Digam o que quiserem, riam-se de mim se
puderem, mas o melhor e maior antídoto ou alívio contra a miséria humana,
contra o lodaçal em que os políticos se refestelam é o amor. Não estou
brincando, estou falando sério, pois hoje, para mim, só o amor me permite
respirar sem me intoxicar muito com a fumaça dos bombardeios que atingem prédios residenciais ou com o veneno diário que
as redes sociais distribuem. E a melhor forma de buscar o amor é através da
poesia lírica, porque de tragédias eu já estou farto. Por isso, sempre que
puder, sempre que encontrar, sempre que conseguir escrever alguma coisa, publicarei aqui neste
velho e inexpressivo blog um poema ou texto poético. E o primeiro é este (com
direito a tradução)
(Elsa Moreno Calabuig)
Creo que los besos se
dan en la boca
porque es de donde brotan las palabras.
Si yo te besara la punta de los dedos
estaría buscando una caricia.
Si te besara la suela del zapato
estaría buscando un camino.
Si te besara en los párpados
cuando estás dormido
estaría pidiendo permiso
para entrar en tus sueños,
pero te estoy besando los labios
porque quiero escuchar mis palabras salir de ti.
(Otra vez…)
Si te besara la planta de los pies
buscaría un paso en falso.
Si te besara la parte interna del codo
buscaría tus cubículos.
Si te besara la sombra,
no sabría lo que busco
pero estaría tan cerca…
Si te buscara esta noche besaría a cada extraño
hasta encontrarte.
(Tampoco.. Otra vez…)
Si te besara,
sería escurridiza por un lienzo
carne que se desborda y que se expande
por las vigas de mi casa.
Treparía escurridiza por un muro fronterizo
entre la piel de la carne que se inyecta
en una estructura impersonal llamada nombre.
Estaría consumida antes siquiera de abrir los labios
si te besara y, no podemos hacer nada por esta muerte,
por esta muerte…
(demasiado…)
Si te besara,
sería escurridiza por un lienzo
carne que se desborda y que se expande
por las vigas de mi casa.
Treparía escurridiza por un muro fronterizo
entre la piel de la carne que se inyecta
en una estructura impersonal llamada nombre.
Estaría consumida antes siquiera de intentarlo
invocaría un cataclismo solo con pronunciarlo,
y por eso,
por eso,
me guardo quieta,
quieta,
atenta,
al tanto,
alerta,
alerta…
por si acaso…
por si acaso hubiese atisbo
de encontrar el punto medio entre los muros donde shhh…
no hacernos daño,
donde solo darnos cuenta
de hasta dónde llega el beso,
antes de que llegue la rabia.
BEIJOS SÃO DADOS NA
BOCA
Elsa Moreno Calabuig
Acho que beijos são dados na boca
porque é de lá que as palavras brotam.
Se eu beijasse a ponta dos seus dedos,
estaria buscando um carinho.
Se eu beijasse a sola do seu sapato,
estaria buscando um caminho.
Se eu beijasse suas pálpebras
enquanto você dorme,
estaria pedindo permissão
para entrar nos seus sonhos,
mas estou beijando seus lábios
porque quero ouvir minhas palavras saírem de você.
(De novo…)
Se eu beijasse a sola dos seus pés,
estaria buscando um passo em falso.
Se eu beijasse a parte interna do seu cotovelo,
estaria buscando suas cavidades.
Se eu beijasse sua sombra,
eu não saberia o que estou procurando,
mas estaria tão perto…
Se eu estivesse
procurando por você esta noite, beijaria todos os estranhos
até te encontrar. (Nem… De novo…)
Se eu te beijasse,
eu seria escorregadia sobre uma tela,
carne transbordando e se expandindo
ao longo das vigas da minha casa.
Eu subiria escorregadia por um muro divisório
entre a pele da carne que é injetada
em uma estrutura impessoal chamada nome.
Eu seria consumida antes mesmo de abrir meus lábios
se eu te beijasse, e não podemos fazer nada sobre esta morte,
sobre esta morte…
(demais…)
Se eu te beijasse,
eu seria escorregadia sobre uma tela,
carne transbordando e se expandindo
ao longo das vigas da minha casa.
Eu subiria escorregadia por um muro divisório
entre a pele da carne que é injetada
em uma estrutura impessoal chamada nome.
Eu seria consumida antes mesmo de tentar,
eu invocaria um cataclismo só de pronunciá-lo,
e é por isso,
é por isso,
eu me mantenho imóvel,
imóvel,
atenta,
consciente,
alerta,
alerta…
só por precaução…
só por precaução, caso haja um vislumbre
de encontrar o ponto médio entre as paredes onde shhh…
não nos machucamos,
onde só percebemos
o quão longe o beijo alcança,
antes que a fúria chegue.
porque es de donde brotan las palabras.
Si yo te besara la punta de los dedos
estaría buscando una caricia.
Si te besara la suela del zapato
estaría buscando un camino.
Si te besara en los párpados
cuando estás dormido
estaría pidiendo permiso
para entrar en tus sueños,
pero te estoy besando los labios
porque quiero escuchar mis palabras salir de ti.
(Otra vez…)
Si te besara la planta de los pies
buscaría un paso en falso.
Si te besara la parte interna del codo
buscaría tus cubículos.
Si te besara la sombra,
no sabría lo que busco
pero estaría tan cerca…
Si te buscara esta noche besaría a cada extraño
hasta encontrarte.
(Tampoco.. Otra vez…)
Si te besara,
sería escurridiza por un lienzo
carne que se desborda y que se expande
por las vigas de mi casa.
Treparía escurridiza por un muro fronterizo
entre la piel de la carne que se inyecta
en una estructura impersonal llamada nombre.
Estaría consumida antes siquiera de abrir los labios
si te besara y, no podemos hacer nada por esta muerte,
por esta muerte…
(demasiado…)
Si te besara,
sería escurridiza por un lienzo
carne que se desborda y que se expande
por las vigas de mi casa.
Treparía escurridiza por un muro fronterizo
entre la piel de la carne que se inyecta
en una estructura impersonal llamada nombre.
Estaría consumida antes siquiera de intentarlo
invocaría un cataclismo solo con pronunciarlo,
y por eso,
por eso,
me guardo quieta,
quieta,
atenta,
al tanto,
alerta,
alerta…
por si acaso…
por si acaso hubiese atisbo
de encontrar el punto medio entre los muros donde shhh…
no hacernos daño,
donde solo darnos cuenta
de hasta dónde llega el beso,
antes de que llegue la rabia.
Elsa Moreno Calabuig
Acho que beijos são dados na boca
porque é de lá que as palavras brotam.
Se eu beijasse a ponta dos seus dedos,
estaria buscando um carinho.
Se eu beijasse a sola do seu sapato,
estaria buscando um caminho.
Se eu beijasse suas pálpebras
enquanto você dorme,
estaria pedindo permissão
para entrar nos seus sonhos,
mas estou beijando seus lábios
porque quero ouvir minhas palavras saírem de você.
(De novo…)
Se eu beijasse a sola dos seus pés,
estaria buscando um passo em falso.
Se eu beijasse a parte interna do seu cotovelo,
estaria buscando suas cavidades.
Se eu beijasse sua sombra,
eu não saberia o que estou procurando,
mas estaria tão perto…
até te encontrar. (Nem… De novo…)
Se eu te beijasse,
eu seria escorregadia sobre uma tela,
carne transbordando e se expandindo
ao longo das vigas da minha casa.
Eu subiria escorregadia por um muro divisório
entre a pele da carne que é injetada
em uma estrutura impessoal chamada nome.
Eu seria consumida antes mesmo de abrir meus lábios
se eu te beijasse, e não podemos fazer nada sobre esta morte,
sobre esta morte…
(demais…)
Se eu te beijasse,
eu seria escorregadia sobre uma tela,
carne transbordando e se expandindo
ao longo das vigas da minha casa.
Eu subiria escorregadia por um muro divisório
entre a pele da carne que é injetada
em uma estrutura impessoal chamada nome.
Eu seria consumida antes mesmo de tentar,
eu invocaria um cataclismo só de pronunciá-lo,
e é por isso,
é por isso,
eu me mantenho imóvel,
imóvel,
atenta,
consciente,
alerta,
alerta…
só por precaução…
só por precaução, caso haja um vislumbre
de encontrar o ponto médio entre as paredes onde shhh…
não nos machucamos,
onde só percebemos
o quão longe o beijo alcança,
antes que a fúria chegue.
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