sábado, 14 de agosto de 2021

HUMOR BRITÂNICO PARA INICIANTES

Mesmo que ultimamente eu não esteja encontrando muitos motivos para rir, sou e sempre fui um “devoto” do humor, talvez por entender que é um sinal de vida inteligente de quem o criou. E por conta dessa devoção sempre me sinto atraído por tudo relacionado ao assunto, até mesmo por textos que o expliquem.
 
Já faz algum tempo que descobrimos no canal Film&Arts o “Show de Graham Norton”, um talk show produzido na Inglaterra, com quatro ou cinco convidados em cada programa. O apresentador, uma espécie de Jô Soares magro, extrai com seu senso de humor afiado os casos mais bizarros ou hilários dos convidados. E esse é o segredo do programa, o humor inesperado e às vezes desconcertante dos comentários divertidos feitos pelo apresentador ou por seus convidados.
 
Justamente por essa pegada do programa, resolvi pesquisar na internet alguma coisa sobre o “humor inglês”. E descobri um texto curto que resolvi transcrever, só para provocar um de meus doze amigos virtuais. Mais de uma vez, depois de ler no Blogson algum texto autodepreciativo ou melancolicamente irônico, meu amigo virtual Scant reagiu como um zeloso e severo “coach de otimismo”. Já me recomendou yoga, vitaminas, leituras diversas, muitas trepadas e todo tipo de coisa que pudesse me levar a uma visão mais positiva da vida, da minha vida.
 
Pois bem, agora eu posso tentar me esquivar de suas orientações sempre bem intencionadas, dizendo que não sou tão depressivo assim, pois o que eu faço mesmo é humor inglês. Olhaí, meu caro Scant:
 
Um guia sobre humor britânico para iniciantes
A abordagem única do humor britânico pode parecer desconcertante a princípio. Pesando na autodepreciação, no sarcasmo quase indetectável e no humor seco, o humor da Grã-Bretanha pode parecer um idioma totalmente novo. Mas não tenha medo, reunimos um guia para iniciantes para que você possa entendê-lo (e usá-lo!).
 
Rir de si mesmo
A chave para entender o humor britânico é saber não se levar muito a sério. O humor padrão é destacar as próprias falhas. Desprezando as falhas a fim de parecer mais humilde, acessível e relacionável. Não há espaço para egos no humor britânico. Encontros constrangedores, falta de jeito e momentos embaraçosos são materiais de autodepreciação bem estabelecidos.
Exemplos: “Eu realmente não sou muito bom em comédia de auto-depreciação". “Parece que me vesti no escuro esta manhã!” “Sou péssimo em cozinhar, poderia queimar água”.
 
Espere, eles estavam brincando?
Combine a autodepreciação com uma dose de sarcasmo discreto e você terá os principais ingredientes do humor britânico. Sarcasmo e ironia fazem parte do DNA britânico. Eles são produzidos com um timing considerado perfeito e quase sempre com um humor seco que deixa o ouvinte questionando se era realmente uma piada (ou não?).
Pode ser difícil identificar o sarcasmo em um novo idioma e uma nova cultura, e na Grã-Bretanha as pistas habituais são a hipérbole (exagero) e a ênfase excessiva nos adjetivos que são enfatizados ainda menos, dificultando a compreensão. Felizmente, o sarcasmo é usado com tanta frequência no dia-a-dia que, em breve, você será profissional em detectá-lo. Certifique-se de usar o tom, o contexto e as pistas não verbais, como o sorriso orgulhoso que se espalha pelo rosto de quem fala (os britânicos lutam para esconder sua satisfação com um comentário sarcástico perfeitamente cronometrado) como um guia.
Exemplos: “Ah, então você sabe como atender o telefone?” “Adoro quando meu trem está atrasado.” “Gosto muito do quão alto você toca sua música.”
 
Não leve a sério o que dizemos
Os britânicos são famosos por serem muito, muito educados, mas um sinal infalível de que um britânico gosta de você é se ele o ofender com prazer com comentários ocasionais e espirituosos. Essas não são declarações mesquinhas, mas uma troca fantasiosa de brigas verbais com um rosto sorridente e sem desculpas. Pode ser usado para esclarecer as diferenças com novos amigos, na tentativa de estimular uma conversa.
Um aspecto vital para se dominar o humor britânico é julgar o que as pessoas com quem você está acham engraçado. Um comentário direto nem sempre é apropriado. É tudo uma questão de aprimorar seu humor para se adequar à ocasião e ao local.
Exemplos: “Como você nunca viu Frozen?! O que há de errado com você ?!” “Não posso ser amigo de alguém que não bebe chá!” “Não posso ser visto em público com um torcedor do Manchester United!”
 
Britânicos encontram humor em quase tudo
Os britânicos usam o humor para aliviar até os momentos mais infelizes. Existem poucos assuntos sobre os quais eles não brincam. Não é usado para chocar ou ofender, mas sim porque os britânicos usam a risada como uma forma de medicamento quando a vida os derruba. O infortúnio e o fracasso são comuns na comédia britânica – desde que as piadas sejam de bom gosto. Na maioria das culturas, há tempo e lugar para o humor. Na Grã-Bretanha, este não é o caso.
Exemplo: “Eu tropecei e caí na frente de todos, mas pelo menos não me envergonhei!”
 
Apesar da reputação da Grã-Bretanha como um lugar bastante sério, o humor é realmente o cenário padrão do país – estamos sempre procurando melhorar nosso dia com uma pitada de risada.
 
Pois é. Depois de ler esse texto senti-me muito aliviado, pois descobri que além da minha seriedade e finesse também exibo regularmente meu humor à moda inglesa, fruto talvez da minha educação britânica, como já disse algum dia. Porque, apesar do meu jeito meio rude, minha educação é tão britânica quanto a do príncipe Charles. Na verdade, estudamos em colégios "tipo" gêmeos, só que ele na Inglaterra e eu, no velho e bom Colégio Afonso Arinos.

  

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Ô GENTE!

Não é raro surgir uma "chamada" na televisão de canais abertos, uma interrupção da programação normal para divulgação de uma notícia extraordinária,  dizendo "Congresso Urgente!" ou "Brasília Urgente!" O dia de hoje merece mais uma “chamada" assim: “Brasília? Ô gente!” Tá bom, o trocadilho é muito ridículo, mas não mais que os acontecimentos da terra plana (planalto, entendeu?). Só para registro, além de um depoimento cheio de silêncios e mentiras de um coronel na CPI da Covid, uma "tanqueata" no dia da votação da PEC do voto impresso. Meu fígado não aguenta tudo isso!



domingo, 8 de agosto de 2021

DIA DOS FILHOS

 
Meus filhos têm um nível de inteligência que eu admiro muito. Isso poderia ser conversa de pai indulgente, coruja, mas têm mesmo. Essa inteligência se manifesta de formas diferentes em cada um deles. A criatividade e um senso de humor super apurado e até desconcertante são dois dos pontos em comum. Em um deles a inteligência emocional extravaza, outro tem um QI perto da genialidade e por aí vai.
 
Um deles, talvez por não ter filhos resolveu gastar um pouco de suas horas de lazer fazendo um desenho por dia. Há mais de seis meses que está nessa batida. Assim, ele que já desenhava bem para caramba, está com a mão calibradíssima. Por isso enviou-me uma mensagem contendo duas imagens,um retrato de alguma atriz ou celebridade antiga e o desenho em que tentou reproduzir a foto. O resultado ficou tão fabuloso que me estimulou a tentar fazer alguma coisa semelhante. Escolhi a foto de uma escultura incrível que alguém me enviou e tentei reproduzi-la. Nem preciso dizer que meu desenho ficou a anos-luz da qualidade obtida por meu filho.
 
E por que estou dizendo estas abobrinhas? Porque hoje é Dia dos Pais. Embora eu siga o exemplo de nosso presidente e cague para as convenções sociais, o fato é que meus filhos sempre me fizeram entender o sentido real de Felicidade, uma felicidade que eu nunca fiz por merecer, até por ser um anti-pai, um exemplo a nunca ser seguido.  E este é o motivo deste post, sintetizado no desenho mal acabado que consegui fazer: ainda que nunca tenha sido um exemplo de pai para meus filhos, eles sempre me motivaram e inspiraram a tentar ser uma pessoa um pouco melhor, mesmo ficando a quilômetros de distância de onde sempre estiveram. Por isso, no dia dos pais, só posso desejar a todo mundo que ainda lê esta bagaça um feliz dia para os filhos.



DIA DO FÃ

 
Já publiquei est texto antes, mas sinto que preciso republicá-lo (antes tarde que nunca, já dizia o Barrichello).
 
Sempre que o Dia dos Pais vai se aproximando eu me sinto um pouco constrangido, pois, embora hoje eu tenha quatro netinhas, não tenho filhos no sentido corriqueiro do termo. O que eu sou mesmo é fã, pois nunca fui um bom pai nem exemplo de nada (mau exemplo, talvez). Em compensação, são eles que me servem de exemplo com sua bondade, integridade, retidão de caráter e generosidade. Claro está ter sido minha mulher a responsável amorosa e dedicada (põe amorosa e dedicada nisso!) por eles serem hoje as pessoas incríveis que são.
 
Por isso, lamento que já exista um "Dia do Fã", comemorado no dia 19 de março. Pra mim, não tem nada a ver! No duro, no duro, o Dia do Fã eu comemoro mesmo é no Dia dos Pais. Porque, se como pai eu nunca fui grandes coisas, como admirador de meus filhos eu sou presidente do fã-clube.
 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

MAIS OLIMPIADAS

A cada quatro anos, mesmo não tendo perfil de atleta como nosso presidente (morro de inveja!), fico tomado de grande emoção com o início de mais uma versão dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Aliás, o máximo que consigo ter é pé de atleta, uma infecção fúngica na pele dos pés causada por um dermatófito, como qualquer consulta ao Google pode informar.
 
