quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

"E SE?"

 
Quantas escolhas erradas já fizemos, quantas decisões equivocadas já tomamos durante a vida? Talvez a estatística ou outra ciência possam explicar que quanto mais longa nossa vida for, mais chances teremos de errar, pois diariamente, a cada hora, quase a cada minuto somos forçados a tomar decisões de que eventualmente nos arrependeremos depois.
 
E sempre fica na boca aquele gosto amargo do arrependimento quando no cérebro surge aquela terrível pergunta “E se ...?" Por conta disso e por já ter errado – e me arrependido – centenas de vezes, resolvi desconstruir e brincar com “If”, o famosésimo poema de Rudyard Kipling, ao transformar um conselho ou “receita” moral, uma previsão do que poderá acontecer, em uma espécie de lamentação pelo que já ocorreu. Falta do que fazer? Claro, por que não?
 
Se tivesses sido capaz de manter a tua calma quando todo o mundo ao teu redor já a tinha perdido e te culpava; de crer em ti quando todos duvidavam, e para esses no entanto achar uma desculpa; se tivesses sido capaz de esperar sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso, ou, sendo odiado, sempre ao ódio tivesses te esquivado, e ainda assim não parecer bom demais, nem pretensioso; se tivesses sido capaz de pensar –sem que a isso só te atirasses, de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores; se encontrando a desgraça e o triunfo tivesses conseguido tratar da mesma forma a esses dois impostores; se tivesses sido capaz de sofrer a dor de ver mudadas em armadilhas as verdades que disseste, e as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te restasse; se tivesses sido capaz de arriscar numa única parada tudo quanto ganhaste em toda a tua vida, e perder e, ao perder, sem nunca ter dito nada, resignado, tornar ao ponto de partida; de forçar coração, nervos, músculos, tudo a dar seja o que fosse que neles ainda existisse, e a persistir assim quando, exaustos, contudo restasse a vontade em ti que ainda ordenasse: "persiste!"
Se tivesses sido capaz de, entre a plebe, não te corromper e, entre reis, não perder a naturalidade, e de amigos, quer bons, quer maus, tivesses te defendido; se a todos tivesses podido ser de alguma utilidade, e se tivesses sido capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo o valor e brilho, tua teria sido a Terra e tudo o que nela existe, mas de realidades alternativas o inexistente inferno está cheio, pois “se” no passado, presente ou futuro só exprime o que poderia, pode ou poderá acontecer. E isso nunca levou, leva ou levará ninguém a lugar nenhum.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

RENOVANDO O SEGURO

 
Hoje me ocorreu que a Inteligência Artificial pode dominar o mundo de um jeito inesperado, simples, apenas estressando as pessoas ao ponto de enlouquecê-las. Parece bizarro, algo saído do final de 1984, mas depois de tentar renovar o seguro do meu carro, já acho viável. E a chave é a quase total impossibilidade de conversar ponderada e calmamente com pessoas de carne e osso. Tudo começou quando recebi no final de 2024 esta mensagem “sedutora” pelo WhatsApp:
 
Olá, JOSE BOTELHO! Aproveite agora mesmo uma oferta especial para renovar o seu BB Seguro Auto com um desconto imperdível.
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Logo abaixo havia três “botões”, com estas opções: “Quero meu desconto”, “Me ligue” e “Deixar passar”. Escolhi o primeiro. Em segundos, recebi a promessa de que “um especialista” cuidaria do meu caso. E começou o show.
 
Por não andar com o celular pendurado no pescoço nem enfiado na cueca e por ser um aposentado muito ocupado, um verdadeiro homem “dólar” (do lar), já estava cuidando das minhas obrigações diárias de escravo quando chegaram estas mensagens estilo “centauro” (metade máquina, metade gente):
 
15:28: Boa tarde! Meu nome é Rafael da BB seguros, estou entrando em contato para apresentar os valores da renovação do seguro do seu veiculo, podemos falar?
15:35: Preciso que interaja comigo para o atendimento não ser encerrado automaticamente. Está aí?
15:39: Por falta de interação o atendimento foi encerrado. Para voltarmos a nos falar será necessário que realize novo preenchimento neste canal, ou então faça contato no telefone 0800 729 0400.
15:40: Seu atendimento por aqui foi encerrado. Se precisar de mais informações pode entrar em contato conosco pelo Whatsapp  (11) 4004 7000. Até breve!
 
