Nem só de amor vivem os homens, mas também de logros, roubos, assaltos, desfalques, trambiques, assassinatos, corrupção, feminicídio, fake news, interesses escusos, filhadaputagens diversas, e por aí vai, pois a capacidade da humanidade de fazer merda é muito grande. A poesia não tem força para mudar isso, mas funciona como aquele copo de água fresca em dias de fritar ovo no asfalto, alivia. E este é mais um post dedicado ao mês dos namorados, pois namorar não fere nenhum dos Dez Mandamentos. Lêaí:
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
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