Como disse, é fato notório que nosso presidente tem perfil de atleta. Por isso, imagino que fique babando a cada vitória, a cada medalha conquistada por brasileiros nas Olimpíadas de Tóquio. Há tantos esportes, tantas provas, tantas modalidades que a bem da verdade a maioria das pessoas desconhece  e nem se interessa em conhecer (badminton, por exemplo: existiria uma versão goodminton?).

Talvez por isso, talvez estimulado pela imensa variedade de esportes em disputa, nosso presidente está ameaçando (“ameaçando” é apenas figura de linguagem, entendeu?) disputar uma modalidade radical de esporte que parece atraí-lo muito, um tipo de disputa fora das quatro linhas.
 
Pelo que entendi, esse esporte seria uma espécie de sumô invertido (invertido mas hetero), uma exibição de força bruta. Também é bom que se diga que se não foi inventado pelo presidente, alguns praticantes dessa modalidade que mais se destacaram no passado parecem ser seus ídolos. Mas é um esporte muito violento, cheio de caneladas, dedo no olho, chute na bunda, etc. Talvez por sua característica de briga de rua, de turma, de gangue, por desconsiderar regras, normas e regulamentos não foi nem será adotado em nenhuma olimpíada.
 
Se eu fosse o presidente nem pensaria em praticar esse esporte, pois a reputação daqueles que o praticam fica para sempre manchada. Mas acho que ele merece uma medalha olímpica pelo "conjunto da obra", mais condizente com sua idade, uma medalha que honre seu perfil de atleta, uma medalha de atletismo, na modalidade Revezamento. Revezamento de ministros, claro.


Por sua obsessão permanente pela adoção do voto impresso, pelo uso do mimeógrafo a álcool e pela volta do Orkut (ele adora uma rede social), o Bolsonaro bem que merecia  ser condecorado com uma medalha olímpica na modalidade “Luta contra as urnas eletrônicas”(afinal, estamos em plena época dos Jogos Olímpicos de Tóquio e precisamos aproveitar sua visibilidade na mídia). Pensando bem, acho até que merecia patrocinar a criação de novas disputas, uma espécie de Jogos Olímpicos de TOC. As primeiras que me ocorreram foram “Tiro no próprio pé” e “Esgrima com ministros do TSE”. Alguém aí sugere mais alguma?





terça-feira, 3 de agosto de 2021

AS OLIMPIADAS DE J.B.

 
Estamos em pleno período das Olimpíadas de Tóquio, evento que provoca as maiores demonstrações prévias de ufanismo por parte do enólogo Galvão Bueno, que previu (ou preferiu acreditar) que o Brasil ganhará 26 medalhas. Tanto otimismo assim só se compara às avaliações iniciais sobre a gravidade da pandemia feitas pelo J.B. ou pelo Osmar (en)Terra (“É só uma gripezinha” ou “A Gripe suína, H1N1, matou 2 pessoas a cada dia no Brasil em 2019. Este número, deve ser maior que as mortes que acontecerão pelo coronavírus aqui.”).
 
Como ensinou Cartola, a dura realidade acaba por “reduzir as ilusões a pó”, tanto em relação ao quadro de medalhas olímpicas quanto em relação à Covid. Mas não para todo mundo. Talvez por ignorância, burrice, má fé ou incapacidade de mudar de opinião, de reavaliar crenças e preconceitos, alguns continuam a agir como donos exclusivos da verdade, da sua verdade. Demostram seu desprezo olímpico pelas mais elementares normas de saúde pública preconizadas para esta época de pandemia, teimando em se exibir como verdadeiros atletas do negacionismo.
 
Um desses parece ser nosso incomível presidente. Mas uma coisa precisa ser dita: é comovente ver seu esforço para estimular as pessoas a praticar atividades físicas. Como quando, por exemplo, mesmo de terno, resolve fazer flexões de braço com um dos joelhos apoiado no chão (providencialmente oculto pelo paletó aberto). Nesses momentos, pouco se importando de pagar mico e de ser ridicularizado às escondidas até por seus puxa-sacos exibe a “pescoçada”, uma nova forma de praticar o exercício observada até pelo filho 01: “Pagando 10 flexões e o Jair Messias Bolsonaro pescoçando! rs #oquevaleéaintenção #10peloBrasil”.

Por isso, por seu imbroxável e imorrível perfil de atleta, acho estranho e até injusto que nunca tenha participado de nenhuma olimpíada. E como estamos torcendo para que nossos atletas conquistem alguma medalha, qualquer medalha, creio que este seria o momento de nosso presidente ganhar algumas nos esportes em que mais se tem destacado. A seguir, algumas sugestões de premiação ao nosso atleta-mor (porque ele merece!) que apresentei ao COF - Comitê Olímpico do Facebook:



domingo, 1 de agosto de 2021

CUECA

Às vezes eu vejo publicações tão engraçadas nas redes sociais que sempre achei uma pena deixar que se perdessem na internet sem compartilhá-las com os amigos do Blogson. Aí resolvi mudar. Esta é a primeira, pois foi muito além do que eu jamais conseguiria imaginar (morri de inveja, pois a realidade ganhou de sete a um da imaginação). 



 

O TEMPO - MÁRIO QUINTANA

  A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê...