Às vezes tento organizar a zona que eu mesmo
faço no notebook, apagando textos já publicados no blog ou descartando aqueles
que salvei sem refletir se valiam a pena guardar. O texto a seguir talvez possa ser enquadrado
em uma ou nas duas opções. Por isso, para sumir definitivamente com ele no notebook,
resolvi publicá-lo neste blog sem assunto.
Um dia você descobre que abriga dentro de si
um menino que teima em não desaparecer. Mas o espelho, os retratos,
cumprimentos, mostram ser isso desatino, pois nada fará que o Tempo mude. Não
há salvação, ninguém te tira deste caminho – pior que a morte – que significa envelhecer.
Você pode ter sonhos, ilusões, desejos,
tentar sorrir, seduzir, ser alegre, mas nada fará mudar seu aspecto envelhecido,
decrépito, de tronco enrugado de árvore centenária.
E mesmo que tentem te consolar, não adianta;
nada mudará a realidade: você está velho, só, solitário. E solidão é prisão,
que te obriga a enxergar o que o espelho reflete: velhice, tristeza, ruína,
irritação.
E não há remédio para impedir que surja o desejo
sincero de morrer. Pois mesmo que sua morte doa para parentes, amigos, alguém,
não há melhor solução para esse tormento, pois viver assim é inferno, morrer
sem sofrer é paraíso.
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