quarta-feira, 7 de abril de 2021

CARTEIRA DE IDENTIDADE

Escolher um nome para registrar uma criança recém-nascida é uma coisa tão séria que deveria ser feita com o aconselhamento de padre, psicólogo ou juiz, para não condenar a meninada a uma vida de bullying quase diário. Eu posso falar porque entendo disso na pele (ou na certidão).

Embora pais e mães sejam quase sempre os responsáveis pela escolha de nomes que envergonharão os filhos por toda a vida, eu não posso criticar os meus. Quando eu nasci, havia mais ingenuidade e menos obscenidade visível. Por isso, ninguém notou que meu sobrenome era um convite à safadeza e à putaria. Como é meu nome? Minha senhora, este não é um blog privê, é censura livre (ou quase isso)!

Para prevenir o mico que filhos de pais sem noção certamente poderiam pagar no futuro, ouvi dizer que em Portugal os cartórios têm uma lista de nomes tradicionais para sugerir ou adotar na marra. Para nós, alguns desses soam como piada de português: Gago, Egas (lembra um fanho falando: “Eu vou pa_a Las _egas”), etc.

Mas nem todos os nomes são escalafobéticos. Alguns são só ridículos. Por exemplo: os nomes que os pais colocam para homenagear personalidades de quem são fãs ou admiradores. E se as celebridades forem estrangeiras, a chance de dar merda é total. Maicon ou Maikon já nem tem mais graça. Dependendo do nome, além da grafia errada, você já sabe que o “titular” é mais velho. Exemplos: Ronyvon, Elisrejane, Mussulini, Mararubia.

Resumindo: só atrapalha e constrange ter na Carteira de Identidade um nome idiota. Tem pessoas que sofrem tanto com isso que só aceitam ser chamados por algum apelido escolhido por elas próprias. Conheço uma senhora de quem jamais soube o verdadeiro nome, pois todos a chamam de "Iada" – e ela faz questão disso! Conheci também um sujeito de nome "Dorival Marcelo". Ele me disse saber quando alguém não o conhecia direito. Para isso, bastava chamá-lo de "Dorival", que ele odiava.

Alguns coitados até mudam oficialmente de nome (meu irmão fez isso). Já para mim, descontado o ambiente de trabalho (que nem tenho mais), é invasivo e impróprio ser chamado gratuitamente pelo nome com que fui batizado. (José Botelho Pinto... Onde já se viu uma coisa dessas?)

Mas existe um nome-homenagem, apenas um, que tem sua serventia para quem o possui. Durante o chamado “intercurso sexual”, na hora do clímax, muitas pessoas gemem, gritam e até zurram. Mas só um “Elvispreslei da Silva”, só um “Elvis de Souza” teria moral para explodir assim:

- “A-Wop-Bop-A-Loo-BAAAAAAHHHH...”

(04/11/2014)


terça-feira, 6 de abril de 2021

ENVELHECER É DEZ!

Uma vez, talvez ainda lá no início do blog, meu primeiro amigo virtual (creio que em seu próprio blog, o implacável “A Marreta do Azarão”) fez um comentário super simpático sobre os textos que eu escrevia sobre minha experiência de envelhecer. Disse ele alguma coisa parecida com isso: "O Jotabê escreve bem sobre seu envelhecimento, sem drama, de uma forma leve e tranquila como quem dá conselhos aos mais jovens, mas de forma descontraída, serenamente". Eu coloquei esta frase entre aspas, mas não é uma transcrição literal, é apenas o sentido que guardei do que ele na época disse sobre mim.
 
O que tenho hoje a acrescentar sobre isso? Isto: Marreta, passaram-se pelo menos uns cinco anos desde que você fez um comentário nessa linha. Eu tinha então uns sessenta e cinco anos (era quase uma criança!), não havia sinal de coronavírus no horizonte e ainda faltavam uns três anos para acontecer uma eleição para presidente da república. Ou seja, eu era feliz e não sabia!
 
Hoje, ao contrário, por conta da pandemia, eu sou um homem em estado de sítio desde março de 2020 (e ainda tem gente torcendo para que decretem mais um!). Por tudo isso, pelos cinco anos a mais só me encharcando de "experiência”, hoje posso dizer a todos os meus amigos e amigas virtuais que a velhice, ou melhor, que envelhecer é dez! Verdade!