Fiquei puto ao descobrir que um algoritmo cretino me obrigava a ficar plantado em frente ao computador (eu não uso o celular), de castigo, para evitar o "encerramento automático" do contato. Liguei para o 0800 e, finalmente, consegui falar com alguém do mundo real, alguém de carne e osso. Falei de minha trágica situação financeira, em parte provocada pelos gastos com a doença de minha mulher. Creio que a moça com quem conversava ficou muito impressionada com meu relato, tanto que sugeriu deixar para renovar o seguro para mais perto de seu vencimento, pois poderia estudar a melhor proposta para mim. E o otário aqui ficou esperando, esperando...
 
Foi quando surgiu nova mensagem (automática, obviamente):
13:48: Precisamos retomar a negociação para renovar seu seguro Auto da BB Seguros. Não deixe seu veículo sem proteção!
Olá, JOSE BOTELHO, sou o assistente virtual da BB Seguros! Espero que esteja bem!
O seguro do seu veículo está a 4 dias do vencimento, e percebemos que ainda não foi renovado. Siga rodando protegido com seu veículo.
Fale com um dos nossos especialistas e garanta a renovação do seu seguro.
 
Logo abaixo apareciam novamente três “botões” com as seguintes opções: “Falar por aqui”, “Quero ligar” e “Receber ligação”. A opção escolhida foi “Receber ligação” – que nunca aconteceu. Mas segue o baile.
 
15:56: Receber ligação
15:56: Olá , este atendimento está registrado sob o nº 2020000340005814816.
16:16: Olá, espero que esteja bem! Me chamo Érica, faço parte da BB Seguros e darei andamento no seu atendimento. Agradeço o contato e interesse em proteger seu veículo conosco.
16:23: Foi para você que eu contei a situação dramática em que vivo e você então disse que estudaria a melhor proposta para mim?
16:30: esse é meu primeiro contato com voce
16:39: Poderia me ligar para conversarmos um pouco? Prometo ser rápido e objetivo.
 
Como eu tinha escolhido a opção “Receber ligação”, desencanei e fui cuidar da vida. Ao voltar para a frente do computador lá estava a mensagem repeteco:
:
17:24: Por falta de interação o atendimento foi encerrado. Para voltarmos a nos falar será necessário que realize novo preenchimento neste canal, ou então faça contato no telefone 0800 729 0400.
17:24: Seu atendimento por aqui foi encerrado. Se precisar de mais informações pode entrar em contato conosco pelo Whatsapp  (11) 4004 7000. Até breve!
 
Aí eu realmente fiquei putíssimo e liguei para o 0800. Despejei sobre a coitada que me atendeu toda a minha ira e exasperação pelo fato de ser obrigado a ficar de olho na telinha (para mim ilegível) do celular ou com a bunda colada na cadeira do micro, uma situação de enlouquecer até um psicólogo da linha freudiana. E terminei sugerindo: “mate esse algoritmo, essa inteligência artificial que exige que estejamos à sua disposição e não o contrário disso”.
 
Copiando uma frase lida em algum lugar, “Alguém pode me passar o número do suporte técnico para a paciência humana? Acho que estou com o estoque zerado”. E até agora não renovei meu seguro.

domingo, 12 de janeiro de 2025

CAMINHOS DO TEMPO – JOSÉ LUIZ RICCHETTI


Houve um tempo, quando ainda éramos muito jovens e com pouco tempo de casados, que minha mulher e eu viajávamos com sua irmã e seu então marido para Três Marias, onde ficávamos hospedados em uma casa agradabilíssima e com quintal enorme (10.000 m²). Era um lugar super tranquilo e isolado, ao lado de um bosque de pinheiros e distante da área urbana. Ficávamos lá jogando conversa fora, ouvindo música (ele fã dos Rolling Stones e eu fã dos Beatles), às vezes pescando na beira do Rio São Francisco, outras vezes fazendo churrasco e queimando madeira enquanto conversávamos até tarde da noite.
 
Um dia esse casal se separou e passamos a nos encontrar com esse ex-cunhado/concunhado em raríssimas vezes, mas sempre com o mesmo sentimento de amizade cultivado na época do convívio quase diário.  Hoje, inesperadamente, recebi desse amigo e ex-concunhado um texto muito legal que, segundo ele, fez com que se lembrasse de mim. E é este texto que compartilho agora com os leitores do Blogson.


Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho.
 
Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação. Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade. Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.
 
Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo? Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.
 
E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais. Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade. Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.
 
Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos. Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos. Seja luz, seja presença, e você será eterno.
 
Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma.
(11/12/24)
 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

QUANDO OS FILHOS VOAM - ANÔNIMO

 
Quando nossos filhos ainda eram crianças, minha sogra me disse um dia que bom é quando os filhos são pequenos, pois ao trancar a casa você sabe que todos estão em segurança. Achei graça no comentário, mas depois percebi como era verdadeiro aquele comentário!
 
Há muito tempo nossos filhos já alçaram voo, casaram-se, tiveram filhos, mudaram de cidade, mas eu ainda guardo a sensação do ninho vazio. Sempre sinto sua falta, morro de medo quando dizem que vão viajar e morro de alívio quando retornam sãos e salvos. Talvez – ou certamente – eu tenha mais carência afetiva que a maioria das pessoas, masnessas horas a razão sempre é atropelada pela emoção.
 
Um dia acontecerá comigo como na piada em que o marido diz para a esposa: - “Me use, pois eu estou acabando”. Um dia talvez sejam eles que sintam a minha falta, mas espero que não tanto quanto eu sinto deles. Comecei esta conversa piegas para apresentar um texto que li no Facebook. Talvez agrade aos que tem filhos adolescentes. E não vou identificar o autor, pois se antes eu já ficava cabreiro com a autenticidade do que lia, agora que o Zukinha deixou claro que não está nem aí para fake news, menos ainda tenho vontade de dizer quem é seu provável autor. E o título do texto que copiei do Facebook é “Quando Os Filhos Voam”. Lêaí.
 
Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.
Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira…
Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…
Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o voo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…
Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade.
Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.
É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós.
É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor.
Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados.
Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que os impede de navegar nas ondas de seu próprio destino.
Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida.
Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança.
 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

JEGUE!

 


2024

 
A primeira parte deste texto é uma reflexão pessoal sobre o frenesi ligado à comemoração do Natal e passagem de ano e foi escrito em 2024.  A segunda parte foi rascunhada nos primeiros dias de 2025. Depois de devidamente atualizados resolvi juntar os dois, mas o resultado ficou meio estranho, mesmo retratando sentimentos e emoções reais.

Hoje em dia, os melhores momentos para mim acontecem quando estou dormindo, longe do mundo, longe da vida, mas há muito tempo venho sentindo certo desconforto nas mudanças de calendário, pelos sentimentos antagônicos, de conflito entre as emoções que essas datas despertam. Refiro-me às comemorações de Natal e Ano Novo.

De um lado, a esperança que sempre se renova com as promessas de um novo ciclo e os desejos de que tudo melhore; de outro, as notícias assustadoras de calamidades recentes e a quase certeza de que nada mudará.

Há ainda uma tristeza disfarçada, provocada pelas escolhas de pessoas queridas. São momentos em que as famílias se dividem. Não tem jeito: uns viajam, outros ficam em casa; alguns vão à casa dos pais, outros à dos sogros. Nesse Natal, nos reunimos na casa de minha falecida sogra, mas dois de nossos filhos e suas famílias não estavam presentes.

Por esperarmos a virada de ano em nossa própria casa, a celebração foi ainda mais silenciosa, novamente marcada pela ausência de um dos filhos. Hoje percebo como meus pais devem ter sentido nossa falta em suas comemorações simples e frugais, pois sempre preferíamos as ceias fartas e ruidosas da casa de meu sogro.

Mas essas celebrações parecem emoldurar ou realçar as tragédias recentemente acontecidas. É difícil sorrir diante de tanto sofrimento que a mídia nos mostrou, pois 2024 parece ter sido um ano atípico e extremamente pródigo no quesito tragédias. Desabamentos de casas, queda de aviões, o colapso de uma ponte, acidentes rodoviários com dezenas de mortes e enchentes que destruíram não só bens materiais, mas também sonhos e histórias de vida.

Toda essa dor, aliada à minha tristeza provocada por problemas particulares, levou-me a escrever alguns versos de pé quebrado, a que daria o nome de "2025". Depois, pensando melhor, achei injusto jogar nas costas de um recém-nascido toda a minha melancolia pré-existente. Por isso, mudei o título para 2024". Olhaí.

2024
Hoje eu vivo sem esperança
Uma vida desesperada
Vida desesperançada
Vida onde a dor não termina 

Corrida sem pódio ou medalha
Vida que está terminada
Mesmo estando ainda vivo
Inútil jornada sem paz 

O sorriso franco, real
A vida descoloriu
A alegria ficou nublada
Em esgar transformada a risada

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

CASUAR

 
Algumas pessoas parecem ter uma inesgotável capacidade de decepcionar aqueles que não os seguem bovinamente. Adivinhou de quem estou falando? Vou dar uma pista: creio que a título de piada, ofereceu cloroquina para as emas do Palácio da Alvorada. Captou? Pois é, acho uma pena que aqui não seja a Austrália e que as emas não sejam casuares, mas tudo bem.

Para poupar o tempo gasto em pesquisa dos leitores, aqui uma rápida definição do casuar (National Geographics): o casuar é uma ave nativa da Oceania que chega a medir 1,70m e pesar 60 kg. Não voa e pode correr a 50 km/h. Por seu temperamento agressivo é considerada a ave mais perigosa do mundo, já tendo sido registrados casos de ataques e mortes a humanos. 
“Por ser grande e robusto – só perde em tamanho (altura e peso) para os avestruzes e os emus – o casuar pode causar um grande estrago em sua presa quando ataca. Além disso, as garras que possuem nas patas têm até 12 centímetros de comprimento e, com suas pernas compridas, o animal costuma correr para se defender ou avançar sobre a presa”. (Obrigado, NatGeo!)
 
E o que está pegando agora? O silêncio pela premiação merecidíssima da Fernanda Torres. E por que "ele" não comentou ou elogiou a premiação de um filme brasileiro nas terras do Donald Trump? Bom, parece que o motivo pode ser dor de corno antiga, rancor conservado em geladeira.
 
Graças à divulgação de notícias sobre o troféu abiscoitado pela filha da Fernanda Montenegro, acabei descobrindo algumas coisas sobre “ele” (estou tentando não dizer o nome) em um artigo muito mal escrito, mas cheio de novidades que eu desconhecia. Eu falei em dor de corno e rancor mantido sob refrigeração, não é? Então segura aí:
 
“Pela parte do ex-presidente Jair Bolsonaro o sentimento pelo ex deputado Rubens Paiva é de ódio - recheado de ataques pessoais. Com sucesso de Ainda Estou Aqui, filme que conta a história do desaparecimento de Rubens, o atrito entre os dois foi relembrado. Bolsonaro passou parte de sua adolescência em Eldorado Paulista, no vale do Ribeira, cenário em que a família Paiva teve influência. O pai de Rubens, Jaime Paiva, era um “coronel” local e foi eleito deputado duas vezes (...)A família era proprietária da fazenda Caraitá e seu poder aquisitivo permitia que eles liderassem a economia e a vida social no município.
 
Bolsonaro nasceu de uma família humilde (...) Em sua biografia Mito Ou Verdade: Jair Messias Bolsonaro, escrita pelo seu filho Flávio Bolsonaro, o político afirma que as diferenças de classes o incomodavam e que ‘parte considerável do território da cidade de Eldorado Paulista era de domínio particular, uma fazenda enorme chamada Caraitá – que hoje seria um latifúndio’. (...) Além disso, o ex-presidente retratava os filhos de Rubens como jovens privilegiados que desfrutavam de luxos inacessíveis”.
 
Captou o rancor e a inveja que provavelmente o consumiram pelo desnível sócio-econômico que deve ter engolido durante a infância e juventude? Pois é...
 
Foi provavelmente essa inveja e rancor represados que o levaram a mais esse motivo para ser desprezado: durante a inauguração na Câmara dos Deputados de um busto em homenagem ao ex-deputado Rubens Paiva e estando presentes os filhos e a viúva, o então inexpressivo deputado  aproximou-se e cuspiu na estátua, chamando o homenageado de “comunista” e “vagabundo”. Essa atitude abjeta foi relatada nas redes sociais pelo neto do ex-deputado torturado e morto durante a ditadura.
 
Só falta agora "ele" também chamar os atores e o diretor de comunistas e vagabundos. Mas, em nome do bom senso, deve pelo menos poupar o diretor Walter Salles dessas ofensas, pois seu nome completo é Walter Moreira Salles e é filho do fundador do Unibanco. E acho que não soa bem chamar de comunista o décimo brasileiro mais rico, dono de uma fortuna de 25,6 bilhões de reais.
 
Uma boa alternativa seria fazer terapia para entender e curar todo o ódio e destempero verbal que está acostumado a exibir. Isso o ajudaria também quando for condenado e preso (e talvez cuspido). E pensar que eu votei nele quando foi eleito presidente da república!


Piada: seria perfeito se o busto do Rubens Paiva tivesse sido esculpido em mármore Carrara. Assim, a cusparada do bolsonazi seria uma aula prática de expressão popular. Alguém poderia reagir, dizendo:
- Olha só, cuspido e escarrado!
Mas alguém mais culto corrigiria:
- O certo é "esculpido em Carrara".
Todo mundo riria do trocadilho e o Bozo sairia com cara de cachorro que peidou na igreja, sem saber de que e por que estavam rindo. 

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...