Mas é dureza ter de
admitir que as sirenes dos tempos modernos, além da Pequena Sereia e do uóuóuó das viaturas policiais, são dois sereios (ou tritões), marmanjos mal ajambrados – o intrépido e macho das antigas Marreta do Azarão e meu sobrinho Rafael, que é mais que espada, é espadachim. Então, devo
mesmo estar com Alzheimer para prestar atenção no que esses dois disseram! Mas preciso deixar registrado para as futuras degenerações que nunca me senti atraído por rabo de homem nenhum. Para ser sincero, com tanta gostosa se ondeando por aí vou me preocupar com rabo de sereio? É ruim!
quarta-feira, 14 de junho de 2023
O CANTO DAS SEREIAS
segunda-feira, 9 de janeiro de 2023
O SONHO ACABOU
EXÉRCITO DE BRANCALEONE
“Quando a estupidez é considerada patriotismo, não é seguro
ser inteligente”. (autor desconhecido)
Este post era só de despedida e fechamento do
blog, mas depois dos acontecimentos mais que deploráveis em Brasília e ainda mais
lamentáveis por existir pessoas que aplaudem e aplaudiram o vandalismo descontrolado
de uma escória criminosa, resolvi deixar também registrada minha revolta e desprezo
por todos os que concordaram, não se importaram, ou até aplaudiram essa inadmissível tentativa de golpe.
Depois de noticiada na mídia a intenção de bolsonaristas de fechar refinarias e a utilização de caminhoneiros para bloquear estradas, ficou claro para mim que uma operação de guerra havia sido planejada e financiada por uma minoria endinheirada e com apoio de estrategistas. Ou seja, um grupo de golpistas (que precisa ser identificado, preso e punido) resolveu criar um exército de Brancaleone para que as Forças Armadas se dispusessem a intervir e melar um governo democraticamente eleito.
Um exército trapalhão formado por idiotas, lunáticos, vândalos e mercenários, dividido em três “armas”: “infantaria”, a turba de vândalos que viajou para Brasília; “cavalaria”, os caminhoneiros que fechariam as estradas e “engenharia" ou "artilharia”, a gangue que bloquearia as refinarias.Em uma guerra de verdade os comandantes sempre ficam obviamente a salvo para acompanhar, planejar e conduzir as operações, jamais ou quase nunca na "frente de batalha", jamais deixando o cuzinho à mostra. Esse pessoal precisa ser identificado e punido, muito bem punido, para parar de brincar de “Comandos em Ação”!"
Depois de noticiada na mídia a intenção de bolsonaristas de fechar refinarias e a utilização de caminhoneiros para bloquear estradas, ficou claro para mim que uma operação de guerra havia sido planejada e financiada por uma minoria endinheirada e com apoio de estrategistas. Ou seja, um grupo de golpistas (que precisa ser identificado, preso e punido) resolveu criar um exército de Brancaleone para que as Forças Armadas se dispusessem a intervir e melar um governo democraticamente eleito.
Um exército trapalhão formado por idiotas, lunáticos, vândalos e mercenários, dividido em três “armas”: “infantaria”, a turba de vândalos que viajou para Brasília; “cavalaria”, os caminhoneiros que fechariam as estradas e “engenharia" ou "artilharia”, a gangue que bloquearia as refinarias.Em uma guerra de verdade os comandantes sempre ficam obviamente a salvo para acompanhar, planejar e conduzir as operações, jamais ou quase nunca na "frente de batalha", jamais deixando o cuzinho à mostra. Esse pessoal precisa ser identificado e punido, muito bem punido, para parar de brincar de “Comandos em Ação”!"
Como símbolo e recordação desta época triste sugiro buscar no Youtube uma lindíssima música apropriadamente intitulada “Stormy Weather” (“Clima Tempestuoso” ou “Tempo de Tempestade”), interpretada por Etta James. Para facilitar, o link é este: https://www.youtube.com/watch?v=et7SReenr_s
O SONHO ACABOU
O sonho acabou. Não foi o Gilberto Gil nem um dono da confeitaria que disse isso. Sou eu que estou dizendo.