Como todxs são muito mais novos que eu, mas muito mais novxs mesmo (eu me divirto muito com essa maluquice!), eu me preocupei em deixar esta mensagem ("Envelhecer é dez!") em forma de imagem. Porque, falando sério, os muito, muito idosos - apesar da idade e aparência matusalêmica (ou talvez por causa disso mesmo) - vivenciam e experimentam sentimentos muito intensos, extremamente intensos. Creio que a imagem que preparei deixa isso muito claro, uma imagem que reproduz o perfil de um idoso qualquer, às voltas com os sentimentos e emoções predominantes, muitas vezes provocados por aqueles que o cercam, criticam, desprezam ou aporrinham. Espero que meus amiguinhos e amiguinhas gostem e bebam dessa sabedoria que lhes dou de graça (mas, claro, só se estiver faltando cerveja ou uísque). Olhai. 


domingo, 4 de abril de 2021

COMO EU FIZ ESSA CANÇÃO - SAMUEL ROSA

 
Eu sempre me impressionei com as parcerias musicais formadas entre compositores e letristas que duram muitos anos e acabam deixando um imenso legado de musicas incríveis. Mick Jagger e Keith Richards, por exemplo. Mas a lista é longa, tanto na música internacional quanto na MPB. Só para lembrar (e aumentar o texto deste post), temos estes exemplos na música internacional: Rodgers e Hart (autores entre outras da lindíssima “Manhattan”), os irmãos George e Ira Gershwin, Duke Ellington e Billy Strayhorn, Elton John e Bernie Taupin, os já citados Mick Jagger e Keith Richards e, claro, John Lennon e Paul McCartney.
 
No Brasil a lista também é longa: Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, João Bosco e Aldir Blanc, Ivan Lins e Vitor Martins, Francis Hime e Chico Buarque, Milton Nascimento e Fernando Brant, Evaldo Gouveia e Jair Amorim, Luis Gonzaga e Humberto Teixeira, Tom Jobim e Vinícius de Moraes (ou Toquinho e Vinícius), Dominguinhos e Anastácia, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Lulu Santos e Nelson Motta, e por aí vai.
 
Algumas dessas duplas não deixam nenhuma dúvida sobre quem fez o quê, mas há outras em que nunca ou quase nunca se sabe a real contribuição de cada parceiro para o sucesso das melodias. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas eu sempre tive vontade de saber qual a “parte Lennon” e qual o “pitaco McCartney” (e vice-versa) das músicas que os Beatles gravaram. A mesma curiosidade eu sempre tive em relação à parceria Roberto-Erasmo.
 
Pois bem, este post está além da falta de assunto. Na verdade, tem mais um caráter informativo, cultural (de cultura inútil, bem entendido), justamente por eu ter descoberto um vídeo em que o Samuel Rosa (ex-Skank) conta como a lindíssima música “Dois Rios” foi composta, pois tem três compositores-letristas assinam sua criação: o próprio Samuel, o Nando Reis e o Lô Borges.
 
Para quem gosta de música o vídeo é um prato cheio, mas não vou dar spoiler sobre quem fez o quê. Só digo que no no final da gravação há uma versão voz e violão muito legal dessa música. E se algum leitor espanca uma viola de vez em quando, gostará de ver os acordes utilizados. Som na caixa!
 

sábado, 3 de abril de 2021

MUITA CULTURA

Eu juro que não estava pensando em mover esta piada horrorosa para os dias atuais, mas hoje acordei tão transtornado com as últimas notícias que achei que um pouco de besteirol pode ajudar a relaxar. A vantagem é que este post também mereceu uma longa e sisuda análise feita por meu amigo virtual Marreta. Olhaí.


Hoje acordei com uma expressão meio louca na minha mente (devo ter bebido pouca água e os neurônios estariam meio delirantes), o que me levou a consultar a Wiki. 

Descobri que em 1955 nasceram o Bill Gates e o Steve Jobs. Aí, transformei essa salada na "frase do dia" (que merda!):

A partir de 1955, a história da raça humana pode ser dividida em Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea e Idade Nérdia.

(23/09/2014)



sexta-feira, 2 de abril de 2021

GENTE NOVA NO PEDAÇO

 Algumas coisas já não me causam tanta surpresa como antes, mas o sentimento de felicidade, de alegria é sempre o mesmo, sempre renovado, sempre novo. Estou falando de mais uma amiga virtual que desembarcou nas praias poluídas do Blogson. Impossível não me sentir feliz com isso, pois recentemente publiquei um post onde me despedia de um amigo virtual que resolveu abandonar o barco do blog (verdadeira nau sem rumo!). E hoje sou brindado com a super surpresa de perceber que continuo com doze amigos virtuais. Talvez alguns achem essa quantidade risível ou irrelevante, mas em 01 de abril de 2020 eu escrevi um post (que nunca publiquei) onde mencionava a existência de quatro amigos.

Caso alguém se pergunte por que o texto de 2020 não foi até hoje publicado, a explicação é simples, pois é o post do Armagedon, do Ragnarok, o post que sinalizará a morte do blog (ok, eu não sou muito normal). Morte do blog sim, mas não seu desaparecimento.

Mas hoje não é dia de falar disso, é dia de comemorar a chegada de uma Super Girl. Que ela traga consigo uma super paciência, uma super boa vontade para relevar as idiotices que encontrará no blog. Torcendo também para que tenha alguma visão Raio X que a ajude a se desviar dos posts muito ruins (a maioria, mas não espalhe!), só posso dizer:

Bem vinda, Super Girl!!!

