terça-feira, 16 de dezembro de 2025

DENTE SISO

 
Talvez as pessoas que acessam este blog já estejam cansadas de ler o que venho escrevendo sobre minha recentemente falecida mulher, esposa, companheira, amante, amada, namorada, mas confesso que está muito difícil suportar a dor, como se fosse igual à da extração de um dente siso sem anestesia.
 
Peço que me perdoem. Um dos meus desejos mais imediatos é doar suas roupas, bolsas, chapéus e sapatos, mas não estou conseguindo avançar, pois começo a chorar só de abrir uma gaveta, uma porta de armário. Por isso, disse a meus filhos que não estou com pressa, não tenho mais pressa para fazer nada.
 
Escrever sobre ela no blog funciona como uma espécie de calmante. Já estava programando voltar a postar as besteiras jotabélicas de novo a partir do dia 20/12, mas um filho encaminhou textos e poemas de sua autoria, onde aborda a dor de filho, a saudade de filho. Como deixar de publicar isso?
 
São textos bacanas que ainda precisarei digitar, pois ele é uma versão jovem do Marreta - que primeiro escreve seus textos em pergaminho e com pena de ganso, para só depois transpor para o computador. Em outras palavras, um senhor programa de índio, uma trabalheira do cacete.
 
Para fechar este aviso com um pouco de humor, transcrevo uma conversa muito engraçada mantida entre a Lulu e sua mãe.
 
A Lulu estava brincando com um bichinho de pelúcia, chamando-o de Popô. A mãe perguntou:
 
- Popó?
- Não, mamãe, é Popô!
- Ah, o nome dele é Popô!
- Não, mamãe, Popô é apelido.
- E qual é o nome dele?
- Porra.
- Lulu, isso é palavrão! Onde você ouviu isso?
 
O avô materno, que escutava a conversa e precisou esconder a boca para não rir, disse:
- Nome de batismo não pode ser mudado, mas esse precisa ser excomungado!

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