"Nós ganhamos ou ganhamos. Está dado o recado". Quem esse idiotinha pensa que é? Fico com a sensação de que a vocação da extrema-direita é o golpismo.
Assisti no Instagram a um vídeo interessantíssimo com a leitura
de um texto do pastor luterano e teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer. Não sei se que acessa o blog conseguirá conectar-se com este link. Em todo caso, é este:
https://www.instagram.com/reel/DeEbduPucQE/?xtok=MWFvaHoyeTJidWthYg==ão
Bonhoeffer era um ferrenho opositor do
nazismo e chegou a participar de uma tentativa de assassinar Hitler. Por causa
de sua resistência ao regime, acabou preso e enviado para um campo de
concentração, onde foi executado apenas uma semana antes da libertação do campo
pelas tropas soviéticas. Baita sacanagem, concordam?
O texto que foi transformado em vídeo é este.
Tão lúcido e tão atual que não resisti a procurá-lo para publicá-lo no Blogson.
Espero que gostem e, sobretudo, que reflitam sobre o que Bonhoeffer escreveu.
A
estupidez é mais perigosa que a maldade. Contra o mal se pode protestar; o
mal pode ser exposto, revelado; pode também ser evitado, se necessário, até
pela força; o mal sempre carrega o germe da autodecomposição, deixando pelo
menos um desconforto naquele que o pratica. Diversamente, não há como se
defender da estupidez. Nada pode ser feito aqui com protestos ou com violência;
razões não a convencem; simplesmente não se dá crédito a fatos que contradigam
o próprio preconceito – em tais casos, o estúpido se torna ainda mais
resistente – e se esses fatos são incontestáveis, podem com facilidade ser
postos de lado como casos isolados e sem sentido.
O
estúpido, ao contrário da pessoa má, sente-se completamente satisfeito consigo
mesmo; sim, ele até se torna perigoso, enfurecendo-se facilmente quando é
refutado. Portanto, a relação com o estúpido exige muito mais cautela do que
com a pessoa má. Nunca se há de convencer o estúpido pela razão – é inútil e
perigoso. Para saber lidar com a estupidez, é preciso antes procurar entender
sua natureza. Não se trata essencialmente de um defeito intelectual, mas algo
que atinge a humanidade do sujeito. Tanto é assim que existem pessoas de
inteligência extraordinariamente ágil que são estúpidas e pessoas
intelectualmente pesadas que podem ser tudo, menos estúpidas.
Para
nossa surpresa, chegamos à seguinte conclusão: parece que a estupidez não é
propriamente um defeito congênito, mas um processo em que as pessoas se tornam
estúpidas sob certas circunstâncias, ou deixam-se fazer estúpidas de forma
recíproca. Também observamos que a estupidez aparece mais em pessoas ou grupos
propensos ou condenados a viver em comum do que em pessoas mais fechadas,
reservadas e solitárias. Assim, parece que a estupidez é um problema mais
sociológico do que psicológico. É uma forma especial de influência das
circunstâncias históricas sobre o homem, isto é, uma consequência psicológica
de certas circunstâncias externas. Em uma análise mais detalhada, verifica-se
que toda forte expansão externa do poder, seja política ou religiosa, golpeia
um grande número de pessoas com estupidez. Sim, parece que é uma lei
psicológica e sociológica. O poder de alguém precisa da estupidez de outrem.
O
processo não é que, de repente, algumas faculdades – como a intelectual –
definhem ou fracassem, mas sim que a independência interna da pessoa vai sendo
roubada pela impressão esmagadora do desenvolvimento do poder, até que - mais
ou menos inconscientemente – essa pessoa renuncia a encontrar seu próprio
comportamento em relação às situações que a vida lhe apresenta.
O fato
de o estúpido ser muitas vezes teimoso não significa que ele seja
independente. Conversando com ele, você quase pode sentir que seu discurso nem
sequer tem a ver com ele mesmo, com aquilo que o constitui. Trata-se de frases
de efeito, slogans e chavões que se apoderaram dele. Ele está enfeitiçado,
cego, abusado e maltratado em sua própria natureza. Tornando-se assim um
instrumento sem vontade própria, o estúpido será capaz de todo o mal e, ao
mesmo tempo, incapaz de reconhecer-se mau ou de reconhecer maldade em seus
atos. Aqui está o perigo de um abuso diabólico. Como resultado, as pessoas
serão destruídas para sempre.