ESCOLHOS

Quem tiver vida longa certamente encontrará muitos escolhos pelo caminho. Por isso, fazer escolhas (eita joguinho de palavras!) a cada momento é inerente ao ato de viver. Duro é escolher certo. Estudar ou não estudar, escolher essa ou aquela profissão, dedicar-se obsessivamente ou não ao trabalho, casar-se ou ficar solteiro, ter ou não ter filhos são apenas algumas das opções que definem de forma radical a vida de quem as faz.

Se pensarmos, só para simplificar, apenas nas opções “certo” ou “errado” (sem julgamento de valores), teremos cinquenta por cento de chance de ter feito a escolha certa (ou errada, lógico). A Estatística (engenheiro adora números) estabelece que a probabilidade de eventos independentes entre si ocorrer tal como imaginamos é igual ao produto das probabilidades desses eventos. Assim, se tomarmos apenas quatro eventos (estudar ou não, etc.), a probabilidade de ter feito todas as escolhas certas é de apenas uma chance em dezesseis(!!!).

Ou seja, ter sucesso profissional, “dar certo na vida” é difícil pra caramba, pois depende basicamente do acerto das escolhas feitas anteriormente. Talvez seja por isso que depois de certa idade as pessoas fiquem lamentando ter feito isso ou não ter feito aquilo: muitas foram as escolhas que tiveram que fazer, muitos os escolhos que encontraram pelo caminho.

Matutando sobre tudo isso, ocorreu-me o pensamento do dia:

Viver um pouco a cada dia não parece ser difícil. Complicado é entender o “conjunto da obra”.

(26/09/2014)


quinta-feira, 1 de abril de 2021

EU LÁ TENHO CARA DE POLIEDRO?

 
Raro leitor (talvez devesse ter escrito “Caro”, mas achei melhor utilizar “Raro”, mais coerente com o volume de visualizações desta bagaça), o texto apresentado a seguir é a ideia central de um post publicado bem no início do blog. E o motivo da transcrição para novo post é sua pertinência aos dias atuais, tão cheios de desinformação, fake news, meias verdades, mentiras descaradas, suposições falsas, crenças inacreditáveis e teorias equivocadas. Já ficou com enjôo só de ler esta introdução? Calma, respire fundo, pois o texto é curtinho e o incômodo passa rápido. E, se for o caso, talvez um teste de gravidez seja indicado.
 
De vez em quando eu penso em alguma ideia maluca que logo transformo em “teoria miojo” (aquela que fica pronta em três minutinhos e o resultado é sempre uma merda), sem me preocupar em analisar se está ou não correta (deixo isso para meus 11,2 leitores). E o que tem mexido ultimamente comigo é a sensação de, cada vez mais, estarmos mergulhando em um mundo virtual, bem ao estilo do filme “Matrix”, onde nunca – ou quase nunca – saberemos se o que recebemos pelos mais diferentes tipos de mídia vem de uma experiência real.
 
Com tanta tecnologia, tanta informação veiculada em quantidades e velocidade cada vez mais alucinantes, fica difícil ou virtualmente (perdão pelo trocadilho) impossível separar o que é REAL da mistificação, da impostura, da má-fé e, por que não?, da molecagem, da brincadeira e da sacanagem.
 
Por conta dessa sensação, fiquei matutando que não somos mais tão diferentes dos homens das cavernas. Pelo contrário. O mundo, para eles, era do tamanho de sua percepção, obtida apenas com o uso dos sentidos. Todo o resto era apenas interpretação e fantasia.
 
Depois de milhares de conquistas culturais e tecnológicas que nos tiraram definitivamente das cavernas e outros abrigos naturais, tenho a sensação de que estamos (talvez já tenhamos chegado lá) voltando à situação em que só podemos ter certeza do que está no raio de alcance de nossos sentidos.  Viveríamos dentro de uma bolha de Realidade, cercada de incertezas por todos os lados. Foi aí surgiu a ideia do poliedro. 
 
Mas onde entra o tal poliedro? Bom, talvez por excesso de preciosismo formal, fiquei pensando que por sua forma esférica a tal bolha só poderia interagir com outras tantas bolhas em um único ponto, ao tangenciá-las, ao "quicá-las", tal como acontece em uma mesa de sinuca. Só um ponto de contato? A imagem não era boa nem prática. Pensei então em um cubo. Já dava uma interação legal, mas ainda estava meio limitado. Aí me ocorreu a ideia do poliedro, com muitas faces para seu ocupante interagir com os ocupantes de outros poliedros, cada face servindo para transmitir a Realidade que cada um conhece.
 
A tal bolha, na prática, seria então um “poliedro de Realidade”. Se fosse transformada em desenho, esta “teoria” até poderia ser incluída na série “Noções de Zéometria Especial”. Mas acho que não vale a pena tentar, pois se um infeliz resolver transmitir uma mentira (que ele sabe ser mentira), aí minha teoria vai pro ralo. Mesmo assim, vale a observação inicial: hoje, só podemos ter Certeza do que está no raio de alcance de nossos sentidos, tudo mais é fruto apenas do nosso discernimento ou do nosso desejo de acreditar.



O TEMPO - MÁRIO QUINTANA

  A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê...