terça-feira, 27 de outubro de 2026

ÁRVORE CENTENÁRIA

Às vezes tento organizar a zona que eu mesmo faço no notebook, apagando textos já publicados no blog ou descartando aqueles que salvei sem refletir se valiam a pena guardar. O texto a seguir talvez possa ser enquadrado em uma ou nas duas opções. Por isso, para sumir definitivamente com ele no notebook, resolvi publicá-lo neste blog sem assunto.
 
Um dia você descobre que abriga dentro de si um menino que teima em não desaparecer. Mas o espelho, os retratos, cumprimentos, mostram ser isso desatino, pois nada fará que o Tempo mude. Não há salvação, ninguém te tira deste caminho – pior que a morte – que significa envelhecer.
 
Você pode ter sonhos, ilusões, desejos, tentar sorrir, seduzir, ser alegre, mas nada fará mudar seu aspecto envelhecido, decrépito, de tronco enrugado de árvore centenária.
 
E mesmo que tentem te consolar, não adianta; nada mudará a realidade: você está velho, só, solitário. E solidão é prisão, que te obriga a enxergar o que o espelho reflete: velhice, tristeza, ruína, irritação.
 
E não há remédio para impedir que surja o desejo sincero de morrer. Pois mesmo que sua morte doa para parentes, amigos, alguém, não há melhor solução para esse tormento, pois viver assim é inferno, morrer sem sofrer é paraíso.

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