terça-feira, 7 de outubro de 2014

MANIFESTAÇÕES E PROTESTOS

Quando eu digo que orgulho é coisa de pobre, todo mundo fica puto comigo. Às vezes eu penso em dizer “Bazinga!”, mas não sei se todos irão entender (quem já assistiu algum episódio da série "The Big Bang Theory" entende). 

Mas, falando sério, eu realmente vejo o “Orgulho” como um sentimento de “segundo escalão”, porque na maioria das vezes pressupõe que alguém se sobrepôs a outro, que conseguiu mais do que todos, que foi o vencedor de alguma coisa. 

Então, o orgulho seria um sentimento que exige comparação de uma pessoa com outras. Seria, talvez, o sentimento predileto dos atletas de esportes de competição. É também o  dos pobres de espírito e dos complexados que venceram na vida. Embora isso seja só um delírio pessoal, eu conheço gente assim.

Para mim, os sentimentos top de linha são Felicidade, Amor, Prazer. Quando eu faço alguma coisa legal, que eu nem sabia ser capaz de fazer e atingir, os sentimentos que surgem são Prazer e Felicidade (isso está meio piegas? Foda-se).

Agora, o caso que motivou essa conversa mole: no final do mês passado, estava com meu filho quando passamos perto de uma igreja evangélica. O pastor vociferava e gritava em tão alto volume, que dava para escutar do outro lado da avenida. Ouvindo aquela loucura (e por conta de tantos protestos mais ou menos recentes), comentei que esse pastor também estava protestando. Aí meu filho lascou: – “Claro, ele é protestante...”

Sem sacanagem, como bom pai coruja, eu fiquei todo orgulhoso. Porque, embora eu sempre diga que orgulho é coisa de pobre, naquele dia eu me senti no direito de me orgulhar, pois o saldo bancário que eu tinha acabado de consultar estava uma merda.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

MELHOR IDADE? SEI...

Desde a primeira vez que ouvi alguém usar a expressão “melhor idade” eu fiquei puto. Sério! Isso é coisa de gente hipócrita ou criação de alguma assistente social de órgão público. Essa asneira é tremendamente ofensiva para quem já passou dos cinquenta. Melhor idade em que, pombas?

Pense bem, aos sessenta anos (data de partida da “melhor idade”) – ou até antes disso – o(a) infeliz está da seguinte forma: tudo o que deveria aumentar ou manter-se, diminui. Por outro lado, o que deveria diminuir ou manter-se, aumenta. A pressão arterial, a glicose, a perda de memória e a barriga aumentam. Diminui a resistência, o sono, a audição, a visão, a disposição e o tônus muscular.

E por falar em tônus, aliado a tudo isso, há ainda o efeito da força gravitacional (salve, Newton!) sobre o corpo. Com a perda de tônus muscular, tudo cai – as pálpebras caem, as bochechas, os seios, as bundas, as pelancas, as papadas e até os cabelos. Isso, sem falar na ereção, pois, quando ainda existe (existe!!), a coisa fica como as bandeiras de prédios públicos em dias de luto oficial: a meio pau...

Por isso, pensando naqueles que ainda insistem em tentar enganar os velhinhos com o papo furado de “melhor idade”, eu sugiro outro nome para essa faixa etária, um nome mais condizente com a queda dos corpos:

GRAVIDADE...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O POETA TWITTER - MÁRIO QUINTANA

Todas as vezes em que via alguma coisa do (ou sobre o) poeta gaúcho Mário Quintana publicada em revistas e cadernos "B", eu ficava meio sem entender. Os poemas mais pareciam frases bem sacadas do que poesia propriamente dita. Se ainda estivesse vivo, seria o rei dos “140 caracteres”. 

Essa concisão me fez pensar que ele é (foi) o verdadeiro “poeta twitter”. Com essa ideia na cabeça, busquei no Guga mais informações sobre o gaúcho. E descobri coisas bem legais, bem legais mesmo. A vantagem de ser ignorante é essa: tudo o que você lê é novidade.

Depois de ler uma definição que fez de si mesmo, resolvi reverenciá-lo, mesmo desconhecendo tudo, mas tudo mesmo de sua obra. Tudo o que eu conhecia era a sua economia de palavras. Então, se não conheço sua obra, por que reverenciá-lo? A resposta à pergunta é a auto-definição. Só ela  justifica a homenagem.

E como sou realmente ignorante, transcrevo um comentário simpaticíssimo sobre o fato de o reverenciado de hoje ter nascido no Rio Grande do Sul:

Parece que apenas poetas cariocas e paulistas não precisam de gentílico. Difícil ler “o poeta carioca Vinícius de Morais” ou “o paulista Oswald de Andrade”. Mas lemos a toda hora “o pernambucano João Cabral”. Infelizmente, apenas os do Rio e de São Paulo estão dispensados de exibir a carteira de identidade. (Antonio Carlos Secchin, poeta, crítico literário e acadêmico da ABL)

E agora, uma pequena amostra da obra do Quintana, começando pela a descrição motivadora da homenagem (não sei por que me fez lembrar alguém) e mais quatro poemas – um soneto do início de carreira e três poeminhas twitter. Vamos lá.

“Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.

Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro — o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu…

Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese.

Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo — que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras”.


A Rua dos Cataventos
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!


Do amoroso esquecimento
Eu agora — que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?


Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!


Envelhecer
Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

CURTA ESSA TAMBÉM

VOCÊ SABIA?
Eu só não sou 100% politicamente incorreto, porque detesto radicalismo.

ARQUEOLOGIA
Depois de uma ida ao dentista, descobri que minha boca mais parece um sítio arqueológico: só tem ruína.

CADEIA
Para os dentistas, dente é "elemento" (elemento 41, etc.). Nesse caso, minha boca está mais para cadeia de delegacia, pois só tem mau elemento.

PROPAGANDA ELEITORAL
O que se pode dizer daqueles para quem "os fins justificam os meios"? Que não têm princípios, lógico.

BEST SELLER
Os livros, a Literatura, sempre fizeram minha cabeça. Agora, falar que minha cabeça tem "50 tons de cinza" é sacanagem!
(Bloguição também é cultura)

ALFORJE
Às vezes penso que em boa parte do tempo (99%) eu posso ser visto como um mala sem alça. Mas, por coerência com minha idade, talvez eu seja mesmo é um alforje sem alça.

DIFERENÇAS IRRECONCILIÁVEIS
Uma vez eu li que o Stephen Hawking – ao se divorciar da esposa – disse que o fez "por diferenças irreconciliáveis de pensamento" (ele é ateu e ela não). Para mim, ele bem que poderia ter dito a verdade, ou seja:
"pertencemos a mundos diferentes, ela ao reino animal e eu, ao vegetal”.
(Gu, reserva pra mim também um lugar no inferno!).

FACEBOOK
Hoje aconteceu uma coisa que me fez lembrar uma propaganda da NET ("não é NET, mas é tipo NET") que passou recentemente na TV. É que recebemos um exemplar da revista CARAS, de cortesia.
Pois bem, agora eu posso dizer  que, mesmo não tendo Facebook, eu tenho alguma coisa tipo Face_book: eu tenho Caras_magazine!



domingo, 28 de setembro de 2014

CITIUS, ALTIUS, FORTIUS

Antes de começar a divagar, preciso deixar bem claro que sou contra qualquer tipo de segregação ou exclusão. Eu desejo exatamente o contrário! Meu sonho e desejo é que as crianças e os jovens brasileiros tenham acesso a um ensino de qualidade,  a uma educação de morador de Cingapura. Meu sonho é que toda a população tenha acesso a uma saúde de sueco, que não tenha que ficar deitado em macas deixadas nos corredores de hospitais e unidades de saúde. Esse é o meu sonho. Mas, fora disso, é cada um por si, de acordo com suas próprias ambições, limitações, inteligência e capacidade. Paternalismo estatal, nem pensar.

Repetindo o que já disse antes em outro post (perdoem-me pela auto-citação), “Somos pessoas singulares, não somos iguais (embora devamos ter oportunidades básicas iguais). (...) É lógico que devemos tentar corrigir as injustiças, mas devemos sempre nos lembrar de que os resultados não serão iguais para pessoas que são diferentes entre si". Dito isso, vamos ao assunto deste post.

