Dizem que Deus escreve certo
por linhas tortas. Pode ser. Por mim, Ele pode escrever do jeito que quiser ou até
mesmo não escrever. Por não ser Deus – nem mesmo um Messias -, meu caso é o
inverso disso, pois sempre escrevo torto por linhas certas. Verdade! Como
escrevo direto no computador, por piores e mais toscas as ideias registradas, sai
tudo certinho, alinhado, justificado.
Após começar esse
textículo com uma piada pra lá de infantil, preciso me explicar (mesmo que
ninguém esteja interessado nisso). Não faz muito tempo, alguém disse gostar de ler o que escrevo. Fiquei tão feliz com o comentário que até o
imprimi e mandei emoldurar. Mas não sei quem fez tão honrosa avaliação, pois o
nome da pessoa foi coberto pelo paspatur – que os puristas da área de decoração
chamariam de passe-partout – (Jotabê
continua esguichando cultura inútil!).
Depois de mais outra
piadinha horrível, o que quero dizer para quem fica travado quando pensa em
escrever é o seguinte: quando tenho alguma ideia na cabeça - ou até mesmo
nenhuma -, eu começo a escrever sem nenhum filtro, mas nenhum mesmo. Além disso,
como sou péssimo para digitar (só uso dois dedos), erro de forma escandalosa,
troco letras, aperto a tecla caps lock sem perceber e vou falando a besteira
que vier à mente, por mais idiota, infantil ou doentia que seja. Para não pagar mico ou parecer artificial, sempre uso linguagem coloquial e evito ao máximo utilizar vocabulário sofisticado com que tenho pouca ou nenhuma intimidade (esse é o segredo).
Se consigo chegar a algum
final razoável, beleza. Se o texto fica incompleto a coisa pode se complicar um
pouco quando tentar terminá-lo, pois não é incomum eu me esquecer do que
pretendia dizer. Mas, só depois de “serenados
os ânimos” é que resolvo reler o que escrevi. Passo corretor de ortografia, consulto
dicionários, regras gramaticais, releio algumas vezes, excluo o que pode
parecer ofensivo demais (recorro a meu filho mais velho quando tenho alguma
dúvida. E ele sempre manda cortar o trecho mais polêmico).
Para finalizar de forma
definitiva (bateu um pleonasmo aqui), às vezes inverto a ordem dos parágrafos,
corrijo mais algum vacilo et voilà! mais
um texto jotabélico ficou pronto. Então, este é o recado para quem gosta do que
escrevo (e também para os que acham meus textos uma merda): escrevam também,
escrevam, escrevam, escrevam. É gostoso (acho que vou botar este texto em um
quadro!).