terça-feira, 21 de maio de 2019

PASSANDO EM REVISTA A TROPA


As melhores férias da minha infância sempre foram passadas na casa de campo da irmã mais rica de minha mãe. Na verdade, a casa era de sua sogra, mas isso nada significava para mim, pois ou ia para lá ou ficava em casa. O que sei é que podia brincar com outras crianças além de meu irmão. Meus primos, no caso.

À noite, em uma sala iluminada por lampião (a energia elétrica ainda não havia chegado), a cunhada solteirona de minha tia comandava as brincadeiras. Uma delas era especialmente divertida para mim, pois exigia um mínimo de atenção. Para começar, eram designadas patentes militares a cada um dos participantes. A tia de meus primos dava o alerta:

- Passando em revista a tropa dei por falta do alferes!
.
- Alferes não falta!

- Quem falta?

- Quem falta é o capitão
.
- Capitão não falta!

- Quem falta?

- Quem falta é o ...

E a coisa ia nesse batido até que um dos participantes se distraia, esquecia a própria patente ou respondia errado. Todo mundo ria, os participantes que erravam iam sendo excluídos e a brincadeira acabava ao restar apenas dois. Como se vê, era uma coisa bem ingênua, criada talvez para impedir que as crianças pusessem fogo na casa depois do jantar.

Lembrando-me disso, fiquei pensando em uma sala de aula onde alguém faz a chamada dos alunos (ainda existe isso?). E ficou assim:

- Jair?
- Eu? O mito!

- Flavim?
- Limito...

- Carluxo?
- Transmito!

- Dudu?
- Imito!

- Queroz?
- Omito!

- Alguém deixou de ser chamado?
- A senhora esqueceu o Olavo.

- Ah, sim, é verdade! Astrólogo?
- Vomito!

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