Sou um ignorante, um caipira. Eu ignoro tantas coisas, tantos assuntos, que me atrevo a dizer que sou um ignorante completo, pleno, uma verdadeira toupeira. Apesar disso, tenho a mania de dar palpite em tudo, com especial ênfase nos assuntos de que não entendo porra nenhuma. Por isso, hoje eu vou fazer uma viagem que irritará todos os tipos de cristãos, os ateus e, principalmente simpatizantes do socialismo e/ ou comunismo. Se este blog fosse conhecido, eu receberia um caminhão de críticas e xingamentos. Como – desde sua criação – recebeu pouco mais de mil acessos, é provável que ninguém chie. Vamos lá.

Alguém já parou para pensar que Jesus provavelmente desaprovaria o socialismo? (relaxe, não atire a primeira pedra!) Basta reler algumas de suas belíssimas parábolas. Para exemplificar o que acabei de dizer, transcrevo a “Parábola dos talentos” (Mateus 25: 14-30):

Pois é assim como um homem que, partindo para outro país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. O que recebera cinco talentos, foi imediatamente negociar com eles e ganhou outros cinco; do mesmo modo o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que tinha recebido um só, foi-se e fez uma cova no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra no gozo do teu senhor. Chegou também o que recebera dois talentos, e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito, entra no gozo do teu senhor. Chegou por fim o que havia recebido um só talento, dizendo: Senhor, eu soube que és um homem severo, ceifas onde não semeaste e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder o teu talento na terra; aqui tens o que é teu. Porém o seu senhor respondeu: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e que recolho onde não joeirei? Devias, então, ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, teria recebido o que é meu com juros. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos; porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem, ser-lhe-á tirado. Ao servo inútil, porém, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá o choro e o ranger de dentes”.

Que eu posso dizer? Meritocracia pura, para Jorge Lehmann nenhum botar defeito (sou fã desse cara!). Afinal, Jesus conhecia a humanidade e sabia que as pessoas são singulares, não são iguais, razão pela qual não devem ser tratadas de forma igual (“a cada qual segundo a sua capacidade”). Mesmo que a esquerda insista em não aceitar essa verdade e reaja com "choro e ranger de dentes", para dizer o mínimo.

Em entrevista à revista Veja, o poeta Ferreira Gullar disse isso: “O capitalismo é forte porque é instintivo. O socialismo foi um sonho maravilhoso, uma realidade inventada que tinha como objetivo criar uma sociedade melhor. O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível.
A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esses milhões de pessoas. Não tem cabimento”.

Que posso eu fazer senão concordar com essa afirmação, feita por um ex-militante do PCB?
Alguém já disse que a resistência de uma corrente é determinada pelo elo mais fraco. Corretíssimo. Por isso, não dá para acorrentar toda uma sociedade à crença de uma igualdade que não existe nem na natureza. 

Quando eu vejo partidos políticos e pessoas defendendo o socialismo, a “social democracia”, é fácil eu me lembrar de minha infância pobre. Mas não me identifico de forma nenhuma com essas ideias. Desde que nasci, mesmo trabalhando a vida toda como assalariado, sempre fui a favor da democracia, da democracia capitalista. Mas abomino o “capitalismo selvagem”. Para mim, as conquistas pessoais devem ser coerentes com a capacidade, jamais com a rapacidade (boa essa!). 

Continuando nessa linha, que tal lembrar os Jogos Olímpicos? Quer coisa mais “meritocrática”? Com aquele papo de “citius, altius, fortius”, só “os” fodões ganham medalha. A prova de 100 metros rasos para homens é a mais badalada de todas as disputas; devem participar mais de cinquenta atletas de altíssimo nível. O que significa isso? Que todos tiveram a mesma oportunidade, o mesmo ponto de partida (a participação na prova), mas os resultados foram alcançados de acordo com a competência individual. O mesmo acontece nos concursos públicos, em entrevistas de empregos, em desempenho escolar. As pessoas não são iguais, os filhos de um mesmo casal não são iguais; nem os gêmeos univitelinos têm comportamentos iguais.

Finalizando esse lero-lero, só mais um comentário: para um não ateu, Deus está na origem da Natureza (relaxe, continue a ler!). Como sou darwinista, acredito piamente na evolução das espécies e, lógico na evolução da espécie humana. Acontece que essa evolução aconteceu pela seleção natural, processo onde os melhor adaptados, os mais fortes, os mais inteligentes tiveram êxito em deixar descendentes igualmente aptos. E assim, sucessivamente. Por um motivo ou por outro, até as espécies menos adaptadas ou incapazes de se adaptar rapidamente, dançaram, foram extintas (caso dos Neandertais, por exemplo).

Então, na Natureza, pode-se dizer que cada um recebe de acordo com sua capacidade, não tem essa de “irmãozinho”, de "companheiro", não existe igualdade boazinha. Pelo contrário, o pau come o tempo todo.

Assim, se Deus está na origem da Natureza, se na Natureza o que rola é a seleção natural e o sucesso do mais capacitado, então Deus não é a favor do socialismo nem do comunismo (bom sofisma esse!), mesmo que o Leonardo Boff bufe.


sábado, 27 de setembro de 2014

MINDÁ

   -     Ô tia, entrega aí o celular!

   -     Ai, meu Deus! Para que essa faca?

   -     Hoje eu tô muito doido, então, mindá a bolsa tamém!

   -     Mas isso está erradíssimo!

   -     Não quero nem saber. Passa logo!

   -     Sabe, é que eu ensino português, sou professora de língua po...

   -     Olha, Dona, eu sou é bandido, tarado não, num tô pedindo boquete.

   -     Não é isso! Está totalmente errado você falar “mindá”!

   -     Ah, é? Então passa logo a bolsa, que eu já tou sem paciência!

   -   Isso é que dá não terminar o ensino básico! Você deveria falar “dê-me sua bolsa” ou, pelo menos, “me dá a bolsa”, entende?

   -     Que saco!

   -     Vamos, repita comigo para aprender: “me dá a sua bolsa”!

   -     Vou não!

   -     Porque, está com vergonha?

   -     Passou a vontade...



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

POLÍTI RIRICA

Já que estamos em época de eleição, achei que seria pertinente abordar o assunto "política" em algum post específico. Para isso, pensei em fazer comentários curtos no estilo Blogson, porque a seco, não desce. Para não escrever muito, aproveitei alguns comentários que já tinha feito em outros blogs (sou um sujeito econômico). 
Então, vamos lá (com preâmbulo de uma pessoa genial):

Ninguém que ambiciona o poder deixa de ser um filho da puta! Pode ser um pouco mais ou um pouco menos. Mas o homem de bem, no sentido genérico e universal da palavra ‘bem’, não ambiciona o poder”. (Millor Fernandes)

FAMILIAR
Política é um assunto que preciso abordar com muito cuidado no Blogson. Afinal, este é um blog de família. E não se deve falar de pornografia quando há crianças na sala.

MAIS DO MESMO?
Por conta de um trágico acidente, duas candidatas à presidência disputam a liderança e a preferência dos eleitores (e o pior é que nem dá para falar que é uma disputa pau a pau). Só lamento, porque as duas pertenceram ao mesmo partido, um partido intolerante que vira e mexe tenta cercear a liberdade de expressão. Como imaginar então que são diferentes, que farão governos diferentes, se têm mais semelhanças ideológicas que diferenças?

REFLUXO
Talvez devesse, mas nunca me interessei muito por política. Quando compro jornal, o primeiro caderno que leio é justamente o segundo, o caderno “B”, que trata de artes, música, espetáculos, shows e todo tipo de cultura inútil. O mesmo acontece com as revistas semanais. Só quando não sobrou mais nada de interessante é que eu leio o primeiro caderno, as páginas iniciais das revistas (que sempre lembram as páginas policiais). Então, política não é uma coisa que me atraia, até porque ou dá azia ou provoca refluxo gástrico.

DIGA 32
Outro dia, ao ver a propaganda eleitoral, deu vontade de saber um pouco mais dos partidos existentes. O que descobri me deixou meio chapado. Olha só: segundo o TSE, existem 32 (!) partidos regularizados. A Wikipédia cita mais 20 (!!!) em fase de coleta de assinaturas para sua regularização. É mole ou quer mais? Ah, quer mais, né? Com trinta e dois partidos regulares era de se esperar que todo o espectro político fosse contemplado, desde a extrema esquerda até a extrema direita. Pois não é isso que acontece. Pela classificação ideológica que consta na Wiki, quatro são de extrema-esquerda, quatro são de esquerda, sete são de centro-esquerda, doze são de centro e cinco são de centro-direita. Deve existir explicação para isso, mas sabe quantos são de direita ou extrema-direita? Zeeeero.

RE PARTIDO
No duro, no duro, eu acredito que o número ideal de partidos deveria ser algo em torno de sete, assim distribuídos: extrema-esquerda, esquerda, centro, direita e extrema-direita. A lista seria completada por um ligado às causas ambientalistas e outro para abrigar os fissurados em expor sua visão religiosa da vida. As várias coligações formadas para as eleições que se aproximam demonstram que essa ideia não é desprovida de sentido. Mas, vendo a profusão atual de siglas e legendas atuais, eu pergunto delicadamente: 
POR QUE TRINTA E DOIS, CARAMBA???

MUDA BRASIL!
Nunca me filiei a nenhum partido (nem jamais farei isso), mas, depois de votar uma vez no Lula, virei eleitor “perpétuo” do PSDB. Por isso, sinto-me à vontade para perguntar por que não existe um partido de extrema direita no Brasil. Se existem quatro de extrema esquerda, qual o problema de existir um na outra ponta do espectro? Outro dia, li uma expressão que me deixou curioso: “direita envergonhada” Seria esse o motivo? Vergonha? De que, caramba? Para mim, seria o contrário: o que está faltando é vergonha na cara desse pessoal. Parafraseando o mala sem alça Cazuza, eu diria “mostra a tua cara!” Já o PT & associados não padecem desse mal, pois não tiveram nenhuma vergonha na cara que os impedisse de se afundar em escândalos variados.

TÁ ME GOZANDO!
As eleições se aproximam e eu me enfureço ao pressentir que a maioria dos brasileiros ainda vota na base da emoção ou, o que é pior, na base da gozação. Em eleições passadas (muito passadas!) vários “candidatos” tiveram votação mais do que expressiva, caso do rinoceronte Cacareco (100.000 votos em 1959) e do macaco Tião (estimados 400.000 votos em 1988). O Cacareco ganhou até marchinha de carnaval (quando ainda se gravavam marchinhas de carnaval). Com a urna eletrônica, essa farra acabou. Mas há candidatos reais que também me deixaram espantado, principalmente por terem sido eleitos (!), caso do cacique Mário Juruna e do “alfabetizado” Tiririca. Quem vota nesse tipo de candidato realmente se sente representado por ele?

URNA NÃO É LIXEIRA
Como dizia um antigo personagem do Jô Soares, “eu não sou palhaço, mas estão me fazendo de palhaço”. Apesar de todas as sacanagens recentes, apesar de todas as sacanagens futuras, mesmo que alguém sempre tente fazer o povo de palhaço, eu acredito que devemos votar, votar, votar até o saco encher e depois continuar votando. Jogar voto fora pode ser um protesto ou brincadeira (de péssimo gosto), mas não resolve porra nenhuma. Votar no menos pior é que é a saída. E torcer para ainda estarmos vivos quando um governo moderado e de centro conseguir ser eleito (claro, se não venezuelarem antes este país, se continuarem permitindo que existam eleições livres).

SINCRETISMO RELIGIOSO
Político é um bicho estranho, parece invertebrado. Adapta-se a qualquer situação, por mais constrangedora e estranha que seja (se for do PMDB então...): come buchada de bode, beija menino com meleca saindo do nariz e vai a qualquer templo religioso que possa render voto. É capaz até de, sendo ateu, cantar um ponto de candomblé em algum evento. Ou então, sendo católico ligado ao movimento carismático (prova de sincretismo religioso), candidatar-se a um cargo executivo tendo como vice um evangélico. Eu disse vice? O certo é vice-versa.

QUEM É VOCÊ?
Até onde sei, ao tomar posse como deputado da atual legislatura, o alfabetizado Tiririca apresentou-se de terno e sem aquela peruca manjada. Com isso, criou uma excelente metáfora para explicar o provável impulso que leva gente de todas as classes sociais e de todo tipo de ideologia a desejar um cargo de deputado ou senador (muito, mas muito bem remunerado mesmo): a maioria absoluta daqueles que se candidatam está pouco se lixando para a população que jura irá defender e representar. No duro, no duro, está todo mundo a fim mesmo é de “descabelar o palhaço”. Mas só o Tiririca tem autoridade moral para fazer isso.


TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS - ÁLVARO DE CAMPOS

  Tenho publicado alguns (ou vários) poemas, onde celebro o amor que estou sentindo por uma menina que me revirou pelo avesso e explodiu min...