quarta-feira, 10 de junho de 2026

QUANDO VIER A PRIMAVERA- ALBERTO CAIEIRO

 
Meu Deus, como era bom o Alberto Caieiro, ou melhor, o multifacetado Fernando Pessoa(s)! Queria ser capaz de escrever com um décimo, um vigésimo da beleza de suas palavras!
 
Quando vier a primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. 
A realidade não precisa de mim.
 
Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
 
Se soubesse que amanhã morria 
E a primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo.
 
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é.
 

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