sexta-feira, 23 de junho de 2023

POSE PARA SELFIE

 
Tive um colega curitibano super bem humorado. Além de ser a primeira pessoa que vi atacar uma coxa de frango sem sujar as mãos, só com garfo e faca, falava despreocupadamente sobre seu sofrimento com hemorroidas. Um dia, carregando no sotaque de sua cidade, exclamou:

- “Meu cu está que é uma Roseira!” (nós mineiros diríamos “rroseira”, “ronronando” o R).

Lembrei-me disso na fila do supermercado, ao ouvir um sujeito dizer para o amigo:

- “Já caguei tanto hoje que meu cu está até fazendo bico!”

Como tenho andado muito interativo com estranhos (sinônimo de estar falando até com as paredes), tive vontade de sugerir uma linguagem mais criativa, menos explícita, algo assim:

- Já caguei tanto hoje que meu cu está até fazendo pose para selfie!”

quinta-feira, 22 de junho de 2023

BANANA EM FIM DE FEIRA

 
Fiz bem em transcrever esta frase do Marx (o Groucho) “a história se repete, a primeira vez como farsa e a segunda como tragédia”, porque a minha falta de vergonha na cara está uma tragédia, pois resolvi propagandear e vender produtos de mim mesmo. No caso, e-books com material extraído do velho Blogson (um dos rins ainda estou pensando se vendo ou não). Por isso, resolvi transformar a rede do Zuckerberg em megafone eletrônico, com este texto promocional (o sucesso foi tão grande que tive duas visualizações!).
 
 
Depois de tornar público o último dos quatro e-books que previ lançar, fiquei me coçando de vontade de divulgá-los para meus "amigos de facebook", quantidade um pouco maior que os quatorze seguidores do redivivo Blogson Crusoe. Aí resolvi escrever este texto "promocional" (a intenção de reproduzi-lo aqui atende apenas minha mania de guardar tudo o que escrevo). Olhaí. 
 
Sabem o que faz um aposentado que não tem dinheiro para viajar, não bebe, não gosta de sentar em barzinhos e botequins e que mora no bairro mais boêmio de BH? Escreve e desenha.
E essa estranha mania acabou resultando na seleção do menos ruim de uma montanha de arquivos guardados no computador.
Essa seleção do “melhor do pior” resultou em quatro e-books publicados na Amazon, com os seguintes títulos e temas:
 
O EU FRAGMENTADO – poemas (na verdade, prosa fingindo ser poesia) Preço: R$1,99
https://www.amazon.com.br/EU-FRAGMENTADO-VERSOS-CHEIOS-PROSA-ebook/dp/B0BZD9C63S/ref=sr_1_2?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=62QI6ZWV299V&keywords=o+eu+fragmentado&qid=1685349208&sprefix=o+eu+fragmentado%2Caps%2C201&sr=8-2
 
Meu nome é RICARDO – contos, crônicas e viagens na maionese Preço: R$4,90
https://www.amazon.com.br/MEU-NOME-RICARDO-CR%C3%94NICAS-DIVAGA%C3%87%C3%95ES-ebook/dp/B0C1FKD6RS/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=2640XWL35L6C5&keywords=MEU+NOME+%C3%89+RICARDO&qid=1685349361&sprefix=meu+nome+%C3%A9+ricardo%2Caps%2C196&sr=8-
 
What a Wonderful WORD! – desenhos e HQs de humor (meu filho disse que lembram pinturas rupestres, de tão toscos) Preço: R$6,90
https://www.amazon.com.br/What-Wonderful-WORD-N%C3%A3o-Desenhar-ebook/dp/B0C5ZN823S/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=1KGGE7BKK0RI5&keywords=WHAT+A+WONDERFUL+WORD%21&qid=1685349497&sprefix=what+a+wonderful+word+%2Caps%2C325&sr=8-1 
 
CONFRARIA DAS HIENAS – textos de humor de quinta série, como disse o sumido GRF (e deixo claro que se ninguém gostar, EU gosto) Preço: R$2,00
https://www.amazon.com.br/CONFRARIA-DAS-HIENAS-Medo-Rid%C3%ADculo-ebook/dp/B0C6HGVRF4/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=2E4HSI18SWR08&keywords=confraria+das+hienas&qid=1685349134&sprefix=confraria+das+hienas%2Caps%2C203&sr=8-1

E já aviso que não espero que meus seguidores comprem esses magníficos e-books (apesar de mais baratos que banana em fim de feira). Entretanto, se quiserem divulgar para os amigos, parentes, vizinhos, colegas, amantes, inimigos, terapeutas, cafetões ou ilustres desconhecidos eu derramarei lágrimas de crocodilo, de pura emoção.
 