Disso
decorre que somente um ato de liberação – e não um ato de instrução – poderá
superar a estupidez. Na grande maioria dos casos, para superar a estupidez, a
pessoa terá de aceitar que uma genuína libertação interior só se tornará
possível após a libertação externa; até então, sem essa condição, teremos que
desistir de todas as tentativas de convencer os estúpidos. A propósito, nesse
estado de coisas, fica bem claro que em tais circunstâncias é vão tentar saber
o que "o povo" realmente pensa, mesmo porque, ao mesmo tempo - nessas
dadas circunstâncias – qualquer resposta seria supérflua para o pensador e
realizador responsável.
A
Palavra da Bíblia que diz que o temor de Deus é o começo da
sabedoria (Salmos 111: 1); diz que a liberação interior dos humanos, para
uma vida responsável diante de Deus, é a única verdadeira superação da
estupidez.
De
resto, esses pensamentos sobre a estupidez são reconfortantes, pois não
permitem tratar a maioria das pessoas como estúpidas a todo custo. Realmente,
isso dependerá da tendência dos Poderes Instituídos, vale dizer, se querem
tornar seu povo estúpido ou se buscam a independência interior e sabedoria
de seus governados.
Um texto muito atual e que dá mesmo que pensar. Impressiona perceber como o poder e a influência dos grupos podem levar as pessoas a deixar de questionar e a aceitar ideias sem refletir. Mais do que falta de inteligência, parece falar-nos da perda de pensamento próprio e da capacidade de reconhecer a realidade. Uma reflexão que continua a fazer muito sentido nos dias de hoje. Obrigada por partilhares! E bom fim de semana.
ResponderExcluirÉ esse o ponto! Espero que estejas bem.
ExcluirUm texto muito bom. Não sei quantos estúpidos temos em nossa sociedade, mas entendo o que ele diz. A impressão que temos é que quanto mais estúpido for o povo, melhor fica para os governantes. Aqui no Brasil não sei quantos estúpidos temos, mas eles estão por aí. É quando você se expressa claramente sobre algo e vem o ser humano comentar coisas completamente diferentes, colocando palavras na sua boca, dando a impressão de que é um analfabeto funcional, porque ele leu, mas não compreendeu, mas se acha cheio das convicções e fica fazendo longos discursos em cima de coisas que você simplesmente não pontuou, mas ele entendeu assim.
ResponderExcluirÉ bem por aí. A propósito, experimentou tentar assistir ao vídeo do instagram?
ExcluirNão. Só li o texto aqui.
ExcluirEstou sempre tentando identificar primeiro as minhas próprias estupidezes (tá certo o plural????). Já me senti estúpido em alguns momentos da vida. Em nossa atual política, o que não falta é estupidez de tudo o que é lado. Os estúpidos de esquerda conseguiram vencer os estúpidos da direita nestas eleições. eu fui um dos estúpidos que votou no estúpido Flávio e não no estúpido Lua. Pensei que a estupidez deste governo Lula que gasta como se dinheiro desse em árvore sem se preocupar com o amanhã (já analistas dizendo que ano que vem teremos recessão se nada for feito), pudesse ser derrotado por uma visão mais lógica da economia que o estúpido flávio apresentava. Mas não, os estúpidos da esquerda provaram que são em maior número.
ResponderExcluirSim, o plural de estupidez é estupidezes. Quanto ao resto, é melhor nem falar. Quando eu ainda votava, eu sempre escolhi o candidato que entendia ser melhor para o POVO, independente da cor de sua camisa. Eu ganhava bem e acreditava não ser atingido pelas burradas dos próximos governantes. Comecei a mudar ao ver os desatinos cometidos por quem tinha merecido meu voto. Hoje eu quero é pensar no futuro do planeta, não nas patifarias cometidas neste país de estúpidos.
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