci de dizer que o autor deste texto atende pelo nome de José Botelho Pinto.

4 comentários:

  1. Tem pais que não tem noção, não pensam no futuro do filho. "José" é um nome bonito, um "nome santo" como cantou o tiririca. Já o diminutivo "Zé" é de uma pobreza impiedosa.
    Gosto do meu "Edu", ouço desde pequeno.
    Meu avô materno assim nomeou seus filhos:

    Valdir
    Valnício
    Valdivinio
    Valmir
    Valda
    Valdenísia
    Valdira

    Dizia minha mãe que quando ele estava nervoso querendo alguma coisa e queria chamar um dos filhos e não conseguia se lembrar de nenhum dos nomes ele dizia: "vem um valmerda qualquer aqui".

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    1. Agora você captou o meu drama. É isso mesmo que disse: "Zé" é de uma pobreza impiedosa. E seu avô, heim? Se eu fosse o Valnício ou o Valdivinio eu teria pensado em trocar o nome. E qual era o nome de sua mãe?

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    2. ela deu sorte, era o melhor nome: valda

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    3. Tem razão. A família de minha mulher tem uma piada involuntária envolvendo o nome dos filhos: Eustáquio, Edson, Eunice, Eliane, Elizabeth, ERINILDE (feio demais!), Eduardo, Élcio e... João Antônio. Eu sei que o motivo foi homenagear os avôs materno e paterno. mas não deixa de ser engraçado.

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