Um dia você descobre
Que padecer de solidão
É o pior dos pesadelos
E até que você se recobre
E sinta que estar sozinho –
Mesmo com alguém ao seu lado –
Fará com que se perca
Em lembranças da infância
E tudo o que fizer ou tentar
Trará a marca, a cicatriz
Dessa carência, de se sentir
Só, talvez sem poder respirar
Sem conseguir espantar
O fantasminha infantil
Que insiste em te atormentar.
Tudo o que alguém deseja
Tudo o que se quer é se agarrar
Em qualquer coisa, qualquer pessoa
Que pareça conseguir ser
Sua salvação, seu porto, seu cais.
E dói descobrir que não:
Nunca foi, não é mais.
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