Talvez, graças à sonoridade pornográfica e vulgar do meu nome, devo ter
adquirido e até alimentado uma “hipersensibilidade onomástica”, pois sempre fico meio
descompensado quando descubro novos nomes bizarros, estrambóticos. Isso
aconteceu quando me contaram de uma senhora que batizou assim seus filhos:
Gleizon, Gleidersen e Gleiber. "Jura?", pensei comigo. Que ela tinha na cabeça?
Substâncias ilícitas? Intoxicação alcoólica? Esquizofrenia não medicada, Alzheimer
prematuro, depressão pós-parto? Ainda bem que ela provavelmente nunca saberá da
existência do Blogson!
Nessas horas, é inevitável: eu logo me lembro de meu nome e apelido, que recebem uma carga quase igual de rejeição, sendo a maior delas para o oxítono “Zé”. Porra, por que tinha de ser só Zé? Sinceramente, hoje eu penso que este apelido tem uma toxidade insuspeitada para os felizardos que foram batizados como Gleizon, Gleidersen e Gleiber, por exemplo.
Podem acreditar: depois de refletir muito sobre isso, cheguei à conclusão de que os apelidos oxítonos terminados em “é” são tóxicos, envenenam quem os possui. Zé, Zezé, Mé, Mané, Dedé, Jujé, Tizé, Bodé nenhum se salva. Por isso, criei um neologismo para identificá-los: são apelidos oxítonos tóxicos, ou “toxítonos” (de nada, Houaiss). Poderia até adotar um lema: “não deixe que seu filho já comece a usar drogas ainda no berçário”.
Ou, falando seriamente, o nome que os pais escolhem para os filhos deveriam servir para homenagear a criança, jamais um parente, um ídolo do pai ou da mãe, ou um político. Meu irmão chama-se Eduardo em homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes, candidato derrotado à Presidência da República em 1945 e 1950. Como não ganhou, o tempo ajudou a esquecer essa homenagem. Agora se um fanático condenasse seu filho ou filha a assinar seu nome como “Messias” ou “Valdemar” e sua filha como “Janja” ou “Gleise”, isso sim, seria uma puta sacanagem.
Esqueci de dizer que o autor deste texto atende pelo nome de José Botelho Pinto.
Nessas horas, é inevitável: eu logo me lembro de meu nome e apelido, que recebem uma carga quase igual de rejeição, sendo a maior delas para o oxítono “Zé”. Porra, por que tinha de ser só Zé? Sinceramente, hoje eu penso que este apelido tem uma toxidade insuspeitada para os felizardos que foram batizados como Gleizon, Gleidersen e Gleiber, por exemplo.
Podem acreditar: depois de refletir muito sobre isso, cheguei à conclusão de que os apelidos oxítonos terminados em “é” são tóxicos, envenenam quem os possui. Zé, Zezé, Mé, Mané, Dedé, Jujé, Tizé, Bodé nenhum se salva. Por isso, criei um neologismo para identificá-los: são apelidos oxítonos tóxicos, ou “toxítonos” (de nada, Houaiss). Poderia até adotar um lema: “não deixe que seu filho já comece a usar drogas ainda no berçário”.
Ou, falando seriamente, o nome que os pais escolhem para os filhos deveriam servir para homenagear a criança, jamais um parente, um ídolo do pai ou da mãe, ou um político. Meu irmão chama-se Eduardo em homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes, candidato derrotado à Presidência da República em 1945 e 1950. Como não ganhou, o tempo ajudou a esquecer essa homenagem. Agora se um fanático condenasse seu filho ou filha a assinar seu nome como “Messias” ou “Valdemar” e sua filha como “Janja” ou “Gleise”, isso sim, seria uma puta sacanagem.
Esqueci de dizer que o autor deste texto atende pelo nome de José Botelho Pinto.
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