Eu acredito já ter falado sobre isso aqui no
Blogson pelo menos umas duas vezes. E o “isso”
é a preservação da memória de pessoas falecidas. As pessoas comuns, aquelas que
nunca serão famosas, que nunca se distinguiram em nada, que nunca foram
protagonistas de grandes momentos históricos, aquelas anônimas que representam
mais de 99% da população mundial nunca serão lembradas em livros de história,
não terão bustos em praça pública nem discos gravados ou filmes guardados em
cinematecas.
Infelizmente, por mais simpáticas, inteligentes,
divertidas que sejam essas pessoas, seu destino é ser rapidamente esquecidas,
virar “poeira de estrelas” depois de morrer, o que venhamos e convenhamos é uma
puta injustiça, ainda mais se lembrarmos de que existem babacas que são
incensados e adorados por multidões mesmo sem ter nenhuma qualidade para que
isso aconteça.
Não há cloroquina ou panaceia que cure essa
caminhada rumo ao esquecimento mais absoluto. Mas há uma forma de se obter uma “sobrevida”
(fiquei tentado a escrever “sobremorte”): você continuará “vivo” enquanto
alguém lembrar-se de seu nome, guardar algum retrato seu ou souber contar algum
episódio ou caso acontecido com você. Quando ninguém mais der notícias suas,
do que foi ou que fez, de suas pequenas vitórias, derrotas ou perdas, aí você entrará
para o grupo dos bilhões de anônimos que passaram pela Terra e que viraram apenas átomos e alguns ossos. Bom este é meu
pensamento.
Isso explica por que gosto tanto de ouvir e
de contar casos, de registrar minhas lembranças. Não só pensando nas pessoas
com quem convivi, mas em mim também. Curto retratos antigos, certidões de
nascimento manuscritas e quase ilegíveis, cartas, bilhetes, anotações, enfim,
qualquer coisa que me conecte mentalmente com quem já morreu. Preciso lembrar
que não acredito em espiritismo, reencarnação e baratos afins. Minha praia é uma
viagem puramente emocional.
Justamente por isso eu pirei quando um de
meus filhos me mandou um link de pesquisa genealógica .da Igreja de Jesus
Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Eu já tinha ouvido falar da obsessão dos mórmons
por coletar, digitalizar e armazenar zilhões de documentos, fotos, nomes e datas de pessoas já falecidas em um depósito subterrâneo à prova de bomba atômica que construiram em Salt Lake
City. E o
motivo é no mínimo curioso.
quarta-feira, 12 de maio de 2021
GENIOLOGIA
segunda-feira, 10 de maio de 2021
VELHICE - VINICIUS DE MORAES
Em 1933, quando tinha apenas 20 anos, Vinicius de Moraes escreveu o poema “VELHICE”, onde faz esta previsão (seria premonição?):
Virá o dia em que hei de ser um velho experiente
Olhando as coisas através de uma filosofia sensata
E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite.
Nesse dia Deus talvez tenha entrado definitivamente em meu espírito
Ou talvez tenha saído definitivamente dele.
Então todos os meus atos serão encaminhados no sentido do túmulo
E todas as ideias autobiográficas da mocidade terão desaparecido:
Ficará talvez somente a ideia do testamento bem escrito.
Serei um velho, não terei mocidade, nem sexo, nem vida
Só terei uma experiência extraordinária.
Fecharei minha alma a todos e a tudo
Passará por mim muito longe o ruído da vida e do mundo
Só o ruído do coração doente me avisará de uns restos de vida em mim.
Nem o cigarro da mocidade restará.
Será um cigarro forte que satisfará os pulmões viciados
E que dará a tudo um ar saturado de velhice.
Não escreverei mais a lápis
E só usarei pergaminhos compridos.
Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos.
Cheio de irritação para com a vida
Cheio de irritação para comigo mesmo.
O velho cujo único valor é ser o cadáver de uma mocidade criadora.
sábado, 8 de maio de 2021
MATA CILIAR
Se existem duas pessoas muito preocupadas com o desmatamento somos eu e o simpático ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. No caso dele, suspeito que seja da área de Exatas, pois, fundamentalista roxo como é (perdão, eu queria dizer “verde e amarelo”), deve ter um entendimento literal do que “meio” quer dizer. Para ele, só deve significar metade do todo. Ou seja, só quer ou consegue enxergar metade do pepino que teria por obrigação descascar. Mas com Jotabê a coisa muda de figura, pois esse ecologista renomado consegue ter uma visão abrangente (e pleonástica) das duas metades da laranja, pois sempre soube que dois e dois são cinco.
Justamente por isso e de olho no olho da Poca (e em outros atributos da funkeira), Jotabê tomou uma decisão radical: a partir de agora, contra tudo e contra
todos, porá a mão na massa, enfiará o pé na jaca, chutará o balde, mergulhará
de cabeça, enfrentará o problema de peito aberto e todos os demais clichês que
existirem, pois combaterá a erosão com o cultivo de uma mata ciliar cada
vez mais exuberante.
