Quando eu e meu irmão éramos crianças, nossa mãe nos levava uma
vez por mês a uma matinê do Cine Tupi que acontecia na parte da manhã (onze horas, se não me engano). Em uma dessas eu vi um filme sobre vida selvagem, produzido pela Disney. Creio que o título era "Maravilhas da Natureza" e era composto por pequenos documentários que mostravam animais que nem sonhava existir. Um deles ficou marcado na minha mente. Como disse o Drummond, "nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas".
O filme mostrava o comportamento dos lêmingues (ou lemingues), bichinhos da região ártica parecidos com porquinhos-da-Índia, iniciando uma migração. Essa movimentação toda seria provocada pela superpopulação, associada à crescente falta de alimento. Os bichinhos saiam em corrida desabalada e iam aos poucos se agrupando em bandos com centenas deles, que continuavam a correr, em direção ao mar. Chegando à borda dos penhascos, acabavam atirando-se lá de cima. Uns morriam já na queda, outros iam nadando, nadando, até se afogar. Como criança não liga muito para sentimentos, não senti horror nem pena dos animaizinhos. Eu tinha uns nove, dez anos e só fiquei impressionado e surpreso com esse comportamento suicida.
Só recentemente descobri a verdade: as migrações devidas à superpopulação e à escassez de alimentos ocorrem realmente; pode acontecer que o tumulto do deslocamento provoque alguma queda ou eventual afogamento , mas os lêmingues não se suicidam. Os do filme foram atirados ao mar pela equipe de filmagem (there's no business like show business!). Aqui entra a pergunta: por que estou me lembrando disso?
Pois bem, eu acredito que não estamos distantes do momento em que teremos comportamento parecido. Pode ser paranoia, maluquice ou início de demência, mas perdi totalmente a fé no futuro da humanidade. Pelo menos, em um futuro não hostil. E a causa é a superpopulação associada ao aquecimento global, às mudanças climáticas, à extinção das espécies, à escassez crescente de água potável e a todo tipo de mazelas que podem ser observadas hoje em dia.
Segundo eu li, graças a um comportamento de deixar coelho morto de inveja, os lêmingues atingem o auge da explosão populacional a cada quatro anos. Como não plantam nem colhem, não fiam nem tecem (não resisti), vêem-se impelidos a migrar. Com a espécie humana acontece o oposto, pois plantamos e colhemos, fiamos e tecemos. Mas não temos para onde migrar! E aí, fico pensando que todos os livros e filmes já escritos e realizados sobre o fim da espécie humana são (ou foram) apenas premonitórios.
Outro dia escrevi um texto sobre a superpopulação e o desperdício de alimentos, mas achei que estava incompleto e muito ruim (o que não é novidade neste blog). Por isso, resolvi aproveitá-lo como complemento e comentário do meu pessimismo em relação à sobrevivência da espécie humana. Falando sobre isso com um dos filhos, disse-lhe que por mais que eu deseje ter netos, acho isso extremamente injusto e egoísta de minha parte, pois o futuro onde viverão será trágico. Para me consolar e me fazer desencanar, meu filho respondeu: - "preocupa não, quem vai se foder são eles". Achei graça, mas a angústia pelo que virá só tende a aumentar.
O filme mostrava o comportamento dos lêmingues (ou lemingues), bichinhos da região ártica parecidos com porquinhos-da-Índia, iniciando uma migração. Essa movimentação toda seria provocada pela superpopulação, associada à crescente falta de alimento. Os bichinhos saiam em corrida desabalada e iam aos poucos se agrupando em bandos com centenas deles, que continuavam a correr, em direção ao mar. Chegando à borda dos penhascos, acabavam atirando-se lá de cima. Uns morriam já na queda, outros iam nadando, nadando, até se afogar. Como criança não liga muito para sentimentos, não senti horror nem pena dos animaizinhos. Eu tinha uns nove, dez anos e só fiquei impressionado e surpreso com esse comportamento suicida.
Só recentemente descobri a verdade: as migrações devidas à superpopulação e à escassez de alimentos ocorrem realmente; pode acontecer que o tumulto do deslocamento provoque alguma queda ou eventual afogamento , mas os lêmingues não se suicidam. Os do filme foram atirados ao mar pela equipe de filmagem (there's no business like show business!). Aqui entra a pergunta: por que estou me lembrando disso?
Pois bem, eu acredito que não estamos distantes do momento em que teremos comportamento parecido. Pode ser paranoia, maluquice ou início de demência, mas perdi totalmente a fé no futuro da humanidade. Pelo menos, em um futuro não hostil. E a causa é a superpopulação associada ao aquecimento global, às mudanças climáticas, à extinção das espécies, à escassez crescente de água potável e a todo tipo de mazelas que podem ser observadas hoje em dia.
Segundo eu li, graças a um comportamento de deixar coelho morto de inveja, os lêmingues atingem o auge da explosão populacional a cada quatro anos. Como não plantam nem colhem, não fiam nem tecem (não resisti), vêem-se impelidos a migrar. Com a espécie humana acontece o oposto, pois plantamos e colhemos, fiamos e tecemos. Mas não temos para onde migrar! E aí, fico pensando que todos os livros e filmes já escritos e realizados sobre o fim da espécie humana são (ou foram) apenas premonitórios.
Outro dia escrevi um texto sobre a superpopulação e o desperdício de alimentos, mas achei que estava incompleto e muito ruim (o que não é novidade neste blog). Por isso, resolvi aproveitá-lo como complemento e comentário do meu pessimismo em relação à sobrevivência da espécie humana. Falando sobre isso com um dos filhos, disse-lhe que por mais que eu deseje ter netos, acho isso extremamente injusto e egoísta de minha parte, pois o futuro onde viverão será trágico. Para me consolar e me fazer desencanar, meu filho respondeu: - "preocupa não, quem vai se foder são eles". Achei graça, mas a angústia pelo que virá só tende a aumentar.
Para encerrar este post insosso e inacabado, apenas acrescento que talvez essa sensação esteja inconscientemente relacionada à percepção da minha própria finitude. Pode ser isso e espero mesmo que seja. Afinal, como já disse antes, o Blogson é uma especie de auto-terapia para mim, pois é aqui que eu exponho meus grilos, preconceitos, minha raiva, impaciência e meus medos, medos, medos...