13 amigos e amigas virtuais (eram 15, mas dois,
mais "sensíveis", resolveram abandonar o blog), mais de 146 mil visualizações,
2.620 postagens, mais de 4.700 comentários (metade disso, provavelmente, correspondente
às minhas respostas). Bacana, não? Oito anos e meio de muita diversão, piração,
angústias, insights, raiva, decepção e alegrias, tempo em que este blog transformou-se
em "blogoterapia", palanque para criticar os políticos mais em evidência,
"sitting comedy" de má
qualidade (o oposto de stand up comedy),
galeria de desenhos de jardim de infância, palco para todo tipo de exibicionismo
jotabélico, idiossincrasias e neuroses mal ou nunca curadas.
Esse é o retrato do Blogson Crusoe. Mas acho que
já deu. Não tenho mais vontade nem estômago (talvez no sentido literal, só um exame
que estou postergando dirá) para continuar a brincar de blogueiro ou ficar me explicando
ou contestando opiniões contrárias à minha forma de ver a vida, pois, por mais que
alguns não acreditem, eu sou uma pessoa moderada e a favor da conciliação, da “abertura
de portas”, sempre na torcida a favor do Bem, sempre contra todo tipo de radicalismo.
Também não tenho mais vontade de ficar usando
linguagem coloquial e gírias mal aprendidas para esconder minha ignorância e falta
de cultura. Cansei de buscar inspiração, de tentar garimpar assuntos interessantes
ou pequenas lembranças ainda não registradas. Sinto-me incapaz de fazer novas piadas
de quinta série (acho que fui reprovado) ou de escrever uma crônica minimamente
bem humorada. Resumindo, acho que já deu mesmo.
Como disse antes, foram muitas as emoções vivenciadas
nesses oito anos de vida. Mas a partir de hoje o Jotabê vestirá seu pijaminha de
unicórnio cor de rosa, calçará suas pantufas e voltará a ser apenas o José Botelho,
um idoso triste, deprimido e solitário, mas com ódio eterno ao cloroquínico ex-presidente
(e aos baderneiros e terroristas de extrema direita que ontem, dia 08/01, além de
vandalizar prédios públicos e bens histórico-culturais em Brasília, ainda barbarizaram
este post que já estava pronto, pois não queria criar um post apenas para fazer meu
desabafo contra os bolsonaristas idiotas (a grande maioria).
Voltando ao texto original eu já estava acalentando
a ideia de fechar o Blogson há muito tempo (este texto começou a ser escrito ainda
antes do Natal, mas fui enrolando sempre procrastinando, sempre adiando o xeque-mate,
algo parecido com um relacionamento que terminou mas que você demora a aceitar),
pois eu ainda pretendia publicar (e publiquei) oito posts já prontos (mesmo que
fossem uma merda), pois detesto jogar fora o que escrevi.
Mas agora não há mais nada no estoque. Por isso,
vou utilizar a “cláusula pétrea” que descrevi no post “Uma Cláusula Pétrea” para
fechar o Blogson, pois agora tenho certeza do que realmente quero. Em outras palavras,
nunca mais postarei nada neste blog da solidão ampliada. Este é o fim real e definitivo
do Blogson, pois "nunca mais" é para sempre.
Mesmo assim, deixo para os amigos e amigas virtuais
(inclusive para os que optaram por deixar de ser e até mesmo para os que talvez
tenham aplaudido o vandalismo em Brasília) meu coração eternamente grato pelo que
representaram para mim e para o Blogson nesses oito anos.
Fui, ou melhor, fomos.
O sonho acabou. Não foi o Gilberto Gil nem um dono da confeitaria que disse isso. Sou eu que estou dizendo.
domingo, 8 de janeiro de 2023
NÃO QUERIA ESTAR VIVENDO NEM ESCREVENDO ISSO!
Mas a invasão de Brasília por uma escória de extrema direita, terroristas que entraram e barbarizaram os prédios do Palácio do Planalto, STF e Congresso Nacional me obrigam a fazer uma última condenação à barbárie descontrolada, mal contida e mal reprimida, praticada por gente que é tudo, menos avôzinhos aposentados e avozinhas fofinhas, doces e dóceis. Não são! São, volto a repetir, uma escória que não se importa em viver sob ditaduras e regimes autoritários - desde que sejam de direita, de extrema direita. Esse vandalismo só prova que democracia é um artigo de que nunca ouviram falar ou que nunca lhes interessou. Cem ônibus cheios de gado bolsonarista não surgiram do nada. Quem contratou, quem fretou? Foram planejados e financiados por uma minoria endinheirada e ainda mais radical. E me ocorre uma pergunta: o que é pior, "ladrões" que roubam dinheiro público ou "ladrões" que tentam roubar a democracia e a liberdade de todo um país? Já vi várias e lamentáveis manifestações nas redes sociais apoiando esse atentado à democracia, à Constituição Federal e ao povo brasileiro. Sabe o que são esses apoiadores? Babacas, idiotas irrecuperáveis, gente de quem eu quero distância - física ou virtual. Entrei novamente no facebook só para excluir definitivamente a "amizade" com quem publicou alguma coisa em favor dessa escória de baderneiros e terroristas. Antes só que mal acompanhado, concordam? Mas chega, pois meu fígado não aguenta mais, já estou muito nauseado com toda essa baderna e não quero falar mais nada. E estou tão puto que já dou o spoiler definitivo: amanhã sairá o último post deste blog. E agora os textos que eu tão ingenuamente quis apenas reproduzir.
Quando a senadora Simone Tebet (minha candidata preferencial à presidência) declarou seu apoio no segundo turno ao ainda candidato Lula, teria comentado que estaria “pagando um alto preço político” por isso. Eu não pagarei nada – até por não ter nenhuma grana para pagar o que quer que seja –, mas terei de suportar quatro anos com petistas falando abobrinhas nos meios de comunicação. Pelo menos isso ou até mesmo injeção na testa é melhor que suportar mais quatro anos de (des)governo do chorão.
Por isso, ao ler um artigo no portal UOL em forma de carta destinada ao Lula e publicado no dia de sua posse, vi que tudo o que eu gostaria de dizer ao novo presidente estava dito na carta do colunista Jamil Chade. A consequência imediata foi um copycola para o velho Blogson. Olhaí.
Sobrevivemos ao momento mais ameaçador de nossa jovem democracia e vencemos sem disparar um só tiro. Um homem pequeno, repugnante, violento, cruel, ignorante e irresponsável fugiu, deixando órfãos milhares de seguidores que foram fraudados por uma estratégia que usou a mentira como instrumento de poder.
Agora, temos a obrigação de reinventar o futuro, em nome daqueles que padeceram sob um governo negacionista e de tantos outros que, em suas lágrimas, viram sonhos serem esmagados. Temos a obrigação de reinventar a nossa democracia, quem somos no mundo e nossa identidade nacional múltipla, diversa e inclusiva.
A realidade, presidente, é que a partir de agora os olhos do mundo estão focados no senhor.
Aos brasileiros, sua presidência tem pela frente a tarefa hercúlea de ter de restabelecer a confiança nas instituições, de pacificar famílias, de dar sentido à função pública, de resgatar a dignidade de milhões de famintos.
Ao mundo, sua gestão terá de provar que a Amazônia não fica na periferia do Brasil. Mas sim no centro do poder, das prioridades e do projeto de nação. Dela depende, em muitos aspectos, a sobrevivência não apenas de uma democracia. Mas de nossa existência no planeta.
Ao mundo, que carece de liderança, sua presidência terá de provar que somos um parceiro confiável, que combatemos a corrupção e o crime, que somos parte das soluções para as crises do planeta. E não parte dos problemas.
Sua posse será marcada por um número inédito de delegações estrangeiras. Mas não tenha a ilusão de que isso é uma chancela pessoal apenas ao senhor. Sua vitória - e agora sua posse - eram passos fundamentais para que as democracias ocidentais pudessem dar uma resposta ao movimento de extrema direita, que ganha terreno, invade famílias, cultos, escolas, torcidas de futebol e todos os aspectos da sociedade.
Por tudo isso, considero que o senhor assume o mandato mais importante da história da democracia brasileira. Talvez essa seja a última chance que temos de desmontar um movimento bárbaro que fincou raízes profundas e armadas no Brasil.
Um eventual fracasso de sua gestão dará força e uma narrativa de legitimidade a grupos que não acreditam na democracia como pacto social.
Bolsonaro fugiu. Mas o bolsonarismo se instalou em nosso país. Ganhou assentos importantes no Senado e nos estados. E, com a ajuda da flexibilização de certas leis, abriram nas consciências armas um espaço real para o ódio.
Não há consenso sobre seu nome, as urnas mostraram isso. Muitos brasileiros não teriam votado no senhor se não fosse por uma necessidade urgente de impedir a implosão de nossa democracia. Isso sem contar com a outra metade do país que não votou pelo senhor.
Portanto, não haverá período de trégua, um silêncio de 100 dias ou uma suposta lua de mel. Como imprensa, estamos aqui para fiscalizar, cobrar e questionar. Mas também para reconhecer que decisões tomadas por sua equipe merecem ser aplaudidas: uma Funai verdadeiramente indígena, a volta da participação de mulheres em postos ministeriais, a busca por uma diversidade, uma liderança real em temas de direitos humanos, cientistas renomados responsáveis pela Saúde, ambientalistas nos cargos adequados, vozes do movimento negro no esforço de democratização.
Somos hoje uma nação violentada, uma república profanada e temos o ódio normalizado como instrumento político. O mandato de quatro anos do governo de Jair Bolsonaro termina com uma característica típica dos mandatários medíocres: a covardia.
Desejar o inferno para esse imoral não resolverá nossos problemas. Temos de desejar Justiça. Para que quem mate morra de medo. Para determinar, como bem colocou o argentino Julio Strassera, que o sadismo não é uma orientação política. É perversão moral.
A tarefa de retirar o país de um fosso, da depressão e do esgotamento é enorme. Muitos acreditam que o senhor não tem direito de errar. A cobrança é exagerada? Talvez. Mas o que está em jogo definirá nossa geração. No Brasil e no mundo.
Jamil
UMA CLÁUSULA PÉTREA
Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro,
Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim.
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei.
Eu reinei no que nunca fui. (Fernando Pessoa)
sexta-feira, 6 de janeiro de 2023
NÃO TENHO MAIS SACO PARA ISSO!
PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!
Já percebi que estou ficando cada vez mais fragilizado emocionalmente. Séries ou filmes na TV, por exemplo, se tiverem drama e sofrimento mental eu me recuso a assistir. Se eu já estou achando o mundo, a Vida, uma merda, para que mais sofrimento (mesmo que fictício)? Outra coisa que me apavora e preocupa é que tipo de mundo minhas netinhas viverão quando estiverem com 20 anos.
Mesmo que não espere a compreensão dos radicais (e não estou nem aí), um dos motivos para me recusar eternamente a votar no chorão foi a percepção de que sua reeleição representava uma ameaça ao futuro climático do planeta, justamente pelo desmatamento desenfreado da Amazônia. Para mim, o roubo do futuro é muito pior que um eventual roubo no presente (se é que me entendem).
NOTÍCIAS POPULARES
Deu no noticiário de vários jornais: Marido imobiliza esposa para vizinho estuprá-la na virada do ano em SP. Filho da mulher chamou a polícia e os dois foram presos.
Esta notícia é tão absurda, tão indicadora da volta da barbárie, que só posso tentar fazer uma piada para impedir a náusea: O marido e o vizinho provavelmente pra lá de bêbados, devem ter cantado assim: “Vira, vira vira, virou!”
NÃO ADIANTA BUFAR!
Existem palavras com uma capacidade tão grande de provocar alucinações e confusão mental em pessoas emocionalmente mais frágeis, que se fossem medicamentos seriam classificados como “tarja preta” e teriam sua receita retida nas farmácias. Comunismo e democracia, por exemplo, são duas dessas.
Pessoas de má fé utilizam as palavras comunismo e comunista para semear o medo entre a população mais conservadora. Já democracia tem o efeito inverso. Regimes e líderes autoritários, ditatoriais adoram declarar-se democratas e a favor da democracia. E aí a vontade é dizer "me engana que eu gosto!"
Esta conversa fiada serve como introdução a uma piada que outro dia alguém me contou. Uma ótima piada, talvez a melhor do ano passado. Alguém teria dito ou escrito que “os comunistas não são patriotas, pois o comunismo é internacional”.
Eu já comecei a rir do uso das palavras “comunista” e “comunismo”, que funcionam como rótulos perfeitos para quaisquer tipos de “males” e "ameaças" à sociedade e às crenças ou valores de muita gente, especialmente se forem mais idosos ou com uma situação financeira tranquila. Votou no Lula? Comunista. É a favor do aborto? Comunista. É a favor da “ideologia de gênero” (o que quer que isso signifique)? Comunista. E por aí vai.
Mas, voltando à frase, fiquei encantado com a “inteligência” ou má fé de quem a formulou. Por isso, bateu a vontade de identificar "comunistas" ocultos dentre as pessoas de bem. Afinal, todo cuidado é pouco!
