A primeira parte deste texto é uma reflexão pessoal sobre o frenesi ligado à comemoração do Natal e passagem de ano e foi escrito em 2024. A segunda parte foi rascunhada nos primeiros dias de 2025. Depois de devidamente atualizados resolvi juntar os dois, mas o resultado ficou meio estranho, mesmo retratando sentimentos e emoções reais.
Hoje em dia, os melhores momentos para mim acontecem quando estou dormindo, longe do mundo, longe da vida, mas há
muito tempo venho sentindo certo desconforto nas mudanças de calendário, pelos sentimentos antagônicos, de conflito entre as
emoções que essas datas despertam. Refiro-me às comemorações de Natal e Ano
Novo.
De
um lado, a esperança que sempre se renova com as promessas de um novo ciclo e
os desejos de que tudo melhore; de outro, as notícias assustadoras de
calamidades recentes e a quase certeza de que nada mudará.
Há
ainda uma tristeza disfarçada, provocada pelas escolhas de pessoas
queridas. São momentos em que as famílias se dividem. Não tem jeito: uns
viajam, outros ficam em casa; alguns vão à casa dos pais, outros à dos sogros.
Nesse Natal, nos reunimos na casa de minha falecida sogra, mas dois de nossos filhos e
suas famílias não estavam presentes.
Por
esperarmos a virada de ano em nossa própria casa, a celebração foi ainda mais
silenciosa, novamente marcada pela ausência de um dos filhos. Hoje percebo como
meus pais devem ter sentido nossa falta em suas comemorações simples e frugais,
pois sempre preferíamos as ceias fartas e ruidosas da casa de meu sogro.
Mas essas
celebrações parecem emoldurar ou realçar as tragédias recentemente
acontecidas. É difícil sorrir diante de tanto sofrimento que a mídia nos
mostrou, pois 2024 parece ter sido um ano atípico e extremamente pródigo no
quesito tragédias. Desabamentos de casas, queda de aviões, o colapso de uma
ponte, acidentes rodoviários com dezenas de mortes e enchentes que destruíram
não só bens materiais, mas também sonhos e histórias de vida.
Toda
essa dor, aliada à minha tristeza provocada por problemas particulares,
levou-me a escrever alguns versos de pé quebrado, a que daria o nome de
"2025". Depois, pensando melhor, achei injusto jogar nas costas de um
recém-nascido toda a minha melancolia pré-existente. Por isso, mudei o título
para 2024". Olhaí.
2024
Hoje eu vivo sem esperança
Uma vida desesperada
Vida desesperançada
Vida onde a dor não termina
Corrida sem pódio ou medalha
Vida que está terminada
Mesmo estando ainda vivo
Inútil jornada sem paz
O sorriso franco, real
A vida descoloriu
A alegria ficou nublada
Em esgar transformada a risada