quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

ACORDA, DISSONANTE!

Dissonância em acordes musicais é tudo de bom e tem a cara da bossa nova, mas dissonância cognitiva é bem a cara da ultra direita rancorosa. E não há nada de bom nisso.


terça-feira, 3 de janeiro de 2023

BSCS

 
Terminei o post "PSSC" falando das novidades (para mim, pelo menos) nas áreas de física, biologia e química ensinadas no Colégio de Aplicação, mas havia a mesma “pegada” nas outras matérias. Em português tivemos aulas de interpretação de textos com a análise exaustiva de textos como o poema Ismália, de Alphonsus de Guimaraens (aqui sou obrigado a fazer um parêntese: esse negócio de análise literária desde sempre me lembrou a tentativa de tirar leite de pedra).
 
Em matemática encaramos as pedreiras de trigonometria, análise combinatória, limites e derivadas, e por aí afora. Detalhe: perguntei a meus filhos se chegaram a estudar esses assuntos e a resposta foi unânime: "Não".

E o “defeito” é que você poderia ser reprovado em uma ou mais matérias e obrigado a repetir o ano (que absurdo!). Mesmo que no “glorioso Afonso Arinos” a repetência também pudesse acontecer, chama atenção o fato de que uma escola pública tivesse esse nível de excelência curricular. Seria o Aplicação uma ilha de qualidade em um mar de escolas medíocres? Eu era pobre e tomava dois ônibus para chegar à escola, mas contaria o fato de ser ela uma escola pública em plena zona sul da cidade, com alunos majoritariamente oriundos de famílias mais abonadas? 
 
Só sei que o Colégio de Aplicação acabou e em algum momento a “magia” se desfez. Ou teria sido progressivamente?
 
Quando meus filhos estavam na idade escolar, em algum momento e por falta de grana (quem mandou ter quatro filhos?) tive de retirá-los da escola particular caríssima  em que estudavam, matricular os dois mais velhos em um colégio militar onde só estudavam filhos de policiais militares (ganharam bolsa arranjada por um conhecido influente) e os dois filhos mais novos em uma escola municipal próxima de nossa casa, pois naquela época as melhores escolas já eram particulares (e caras pra burro).
 
Engoli a flagrante perda de status e fui levando a vida, mas o que era ruim piorou ainda mais, com o advento da “escola plural”, que me fez ter um diálogo mais ou menos assim com o diretor da escola municipal:
 
- Estou impressionado com a escola plural, pois esse modelo inseriu definitivamente o ensino na modernidade do mundo virtual!
- Ah, é? (cara de desconfiado)
- Claro, pois os professores fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem e os pais fingem que acreditam!
- Ahah (sorriso amarelo e provável vontade de me dar um murro na cara)
 
Só sei que graças ao ensino oferecido nas duas escolas públicas meus filhos tiveram de “ralar o cu nas ostras” para passar no vestibular. Assim mesmo, só um conseguiu ser aprovado na UFMG (passou na quarta tentativa depois de estudar pra caralho!).
 
Por tudo isso que já foi dito, acho inconcebível a piora da qualidade do ensino público e a leniência com a indisciplina e violência que invadiram as escolas, mas acho também uma idiotice o endeusamento dos colégios militares. O que eles têm de bom? Um uniforme em que alunos e alunas usam um ridículo quepe de soldado raso? Disciplina, aulas de moral e cívica? Eu tive aulas de “Educação Moral e Cívica”, substituída depois por “Organização Social e Política Brasileira (OSPB)”. Sabe quando? Em plena ditadura militar e sempre achei uma bosta inútil.
 
Para mim, o ensino dispensa ideologia (ou deveria dispensar). O que se deveria buscar é qualidade. E, vamos falar sério, com ênfase em matérias que possam ajudar o país a deslanchar tecnologicamente. De que adianta estudar filosofia e importar traquitanas eletrônicas ou vacinas desenvolvidas em outros países?
 
Mas, como disse no início, sou apenas uma anta velha com (desin)formação na área de Exatas, sem condições nem autoridade para opinar nesses baratos de ensino. Mesmo assim, acho que a meta de qualquer ministro da Educação deveria ser conseguir equiparar o ensino praticado no Brasil ao que é oferecido nos melhores países dessa área – Cingapura, Noruega, Coreia do Sul, etc.
 
Claro que não seria uma tarefa de curto prazo. O ideal seria começar no ensino fundamental. Aí sim, disciplina e civilidade poderiam ser ensinadas, cobradas e estimuladas, pois como poderia dizer o Compadre Washington, “pau que cresce torto nunca se endireita”.
 
Para finalizar este comentário inútil, mais uma lembrança: logo depois de terminar o curso de Letras minha mulher começou a lecionar português (embora o sonho fosse Francês, retirado da grade curricular). Cu de ferro até mandar parar, foi escolhida paraninfa de duas turmas quando tinha apenas 25 anos.
 
Disse ela que no final do ano o “Conselho de classe” se reunia para examinar a situação de alunos mais problemáticos. Um dos professores, desprezando o resultado das provas, usava o seguinte bordão: “não passou com você, não passou comigo”. E quis que minha mulher reprovasse o mais “delinquente”. Ela recusou-se dizendo que o aluno tinha feito uma ótima prova de português e que jamais o reprovaria apenas por ser o escrotão da sala (ela não usou esta palavra).
 
Esse caso comprova alguma coisa, mas cansei de escrever abobrinhas. O que posso repetir é que o sonho de qualquer governante, de qualquer autoridade da área de Educação, de qualquer pai ou mãe deveria ser a busca e cobrança da máxima qualidade do ensino praticado no país, independente da escola ser pública ou particular. E que a busca dessa excelência começasse ainda no primeiro ano de ingresso à escola. Como? Sei lá, talvez com uma política de estímulo e cobrança tanto para alunos quanto para professores.

Resumindo: foda-se a ideologia, o que eu quero é a qualidade do ensino praticado em Cingapura. Ou no Colégio de Aplicação da UFMG!!!!

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

CLICHÊ DAS SEITAS

 Encontrei no site Metrópoles um vídeo que mostra uma manada de idiotas na entrada da casa do ex-vice-presidente Mourão depois de seu último pronunciamento, onde critica o silêncio e a inação de “alguém” contra os acampamentos na porta dos quartéis. Fiquei tão impressionado com o que vi que mandei o link para minha mulher e meus quatro filhos, com apenas uma palavra: “Assustador”.
 
Meu filho mais velho foi preciso no comentário: “a dissonância cognitiva está espancando esse povo há algum tempo, mas é o clichê das seitas: os que não aceitam a realidade se radicalizam ainda mais”.
 
Aí pensei em compartilhar esse vídeo com quem acessa este blog, pois os malucos que aparecem vociferando as sandices mais delirantes são o tipo de gente que me fez votar com convicção no Lula e me alegrar ao vê-lo eleito. 

PSSC

 
Meu raivoso amigo virtual Marreta escreveu em seu blog "A Marreta do Azarão" um longo manifesto denunciando e condenando as práticas educacionais hoje em vigor. Falou com conhecimento de causa, pois é professor. Obviamente embrulhou tudo no papel ideológico de sua preferência. Sem problema! Por não ter formação nem informação sobre esse assunto, prefiro me abster de fazer comentários irrelevantes ou equivocados. Mas eu sou uma anta velha e sem rumo e resolvi contar sobre o ensino que se praticava quando eu era só uma anta jovem e sem rumo, ou melhor, um adolescente sem rumo.
 
Depois de me formar na quarta série do “grupo escolar”, fui matriculado em um colégio particular decadente (pois tinha saído do centro da cidade e mudado para o bairro de classe média baixa onde eu morava). Embora destinasse o turno da manhã apenas ao sexo masculino e o da tarde exclusivamente às meninas, era considerado um colégio "boate", pois o ensino era meia boca. A título de exemplo, nunca conseguimos chegar ao final do livro de português e nem nunca aprendemos como extrair uma raiz cúbica. Apesar disso, fomos (como todos os demais colégios) obrigados a desfilar na parada de sete de setembro de 1964 ou 1965. E nem preciso comentar o motivo.
 
Em 1965, ao me formar no curso “ginasial”, surgiu o dilema: onde fazer o curso colegial? Creio que nesse colégio o segundo grau só existia no turno da noite. O problema foi solucionado por uma providencial caxumba, que me deixou de molho na cama, sem poder fazer nada a não ser estudar. Com isso, consegui uma vaga no excelente “Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia da UFMG”. Para os íntimos, apenas “Aplicação”.
 
A mudança foi brutal: se no glorioso Afonso Arinos eu estudava apenas na véspera das provas, foi necessário ralar muito para conseguir passar para o segundo ano colegial do Aplicação. Esse colégio era um balão de ensaio para teste das novidades pedagógicas e tecnológicas ensinadas na Faculdade de Filosofia (daí o nome “colégio de aplicação”).

Uma das novidades era o direcionamento dos alunos segundo seu interesse, já no início do segundo ano. Três eram as áreas oferecidas: CiEx (Ciências Exatas), CiBi (Ciências Biológicas) e CiSo (Ciências Sociais). Assim, esperava-se dos alunos um melhor aproveitamento do ensino. Havia também dois ou três laboratórios especializados. Lembro-me do cheiro absurdamente nauseabundo que um dia invadiu todo o colégio, proveniente de um caldo de baratas, que estavam sendo cozidas para estudo microscópico de parasitas ou coisa semelhante. 
 
Aliás, o laboratório de biologia era permanentemente fedorento, devido ao "combo" (xixi de rato, ração, serragem, etc.) relacionado aos camundongos brancos que seriam dissecados pelos alunos. A única vez em que tive o desprazer de participar de uma aula prática para ver o coração de um camundongo batendo não foi uma experiência muito "exitosa" (detesto esta palavra!), pois matamos o bichinho com uma overdose de éter ou coisa parecida. Assim, meu grupo ficou só pentelhando o que outros grupos menos rudes faziam.

Outra novidade foi a adoção de livros de física, biologia e química traduzidos do inglês. Eram livros impressos em papel couchê, cheios de imagens de ótima resolução e... quase nenhuma fórmula. O que se aprendia nesses livros eram conceitos teóricos sem a decoreba de fórmulas. Lembro-me um exercício sobre “ordem de grandeza”, onde se pedia a quantidade de bolinhas de ping-pong necessárias para encher o Maracanã.

Um dos professores de química era um entusiasta de experiências impactantes no laboratório. Seu guarda-pó mais que furado de ácido era prova disso e fazia pensar que os buracos estavam unidos por  frações de tecido. Um dia avisou que faria uma mistura que liberaria um gás letal, mas assim que o gás começou a surgir jogou tudo na pia, para alívio dos assustados alunos presentes.

Nas aulas teóricas ouvimos falar de moléculas de DNA, adenina, timina, RNA, de orbitais e da ordem de entrada dos eletrons nos subníveis s, p, d, f, palavras estranhas que estavam relacionadas a todo tipo de novidade que alunos de segundo grau poderiam assimilar. Outra curiosidade eram os títulos desses livros: PSSC para o livro de física, BSCS para o de biologia e CBA para o de química.

Procurei na internet o significado dessas siglas e encontrei o seguinte: PSSC: ''Physical Science Study Committee”; BSCS: “Biological Sciences Curriculum Study” e CBA: “Chemical Bond Approach”. Eram livros iguais aos utilizados pelos gringos, era o país curvando-se à excelência técnica buscada e praticada nos Estados Unidos! 

Segundo um texto que encontrei na internet (parcialmente transcrito a seguir),  
O PSSC é um projeto de ensino de física desenvolvido na década de 1950 pelo MIT e posteriormente trazido ao Brasil em 1962 por meio do IBCC-UNESCO com apoio do MEC.(...)
 
O projeto PSSC foi elaborado nos EUA, e teve abrangência Nacional, sendo que contou com colaboração de mais de 600 professores e pesquisadores de diversas instituições (PSSC - Apêndice 3),em torno de 20 por cento dos professores de ensino médio segundo a AAPT (American Association of Physics Teachers).(...)

O PSSC tem como proposta abordar os conteúdos físicos de uma maneira menos abstrata que os livros da época, tentando expor exemplos mais conceituais e menos matematizados, com isso buscando despertar o interesse dos jovens para a área da física. Além disso é um dos primeiros materiais pedagógicos que buscam dar o suporte total ao professor desde o conteúdo até a parte experimental.(...)
 
No Brasil o PSSC chega através do IBECC ( Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura) , que segundo Abrantes(2010), foi criado como Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de atuar em projetos naquelas áreas. Nesse contexto o PSSC foi importado e traduzido, bem como outros materiais já mencionados, produzidos nos EUA como produto dos mesmos investimentos.
 
E acho que por hoje chega, pois este post é um textão sobre assunto que talvez não interesse a ninguém. Por isso, continuarei no “próximo número”.

sábado, 31 de dezembro de 2022

TEMPO DE AGRADECER

Dias 31 de dezembro e primeiro de janeiro são datas que se destacam no calendário justamente porque marcam o fim um período de 365 dias e o início de nova contagem. Por não ser agricultor que precisa planejar os ciclos de plantio e posterior colheita de legumes, frutas e verduras essas datas têm pouca utilidade para mim. Para muita gente, entretanto, o início de um novo ciclo é muito importante e tem muitas (in)utilidades. Astrólogos, videntes, cartomantes e assemelhados, por exemplo, deitam e rolam.

Uma dessas inutilidades é planejar o que se pretende (deixar de) cumprir no novo ano. Mas pode ter uma função mais amistosa, mais carinhosa, que é agradecer. No meu caso, agradecer a todas as pessoas que acessaram o blog desde junho de 2014 e, em especial, às que se interessaram em clicar o botão “Seguir”, transformando-se imediatamente em minhas amigas e amigos virtuais.
 
Há amigos e amigas virtuais que nunca se preocuparam com esse “burocrático” botão, mas que, mesmo assim, foram das mais amistosas, gentis e divertidas pessoas a acessar o blog, caso da titular do extinto “Elemento Jota” e de “Lord Wilmore”, de paradeiro ignorado, mas sempre bem lembrado.
 
E há aqueles que por isso ou por aquilo resolveram abandonar a canoa furada do blog, caso da "Super Girl", do "Rocket" e do sempre participativo “Ozymandias Realista”, segundo amigo virtual do blog(!). Não importa. As lembranças que tenho de todos são as melhores e as mais sinceras possíveis. E esse é o motivo deste registro: fazer o que talvez seja meu último agradecimento por todos os momentos de diversão, euforia, perplexidade, irritação, alegria ou surpresa pelos comentários lidos aqui no blog, momentos que conseguiram diminuir um pouco a “solidão ampliada”.

Por tudo isso e a todos que ajudaram a manter vivo este blog mambembe e mal acabado eu desejo e torço para que 2023 seja um ano que traga principalmente felicidade e alegrias, especialmente para os atuais quatorze amigos e amigas virtuais do Blogson Crusoe, relacionados a seguir na ordem em que foram "detectados no radar” do blog. Obrigado a todas e todos, obrigado de coração.
 
A Marreta do Azarão
Scant S/A
PHKiws
GRF
Laryssa Bispo
Marina Araujo
Maju Marquezan
Fábio Carraro
Conrad SeisEnHofer
Mariana Guarnieri França
Mariana
EcT
John Ramalho
Fabiano Caldeira

 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

ESPERANDO A CHEGADA DO ANO NOVO

 
Como sabem as leitoras e leitores mais frequentes desta bagaça, eu me formei em engenharia (depois de cinco anos de malandragem e irresponsabilidade) no jurássico ano de 1974. Naquela época o CREA ainda era “Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura”. Hoje a Arquitetura abandonou esse barco, preferindo navegar por conta própria. Não importa.
 
Ainda recém-formado, tive a oportunidade de conhecer um engenheiro já velhinho cujo número de registro era 23. Para se ter uma ideia da diferença de idade e de tempo de formado, meu registro é 13.000 e alguma coisa.
 
Hoje minha mulher pediu-me para levar um presentinho de Natal para uma senhora que foi sua professora primária (pois é...). Ao chegar ao portão do prédio onde mora essa nossa amiga, comecei a rir sozinho na rua (coisa de gente doida ou senil). E o fato causador foi a placa com identificação da responsável técnica de uma obra que está sendo executada perto da casa dessa senhora. O CREA da engenheira tem o número 155 mil e fumaça! É mole?
 
Aí não teve jeito: na hora, pensei na musiquinha da Globo que diz “Marcas do que se foi...”.

O engenheiro de número 23 há muito tempo deve estar “dormindo profundamente” e eu, com meu CREA 13.000 já posso começar a pensar em “arrumar minha cama”, torcendo para que a engenheira número 155.000 tenha sido mais responsável que eu. "O tempo passa, o tempo voa..."

MAIS UMA TEORIA INSTANTÂNEA

 
Não sei se esta é uma característica comum a todos os idosos, mas desde que comecei a envelhecer de forma mais acelerada tenho tido um interesse meio mórbido em saber quem morreu neste ou em outro ano qualquer. Talvez eu esteja apenas seguindo o verso da música que diz “cá pra nós, antes ele do que eu”.
 
Pois bem, depois da notícia da morte do ator Pedro Paulo Rangel, resolvi fazer um levantamento rápido dos famosos falecidos em 2022, um “who’s who da finitude atingida”.  Descobri que a Wikipédia tem uma relação mês a mês de quem “partiu para nunca mais”. Fui passando os olhos na lista e anotando os nomes de quem me trazia algum tipo de lembrança, por menor que fosse. E o resultado foi uma lista com setenta pessoas. Vários desses nomes são de estrangeiros famosos. Dessa lista tirei as seguintes informações:
 
- o tempo de vida médio desse grupo foi de 80,8 anos;
- 17 pessoas morreram com mais de 90 anos, 21 estavam na faixa de 81 a 90 anos, 24 estavam na faixa de 71 a 80 anos e 8 com menos de 70 anos.
- não me preocupei com a “causa mortis”. Em vez disso, resolvi descobrir quantos famosos morreram na faixa entre cinco anos a mais ou a menos que minha idade atual (72 anos). E o número de falecimentos é de apenas 18, ou 25% do total levantado.
 
E esse resultado fez surgir mais uma teoria miojo em minha cabeça (para quem não sabe, teoria miojo é aquela formulada em apenas três minutos e o resultado obtido é sempre uma merda):
 
Na verdade, a "teoria" é só a ratificação de um pensamento recorrente em minha cabeça. A reação mais previsível seria ficar mais atento e preocupado com o número de falecimentos de pessoas na faixa etária próxima à minha. No entanto, mesmo que eu fique mais focado nessa faixa, ela não é tão significativa se comparada com o total do levantamento feito (mesmo que sem nenhum rigor científico).
 
Tentando extrapolar essa conclusão para outras áreas do cotidiano, uma reflexão possível é a confirmação ou percepção de que as pessoas só prestam atenção, só se sensibilizam com as informações que validam, que vão ao encontro de suas preocupações (ou preconceitos), mesmo que a Realidade seja muito maior e mais abrangente. E que quanto mais ficamos focados nos nossos mundinhos, menos capazes somos de entender e até aceitar a diversidade à nossa volta.
(Jotabê esguicha psicologia aplicada, mesmo que seja de fabricação caseira).
 
E agora, para terminar, a relação dos falecidos em 2022 (vai falar que não estava interessado em saber!):
 
Richard Leakey - arqueólogo
Viktor Saneyev - atleta olímpico
Milton Gonçaves - ator
Pedro Paulo Rangel - ator
Ray Liotta - ator
Rubens Caribé - ator
Sidney Poitier - ator
William Hurt - ator (O Beijo da Mulher Aranha)
James Caan - ator (O Poderoso Chefão)
Robbie Coltrane - ator da série Harry Potter
Isaac Bardavid - ator e dublador
Jean Louis Trintignant - ator francês
Djenane Machado - atriz
Françoise Forton - atriz
Irene Papas - atriz
Maria Fernanda - atriz
Maria Lúcia Dahl - atriz
Marilu Bueno - atriz
Kirtie Alley - atriz americana multi premiada
Olívia Newton-John - atriz e cantora
Cláudia Jimenez - atriz e comediante
Ilka Soares - atriz e modelo
Monica Vitti - atriz italiana
Taylor Hawkins - baterista da banda Foo Fighters
Eder Jofre - boxeador
Cesar Costa Filho – cantor e compositor
Paulo Diniz - cantor
Ruy Maurity - cantor
Marcos Pitter - cantor brega
Leno - cantor da dupla Leno e Lilian (Jovem Guarda)
Rolando Boldrim - cantor e apresentador
Erasmo Carlos - cantor e compositor
Nico Fidenco - cantor italiano
Elza Soares - cantora
Gal Costa - cantora
Paulinha Abelha - cantora
Cláudio Hummes - cardeal
Arnaldo Jabor - cineasta
Jean Luc-Godard - cineasta
Peter Bogdanovich - cineasta
Gilberto Chateaubriand - colecionador de arte
Sérgio Paulo Rouanet - diplomata
Olavo Monteiro De Carvalho - empresário
Gil Cesar Moreira De Abreu - engenheiro chefe da construção do Mineirão
Ligia Fagundes Telles - escritora
Nelida Piñon - escritora
Ivana Trump - ex Donald Trump
Luiz Antonio Fleury - ex-governador de São Paulo
Luiz Galvão - fundador dos Novos Baianos
Newton Cruz – general
Olavo De Carvalho - guru e astrólogo
Batoré - humorista
Jô Soares - humorista
Elifas Andreato - ilustrador (muito foda!)
Isabel Salgado - jogadora de vôlei
Alberico De Souza Cruz - jornalista
Danuzza Leão - jornalista
Silvio Lancellotti - jornalista e gastrônomo
Dalmo Dalari - jurista
Edino Krieger - maestro
Henrique Morelembaum - maestro
Paulo Jobim - músico (e filho de Tom Jobim)
Jerry Lee Lewis - músico dos primórdios do rock and roll
Gary Brooker - músico fundador da banda Procol Harum
Vangelis - músico grego
Thiago De Mello - poeta
Mikhail Gorbatchev - político russo responsável pelo fim da União Soviética
Michael Lang - produtor do Festival de Woodstock
Tilden Santiago - professor universitário e político
Marilene Galvão - uma das Irmãs Galvão

Atualização: depois da publicação deste post o portal G1 fez uma reportagem ou levantamento com “As mortes que marcaram 2022 no Brasil e no mundo”. Aí ficou de colher para ver o retrato do pessoal. Para quem se interessar, o link é este:

 

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...