E fiquei pensando que se o Cristianismo tem seguidores em todas as partes do mundo (mais internacional, impossível!), então todos os cristãos são comunistas. Foda!
Comunistas também são os principais controladores das montadoras de automóveis, das empresas de exploração e refino de petróleo e de todas as multinacionais.
Outro exemplo: sempre ouço dizer (e concordo) que o Capital não tem pátria (nem ideologia). Nesse caso, seguindo o raciocínio da piada e ainda que isso soe estranho, os bilionários capitalistas são comunistas – mesmo que o Warren Buffett bufe contrariado.
Piadinha mais sem graça, sô!
DITADOS POPULARES
Existem duas máximas (ou ditados) em linguagem chula que dizem quase a mesma coisa:
"Pimenta no cu dos outros é refresco" e "Se o cu não é meu, pau nele". Lembrei-me disso pela notícia que acabei de ler:
Gasto de milhões com lubrificante sexual causa polêmica na Argentina
Programa 'Haceme tuyo' (faça-me seu, em tradução livre do espanhol) gastou 500 milhões de pesos argentinos (R$ 15 milhões) na compra do produto.
Aqui no Brasil, em abril de 2022, quando o imbroxável estava em pleno gozo de seu mandato presidencial, saiu a notícia de que o Exército fez um gasto de R$ 3,5 milhões na compra de próteses penianas.
Isso só prova uma coisa: independente do fato de um governo ser de direita ou de esquerda, qualquer despesa pouco convencional ou supérflua será sempre enfiada no cu da população.
Já percebi que estou ficando cada vez mais fragilizado emocionalmente. Séries ou filmes na TV, por exemplo, se tiverem drama e sofrimento mental eu me recuso a assistir. Se eu já estou achando o mundo, a Vida, uma merda, para que mais sofrimento (mesmo que fictício)? Outra coisa que me apavora e preocupa é que tipo de mundo minhas netinhas viverão quando estiverem com 20 anos.
Mesmo que não espere a compreensão dos radicais (e não estou nem aí), um dos motivos para me recusar eternamente a votar no chorão foi a percepção de que sua reeleição representava uma ameaça ao futuro climático do planeta, justamente pelo desmatamento desenfreado da Amazônia. Para mim, o roubo do futuro é muito pior que um eventual roubo no presente (se é que me entendem).
NOTÍCIAS POPULARES
Deu no noticiário de vários jornais: Marido imobiliza esposa para vizinho estuprá-la na virada do ano em SP. Filho da mulher chamou a polícia e os dois foram presos.
Esta notícia é tão absurda, tão indicadora da volta da barbárie, que só posso tentar fazer uma piada para impedir a náusea: O marido e o vizinho provavelmente pra lá de bêbados, devem ter cantado assim: “Vira, vira vira, virou!”
NÃO ADIANTA BUFAR!
Existem palavras com uma capacidade tão grande de provocar alucinações e confusão mental em pessoas emocionalmente mais frágeis, que se fossem medicamentos seriam classificados como “tarja preta” e teriam sua receita retida nas farmácias. Comunismo e democracia, por exemplo, são duas dessas.
Pessoas de má fé utilizam as palavras comunismo e comunista para semear o medo entre a população mais conservadora. Já democracia tem o efeito inverso. Regimes e líderes autoritários, ditatoriais adoram declarar-se democratas e a favor da democracia. E aí a vontade é dizer "me engana que eu gosto!"
Esta conversa fiada serve como introdução a uma piada que outro dia alguém me contou. Uma ótima piada, talvez a melhor do ano passado. Alguém teria dito ou escrito que “os comunistas não são patriotas, pois o comunismo é internacional”.
Eu já comecei a rir do uso das palavras “comunista” e “comunismo”, que funcionam como rótulos perfeitos para quaisquer tipos de “males” e "ameaças" à sociedade e às crenças ou valores de muita gente, especialmente se forem mais idosos ou com uma situação financeira tranquila. Votou no Lula? Comunista. É a favor do aborto? Comunista. É a favor da “ideologia de gênero” (o que quer que isso signifique)? Comunista. E por aí vai.
Mas, voltando à frase, fiquei encantado com a “inteligência” ou má fé de quem a formulou. Por isso, bateu a vontade de identificar "comunistas" ocultos dentre as pessoas de bem. Afinal, todo cuidado é pouco!
E fiquei pensando que se o Cristianismo tem seguidores em todas as partes do mundo (mais internacional, impossível!), então todos os cristãos são comunistas. Foda!
Comunistas também são os principais controladores das montadoras de automóveis, das empresas de exploração e refino de petróleo e de todas as multinacionais.
Outro exemplo: sempre ouço dizer (e concordo) que o Capital não tem pátria (nem ideologia). Nesse caso, seguindo o raciocínio da piada e ainda que isso soe estranho, os bilionários capitalistas são comunistas – mesmo que o Warren Buffett bufe contrariado.
Piadinha mais sem graça, sô!
DITADOS POPULARES
Existem duas máximas (ou ditados) em linguagem chula que dizem quase a mesma coisa:
"Pimenta no cu dos outros é refresco" e "Se o cu não é meu, pau nele". Lembrei-me disso pela notícia que acabei de ler:
Gasto de milhões com lubrificante sexual causa polêmica na Argentina
Programa 'Haceme tuyo' (faça-me seu, em tradução livre do espanhol) gastou 500 milhões de pesos argentinos (R$ 15 milhões) na compra do produto.
Aqui no Brasil, em abril de 2022, quando o imbroxável estava em pleno gozo de seu mandato presidencial, saiu a notícia de que o Exército fez um gasto de R$ 3,5 milhões na compra de próteses penianas.
Isso só prova uma coisa: independente do fato de um governo ser de direita ou de esquerda, qualquer despesa pouco convencional ou supérflua será sempre enfiada no cu da população.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2023
GEMININIÑAS - 16
Os pais da Lelê e da Lulu decidiram passar a virada do ano na casa do “Tio Dani”. Para otimizar os preparativos para a festa, decidiram que enquanto a mãe desse banho e o jantar das menininhas o pai passaria a roupa a ser usada no dia.
- É, Lu? Papai ferrou ele todo? (com aquele riso discreto e esculachante para o marido. Aquele já havia sido eleito, por unanimidade, o melhor trocadilho da história).
- Sim, mamãe! É para ele ferrar o meu também?
- Não, Lu, melhor não. O seu não precisa.
ERA UMA VEZ...
Recentemente,
para criar um espaço maior para as netinhas brincar, resolvemos cobrir com
pedra São Tomé um canteiro onde só havia mato. Dentre as pedras entregues uma
chamou minha atenção, pois tinha a “impressão digital” de uma folhagem de prováveis milhões de anos atrás. Fiquei encantado com a imagem preservada e resolvi criar
uma historinha para entreter as menininhas. Parece que elas gostaram, pois a
Lulu pediu: “Conta de novo”.
Depois da terceira vez contando a mesma história (cada vez com mais detalhes “empolgantes”) e como o Blogson já está mesmo em fase terminal, resolvi guardar na blogoteca o texto da historinha imaginada. Os leitores e leitoras podem achar uma merda, piegas ou o que quiserem, mas estou pouco me lixando. Meu negócio é memória, preservação da memória desimportante, mas não menos digna, não menos saborosa. Olhaí.
Há muito, muito, muito, muito tempo não existiam ainda galinhas nem porquinhos nem cachorrinhos. Ah, e nem vaquinhas, zebrinhas ou gatinhos. Só existiam dinossaurões, dinossauros, dinossaurinhos e lagartixas do tamanho de um carro. E baratas também. As plantas eram árvores muito grandes, mais ou menos grandes e plantinhas.
Havia um dinossaurinho que gostava muito de comer plantinhas, mas ele era muito pequeno e tinha de viver escondido, pois tinha medo dos dinossaurões. Seu nome era Dininho (nome escolhido por votação).
Um dia ele estava comendo sua salada de plantinhas (nhoc nhoc nhoc) quando ouviu o barulho de um dinossaurão por perto. A terra até tremia com as pezadas que ele dava no chão ao andar (mãos batendo alternadamente na mesa). Dininho precisava se esconder rapidinho, mas aquela saladinha estava tão boa!
Foi aí que ele teve a ideia de cobrir suas plantinhas com uma pedra para comer depois que o dinossaurão fosse embora.
O dinossaurão estava com fome, doido para comer algum dinossaurinho e ficou rugindo (ROARR!!!!) enquanto olhava para ver se encontrava algum. Como não achou nenhum, foi embora.
O Dininho saiu da toca, olhou pra cá, olhou pra lá, ficou escutando para ver se o dinossaurão ainda estava por perto. Quando viu que não tinha mais perigo, resolveu continuar a comer sua saladinha deliciosa (tinha alface, brócolis, tomate, beterraba, só faltou um salzinho e azeite).
O resto da história, eu não sei, mas acho que ele não conseguiu se lembrar do lugar onde tinha escondido sua plantinha deliciosa. Levantava uma pedra aqui e nada, levantava outra e nada também (as mãos e pés das menininhas fazendo às vezes de pedras). E ele nunca mais encontrou a saladinha escondida. Mas não ficou com fome, pois como era muito esperto logo encontrou outras plantinhas deliciosas.
Muito, muito, muito, muito tempo se passou, os dinossaurões, os dinossauros e os dinossaurinhos sumiram, surgiram as galinhas e também os porquinhos, as vaquinhas, as zebrinhas, os cachorrinhos e os gatinhos. Mas ninguém nunca mais achou a saladinha do Dininho, que foi ficando sequinha, sequinha e esmagada pela areia, até que tudo virou pedra.
Um dia a vovó e o vovô compraram umas pedras para colocar no chão e olha só o que encontraram: não era mais a plantinha perdida do Dininho, mas o retrato dela! Olha como ela era bonitinha:
Depois da terceira vez contando a mesma história (cada vez com mais detalhes “empolgantes”) e como o Blogson já está mesmo em fase terminal, resolvi guardar na blogoteca o texto da historinha imaginada. Os leitores e leitoras podem achar uma merda, piegas ou o que quiserem, mas estou pouco me lixando. Meu negócio é memória, preservação da memória desimportante, mas não menos digna, não menos saborosa. Olhaí.
Há muito, muito, muito, muito tempo não existiam ainda galinhas nem porquinhos nem cachorrinhos. Ah, e nem vaquinhas, zebrinhas ou gatinhos. Só existiam dinossaurões, dinossauros, dinossaurinhos e lagartixas do tamanho de um carro. E baratas também. As plantas eram árvores muito grandes, mais ou menos grandes e plantinhas.
Havia um dinossaurinho que gostava muito de comer plantinhas, mas ele era muito pequeno e tinha de viver escondido, pois tinha medo dos dinossaurões. Seu nome era Dininho (nome escolhido por votação).
Um dia ele estava comendo sua salada de plantinhas (nhoc nhoc nhoc) quando ouviu o barulho de um dinossaurão por perto. A terra até tremia com as pezadas que ele dava no chão ao andar (mãos batendo alternadamente na mesa). Dininho precisava se esconder rapidinho, mas aquela saladinha estava tão boa!
Foi aí que ele teve a ideia de cobrir suas plantinhas com uma pedra para comer depois que o dinossaurão fosse embora.
O dinossaurão estava com fome, doido para comer algum dinossaurinho e ficou rugindo (ROARR!!!!) enquanto olhava para ver se encontrava algum. Como não achou nenhum, foi embora.
O Dininho saiu da toca, olhou pra cá, olhou pra lá, ficou escutando para ver se o dinossaurão ainda estava por perto. Quando viu que não tinha mais perigo, resolveu continuar a comer sua saladinha deliciosa (tinha alface, brócolis, tomate, beterraba, só faltou um salzinho e azeite).
O resto da história, eu não sei, mas acho que ele não conseguiu se lembrar do lugar onde tinha escondido sua plantinha deliciosa. Levantava uma pedra aqui e nada, levantava outra e nada também (as mãos e pés das menininhas fazendo às vezes de pedras). E ele nunca mais encontrou a saladinha escondida. Mas não ficou com fome, pois como era muito esperto logo encontrou outras plantinhas deliciosas.
Muito, muito, muito, muito tempo se passou, os dinossaurões, os dinossauros e os dinossaurinhos sumiram, surgiram as galinhas e também os porquinhos, as vaquinhas, as zebrinhas, os cachorrinhos e os gatinhos. Mas ninguém nunca mais achou a saladinha do Dininho, que foi ficando sequinha, sequinha e esmagada pela areia, até que tudo virou pedra.
Um dia a vovó e o vovô compraram umas pedras para colocar no chão e olha só o que encontraram: não era mais a plantinha perdida do Dininho, mas o retrato dela! Olha como ela era bonitinha:
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