Assim, esse coeficiente de arrasto está cada vez mais arrastando a pele do
rosto para baixo. Já vejo até o dia em que coçarei simultaneamente o queixo e o umbigo com a mesma mão - e de uma só vez! Por isso, resolvi deixar crescer uma mata ciliar não postiça no rosto, só para combater a erosão causada pelo tempo,
tempo, tempo, tempo. E, podem acreditar, precisei vencer duas grandes
resistências. A primeira é meu TOC de longo alcance, pois pretendia deixar novamente
crescer a barba só quando tivesse oitenta anos - e se ainda estivesse vivo! (deixei com 20, 42 e 65 anos,
entendeu?). E a segunda objeção veio de minha mulher, que não gostou quando lhe
falei de minha decisão, pois pressinto que seu pensamento tenha sido este: “para trocar merda por merda, deixe como está”.
sexta-feira, 7 de maio de 2021
NÃO DÁ PARA FICAR CALADO
Nosso presidente é mesmo um espanto, pois consegue despertar o que há de pior em quem fica sabendo de suas crenças, declarações ou decisões, seja alguém que faz parte de seus apoiadores ou que pertença ao grupo (a maioria da população) que o odeia ou critica. Aqueles que o apoiam fazem carreatas, passeatas, acreditam ser seu monopólio o uso da bandeira brasileira, desprezam o isolamento social, usam máscara no queixo ou agridem verbalmente quem critica seu mito.
Quando
vejo pessoas dizendo coisas como "Deus acima de tudo" eu fico
perplexo, pois como ficam os ateus nessa história? Ou os hinduístas com seus
deuses tão distintos uns dos outros? Eu nem me prendo a nenhuma vertente do
Cristianismo. Eu penso isso em relação a qualquer religião, inclusive as não
cristãs - judaísmo, islamismo, umbandismo ou até mesmo o ateísmo. Todos podem acreditar no que quiserem, só não podem esperar ou exigir que as demais pessoas
tenham as mesmas convicções ou crenças. Outro dia eu brinquei com um amigo ao
dizer que sou um católico ateu ou um ateu católico, justamente porque minhas
crenças são passíveis de mudança, ou seja, eu creio em tudo e não creio em
nada. Não tenho certeza de nada, pois não há como provar nada. A fé parte de
dentro de cada um, concorda?
Se o governo tivesse comprado as 70 milhões de vacinas oferecidas pela Pfizer e as tivesse recebido e aplicado a partir de dezembro de 2020 a vida de uma porcentagem imensa dessas duzentas mil mortes poderia ter sido evitada. Quantas? 50.000? 20.000? 10.000?
Mas não foram, por culpa de uma pessoa que não conseguiu entender a gravidade da situação, que recusou a proposta da Pfizer, que ridicularizou o uso de máscara, que criticou o isolamento social e que propagandeou o uso de medicamentos que a comunidade científica mundial declarou ineficazes para tratamento da Covid.
Se você sabe de tudo isso e ainda assim sai às ruas para apoiar quem age dessa forma, pode acreditar, você está com o cérebro anestesiado ou é muito pior que ele.
quinta-feira, 6 de maio de 2021
MARCANDO CONSULTA
Desde que eu e minha mulher tomamos a segunda
dose da Coronavac não paramos de fazer planos. Mas planos prosaicos, banais,
ingênuos. Nada de viagens fabulosas, nada de passeios inesquecíveis, nada de atividades
indescritíveis. O que queremos mesmo (e ainda não fizemos) é ir a um
supermercado depois de ficar trancados em casa por quatorze meses. O que
queremos é fazer consultas médicas, fazer exames de sangue e até de próstata,
no meu caso. Por conta de uma demanda há muito reprimida,
marquei doze consultas com oito médicos de uma sentada só, mas ainda faltam os
exames de sangue para levar nos dias das consultas. Creio que este mês as
despesas compartilhadas de meu pano de saúde deverão explodir, com severo
impacto nas nossas finanças. Tudo bem. Neste
ponto, preciso contar um caso verídico que aconteceu com minha cunhada. Ela trabalhava em uma clínica médica que
tinha convênios com várias empresas. Uma dessas agendou uma batelada de exames
para seus funcionários mais graduados. Um dia, um dos diretores foi buscar os
resultados dos exames que tinha feito e, junto com um pedido de mil desculpas pela falha,
foi informado que tinha deixado de fazer um, justamente o de toque retal
para avaliação da próstata. Aparentemente, nunca tinha feito esse exame, pois perguntou
de que se tratava. A constrangida atendente explicou de forma breve como seria
realizado e informou que não precisava se preocupar, que fazia parte do pacote contratado pela empresa. A
reação do executivo foi hilária, pois disse que se não tinha que pagar nada estava tudo bem.