Curiosamente, ao examinar a situação constrangedora de minha conta corrente no dia 31/05, descobri um depósito feito pela Amazon no valor de R$3,44. Não sabia que publicar livros desse tanto dinheiro! (já dá para pagar o pãozinho da manhã!).

Olha as capas aí (de novo!).



terça-feira, 20 de junho de 2023

EU SOU HÚNGARO

Às vezes, quando um dos meus filhos chegava para almoçar, dizia brincando “Eu sou húngaro”. Na primeira vez que ouvi isso, perguntei o significado e ele explicou que era um jogo de palavras bilíngue com a frase “I’m hungry”, como se “hungry” significasse “húngaro” em português. Hoje, vendo minha barriga obscena refletida no espelho, confesso ser húngaro permanentemente, o tempo todo. Depois disso já escrevi um conto (O Estrangeiro) onde o personagem acorda falando em polonês.
 
Em algumas ocasiões, para assustar alguém com quem tenho pouca ou nenhuma intimidade, digo que devo sido deixado na Terra, um ET vindo de Marte. E enumero as “provas”: não bebo, não fumo, não cheiro, detesto picanha gorda e mal passada, não assisto a jogos de futebol – nem mesmo aos jogos de copa do mundo, não curto nem ouço pagode, sertanejo ou funk. Com essas credenciais só posso pensar que não sou mesmo deste país. Aliás, em um restaurante onde peço uma feijoada (muito boa!) servida aos sábados, nas tampas das embalagens descartáveis do meu pedido mega customizado e cheio de recomendações já vem escrito "José de Marte".

Talvez seja esse tipo de comportamento (real!) que baratinou a cabeça de alguns leitores. Um deles comentou não saber se eu era real. Claro que sou! Por que iria inventar um personagem para pessoas a quem desconheço? Já um conhecido mais cara de pau, depois de ouvir meu "currículo" teve a audácia de perguntar se pelo menos eu trepo. “Claro!”, foi a resposta, logo complementada: “até a algum tempo atrás”. Fazer o que, não é mesmo?
 
Então, acho que não tenho muito problema em me sentir estrangeiro em minha própria terra. E hoje cheguei à conclusão de que não sou nem de Marte, nem polonês nem “hungarian”, pois descobri que posso ter um pé nos Países Baixos (mas que ninguém pense que estou pisando no saco de alguém, pois estaria desvirtuando este seriíssimo post). O que acontece é que talvez eu tenha um pouco de DNA holandês. E suspeitei disso ao descobrir duas características dos neerlandeses que são a minha cara.
 
Já disse milhões de vezes que minha forma predileta de lazer é fazer nada, mesmo que isso horrorize o marombado Scant, meu coach motivacional. Como ele está sumido, posso confessar sem grilo: minha forma ideal de lazer seria fazer como os jacarés – ficar imóvel, de boca aberta e olho vidrado, sem fazer absolutamente nada, sem pensar em nada, quieto e imóvel como um jacaré ao sol.
 
Outra coisa que eu curto demais é fazer jogos de palavras ou transformar nomes próprios em verbos. Até já fiz um post sobre isso. E agora, saca só estes trechos de uma reportagem lida na BBC News Brasil:
 
Niksen é uma tendência de bem-estar holandesa que significa "não fazer nada". Ela chamou a atenção do mundo como uma forma de gerenciar o estresse ou se recuperar do esgotamento mental e físico.
 
Linguisticamente, niksen (não fazer nada) é um verbo criado a partir de niks, que significa "nada".
 
Ele se encaixa na tendência da língua holandesa de criar verbos a partir de substantivos.
 
Outros exemplos são de voetbal (futebol) a voetballen (jogar futebol), de 'internet' a internetten, de 'Whatsapp' a whatsappen.
 
Agora, depois de ler essa reportagem, posso dizer tranquila e serenamente:
- I’m Dutch, Donald Dutch.
 
E se alguém quiser ler a reportagem na íntegra, o link é este:
 
https://www.bbc.com/portuguese/articles/clw9yd8w953o

 

domingo, 18 de junho de 2023

O RISO DO PALHAÇO

  

Hoje eu vou recontar uma história muitas vezes já contada. Era uma vez... Não, isto não é um conto de fadas, menos ainda um conto de fodas, pois é apenas a história de um sujeito que às vezes se sente como se tivesse sido atropelado pela Vida ou, mais provavelmente, que tivesse atropelado a própria vida. Esse alguém sou eu, um cara que acabou de completar setenta e três aninhos e que até hoje padece de insegurança, carência afetiva e arrependimento pelas burradas que fez e pelos acertos que deixou de fazer.
 
Esse cara, por sugestão de dois filhos, criou um blog onde publicou mais de 2.600 posts com todo tipo de assunto, de acordo com o humor do dia. A quase totalidade do material publicado – assim como acontece em extração de ouro (legal ou ilegal) – é formada por rejeito sem nenhuma utilidade (exceto assorear e poluir com mercúrio os cursos d’água próximos).
 
Mas alguma coisa poderia ser salva, mesmo que de baixa qualidade. E foi aí que eu entrei. Com a morte matada do blog Blogson Crusoe (a quarta ou quinta!), fiquei meio jururu e doido para fazer alguma coisa diferente. Por isso, resolvi selecionar os textos e desenhos minimamente razoáveis para depois imprimir uma cópia do material selecionado. Foi quando surgiu o último amigo virtual, um talentosíssimo sujeito que já publicou no site da Amazon uma série de e-books.
 
Inspirado em seu exemplo tive a ideia de também publicar e-books sem gastar nada, o que acelerou a seleção que já vinha fazendo. Com o auxílio, incentivo e orientações desse amigo virtual, o primeiro e-book – dedicado aos falsos poemas que escrevi – foi lançado pela Amazon. “O Eu fragmentado” foi o título que escolhi. A surpresa foi descobrir que existe um livro (não disponível atualmente) exatamente com esse mesmo título.
 
O segundo e-book foi dedicado às crônicas, contos e textos tipo papo-cabeça que escrevi. O título “Meu nome é Ricardo” remete a uma história do início de minha adolescência. O terceiro, dedicado aos desenhos toscos, cartoons e HQs que fui produzindo com o auxílio do processador de textos da Microsoft recebeu o merecido e auto-explicável título “What a Wonderful WORD!”.
 
Em 28 de maio saiu o quarto e último volume que planejei publicar (alguém tem de ter bom senso!), focado nos textos, frases e diálogos de humor, um humor de quinta série. O título escolhido é “Confraria das Hienas”, mas bem poderia ser “O Riso do Palhaço”.
 
Porque na prática, ao olhar para trás, eu percebo que sempre fui exatamente isso, um palhaço, um bufão que tentou sobreviver à insegurança e carência afetiva através do comportamento apalhaçado e sem noção, que fui cada vez mais intensificando.  Mas não reclamo disso, pois o palhaço é aquele que pode dizer que o rei está nu sem medo de ser preso por essa insolência.
 
Para finalizar, repito a piadinha que fiz ao dizer que publicar um e-book seria uma forma de deixar a marca de minha pegada sobre a Terra. Como publiquei quatro e-books, quatro são as marcas deixadas. O que significa que eu sou um quadrúpede, uma anta! Mas isso eu já sabia bem antes da publicação dos livros. Olhaí a boniteza de suas capas.


sábado, 17 de junho de 2023

VIAJANDO NA MATÉRIA ESCURA

  

Preciso confessar que este texto teve três motivações principais. A primeira foi o desejo de espairecer um pouco, descontrair, desanuviar a mente (os tempos recentes têm sido barra!). As duas restantes, ambas condenáveis e sem nenhuma nobreza de espírito são minha para sempre eterna ojeriza a um palhaço que ocupou o cargo de presidente deste país e que insiste em permanecer ridiculamente desprezível e exibir todo tipo de atitude condenável. E a Inveja. Vejam vocês, o equilibrado, o moderado Jotabê sente inveja. Pior é perceber ter sido um invejoso desde que nasceu.
 
Pois é, percebi (tardiamente) que sempre, desde a infância, eu senti inveja de quem era mais rico (fácil!) e possuía mais bens materiais que eu. Eu invejava meus primos ricos pela casa imensa onde moravam, pelo bairro rico onde ficava a casa, pelos brinquedos fantásticos que ganhavam, pelo sorvete que tomavam, pelo carro onde andavam. E eu não sentia que isso era inveja. Esse insight, essa clareza de percepção surgiu quando um amigo de facebook postou fotos de sua recente viagem ao Japão. Para mim, que estou (usando uma expressão mineira) lambendo a maior embira, aquilo foi quase uma ofensa. E aí comecei a pensar idiotices, tentando relativizar sua situação próspera e tranquila. E saiu este texto, originalmente publicado no facebook e escrito para ser entendido por quem acessa o facebook. Isso significa que precisei abandonar o conceito de números expressos em potência de dez.
 
Querem saber quantas visualizações ele provocou? Duas, sinal de que a rede do Zuckerberg pode também ser “a rede da solidão ampliada” (acho que esta é minha sina). Então, bora lá.
 
VIAJANDO NA MAIONESE!
Hoje eu me lembrei de uma das frases mais perfeitas que já li, dita com a precisão de um tiro de sniper pelo falecido Juca Chaves. É assim: “Querer ser mais do que valem é dos imbecis a praxe”. E como eu tenho me sentido muito imbecil ultimamente, resolvi pesquisar qual é o meu real valor, a minha real importância. Para isso, resolvi utilizar a Matemática básica (o resultado não foi bom!). E achei bacana dividir com meus amigos de facebook o resultado a que cheguei, mesmo sabendo que nenhum dos meus amigos de facebook é imbecil. Para começar, precisamos de alguns dados obtidos da internet. Bora lá para o...
 
Primeiro passo:
Sabe quantas estrelas existem na Via Látea (a nossa galáxia)? Uns 200 bilhões de estrelas (muita coisa!). Sabe quantas galáxias existem no Universo? Estima-se que existam uns 200 bilhões de galáxias. Isso significa que o Universo deve ter um número de estrelas igual a 4 seguido de 22 zeros (começou a complicar!).
 
Segundo passo:
Sabe-se que a Terra tem uma massa em kg que pode ser escrita pelo número 5,97 seguido de 24 zeros. Além disso, sabe-se que o nosso Sol é 330 mil vezes maior que a Terra. Então, podemos imaginar que o peso do Sol em quilos deve ser equivalente ao número 1,97 seguido de 28 zeros.
 
Se imaginarmos que todas as estrelas do Universo são do mesmo tamanho do Sol (mesmo que não sejam), poderíamos dizer que a massa total do Universo seria igual à massa do Sol multiplicada pela quantidade de estrelas acima calculadas. Isso leva a um número igual a 7,88 seguido de 50 zeros.
 
Agora, vamos caminhar no sentido oposto.
 
Terceiro passo:
Sabe quantas células tem o corpo humano? 37 trilhões. Se imaginarmos que é igual a 70 kg o peso médio de uma pessoa (bom, isso vale para a média das pessoas normais, não para mim, que peso 102 kg), então poderemos chutar que o peso de uma única célula pode ser igual a 0,0000000000019 kg. Sabemos que as amebas são organismos unicelulares. Nesse caso, podemos dizer que o peso de uma ameba seria igual ao peso calculado para a célula.
 
E aí chegamos ao quarto e último passo da brincadeira:
Se dividirmos o peso de uma pessoa ou de uma ameba pelo peso de todas as estrelas do Universo, chegaremos nestes números bonitinhos, que expressam a relevância de um mano ou uma ameba no Universo.

Humano: 0,00000000000000000000000000000000000000000000000000098
Ameba: 0,000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000026
 
 E olha que não considerei o peso da misteriosa matéria escura, dos zilhões de planetas, asteroides e todo tipo de corpos celestes que existem!
 
Conclusão: diante da absurda e incompreensível magnitude do Universo uma ameba e um ser humano têm a mesma importância, ou melhor, NENHUMA. Com nossas crenças, crendices e orgulho somos, portanto, apenas amebas megalomaníacas. Ou, em um joguinho de palavras jotabélico, amebalomaníacas.
 
A Matemática pode ajudar a dimensionar nossa irrelevância diante do Universo. Complicado é entender a quantidade de zeros à esquerda! Espero que vocês tenham curtido esta brincadeira, este exercício de humildade.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

73

Este texto foi escrito e publicado no Facebook no dia 7 de junho, dia em que completei 73 anos de vida. E a idéia de publicá-lo aqui é por sempre ter visto o Blogson como uma blogoteca. 
 
Eu fui uma criança pobre. Pobre e invejosa, pois tudo o que eu queria era poder ganhar os presentes que meus primos ricos ganhavam – e eu nunca ganhei.
 
Depois de adulto, no entanto, eu fui ganhando muitos presentes incríveis. Mas nada de tablets, relógios, roupas ou sapatos! Os melhores presentes que eu ganhei em toda a minha vida são minha mulher, nossos filhos, nossas filhas do coração (pois foi isso em que nossas noras se transformaram) e as quatro geminiñas.
 
E esses presentes são tão maravilhosos que me fazem pensar no que fiz para merecê-los. Porque no duro, no duro, eu penso que não os merecia. E os ganhei!
 
São esses presentes que me fazem celebrar com o coração cheio de alegria e gratidão cada dia da minha vida, cada aniversário que faço. E é isso que venho fazendo nos últimos 19.401 dias, desde que ganhei o primeiro desses presentes.
 

quinta-feira, 15 de junho de 2023

RETURN OF THE LIVING DEAD

 
Como dizia aquele samba-canção (não estamos falando de cuecas vento a favor, ok?), “Ele voltou, o Botelho voltou novamente, saiu daqui tão contente, por que razão quer voltar?”
 
Pois é, eu voltei, mais sem graça que cachorro que peidou na igreja, mas voltei. A diferença é que depois de matar e re-matar o Blogson tantas vezes acho que vale para esta re-volta a frase dita pelo irmão mais velho e mais chato do Groucho Marx: “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.
 
E tudo o que eu quero nesta volta é farsa (back to basic!). Porque agora tudo vai ser diferente (obrigado Roberto Carlos). No velho Blogson – mesmo que possa ter-me enganado algumas vezes – eu nunca menti. Tudo o que eu escrevi era real, constrangedora e dolorosamente verdadeiro às vezes. Isso agora acabou. Não tenho mais nenhum compromisso com a verdade – nem com a mentira. Para ser sincero, não tenho compromisso com porra nenhuma. Se tiver vontade inventarei as histórias mais tolinhas ou os casos mais escabrosos.

No velho Blogson eu comi toda a carne e roí os ossos. Ao novo Blogson restaram apenas as fantasias e a falta de caráter. Por isso, para começar, o mote “o blog da solidão ampliada” será substituído por “A voz que clama pelo dessert" (obrigado, São João Batista!).

Isto já é uma prova de canalhice, pois a voz que clama pela sobremesa é o lema do blog Falando com as Paredes. Como os dois blogs são meus, o Falando ficará com o lema e a sina da solidão ampliada. Além disso, o Blogson vai vampirizar o Falando, dele retirando as postagens que valer a pena republicar.

Outra coisa é a mudança de status dos amigos virtuais. No velho Blogson eu tratava os “seguidores” como amigos virtuais, porque era assim que eu os considerava realmente. Depois de algumas deserções, percebi que alguns eram apenas seguidores. Agora, no novo Blogson isto está resolvido: mesmo que contem com minha total simpatia (ou até desprezo em alguns casos - pois a perfeição é uma meta defendida pelo goleiro que joga na seleção) os amigos virtuais serão considerados apenas seguidores. Como disse o jogador de golfe Alice Cooper, “No more Mr. Nice Guy”.

E não haverá nova morte do Blogson Crusoe, a versão highlander dos blogs comuns, um blog que demonstrou ter mais vidas que a gata Cleonice. Chega de frescura, de mi mi mi au!

Para finalizar, deixo claro que só forneço meu zap e e-mail para pessoas que conheço no mundo real, capisce? E nem adianta comprar os quatro e-books jotabélicos para puxar meu saco. Comprar essas maravilhas da literatura mundial não é puxação de saco, é obrigação! Fui.

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...