A partir desse dia os funcionários da clínica adotaram a máxima de que “de graça até exame de próstata”. Voltando agora ao nosso caso, posso dizer que
fechado em casa durante quatorze meses, fiquei até com saudade do exame de
toque. Pois é... Mas isso ainda não é o tema deste post. Já disse que sou um
puxa-saco profissional, um gentleman,
um sujeito que faz questão de tratar bem pessoas desconhecidas, um cara que cumprimenta, que
elogia e que agradece - mesmo que nunca queira conviver com elas. E esse
estilo, este comportamento tem-me dado um trabalho do cacete. Ao ligar para oito consultórios, clínicas e
hospitais distintos fui também atendido por oito funcionários e funcionárias
diferentes. Fiel a meu estilo, fiz questão de perguntar o nome de cada pessoa
que me atendeu. E esse é que é o problema, pois não conseguia entender direito
o nome informado. Como disse, sendo gentil e atencioso pedia desculpa por não entender dizendo sempre que sou
um pouco surdo, “pois sou muito velho”
- e ainda brincava perguntando se a atendente não tinha escutado o rugido de um
dinossauro. E perguntava novamente o nome de quem estava me atendendo.
Sinceramente falando, nem com repetição eu consegui entender dois desses nomes.
Também, que mandou ser batizado ou batizada com nomes como Warlison, Clauderice
ou Derliane?
Aparentemente, a esculhambação instalou-se nos cartórios de registro civil, pois quase ninguém mais é registrado com nomes tradicionais, civilizados e bonitos tipo Amintas, Epaminondas ou Sebastião. Nada de Benedita, Carlota ou Efigênia. O que tem hoje de y, w, k e l dobrado nas certidões de nascimento não está no gibi. Se eu pudesse e me dessem autoridade para tanto, faria uma norma, um
decreto ou regulamentação que impedisse o registro de crianças com nomes
ridículos e assinaria solenemente em baixo:
JOSÉ BOTELHO PINTO
terça-feira, 4 de maio de 2021
BOMBA DE NÊUTRONS
Em 1945, quando o Enola Gay liberou a Little Boy para cair sobre Hiroshima, liberou também o “anjo exterminador” que ela transportava. O resultado disso foi a destruição quase total da cidade e a morte de 90 a 166 mil pessoas - 50% desse número só no dia da explosão. Em Nagasaki o “vetor” de outro exterminador foi a bomba Fat Man, que provocou a morte de 60 a 80 mil pessoas. Na melhor hipótese, 150 mil pessoas perderam a vida com as explosões. Na pior hipótese, 246 mil vítimas fatais. Segundo o governo japonês, 192.719 pessoas sobreviveram a essa hecatombe. Assim, o total de atingidos varia entre 342.000 e 438.000 pessoas.
O que sei é que desde 17/01/21, quando a primeira dose foi aplicada em uma enfermeira de São Paulo ocorreram mais 196 mil mortes (406 – 210). Sem entrar no mérito da
necessidade de uma análise matemática ou estatística mais aprofundada, vou chutar
(estimar) que 50% dessas novas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse
uma vontade política de correr atrás de vacinas, corrida de velocista olímpico,
corrida de Usain Bolt. Mas, infelizmente o Brasil “queimou a largada”, resolveu
correr no sentido contrário da raia e foi "desclassificado".
Voltando aos números
coletados, 50% de 196.000 falecimentos em decorrência da Covid correspondem a 98.000
mortes, mortes que poderiam ter sido evitadas, número de vidas perdidas tão
elevado quanto em Hiroshima e Nagasaki. E a culpa dessas 98.000 mortes é de quem? De uma "bomba de
nêutrons" que assumiu a presidência, de um homem que resolveu manter-se neutro
enquanto as pessoas iam morrendo por não ter sido vacinadas a tempo. Aliás, neutro
não, alheio, indiferente à tragédia que ocorria e ocorre no país onde grande parte da
população o elegeu para ter uma vida melhor e sem corrupção mas não para engolir suas crenças e preconceitos.
Ele poderá não ser condenado
a nada, não sofrer impeachment e até ser reeleito em 2022. Seus seguidores
podem continuar a endeusá-lo, a mitificá-lo, a justificar, ignorar ou desculpar suas
inúmeras burradas, mas ele nunca ficará livre das 98.000 mortes que poderia ter
evitado. Esse é um número exagerado, superestimado? Ok, vamos reduzi-lo para 10 mil (ou 5 mil ou até mesmo 3 mil). O número real é irrelevante, pois são vidas que poderiam ter sido poupadas. E isso não se perdoa nunca.
domingo, 2 de maio de 2021
QUE DIA É HOJE?
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